quinta-feira, 30 de junho de 2016

É PRECISO EQUILÍBRIO

Há um mal-estar em relação à vida pós-moderna. Um mal-estar da civilização como um todo. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman fala de um mal-estar da pós-modernidade. Obviamente, de um mal-estar que reflete em todos. A incerteza e a insegurança são sintomas principais do mal-estar atual. Eis um desafio, o equilíbrio.

O médico neurologista Sigmund Freud (1856-1939), em sua obra “O Mal-Estar na Civilização”, diz que o indivíduo não pode ser feliz em sociedade, mesmo usufruindo do avanço tecnológico e científico, como atualmente ocorre. Freud afirma: “a felicidade humana, por conseguinte, parece não ser a finalidade do universo, e as possibilidades de infelicidades realizam-se mais prontamente”. É preciso concordar com Freud em algo, a felicidade não é o propósito da civilização moderna. Sua batalha é sim o afastamento do desprazer. E a felicidade não passa pelo desprazer. A civilização da pós-modernidade busca a realização pela satisfação do prazer. Nisto, torna-se impossível conseguir felicidade humana. O prazeroso tem em contrapartida a necessidade do trabalho, do sofrimento. E nisto, contrapor Freud por não valorizar o trabalho como meio de felicidade, mas de repressão social, o homem é obrigado a trabalhar.

Para Freud a infelicidade humana está centrada em três fontes: “o sofrimento físico, corporal; perigos advindos do mundo exterior e os distúrbios ocasionados pelas relações com outros seres humanos, talvez a fonte mais penosa de todas”. Para Freud a sexualidade é a manutenção e reprodução da civilização. Tem-se a sociedade justamente por causa dos impulsos sexuais que são canalizados para o trabalho. Mas, a verdadeira causa da infelicidade para Freud está na repressão sexual, provocando muitos distúrbios psíquicos, mal-estar. Sendo assim, para Freud é impossível uma civilização harmonizada.

A situação mudou muito do tempo de Freud para o nosso tempo. A sociedade tem melhorado em muitos aspectos e obtiveram-se avanços no cuidado de bem-estar pessoal, social, na implantação do saneamento básico, no aumento da expectativa de vida e da liberdade, principalmente a sexual. Contudo, as conquistas não foram suficientes para a felicidade da civilização moderna. Atualmente o mal-estar aparece com outras faces, como desemprego, fome, instabilidade e insegurança do indivíduo. São faces que ocasionam as doenças físicas e emocionais como a depressão, a síndrome do pânico, a baixa autoestima, o medo, etc. Na verdade, o ser humano é um ser inacabado. Conflitos e sofrimentos sempre estarão presentes na vida humana. Contudo, cientes da necessidade de mudança, é necessário um processo de equilíbrio, de harmonização, seja pelo conhecimento e sabedoria, seja pela maturidade.

terça-feira, 28 de junho de 2016

FAZER PARTE DOS 5%

Algumas circunstâncias ajudavam a entender a postura da classe. Era uma terça-feira, tempo abafado anunciando o verão, logo após um prolongado feriado. Cada qual procurava mostrar, pelo celular, os lugares onde estivera, a nova namorada ou novo namorado. O velho professor de Economia procurava criar um clima de silêncio para poder dar sua aula. Tudo inútil.

Após algumas frustradas tentativas, o professor achou que era hora para remédios mais amargos. Erguendo a voz, pediu à classe: prestem atenção porque eu vou falar isso uma única vez. E o que ele afirmou, logo em seguida, a turma nunca esqueceu:

“Desde que eu comecei a lecionar - faz mais de 30 anos - descobri que nós, professores, trabalhamos apenas para 5% dos alunos. São aqueles que farão a diferença no futuro. Apenas esses 5% serão profissionais brilhantes e contribuirão para seu tempo. Os outros 95% passarão pela vida sem deixar marcas, afundados na mediocridade. Esta proporção vale para todas as classes. De 100 professores, taxistas, políticos, padres, médicos, pedreiros, apenas 5% serão verdadeiramente especiais. De cada 100 cidadãos apenas 5% marcarão o seu lugar na sociedade. É uma pena, mas eu não tenho como separar estes 5% do resto. Se isso fosse possível, deixaria apenas estes 5% na sala e colocaria os demais para fora. Assim, teria condições de transmitir meus conteúdos. Infelizmente, não tenho como saber. Só o tempo dirá. E por isso eu tenho de lecionar a todos. Cada um de vocês vai escolher o grupo ao qual quer pertencer”.

