domingo, 30 de outubro de 2011

AQUELA HORA.

Um amigo meu, bastante filosófico nas suas colocações, quando fala da morte de alguém, ou da morte como tal, costuma usar a expressão: “Aquela hora”. Raramente usa o substantivo morte. Não gosta dele e não se sente bem pronunciando. Paúras à parte, numa coisa ele tem razão. A morte não é eterna, ela tem duração. Pode ser dez minutos, um minuto, uma hora, cinco horas, alguns dias, mas ela é certamente mais curta que a vida. Muitíssimo mais curta. É um túnel que nunca é maior do que a estrada. A estrada não começa nele e não acaba nele. Os túneis são o que são: passagens. Às vezes escuras, às vezes iluminadas, mas passagens.
Numa sociedade como a nossa, que escolheu tornar-se uma civilização de morte, e que aceita a morte dos outros com enorme naturalidade, sem emoção nenhuma e que todos os dias vê vidas sendo desperdiçadas do berço à velhice, acaba ficando insensível.
Só dói a morte dos parentes ou a própria morte. A dos outros passa a ser um mero acidente, estatística. Vale a pena, num mundo como esse, refletir de vez em quando sobre a inexorabilidade da morte. Tudo o que nasceu vai morrer um dia. A coisa mais certa, depois do nascimento, é a morte. Nasceu, vai morrer. Não há como fugir.
Se tem que ser, então é melhor vivermos uma vida tranquila de quem sabe que um dia vai morrer, mas quando for não irá como suicida num carro em altíssima velocidade ou depois da injeção de drogas ou venenos letais.
Se o céu existe, e eu aposto nisso, o certo é chegar lá e poder dizer para Deus: Eu sabia que vinha, não sabia quando, mas fiz muito bem o meu vestibular. Nos dias de hoje há muita gente fazendo o seu vestibular para a morte violenta. Pena que vestibular para a morte não seja o mesmo que vestibular para o céu.
Oremos para que Deus nos ilumine e nos ensine a viver como quem sabe que morrerá, e a morrer como quem soube viver direito. Nem todo mundo consegue.

FALTA DE MUITOS SUSTENTA A FARTURA DE POUCOS

O relatório Estado do Mundo 2011, lançado no Brasil na semana passada pela parceria entre o Instituto Akatu e o Worldwatch Institute (WWI), oferece um diagnóstico abrangente e preocupante da realidade agrícola e ambiental do planeta. A começar pela constatação de que a cada ano são derrubados 13 milhões de hectares de florestas.
Produzido há 28 anos consecutivos, o estudo destaca ainda que, enquanto o mundo desperdiça um terço dos alimentos que produz, 925 milhões de pessoas passam fome. E faz outra revelação impressionante: oito milhões de agricultores da África ainda irrigam suas terras com o uso de baldes. Se a agricultura se desenvolver naquele continente, os produtores rurais poderão retirar da atmosfera 50 bilhões de toneladas de dióxido de carbono.
Os dados mostram o absurdo com que a humanidade convive: joga-se fora a comida que evitaria a morte de milhões de pessoas. Mais: enquanto em algumas regiões a tecnologia, aliada a modernos e eficientes sistemas de produção, promove recordes de produtividade nas lavouras, em outras só existe o trabalho braçal. É muita desigualdade no mesmo planeta, o que cria diferentes patamares de condições de vida, classificação que se estende também aos próprios seres humanos.
Como um país que usa baldes de água para manter sua agricultura vai competir com os que adotam a agricultura mecanizada e de precisão? E, mais cruel ainda: como nações subdesenvolvidas, aonde vive a maior parte dos famintos, conseguirão satisfazer seus habitantes se para isso dependerão de um mercado em que o alimento custa cada vez mais caro? O mundo, o que inclui o Brasil como potencial futuro celeiro mundial de grãos, precisa voltar sua atenção, e ações, para ajudar essa gente tão necessitada. O modelo que privilegia grupos com a fartura sustentada pela escassez de muitos não pode continuar vigorando

O QUE VOCÊ ACHA: A CHINA VAI SALVAR A ECONOMIA EUROPEIA?

Apesar do entusiasmo da União Europeia com a possibilidade da participação chinesa no Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, Beijing deixou claro que ainda não tomou nenhuma decisão a respeito. Com mais de três trilhões de dólares de reservas, cerca de 31% do total mundial em moeda estrangeira, a China tem a capacidade necessária para contribuir decisivamente com o resgate das economias europeias. Resta saber o que ganhará com isso.

A DEPRAVAÇÃO DA AMÉRICA

A cultura dos Estados Unidos foi inundada por um tsunami de mentiras. O marketing se tornou a atividade predominante da cultura. É uma coisa seguida por pessoas de negócios, políticos e pela mídia. O dinheiro é tudo o que importa. Foi-se o tempo em que a ética protestante definia o caráter dos EUA. Ela foi usada pelos sociólogos como fator responsável pelo sucesso do capitalismo na Europa do Norte e nos EUA, mas a ética protestante e o capitalismo se tornaram incompatíveis. A "América" está se tornando uma região de depravação raramente superada pelas piores nações da história.

A VOZ DO BRASIL QUE NUNCA TEVE VOZ


Lula completou 66 anos esta semana: a metade deles emprestando a voz rouca e grave à defesa da democracia e da justiça social. Avant la lettre, ele deu voz à 'primavera árabe' brasileira. Mesmo quando lhe faltaram microfones, nas assembléias históricas da Vila Euclides, no ciclo das grandes greves do ABC paulista, nos anos 80, a voz rouca e grave ecoou através de outras vozes para se fazer ouvir em todos os cantos e lares mais humildes do país..

A economia e a sociedade que essa voz ajudou a construir hoje falam por ele. E torcem por ele, na certeza de que ele ainda falará por ela durante muito tempo, como líder político incontestável da grande frente progressista que deu voz a um Brasil que nunca antes teve voz nem vez na política nacional.
Na campanha de 2002, num discurso emocionado, quando a vitória ainda era incerta, Lula disse que se considerava uma obra coletiva do povo brasileiro. E que assim persistiria , fosse qual fosse o resultado daquela disputa. De fato. Lula se transformou no intérprete mais fiel das lutas e sonhos da gente brasileira, a ponto de o seu nome ter se incorporado ao vocabulário nacional ('agora é Lula!') como uma espécie de sinônimo do orgulho, da resistência e do discernimento de uma população que, ao seu modo, nele se enxergou como fonte de poder e de direitos .
Essa força tamanha não vai silenciar. Não apenas porque Lula em breve voltará a expressá-la, mas porque em qualquer tempo, e em qualquer lugar , sempre que interesses de uma elite anti-social e demofóbica ameaçarem as conquistas e anseios dessa gente, haverá quem cante, assovie, murmure ou mencione o refrão que enfeixa um punhado de significados e entendimentos, todos eles imiscíveis com a prepotência e a humilhação que encontrou nesta voz um contraponto de alteridade e hegemonia que as ruas dificilmente esquecerão: 'olê, olê, olê, olá, Lula, Lula...'

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

OS 5 PRINCIPAIS ARREPENDIMENTOS DE PACIENTES TERMINAIS

Bronnie Ware trabalha com pacientes perto do fim da sua vida – pacientes terminais. Neste post, ela escreve sobre os principais arrependimentos que vieram à tona aos seus pacientes em seu leito de morte.

Os cincos principais seguem abaixo:
1. Eu gostaria de ter tido a coragem de viver uma vida verdadeira para mim, e não a vida que os outros esperavam de mim.
Este foi o arrependimento mais comum. Quando as pessoas percebem que sua vida está quase no fim e olham para trás, é fácil ver como muitos sonhos não foram realizados. A maioria das pessoas não tinham honrado a metade dos seus sonhos e morreram sabendo que era devido às escolhas que fizeram, ou deixaram de fazer. É muito importante tentar realizar pelo menos alguns de seus sonhos ao longo do caminho. A partir do momento que você perde a sua saúde, é tarde demais. Saúde traz uma liberdade que poucos percebem, até que já a não têm mais.
2. Eu gostaria de não ter trabalhado tanto.
Isto veio de todos os pacientes do sexo masculino que eu acompanhei. Eles perderam o crescimento de seus filhos e o companheirismo do parceiro.
As mulheres também citaram este arrependimento, mas como a maioria era de uma geração menos recente, muitos dos pacientes do sexo feminino não tinham sido chefes de família. Todos os homens que eu acompanhei se arrependeram profundamente de passar tanto tempo da sua vida com foco excessivo no trabalho.
Ao simplificar o seu estilo de vida e fazer escolhas conscientes ao longo do caminho, é possível não ter que precisar de um salário tão alto quanto você acha.
E criando mais espaço em sua vida, você se torna mais feliz e mais aberto a novas oportunidades, mais adequado ao seu novo estilo de vida.
3. Eu gostaria de ter tido a coragem de expressar meus sentimentos.
Muitas pessoas resguardaram seus sentimentos para manter a paz com os outros.
Como resultado, tiveram uma existência medíocre e nunca se tornaram quem eram realmente capazes de ser. Muitas desenvolveram doenças relacionadas à amargura e ao
ressentimento que carregavam, como resultado. Nós não podemos controlar as reações dos outros. No entanto, embora as pessoas possam reagir quando você muda a maneira
de falar com honestidade, no final a relação fica mais elevada e saudável. Se não ficar, é um relacionamento que não vale a pena guardar sentimentos
ruins. Você ganha de qualquer maneira.
4. Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos.
Muitas vezes os pacientes terminais não percebiam os benefícios de ter por perto antigos e verdadeiros amigos até a semana da sua morte, e nem sempre foi possível encontrá-los.
Muitos haviam se tornado tão centrados em suas próprias vidas que tinham deixado amizades de ouro se diluírem ao longo dos anos. Havia muitos arrependimentos por não
dar atenção a estas amizades da forma como mereciam. Todos sentem falta de seus amigos quando estão morrendo. É comum que qualquer um, em um estilo de vida agitado,
deixe escapar amizades. Mas quando você se depara com a morte se aproximando, os detalhes caem por terra. Não é dinheiro, não é status, não é posse.
Ao final, tudo se resume ao amor e relacionamentos. Isso é tudo o que resta nos dias finais: amor.
5. Eu gostaria de ter me deixado ser mais feliz.
Muitos não perceberam, até ao final da sua vida, que a felicidade é uma escolha.
Eles haviam ficado presos em velhos padrões e hábitos. O chamado “conforto”. O medo da mudança os faziam se fingir aos outros e a si mesmos, enquanto lá no fundo ansiavam rir e ter coisas alegres e boas na vida novamente.
Vida é escolha. A vida é SUA. Escolha com consciência,
com sabedoria, com honestidade.
Escolha ser feliz.

