quinta-feira, 17 de agosto de 2017

IMORTALIDADE.

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No livro Homo Deus, Yuval Noah Harari, autor do também consagrado livro Sapiens: uma breve história da humanidade,flerta com uma ideia muito curiosa. Ele sustenta que a humanidade sempre foi atormentada por três inimigos e que, finalmente, agora, se vê liberta: a fome, as pestes e as guerras. É claro que, aqui e ali, ainda se morre de fome, pestes e guerras, mas nada comparado como o que já foi. Por si só essa ideia já é impactante.

Mas, o mais surpreendente é o que, na sua concepção, serão os grandes desafios do futuro, já que esses três já vencemos. Para ele a felicidade, a imortalidade e o desejo de divindade mobilizarão as energias das gerações futuras. Exagero? Claro que sim. Sempre que se faz projeções, sobretudo se forem otimistas, será um exagero. Afinal, no futuro estaremos todos mortos. Mas espera aí, a imortalidade é o exato contrário da ideia que no futuro estaremos todos mortos. Como pensar, então, a imortalidade? Deixemos para outra ocasião a felicidade e a divindade.

Machado de Assis, um gênio da literatura brasileira, tinha uma ideia muito perspicaz, e pouco romântica, do nosso destino comum que responde, mesmo que de forma um tanto cruel, ao nosso anseio por imortalidade. Na dedicatória do seu livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, lê-se: “Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas”. Sim, seremos imortais, no verme. Supondo que, quando o verme também morrer, um outro vivente o roerá, igualmente, e segue o ciclo...

Quando os gregos entraram em guerra com os troianos, os generais espartanos e atenienses convocaram os cidadãos ao combate. Chegaram até à casa de Aquiles que, confortavelmente, usufruía da vida pacata de todo cidadão com alguma posse e com juventude o suficiente para ser desejado pelas mulheres. Ele resistiu. Não queria entrar numa fria. A mãe dele, contudo, o convenceu a ir para a guerra com um argumento muito provocativo. “Meu filho, disse ela, vai ficar aqui nesse fim de mundo até morrer de velho e sem notoriedade? Essa é a mãe de todas as guerras e quem nela morrer será lembrado por toda a eternidade”. Ele olhou para ela, abraçou-a e foi. Ainda hoje lembramos de Aquiles. Ele vive pelos seus grandiosos feitos, presente em nossa memória.

Sócrates foi acusado de agitar o mundo dos jovens atenienses com suas perguntas que punham em questão a tradição dos valores constituídos. Nada mais revolucionário do que pensar! Ele até dizia que Deus está dentro da gente e não nas forças da natureza, desafiando a religião pública e colocando em perigo a ordem constituída. Foi condenado por uma junta de Juízes a tomar cicuta, um veneno que não se dobra a apelações. Morreu sereno, filosofando e consolando os que ao seu redor choravam e lamentavam a sua partida. Por que? Porque ele acreditava que a alma humana é imortal e resiste à morte do corpo. Morreu feliz, na certeza na imortalidade da alma. Ele hoje seria um discipulo de Allan Kardec...

Jesus também foi acusado de ser um perigoso judeu, metido a líder popular, contra as leis farisaicas da tradição e contra os poderes invasores do império romano, sentenciado, com aplausos do populacho, que preferiu um assassino (Barrabás) a um inocente, à morte de cruz. Ele, diferentemente de Sócrates, não vai para a morte feliz e sereno. Teve calafrios e suou sangue, a ponto de pedir a Deus que o livrasse da angustiante agonia e da morte. Ele era humano, Jesus. E, por conta disso, morreu. Mas Deus, o Pai criador, o Barbudo, surpreendentemente, até mesmo para Jesus, o tira do esquecimento do túmulo e o ressuscita para a vida eterna. Que mistério a Ressurreição!

E agora vem o Yuval Noah Harari e diz que a humanidade gastará suas energias para conquistar a imortalidade. Ora, ora, ora! De que imortalidade ele está falando? Do após morte? Não. Ele está dizendo que a ciência do futuro vai nos livrar do ato mesmo de morrer. Vamos viver para sempre. Híbridos talvez, em simbiose com a máquina, mas livres da morte e eternamente vivos. Como nós modernos somos mesquinhos, não? Não temos uma causa nobre para viver e mesmo assim não queremos morrer. Sequer temos uma boa narrativa mítica ou poética para nos iludir...apostamos na ciência e pronto! Aquiles, Sócrates e Jesus tinham causas nobres que lhe deram sentido à vida e à morte. Mas nós queremos viver, viver e viver... E para que? Para viver, só para viver? Que sentido daremos à vida se não mais morrermos? Que tédio eterno seria vivermos para sempre! Eu prefiro morrer. Não tenho pressa, contudo... Só não gostaria que fosse um verme a me ressuscitar...Um verme não! Pô Machado, um verme não....!

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

HOJE TEM VELÓRIO, DESCULPE O INCOMODO

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Às vezes eu me sinto como o sujeito lírico do Poema em Linha Reta, de Álvaro de Campo (Fernando Pessoa): todas as famílias são felizes, só a minha reles, só a minha vil. Todo mundo vive numa família de margarina, sorridente, unida, hipócrita, menos eu.