A voz do professor flutuou silenciosamente sobre todos por um instante. Depois esclareceu: agora vamos à lição. Constrangidos, os alunos trataram de recolher as fotos e desligar os celulares. O silêncio era absoluto e continuou assim até o fim do semestre. Os anos passaram e quando os colegas se encontram, um dos assuntos preferidos é a bronca do professor. Poucos recordam algum conteúdo daquela aula, mas ninguém esquece a divisão entre os dois números: os 95% dos omissos e folgados e os 5% dispostos a qualificar a vida.

A vida é a arte de escolher. Não basta escolher, mas é necessário também a disposição de pagar o preço dos seus sonhos. A caminhada dos 5% é marcada por renúncias. Eles não se contentam com o mínimo necessário, mas querem o máximo possível. E a escolha entre os cinco e os noventa e cinco não se faz apenas uma vez na vida. A cada dia - consciente ou não - a pessoa tem de decidir se quer mudar ou continuar como está. A cada dia pode decidir ingressar no seleto grupo do cinco por cento.

COMO PASSOU RÁPIDO O MEIO ANO

O meio ano se foi. Com vontade de aproveitar bem o 2º semestre! “A vida é mais emocionante quando se é ator e não expectador.” Ao receber o dom da vida, todos recebem dons. O que fazer com a vida é uma das primeiras escolhas. Ao longo dos anos, assume-se diferentes papeis. Alguns gostariam de encontrar tudo pronto. Uma grande maioria nasceu para ser ator. Até exercitam a posição de expectador, mas não foram feitos para isso. Como é maravilhoso desempenhar bem o papel recebido.

A vida proporciona muita satisfação, para quem caminha um tanto distante da acomodação. Apequenar a existência é uma lástima. Não cultivar sonhos é uma agressão à grandiosidade do existir. As emoções dão colorido aos dias. Viver sem emoção é aproximar esse dom maravilhoso do abismo da indiferença. Viver com emoção é descobrir o melhor, mesmo que tenha que ser em meio aos destroços da maldade alheia. A acomodação não apresenta outra opção a não ser de expectador.

A vida é dada a quem sabe ser ator, que descobre que o papel principal não pode ser delegado. É tão bom arregaçar as mangas e fazer acontecer! Quanto dinamismo quando a vida é assumida e encaminhada. Há tanta gente especialista em lamentações! Leitores de tragédias e páginas policiais dificilmente se encontram com o melhor da vida. Não se trata de negar fatos e acontecimentos negativos. Mas porque tão pouco espaço para o positivo? Não há escassez de emoções.

Tem diminuído os protagonistas. Tem gente demais querendo apenas assistir e torcer por este ou aquele. Que emoção desbravar novos caminhos, que alegria dar formato ao bem, que felicidade ultrapassar os limites da acomodação. É importante se emocionar com as pequenas conquistas, com os simples detalhes. A emoção pode mudar os seus dias.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

A INTERPRETAÇÃO DA ESCRITURA III

A teologia interpreta a Sagrada Escritura mediante um método exegético, hermenêutico e histórico crítico. Isto é para evitar uma leitura legalista, fundamentalista e herética da Bíblia. A exegese explica o texto bíblico no contexto em que foi escrito. A hermenêutica interpreta e compreende o real sentido do texto bíblico. O método critica e analisa as dificuldades de aplicação em termos de resultados. Houve um período em que se negou ao povo o acesso às Escrituras. Naquela época a Bíblia virou artigo de museu, mas hoje a realidade é outra. Eis uma conquista e um desafio.

O moderno movimento religioso arrebentou o lacre que impedia o acesso à Sagrada Escritura. Devolveu-se aquilo que é do povo. A Bíblia é a palavra do “Deus do povo e do povo de Deus”, afirma o biblista Carlos Mestres. Devolveu-se uma enorme força libertadora ao povo. Teólogos e biblistas latino-americanos redescobriram o jeito de ler a Escritura a partir das pessoas oprimidas, empobrecidas, vítimas da violência. O lugar para fazer a hermenêutica é o contexto da vida humana e das comunidades latinas. Este é o lugar que se encontra “embaixo”, na margem da sociedade. Para a correta interpretação das Escrituras Sagradas é preciso se aproximar deste lugar. A leitura relevante da Bíblia no contexto latino-americano pressupõe um ato de conversão, de solidariedade com as pessoas excluídas. Libertar os cativos. De nenhum modo a Bíblia é neutra. Por isso a Igreja faz a opção preferencial pelos pobres, e não é só uma postura ética, mas também de fé, de amor a Deus e as suas criaturas.

