terça-feira, 28 de agosto de 2012

A ETERNA BUSCA DA FELICIDADE


O que faz uma pessoa feliz não é a posse de um bem ou uma vida confortável. É sobretudo o projeto de vida que ela assume. 
Um grupo de amigos conversava sobre o maior bem que um ser humano pode obter e todos buscam, até mesmo ao praticarem o mal: a felicidade. O que é uma pessoa feliz? 
O que faz alguém feliz?
Como não se tratava de um grupo de pessoas que considera que a felicidade reside em fama, poder e dinheiro (pois citamos conhecidos que, apesar de terem alcançado esses bens, transparecem profunda infelicidade), decidimos recorrer aos filósofos, sábios guias da razão.
Na Apologia, de Platão, Sócrates interpela um querido amigo: “Não te envergonhas de preocupares com as riquezas para ganhar o mais possível,
e com a fama e as honrarias, em vez de te preocupares com a sabedoria, a verdade e a tua alma, de modo a te sentires cada vez mais feliz?”
Se para Epicuro a felicidade consiste na ausência de dor e sofrimento, para Descartes seria o “perfeito contentamento de espírito e profunda satisfação interior (...), ter o espírito perfeitamente contente e satisfeito”.
Será que ausência de dor e sofrimento é suficiente para uma pessoa ficar feliz? Descartes vem em socorro a Epicuro ao acrescentar “a profunda satisfação interior”. Leibniz dirá que “é o prazer que a alma sente quando considera a posse de um bem presente ou futuro como garantida.” E Kant, a “satisfação de todas as nossas inclinações”, para, em seguida, enfatizar: “É o contentamento do estado em que nos encontramos, acompanhado da certeza de que é duradouro”.
Sartre dirá que a felicidade é como “uma conduta mágica que tende a realizar, por encantamento, a posse do objeto desejado como totalidade instantânea.”
Como se observa - ponderou um dos amigos -, há quem considere a felicidade um estado de espírito, uma decorrência da subjetividade, e quem a atribua à posse de algo - poder, riqueza, saúde, bem-estar.
Concordamos que, na sociedade neoliberal em que vivemos, o ideal de felicidade está centrado no consumismo e no hedonismo. O que não significa que, de fato, ela resulte, como sugere a publicidade, da posse de bens materiais ou da soma de prazeres.
Lembramos uma lista de celebridades que, malgrado fortuna e sucesso, sofreram uma atribulada vida de infortúnios. Muitos tiveram morte precoce por excesso de medicamentos que tapassem os buracos da alma...
Um dos amigos observou que o Cristianismo, frente ao sofrimento humano, foi sábio ao deslocar a completa felicidade da Terra para o Céu, embora admitindo que aqui nesta vida se possa ter momentos de felicidade. Ao que outro objetou que o Céu cristão é apenas uma metáfora da plenitude amorosa. E que Deus é amor e não há nada melhor do que amar e sentir-se amado.
Da felicidade o papo avançou para o amor. O que é amor? Decidimos deixar de lado os filósofos e conferir a partir de nossas experiências. Um dos amigos disse se sentir feliz por ter um matrimônio estável e dois filhos que só lhe davam alegrias. Outro, na via contrária, lamentou não ter encontrado a felicidade em nenhum dos três casamentos que tivera.
Foi então que o mais velho entre nós, e não menos sábio, ponderou que uma das grandes inquietudes do mundo de hoje é que os extraordinários avanços tecnocientíficos promovem uma acentuada atomização dos indivíduos, obrigando-os a perderem seus vínculos de solidariedades (afetivas, religiosas etc.).
Esses vínculos são substituídos por outros, burocráticos, administrativos e, sobretudo, anônimos (redes sociais), distantes das antigas relações afetivas entre duas pessoas unidas uma à outra sob o signo da igualdade e da fraternidade, com os mesmos direitos e deveres, independentemente das desigualdades exteriores.
O que faz uma pessoa feliz – disse ele - não é a posse de um bem ou uma vida confortável. É sobretudo o projeto de vida que ela assume. Todo projeto – conjugal, profissional, artístico, científico, político, religioso – supõe uma trajetória cheia de dificuldades e desafios. Mas é apaixonante. E é a paixão ou, se quiserem, o amor, que adensa a nossa subjetividade. E todo projeto supõe vínculos comunitários. Se o sonho é pessoal, o projeto é coletivo.
Demos razão a ele. Viver por um projeto, uma causa, uma missão, um ideal ou mesmo uma utopia, é o que imprime sentido à vida. E uma vida plena de sentido é, ainda que afetada por dores e sofrimentos, o que nos imprime felicidade.

A MÍDIA QUE CAUSA ASCO


Há tempo largo a mídia cuida de excitar os herdeiros da Casa-Grande ao sabor de pavores arcaicos agitados por instrumentos cada vez mais sofisticados, enquanto serve à plateia, senzala inclusive instalada no balcão, a péssima educação do Big Brother e Companhia. Nem todos os herdeiros se reconhecem como tais, amiúde por simples ignorância, todos porém, conscientes e nem tanto, mostram se afoitos, sem a percepção do seu papel, em ocasiões como esta vivida pelo presidente mais popular do Brasil, o ex-metalúrgico Lula doente. E o estímulo parte, transparentemente, das senhas, consignas, clichês veiculados por editorialões, colunonas, artigões, comentariões.
Celebrada colunista da Folha de S.Paulo escreve que Lula agora parece “pinto no lixo”, cuida de sublinhar que “quimioterapia é dureza” e que vantagens para o enfermo existem, por exemplo, “parar de tomar os seus goles”. Outra colunista do mesmo jornal, dada a cobrir tertúlias variadas dos herdeiros da Casa-Grande, pergunta de sobrolho erguido quem paga o tratamento de Lula. Em conversa na Rádio CBN, mais uma colunista afirma a culpa de Lula, “abuso da fala, tabagismo, alcoolismo”. A cobra do Paraíso Terrestre desceu da árvore do Bem e do Mal e espalhou seu veneno pelos séculos dos séculos.
Às costas destas miúdas aleivosias, todas as tentativas pregressas de denegrir um presidente que se elegeu e reelegeu nos braços do povo identificado como o igual capaz de empenhar-se pela inclusão de camadas crescentes da população na área do consumo e de praticar pela primeira vez na história do País uma política externa independente. Trata-se de fatos conhecidos até pelo mundo mineral e no entanto contestados oito anos a fio pela mídia nativa. E agora assistimos ao destampatório da velhacaria proporcionado pelo anonimato dos navegantes da internet, a repetirem, já no auge do ódio de classe, as tradicionais acusações e insinuações midiáticas.
Há uma conexão evidente entre as malignidades extraordinárias assacadas das moitas da internet e os comportamentos useiros do jornalismo do Brasil, único país apresentado como democrático e civilizado onde, não me canso de repetir, os profissionais chamam o patrão de colega.
Por direito divino, está claro. E neste domínio da covardia e da raiva burguesotas a saraivada de insultos no calão dos botecos do arrabalde mistura-se ao desfraldado regozijo pela doença do grande desafeto. Há mesmo quem candidate Lula às chamas do inferno, em companhia dos inevitáveis Fidel e Chávez, como se estes fossem os amigões que Lula convidaria para uma derradeira aventura.
Os herdeiros da Casa-Grande até mesmo agora se negam a enxergar o ex-presidente como o cidadão e o indivíduo que sempre foi, ou são incapazes de uma análise isenta, sobra, de todo modo, uma personagem inventada, figura talhada para a ficção do absurdo. De certa maneira, a escolha da versão chega a ser mais grave do que a própria, sistemática falta de reconhecimento dos méritos de um presidente da República decisivo como Lula foi. Um divisor de águas, acima até das intenções e dos feitos, pela simples presença, com sua imagem, em toda a complexidade, a representar o Brasil em tão perfeita coincidência.

CRITICAR...

 A vida, muitas vezes, torna-se uma competição. A busca por espaço nos leva a desarmonizar o nosso próprio ser. Competir significa buscar atingir um objetivo, enfrentando pessoas e situações contrárias à realização deste propósito. Também pode ser que há gente melhor no jogo em que estamos inseridos e que desafia-nos a dar o melhor na busca de ocupar a posição e alcançar o fim que almejamos. Estando na competição, deparamo-nos com a crítica. Um dos caminhos que nos ajudam a tornar-nos melhor é a crítica. No entanto, precisa-se tomar muito cuidado quanto a ela, já que pode se apresentar de duas formas: positiva, elevando o nosso entusiasmo para nova partida; ou pessimista, que nos levará à frustração, dependendo do estado de espírito de cada um.
A crítica positiva é construtiva. Sempre é feita com o interesse de que a pessoa cresça, tornando-
a capaz de atingir seus objetivos. A crítica pessimista é destrutiva e pode levar o indivíduo à ruína. Dizendo de outro modo: toda crítica pode ser feita após ou durante uma boa análise, procurando apontar pequenos pontos que podem ser melhorados; mas também pode ser feita de forma superficial, no intuito de ferir a pessoa, em vez de querer melhorar tal atitude. Podemos exemplificar usando a situação de trabalho, onde um colega mostra-
se muito capaz em algo, não agradando os demais justamente por se destacar. Se estes não tiverem um bom crivo, capaz de separar uma coisa da outra, procurarão evidenciar seus defeitos, para diminuí-lo, de certa forma, tentando destruí-lo, e não construir um ser em suas ações. Criticar e também ser criticado é um grande desafio que exige muito cuidado e atenção.
Todo ser humano tem o direito de emitir suas opiniões diante de um comportamento ou de uma atitude de outrem. Entretanto, não pode e não deve arrasar seu semelhante só para ver seu fracasso. A crítica deve ajudar o outro crescer. Por isso, um dos cuidados que devemos ter é referente à forma de como a iremos fazer e qual é, de fato, nossa intenção. Quem é objeto de uma crítica deve esforçar-se para recebê-la com equilíbrio e maturidade. Uma crítica pensada, madura, bem intencionada, feita no momento certo, faz toda a diferença. Criticar também é uma arte, porém precisa ser polida e cultuada por todos nós.
Ideias, ações, projetos são necessários e oportunos, porém, às vezes, precisam ser reformulados antes de aprovados. Portanto, cabe-nos dizer que tudo deve ser efetuado com cuidado para não ferir e nem podar o crescimento de ninguém. Podemos dizer com Abraham Lincoln: “Só tem direito de criticar aquele que pretende ajudar”.