Domingo, dia dos pais, dei de cara com o perfil de uma pessoa que nunca vi na minha vida. Sorridente na foto com o filho, ele sintetizava assim a sua biografia: um bom pai. Pois o bom pai deu-se o trabalho de entrar no blog da Presidenta Dilma, ler o texto que ela publicou para homenagear o ex-marido, o ex-Deputado Carlos Araújo, para fazer o seguinte comentário: “vai com ele”. Este bom pai de família exprimiu publicamente o desejo que uma mulher morresse assim, sem maiores explicações. Para um bom pai de família isso deve ser óbvio. Deve ser óbvio dar um exemplo de ódio, de intolerância, de machismo, de incitação à violência.



Exceção à regra das famílias margarinas? Não acredito. A hipocrisia de compactuar com a figura do bom pai cheio de ódio no coração é a condição básica para engolir tudo o que é aberração, como a gordura. E hipocrisia é o que não falta. Por exemplo, naquela família em que o pai tentou matar a mãe envenenada, depois de a ter traído inúmeras vezes. Mas ele é bom pai e bom avô, deu exemplo para todos. Por exemplo, o pai que batia na mulher, até que ela tentou o suicídio, e conseguiu morrer. Por exemplo, o pai que escondia os filhos fora do casamento, com a conivência de alguns parentes. Esses pais, por exemplo, são homenageados por seus filhos, como bons filhos de bons pais. A hipocrisia incha o fígado como margarina.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

O REINO DE DEUS

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O reino de Deus é uma categoria teológica. Um conceito religioso de que Deus tem seu reino. Isto é, diferente dos reinados humanos, é um acontecimento bíblico de suma importância ao homem como ser terreno e obreiro da obra divina. É acontecimento imprescindível para a fé e salvação do homem, consequentemente para a missão da Igreja.

A noção de reino de Deus é intrínseca às Escrituras Sagradas. Os textos dos quatros evangelistas apresentam muitas configurações dele. Jesus o compara a um tesouro escondido, uma pérola preciosa, fermento colocado na farinha, semente lançada na terra, etc. O evangelista Mateus recorda do ensinamento de Jesus aos seus discípulos no alto da montanha: os destinatários do reino são o pobre, despojado, oprimido, manso, misericordioso, aquele que promove a paz, a justiça (Mt 5,1-12). Com isso, para Jesus toda a humanidade é destinatária do reino, seja por situação social, pobreza, exclusão e pelo estado de espírito, desprendidos do mundo material. Fato é que Jesus e sua misericórdia não eliminam nenhum ser humano do reino de Deus. Mas, devido à ganância e à exclusão humana, Deus se posiciona inequivocamente ao lado dos marginalizados.

O posicionamento preferencial de Deus aos pobres tem causado desconforto em cristãos, abandono da vida de Igreja com crítica dirigida aos sacerdotes da Teologia da Libertação. O desconforto e o abandono de alguns cristãos é atitude que precisa ser repensada a partir da revelação de Deus. No decurso da história da salvação, na Antiga Aliança, Deus revela seu amor pelos oprimidos, como os escravos do Egito. Na Nova Aliança Deus manifesta, na cruz de seu filho Jesus, sua infinita misericórdia para salvar toda a humanidade. A má interpretação da predileção de Deus brota da falta de conhecimento da revelação divina. Certamente a vontade de Deus deveria servir de confiança e chamado à humanidade para participar de seu reino. Dessa forma, transformar o mundo em experiência do reino de Deus deve ser o ponto de convergência de cada crente.

Sendo assim, diante da pobreza e da exclusão do ser humano o posicionamento de Deus é mais radical em Jesus de Nazaré. O apóstolo Paulo afirma: “conheceis a graça do nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, se fez pobre por vós, para que por sua pobreza fôsseis enriquecidos” (2Cor 8,9). Na visão de Deus a pobreza social, material, é uma forma de desprezo pela vida do ser humano. Isto é, aguarda confiança em Deus para a manifestação de sua justiça. No dizer de Jesus os bem-aventurados do reino são as pessoas que convergem para a realização da justiça divina.

Para o teólogo Gustavo Gutiérrez, na pobreza do homem Deus encarna-se na solidariedade com o pobre e oprimido. Melhor dizendo, a predileção de Deus pelos oprimidos do sistema expressa que seu amor é um protesto contra a pobreza. Para a Teologia há uma correlação entre o reino de Deus e a solidariedade aos pobres. Quanto aos mal-entendidos com relação ao amor predileto de Deus, são inadequados nos cristãos já pelo próprio clamor ético de superação desta problemática social e humana. Desta perspectiva teológica, quando os cristãos denunciam problemas como fome, desemprego, alienação, repressão ou mortes prematuras, são juízos éticos e religiosos em vista do reino de Deus. Em suma, a rejeição desses males já é uma aceitação do amor de Deus pela humanidade liberta em sua justiça.

domingo, 13 de agosto de 2017

ELE ME VISITOU.