CÓDIGO FLORESTAL, A LUTA CONTINUA

Apoiado pela bancada ruralista na Câmara do Deputados, o deputado comunista Aldo Rebelo ( PC do B), relator do projeto do novo Código Florestal naquela Casa, fez aprovar o seu parecer, onde constam inúmeras aberrações contra o patrimônio ambiental brasileiro. Anistia para desmatadores, permissão para retirada de Áreas de preservação sem a devida compensação no mesmo bioma e por ai vai.

Agora, o projeto está no Senado, nas mãos do relator Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC) e provavelmente será votado nas próximas semanas. Se aprovado do jeito que veio da Câmara, o Brasil sofrerá um retrocesso ambiental imenso, permitindo que, por exemplo, imensas áreas de preservação, localizadas nas grandes cidades caiam nas mãos de grandes construtoras, ávidas por mais espaços, ocasionando certamente a destruição de fontes, extinção de espécies e do resta ainda da mata atlântica.
Além dos movimentos sociais (MST, Via Campesina, MPA, MAB), deputados e senadores comprometidos com a causa ambiental associada ao desenvolvimento sustentável,agora, inúmeras personalidades da sociedade brasileira se engajam nessa luta. A modelo gaúcha Gisele Bündchen, o cineasta Fernando Mereilles e os atores Bruna Lombardi ,Wagner Moura, dentre outros, entraram nessa briga.
Para quem é fã da atuação desses artistas e modelos, vale a pena também conferir o que eles tem a dizer sobre o novo projeto do Código Florestal e o que isso afetará a sua vida e a de seus filhos.


A EUROPA TIRA O CHAPÉU PARA O BRASIL, MAS PARA PEDIR

O site da BBC publica agora à tarde matéria dizendo que” das opções estudadas nesta quarta-feira pelos governantes da zona do euro para reforçar o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) é criar um mecanismo especial de investimento, em parceria com o FMI, para atrair investidores estrangeiros privados e públicos”.

Tradução: Brasil, China e outras economias emergentes poderiam comprar títulos públicos dos países europeus com problemas, tanto nos mercados primários como secundários, para que os tesouros possam socorrer os bancos quebrados com os mesmos títulos públicos de alguns países europeus. O Fundo “ofereceria garantias contra uma parte das perdas no caso de quebra do país em questão”.
Parte, vejam bem, parte.
A matéria prossegue:
“Um funcionário europeu explicou à BBC Brasil que ao contribuir com o fundo de resgate europeu, o Brasil teria um forte argumento para exigir um papel mais importante para os países emergentes no FMI”.
Tradução: sabem que somos, agora, “gente grande”, mas cobram ajuda financeira para nos reconhecerem como tal.
Negativo: primeiro, queremos o reconhecimento, depois, sim, conversamos sobre ajuda.
O ministro Guido Mantega disse ontem que não entra nessa. Se querem ajuda, que peçam ao FMI e, aí sim, o Brasil pode entrar na caixinha, via FMI. Até porque eles não vão dar calote em si mesmos. Em nós, bem… Já nos deram um na Segunda Guerra Mundial, quando nos deviam os tubos e nos pagaram em ioiôs, matéria plástica e com o porta-aviões Minas Gerais, negociação que a modinha do Juca Chaves tornou famosa.
E que Fernando Henrique repetiu com o Foch, o porta-aviões que virou o “São Paulo”, numa transação que a especialista em assuntos aeronáuticos Eliane Cantanhêde certamente, pela ausência de críticas, deve ter aprovado.

A NOVA TROCA DE MINISTRO

Desde a crise de Palocci, ao longo de seis meses, o governo tem sido pautado pela mídia. Dá para fazer a periodização do governo, conforme os casos na berlinda pelas denúncias da mídia.

Agora correspondeu a Orlando Silva. O roteiro é mais ou menos o mesmo, as acusações podem aparentar ter mais ou menos credibilidade, mas o ímpeto e a reiteração são os mesmos, ate’ derrubar o ministro. O método tem se mostrado infalível.
A decisão de substituição de Orlando Silva estava tomada pelo governo na semana passada, não porque desse fé às acusações, mas porque acreditava que ele estava enfraquecido para ser uma peça fundamental na parada dura que o governo encara com o envio do projeto de lei sobre a Copa do Mundo ao Congresso.
O esquema que foi aventado de uma troca que envolvia outro ministério (Cultura) era real, terminou nã funcionando porque a pessoa (Pelé) sondada para substituir Orlando no ministério não aceitou e a questão voltou para o ponto de partida.
Orlando pediu um tempo para rebater as acusações, mas para o governo o que contava era a possibilidade dele retomar condições políticas de conduzir as discussões em torno da Copa do Mundo, a contar pela ida à Câmara ontem. A oposição, com uma ferocidade gorila, totalmente destemperada, tratou de perturbar a discussão em pauta, para buscar demonstrar que qualquer aparição do Orlando seria recebida em função das acusações, impedindo-o de politicamente atuar como o ministro que o governo requer.
Esta acabou sendo a razão da saída do Orlando, anunciada para ser formalizada, não a aceitação das acusações contra ele pelo governo. É como se um jogador estratégico de um clube fosse jogar machucado, sem as melhores condições físicas.
A decisão de manter o ministério com o PC do B por parte do governo requer da parte do novo ministro substituição em vários cargos de pessoas envolvidas nas acusações e abandono da utilização de ONGs para projetos do ministério.
Em geral, no caso de um ministro substituído nessas condições, as acusações desaparecem no dia seguinte na imprensa, mostrando que eles não se interessam por acabar com a corrupção, mas se valem de acusações – mesmo vindas de pessoas notoriamente desqualificadas – para derrubar ministros, seja para enfraquecer o governo, seja também para fazer prevalecer seus interesses.
Neste caso, é preciso ver se o quarteto interessado diretamente nas questões centrais do ministerior – Abril, Globo, Fifa, Ricardo Teixeira – vai se acalmar ou acreditará que a permanência do ministério com o mesmo partido, seguirá representando obstáculos a que seus interesses prevaleçam, na medida que o mesmo partido seguiria à frente do ministério.

SEMINÁRIO DEBATERÁ DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA

Mídia, democracia, regulação, liberdade de imprensa e de expressão: estes serão os temas centrais do seminário, promovido pela Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (AJURIS), Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores de Comunicação (Altercom) e Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, no dia 3 de novembro, em Porto Alegre. O evento reunirá nomes como Franklin Martins, Paulo Henrique Amorim, Luiza Erundida e Venício Lima.

QUE HAJA APENAS UMA VERSÃO DOS FATOS

"A reeleição da presidente Cristina Kirchner, com 53,9% dos votos em primeiro turno, foi tão acachapante que a coloca, em termos de poder, em situação similar à de Hugo Chávez em 2005, quando a oposição venezuelana boicotou as eleições e os chavistas ganharam tudo (...)A força política que a presidente ganhou agora, inclusive aumentando as bancadas no Congresso, lhe garante os instrumentos para aprofundar o modelo kirchnerista, caracterizado por autoritarismo, concentração do poder, protecionismo comercial (péssimo para o Brasil), intervenção na economia e ataque sem trégua à imprensa profissional e independente. A ideia é que haja apenas a versão oficial dos fatos" (editorial do jornal 'O Globo', de 26-10, 'explica' a eleição argentina sem destinar uma linha sequer à queda nas taxas de pobreza do país, que recuaram de 60% da população,em 2003, para 10% atualmente. O Globo acusa a Casa Rosada de agir para que 'haja apenas a versão oficial dos fatos". O irônico é que se houvesse apenas a versão do jornal seria impossível entender como foi que Cristina Kirchner obteve 54% dos votos no pleito de domingo. A incompatibilidade entre a narrativa conservadora e os fatos atingiu tal proporção que seu ponto de vista só não ofende a lógica se suprimir aspectos relevantes da realidade -- esbulho que não se limita ao caso da cobertura eleitoral argentina).

O PETROLEO E O SANGUE

Ao que parece, a Terra cobra, em sangue, o petróleo que é retirado de suas entranhas. Mas tem cobrado mal: não são os que os que consomem o óleo alucinadamente os que pagam a dívida para com o planeta, mas sim os que tiveram a maldição de o ter em abundância, como os paises árabes e muçulmanos. Todas as teorias – a defesa dos direitos humanos, da democracia, da civilização ocidental, e, até mesmo, do cristianismo – são ociosas para explicar a sangueira dos tempos modernos. No caso do Oriente Médio, a cobiça pelo petróleo, desde o início do século passado, tem sido a causa de todos os males.