PROCURE SEMPRE MANTER A CALMA


A calma é sempre importante e precisa ser assumida, sobretudo, nas decisões mais difíceis
 Existem aqueles dias em que nada dá certo. A pessoa fica à beira de um ataque de nervos. Muitas vezes, as pessoas que nada têm a ver com o problema acabam recebendo as sobras. Quase sempre a família é envolvida pela tempestade causada pelo mau humor. A pessoa irritada acaba criando um clima de guerra, 
se alimenta mal, dorme mal, com possibilidades de tornar-se estressada.
No filme Dia da Fúria, Michel Douglas extravasa sua raiva quebrando tudo o que está pela frente. Seria até uma boa ideia, caso não existisse o risco de ser preso ou de ter de arcar com os prejuízos dos estragos. Na cidade norte-americana de Dallas surgiu uma possibilidade melhor, a Sala da Raiva. Por uma pequena quantia – cerca de 25 dólares –, a pessoa pode quebrar tudo o que tem pela frente: móveis, telefone, televisor, computador, portas de vidro, louças. O acesso de fúria tem um tempo determinado: apenas cinco minutos. Mediante outros 75 dólares, a pessoa pode prolongar o quebra-quebra por mais meia hora. No fim da terapia, o cliente pode levar um vídeo de seu desempenho. Outra instituição parecida atende pelo nome de Ginásio dos Desabafos.
Existem maneiras melhores e mais saudáveis para readquirir a calma. Já os antigos recomendavam contar até cem ou mesmo até mil, antes de assumir uma postura violenta. Vale também a sugestão de dormir sobre o problema, deixando para o dia seguinte a decisão.
Quase sempre a pessoa muda de atitude e se torna mais razoável.
O ritmo de muita gente, hoje, beira à loucura. O número de compromissos, a urgência em decidir, o excessivo tempo de trabalho, as noites mal dormidas, a busca de alívio na bebida acabam colocando os nervos em frangalhos.
A pessoa, neste caso, precisa programar melhor sua vida, distribuindo melhor o tempo, fazendo uma escala de prioridades.
Melhor que a Sala da Raiva é, por exemplo, uma longa caminhada após o expediente ou, pelo menos, no fim de semana. Outros combatem a tensão indo pescar, ouvindo música, assistindo um filme ou fazendo pequenas atividades no jardim. Ajuda a terapia também uma conversa franca com os envolvidos pelo problema. A palavra tem um valor medicinal e os familiares podem ajudar na recuperação da tranquilidade. Um provérbio chinês lembra que três coisas não podem ser recuperadas: a flecha disparada, a ocasião perdida e a palavra proferida.
O fato de gritar não prova que a pessoa tenha razão. Fale com voz tranquila e ouça as ponderações dos outros. A calma é sempre importante e precisa ser assumida, sobretudo, nas decisões mais difíceis. Não derrube pontes, pois podes precisar delas. Pense no dia seguinte. Crie espaços de silêncio e peça que Deus o ilumine. Evite supor que você é perfeito, admita os erros e, se for o caso, ria de si mesmo. Lembre, você não está procurando culpados, mas a solução. E existem três pontos de vista: o seu, o ponto de vista do outro e o ponto de vista certo.

E NOSSAS FESTAS TRADICIONAIS, COMO VÃO?


No coração das pessoas e de um povo há sempre lugar para surpresas. De um lado afirma-se que o secularismo está avançando e demolindo os símbolos da tradição religiosa. De outro lado, ano a ano aumentam as multidões nas romarias tradicionais e a participação nas festas populares. Divulgam-se pesquisas comprovando a diminuição numérica de membros das religiões históricas e o aumento das seitas. Em contrapartida, no andar da carroça e, tantas vezes por decepção de promessas e milagres fáceis, muitos voltam ao ninho original atraídos pela saudade das festas tradicionais.
Lembro-me que nos anos setenta do século passado proclamava-se, em alto e bom tom, o tempo da “morte de Deus”. O progresso científico estaria substituindo o Deus da tradição religiosa. Não haveria mais necessidade de recorrer a Ele, nem aos santos, para garantir o sucesso das colheitas ou a cura de nossas doenças. A capacidade humana haveria de substituir a necessária ajuda de Deus. Para nossa surpresa, a chegada do novo milênio veio confirmar o contrário. Mesmo de forma confusa, a humanidade se depara com as grandes questões relacionadas à vida e à necessidade de Deus. “A humanidade está com saudades de Deus!”
Não podemos ignorar a força de contágio suscitada pelos meios de comunicação social. Estes não só reforçam as festas tradicionais, mas despertam multidões em torno de novas devoções que mobilizam a festa das permanentes romarias. Não podemos prender sonhos e nem fechar caminhos para quem deseja andar em busca de algo melhor e de horizontes mais vastos.
 Muitos passam o ano um tanto distantes, mas não deixam de participar da procissão luminosa na noite do dia 13. O fenômeno em torno de Santo Antônio e sua festa cada ano é maior, melhor e mais concorrido.
Narro isto para dizer que as festas tradicionais fazem parte de uma herança religiosa e cultural que não podemos ignorar. Felizmente, na medida em que aumentam os participantes, também aumenta a justa preocupação da Igreja em organizar e proporcionar oportunidades qualificadas de evangelização e celebração. É certo que uma festa popular bem preparada sempre será bem celebrada.
A questão das festas está unida essencialmente à vivência e conservação do nosso cristianismo. Tradicionalmente, as festas sempre foram e continuam sendo veículos de catequese, centros de culto, focos de exercício da vivência comunitária e oportunidades favoráveis ao sentido da vida e da convivência. Embora, aparentemente, se trate de aspectos secundários da vida religiosa, neles pode estar sendo decidida a sobrevivência de uma religiosidade sincera e animadora de toda a vida cultural de nossos povos.

REGIÃO SUL SERÁ BENEFICIADA COM FERROVIA

O Programa de Investimentos em Logística contempla nove trechos de rodovias e 12 de ferrovias. A previsão é de que sejam investidos R$ 42 bilhões em 7,5 mil quilômetros de rodovias. Serão concedidos trechos nas rodovias BR-101, BR-262, BR-153, BR-050, BR-163, BR-267, BR-060, BR-116 e BR-040, nos Estados de MG, BA, ES, GO, TO, MT, MS e Distrito Federal. Nenhum dos trechos anunciados fica no Sul do país.
Já as ferrovias, com previsão de investimentos de R$ 91 bilhões em 10 mil quilômetros da malha – terão 12 frentes de parcerias com a iniciativa privada. Uma delas beneficiará a Região Sul, com uma ferrovia que se estenderá do Porto de Rio Grande até São Paulo, passando por Porto Alegre e Mafra (SC), de onde será feita ramificação até Maracaju (MS). Havia a esperança de que a Ferrovia Norte-Sul chegasse ao território gaúcho, mas o Ministério dos Transportes desistiu desse projeto.
Também estão projetados os ramos norte e sul da Ferroanel, em São Paulo, com acesso ao Porto de Santos, passando por Raiz da Serra e Cubatão. Outro trecho abrangerá o Mato Grosso, com ramificação ligando aos portos de Vitória e do Rio.
Recife, onde chegará a Ferrovia Transnordestina, será o destino de outra estrada de ferro, que se estenderá até Belo Horizonte via Salvador, passando por Aracaju e Maceió. Haverá ainda um grande trecho que ligará Açailândia (MA) ao Porto de Vila do Conde, em Belém, fundamental para o transporte de grãos, minérios e para a produção siderúrgica. Todos os projetos e execuções do novo programa ficarão a cargo da estatal recém-criada Empresa de Planejamento e Logística 

PARCERIAS CONTRA DEFICIÊNCIAS


 O país está sendo estrangulado por deficiências de infraestrutura de transporte. Precisa investir muito e urgentemente. Como não dispõe dos recursos necessários, busca parcerias na iniciativa privada. Foi esta realidade e a perspectiva lógica que forçaram o governo federal a anunciar, na quarta 15, um plano de concessões de rodovias e ferrovias. Nos próximos 25 anos, a  concessão dessa malha para a iniciativa privada prevê investimentos de R$ 133 bilhões, 68% em ferrovias, segundo informou o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos. Serão concedidos, ao todo, 7,5 mil km de rodovias e 10 mil km de ferrovias. O prazo inicial é de 25 anos, com possibilidade de renovação. E está prevista uma segunda etapa de concessões, que deve abranger portos e mais aeroportos, já para as próximas semanas.
A presidente Dilma Rousseff sabe que a infraestrutura de transporte brasileira precisa ser ampliada e modernizada para tornar o Brasil mais competitivo, o que pressupõe estímulo à economia e decorrente geração de empregos. “Precisamos ampliar nossas ferrovias e hidrovias que, em um país continental como o Brasil, são excelentes alternativas de transporte de passageiros e cargas, mas precisamos também investir em rodovias, aeroportos e portos, pois esses modais se completam”, afirmou Dilma. Ela, no entanto, fez questão de esclarecer que não se trata de privatização. “Estou tentando consertar alguns equívocos cometidos na privatização das ferrovias (em 1997). Na verdade, é o resgaste da participação do investimento privado em ferrovias, mas também o fortalecimento das estruturas de investimento e regulação”, declarou a presidente.
O ministro Passos assegurou que haverá condições “rígidas” para os consórcios ou empresas que vencerem os leilões de concessão dos trechos. “A seleção do vencedor será pela menor tarifa de pedágio, sem cobrança de ágio; não será cobrada tarifa na área urbana e os concessionários só poderão começar a cobrar pedágio quando tiverem, pelo menos, 10% das obras de concessão em suas respectivas áreas concluídas”, explicou.
Passos afirmou ainda que a ampliação de melhoria da rede de logística no Brasil é “condição imperativa” para reduzir os custos de produção no país. “Esse plano significa, por um lado, restabelecer uma capacidade de planejamento do sistema de transporte brasileiro para conseguirmos integrar rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos”, disse.

NATUREZA: BRASILEIRO ESTÁ MAIS CONSCIENTE


Os brasileiros estão mais conscientes sobre a importância do meio ambiente do que há 20 anos. Na comparação entre os primeiros e últimos resultados, divulgados em junho, a pesquisa “O Que o Brasileiro Pensa do Meio Ambiente e do Consumo Sustentável”, realizada desde 1992, mostrou que a consciência ambiental no país quadruplicou.
As versões do levantamento mostram que na primeira edição, ocorrida durante a Rio 92, 47% dos entrevistados não sabiam identificar os problemas ambientais. Em 2012, apenas 10% ignoravam a questão.
Na média nacional, 34% sabem o que é consumo sustentável atualmente. “Esta é uma pesquisa que mostra claramente tendências”, explicou a secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Samyra Brollo de Serpa Crespo.
Sul é destaque - Nessa projeção, a população da Região Sul mostrou-se mais engajada ambientalmente. Mais da metade dos sulistas sabem o que é consumo sustentável. “A diferença do Sul é impressionante em termos dos mais altos índices não só de acertos, mas de atitudes corretamente ambientais”, disse Samyra.
Ao longo de duas décadas, os mais jovens e os mais velhos são os que menos conhecem a realidade ambiental, mas a consciência aumentou. Há 20 anos, quase 40% dos entrevistados entre 16 e 24 anos não opinaram sobre problemas ambientais, assim como mais de 60% dos brasileiros com 51 anos ou mais. Este ano, as proporções caíram para 6% entre os jovens e 16,5% entre os mais velhos.
“Isso tende a mudar ainda mais, porque agora temos todo um trabalho de educação ambiental nas escolas, o que vai refletir nas faixas seguintes ao longo dos anos”, disse Samyra, acrescentando que o nível de consciência ambiental “cresce à medida que a população é mais informada e mora em áreas urbanas, porque significa acesso à informação. E, na área rural, ainda há o hábito de queimar o lixo”.
Disposição - Samyra afirma que os resultados mostram que a população, além de mais consciente, mostra maior disposição em relação a atitudes ambientalmente corretas e preocupação com o consumo.
A questão relacionada ao lixo, por exemplo, é um dos problemas que mais ganhou posições no ranking dos desafios ambientais montado pelos brasileiros. O destino, seleção, coleta e outros processos relativos aos resíduos que preocupavam 4% das pessoas entrevistadas em 1992, agora são alvos da atenção de 28% das pessoas. Este ano, 48% dos entrevistados, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, afirmaram que fazem a separação dos resíduos nas residências.