É diante da situação de sofrimento, penúria, opressão, carência ou das pessoas “de fora” que a Igreja e o movimento ecumênico latino americano interpretam as Sagradas Escrituras, fiéis ao povo oprimido, destinatários privilegiados das promessas de Deus. Vista sob esta hermenêutica teológica a Sagrada Escritura não é apenas inspirada, mas também inspiradora. Para Deus a fé e a vida andam de mãos dadas. Para o biblista Carlos Mesters o “livro da vida” e o “livro da Bíblia” se correlacionam devidamente. O livro da Bíblia torna-se importante quando liberta e renova a vida. Da mesma forma, é este o imperativo para acontecer o Reino de Deus. Decorrente disto, um crente ou uma pessoa de fé é levada a agir nesta responsabilidade. Neste sentido a leitura das Sagradas Escrituras liberta, resgata autoestimas, tem utopias, sonha com uma sociedade mais justa e humana, livre dos flagelos da exclusão, da pobreza, da violência étnica. Então, as duas leituras, a popular e a dos especialistas exegetas não se excluem, mas se completam, pois o sujeito da leitura permanece sendo o povo e a Igreja é povo.

domingo, 26 de junho de 2016

A INTERPRETAÇÃO DA ESCRITURA II

Teologia e cotidiano é a temática desta crônica, em continuação à reflexão anterior. O cotidiano é aquilo que amamos profundamente. E teologia é a ciência que nos ajuda a entender a ação de Deus na vida cotidiana. Então, teologia e cotidiano são a valorização profunda da fé e da religiosidade do povo e de sua cultura. O mundo é mais mundo porque o valorativo da fé e religiosidade faz a diferença. É algo a ser observado com sabedoria e com respeito.

A teóloga brasileira Ivone Gebara corrobora neste sentido fazendo a distinção entre o que se chama conhecimento da vida cotidiana e o conhecimento filosófico ou científico. O conhecimento da vida cotidiana está ligado à valorização do contexto da vida, circunstâncias, cultura, social, política, além dos interesses grupais e individuais. É o lugar onde se condiciona a confiança e a desconfiança da valorização da vida humana. O conhecimento filosófico é o espaço onde ocorre absolutização do saber acadêmico em detrimento do saber popular. Para a teóloga, no âmbito da teologia isto significa “o monopólio da Palavra de Deus por parte dos intelectuais da religião”. Isto é, a relativização do saber acadêmico, por vezes utilizando-se da manutenção de ideologias opressoras do sistema. Nisto a teologia tornou-se a crítica do movimento da vida. Para a teóloga Luce Girard é preciso expor a invenção do cotidiano. Isto é, a teologia precisa interessar-se pelos produtos culturais oferecidos pelo cotidiano e pelos seus operadores e usuários. Afinal, é o crente que faz saber religioso e que age com outras pessoas, comunidades, instituições. O que importa aqui é ressaltar a riqueza e a sabedoria da vida e acerca das práticas cotidianas.

Em se tratando de religiosidade na vida cotidiana, ainda que os teólogos sejam responsáveis pelas coisas de Deus, isso não significa que as pessoas não pensem e que não tenham compreensão das coisas de Deus. As razões para este cuidado teológico é porque as pessoas se ocupam com a experiência de Deus em sua vida pessoal. A compreensão de Deus acontece no dia a dia na história de vida do povo. É imprescindível para a teologia olhar o fascínio da religiosidade popular articulada de forma inteligível. É o reconhecimento das relações cotidianas que produzem símbolos e saberes religiosos e teológicos. A partir desta compreensão é preciso realizar uma leitura crítica da interpretação da Sagrada Escritura desligada da vida. Em contexto latino-americano a leitura bíblica não pode estar voltada para o passado, mas sim para o cotidiano das pessoas exploradas, marginalizadas pelo sistema. Isto é, a linguagem teológica latino-americana é o contingente das pessoas oprimidas, empobrecidas, vítimas da violência sistêmica. Leia na próxima crônica a Bíblia em perspectiva e práxis latino-americana.

sábado, 25 de junho de 2016

A INTERPRETAÇÃO DA ESCRITURA I

O estudo sobre a Escritura Sagrada na sociedade contemporânea, especialmente na América Latina e no Brasil, tem se tornado cada vez mais sistemático. Em tempos de secularização e de globalização com perspectivas de enxergar e conduzir o mundo sob a ótica da economia, dos interesses dos grandes grupos financeiros, requer um novo olhar. Os estudos bíblicos, na atualidade, se tornaram o óleo quente capaz de estourar a pipoca da religiosidade e de asseverar mobilização significativa de pessoas e comunidades contra a exploração e a exclusão social.