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João Carlos Resende é médico oncologista e trabalha no Hospital do Câncer de Barretos, um dos maiores da América Latina, que recebe pacientes de várias partes do Brasil. Por isso, a rotina é corrida, com um número elevado de atendimentos diários. Em meio à correria e a dor estampada em seus pacientes, o bondoso médico tirou um tempo para relatar um episódio que ele denominou como ‘um encontro com Deus’.
São dele as emocionante palavras sobre uma humilde e idosa paciente com câncer: ‘Semana cansativa, coração agitado, mente num turbilhão. Deus hoje resolveu me visitar. Ele tinha um corpo franzino, rosto marcado pelo sol, mãos com sutil aspereza de quem trabalhou pesado a vida toda e um cheiro de lavanda misturado com as cinzas de um fogão a lenha. Ele falava de um jeito bonito e simples.

Vestia a melhor roupa que tinha, colorida, bem cuidada, mas respingada da sopa que serviram antes da consulta. Seus olhos fugiam dos meus. Como podia Deus se fazer pequeno assim? Parecia envergonhado, ansioso pela notícia, infelizmente não tão boa. Estava cansado da viagem, da sala de espera lotada e de anos de luta contra o câncer. A doença mudou, progrediu e voltou a judiar. Aquele remédio que tanto nauseava aqueles poucos quilos tão frágeis se faria necessário mais uma vez.

Mas, doutor, não diga isso, falou a humilde senhora. O médico exclamou: Dona Socorro, não fica triste. O doutor aqui tem coração mole e pode chorar. Olhou para mim e pude ver o brilho dos seus olhos querendo dizer: vou chorar em casa, para o senhor não olhar. Fiquei pensando: como pode Deus me visitar assim. Ali acabou meu cansaço. Examinei aquele corpo pequeno.

Pensava comigo o quanto eu queria retirar cada um daqueles tumores e ao mesmo tempo me emocionava porque, com aquela visita, Deus retirava cada um dos meus tumores, não físicos. No final de tudo, depois de eternos poucos minutos de graça, ela olhou para mim e disse: Doutor, o resto pode estar doente, mas meu coração é grande e bom. Então, já emocionado, apenas pedi um abraço e agradeci por tudo aquilo. Ela voltou-se e foi embora. Não tive dúvidas: através daquela humilde senhora, Deus me visitou, me curou e me deu forças para continuar.

O dedicado médico conseguiu ver os traços de Deus naquela humilde e adoentada senhora. Esse é o passo fundamental para quem cultiva a espiritualidade: não procurar um Deus distante, perdido nas nuvens, mas um Deus que se faz visível através de tantos gestos humanos.

Deus é criativo quando deseja ser encontrado. Por outro lado, a agitação diária e a procura pelo extraordinário não permitem que muitos vejam Deus em suas incontáveis manifestações. Todos procuram o rosto de Deus. Ele não está distante. É necessário prestar atenção nos detalhes diários: Deus gosta de surpreender, disfarçado pela simplicidade. Aquele médico deixou que Deus o encontrasse naquela simples mulher. Uma visita inesquecível.

BICHO TAMBÉM É PAI. FELIZ DIA DOS PAIS.

No Brasil, comemora-se o Dia dos Pais no segundo domingo de agosto. A celebração, portanto, aproxima-se. Este ano, ocorre dia 13. Ser pai é uma grande conquista para os homens, mas também para os animais irracionais.
Entre os bichos, o nascimento de um filhote significa a continuação da linhagem genética da família. Sendo assim, os machos cantam, dançam e lutam até a morte para conquistar uma parceira. Porém, após a concepção, nem todos demonstram tanto interesse pelos filhotes. Não é crueldade, são apenas as leis da natureza! Há os que abandonam a família sem qualquer ressentimento, mas também os que assumem verdadeiramente o papel de pais: suprindo as necessidades, protegendo, ensinando. Quem são os melhores pais do reino animal? A seguir, alguns exemplos.

. Pinguim-imperador - entre os animais, nenhum pai passa por condições tão extremas para assegurar a vida do filhote quanto o pinguim-imperador. Os machos permanecem na Antártida durante o inverno praticamente sozinhos, já que os outros animais que habitam o continente gelado no verão partem para terras mais quentes, inclusive as fêmeas do pinguim-imperador. Os machos ficam justamente para proteger a prole. São eles que guardam o ovo concebido pela parceira, em uma bolsa especial, localizada acima dos pés. No inverno antártico, não há comida, nem água. O sol só volta a brilhar depois de quatro meses. Ventos fortes fazem a temperatura cair abaixo dos 70ºC negativos e forçam os pais a se agruparem para suportar a atmosfera congelante.
Quando os primeiros raios de sol surgem no horizonte, os ovos eclodem liberando filhotes famintos. Como um último esforço, os incansáveis pais – que já perderam metade do seu peso – produzem uma secreção proteica, semelhante ao leite, capaz de sustentar o pequeno pinguim pelo menos durante uma semana. Tempo suficiente para as mães voltarem de sua pescaria por águas mais quentes trazendo peixes para o marido e o novo filho. Na chegada, ela regurgita a fim de alimentá-los. A partir daí, pai e mãe começam um revezamento. Enquanto um sai para pescar o outro cuida do filhote, e a família permanece unida até o pequeno ficar independente.