TRANSPORTES,GREVE E CAMPANHA POLÍTICA



Pelo menos dois fatos ocorridos na semana passada devem provocar desdobramentos na rotina do brasileiro. O primeiro foi deflagrado por servidores federais, que tumultuaram o país com uma greve, classificada por líderes de operação-padrão.
Dezenas de milhares de pessoas foram prejudicadas em rodovias, portos e aeroportos. Os servidores reivindicam reajustes salariais e para serem atendidos abusam do cidadão a quem eles deveriam servir. Todas as categorias de trabalhadores têm o direito de lutar por melhores salários, mas seus interesses não podem se sobrepor aos dos demais. O governo apresentou propostas. A tendência, porém, é de que esse movimento perdure.
O segundo também envolve o governo federal, desta
vez com benefícios à população. O programa de investimento em logística prevê concessão à iniciativa privada de diversos trechos de rodovias federais e 10 mil quilômetros de ferrovias.
A presidente Dilma Rousseff despertou para uma realidade que mostra um país estrangulado por deficiências de infraestrutura de transporte e sem recursos financeiros para enfrentá-las. Pode estar começando o fim da predominância excessiva do transporte rodoviário, opção que o Brasil adotou no final dos anos 1950. E vem aí projetos semelhantes para portos e aeroportos. O difícil, agora, é conseguir que sejam aplicados os R$ 133 bilhões projetados pelo governo. Mas o primeiro passo foi dado.
A atual semana vem com outra mudança. Nesta terça 21 teve início o horário político no rádio e na TV. Até 4 de outubro, os candidatos a prefeito, vice e vereador terão oportunidade de apresentar planos e propostas. Muitos eleitores demonstram aversão à propaganda política. Devem repensar essa posição. Acompanhar com atenção e senso crítico, avaliar e refletir são fundamentais para escolher os melhores - e depois cobrar dos eleitos o que prometeram.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

MORRER DE VELHICE


Uma senhora que conheço e é admirada por todos, tem 94 anos, a saúde dela impressiona. Esses dias, dei-lhe um beijo e lhe perguntei como ia. Puxou-me para perto e me disse ao ouvido:
-Não vou, e não é porque não quero, mas porque Deus não está querendo me levar!
Brinquei com ela, dizendo que, como somos egoístas, estamos pedindo a Deus que a conserve um pouco mais entre nós e Deus está atendendo nosso pedido. Ela riu aquele riso lento e cadenciado dos velhos e retrucou:
-Pois tratem de pedir outra coisa. Eu estou deslocada. Não tenho mais assunto para os de hoje e os assuntos de hoje não mexem mais comigo. Sou de outra época e meu lugar é o céu, onde já estão todos os que pensam como eu penso! Sou uma velha camelo-fêmea cansada que já atravessou o deserto, já bebeu toda a água que armazenou e, agora, quer mais é passar pela porta definitiva.
Não tem nenhuma dúvida. Isso aqui ela já conhece. Teve 94 anos para isso. Agora está curiosa para saber como é a eternidade. E deu a mais bonita definição de morte que já ouvi:
– Morrer de velhice é atravessar a porta do futuro e matar a curiosidade de quem já viu o que tinha que ver. Finalmente vou ver alguma coisa nova! O mundo é mais velho do que a eternidade, porque a eternidade não envelhece. Envelheci, mas não fiquei velha. Fiquei foi curiosa!

A CASA TRANSFORMADA EM LAR

É preciso acreditar na família, mas é indispensável unir a família no amor
 A vida em família pode ser trabalhosa. Quanto mais pessoas reunidas, mais trabalho para se administrar a companhia e para manter as pessoas queridas sempre por perto. É, contudo, um trabalho que vale a pena. Poder contar com uma família que tem algum interesse em estar perto de nós é um desejável privilégio, nunca um ônus.
Reuniões com familiares precisam acontecer com frequência, não apenas em momentos fúnebres e em datas de comemorações específicas. Considere que é ruim não ter ninguém de sua família que se lembre de, por exemplo, telefonar no dia do seu aniversário. Mas, pior do que isso, é não ser lembrado em nenhum outro momento.
Pense que algumas pessoas só ligam para outras em datas “especiais”, mas, quando há frequência, essas datas são apenas detalhes sem grandes significados. Datas especiais são aquelas em que temos por perto as pessoas queridas que nos querem bem. E é em nossa família que temos maiores chances de encontrar pessoas com essas características, dada a dimensão desse grupo.
Aproveite e considere, também, que não é preciso chegar o dia mau para valorizar o dia bom, ou melhor, para valorizar as pessoas que fazem com que o nosso dia seja, de fato, bom. Por isso, faça de cada dia uma oportunidade para ter algum contato com seus familiares. Assim, no dia ruim, eles se lembrarão de você. Não desista, acredite.
É preciso acreditar na família, é importante acreditar no amor, mas é indispensável ter disposição para unir a família no amor, a tal ponto de se tornarem indissociáveis. Ter a casa cheia com nossos familiares em finais de semana é um prazer superior a qualquer passeio, até mesmo pelo fato de passearmos, evidentemente, em um dos melhores lugares do mundo, a nossa casa. Para transformá-la em lar, é certo que você precisará buscar aqueles que, naturalmente, pela vontade de Deus, são seus, ou seja, os que formam a sua família.
Busque, não desista, promova reuniões em que haja diálogos não apenas entre pessoas e pessoas, mas entre pessoas e Deus. Dessa forma, aumentam as chances de sua casa ser transformada num lugar de abrigo, num lugar desejado, enfim, num lar.

TREVAS ENCOBREM AURORA


Um arsenal de 300 milhões de armas de fogo dentro dos lares americanos é sempre um estopim fácil para uma tragédia
 Atemática não é nova, a desgraça também não. Menos ainda a tristeza, a dor, o luto de tantos e tantas. E as vidas que se foram. E a discussão posterior, que em lugar de ir à raiz das causas começa a conjeturar como a morte pode ajudar a diminuir a morte injusta. Ou: como a pena de morte pode ser a solução para o ataque ensandecido de mais um assassino inesperado. 
Perdoe o leitor. Mas não podemos deixar de escrever sobre o bárbaro ataque ao cinema em Aurora, Denver, Colorado (EUA), onde várias pessoas, no sábado 21 de julho, assistiam à estreia do novo filme de Batman chamado tristemente: Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge. A violenta aventura batmaniana de repente surgiu assustadoramente encarnada na pessoa do estudante James Holmes, um jovem branco de 24 anos.
Mascarado, Holmes abriu fogo aos 30 minutos de filme e, antes de sair, causou uma nuvem de fumaça com uma bomba de gás. Algumas das pessoas acreditavam que a chegada estrondosa do homem mascarado era parte do filme. O pânico teve início quando foi sacada uma arma e Holmes começou a atirar após ter lançado um gás que embaçou a vista e desorientou os presentes. Pelo menos 12 pessoas morreram e 59 ficaram feridas.
Na contramão do filme de Woody Allen “A Rosa Púrpura do Cairo”, onde o galã sai da tela e seduz a mocinha para o encantamento do cinema que a fazia esquecer sua miserável vida cotidiana, agora o “Coringa” mascarado parecia desejar entrar no filme do qual ansiava ser personagem, levando com ele os espectadores. Assim como o sonho de Mia Farrow no filme de Allen esboroa-se diante da realidade de que a fantasia cinematográfica não é o mesmo que a realidade, a insana violência de James Holmes transformou a vida dos habitantes de Aurora em pesadelo.
Já muitas análises foram feitas sobre o fato. Queremos acrescentar uma. A nosso ver há aí dois pontos importantes. Primeiro, não é possível que tais monstruosidades continuem acontecendo de maneira a semear o pânico entre pessoas que só desejam viver, estudar em um uma universidade ou ir ao cinema. Mais uma vez aconteceu. E mais uma vez no país que lidera o Ocidente e tem influência sobre o mundo inteiro. E dessa vez no cinema, lugar de lazer, onde pareceria que haveria segurança. Não há. A violência do filme entrou na vida real, fazendo estragos irreparáveis.
O assassino tem olhar vago, de alguém que está fora de si. Parece que teve notas baixas no doutorado que fazia, teria que retirar-se da universidade e para descarregar sua frustração resolveu atirar para matar. Aos cinco minutos de fama que lhe foram concedidos sucede-se agora uma via crucis de julgamento, interrogatório e discussão entre os mandatários do Colorado, para ver se pedem a pena de morte para o seu caso. Triste solução a de tentar erradicar a morte com a morte, quando as estatísticas comprovam
que os Estados onde a pena de morte permanece só veem recrudescer a violência em seu interior.
O segundo é que parece não adiantar muitos discursos presidenciais, entrevistas a celebridades sobre o assunto etc. Há que ir à raiz do problema. E esta já foi apontada e repetida até a exaustão por pensadores como o cineasta e escritor católico Michael Moore, entre outros. Os Estados Unidos são uma nação com medo, em permanente guerra. E combate seu medo adquirindo e possuindo armas. O fato de um jovem de 24 anos poder ter tal carga de armamentos e munição fala alto sobre a terrível ameaça que pesa sobre o país, enquanto a lei do porte de armas não for modificada.
Um arsenal de 300 milhões de armas de fogo dentro dos lares americanos é um estopim fácil para uma tragédia como a de Aurora. E antes dela a de Columbine, da Virginia, e tantas outras.
Por trás da arma existe um ser humano; raivoso, frustrado ou insano. Que se não estivesse armado extravasaria seus explosivos sentimentos de outra forma. Provido de uma arma que pode comprar como se fosse batata frita ou coca-cola, comete crimes como este. Aurora desmente seu nome e mergulha nas trevas que o título do filme de Batman anuncia. O “Cavaleiro das Trevas” está de volta. E enquanto ele estiver munido de armas, todas as auroras estarão proibidas, pois qualquer luz se encontrará submersa em opacas e espessas trevas.