É de compreensão geral que na atualidade há o ressurgimento da religiosidade. Novas igrejas surgem, transformando galpões e garagens em casas de oração. Na TV aberta programas religiosos são exibidos em horários nobres. Também cresce a venda de livros de autoajuda que abordam nas entrelinhas o cultivo da religiosidade. As ciências humanas e as sociais aplicadas estão edificando novos templos de atendimento. Tudo isto se relaciona com o aparente contraste entre secularização e religiosidade. Não se trata apenas de novas experiências e técnicas de cultivo do cristianismo, mas de um reconhecimento da coletividade de cultos religiosos que abrange a vida social e a cultura do povo.

A realidade contradiz o que os profetas do mercado pregavam, de que o novo milênio seria o fim da era do cristianismo. A religiosidade não está na clandestinidade, menos ainda condenada ao preconceito ou à ilegalidade das celebrações. Na análise do teólogo brasileiro Iuri Andrés Reblin “esse movimento religioso em pleno século XXI intriga especialistas e pesquisadores”. Diante desta nova realidade religiosa os teólogos se perguntam: Quais as religiões que atraem as pessoas? Por que as pessoas são atraídas para essas celebrações e eventos religiosos? O que elas estariam buscando? Que produto e cultura religiosa estão consumindo? Que Deus se está adorando? O que esta cultura religiosa está oferecendo?

Para investigar tudo isto a Teologia indica caminhos e respostas. Esta abordagem leva a dois elementos de discussão: a Teologia e o cotidiano. O primeiro, a Teologia é a interlocutora imprescindível do debate e do saber religioso. Segundo, o cotidiano é locus originário que constitui este saber. A relação entre Teologia e cotidiano é o caminho para entender a nova realidade religiosa do continente latino-americano. Então, a Teologia não é apenas ciência eclesiástica, de dogmas, mas de pensar a vida como acontecimento histórico. Ela mergulha na vida de cada indivíduo, em sua história, nos encontros e desencontros, nas ambiguidades. O cotidiano é o palco onde a vida acontece com suas alegrias e desesperos. É o desenrolar da vida humana onde atores e atrizes atuam no desafio de cada dia. É neste palco que a Sagrada Escritura deve ser interpretada. Na próxima crônica acompanhe a continuidade do assunto.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

PELA VISÃO DO LEÃO

A floresta vivia em crise e, por isso, criou-se um consenso sobre a necessidade de uma melhor organização, levando em conta a área social e religiosa. Como novo líder, foi aclamado o leão. Seu porte altivo, sua juba e sua liderança faziam dele o candidato natural. Em seu primeiro pronunciamento, o leão garantiu que o amor seria a base de seu governo. Foi aclamado por todos.

O leão explicava: o amor é fundamental. O amor é tudo. Sem amor, as criaturas se tornam más. Por isso observou: temos que acabar com os maus! Eu odeio os maus e vou castigar, e mesmo matar, os maus. E, empolgado, garantia: precisamos eliminar da face da terra, sem dó nem piedade, os maus, os intolerantes, os fanáticos e os que não amam.

Seu primeiro decreto foi no sentido de eliminar todas as armas. Os animais deviam abandonar as garras, o bico, os dentes afiados e tudo aquilo que pudesse ser ameaça aos outros. E do alto de seu poder, o leão determinou que fossem mortos todos os que não cumprissem suas sábias determinações. Assim aconteceria a desejada paz

Essa fábula se repete com os humanos. Vale o ponto de vista do mais poderoso. A partir daí sempre é possível legitimar o ilegítimo, justificar o que é injusto. Um muro proclama, em letras garrafais: é proibido escrever nesta parede. Numa comunidade, alguém se justifica: eu gritava para que os outros parassem de gritar.

No passado existiu uma heresia chamada de maniqueísmo. Segundo seu fundador, o persa Manes, o mundo estava dividido em duas forças distintas e em eterna luta – o bem contra o mal. E não havia meio termo. Na prática, o maniqueísmo partia do princípio que ele e seus seguidores eram absolutamente bons e os outros totalmente maus. Essa tendência não desapareceu. Ela se encontra em toda parte, sobretudo nos meios religiosos e políticos. Seus seguidores são donos da verdade.