. Ema - o macho possui o seu harém com até 12 fêmeas. E são eles os responsáveis por incubar os ovos de seu grupo. Eles chocam até 60 ovos durante um período de quarenta dias. Quando os filhos nascem, é o pai que os cria, sozinho.

. Saguis - os pais são responsáveis pela maioria dos cuidados de seus filhos recém-nascidos, enquanto suas companheiras se recuperam durante várias semanas após o parto. Os bebês saguis podem pesar até 25% do peso da mãe, tornando o processo de parto difícil e exigente. Portanto, cabe ao pai, alimentar, proteger e cuidar das necessidades dos bebês enquanto as mães se restabelecem.

. Cavalo-marinho - é o macho que fica “grávido”. Ele recebe os óvulos de sua parceira e, após fertilizá-los, os guarda em uma bolsa especial na barriga. O pai carrega os filhotes até que eles estejam totalmente formados e prontos para enfrentar os mares sozinhos.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

O ALCÓLATRA


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É o caso do alcoólatra;Diariamente nos deparamos com pessoas próximas a nós que pelas suas escolhas e ritmo de vida caem num buraco e sofrem. Ou ficam doentes, endividadas, compraram e não podem pagar, são demitidas, vão à falência, montaram um negócio, não avaliaram bem os riscos e quebraram, é o casamento que não deu certo, é o filho que se meteu em drogas, é um negócio mal feito, é um acidente de carro, é a pobreza, uma criança sem condições enfim, cada pessoa tem seus problemas.

As duas atitudes mais comuns são, ou dar um ponta pé para que a pessoa caia mais fundo e sofra mais ainda ou estender a mão para tirá-la do buraco. O que é mais comum? Há alguns casos que um bom chute faz bem. Soube de um pai que já havia salvado seu filho de uma enrascada que ele se meteu, mas na segunda vez, não moveu um dedo e deixou seu filho ficar preso por três semanas por outra enrascada. Valeu a lição. Algumas pessoas só aprendem mesmo e acordam para a vida quando perdem tudo.tra, só procura ajuda quando perder tudo. Enquanto as pessoas estão lhe cuidando e se preocupando, ele segue seu ritmo. É o amor exigente. Mas há uma infinidade de pessoas que estão precisando de uma mão estendida, uma palavra, uma ajuda, uma oportunidade, sobretudo as crianças e os jovens. Um dia desses presenciei uma pessoa gritar e falar mal a uma criança pobre que estava pedindo na sinaleira. Isso gera mais ódio.

Claro que dar coisas nem sempre é educativo, mas não precisamos magoar e machucar mais ainda do já estão. Ninguém cresce só na vida. Alguém lhe ajudou na sua caminhada. É hora de devolver. Pague seu dízimo para a vida. DEVOLVA COM AMOR, UM POUCO DO QUE VOCÊ GANHOU. Temos que desenvolver mais a solidariedade. Acolher, entender, orientar. Tem muita gente dando ponta pé nos outros, mas também tem muita gente estendendo a mão. Quantos exemplos bonitos.

Como é na sua casa e na sua família? E no seu bairro? E no seu local de trabalho? As pessoas estendem a mão ou dão ponta pés? Elogiam mais ou criticam mais? Vamos pensar nisso.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A FANTASIA

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A fantasia é a matéria-prima da realidade. Tudo que é real, do computador ao jornal no qual você lê este texto, nasceu da fantasia de quem criou o artigo, concebeu o computador e editou a publicação.

A cadeira na qual me sento teve seu desenho concebido previamente na mente de quem a criou. Daí a força da ficção. Ela molda a realidade.

A infância é, por excelência, a idade da fantasia. A puberdade, o choque de realidade. Privar uma criança de sonhos é forçá-la a, precocemente, antecipar seu ingresso na idade adulta. E esse débito exige compensação. O risco é ele ser pago com as drogas, a via química ao universo onírico.

As novas tecnologias tendem a coibir a fantasia em crianças que preferem a companhia do celular à dos amigos. O celular isola; a amizade entrosa. O celular estabelece uma relação monológica com o real; a amizade, dialógica. O risco é a tecnologia, tão rica em atrativos, “roubar” da criança o direito de sonhar.

Agora, sonham por ela o filme, o desenho animado, os joguinhos, as imagens. A criança se torna mera espectadora da fantasia que lhe é oferecida nas redes sociais, sem que ela crie ou interaja.

Na infância, eu escutava histórias contadas por meus pais, de dona Baratinha à Branca de Neve e os sete anões. Eu interferia nos enredos, com liberdade para recriá-los. Isso fez de mim, por toda a vida, um contador de histórias, reais e fictícias.