PAGAR O IMPOSTO DEVIDO É A MELHOR FILANTROPIA


Imposto é um dos temas mais quentes do mundo moderno.  
Nos Estados Unidos, por exemplo. Barack Obama tem usado isso como uma arma para atacar seu adversário republicano Mitt Romney. Romney é um homem rico, mas tem pagado bem menos imposto, proporcionalmente, do que um assalariado comum.
Obama o desafiou a publicar o quanto ele pagou nos últimos cinco anos. Se ele fizer isso, Obama jurou que não toca mais no assunto.
No mundo, agora. Um levantamento de um instituto independente chamado TJN mostrou, há poucas semanas, que mais de 30 trilhões de dólares estão escondidos em paraísos fiscais, longe de tributação. Se aquela cifra descomunal fosse declarada, ela geraria impostos de mais de 3 trilhões, considerada uma taxa (modesta) de 10%.
Lembremos. Imposto é chato e ninguém gosta, nem você e nem eu. Mas é com ele que governos constroem escolas, estradas, hospitais etc. Logo, eles são do mais absoluto interesse público.
­­Agora, o Brasil.
Uma notícia espetacular, a despeito do número esquálido de linhas, foi publicada na seção Radar, de Lauro Jardim, da Veja: a Globo está sendo cobrada em 2,1 bilhões de reais pela Receita Federal por impostos que alegadamente deveria recolher e não recolheu.
Segundo o Radar, outras 69 empresas foram objeto do mesmo questionamento fiscal. Todas acabaram se livrando dos problemas na justiça, exceto a Globo. Chega a ser engraçado imaginar a Globo no papel de vítima solitária, mas enfim.
Em nome do interesse público, a Receita Federal tem que esclarecer este caso. É mais do que hora de dar um choque de transparência na Receita – algo que infelizmente o governo Lula não fez, e nem o de Dilma, pelo menos até aqui.
Se o mundo fosse perfeito, a mídia brasileira cobriria a falta de transparência fiscal para o público. Mas não é. Durante anos, a mídia se ocupou em falar do mercado paralelo.
 A sonegação mina um dos pilares sagrados do capitalismo: a igualdade entre os competidores do mercado. Há uma vantagem competitiva indefensável para empresas que não pagam impostos. Elas podem investir mais, cobrar menos pelos seus produtos etc.
Nos últimos anos, o assunto foi saindo da pauta. Ao mesmo tempo, as grandes corporações foram se aperfeiçoando no chamado “planejamento fiscal”. No Brasil e no mundo. O NY Times, há pouco tempo, numa reportagem, afirmou que o departamento contábil da Apple é tão engenhoso quanto a área de criação de produtos. A Apple tem uma sede de fachada em Nevada, onde o imposto corporativo é zero. Com isso, ela deixa de recolher uma quantia calculada entre 3 e 5 bilhões de dólares por ano.
Grandes empresas de mídia, no Brasil e fora, foram encontrando jeitos discutíveis de recolher menos. Na Inglaterra, soube-se que a BBC registrou alguns de seus jornalistas mais caros, como Jeremy Paxton, como o equivalente ao que no Brasil se chama de “PJ”. No Brasil, muitos jornalistas que escrevem catilinárias incessantes contra a corrupção são “PJs” e, aparentemente, não vêem nenhum problema moral nisso. Não espere encontrar nenhuma reportagem sobre os “PJs”.
O dinheiro cobrado da Globo – a empresa ainda pode e vai recorrer, afirma o Radar – é grande demais para que o assunto fique longe do público. A Globo costuma arrecadar 10 milhões de reais com seu programa “Criança Esperança”. Isso é cerca de 5% do que lhe está sendo cobrado. Que o caso saia das sombras para a luz, em nome do interesse público – quer a cobrança seja devida ou indevida.
De resto, a melhor filantropia que corporações e milionários podem fazer é pagar o imposto devido. O resto, para usar a grande frase shakesperiana, é silêncio.

O PROBLEMA DA MÍDIA NÃO É O LULA DE HOJE, SÃO OS QUE VIRÃO.


 Lula deve ser o primeiro ex-presidente a sofrer oposição após cumprir seu mandato, como se ainda estivesse governando.
Impressiona a máquina publicitária de destruição política mobilizada contra o ex-presidente, contra seu partido e contra o governo de seu partido.
O Ministério Público Federal e, agora, a Folha de São Paulo fizeram cartilhas para crianças contando a história do mensalão. Os telejornais repetem, a cada edição, as acusações como se fossem sentenças condenatórias.
O plano de infraestrutura anunciado por Dilma só é comentado por um aspecto ruim para o governo, de ser prova da demagogia pretérita do PT quanto a privatizações.
Lula é arrolado por jornais, revistas e blogs como réu oficioso do mensalão.
Reflito muito sobre a preocupação em aliciar crianças para a visão política da mídia e da oposição. Tentam implantar na mente delas o que as pesquisas de opinião mostram que não conseguem implantar na mente dos adultos.
Chega a ser incompreensível todo esse aparato. Lula é um sexagenário doente – ao menos durante os próximos cinco anos, até que se constate se ficou ou não livre do câncer.  Quando ou se ficar livre da doença, será septuagenário.
Alguém já parou para pensar em quanto dinheiro já foi gasto para tentarem destruir a biografia de Lula? A mídia usa uma bomba atômica para tentar matar um coelho. Então você se pergunta: por quê?
A questão da mídia com Lula não é com ele, especificamente, mas com os próximos Lulas que poderão surgir se o primeiro terminar sua carreira política sem ser desmoralizado.
Por isso a mídia tenta fazer Lula, José Dirceu e o PT de exemplos do que acontece com quem a desafia. Para que não surjam outros Lulas, que nem precisarão ser retirantes nordestinos de origem humilde e sem formação universitária. Poderão ser de classe média ou até rica.
O que definirá os novos Lulas que surgirão se a mídia continuar fracassando em suas sucessivas tentativas de destruir politicamente o Lula original será a ousadia de desafiarem os que julgam que não podem ser desafiados.
Não se pode prever o fim disso. É um poder imensurável o que está sendo mobilizado. Milhões de dólares financiam a campanha de destruição política da “ideologia lulista”. Há uma busca por qualquer coisa que possa ser usada contra ele que já dura mais de duas décadas.
Será que um aparato que conta com televisão, rádio, internet, a cúpula do Ministério Público, setores inteiros do Judiciário, uma tropa de parlamentares e uma montanha de capital (inclusive estrangeiro) tem como fracassar na destruição de um único homem?

A REFORMA POLÍTICA E AS ELEIÇÕES



É ingenuidade pedir ao poder para se autorreformar. Poder e governo são que nem feijão, só funcionam na panela de pressão. O fogo que o aquece e provoca modificações em seu conteúdo tem que vir de baixo. Da pressão popular.
Por isso, o Congresso empurra com a barriga a reforma política. Medo de que qualquer alteração nas atuais regras do jogo venha a diminuir o poder de quem agora ocupa o centro do palco político. Como está é ruim, mas como estará poderá ser pior para quem ousar propor a reforma.
Na falta de reforma política, o que vemos em torno não é nada animador. A democracia reduzida a mero ritual delegatário, os partidos cada vez mais parecidos entre si, os discursos cheios de palavras vazias, e o eleitor votando em A para eleger B, considerado o quociente eleitoral.
Na verdade, nem é justo falar em democracia, e sim em pecuniacracia, já que o dinheiro exerce, somado ao tempo disponível na TV, poder de eleger candidatos.
Estimativas indicam que, na capital paulista, apenas dois candidatos à prefeitura, Serra e Haddad, gastarão, juntos, R$ 118 milhões.
De onde jorram tantos recursos? É óbvio, de quem amealha grandes fortunas – bancos, empresas, empreiteiras, mineradoras etc. Cria-se, assim, o círculo vicioso: você investe em minha eleição, eu na sua proteção. Eis a verdadeira parceria entre o público e o privado. Como se constata na CPI do Cachoeira e nos cuidados que os parlamentares tomam quando é citada a Construtora Delta.
A pasteurização da política faz com que ela perca, a cada eleição, a sua natureza de mobilização popular, para se transformar em um negócio administrado por marqueteiros e lideranças partidárias. As “costuras” são feitas por cima; os princípios ideológicos, escanteados; a militância é substituída por cabos eleitorais remunerados; os acordos são fechados tendo em vista fatias de poder, e não programas de governo e metas administrativas.
O eleitor é quem menos importa. Até porque a ciência do marketing sabe como manipulá-lo. Todos sabemos que o marketing consegue induzir as pessoas a acreditarem que a roupa do shopping é melhor do que a da costureira da esquina; refrigerante com gosto de sabão é melhor que suco de frutas; sanduíche sabor isopor é melhor que um prato de saladas.
Do mesmo modo, os candidatos são maquiados, treinados, orientados e produzidos para ocultar o que realmente pensam e planejam, e manifestar o que agrada aos olhos e ouvidos do mercado eleitoral.
A falta de reforma política impede inclusive o aprimoramento de nosso processo democrático. No Congresso, em decisões importantes, como cassação de mandatos, o voto é secreto. E isto é absurdamente constitucional. Princípio que fere a própria natureza da democracia, que exige transparência em todos os seus atos, já que os representados têm sempre o direito de saber como procedem seus representantes.
Hoje, no Brasil, o deputado e senador que você ajudou a eleger deve votar a favor e declarar ter votado contra. Mentir descaradamente. E agir segundo interesses escusos – tão frequentes nesse regime de pecuniacracia.
Há, contudo, uma novidade que escapa ao controle dos marqueteiros e das lideranças partidárias: as redes sociais. Através delas os eleitores deixam de ser passivos para se tornarem protagonistas, opinativos, formadores de opinião.
Uma sugestão ao eleitor(a): nessas eleições municipais, escreva em um papel 10 ou 20 exigências ou propostas a quem você gostaria de ver eleito vereador e prefeito. Analise quais prioridades merecem ser destacadas em seu município: saneamento? Educação? Saúde? Creches em áreas carentes? Transporte coletivo? Áreas de lazer e cultura?
Caso tenha contato direto com candidatos, pergunte a cada um deles, sem mostrar o papel, se está de acordo com o que você propõe para melhorar o município. Se ele disser que sim, mostre o papel e peça que ele assine. Você verá o resultado.

RIO 2016 SERÁ O PRÓXIMO ENCONTRO OLÍMPICO


Lição de 2012: Brasil precisa melhorar desempenho para figurar entre as potências olímpicas

O espetáculo de abertura foi repetido no encerramento da Olimpíada de Londres. Houve exageros no uso de leds, mas palco igual jamais será repetido. O Estádio Olímpico reuniu muitos dos maiores talentos musicais do mundo, em especial do rock’n’roll, com pequena dose de humor. No domingo 12, após 17 dias de competições, ídolos como George Michael, Spice Girls e The Who dividiram espaço com dois gigantes da música britânica já falecidos, John Lennon e Freddy Mercury, levando o público ao delírio.
Mas a Olimpíada de 2012 representou bem mais do que o inigualável show musical. Em Londres os Estados Unidos reassumiram a hegemonia olímpica, as competições confirmaram duas lendas do esporte, Michael Phelps e Usain Bolt, e a tradição de superação e perseverança, com frustrações e surpresas.
Desde o momento em que o prefeito de Londres, Boris Johson, passou a bandeira das Olimpíadas para o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, que repassou-a ao prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, no domingo à noite, a cidade carioca passou a ser a guardiã oficial do evento. Além do hino e das cores brasileiras, uma apresentação de 8 minutos deu ao mundo uma mostra do que o Rio será capaz de oferecer.
Criada pelos diretores Cao Hamburguer e Daniela Thomas, contou com o gari Renato Sorriso, os cantores Marisa Monte, Seu Jorge, e BNegão e a top model Alessandra Ambrósio, além de índios “high-tech”, capoeira e maracatu, entre outros elementos. No centro do palco montado, o famoso gari Renato Sorriso sambava enquanto um segurança inglês tentava retirá-lo dali. Tudo não passava de uma encenação, até que finalmente todos estivessem contagiados pelo ritmo brasileiro. Seu Jorge e Marisa cantaram “Aquele Abraço”, sucesso de Gilberto Gil.
O Brasil precisará de muito mais que sua riquíssima cultura para organizar os Jogos Olímpicos e também para melhorar seu desempenho. A expectativa gerada pela delegação de 259 atletas não foi devidamente correspondida. Com 17 medalhas, duas de bronze a mais do que em Pequim, o país ficou distante do topo do ranking, numa modesta 22ª colocação. Poderia ter ido muito melhor, em particular se alguns favoritos não decepcionassem. A recuperação pode vir em 2016, mas para isso, mais do que uma preparação exclusiva para o Rio, tem de ser implantada uma política de esporte que transforme o país do futebol em um país olímpico.