O Evangelho nos lembra que o trigo e o joio, o bem e o mal, se misturam e, por vezes, se confundem. O joio pode parecer bom trigo, enquanto este pode ser tido por joio. O mestre Jesus recomenda: “Não julgueis”, lembrando que seremos julgados com a mesma medida que julgarmos os outros.

E a luta do bem contra o mal acontece também em nosso interior. Chega a ser surpreendente a confissão do apóstolo Paulo: Vejo o bem que quero fazer e não faço; vejo o mal que não quero fazer e faço. Agostinho dizia: Tenho medo do homem que leu um só livro. É sempre perigoso quando o leão se torna apóstolo do amor.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

UMA NOTÍCIA EM CENAS

Cena 1: Decimopotzu, sul da Ilha da Sardenha, Itália, 28 de maio de 2016. O padre católico da paróquia local, no sermão dominical, após citar vários textos da Bíblia, afirma que a pena de morte deveria ser restabelecida para os gays pois eles não são dignos de continuar fazendo parte da comunidade humana e porque o próprio Deus os condena;

Cena 2: Vicente Dutra, norte do Rio Grande do Sul, 12 de fevereiro de 2014. Um deputado federal candidato à reeleição, em uma audiência pública, afirma que quilombolas, índios, gays, lésbicas são tudo que não presta e que deveriam ser enfrentados por milícias organizadas pelos fazendeiros. Nas eleições de outubro daquele ano, o candidato foi eleito como o deputado federal mais votado pelos gaúchos;

Cena 3: Cuiabá, 12 de novembro de 2015. No aeroporto, ao chegar para lançar um correligionário seu a prefeito da cidade, um deputado federal recém batizado numa igreja pentecostal é recebido com entusiasmo por um grupo de pastores e, do alto dos ombros dos que o carregam, afirma que, a partir de 2019, quando ele for Presidente da República, os sem-terra terão como cartão de visita no Brasil um cartucho de fuzil;

Cena 4: Porto Alegre, 26 de janeiro de 2016. Na Assembleia Legislativa, o mesmo deputado federal é recebido em audiência pública promovida por um deputado estadual e, os dois juntos, fazem pose de quem porta um fuzil e atira sobre os manifestantes da comunidade LGBT que rechaçam a presença na cidade do deputado assumidamente homofóbico.

Cena 5: Estados Unidos, 5 de março de 2016. Um pré-candidato republicano à presidência propõe a construção de um muro ao longo da fronteira com o México para impedir a imigração ilegal. Detalhe: o México deveria arcar com os U$ 24 milhões necessários à construção do muro;

Cena 6: Rio de janeiro, 6 de junho de 2015. Uma menina de 11 anos, há quatro meses iniciada no Candomblé, é apedrejada por um grupo de evangélicos no momento em que, vestida conforme os preceitos de sua religião, dirigia-se com um grupo de amigos ao terreiro para o culto de sua religião;

Cena 7: Santaluz, interior da Bahia, 15 de junho de 2016. Dois professores que trabalhavam em escolas locais e que viviam um relacionamento estável, foram encontrados mortos e carbonizados, dentro de seu carro, às margens da rodovia BA120;

Cena 8: Favela de Heliópolis, São Paulo, 16 de junho de 2016. Um policial, irritado com um cão que insistia em latir cada vez que a viatura passava pelo local, desce da camionete e, aproximando-se do cão, dispara um tiro na cabeça. O cão morre imediatamente para desespero das crianças da rua das quais era o mascote;

Cena 9: Praia do Botagofo, Rio de Janeiro, 4 de fevereiro de 2014. Um adolescente negro, de 15 anos, é espancado e acorrentado, nu, a um poste, por um grupo de jovens brancos de classe média. Seu crime: ser negro e estar no lugar errado, na hora errada e encontrar-se com pessoas de bem que queriam mostrar como se trata um potencial bandido;

Cena 10: Qualquer lugar, qualquer dia, onde você estiver... Se você defende os direitos humanos e os direitos dos fracos da sociedade, você pode ser a próxima vítima do espírito fascista que ronda a humanidade.


quarta-feira, 22 de junho de 2016

A CAIXA DA LENHA

Os dias mais cinzentos são propícios para intensificar algumas lembranças. Voltar no tempo, sem precisar de deslocamento, é uma das facilidades da mente humana. Quando vejo solitários chaminés conduzindo fumaça aos céus, recordo que, ao lado do fogão, normalmente está a caixa de lenha. Na infância, havia até disputa por um lugar. Todos queriam sentar. Se alguém levantasse, certamente perdia o aquecido espaço. O problema se agravava quando a família era numerosa. Aquecer-se ao lado do fogão era como acertar na loteria. O inverno deixava de ser rigoroso, tendo um fogão à lenha.