As imagens divulgadas ontem, da prisão, da tortura e da morte do coronel Kadafi são semelhantes às da prisão, da farsa do julgamento, e da execução de Saddam Hussein. Da execução de Osama bin Laden ainda não conhecemos todas as imagens, mas é provável que um dia sejam divulgadas.
A biografia desses três homens é semelhante. Todos eles tiveram, em um tempo ou outro, as melhores relações com os países ocidentais, democráticos e cristãos. Em livro que será publicado nos próximos dias, a Sra. Condoleeza Rice confessou um certo fascínio por Kadafi, que a ela se referia como “minha princesa africana”. Hillary Clinton reagiu com interjeição de alegre surpresa, ao ver as imagens do trucidamento do coronel. Terça-feira, em Trípoli, ela disse claramente que Kadafi devia ser preso ou morto, imediatamente.
Osama bin Laden, como é sabido, foi sócio de Bush pai em negócios de petróleo. No Afeganistão se uniu à CIA e ao Pentágono, no trabalho político junto aos combatentes anti-soviéticos. Essas ligações devem ter influído no ódio de pai e filho ao combatente muçulmano.
E as mentiras continuam. Muhamad Jibril, que é o primeiro ministro interino e terá que vencer facções que lhe são contrárias, mentiu descaradamente, ao afirmar que Kadafi fora morto em “fogo cruzado” dos rebeldes com as tropas leais ao dirigente líbio. As imagens, divulgadas no mundo inteiro, mostram Kadafi ainda vivo, caminhando, levantando o braço, até ser derrubado a socos e pontapés, para ser, finalmente, assassinado.










terça-feira, 25 de outubro de 2011

LAVAGEM: BRASIL NÃO PUNE NINGUÉM. JUIZES, MP E MJ PEDEM NOVA LEI


O Brasil tem hoje 512 mil pessoas presas cumprindo pena ou à espera de julgamento. Há 1,8 mil diplomados, 15 vezes menos do que o número de analfabetos, e 535 corrompedores, sete vezes mais do que o total de servidores públicos comprados. O perfil da população carcerária ajuda a entender porque, no país, não existe ninguém detido por lavagem de dinheiro, crime tipicamente cometido por gente de colarinho branco, com influência política e poderio econômico.

Essa é uma situação que juízes federais, Ministério Público e ministério da Justiça querem mudar. Eles cobram do Congresso a reforma da atual lei da lavagem, inserindo nela regras mais duras e efetivas contra os autores. “Urge uma atualização do nosso arsenal legislativo, que está extremamente carente de eficácia”, afirma o juiz Sérgio Fernando Moro, da sessão Judiciária do Paraná.
Moro condenou, em 2003, dirigentes e executivos do Banestado, banco que parte da elite nacional usou para mandar ao exterior, ilegalmente, dinheiro muitas vezes com origem irregular e que, um dia, poderia voltar ao país devidamente ensaboado. Todos os condenados estão soltos, pois recorreram a tribunais superiores. “É escandalosa a morosidade da Justiça, a estrutura é totalmente esclerosada”, diz.
“Hoje o crime econômico compensa. Não tem nenhuma ação penal que avance no Brasil e isso é de conhecimento internacional”, afirma o desembargador Fausto de Sanctis, que condenou o banqueiro Daniel Dantas.
A angústia dos dois juizes não acabaria apenas mudando-se a lei 9.613, de 1998, mas seria um começo. Projeto prestes a ser votado na Câmara amplia, por exemplo, as possibilidades de confisco de bens dos “lavadores”, o que ajudaria a inibir este tipo de crime.
“A punição é muito mais dolorosa quando se alcança o patrimônio”, diz o procurador Vladimir Aras, do grupo de trabalho sobre Lavagem de Dinheiro e Crimes Financeiros da Procuradoria-Geral da República.

CUBA: O SÍMBOLO QUE NÃO SE DOBROU

A Assembléia Geral da ONU acaba de votar, pela 20ª vez, uma moção que pede o fim do embargo comercial contra Cuba. Dos 191 países presentes apenas dois manifestaram-se contra a suspensão do cerco comercial iniciado em 1962: EUA e Israel. Para que a decisão da Assembléia Geral tenha efeito executivo ela deve se transformar em resolução do Conselho de Segurança da ONU, onde os EUA tem poder de veto. Os EUA tem relações comerciais com outros Estados que se autodefinem comunistas. O caso mais notório é o da China. As exportações norte-americanas para a China alcançaram US$ 103 bilhões no ano passado, com expansão de 37%; as importações de produtos chineses pelos EUA passaram de US$ 283 bilhões. Cuba é um símbolo. O atrevimento de um pequeno país, ao escolher um caminho próprio para o desenvolvimento, talvez seja um exemplo mais perigoso porque alastrante do que o natural respeito soberano entre gigantes. E o fato é que Cuba, apesar de tudo, não se dobrou.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

CAMARA DE VEREADORES CONFIRMA 140 MIL PARA PAVILHÃO NA FEINTECH

O presidente do Poder Legislativo de Horizontina Airton José Mattjie(PP) confirmou na última segunda-feira a devolução de valores do orçamento da Câmara de Vereadores, da ordem de em torno R$ 140 mil, ao Executivo para viabilizar a construção de um novo pavilhão no Parque Municipal de Eventos João de Oliveira Borges.

Os valores, são fruto de economias do parlamento, que mesmo construindo a sua sede própria, vai garantir esse aporte, cortando gastos com viagens e cursos nos próximos 60 dias. Com a verba será possível erguer o prédio próprio da Praça de Alimentação, que terá em torno de 700 metros quadrados de área coberta.
O presidente confirmou os valores, destacando que o repasse decorre de um entendimento da mesa diretora e das bancadas da casa, atendendo reivindicação do presidente da ACIAP Kléryston Lasiê Segat e do presidente da feira Dionir Bianchi. “-A nossa visão precisa ser empreendedora, ao invés de destinar R$ 50 mil para alugar lonões, investiremos recursos em um pavilhão permanente, investimento que estará coberto com a realização de apenas três eventos, e lá permanecerá por décadas”, finaliza.
A área de engenharia do município está desenvolvendo o projeto e o processo licitatório deve ser aberto ainda no próximo mês para que as obras possam ser concluídas até o final de fevereiro do próximo ano.





QUEIMA DE ARQUIVO

Da mesma forma que ocorreu na morte do terrorista Bin Laden, não apenas direitos humanos fundamentais do prisioneiro foram desconsiderados, mas suprimiu-se algo que seria de todo interesse público: o legítimo processo junto ao Tribunal Penal Internacional.

No caso de Kaddafi a situação é mais instigante. Kaddafi foi chefe de Estado por décadas. Durante este período contou com o apoio, suporte ou tolerância de Estados ocidentais às atrocidades que praticou.
Seria de toda importância para a opinião publica global ouvir seus depoimentos na Corte Penal Internacional. As culpas de Kaddafi são conhecidas e evidentes, mas não as de seus parceiros em diferentes momentos históricos. Certamente lideres de países ocidentais de diferentes matizes ideológicas ao menos teriam suas biografias maculadas.
Por conta deste evidente e relevante interesse político em eliminar Kaddafi é que a utilização da expressão “queima de arquivo”, jargão usado para designar o homicídio de testemunha ou comparsa para evitar seu depoimento, me parece adequada ao menos como suspeita a ser verificada com relação à morte do prisioneiro.
Diversos autores contemporâneos já têm apontado como as forças armadas dos Estados nacionais das nações ocidentais, em especial as de primeiro mundo, vêm se transformando paulatinamente, de forças de defesa territorial e da soberania de países em força policial a serviço de uma governabilidade global que tem mais feição Schimittiana que liberal, insubmissa que é a qualquer regra de direito.
Ocorre que nos casos das mortes de Bin Laden e Kaddafi vemos estas forças se degradando até mesmo do já degradado papel de força policial global para adotar atitudes de verdadeiro banditismo, “queimando arquivos” às abertas e sem qualquer contestação dos órgãos da mídia comercial.
Diga-se, estes terroristas mortos não deixam saudades, mas a ausência de seus depoimentos perante uma corte internacional, no devido processo legal, que certamente os condenariam, deixa um vácuo histórico insuscetível de reparação, além da evidente agressão aos direitos fundamentais do homem perpetrada por nações que se dizem civilizadas.

COMO DIZ O KIKO DE MACHADO: LIBERDADE DE EMPRESA OU DE IMPRENSA, EIS A QUESTÃO

Todo mundo sabe que a mídia guasca só pública aquilo que lhe interessa política e financeiramente. Exemplos disso estão na atuação da imprensa amiga nas gestões dos ex-governadores Britto, Rigotto e Yeda, que sempre tiveram o apoio velado do PIG guasca, tanto na sustentação política de seus governos, na maioria neoliberais, quanto na tarefa diária de gerar capas e mais capas com o objetivo de desgastar políticamente seus opositores, no caso o PT.