É AGOSTO E A FUMAÇA SE ESPALHA PELO PAÍS


De janeiro a julho deste ano, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), registrou 39,6 mil focos de incêndio nos biomas brasileiros país. São, em média, quase 200 por dia, afetando e, em muitos casos, destruindo grandes áreas brasileiras.
O líder do ranking de biomas mais atingidos pelo fogo é o Cerrado. O Inpe apurou 22 mil queimadas, número que se aproxima do total mapeado em todo o país em 2011 – 23,6 mil. A Amazônia vem em segundo, com 9,2 mil focos, seguida da Mata Atlântica (3,4 mil), Caatinga (3,2 mil) e Pantanal (1,8 mil). O Maranhão foi o Estado onde ocorreu o maior número de focos de incêndio, chegando a um total de 7,4 mil. Mato Grosso é o segundo com maior volume, com 6,8 mil casos, seguido pelo Tocantins (4,3 mil), Piauí (4 mil) e Bahia (3,3 mil).
Representantes de órgãos responsáveis pelo combate e monitoramento de queimadas, como o próprio Inpe e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), alertaram no início do ano sobre o risco de ocorrência de maior número de incêndios florestais.
Mesmo tendo a ação do homem como a principal origem das queimadas, é a combinação da falta de chuva, clima seco e temperatura alta que amplia o problema.

UM ROBÔ EM BUSCA DE VIDA


O Curiosity estudará o planeta nos próximos dois anos

O Curiosity já explora Marte. Trata-se do maior jipe-robô já construído para a investigação espacial. A missão, a mais ambiciosa e completa desde a década de 70, tem como objetivo principal descobrir se existe ou já existiu vida no planeta vermelho.
Marte é o planeta que mais desperta a curiosidade do homem, sendo até hoje o mais visitado por sondas espaciais. Desde os anos 1970, diversas missões não tripuladas enviaram imagens, pousaram em sua superfície e coletaram dados da atmosfera e do solo em busca de vida extraterrestre. Atualmente, no entanto, a procura não é por organismos vivos complexos, muitos menos por civilizações avançadas. Os pesquisadores já sabem que esse tipo de vida não é possível em Marte. A busca, agora, é por seres microscópicos.
O Curiosity, após uma viagem de 36 semanas, por um percurso de 352 milhões de quilômetros, pousou na superfície de Marte no início deste mês, mais precisamente na Cratera de Gale, local considerado um paraíso geológico. O jipe-robô é um laboratório móvel que estudará o planeta nos próximos dois anos. O Curiosity vai filmar, fotografar, coletar terra e rochas, fazer análises químicas; enfim, buscar elementos que indiquem se há ou houve vida microbiana em Marte. Irá medir também a quantidade de radiação na superfície do planeta, informação fundamental para uma possível missão tripulada no futuro. Marte é tão parecido com a Terra que os cientistas querem saber se o que aconteceu lá pode também acontecer aqui.
A parte mais difícil da missão já foi superada: a aterrissagem. A manobra, com sete minutos de duração, dependia de uma sequên-
cia de comandos automáticos, sem possibilidade de intervenção humana. Foi a mais ousada já feita por um artefato humano fora da Terra. Por ter 900 quilos, cinco vezes mais do que o peso dos equipamentos antecessores (Spirit e Opportunity, de 2003), o Curiosity não podia ser freado apenas com paraquedas. Desta vez, foi preciso usar um guindaste movido a retropropulsores.
A nave que conduzia o jipe-robô entrou na atmosfera do planeta a 21 mil quilômetros por hora. Após quatro minutos, reduziu a velocidade para 1,7 mil quilômetros por hora e, então, um paraquedas supersônicos se abriu a 10 quilômetros de altitude. A 50 segundos da aterrissagem, o guincho e o veículo (Curiosity) “caíram” da nave, controlados por oito propulsores. Com velocidade de 2,7 quilômetros por hora, a 20 metros da superfície, o veículo desceu pelo guincho e as rodas se abriram. O Curiosity pousou 6,5 minutos depois de entrar na atmosfera de Marte. O guincho afastou-se para cair a 150 metros do local.

OSTEOATRITE 10 MILHÕES DE BRASILEIROS SOFREM COM ELA


Até 2030, vítimas passarão de 10 para 30 milhões, devido ao envelhecimento da população

Estima-se que quase 10 milhões de brasileiros sofram com a osteoartrite atualmente, número que representa 5,2% da população. Em oito anos, a doença deve atingir 30 milhões de brasileiros, crescimento em grande parte justificado pelo envelhecimento natural da população. Os dados foram levantados no estudo inédito "Cenário Atual e Tendências da Osteoartrite no Brasil", apoiado pelas sociedades brasileiras de Reumatologia, Ortopedia e Traumatologia, Cirurgia do Joelho e Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação.
Com uma expectativa média de vida que chega hoje aos 73,5 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estima-se que em 2020 a população da terceira idade no Brasil atinja 30 milhões. Assim, o país passará a ocupar a 6ª posição mundial em número de idosos, faixa etária com alta prevalência de enfermidades crônicas que podem resultar em limitações da capacidade funcional e perda de qualidade de vida.
Dentre as doenças degenerativas e incapacitantes de maior prevalência na terceira idade, destaca-se a osteoartrite (ou artrose), que se caracteriza pela deterioração da cartilagem das articulações acompanhada de alterações das estruturas ósseas vizinhas, causando dor, deformidades, rigidez e limitação de movimentos.
As mulheres são atingidas, em média, 5% mais do que os homens. Neles, o problema se manifesta mais cedo, antes dos 60 anos, particularmente quando acomete o joelho. Porém, quando a mulher entra no período da menopausa, os índices de prevalência da oesteoartrite se aceleram, alcançando níveis próximos ao dos homens e, às vezes, superando-os.
Conforme a pesquisa, as articulações mais afetadas por esse tipo de reumatismo são aquelas que suportam maior carga, como joelho e quadril. Coluna e mãos também são frequentemente afetadas. Em boa parte dos casos, não se conhecem as causas da osteoartrite, mas sabe-se que obesidade, esforços físicos repetitivos e prática de esportes de alto impacto são fatores de risco.
Os médicos classificam a doença como de fácil diagnóstico, por meio de exame clínico e exames de imagem. Porém, apenas 42% dos pacientes com osteoartrite sabem que têm a doença, conforme a pesquisa. Em cinco anos, o diagnóstico deve chegar a 55% das vítimas, índice ainda muito aquém do desejado pelos especialistas.
Dos diagnosticados, 69% estão em tratamento. A falta de conhecimento a respeito da doença muitas vezes dificulta que o paciente procure os serviços de saúde, atribuindo a dor e a limitação a consequências naturais do envelhecimento. A osteoartrite é uma doença crônica, que não tem cura, mas o tratamento visa aliviar os sintomas e permitir que os portadores tenham uma vida normal, sem dor ou limitações de movimento.

GENÉTICA ELEVA TAXAS INFANTIS


Pesquisa revela que pais com colesterol alto podem transmitir o problema aos filhos pela carga genética, segundo estudo do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. Pesquisa com crianças e adolescentes com idade entre cinco e 17 anos constatou que em 30% dos casos a alta taxa de colesterol tinha ligação com a genética. 
De acordo com a nutricionista do instituto, Renata Alves, a alimentação controlada ajuda a regular as taxas de colesterol nas crianças com predisposição genética, mas isso não é garantia de que elas não apresentarão níveis acima do normal. Por isso, famílias com histórico de colesterol alto devem ficar atentas ao surgimento do problema nos filhos desde a infância, mesmo que a criança seja magra e não apresente qualquer sinal.


UMA POLÍTICA AJUSTADA PARA O ESPORTE


Há muitas edições os Jogos Olímpicos deixaram de se limitar ao lema do Barão de Coubertin (1863-1937). Ao “O importante não é vencer, mas competir. E com dignidade” somaram-se interesses econômicos e políticos e as disputas se tornaram atração para bilhões de pessoas – muitas por interesse espontâneo, outras dirigidas por motivos ideológicos.
Mas as Olimpíadas não deixaram de envolver perseverança, superação, decepções e glórias, com uma boa dose de surpresas. Essa mescla aparece em qualquer diagnóstico sobre desempenho dos participantes, o que varia é a intensidade dos itens.
O caso brasileiro é típico de um país que não se preocupa em dar estrutura aos esportes olímpicos. A maioria dos destaques surge por iniciativas individuais, reflexo dos famosos “paitrocínios” ou recheadas de persistência, sacrifícios e privações. O quadro de medalhas de Londres, que praticamente repete Pequim 2008 mas foi enaltecido por ‘cartolas’, é resultado da atuação desses atletas.
Próximo destino olímpico, em 2016, o Brasil tem a oportunidade de mudar. Pode começar por deslocar a formação de atletas do Ministério do Esportes para a pasta da Educação, abrangendo milhares de escolas e milhões de crianças. Acrescente-se a isso um novo enfoque: investir na base e não em alguns atletas prontos, como é feito hoje. Desta forma, eleva-se consideravelmente o universo de beneficiados com uma chance para revelar talentos e, seguramente, muitos serão descobertos. Nesse caso, é da quantidade que se extrai a qualidade.
Não é necessário adotar métodos como o chinês, de enclausurar crianças em galpões para formar campeões. Mas é fundamental disciplina e organização. No fundo, precisa mesmo é de uma política para o esporte, área em que investimentos se traduzem em educação, saúde, cidadania e qualidade de vida. Este sim pode vir a ser o grande legado da Olimpíada do Rio de Janeiro.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A TERNURA QUE ALIMENTARÁ NOSSOS SONHOS