Os anos passam, ser adulto deixa de ser uma escolha, é quase uma obrigação. Carregar a infância nas entranhas do ser é uma opção serena. Tudo, porém, reporta aos primeiros anos de vida. Alguns registros do inverno não envelhecem. A caixa da lenha não era confortável, mas proporcionava aconchego. O vento assoviava, a chuva fina era gelada, os dias pareciam mais curtos, a claridade se despedia mais cedo. A convivência familiar se estendia até os vizinhos mais próximos. Os meios não eram globalizados. O conhecimento tinha as confrontações e o alcance do olhar. A impressão que se tinha é de que não havia mundo para além das montanhas que circundavam a própria localidade.

A caixa da lenha continua ao lado do fogão, que nem sempre recebe seu hóspede predileto, o ardente fogo. Ela provoca lembranças e evoca presenças. As pessoas não passam. Simplesmente permanecem de um outro jeito. Continuam presentes, a tonalidade da voz jamais será esquecida, os gestos são evidentes, as palavras ressoam. Como é interessante a vida quando os laços, mesmo com poucos abraços, se eternizam. Um sentir profundo ocupa espaço na memória e na alma. A infância pode até ter sido exigente, mas os ganhos foram contabilizados racional e emocionalmente.

Os modelos de fogão a lenha são mais sofisticados. Alguns até nem necessitam de gravetos de madeira para iniciar o fogo, outros dispensam a própria lenha. Talvez o fogão já não ocupe um lugar central na cozinha. A caixa da lenha, no entanto, vai permanecer no mesmo lugar. As lembranças eliminam distâncias, percorrem o tempo, povoam a memória, aceleram o coração. Gosto de dias que inspiram interiorização. O ontem não se resume na caixa da lenha. A caneca surrada junto à água límpida que vinha do morro, o forno de barro, a sombra do cinamomo. Faz um bem enorme visitar o ontem, sem se afastar do hoje. A Liane que o diga!

terça-feira, 21 de junho de 2016

MUDOU O DESTINO DOS H0MENS

A intenção de silenciar a mensagem de Jesus em seu Evangelho da vida, não conseguiu êxito nos que tramaram sua crucificação. A decisão de enterrar seu rosto desfigurado para que nenhuma lembrança o deixasse visível na história foi vencida pelo rosto de Jesus ressuscitado, estampado no coração de cada pessoa, do mundo e da história. As obras de Jesus e sua prática, que inauguraram o novo Reino, antes de serem superadas e anacrônicas, constituem a alternativa e a resposta única ao clamor das profundezas do ser de toda a humanidade. “Felizes os que acreditarem, mesmo sem ter visto” (Jo 20,19).

“Somente a morte do Filho de Deus poderia modificar radicalmente a morte do homem. Para nos libertar do domínio da morte, Ele quis experimentá-la. E sabemos até que ponto chegou. Depois que a vida de Deus e sua glória entraram definitivamente no mundo pela morte deste crucificado. Não existe no universo acontecimento mais importante do que esta morte” (K. Rahner). A morte de Cristo mudou para sempre o destino do homem, pois Ele morreu para ressuscitar.

Aqui, neste núcleo, fonte e segredo, onde são garantem as possibilidades de Deus, reside o fundamento de nossa fé e a base de nossa esperança. Esta fé e esta esperança, que têm sua base indestrutível no crucificado ressuscitado, não ignoram nossas misérias humanas e nem eliminam o lado trágico da morte. Por este motivo, se Jesus vive, suas obras continuam atuais e eficientes, necessárias e permanentes.

Um Mestre único que “passou pelo mundo fazendo o bem”, que não é um teórico do Reino, mas o torna acreditável e visível em suas obras, continua sendo a maior autoridade para dizer: “Eu quero misericórdia e não o sacrifício”; “não são os que têm saúde que precisam de médico e sim os doentes”.