Quem não se recorda de quantos novos recomeços o PIG guasca concedeu para a tya após sucessivos escândalos e denuncias de corrupção de seu governo. No governo Britto, participou de corpo e alma do processo de privatização do setor de telefonia, que por sinal é um dos mais caros do mundo e com serviços de péssima qualidade.
Outra tarefa diária do PIG é transformar a politica e os partidos como algozes do erário público, os senhores da roubalheira, uma tática perversa, que deixa de lombo liso os grandes empresários corruptos, os bandidos de toga como afirma o CNJ, e os barões da mídia. Aliás, o jornalimo investigativo do PIG sempre acha o corrupto, mas nunca o corruptor, geralmente nababos montandos em suas fortunas que reclamam dos impostos, mas estão sempre nas listas de isenções fiscais dos governos. Mesmo que falte recursos para a saúde ou educação, pra essa gente sempre tem o loby amigo da grande mídia, que utiliza da velha desculpa de manter os empregos dos trabalhadores, depenando o Estado e paralelamente transferindo parte de suas fábricas para a China ou algum lugar onde exista mão de obra barata.
Como as eleições municipais de 2012 são estratégicas para a reeleição do projeto nacional e estadual, o PT é alvo certo dessa gente. Mesmo tirando o povo da miséria, colocando 30 milhoes de brasileiros na classe média e empilhando obras de infraestruta, eles não se conformam com a perda do poder, querem de volta aquilo que perderam em 2002. O projeto desta vez é claro como água da fonte: eleger a senadora no governo gaúcho e o jovem tucano bebum na presidência.
O tal jornalismo investigativo, como disse o Marco Weissheimer, tem um corte classista, e se limita a investigar um tema, dependendo sempre da conviniência política da hora, se rende desgaste pro PT tudo bem, caso fosse outro governo amigo, seria sumariamente deletado de sua cobertura, como foi o caso do sindicalista Jair Costa e do agricultor sem terra Elton Brum, ambos assassinados por agentes do governo.
A sorte dos brasileiros é que a democracia tem um poderoso aliado, a internet, que veio pra ficar, para dar voz aos pequenos, assim como eu faço neste instante. Viva a democracia, viva o povo brasileiro.

domingo, 23 de outubro de 2011

O DOCE REMÉDIO DAS URNAS


Daqui a pouco devem surgir os primeiros resultados das eleições argentinas, confirmando a esmagadora vitória de Cristina Kirchner.

O favoritismo da presidenta argentina, porém, não impediu que O Globo e o Estadão, hoje, publicassem artigos que não do sexismo mais torpe ao desprezo mais ignóbil pela vontade do povo argentino.
Neles, Cristina, eleita e provavelmente reeleita, é tratada como uma ditadora obscurantista. Em O Globo, ao editorialista Luiz Paulo Horta, a chama de “caudilhesca” e vinda de “uma província obscura”. No Estadão, recorrem a um diretor do Instituto Fernando Henrique Cardoso, Sérgio Fausto, para chamarem-na de manipuladora e censora.
É, Cristina Kirchner vai eleger-se por aquilo que, outro dia, O Globo chamou de “feel good factor“, isto é, a sensação de bem-estar dos argentinos com seu governo.
Mas, sejamos justos, o machismo é componente menor nesse ódio. O que não suportam mesmo é que um governante se apóie no povo, não na mídia, tanto que usam a Globo de lá, o Clarín, como medida de democracia.
Daqui a pouco vão ter de engolir o melhor purgante da democracia: o voto.

BRASIL VAI SER O CELEIRO DO MUNDO

Desde os tempos de criança, ouve-se dizer que o Brasil é o país do futuro. E ele já chegou, pelo menos para a agropecuária. Pois, para alimentar nove bilhões de pessoas no mundo, previstas para 2050, os agricultores terão que dobrar a atual produção. Em 10 anos, a demanda por alimentos crescerá 20% e o país atenderá 40% desta demanda. Os produtores brasileiros estão dizendo sim a essa convocação.

Enquanto os governos discutem a fome no planeta (mais de um bilhão de famintos), a escassez (tema do Dia Mundial da Alimentação), o preço elevado dos produtos alimentícios e a tendência de aumento de consumo em razão do desenvolvimento econômico de países emergentes, como China e Índia, o Brasil se transformou nos últimos 35 anos de importador em um dos maiores exportadores de alimentos. Isso utilizando apenas 9% de seu território (8.514.876 km²) “O Brasil vai ser o maior produtor alimentar do mundo até 2025”, defendeu o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Pedro Antônio Arraes Pereira, ao destacar que o país deve aproveitar o contexto favorável de cooperação internacional com países em desenvolvimento. “A tendência do Brasil é ser o maior player (fornecedor) mundial. Temos todas as condições de o fazer de forma sustentada e manter a força em termos de biodiversidade”, frisou Arraes.
De acordo com levantamentos da Embrapa e do IBGE, o Brasil é o único país no mundo capaz de suprir os alimentos que serão necessários em 2025/2050. “O país começa a se preparar para isso, tem terra, água e sol de que a agropecuária precisa”, declara o presidente da entidade.
O país, segundo ele, deve utilizar melhor seus recursos naturais e “contribuir efetivamente para suprir alimentos no mundo num conceito que alia a agricultura sustentável à preservação do meio ambiente.” Na agricultura, será necessário incrementar a produtividade com tecnologia. Já na pecuária, é preciso aprimorar o desenvolvimento genético e garantir rações eficientes para o crescimento dos animais.
Pecuária - O presidente da Embrapa informou que a pecuária utiliza um hectare para cada animal, enquanto na década de 60 eram necessários 2,5 hectares. Em relação à agricultura, disse, se fossem utilizadas as mesmas técnicas da década de 70, seriam necessárias áreas de terra cinco vezes maiores para o atual volume de produção. De acordo com o Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa), a atual safra de grãos deve chegar a 159,4 milhões de toneladas e ser 6,6% maior que anterior, mantendo uma sequência de recordes - a safra colhida em 2010 foi de 149,7 milhões de toneladas.
Para a Organização para Alimentos e Agricultura (FAO), há uma crise de carne. A população mundial sairá dos sete bilhões agora e ultrapassará os nove bilhões em breve. E as pessoas estão consumindo mais carne. “Há 20 anos, a média de consumo anual per capita de carne era de 20 quilos, e agora é de 50 quilos, e vai ser de 80 quilos em 20 anos. Se continuarmos assim precisaremos de uma outra Terra”, afirma Patrick Durst, pesquisador de campo da FAO.







FAO SUGERE INSETOS COMO OPÇÃO À MESA.

A criação de animais como bovinos, suínos e carneiros ocupa dois terços da terra agricultável do planeta e gera 20% dos gases causadores de mudanças climáticas. Em consequência, a Organização para Alimentos e Agricultura (FAO) quer reduzir a quantidade de carne que se consome e encontrar alternativas. Um estudo de políticas que inclui uma dieta à base de insetos está sendo considerado pela FAO. A entidade apresentou a alternativa num encontro na Tailândia. Agora, está se preparando para levá-la ao congresso mundial em 2013.
Mais de 1.000 tipos de insetos servem de alimento para os seres humanos no mundo, em 80% dos países. Eles são mais populares nos trópicos, onde atingem tamanhos maiores e são mais fáceis de serem capturados. Para o professor Arnold van Huis, entomologista da Universidade de Wageningen, na Bélgica, comer insetos tem vantagens. “A maior parte do mundo já come insetos. Apenas o Ocidente é que não o faz”, destacou. “A solução está na maneira de prepará-los”, aposta.
Nutrientes - As últimas pesquisas indicam que os insetos têm níveis elevados de proteínas, vitaminas e sais minerais. Uma pesquisa recente, conduzida em conjunto com o seu colega Dennis Oonincx demonstrou que cultivar insetos gera muito menos gás carbônico do que os animais de criação utilizados na dieta ocidental.
A criação de gafanhotos, grilos e minhocas resulta na emissão de 10 vezes menos metano, 300 vezes menos óxidos de nitrogênio. “Tendo o sangue frio, os insetos convertem os vegetais em proteína de forma muito mais eficiente”, afirma Van Huis. Além disso, os riscos à saúde são menores.

sábado, 22 de outubro de 2011

AGROTÓXICOS: ESCONDEM A VERDADE PARA CRIAR A FALSA ILUSÃO DE QUE NÃO SÃO USADOS


Os dados sobre o uso de agrotóxicos no Brasil são preocupantes. O país é o líder mundial no consumo de agrotóxicos, com o uso de aproximadamente 1 bilhão de litros de venenos agrícolas por ano. É como se cada brasileiro consumisse uma média de cinco litros de veneno anualmente.

Os lucros no setor também não param de crescer. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), as empresas do ramo tiveram faturamento líquido de US$ 18,2 bilhões em 2010. Parte desse lucro é derivada das isenções fiscais. Por exemplo, no estado do Ceará, os agrotóxicos são isentos da cobrança de impostos como o ICMS, IPI, PIS/Pasep e Cofins.
Diante desse contexto, a “Campanha Permanente Contra o Uso de Agrotóxicos e pela Vida”, que completa seis meses de lançamento, vem atuando no diálogo com a sociedade sobre os riscos desses venenos e no combate à sua utilização.

A COBERTURA DO PAN E A CENSURA DA GLOBO

Desde o último dia 14, quando teve início os jogos Pan-Americanos de Guadalajara, os brasileiros passaram a ser reféns de uma disputa que já se desenhava há algum tempo. Quando a Rede Globo perdeu para a sua principal concorrente, a Rede Record, os direitos de exclusividade nas transmissões do Pan, os temas relacionados à competição passaram a ser tratados como tabus pela emissora, que agora, durante o evento, faz questão de não se referir às conquistas do Brasil. Nas poucas vezes que noticiou o evento, usou de forma indevida as imagens, retirando a logomarca da emissora detentora dos direitos de transmissão.

Vale aqui deixar claro que o problema que envolve a atual cobertura do Pan-Americano de Guadalajara não é apenas uma questão de disputa comercial entre as emissoras. A ridícula cobertura do evento feita pelo maior conglomerado de mídia do país, além de um atentado à inteligência do público e um desrespeito descomunal a sua necessidade de informação, é também um atentado à legislação nacional.
Graças a um forte movimento nacional que luta pela democratização da comunicação no Brasil, que discute atualmente um novo marco regulatório para as comunicações e que foi responsável pela realização da I Conferência Nacional de Comunicação, em 2009, torna-se cada vez mais conhecida a condição de concessionária, permissionárias ou autorizadas de serviço público de que gozam as emissoras de rádio de televisão do país. E não de donas. Mas isso precisa ficar ainda mais claro para um maior número de pessoas para que toda população saiba que quando questionamos a cobertura do Pan pela Rede Globo estamos falando não somente de uma opção da emissora pela omissão, mas de uma violação do direito à informação, garantido pelo artigo 5° da Constituição Federal Brasileira.