Pertencente à família dos quelônios, a tartaruga é um dos animais mais conhecidos e populares do planeta. O grupo compõe-se de mais de 300 espécies e habita lugares diversificados - oceanos, rios, lagoas e florestas tropicais. Símbolo da tranquilidade e da lentidão, ela pode viver mais de 80 anos. O naturalista Charles Darwin comprovou a existência de uma tartaruga com 176 anos nas ilhas Galápagos. Nas memórias familiares, a tartaruga celebra a façanha, em tempos antigos, quando superou, numa corrida, a veloz lebre.
A tartaruga marinha põe entre 80 e 120 ovos na areia da praia. O calor encarrega-se de chocar os ovos e, ao nascer, as pequenas tartarugas correm para o mar, onde iniciam uma longa viagem, pelas águas desconhecidas. Um dia, já adulta, depois de ultrapassar os perigos do mar, retorna para a praia de onde saiu para por seus ovos no mesmo local. Só ali sente-se completamente segura.
A misteriosa viagem da tartaruga ilumina a vida humana. Um dia os filhos deixam a tranquilidade da casa paterna em busca do seu destino. Ondas gigantes, águas traiçoeiras, animais predadores fazem parte desta viagem. Mas a saudade da casa paterna permanecerá para sempre. Cedo ou tarde lembrarão a casa paterna como o único lugar onde possam se sentir seguros. Alguns voltarão para ela, outros mesmo não retornando, carregarão a certeza que ali é a pátria da tranquilidade e que estará sempre disponível para acolhê-los.
A nossa família pode não ser aquela que sonhamos. Nossos pais podem não ser os melhores. Não importa. Carregamos pela vida a certeza que ali é o melhor lugar do mundo e esta certeza alimentará nossa caminhada e nossa confiança. Carregaremos em nossa alma as montanhas, vales ou planícies onde nascemos
A família já passou por tempos melhores. Hoje, tempestades de todo o tipo açoitam a instituição. Mesmo assim há uma certeza; ela não tem alternativa. É a escola da fé, da sabedoria e da ternura que alimentará nossos sonhos. O Evangelho fala do filho pródigo que um dia decidiu ser feliz do seu jeito e buscou - sem encontrar - a felicidade em lugares distantes. Mas a saudade da casa do pai foi invencível e ele voltou sobre seus passos e encontrou a porta aberta.
A tartaruga é lenta, mas conhece seu destino. Menos que a velocidade, importa saber o caminho certo. Ultrapassadas as ilusões da vida, é inteligente dar-se
conta onde se situam os valores e onde é nossa casa. Tudo pode mudar, menos nossa casa e, na porta da casa, o abraço incondicional do pai.

OS ATLETAS DE OURO


Vimos atletas do mundo inteiro a competirem, se possível por uma medalha de ouro e pelo reconhecimento, aplauso, fama, talvez garantia de mais apoio e dinheiro. Gastaram-se bilhões de dólares para recebê-los dignamente, já que é uma competição entre os excelentes.
As Olimpíadas, de certa forma, nasceram para desviar a atenção da guerra. Não conseguiram, mas ajudaram jovens das mais diversas cidades e, mais tarde, dos mais diversos povos e países, a revelar o seu valor sem ferir ou matar o outro; a se cumprimentarem, a saberem vencer ou perder e a aplaudir quem os superou naquele dia. Outro dia será outro dia. Todos eles sabem disso!
É outro tipo de heroísmo. A atleta que venceu por um centímetro abraça a adversária que chora. Os atletas que ficam em segundo e terceiro, aplaudem o vencedor. Há esperanças. Pena que isso dure menos de um mês, ainda assim com lances de política partidária ou marketing do país que gastou todo aquele dinheiro.
O ouro dos atletas faz pensar. Hoje alguém vence por um segundo; amanhã perderá por um décimo de segundo. São vitórias efêmeras, mas não deixam de ser vitórias. Não admira que haja sistemas políticos e religiões que capitalizem nessa ideia: vencedores em Cristo, vencedores pró-Islã, vencedores pró-socialismo, capital vencedor! Ore e vença, venha conosco e vença! Há um tipo de Olimpíada que aproxima. Há outro que separa e discrimina. Lutemos pela que aproxim
a! A outra, já sabemos aonde leva!

O ESPÍRITO OLÍMPICO



O que mais me impressionou neste XXX Jogos Olímpicos é o congraçamento de todas as nações. Há mais países representados nesta grande festa do esporte (204) que na ONU (193). E pela primeira vez todos os comitês olímpicos nacionais enviaram atletas mulheres, inclusive Arábia Saudita, Catar e Brunei.
Nos estádios londrinos são relevadas diferenças e divergências políticas, econômicas, ideológicas, religiosas e étnicas. Ali modalidades de 26 esportes irmanam Israel e Irã, Estados Unidos e Cuba, Coreia do Norte e Coreia do Sul.
Foi na cidade grega de Olímpia que os jogos surgiram, há 4.500 anos, como um ritual religioso de homenagem aos deuses e fortalecimento da paz entre as cidades-estado. Em 392 os jogos foram proibidos pelo imperador romano Teodósio I. Séculos depois, em 1896, eles renasceram em Atenas, que sediou o I Jogos Olímpicos da era moderna.
As Olimpíadas são o prenúncio de um outro mundo possível, o mundo solidário no qual a humanidade viverá como uma grande família. Em uma família as pessoas são diferentes, têm talentos e aptidões distintos, mas todos têm os mesmos direitos e oportunidades. Assim deveriam viver os 7 bilhões deste planeta, onde – dizem – há vida inteligente...
Nas Olimpíadas as disputas entre os 10.500 participantes são apenas esportivas. A maior disputa é a do atleta consigo mesmo, frente ao desafio de superar as marcas vitoriosas.
Nas competições não há rancor ou humilhação da parte de quem é derrotado. Há sim gáudio e ufanismo dos atletas e países que conquistam medalhas de ouro, sem que isso traga ressentimento àqueles que não sobem ao pódio.
Nem tudo, entretanto, são rosas na história dos Jogos Olímpicos modernos. Em 1936, a Alemanha de Hitler sediou o evento – pela primeira vez transmitido por TV. Embora os nazistas exaltassem a superioridade de uma suposta raça ariana, foram os negros norte-americanos que conquistaram as medalhas de ouro do atletismo. Um deles, Jesse Owens, pendurou quatro no pescoço.
A irritação de Hitler foi aplacada com a conquista, pelos esportistas alemães, do maior número de medalhas de ouro, 33. Os EUA ficaram em segundo lugar, com 24. Foi naquele ano em Berlim
que se criou o ritual do cortejo da
tocha olímpica.
Outro momento trágico ocorreu também na Alemanha, nos Jogos de 1972. A 5 de setembro, terroristas da organização Setembro Negro invadiram a Vila Olímpica e ocuparam os dormitórios da delegação israelense. Ameaçaram executar um refém a cada hora, caso não fossem soltos 200 prisioneiros árabes dos cárceres de Israel.
As competições foram suspensas e o Comitê Olímpico Internacional chegou a cogitar o cancelamento do evento. A polícia interveio, deixando um saldo de 18 mortos, entre os quais onze reféns, cinco terroristas, um policial e um piloto de helicóptero.
Bilhões de pessoas param diante de aparelhos de TV para assistir à abertura dos Jogos Olímpicos. Cada país anfitrião procura oferecer o melhor de sua arte na inauguração. Os ingleses brilharam numa mistura de história, entretenimento, humor, tecnologia e música.
O que mais me chamou a atenção na cerimônia de abertura foi a ênfase do sistema de saúde britânico, o NHS (National Health Service). Equivale ao nosso SUS, com a diferença de que é tido como o melhor do mundo.
O Brasil abrigará, em agosto de 2016, a XXXI Olimpíada. A presidente Dilma prometeu que a abertura dos jogos, no Rio, haverá de superar a de Londres. Teve início, portanto, a competição pelo glamour... E Dilma já fez uma sugestão de coreografia: uma escola de samba.
Torço para que, em 2016, o Brasil exiba ao mundo o melhor de sua música, dança e tecnologia de efeitos especiais, mas também mostre como o nosso povo tem assegurado os três direitos fundamentais do ser humano: alimentação, saúde e educação.
Para tanto é preciso, desde agora, dobrar o investimento nessas áreas. Se queremos superar Londres, não basta fazê-lo na forma, mas também no conteúdo, para que as Olimpíadas do Rio não sejam apenas uma festa na
terra de um povo semianalfabeto e carente de recursos para acesso às
boas condições de saúde.

EIS NOSSA CRISE: RAZÃO contra RAZÃO

Em momentos críticos da história, mais que os cientistas são os filósofos chamados a opinar. Numa famosa palestra na rádio bávara em maio de 1952, Martin Heidegger usou uma palavra escandalosa, mas que possui um sentido profundo: “A ciência não pensa; isso não é nenhum defeito, mas uma vantagem”. A vantagem reside em apenas analisar fatos, submetendo-os ao cálculo e tornando-os assim manipuláveis pela técnica. Escapa ao seu âmbito de interesse a interrogação sobre o sentido dos fatos e do curso da história.
Se isso podia ser dito nos anos 50 do século passado, não poderá mais ser repetido no tempo presente. Pois a ciência se desenvolveu numa direção que põe em cheque o sentido da razão e o destino de nossa civilização. Ou a ciência será feita com consciência e então incorporará uma dimensão ética, ou ela nos poderá destruir a todos. É o que nos alertam grandes nomes do pensamento contemporâneo, não só da filosofia, mas das ciências da Terra, da nova cosmologia e da biologia.
Permanece, no entanto, a indagação que é objeto da matutação filosófica: por que e como chegamos à atual situação?
Antes de mais nada, cabe identificar o equívoco que cometemos em nosso passado.  Essa razão objetiva se refletia na razão subjetiva que ouvia atentamente as orientações da primeira. O ser humano, a sociedade e a história funcionam bem quando estas duas razões se articulavam e se harmonizavam.
A grande viragem ocorreu com a irrupção da razão moderna no século XVI. A partir de então é a razão subjetiva que predomina. É entendida como uma faculdade subjetiva da mente. Só um sujeito humano é portador exclusivo de razão; a Terra e a natureza são coisas, não possuem razão e um propósito racional. Por isso podem ser manipulados à mercê dos propósitos humanos. O equilíbrio entre as duas razões se rompeu.
Como dizia Francis Bacon: “Saber é poder”. A razão subjetiva começará a ser o grande instrumento da vontade de poder, de conquista, de expansão e de subjugação do mundo. Lentamente se instaurou o império da razão instrumental-analítica cuja função primordial é “compreender e modificar” a realidade (Koyré; Prigogine). E o fizemos nos últimos séculos com especial fúria. Não nos importavam as consequências sobre o equilíbrio da Terra e as devastações sistemáticas da natureza. Elas estão aí, exatamente, como campo de exercício para a nossa liberdade e criatividade.
Eis que, de repente, a partir dos fins dos anos 60, nos demos conta de que este tipo de razão estava destruindo as bases que sustentam nossa vida e a natureza. As “externalidades” se tornaram tão graves que podem pôr em risco o futuro da espécie e de nossa civilização. Descobrimos que a Terra e a natureza possuem a sua “razão intrínseca e a sua lógica”(Gaia). Negadas, podem nos destruir. Impõe-se um novo acordo entre as duas razões, um outro tipo de racionalidade que incorpore consciência, sensibilidade, cuidado e ética. Deve aprender a se auto-limitar para não ser destrutiva.
Temos que deixar para trás o pensamento único e ser multidimensionais. Bem nos recordava Fernando Pessoa (Álvaro Campos): “Sou um técnico, mas tenho a técnica só dentro da técnica”. Fora dela, podemos e devemos ser muitas outras coisas até para nos salvar.