Depois de vinte e um séculos de cristianismo, Jesus continua sendo um desafio para a humanidade de hoje. Sua proposta de vida é grande demais para que as possamos ignorar. Um homem que se afirma igual a Deus e que é seguido por milhões de homens e mulheres continua sendo um “sinal de contradição”, diante do qual ninguém pode ficar indiferente.

Nestes longos séculos de cristianismo não podemos ignorar as multidões de discípulos/as que continuaram atualizando a herança da mensagem de Jesus, sua presença misericordiosa e suas obras de cura para a humanidade sempre ferida. Foi pela fé no crucificado ressuscitado, no Senhor Jesus Cristo, que encontraram a força de ser o que foram e fazer o que fizeram.

Nada faz prever uma decadência do cristianismo enquanto as pessoas forem humanas. Pelo contrário, desponta sempre mais atual e necessária a alegria do Evangelho e a renovação de suas práticas para relações redimidas e as esperanças de uma nova sociedade: a civilização do amor. Daqui a cem anos, a milhares de anos, o cristianismo estará mais vivo do que nunca, talvez com uma face diferente, mas continuando sempre a desafiar e interpelar os homens de boa vontade.
O autor

segunda-feira, 20 de junho de 2016

AS QUATRO AMIGAS DO HOMEM

Um homem tinha quatro amigas, todas elas importantes, mas que eram tratadas de maneira desigual. Depois de setenta anos sentiu que sua hora havia chegado. Ele gostaria que alguma delas o acompanhasse até a eternidade.

Dirigiu-se à primeira, a mais amada, a mais parceira de todas. Ela o havia enchido de prazeres, estava sempre com ele. Diante da proposta de acompanhá-lo na eternidade, ela nem sequer respondeu e ostensivamente abandonou o quarto.

Diante da recusa, dirigiu-se à segunda amiga. Esta lhe proporcionara tantos momentos felizes! Sem ela não saberia o que fazer. A resposta foi de deboche: a vida é muito bela, tenho ainda possibilidades e muitos sonhos, não irei com você. A terceira amiga mostrou-se mais compreensiva, queria ajudá-lo em tudo. O acompanharia até o fim, até às portas da eternidade. Cuidaria ainda do seu enterro.

Desesperado, desiludido, pensou na quarta amiga. Ele reconhecia que não lhe devotara muito amor e atenção e, certamente, também recusaria o pedido. Surpreendentemente, ela declarou: irei contigo para qualquer lugar.

A primeira amiga representa o corpo, o companheiro inseparável, que ele cuidara com tanto empenho, durante tantos anos. A segunda amiga é a riqueza. Parecia um pouco insensível, mas ele a adorava. Foi a mais ingrata. A família representa a terceira amiga. Crescera com ela, com ela partilhou os bons e maus momentos, mas mostrou-se incapaz de fazer mais. Foi até o cemitério.

A quarta amiga é a alma, que simboliza os valores do espírito. Ele devia tê-la amado muito mais. Era a amiga mais pura e solidária.

Essa alegoria se aplica a todos. Naturalmente, a ordem de importância - o grau de amizade - depende de cada um. Todos temos um corpo. Melhor dizendo: somos um corpo. É nosso companheiro de luta e um dia será companheiro na glória. Ele merece ser amado, cuidado e disciplinado. A avaliação da amiga riqueza já não é tão lisonjeira. É possessiva, quer ser adorada e pretende mandar em tudo. Na hora da morte, o corpo ainda está quente e o dinheiro já migrou. A família é sagrada, ela nos acolhe, protege e acompanha, mas não pode decidir por nós. Já a alma - as boas obras - é nosso passaporte para a eternidade.

Mais uma vez, o mestre é exemplo: manteve as três amigas - o irmão corpo, o dinheiro e a família - à distância e amou perdidamente a alma.

sábado, 18 de junho de 2016

ALEGRIA DE CUIDAR.

A natureza é exímia em ensinamentos. O planeta Terra não é apenas a casa comum, é o espaço do aprendizado, da convivência e da interdependência. Cada ser criado tem um valor único, cada detalhe engrandece e complementa um todo maior. Há um registro, resultado de estudos observatórios, que conta a história dos lobos, quando estes estão a caminho. Organizados em alcateia, na frente seguem os lobos mais velhos e os doentes. Os primeiros cinco lobos de trás, na sequência, são os que protegem os mais velhos e doentes, em caso de ataques. Atrás estão os demais do bando e, por último, o líder que cuida para que ninguém se perca.