O LEHMAN BROTHERS E A AMNÉSIA NEOLIBERAL I

Os mercados financeiros são autorreguláveis. Os mercados financeiros sabem alocar recursos ao menor custo, com maior eficiência. Os mercados financeiros dispensam o planejamento público; tornam irrelevante a intervenção do Estado na economia. Até 15 de setembro de 2008, apesar dos indícios robustos em sentido contrário, o mantra das finanças desreguladas continuava a martelar sua supremacia urbi et orbi.

Os sinais de que as coisas não iam bem piscavam no painel de controles para quem quisesse enxergar. O Bear Stearns havia quebrado sendo adquirido pelo JP Morgan, numa operação de resgate com aportes de pai para filho fornecido pelo FED (Federal Reserve). As gigantes do crédito imobiliário norte-americano, Fannie e Freddie, respiravam por aparelhos com oxigênio do banco central norte-americano. O medo flertava com o pânico à noite. Pela manhã, no entanto, os executivos do governo, os operadores das finanças e seu ventríloquos na mídia reafirmavam a autossuficiência dos mercados nos ajustes necessários.
Mas, na segunda-feira, dia 15, logo cedo, num cochilo do governo Bush, ou quem sabe num delírio de fé neoliberal na proficiência purgativa dos mercados, estourou a notícia do pedido de falência do quarto maior banco dos EUA, o Lehman Brothers.
O desabar ruidoso da centenária instituição tornou-se o símbolo e a espoleta de um colapso econômico que já dura três anos. Nesse meio tempo, o desemprego arrebanhou mais de 40 milhões no mundo; o total de famintos ultrapassou a marca de um bilhão de pessoas; o PIB mundial esfarelou e caminha de lado; milhares de empresas quebraram, dezenas de milhares de famílias sofreram o desmonte típico dos períodos de desmanche econômico, psíquico e social.
Ainda não foi suficiente para que a lógica geradora da crise deixasse de ser prescrita como terapia para o doente.

O LHEMAN BROTHERS E A AMNÉSIA NEOLIBERAL II

No dia 25 de agosto, por exemplo, a fina flor da sapiência tucana reuniu-se no Instituto Fernando Henrique Cardoso para refletir sobre a oportuna pauta: “Transição incompleta e dilemas da (macro)economia brasileira”. Estavam ali expoentes da cepa que hoje, em plena crise mundial, seriam a voz e o comando do Estado brasileiro se a coalizão demotucana e não o PT tivesse vencido o pleito de 2010. Participaram os economistas André Lara Resende, Edmar Bacha, Gustavo Franco, Pedro Malan e Pérsio Arida “pais” do Plano Real, ademais de ex-presidentes e ex-diretores do Banco Central.

O fruto do ventre tucano não se deu por vencido. E dobrou a aposta na agenda do neoliberalismo ao propugnar um novo degrau de desregulação radical da economia brasileira, com perorações desabridas por maior redução do papel do Estado na sociedade, privatizações, livre conversão da moeda e, portanto, absoluta liberdade de circulação de capitais.
Três anos depois, tudo se passa como se a maior crise do capitalismo desde 29 não tivesse origem, nem causas. Ou melhor, como se a sua causa fossem Estados fiscalmente destroçados no socorro aos mercados que agora, de própria voz, ou através de seu dispositivo midiático, cobram austeridade, cortes de gastos e juros escorchantes para financiar o déficit público. Ou então, como ocorre no Brasil, negam à sociedade o direito a um Estado capaz de prover um atendimento de saúde digno, para não tributar as finanças.
Discutida no Congresso desde junho de 2008, a Contribuição Social para a Saúde (CSS), propiciaria à saúde pública recursos vinculados e intransferíveis, constituindo-se assim num imposto mais eficiente e justo que a CPMF extinta pelo conservadorismo nativo em 2007. Mas um destaque apresentado pelo DEM veta a taxação de 0,1% sobre movimentações financeiras. Sem ela, o novo tributo se torna inviável. As finanças são poupadas. A fila do SUS estrebucha.
A amnésia da opinião pública inoculada pela mídia do dinheiro ameaça o mundo com um upgrade neoliberal de conseqüências devastadoras para uma economia, e uma sociedade exauridas por três anos de penalizações. Por isso é importante lembrar. E refletir sobre as causas e consequências daquela falência de 15 de setembro de 2008, que funcionou para a crise como uma espécie de terceira torre do World Trade Center. Com a diferença que o seu efeito dominó ainda não cessou.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

DO FUNDO DO POÇO

Sou de uma geração que, na década de 1960, tinha 20 anos. Geração que injetava utopia na veia e, portanto, não se ligava em drogas. Penso que quanto mais utopia, menos droga. O que não é possível é viver sem sonho. Quem não sonha em mudar a realidade, anseia por modificar ao menos seu próprio estado de consciência diante da realidade que lhe parece pesada e absurda.

Muitos entram na droga pela via do buraco no peito. Falta de afeto, de autoestima, de sentido na vida. Vão, pois, em busca de algo que, virtualmente, “preencha” o coração.
Assim como a porta de entrada na droga é o desamor, a de saída é obrigatoriamente o amor, o cuidado familiar, o difícil empenho de tratar como normal alguém que obviamente apresenta reações e condutas anômalas.
Do fundo do poço, todo drogado clama por transcender a realidade e a normalidade nas quais se encontra. Todo drogado é um místico em potencial. Todo drogado busca o que a sabedoria das mais antigas filosofias e religiões tanto apregoa (sem que possa ser escutada nessa sociedade de hedonismo consumista): a felicidade é um estado de espírito, e reside no sentido que se imprime à própria vida.
O viciado é tão consciente de que a felicidade se enraíza na mudança do estado de consciência que, não a alcançando pela via do absoluto, se envereda pela do absurdo. Ele sabe que sua felicidade, ainda que momentânea, depende de algo que altere a química do cérebro. Por isso, troca tudo por esse momento de “nirvana”, ainda que infrinja a lei e corra risco de vida.
Devemos, pois, nos perguntar se o debate a respeito da liberação das drogas não carece de ênfase nas causas da dependência química e de como tratá-las. Todos os místicos, de Pitágoras a Buda, de Plotino a João da Cruz, de Teresa de Ávila a Thomas Merton, buscaram ansiosamente isto que uma pessoa apaixonada bem conhece: experimentar o coração ser ocupado por um Outro que o incendeie e arrebate. Esta é a mais promissora das “viagens”. E tem nome: amor.

A REALIDADE É IGUAL PARA TODOS, O QUE MUDA É O ÂNGULO EM QUE CADA UM A VÊ.

Um circo armou suas tendas quase no centro de um povoado do interior. Lá estavam os palhaços, elefantes, macacos, cachorros amestrados, o anão que engolia fogo... Outras atrações faziam a alegria da população. Entre elas destacava-se a Casa dos Mil Espelhos. Diziam que era assombrada, cheia de mistérios. Quem entrava podia ser amaldiçoado ou contemplado com a felicidade. As pessoas olhavam, sem coragem de entrar, mesmo com a entrada grátis.
Depois de algumas horas, um grupo de moradores criou coragem e pediu para entrar. Foram informados que o ingresso seria individual, uma pessoa por vez. O primeiro a entrar foi um senhor de setenta anos, avô querido por todos, sempre sorridente Ao sair comentou: todos devem entrar, é um lugar maravilhoso, cheio de encanto e felicidade. O segundo a entrar, era conhecido pelo seu mau humor. Saiu pior do que entrou. Garantiu que fora enganado e lá dentro só havia ressentimentos e ódio. Uma jovem, enamorada da vida, também entrou. Saiu com olhos brilhantes e sonhadores e aconselhou: entrem e verão!
O mundo é como a Casa dos Mil Espelhos. Se olharmos com alegria e encantamento, veremos apenas coisas boas e alegres. Mas quando o enfrentamos com ódio, mágoas, ressentimentos, veremos somente o negativo. O mundo que vemos está dentro de nós. As coisas que percebemos refletem nossa imagem, nosso estado de espírito. E isso afeta o relacionamento das pessoas, dentro da lógica da causa e da consequência, da semeadura e da colheita.
Todos, sem exceção, criamos determinados filtros, através dos quais vemos as pessoas e a realidade. Há os que usam filtros carregados e escuros. É o filtro do pessimismo, da mágoa, do ressentimento. Outros, mais inteligentes, usam filtros claros, que atendem pelo nome de otimismo, compreensão, solidariedade. Para estes, o mundo é um bom lugar para viver.
A realidade é igual para todos, o que muda é o ângulo com que cada um a vê. Uma parede branca apresenta um ponto preto. Alguns apenas têm olhos para a brancura da tela, outros para o pequeno ponto negro. Alguém pode lamentar que um frasco de licor esteja pela metade, outro se alegra com a metade existente. A abelha suga a flor e produz mel, a vespa suga a mesma flor e só é capaz de ferir.
E não podemos deixar de olhar-nos no espelho. Olhar pela janela é bom, olhar no espelho é necessário.






TODOS QUEREM UM MUNDO SEM DOR.

O coração humano está sempre sonhando com um mundo sem dor, nem sofrimento, mas, ao mesmo tempo não deixa de multiplicar os mecanismos causadores de novas dores e os mais dramáticos sofrimentos. Se, de um lado, não queremos, de outro lado nos vemos agentes ou vítimas de outras dores. Geralmente, por sermos pouco preventivos, nos debatemos e nos desgastamos com o lado curativo e às vezes chegamos tarde demais.