Hoje, a indústria do entretenimento sonha pelas crianças. Não para diverti-las ou ativar nelas o potencial onírico, e sim para transformá-las em consumistas precoces. Porque toda a programação está ancorada na publicidade voltada ao segmento mais vulnerável do público consumidor.

Embora a criança não disponha de dinheiro, ela tem o poder de seduzir os adultos que compram para agradá-la ou se livrar de tanta insistência. E ela não tem idade para discernir ou valorar os produtos, nem distinguir entre o necessário e o supérfluo.

Fui criança logo após a Segunda Grande Guerra. O cinema e as revistas em quadrinhos, em geral originados nos EUA, exaltavam os feitos bélicos, do faroeste aos combates aéreos. No quintal de casa eu e meus amigos brincávamos de bandido e mocinho. Nossos cavalos eram cabos de vassoura.

Um dia, o Celsinho ganhou do pai um cavalinho de madeira apoiado em uma tábua com quatro rodinhas. Ficamos todos fascinados diante daquela maravilha adquirida em uma loja de brinquedos.

Durou pouco. Dois ou três dias depois voltamos aos nossos cabos de vassoura. Por quê? A resposta agora me parece óbvia: o cabo de vassoura “dialogava” com a nossa imaginação. Assim como o trapo que o bebê não larga nem na hora de dormir.

O direito à fantasia deveria constar da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

CAMINHANDO

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A passos seguros seguia pela insegurança que a vida me apresentava naquele momento e naquele lugar. Sem fazer alarde ia na direção que precisava, achava coerente. Em algumas ocasiões a cabeça baixa e os pés seguros no chão seguiam um leve andar. A bagagem com todas as crenças que construí estavam ali presentes, me ajudando nessa passagem.
Sim, era leve meu andar, mas era áspero o terreno por onde precisava caminhar. Em alguns momentos me perdia, também o foco e a direção, ia na contramão, mas logo achava novamente a curva que me levava ao meu leve andar. Minha bússola eram registros que foram ressignificados no decorrer dos anos e que tinham firmado raízes em mim; os quais precisei com firmeza trabalhar. Eram eles as convivências com pessoas de valor que fizeram parte da minha vida, da minha história ajudando-me a ser quem eu era incluindo todas as buscas em que me embrenhei.
Olhava para mim e via o que precisava construir, reconstruir, mas era leve meu andar, assim como saber por onde deveria pisar.
Ter a coragem de viver é se emocionar, se entregar a uma jornada com o formato que lhe permite ter. Ser de verdade é absorver as coisas boas e as outras também. Negar as adversidades é não me construir inteira. Façamos das adversidades pontes que nos levam mais próximos das verdades. Aprendizados que podem nos ajudar a crescer e nos fortalecer interiormente.
Passar por dentro da vida é senti-la intensamente, saboreando o doce e o amargo de estar ali e de caminhar inteiro pela existência.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

A SUPRESSÃO DA DEMOCRACIA BRASILEIRA


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“O Supremo Tribunal Federal tem uma dívida para com a democracia brasileira: não impediu, com argumentos jurídicos e com sua autoridade de guardião da Constituição, que fosse politicamente consumado pelo Congresso um golpe contra a presidente eleita Dilma Rousseff", escreve a jornalista Tereza Cruvinel. Com tantos políticos corruptos que compõem o Congresso Nacional, o golpe parlamentar de 2016 podia ser impedido pela alta corte jurídica do país? Fica a pergunta em face à manifestação da jornalista.

A cobrança da jornalista Tereza Cruvinel ao Supremo Tribunal Federal em 30 de maio tem embasamento em manifestações de ministros da suprema corte. A título de referência, na segunda-feira 29 de maio o ministro Luís Roberto Barroso manifestou preocupação “ao admitir que a remoção de Dilma deixasse uma cicatriz na vida política brasileira”. Insatisfeita, a jornalista contrapõe ao ministro: "desculpe o ministro, mas esta é uma explicação errada para uma atitude errada". Já no entendimento de Luís Roberto Barroso, “não cabia ao Supremo Tribunal Federa interferir no processo por acreditar que não devia fazer uma opção política numa sociedade dividida”. Contudo, para a jornalista “a história cobrará do Supremo” por sua decisão de não interferir no processo de cassação da presidente Dilma Rousseff. Seja qual for a verdade, o fato é que o golpe parlamentar foi alicerçado no argumento da falta de apoio político, embora a presidenta fosse eleita pela soberania nacional. Isto é, com mais de 50% do apoio da população.

Na verdade, os prejudicados com a supressão do sistema democrático no país são o povo, os pobres, as classes populares que perderam seus direitos, seguridade social e recursos orçamentários com as reformas do governo. Como se não bastasse a retirada de direitos que levaram dezenas de anos para a conquista, a atual situação de instabilidade política e institucional instalada no Brasil tem se agravado com a divulgação de áudios de gravações de corrupção do presidente e ministros. Toda semana novos fatos jogam mais combustível que elevam a instabilidade política. No dia 17 de junho, em entrevista concedida à revista Época, o empresário Joesley Batista implodiu o governo: “O Brasil é hoje presidido por seu maior e mais perigoso criminoso, chamado Michel Temer. Temer é o chefe da Orcrim da Câmara. Temer, Eduardo, Geddel, Henrique, Padilha e Moreira. É o grupo deles. Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muita perigosa”. Acrescenta que a corrupção é orquestrada. “Moreira Franco operava nos aeroportos; Eduardo Cunha e Geddel Vieira Lima atuavam na Caixa Econômica Federal. Michel Temer e Eliseu Padilha conspiravam no Congresso, enquanto Henrique Eduardo Alves recolhia propinas numa das arenas da Copa do Mundo”.