NÃO EXISTE POVO QUE NÃO TENHA FESTA

 Não existe povo que não tenha festas. Elas retratam uma cultura e também os ideais de um povo.
Há algum tempo ouvi o comentário de um palestrante dizendo que a festa seria um fenômeno em extinção, assim como a religião. A evolução científica e técnica, o espírito de produção e desenvolvimento haveriam de ocupar e encantar tanto que não se teria mais tempo nem desejo de fazer festa. Como a festa faz parte da dimensão gratuita da vida, seria tempo perdido investir numa atividade não lucrativa.
Esta previsão do palestrante não parece ser verdadeira. Ao contrário, a dimensão festiva da vida e da convivência volta, com toda força, a ganhar atualidade como reação à frieza das relações humanas e o descaso das relações primárias, como meio de libertação da escravidão do trabalho e como busca de caminhos de liberdade. Tem-se necessidade de oxigenar o cotidiano com momentos especiais, com possibilidades de rir e falar de coração a coração e brindar a vida com sua beleza.
Uma das realidades que vai tirando o brilho da vida é a rotina. E a rotina vai matando as melhores aspirações de uma pessoa. A monotonia do trabalho também oprime quando não permeada pela experiência da festa. Uma das justas e principais motivações da festa vem da possibilidade do descanso entre as tarefas cotidianas. A festa traz consigo uma mudança de atividade e de horizonte.
A Bíblia salienta a necessidade da festa para humanizar a vida das pessoas. O descanso serve de alívio e estímulo para retomar o trabalho com novo entusiasmo e eficácia. No pensamento bíblico, a festa não é só uma parada no trabalho e uma ocasião de descanso. A festa é também exultação e alegria por ser uma experiência de amplidão da vida, de um novo sabor, causando ânimo e entusiasmo.
Assim eram as festas primitivas das colheitas e das primícias dos rebanhos. É claro que a Bíblia não deixa de acenar para os perigos que surgiam dos cultos dos pagãos, onde os exageros da bebida e outros abusos danificavam a vida. O pecado de Israel se relaciona
com as celebrações destes bacanais.
O povo de Deus viveu num tempo marcado pelo caráter agrícola e cultivou festas próprias desta cultura. No entanto, verdadeiro culto ao Deus Javé deu um sentido novo e profundo ligado à história da salvação. Assim, a vivência das festas religiosas representa para o povo de Israel a memória dos prodígios de Deus que continuam se fazendo presentes. Aqui a festa resume toda a história da salvação. Não há povo sem festa! A vida merece respirar a experiência da gratuidade e da beleza.

ELEIÇÃO: ESCOLHA SEM DISPUTA.

No dia 7 de outubro, os eleitores de 122 municípios brasileiros terão apenas uma opção de candidato na disputa para a Prefeitura. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o número corresponde a 2,2% dos 5.568 municípios em que haverá eleição neste ano.
Nesses municípios, o eleitor terá três opções de voto: no candidato único, nulo ou branco. Pelas regras eleitorais, para sair vitorioso, o candidato precisará de apenas um voto. A legislação estabelece que, para ser eleito, o candidato precisa ter metade mais um dos votos válidos. E os votos nulos e em branco não são considerados válidos.
Isso quer dizer que, se o candidato obtiver o único voto válido do pleito, esse voto não pode ser dividido pela metade. Assim, ele terá recebido todos os votos válidos. No caso de municípios com mais de 200 mil habitantes, em que há possibilidade de segundo turno, se houver apenas um candidato e ele receber um voto, terá vencido o primeiro turno e irá para o segundo com a necessidade de receber um voto válido para ser eleito.
Para o juiz Carlos Henrique Braga, do TSE, apesar de legal, o pleito em que há apenas um candidato é ruim para a democracia. “A falta do debate, da disputa, é prejudicial à democracia, enfraquece o pleito.”

O QUE CARACTERIZA O NOSSO TEMPO.


A ONU escolheu 2012 para ser o Ano Internacional das Cooperativas. Parece bem justa e oportuna esta comemoração, mas será que temos presente porque e como o cooperativismo pode gerar qualidade de vida e alternativas de produção, consumo e comercialização? A cooperação é mesmo uma ferramenta capaz de desencadear outras e novas relações humanas? 
A nossa civilização construiu um ideário de convivência social com base na competição. Somos impelidos a ver todas as vantagens em competir e nenhuma vantagem em cooperar, o que nos dá a falsa impressão de que cada um se basta a si mesmo. Se cada um se basta a si mesmo, estamos liberados para ser, pensar e agir deliberadamente, sem medir quaisquer consequências que possam envolver ou atingir os outros. Deste modo, ao desaprendermos a cooperação, empobrecemos nossas relações sociais e a nossa própria condição de humanidade, que se realiza a partir da interdependência com os outros.
A máxima expressão do modo de levar a vida hoje, para muitos, foi cunhada pelos romanos: “se queres paz, prepara-te para a guerra”. Outra: “minha liberdade termina onde começa a liberdade do outro”. Propõe a construção de uma liberdade individualista, supondo haver uma linha limítrofe entre minha ação e a ação dos outros. Mas a liberdade pressupõe um pacto de cooperação mútua para ambos alcançá-la.
Preocupa que temos sido muito permissivos na construção de um modo de vida extremamente individualista, que prega o uso de todos os meios para a construção do sujeito social, inclusive o uso da violência, do deboche e da competição desmedida. Neste contexto, não há preocupação com a resolução dos conflitos, com as condições em que vivem os outros; busca-se somente consolidar uma situação em que os vencedores se afirmam a partir do sufoco, superação ou “abafamento” dos vencidos.
O que caracteriza nossos tempos é que refinamos cada vez mais nossos instintos competitivos, dando-lhes uma forma e um conteúdo mais definido. E a cooperação? Bem, a cooperação parece não trazer vantagens suficientemente consistentes para inspirar um ideário ou um modo de vida. As vantagens da cooperação estão em promover a vida na dignidade, em qualificar nossas relações sociais. A cooperação é uma ferramenta para nos fazermos gente, em comunidade. É a possibilidade de vivermos em condições menos estressantes, capazes de reconhecimento mútuo e recíproco, capazes de aceitar que ninguém se basta a si mesmo.

FAMILIA: RECURSOS PARA PESSOAS E A SOCIEDADE


Recentes pesquisas no Brasil e no exterior revelam o quanto a família é valorizada e almejada pela população. Mesmo para uma grande parte de mães solteiras, sobretudo em nossas periferias, o desejo permanece latente de poder encontrar a pessoa fiel com quem se possa construir uma comunhão durável.
Portanto, a concretização da família requer a escolha livre; e isto em um duplo sentido: constituir uma família é escolha daqueles que a compõem, a começar pelos cônjuges, que, quando jovens, decidem-se unir-se em matrimônio e se abrir natural e espiritualmente à vida. Por outro lado, a família escolhida torna-se sujeito de escolhas que a permitirão desenvolver-se e subsistir dignamente e proporcionarão o crescimento e o amadurecimento humano e espiritual de seus membros, tornando-se assim plenamente pessoas.
A escolha da família, que persiste “no coração da sociedade e da vida cristã” como experiência elementar do ser humano, abarca múltiplos elementos: experiência familiar, preparação para o matrimônio, fidelidade, doação para a vida, comunhão, educação dos filhos, relação entre as gerações, promoção e cuidado com a vida, e tantos outros aspectos que fazem da família não só esta realizada entre o público e o privado, mas também o lugar próprio da realização do humanum.
No II Congresso Internacional Teológico, para Estudos sobre Matrimônio e Família, ressaltava o fato que Lévi-Strauss defendia a tese de haver existido diferentes formas de família na história, mas enfatizava a possibilidade de individuar “um tipo de estrutura natural da família, que é fundada sobre um duplo vínculo: o “horizontal”, por assim dizer, dado pela relação sexual entre o homem e a mulher, e o “vertical”, dado pela relação geradora entre genitores e prole, que coloca a família como ‘fenômeno universal, presente em cada e qualquer tipo de sociedade. É a partir de uma adequada visão do ser humano que se conseguirá realizar uma teologia e uma pastoral da família consequentes

EM CENA: OS MELHORES VINHOS DO BRASIL

As 386 amostras inscritas por 70 vinícolas de sete Estados para a 20ª Avaliação Nacional de Vinhos - safra 2012 já foram coletadas pela Associação Brasileira de Enologia. O processo é feito diretamente nas vinícolas. A partir de 10 de agosto inicia a degustação, feita por 120 enólogos. A empreitada encerra dia 31 de agosto, mas o resultado será apresentado a um público de mais de 800 apreciadores de vinho no dia 29 de setembro no Parque de Eventos de Bento Gonçalves.
Bahia, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo são os representados no evento (ver quadro). Assim, é possível identificar as características, ou melhor, o terroir de cada região produtora. Este ano aparece Pernambuco que em 2011 não figurava entre as representações.
Novidades - Histórica, a 20ª Avaliação chega trazendo novidades e também surpresas. As alterações acompanham o cenário vitícola, que muda conforme o desempenho de cada safra, o que não depende do mercado, mas da produção. As mudanças mais representativas estão nas categorias dos vinhos, que espelham o desempenho da produção vitícola.
A baixa representatividade dos vinhos rosé levou a entidade a eliminar essa categoria. Também foi reduzido de duas para uma amostra a classificação dos brancos finos secos aromáticos. Por outro lado, os tintos finos secos, que previam a classificação de seis amostras, agora terão sete vinhos destacados. O mesmo acontece na categoria de vinho base para espumante, que passa de duas para três amostras.


NUNCA SE FEZ TANTO SEXO COMO AGORA...

“Tudo o que é sólido se desmancha no ar”, afirmava Karl Marx, antecipando-se aos ventos da modernidade. A tônica deste movimento cultural é ser contra todas as tradições e valores tradicionais. Família, escola e Igreja foram os alvos preferidos da modernidade, tentando jogá-las na lata de lixo da história. As dificuldades não terminaram aí. Com a pílula e a camisinha houve uma erotização da sociedade. Nunca se fez tanto sexo e nunca houve tão pouco amor. A subjetividade, o querer ser feliz agora, a quebra dos valores, encontraram nos meios de comunicação social o instrumento eficaz para sua difusão. A entrada da mulher no trabalho profissional tornou ainda mais frágeis os laços familiares e diminuiu o tempo de convivência com os filhos.
Apesar de tudo isso, continua válida a afirmação: o futuro da humanidade passa pela família. A Igreja e os meios de comunicação éticos têm hoje uma missão profética. É preciso repetir o óbvio e mostrar à sociedade humana que não existe alternativa para a família. Ou a sociedade acolhe de novo a família ou crescerá a desordem e a decomposição social.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

PAGUE O PREÇO DOS SEUS SONHOS.