Os mitos de certos paraísos surgiram em todos os povos, como o anseio de superação do lado trágico da vida. Porém, na medida em que avançamos no tempo e evoluímos no progresso, vamos nos convencendo ainda mais da impossibilidade de supressão da dor e da angústia humana. A doença e a morte estão nas entranhas de nossa carne.
Nesta época, presenciamos uma tendência que marca fortemente a nossa cultura. Essa tendência nasce do desejo de evitar e esconder, a qualquer custo, o sofrimento humano e as limitações da vida. Evitar o sofrimento e a dor é um procedimento positivo, tanto para quem sofre como para os familiares. A superação do sofrimento é uma justa aspiração de cada pessoa, em relação a si mesma e também um gesto de solidariedade diante do sofrimento dos outros.
Porém, o fato de querer esconder o sofrimento pessoal ou dos outros não parece ser algo tão humano. Conheço famílias que, além do sofrimento de terem um filho ou uma filha com deficiência, sofrem dobrado procurando ocultar essa realidade à sociedade, por receio de serem diminuídos em seu conceito. Mas também conheço famílias que fazem do sofrimento um caminho honroso de dedicação, cuidado e amor incondicional.
Um jornalista, motivado pela mentalidade de nosso tempo, afirmou que chegou a hora de suspender a visibilidade do sofrimento porque a humanidade só quer ver o lado prazeroso da vida. Com esse tipo de tendência, o que vai acontecer é que o sofrimento dos que padecem aumenta ainda mais pelo agravante do isolamento. Por esse caminho vamos facilmente confundindo a dor, o limite e o sofrimento como se fossem o lado vergonhoso da vida.

Quando se busca tirar das cruzes da vida sua verdade e sua força de ressurreição, tiramos dos humanos sofredores a força da esperança. Somente no amor a dor resgata sua dignidade.






É A PARTIR DE PRINCÍPIOS QUE SE DEVE FAZER POLÍTICA

Faltando um ano para as eleições municipais, estão adiantadas as negociações para indicar nomes e fazer alianças políticas. As primeiras iniciativas confirmam uma prática usual na democracia brasileira. As opções doutrinárias e as preocupações com o bem comum não são prioridades para a maioria absoluta da classe política. Trata-se da conquista do poder de qualquer maneira. As alianças mais inverossímeis são feitas e os concorrentes são escolhidos em função de maiores possibilidades de triunfo. Depois do pleito, em nome da governabilidade, são formados blocos sem identidade ideológica. É a partilha do poder.
Este oportunismo e nossa tradicional corrupção fazem com que a própria democracia caia em descrédito. Muitos, desiludidos, negam-se a participar, como se isso fosse possível. O velho Aristóteles - quatro séculos antes de Cristo - afirmava que o “O homem é, por natureza, um animal político”. Aquele que diz não participar da política está fazendo uma opção política. Somos políticos mesmo antes de nascer. No seio da mãe já temos direitos políticos. Quando recusamos participar, abrimos o caminho para os piores. Berthold Brecht, morto em 1956, fulminava os omissos: “O pior analfabeto que existe é o analfabeto político”.
No atual período legislativo, num total de 5.563 prefeitos, nada menos de 274 perderam seus mandatos em virtude de ilícitos, antes ou depois das eleições. E outros processos estão em andamento. A democracia tem seu remédio específico: em cada eleição, aprovamos ou desaprovamos os governantes. Um antigo provérbio garante: se alguém te engana uma vez, o culpado é ele; se alguém te engana uma segunda vez, ambos são culpados. Por fim: se alguém te engana pela terceira vez, você é o culpado. Política não pode visar o poder, mas o bem comum. E política se faz com princípios.

LÊ, PENSA. QUESTIONA

Recebi um desses e-mails anônimos, convidando à mobilização da próxima manifestação: eram 31 pontos de pauta, longos e os mal alinhavados. Começavam basicamente por verbos como “acabar”, “proibir”, “criminalizar”. Verbos no infinitivo inconcreto. Muito som e fúria, mas, e daí? Quem vai “acabar”, “proibir”, “criminalizar”? Quem guardará o guarda?
Quem vai refletir e discutir seriamente o que se passa? Estamos numa encruzilhada entre o desenvolvimento e o eterno retorno ao gigante adormecido. Precisamos de instrumentos novos ou pelo menos renovados, precisamos de gente nova e disposta. Mas há uma crise econômica e um esvaziamento estrutural da política. E, antes de tudo, é necessário admitir que também a mídia vive sua crise e seus vazios. Que fazer?
Partidos políticos e sindicatos – se quisermos dar este nome – ou entidades daquilo a que um dia chamamos “sociedade civil organizada” precisam de novo vigor: carecem de envolvimento, lideranças e espaços para debates, Para tudo isso se requer compreender a natureza da crise, suas causas e consequências; reconhecer o vazio de nomes e instrumentos para superá-lo.
Como é óbvio, não tenho respostas e menos ainda soluções. Contribuo acreditando que não há solução simples. Sei, no entanto, que não serão apenas os 140 caracteres do Twitter que trarão luz à escuridão. Há outros instrumentos: a imprensa tem, é claro, papel fundamental – se se dispuser a ser algo mais do que porta-voz da primavera do senso comum de um segmento de mercado, revoltado e sedento por vingança. Como já fez no passado, pode contribuir para despertar o debate sobre o diagnóstico, estimular a reflexão a respeito de alternativas.
Se já teve papel de vanguarda, à frente de seu tempo, a imprensa não pode agora ficar a reboque dos fatos. O cinismo comodista é nefasto e o farisaísmo é torpe. Ao invés do óbvio e do senso comum, será preciso calma e honestidade para dizer: “Cansou? Senta, respira, descansa. Lê, pensa, reflete, questiona. Nada pode significar nada. Isso! Agora, responda: qual é o seu ponto?”
A classe média, as manifestações e Veja precisam dizer qual é o seu ponto.



VIVA A CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL


Qualquer que seja a opinião sobre Muammar Khaddafi, ou sobre qualquer pessoa, é enojante ver uma pessoa ser covardemente assassinada, desarmada e ferida. O vídeo divulgado pelas tevês árabes o mostra vivo e cambaleante, sendo assassinado por um grupo armado. Não é um bom cartão de visitas para um movimento que se proclama democrático e defensor dos direitos humanos os quais afirmava que Khaddafi violava.

Estas cenas de barbárie mostram que o Brasil faz muito bem em aguardar na normalização da situação líbia, pois demonstra que, no mínimo, não há controle central sobre os grupos armados e faz supor que esteja acontecendo uma liquidação em massa de figuras ligadas ao antigo Governo, sem julgamento e através da simples execução sumária ou linchamentos.
Fez muito bem a presidenta Dilma Rousseff em dizer que um assassinato, seja de quem for, não deve ser comemorado.
Infelizmente, os líderes mundiais e boa parte da imprensa parecem ficar possuídos de uma mórbida alegria com este tipo de atitude. Não é para menos, depois que os líderes do governo americano foram comemorar na televisão a execução sumária e o lançamento ao mar do corpo de Osama Bin Laden.
Se condenaram e até lançaram ataques aéreos contra o regime de Kaddhafi – a quem adularam durante anos para combater o extremismo islâmico, comprar petróleo e vender armas – por este tipo de atrocidade, o que dizer dos que fazem o mesmo?
Da mesma forma, a resolução da ONU que autorizou o início da força para proteger populações civis contra os poderes do Governo foi, igualmente, um exercício de hipocrisia, tanto que os aviões da Otan continuaram bombardeando sem cessar os redutos onde apenas tentavam sobreviver os remanescentes do regime. Estava claro que o objetivo jamais foi negociar uma normalização da vida no país e a plenitude democrática. Do início ao fim, o objetivo era criar um novo governo sobre o cadáver de Khadafi.
Viva a civilização ocidental!



PARA REFLETIR: O ESPELHO DE GANDHI

Perguntaram a Mahatma Gandhi quais são os fatores que destroem os seres humanos.
Ele respondeu:
A Política, sem princípios; o Prazer, sem compromisso; a Riqueza, sem trabalho; a Sabedoria, sem caráter; os negócios, sem moral; a Ciência, sem humanidade; a Oração, sem caridade.
A vida me ensinou que as pessoas são amigáveis, se eu sou amável,
que as pessoas são tristes, se estou triste,
que todos me querem, se eu os quero,
que todos são ruins, se eu os odeio,
que há rostos sorridentes, se eu lhes sorrio,
que há faces amargas, se eu sou amargo,
que o mundo está feliz, se eu estou feliz,
que as pessoas ficam com raiva quando eu estou com raiva,
que as pessoas são gratas, se eu sou grato.
A vida é como um espelho: se você sorri para o espelho, ele sorri de volta.
A atitude que eu tome perante a vida é a mesma que a vida vai tomar perante mim.
"Quem quer ser amado, ame"



MOTO CLUBE VIRACO CONVIDA.

No dia 30 de Outubro o Moto Clube Viraco está promovendo a 2ª Etapa da Copa Ventura de Motocross em Horizontina e Você está CONVIDADO!!!!!!!!!!.
Local: Parque de Exposições João de Oliveira Borges em Horizontina.
Programação: Sábado / Treinos Livres à partir das 14h.
Domingo / Treinos à partir das 9h
Largada à partir das 13:30min

terça-feira, 18 de outubro de 2011

É O SOCIAL, ENTENDAM!