Qualquer que seja a verdade o Brasil precisa passar por uma reformulação do Estado, lutar pela reimplantação da democracia, escrever nova Constituinte, eleger os representantes dos três poderes para que façam valer e cumprir a Constituição. Quem sabe assim seria possível evitar a corrupção endêmica dos partidos políticos e do governo. Mas, devido às revelações da articulação política do golpe parlamentar de 2016, por enquanto a crítica da jornalista tem sentido: “com o golpe dos corruptos contra a presidente honesta, o Brasil passou a ser comandado diretamente pelo crime e milhões de pessoas perderam seus empregos”. Enquanto isso, o Brasil é governado para favorecer os políticos corruptos.

sábado, 5 de agosto de 2017

INVISÍVEIS TRABALHADORES ANÔNIMOS.

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Por mais ameaças que pesem sobre a Casa Comum, a Terra, atacada em todas as frentes pelo tipo de cultura que desenvolvemos nos últimos dois séculos, explorando ilimitadamente seus bens e serviços limitados, mais diretamente para a acumulação material de poucos – apesar disso tudo - ela continua generosamente nos ofertando beleza de frutos, flores, plantas, animais e vasta biodiversidade.

A mim imperssiona as pequeninas flores vermelhas e amarelas de três vasos que pendem de uma das minhas janelas. Elas, ridentes, estão sorrindo para o universo. Isso me remete à frase do místico poeta alemão Angelus Silesius que diz: “a flor é sem por quê, ela floresce por florescer, não se preocupa se a olham ou não, ela simplesmente floresce, por florescer”.

Sabemos que somente 5% da vida é visível. O restante é invisível, composto de micro-organismos, bactérias, virus e fungos. Já escrevi isso aqui e o repito nas palavras de um dos maiores biólogos vivos Edward O. Wilson:”em um só grama de terra, ou seja, menos de um punhado, vivem cerca de 10 bilhões de bactérias, pertencentes a até 6 mil espécies diferentes”(A criação: como salvar a vida na Terra, 2008, p.26). Se assim é com apenas um punhado de chão, imaginemos os quintilhões de quintilhões de micro-organismos que habitam no sub-solo de toda a Terra. Por isso tem razão James Lovelock e seu grupo ao afirmar que a Terra é um super-organismo vivo. Não no sentido de um imenso animal, mas de um sistema que se autoregula e que articula o físico, o químico e o ecológico de forma tão inteligente e sutil que sempre produz e reproduz vida. Chamou-a de Gaia, nome grego para designar a Terra viva.

Nada é supérfluo na natureza. Com certo sentido de humor escreveu o Papa Francisco em sua encíclica “Sobre o Cuidado da Casa Comum” referindo-se a São Francisco. Este pedia aos frades “que no convento, se deixasse sempre, numa parte do horto, um lugar para as ervas silvestres”, porque do jeito delas também louvam o seu Criador.

Devemos cuidar destes trabalhadorea anônimos que garantem a fertilidade dos solos e são responsáveis pela inimaginável diversidade dos seres, dos frutos diferentes, da variedade de flores, da diversidade das plantas e também da existência dos seres humanos, em seus diferentes modos de ser o que são. Com os bilhões de litros de agrotóxicos (só no Brasil se lançam ao solo cerca de 760 bilhões de litros) os ameaçamos e matamos. A humanidade é a primeira espécie na história da vida que já tem 3,8 bilhões de anos, a se tornar uma força geofísica letal. Ela é o meteoro rasante, capaz de criar as condições, por sua falta de cuidado e pela máquina de morte que criou, de exterminar a vida visível e a nossa civilização. Há quem diga que com isso foi inaugurada uma nova era geológica, o antropoceno. Mas esses micro-organismos ficam indiferentes. Um naturalista Jacob Monod aventa a ideia de que, pelo fracasso de nossa espécie, um outro ser, capaz de suportar o espírito, irá surgir, quem sabe mais amante da vida. Consideremos estes fatos: os pequeninos organismos vivos e visíveis como as formigas totalizam cerca de 10 mil trilhões e pesam o equivalente ao peso de toda população humana de 7,5 bilhões de pessoas. Os insetos, aos bilhões, são responsáveis pela polinização das flores que, posteriormente, darão frutos.

Quem poderia imaginar que uma simples ervinha silvestre de Madagascar fornecesse alcalóides que curam a maioria dos casos de leucemia infantil aguda? Ou que um obscuro fungo da Noruega fornecesse uma substância que permite realizar o transplante de órgãos? Mais surpreendente ainda: a partir da saliva de sanguessugas foi desenvolvido um solvente que evita a coagulação do sangue durante após as cirurgias?