Acena se passa na Rússia. Uma garotinha chamada Anna tinha encantos pela dança. Ela era sucesso na escola e por isso foi aconselhada a ingressar no famoso Balé Bolshoi. Era a chance de realizar seu grande sonho. Fizera milhares de horas preparando-se para aquele momento. Quando terminou a apresentação, dirigiu-se ao maestro, esperando a aprovação. Serei uma grande dançarina? Com olhar impassível, ele disse: não, você nunca será uma grande dançarina.
Decepcionada, desiludida voltou para casa e chorou muito. Quando as lágrimas secaram, procurou emprego numa loja. Os anos se passaram e um dia voltou ao teatro para assistir um espetáculo do Balé Bolshoi. Lá estava o maestro que liquidara sua carreira. E aproximando-se dele contou sua história, lembrou o não que mudara sua vida. O maestro esclareceu: eu sempre digo a mesma coisa para todas as candidatas. As que aceitam o primeiro não como decisivo nunca poderão ser grandes artistas.
Na vida, recebemos muitas recusas. A partir daí entra nosso caráter. Algumas pessoas aceitam o não; outras dão a volta por cima. Giuseppe Verdi foi ridicularizado no Scala de Milão. Disseram-lhe que teria melhor êxito no mercado público, vendendo repolhos. Churchill, grande estadista inglês, rodou três anos consecutivos na escola primária, Demóstenes, o maior orador grego da antiguidade, era gago. William Kennedy, um dos maiores escritores norte-americanos, teve os originais do livro Vernônia, recusado por uma dúzia de editoras, até tornar-se sucesso. Thomas Edison tentou duas mil vezes antes de inventar a lâmpada. Ele, anos mais tarde, garantia: “Nossa maior fraqueza é a desistência. O caminho mais certo para obter sucesso é tentar mais uma vez”.
Perseverança, não se deixar abater pelas críticas, confiança, capacidade de superar os fracassos, saber recomeçar mil vezes compõem a biografia dos vitoriosos. O próprio Edison dizia: “Não fracassei nenhuma vez; descobri 1.999 maneiras que não poderiam dar certo”. O fracasso desafia a começar de novo, de um jeito melhor. Não basta ter sonhos, mas é necessário pagar o preço desses sonhos. A história não fala dos que desistiram depois de um ou dez fracassos. Fala dos que lutaram até obter o sucesso. A pior frustração será o lamento: o que fiz dos meus sonhos?
Isto vale para o amor, para a fé, para as finanças, para a arte, para todas atividades humanas. E não se trata de uma postura para os primeiros vinte ou trinta anos de vida. Uma das grandes glórias humanas é morrer em meio a uma grande batalha. São Paulo teve muitos insucessos, foi preso, sofreu naufrágios e perseguições. Mesmo assim, no fim da vida, fazia uma síntese de sua atuação: “Combati o bom combate, guardei a fé, resta-me agora a recompensa que o justo juiz me dará” . A existência é uma dança. Não pare enquanto a música da vida estiver tocando.

SABER FESTEJAR É UMA ARTE


Festejar faz parte da natureza! Já ouvi tanta gente dizendo: “Meu cachorro de estimação faz festa quando chego em casa; o papagaio canta e chama meu nome, quando me aproximo; a natureza festeja a chegada da chuva e o sertão começa a florir; a primavera é a maior festa da natureza etc... Realmente a dimensão festiva é inerente a este universo criado por Deus. O Deus da festa fecunda a vida e a vida se expressa real ou simbolicamente festejando e acolhendo o Criador.
Se todos os seres criados festejam, a pessoa, carregada de dinamismos, criatividade e consciência, mais do que todos necessita fazer festa. Temos necessidade de fazer, agir, trabalhar e construir. Temos um potencial de saber que nos move ao conhecimento mais diverso e surpreendente. Compreendemos que nosso viver implica em aprender adorar, a aperfeiçoar o senso estético e a cultivar o riso e o lazer. Porém, não podemos deixar de dar a devida importância ao direito de festejar.
Não somos só razão, só trabalho ou só adoração. Não somos só palavra, sentimento ou um corpo mecânico. Somos também festa, fantasia e criatividade. A dimensão festiva é um direito da vida e um dever de fazê-lo acontecer com toda a elegância possível, para que a festa nos torne mais integrados com a nossa identidade e a nossa convivialidade.
Tanta gente entende o direito da festa e o jeito certo de fazê-la acontecer. Criam-se rituais; enfeitam-se espaços; apela-se para a música como linguagem de animação; promovem-se banquetes requintados ou simples; organizam-se eventos de todos os tamanhos para que o direito à festa esteja ao alcance de todos. Afirma-se também que a festa dos pobres, mesmo com o mínimo, proporciona o máximo de alegria.
Há festas espontâneas, onde ninguém é o dono da festa. Acontecem como expressão de uma alegria partilhada, onde todos vão se tornando os donos da festa. Há vitórias desejadas, mas incertas. Quando estas acontecem o contágio dos vitoriosos se encarrega de fazer acontecer a festa. Um exemplo típico ocorre quando se entra na torcida do próprio time e, no final do jogo, é garantida a vitória. O mesmo acontece quando se investe por um candidato de confiança e este, chegando ao final da contagem das urnas, garante a eleição. Ali vão se criando os jeitos de festejar.
Quando alguém promove uma festa e pensa nos convidados, além de garantir um momento aprazível em todos os sentidos, pensa no melhor, prevenindo-se para não passar qualquer vergonha no final da festa.

TROCA DE COMANDO

Passaremos, mas é bom que nos demos conta de que transitório não é o mesmo que efêmero. Um termo que deve ser cotidiano na vida do comunicador é a palavra transitoriedade. Nós e as coisas somos transitórios. Passaremos, ninguém é insubstituível. Por isso, devemos entender a transitoriedade da nossa missão. Eu passo. Não devo levar nem trazer pessoas a mim.
Tal conceito evitará a egolatria. Em comunidades de vida é preciso dar espaço a outros. Não é bom apenas um casal por tempo indeterminado na liderança. Nem na administração nem nas comunidades. Haja eleição e os fundadores cedam seu posto a outros. Pena que nem todo mundo seja um Nelson Mandela! Perpetuam-se no poder porque não conseguem imaginar que haja alguém capaz de levar adiante o projeto.
A transitoriedade está bem presente nas Ordens e Congregações. Superiores ficam no cargo 3, 6, no máximo 12 anos. Mas há comunidades de vida onde o casal líder está lá há 30 anos… Falta alguma coisa naquele grupo! E essa coisa é essencial: chama-se alteridade.

EXUBERÂNCIA DA FLORESTA É RECONHECIDA MUNDIALMENTE

As belezas do Brasil, cada vez mais, ganham reconhecimento mundial. A mais recente valorização refere-se à Amazônia, que foi confirmada como uma das Sete Maravilhas da Natureza, assim como as Cataratas do Iguaçu. Lembra-se, porém, que ambas não são exclusivamente brasileiras. A Amazônia estende-se por nove países, e as Cataratas do Iguaçu também avançam sobre a Argentina. Há ainda o Rio de Janeiro, primeira cidade a obter o título de Patrimônio Mundial na categoria Paisagem Cultural Urbana.
Motivos não faltam para o reconhecimento à Amazônia. Em seus 6,9 milhões de quilômetros quadrados, mora metade das espécies terrestres do planeta. Contabilizando apenas árvores, chega-se a pelo menos 5 mil espécies. Os mamíferos passam de 300. Os pássaros somam mais de 1.300 e os insetos alcançam milhões.
No Brasil, o bioma Amazônia cobre 4,2 milhões de quilômetros quadrados, o que representa quase metade do território nacional.
Nos rios amazônicos, 3 mil espécies de peixes nadam por 25 mil quilômetros de águas navegáveis: é a maior bacia hidrográfica do mundo. Às suas margens, vivem em território brasileiro mais de 20 milhões de pessoas, incluindo 220 mil indígenas de 180 etnias distintas. Levando-se em conta toda a bacia amazônica, são 33 milhões de pessoas. A floresta ainda é fundamental no equilíbrio climático global e influencia diretamente o regime de chuvas da América Latina.
Maravilhas à parte, o ritmo de degradação assemelha-se à grandiosidade da Amazônia. Até 1970, o desmatamento não passava de 1% de toda a floresta. De lá para cá, o número saltou para 17% - o índice corresponde a uma área equivalente aos territórios do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

ALIMENTO FORTALECE AS DEFESAS DO BEBÊ

Os bebês devem ser alimentados exclusivamente com leite materno até os seis primeiros meses de vida e, em conjunto com outros alimentos, até os dois anos de idade ou mais. Essa é a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde, após uma série de pesquisas realizadas no Brasil e no mundo que comprovaram que os bebês que mamam no peito desenvolvem melhor e têm menos doenças, já que o alimento materno contém todos os nutrientes que a criança necessita, na quantidade exata. Por isso, ela não precisa de outros alimentos ou bebidas neste período, nem mesmo água.
Para as mães, amamentar também faz bem à saúde, já que o ato ajuda a diminuir o volume do útero, evita a hemorragia no período pós-parto, reduz os riscos de contrair câncer de mama e osteoporose, facilita a recuperação do peso corporal e protege contra anemia, entre outros benefícios físicos e psicológicos, como o fortalecimento do vínculo entre mãe e filho. Além de alimentar o próprio filho, a mulher pode ainda doar o excesso para um banco de leite e ajudar a alimentar bebês prematuros ou doentes internados em hospitais ou outras crianças cujas mães estão impedidas de amamentar.
“Todas as explicações sobre as vantagens da amamentação já foram exaustivamente expostas e explicadas; mesmo assim, no Brasil, nossa média de aleitamento materno exclusivo é de apenas 54 dias”, declara o pediatra Yechiel Moises.
Na tentativa de promover a prática da amamentação, desde 1992 celebra-se, em 120 países, inclusive no Brasil, a Semana Mundial de Aleitamento Materno, de 1º a 7 de agosto. Este ano, o tema é “Entendendo o passado, planejando o futuro”. A ideia é avaliar tudo o que já foi feito e planejar o que mais pode ser efetivado para ajudar as mães a alimentar mais favoravelmente os lactentes e crianças na primeira infância.
Moises afirma que a introdução da alimentação complementar; como sucos, frutas e papinhas salgadas; deve iniciar apenas após o sexto mês de vida do bebê. Assim, segundo ele, se evitaria a alta incidência de obesidade infantil e alergia alimentar. Entretanto, pesquisas diversas apontam a absurda oferta de biscoitos recheados, lasanha, macarrão instantâneo e outra gama grande de alimentos a crianças menores de um ano.
Outro alerta que o pediatra faz refere-se ao uso do leite de soja, que deve ser evitado até os seis meses; e ao leite de vaca integral, que não deve ser oferecido à criança antes que ela complete um ano. “Se essas orientações não forem seguidas, há riscos hormonais e de obesidade, além do aumento da incidência da alergia alimentar”, diz Moises. “A alergia à proteína do leite de vaca é responsável por 85% dos quadros de alergia alimentar e a soja corre junto com o leite de vaca nessa questão e nos risc
os hormonais”, afirma.