Coerentemente com sua incapacidade de explicar o prestígio nacional de Lula – 87% depois de ter deixado de ser presidente -, a direita – tanto a partidária, quanto a midiática – não consegue explicar o prestígio e a mais que segura possibilidade de que Cristina Kirchner triunfe nas eleições do próximo domingo, 23 de outubro, reelegendo-se presidente da Argentina e inaugurando – como no Brasil – o terceiro mandato do ciclo atual de governos pós-neoliberais no país vizinho.
A dificuldade para que a direita – de lá e de cá – reconheça esse aspecto – o enorme processo de democratização social em curso nos nossos países – reside em que significaria automaticamente reconhecer que quando governaram – com ditadura ou com democracia -, perpetuaram ou até mesmo pioraram a situação da massa da população. A desigualdade histórica que marca o nosso continente é produto dos governos das elites tradicionais. Compreender as razões da popularidade dos governos argentino e brasileiro seria uma confissão das responsabilidades das elites tradicionais – partidos e mídia – e, de alguma forma, suicidar-se como consciência social. Daí que estejam condenados a enganar-se e, assim, a impossibilidade de compreensão do que são nossos países e toda a América Latina hoje. Daí a situação de impotência, desconcerto e divisão que afeta a direita nos dois países e em grande parte do continente.


SÓ É DERROTADO QUEM DESISTE.

A escola, pequena e desgastada pelo tempo, situava-se numa localidade bem longe da cidade. Era frequentada por poucas crianças. Um dia a professora deu a elas um tema para redação: qual é seu maior sonho? Algumas crianças concluíram a tarefa em poucos minutos e os sonhos eram bem simples: ganhar uma boneca, viajar para a capital, conhecer o mar, uma camisa da seleção, uma bola oficial de futebol, um telefone celular...
Um menino, porém, escreveu quatro laudas e a professora, com curiosidade, leu o que ele escrevera. Seu sonho era ser proprietário de uma fazenda, cursar uma universidade, comprar uma casa na praia, viajar à Europa... Seu sonho é um absurdo, disse a professora. Você é filho de um lavrador, seus pais são pobres, jamais conseguirá realizar esses sonhos!
O menino ficou triste e contou o fato ao pai, que o olhou com ternura e disse: estou orgulhoso de você, meu filho! E continuou: o sonho é seu, a decisão de perseguir esse sonho é sua, o sonho está a seu alcance, desde que não desista. No dia seguinte, o menino entregou a mesma redação à professora, com uma frase a mais: nunca desistirei de meu sonho! A professora sorriu para criança e disse: eu começo a acreditar no seu sonho.
Não sabemos se a criança concretizou ou não os seus sonhos, mas sua determinação mostra a fibra de um vitorioso. As pessoas têm a dimensão de seus sonhos. Sonhar é o ponto de partida. A diferença está na disposição de pagar o preço desse sonho.
O sucesso das pessoas que marcaram a história da humanidade começou com um sonho e elas souberam dizer não aos profetas do fracasso. Winston Churchill rodou três anos na escola primária, mas não abandonou seus sonhos: tornou-se primeiro-ministro, escritor e grande herói inglês na Segunda Guerra Mundial. Giuseppe Verdi foi olhado com deboche quando fez seu primeiro teste musical. Ele acreditou no seu sonho e deixou à humanidade uma dezena de óperas monumentais.
Todo aquele que sonha precisa estar disposto a pagar o preço e não se abater com as dificuldades e insucessos. Você nunca chegará ao Novo Mundo, diziam a Cristóvão Colombo. Você nunca poderá voar, observavam a Santos Dumont. Você nunca conseguirá uma lâmpada elétrica, diziam a Thomas Edison. E eles conseguiram.
Nós temos a dimensão de nossos sonhos e desejos e nunca devemos abrir mão deles. Agora é tarde, pode observar alguém. Nunca é tarde demais. Catão, político romano, começou a estudar grego aos 80 anos. Questionado sobre isso, ele observou: Se não começar agora, quando o farei? Aquele que continua alimentando seus sonhos nunca envelhece. De resto, não temos o compromisso com o sucesso, mas com a luta. Morrer em meio a uma grande batalha é ser vitorioso.
Só é derrotado quem desiste.

REFLEXÃO SOBRE A MORTE E O LUTO.

Pertencem, inexoravelmente, à condição humana, as perdas e o luto. Todos somos submetidos à férrea lei da entropia: tudo vai se desgastando; o corpo enfraquece, os anos deixam marcas, as doenças vão nos tirando nosso capital vital. Essa é a lei da vida que inclui a morte.

Mas há também rupturas que quebram esse fluir natural. São as perdas que significam eventos traumáticos como a traição do amigo, a perda do emprego, a perda da pessoa amada. Surge a tragédia, também parte da vida.
Representa grande desafio pessoal trabalhar as perdas e alimentar a resiliência, vale dizer, o aprendizado com os choques existenciais e com as crises. Especialmente dolorosa é a vivência do luto, pois mostra todo o peso do Negativo. O luto possui uma exigência intrínseca: ele cobra ser sofrido, atravessado e, por fim, superado positivamente.
Há muitos estudos especializados sobre o luto. Segundo o famoso casal alemão Kübler-Ross, há vários passos de sua vivência e superação.
O primeiro é a recusa: face ao fato paralisante, a pessoa, naturalmente, exclama: “Não pode ser”. Irrompe o choro desconsolado que palavra nenhuma pode sustar.
O segundo passo é a raiva que se expressa: “Por que exatamente comigo? Não é justo”. É o momento em que a pessoa percebe os limites incontroláveis da vida e reluta em reconhecê-los. Não raro, ela se culpa pela perda.
O terceiro passo se caracteriza pela depressão e pelo vazio existencial. Fechamo-nos em nosso próprio casulo e nos apiedamos de nós mesmos. Aqui todo abraço caloroso e toda palavra de consolação ganha um sentido insuspeitado. É o anseio da alma de ouvir que há sentido e que as estrelas guias apenas se obscureceram e não desapareceram.
O quarto é o autofortalecimento mediante uma espécie de negociação com a dor da perda: “Não posso sucumbir nem afundar; preciso aguentar, garantir meu trabalho e cuidar de minha família”. Um ponto de luz se anuncia no meio da noite escura.
O quinto se apresenta como uma aceitação resignada e serena do fato incontornável. Acabamos por incorporar na trajetória de nossa existência essa ferida que deixa cicatrizes. Ninguém sai do luto como entrou. A pessoa amadurece e se dá conta de que toda perda não precisa ser total; ela traz sempre algum ganho existencial.

O SOFRIMENTO E O SER HUMANO.

Se há uma realidade humana que mais atinge e toca o coração da vida, é justamente o sofrimento. É uma das experiências básicas da existência humana. Nascemos envolvidos nas dores de parto e morremos num segundo parto carregado dos mais diversos tipos de sofrimentos. Mesmo que não queiramos, não se consegue imaginar o viver humano sem as surpresas do sofrimento.

Os sofrimentos nos atingem e chegam a nós de muitos modos; fazem morada em nós em todas as dimensões da vida. Temos sofrimentos físicos, causados por doenças que afloram em nosso corpo, por ferimentos ou acidentes. Temos sofrimentos psicológicos que nos ferem em nível mais profundo, seja nos sentimentos, nos afetos, na experiência da solidão ou no descontrole emocional.
Temos sofrimentos espirituais que atingem a profundeza de nosso ser e nos desequilibram psicologicamente, chegando, às vezes, até a somatização. Nada pior do que perder o rumo da vida e o ponto de apoio seguro, a partir do qual nos lançamos bem em todas as direções. Os sofrimentos espirituais são parecidos com a fragilização ou ruptura da espinha dorsal em nosso corpo. Diante dos sofrimentos espirituais podemos ficar em silêncio, mas suas consequências vão contagiando todo o tecido da vida.
No cotidiano da vida todas as portas são possíveis para o ingresso do sofrimento em nós e nos outros. Há portas que estão ao meu comando e que não consigo controlar: é o meu nervosismo à flor da pele; é minha autoimagem diminuída; são meus sentimentos feridos e minha sensibilidade exacerbada; é o desejo de fugir da vida e buscar refúgio no álcool, na droga e no prazer sem amor; é o descaso no cultivo da espiritualidade e da oração; são os ímpetos de vingança e os instintos sem controle. Essas portas, eu poderia comandar se treinasse no dia a dia a certeza de que sou sujeito de minha história.
Se existem portas sob meu comando, existem outras que são arrombadas pelas agressões exteriores. Há sofrimentos causados pela violência e pelo poder, pela injustiça institucionalizada que tira o pão dos famintos e a dignidade de multidões. Há sofrimentos que invadem corações por palavras ofensivas, desprezos maldosos, indiferenças e rejeições. Há sofrimentos que invadem lares e roubam a credibilidade política da sociedade.
O certo é que, entre o nascimento e a morte, fazemos uma trajetória de sofrimentos. Trata-se de uma consequência da condição humana, da pequenez e contingência nossa num mundo vasto e violento, bem como da inevitável luta pela vida no meio das adversidades que nos cercam. O tesouro da vida sempre está envolto em vasos de barro.
Diante dessa realidade, podemos nos deparar com dois perigos. O primeiro é o de nos fixar no vaso de barro, de que somos feitos, e cair num triste pessimismo que anula nossas esperanças e tira as motivações de viver. O segundo é o de nos pensarmos apenas como tesouro, esquecendo de que somos feitos de barro. Dessa visão unilateral colocamos a vida em permanente risco de desgastes e sofrimentos. Nosso viver é um tesouro em vasos de argila. Necessita ser valorizado conforme o valor que Deus nos dá, mas, ao mesmo tempo precisa de nosso permanente cuidado.

BRASIL É O TERCEIRO EM HOMICIDIOS

O Brasil tem a terceira maior taxa de homicídios na América do Sul, com 22,7 casos para cada 100 mil habitantes. Perde só para Venezuela (49) e Colômbia (33,4). Dados foram divulgados na quinta 6 e integram o Estudo Global de Homicídios 2011, do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc). O relatório apresenta um balanço dos índices de homicídios no mundo, com base em dados da Justiça criminal e dos sistemas de saúde pública de 207 países.
Em números absolutos, o Brasil, país mais populoso da América do Sul, lidera o ranking de homicídios, com 43.909 registros. Os dados se referem a 2009 e foram fornecidos pelo Ministério da Justiça.