Como se depreende, todos os seres possuem primeiramente um valor em si mesmos, pelo simples fato de terem surgido ao longo dos milhões de anos de evolução e em seguida poderem ser generosamente úteis para o seu irmão ou irmã, o ser humano? As espécies ditas “daninhas” mas que, na realidade, são silvestres, enriquecem o solo, limpam as águas, polinizam a maioria das plantas com flores. Sem eles a nossa vida estaria sujeita a doenças e seria mais breve. Essa legião de micro-organismos e minúsculos invertebrados, especialmente os vermes nematóides que constituem quatro quintos de todos os seres vivos da Terra, como nos afirmam os biólogos, não estão à toa e sem cumprir a sua função no processo cosmogênico. Nós precisamos deles para sobreviver. Eles não precisam de nós.

São Francico pisava de mansinho sobre o solo com medo de matar algum bichinho. Nós andamos atropelando, sem consciência de que, escondidos no sub-solo, estão membros da comunidade de vida.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

O DISCURSO E O RESULTADO.

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“Acabou a recessão”! Michel Temer celebra o crescimento de 1% do PIB no primeiro trimestre. Contudo, o crescimento é fruto da safra de grãos e não das medidas econômicas do governo. Em tempo de profunda recessão econômica em setores da indústria e do comércio, a mãe terra e a agricultura têm sido generosas. Da terra vem o sustento da população e o remédio para a superação da recessão econômica.

“O Brasil voltou a crescer. E com as reformas vai crescer mais ainda”, postou no Twitter Michel Temer. No mesmo dia da postagem, 1º de junho, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou taxa do desemprego que chegou a 14% no mês de abril. O retrato da catástrofe econômica do Brasil mostra que se eleva mensalmente em 1% a taxa do desemprego. No confronto com o igual trimestre do ano passado o desemprego subiu 23,1%, um aumento de 2,6% de pessoas desempregadas. O presidente do IBGE, economista Paulo Rabello de Castro, contradiz as declarações de Michel Temer e de seus ministros. Rabello foi taxativo ao apresentar os números do cenário econômico do Brasil: “muito ruim” e o ambiente econômico “não melhorou”.

A pesquisa dos Indicadores das Indústrias, divulgada em 1º de junho pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), registrou que o faturamento da indústria caiu 3,1% em abril. Essa queda comparada com março registrou uma retração de 9,9% do comércio. O presidente da CNI Robson Andrade afirma que a maior depressão econômica da história do país “é fruto do golpe parlamentar de 2016”. A própria CNI que apoiou o golpe reconhece o desastre econômico e político estabelecido no país após a queda da presidenta Dilma Rousseff.

Comparada com os resultados divulgados pelos institutos de pesquisa CNI e IBGE, a fala de Michel Temer e de ministros é falácia política. Ao divulgar as taxas trimestrais da economia, Rabello foi questionado por um repórter da Rede Globo se os números não interferiam de forma negativa no momento do Brasil. Rabello, que também apoiou o golpe parlamentar, em defesa do instituto e da pesquisa que coordena, disse: “Que se dane o governo. Eu não "tô" aqui nem para produzir dados bons nem dados ruins para ninguém. Os dados são o que são”. Agravam a situação outros resultados como o indicador da evolução da produção que caiu para 41,6 pontos; o de número de empregados ficou em 47 pontos e o de utilização da capacidade instalada, em relação ao usual diminuiu pra 36,6 pontos. Diante dos resultados, Rabello constata: "Sem grandes perspectivas de melhora no cenário econômico, os empresários continuam pouco dispostos a investir".

Para o sociólogo e cientista político Emir Sader, Michel Temer "... passará também como um pulha, um político subserviente, que colocou sua mediocridade a serviço das piores causas. Que terminou enxotado pelo povo, como o governante que menor apoio teve em toda a história do país, símbolo do mais avacalhado que a política brasileira já produziu, misto de Eduardo Cunha e Aécio Neves".

Na real, os índices de crescimento mostram um pessimismo econômico e a rejeição ao governo. Diante da maior depressão econômica da história do Brasil, a confiança dos brasileiros em relação ao governo e à economia são praticamente nulas. Em suma, os resultados das pesquisas do trimestre captam os sentimentos dos brasileiros enquanto o discurso do presidente e de ministros continua num mundo metafísico, fictício, surreal.


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

ECOS DA ETERNIDADE

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A tecnologia tem acelerado e implementado muitas mudanças. O mundo passou a desconhecer distâncias e determinou a instantaneidade como novo modo de interação. Isto significa que, ao mesmo tempo, em todos os recantos do planeta, todos poderão acessar algum meio para saber o que está acontecendo naquele momento. A velocidade definirá a qualidade e a intensidade das relações humanas. Há, no entanto, uma complexidade que pode até dificultar a compreensão, mas é certo que não será possível retroceder. Por outro lado, a humanidade terá que se reinventar para continuar acreditando e defendendo os valores que dignificam a vida. Os diversos pontos de vista devem ser respeitados. Há ganhos e perdas. Porém, o desafio parece residir na capacidade de assimilar o novo, sem perder o essencial.