BASEADO NA PREVISÃO CLIMÁTICA, EMATER/RS DESTACA ORIENTAÇÃO TÉCNICA

Até o final de novembro, o RS deve registrar índices de precipitações normais, dentro da média histórica do período. Mas deverá haver redução gradual no volume de chuva, com o sudoeste já registrando precipitações pouco abaixo do padrão em novembro, tendência que atinge o Estado como um todo em dezembro.

Os dados constam no boletim com as tendências climáticas do Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Estado do RS (Copaaergs). O material serve de apoio na tomada de decisões a agricultores e entidades do setor primário.
Diante do prognóstico, a Emater divulgou as recomendações técnicas para manejo das principais atividades agrícolas. O escalonamento da época de semeadura e o emprego de cultivares de ciclos diferentes, seguindo o zoneamento agrícola, estão entre as orientações dos técnicos.
Dentro do sistema de produção, observar práticas de rotação de culturas; descompactar o solo, quando necessário; implantar as culturas sob adequadas condições de umidade e temperatura do solo; racionalizar o uso de água e irrigar quando necessário, preferencialmente nos períodos críticos; em semeaduras tardias, se possível, aumentar a profundidade de semeadura e adubação.

AS PESSOAS DE IDADE TEM DIREITO A UMA RECOMPENSA DIGNA

O Estatuto do Idoso, que completou no dia primeiro de outubro oito anos de vigência, representou avanços significativos para os brasileiros que estão na chamada terceira idade. Porém, basta olhar com senso crítico para a realidade predominante para se concluir que falta muito para que o idoso deste país tenha uma vida digna.
Uma das maiores injustiças está na aposentadoria. Cidadãos que contribuíram para o crescimento do Brasil com décadas de trabalho são obrigados a sobreviver com um rendimento minguado, insuficiente até para as necessidades básicas - e justamente num período em que cuidar da saúde exige mais gastos.
Tão ou mais cruel é a situação de idosos abandonados em asilos. Além da dor da solidão, suportam as más condições de casas que jamais foram fiscalizadas de forma efetiva - e por isso se transformam em depósitos de seres humanos à espera da morte.
Há deficiências flagrantes no atendimento médico-hospitalar, ausências de opções de lazer, de oportunidades de convivência comunitária na nova fase da vida... É preciso muito mais do que é oferecido.
Os governantes brasileiros não podem ignorar a existência de 20 milhões de habitantes com idade entre 60 e 64 anos. Também não têm o direito de virar as costas para o que apontam estudos de comprovada seriedade: o país envelhece rapidamente, tanto que, em 2030, terá 22,5% de sua população com mais de 65 anos - esse percentual, hoje, equivaleria a 45 milhões de pessoas.
A estrutura familiar é fundamental para dar suporte ao idoso, insubstituível como fonte de afeto e de atenção. Mas são indispensáveis políticas públicas para dar-lhe o mínimo de bem-estar. Envelhecer não pode ser confundido com uma sentença inapelável, como se após dezenas de anos de lutas e sacrifícios a recompensa fosse apenas o fim de horizontes - o fim da vida.

O MUNDO VIROU DE CABEÇA PARA BAIXO

Lembram-se da Europa resplandecente dos últimos 20 anos, do luxo das avenidas do Champs-Élysées, em Paris, ou da Knightsbridge, em Londres? Lembram-se do consumismo exagerado, dos eventos da moda em Milão, das feiras de Barcelona e da sofisticação dos carros alemães?
Tudo isso continua lá, mas já não é a mesma coisa. As cidades europeias são, hoje, caldeirões de etnias. A miséria empurrou milhões de africanos para o velho continente em busca de sobrevivência; o Muro de Berlim, ao cair, abriu caminho para os jovens do Leste europeu buscarem, no Oeste, melhores oportunidades de trabalho; as crises no Oriente Médio favorecem hordas de novos imigrantes.
A crise do capitalismo, iniciada em 2008, atinge fundo a Europa Ocidental. Irlanda, Portugal e Grécia, países desenvolvidos em plena fase de subdesenvolvimento, estendem seus pires aos bancos estrangeiros e se abrigam sob o implacável guarda-chuva do FMI.
O trem descarrilou. A locomotiva – os EUA – emperrou, não consegue retomar sua produtividade e atola-se no crescimento do desemprego. Os vagões europeus, como a Itália, tombam sob o peso de dívidas astronômicas. A festa acabou. Previa-se que a economia global cresceria, nos próximos dois anos, de 4,3% a 4,5%. Agora o FMI adverte: preparem-se, apertem os cintos, pois não passará de 4%. Saudades de 2010, quando cresceu 5,1%.
O mundo virou de cabeça para baixo. Europa e EUA, juntos, não haverão de crescer, em 2012, mais de 1,9%. Já os países emergentes deverão avançar de 6,1% a 6,4%. Mas não será um crescimento homogêneo. A China, para inveja do resto do mundo, deverá avançar 9,5%. O Brasil, 3,8%.
Embora o FMI evite falar em recessão, já não teme admitir estagnação. O que significa proliferação do desemprego e de todos os efeitos nefastos que ele gera. Há hoje, nos 27 países da União Europeia, 22,7 milhões de desempregados. Os EUA deverão crescer apenas 1% e, em 2012, 0,9%. Muitos brasileiros, que foram para lá em busca de vida melhor, estão de volta.
Frente à crise de um sistema econômico que aprendeu a acumular dinheiro mas não a produzir justiça, o FMI, que padece de crônica falta de imaginação, tira da cartola a receita de sempre: ajuste fiscal, o que significa cortar gastos do governo, aumentar impostos, reduzir o crédito etc. Nada de subsídios, de aumentos de salários, de investimentos que não sejam estritamente necessários.
Resultado: o capital volátil, a montanha de dinheiro que circula pelo planeta em busca de multiplicação especulativa, deverá vir de armas e bagagens para os países emergentes. Portanto, estes que se cuidem para evitar o superaquecimento de suas economias. E, por favor, clama o FMI, não reduzam muito os juros, para não prejudicar o sistema financeiro e os rendimentos do cassino da especulação.
O fato é que a zona do euro entrou em pânico. A ponto de os governos, sem risco de serem acusados de comunismo, se prepararem para taxar as grandes fortunas. Muitos países se perguntam se não cometeram uma monumental burrada ao abrir mão de suas moedas nacionais para aderir ao euro. Olham com inveja para o Reino Unido e a Suíça, que preservam suas moedas.
A Grécia, endividada até o pescoço, o que fará? Tudo indica que a sua melhor saída será decretar moratória (afetando diretamente bancos alemães e franceses) e pular fora do euro.
Quem cair fora do euro terá de abandonar a União Europeia. E, portanto, ficar à margem do atual mercado unificado. Ora, quando os primeiros sintomas dessa deserção aparecerem, vai ser um deus nos acuda: corrida aos saques bancários, quebra de empresas, desemprego crônico, turbas de emigrantes em busca de, sabe Deus onde, um lugar ao sol.
Nos anos 80, a Europa decretou a morte do Estado de bem-estar social. Cada um por si e Deus por ninguém. O consumismo desenfreado criou a ilusão de prosperidade perene. Agora a bancarrota obriga governos e bancos a pôr as barbas de molho e repensar o atual modelo econômico mundial, baseado na ingênua e perversa crença da acumulação infinita.

CANCER DE MAMA: NÃO SEJA A PRÓXIMA VITIMA.

O câncer de mama é o segundo mais frequente no mundo e o mais comum entre as mulheres. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o tumor de mama é a maior causa de óbitos por câncer na população feminina, principalmente na faixa etária entre 40 e 70 anos. Aproximadamente 12 mil brasileiras morrem anualmente por causa da doença.

O instituto estima que este ano cerca de 50 mil mulheres vão ter câncer de mama no país, sendo que o Rio de Janeiro é o Estado brasileiro com o maior número de casos da doença, seguido pelo Rio Grande do Sul e São Paulo. Porto Alegre (RS) possui a maior taxa de incidência da doença do país: são 127 casos a cada 100 mil mulheres, enquanto que a média nacional é de cerca de 49 casos para 100 mil mulheres. Este ano, no RS, estima-se o surgimento de 4.750 novos casos da doença.
A Femama defende que a cobertura de exames de mamografia atinja pelo menos 75% do território nacional. De acordo com dados do Ministério da Saúde, apenas 12% das mulheres com idade entre 40 e 70 anos conseguem fazer o exame no país. Segundo Maira, o índice é tão baixo porque, atualmente, existe uma concentração de aparelhos em apenas algumas regiões. Outros equipamentos que deveriam estar funcionando estão sucateados ou não recebem uma demanda significativa. Além disso, há aparelhos que apresentam baixa produtividade.
Dados do Ministério da Saúde confirmam a avaliação da especialista. Existem hoje no país quase 1,3 mil mamógrafos em funcionamento, disponíveis para exames pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O número, segundo técnicos da pasta, é quase duas vezes maior do que o necessário para cobrir toda a população brasileira, mas a distribuição geográfica e o baixo nível de produtividade são entraves à plena oferta do exame. Cerca de 45% dos mamógrafos estão no Sudeste. O Estado com maior número de mamógrafos é São Paulo, com 335, seguido de Minas Gerais, com 211, e do Rio Grande do Sul, com 130.
Além do diagnóstico precoce, a Femama alerta sobre a importância da agilidade no tratamento, que deve iniciar em no máximo 30 dias após o diagnóstico.