Num dia desses, ao acessar as redes sociais, tomei conhecimento de um fato triste que continha, nas entrelinhas, um testemunho de vida e de fé de um valor sem igual. Eu poderia ter ficado apenas com os detalhes, que normalmente emocionam e entristecem, mas optei por guardar aquelas palavras que jamais serão esquecidas pelos familiares e amigos da vítima. Em Londres, um antigo prédio de 27 andares incendiou. As ruínas foram de grandes proporções. Num dos apartamentos residia um jovem casal. Quando as chamas se tornaram incontroláveis, diante do perigo, a jovem italiana, resolveu telefonar para sua mãe. Relatou o que estava acontecendo e da impossibilidade de sair do prédio. Não sabia se seria socorrida em tempo. Mesmo assim, conservou a calma e disse: “Mãe, obrigada por tudo o que você fez por mim. Estou indo. Morro mas vou viver. Eu te ajudarei lá do céu.”

Apesar do trágico fim, aquela mãe, numa entrevista, além das lágrimas e da intensidade da dor, falou do consolo que sentia em recordar as últimas palavras da filha. Não imaginava que ela tivesse uma fé tão profunda, ao ponto de expressar que iria para o céu e que faria pela mãe um pouco do muito que a mãe fez por ela. De uma forma mais discreta ou diversificada, os jovens carregam consigo a fé. Os próximos tempos, apesar de todos os avanços e contradições, serão de muita espiritualidade. Há uma redescoberta da oração, da vivência religiosa e da prática da caridade. Talvez os formatos do ontem não encontrem espaços na atualidade, mas outras formas de cultivo da transcendência serão multiplicadas. As chamas daquele velho prédio não serão esquecidas. Porém, as últimas palavras daquela jovem farão eco até a eternidade. Ainda bem que há algo que não morre. O céu é a certeza de que vale a pena continuar, apesar de tudo.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

APEGO AO PODER.

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Para muitos, o poder é a suprema ambição. É a perversa maneira de se comparar a Deus. Vide Temer e os políticos que gastam somas bilionárias em campanhas eleitorais e, mesmo derrotados, voltam à cena. A sede de poder parece proporcional à fortuna que dilapidam. Temer inclusive usa o dinheiro público (nosso portanto) ao cooptar parlamentares com polpudas emendas parlamentares.

Há homens que, fora do poder, sentem-se terrivelmente humilhados, expulsos do Olimpo dos deuses. Caem em depressão e, passada a ressaca, voltam à disputa pelo espaço de poder com mais garra e menos escrúpulos.

Modificado o modo de viver de quem ocupa o poder, em pouco tempo altera-se também o modo de pensar. Pois o poder faz girar a roda da fortuna e opera na pessoa uma mudança de lugar social e cultural. Ela se vê cercada de bajuladores, recebe convites e homenagens, ganha presentes, conta com vários assessores e, sobretudo, passa a dispor de uma infraestrutura que a reveste de uma aura especial. Troca de guarda-roupa, de casa, de amigos e de mulher ou marido.

Aos olhos do comum dos mortais, possui as chaves da felicidade alheia. Tem o poder de aprovar projetos, liberar verbas, autorizar obras, permitir viagens, distribuir cargos, promover pessoas, conceder benesses e transformar seus gestos em fatos políticos.

Quem se apega ao poder mira-se todas as manhãs no espelho da bruxa da Branca de Neve e não suporta críticas, pois minam sua auto-imagem e exibem suas contradições aos olhos de outrem. Daí porque se isola, fecha-se num círculo hermético ao qual só têm acesso os que cumprem suas ordens, dizem "amém" às suas ideias e palavras.

O ser humano tem cinco grandes tentações. A primeira é o poder. A segunda, o poder. A terceira, o poder. A quarta, o dinheiro. A quinta, o sexo.

Por que o poder encanta tanto? Porque aparentemente compensa quem tem baixa autoestima. Só quem não se sente bem sendo o que é busca salvação na boia chamada poder, ainda que o mar da conjuntura se encontre agitado.

Quem se apega ao poder se sente desesperado diante da possibilidade de perdê-lo. Seu ego necessita de uma prótese, como o homem de baixa estatura que só se deixa fotografar ao lado de outros trepado em um tamborete ou o feio que divulga nas redes sociais a foto de Marlon Brando como se fosse a sua.

Até trabalhar no Planalto, em 2003 e 2004, como assessor especial do presidente Lula, eu também pensava que o poder muda as pessoas. Descobri que não é bem assim. O poder faz com que a pessoa se revele. Qualquer poder, do senador ao gerente da agência bancária. Como bem diz o ditado espanhol: “Quieres conocer a Juanito, dale un carguito.”

São raros aqueles que fazem do poder, como ensinou Jesus, um dever de serviço à justica, à solidariedade e à paz.