As espécies não apenas existem, mas há como que uma autoproteção, que perpassa as diferentes etapas. A harmonia se faz presente de forma inteligente, provocando admiração e contemplação. Quão grande e majestosa deve ser a mão do Criador. Incontáveis são as espécies, infinitas são as lições. Os lobos mais velhos e os adoentados são os primeiros da fila. Os protetores estão na sequência. Por fim, está o líder que observa e protege todos. O cuidado não apenas qualifica e perpetua a espécie, mas expressa a unidade e a reciprocidade entre todos. Os que somaram mais tempo de vida e os que foram atingidos pelas doenças, um dia, também cuidaram dos outros.

Cuidar e ser cuidado soa como melodia, entrelaça comprometimento, garante pertença. O individualismo tem adoecido a espécie humana. Na tentativa de garantir respeito à privacidade, alguns muros separam as gerações, inclusive dentro das próprias famílias. Há casos e casos. Porém, parece crescente a terceirização do cuidado. Nem todos aceitam ficar próximos dos que envelheceram, estendendo a mão, apoiando os passos, preparando um alimento diferenciado. A sensação de sentir-se um estorvo dentro do próprio lar é por demais dolorida. Exceto em alguns casos, ninguém deveria ser retirado do ambiente familiar sob o pretexto de melhor atendimento.

Os lobos mais velhos e os doentes seguem à frente. A experiência e a sabedoria abrem novos caminhos, apontam para incríveis direções. Contar com a presença dos idosos jamais será uma limitação ou um sacrifício. Pelo contrário, as gerações se sucedem entregando dons, aprimorando a história, destacando o essencial. Os lobos seguem a trajetória, o último da fila é o líder, que inclui a todos num infinito caminhar.

A ESPIRITUALIDADE

A espiritualidade é uma questão cotidiana. Há uma busca crescente pela vivência da espiritualidade. Na atualidade há um variado mercado religioso que oferece às pessoas produtos que possam satisfazer seus desejos. Por conseguinte, é preciso fazer a experiência mais profunda de espiritualidade. Em contexto atual, contribuir para a vivência da espiritualidade cristã é buscar suas reais possibilidades.

A definição de espiritualidade é tarefa nada fácil. É um termo bastante abstrato. Normalmente falar em espiritualidade refere-se à relação da pessoa com Deus. Geralmente tida como incorpórea, imaterial e relacionada à religião. Uma experiência que está relacionada à qualidade ou caráter espiritual. Para o teólogo alemão Hermann Brandt a “espiritualidade é um termo muito plural e multicolorido” devido às vastas concepções e experiências. Quanto à experiência de espiritualidade cristã, vai num crescente distanciamento do mundo em direção ao verdadeiro fundamento. Esta nasce e é nutrida pela experiência de encontro com Jesus Cristo. A espiritualidade cristã é ação do Espírito do Evangelho. Ela não tem uma finalidade em si mesma, mas é vida e vivência dos agraciados imerecidamente. Ela é livre de legalismo. E justamente por isso ela é a espiritualidade da libertação das pessoas.

O termo espiritualidade deriva do adjetivo espiritual, em latim spiritualis. O termo grego pneumáticos designa a forma de viver a vida a partir do Espírito de Deus. Desse modo, spiritualis e pneumáticos designa o centro da existência cristã. A espiritualidade expressa a forma central da vida cristã e designa a relação do ser humano com Deus, com os outros, com o mundo. A espiritualidade cristã passa pelo planejar, refletir e agir dos cristãos. O fundamento para a espiritualidade cristã encontra-se no evangelho que leva a Jesus. Logo, a pessoa cultiva sua espiritualidade na forma de Jesus orar.

A Igreja primitiva cultiva sua espiritualidade de forma comunitária, tendo como pontos centrais a celebração e a comunhão de vida. Nos três primeiros séculos do cristianismo esta se caracteriza pela espiritualidade do martírio, pois os cristãos eram perseguidos até o martírio. Na Idade Média surge o fenômeno da anacorese, a vida ascética de isolamento no deserto. Os cristãos vivenciam este estilo de espiritualidade e em seguida surge a espiritualidade conventual.

Hoje a espiritualidade é mais subjetiva e emotiva. Ao considerar a transformação da espiritualidade cristã é preciso voltar à unidade entre a teoria e a práxis, pois a espiritualidade cristã não se separa da vida cotidiana. Esta, como vivência histórica concreta, é capaz de criar comunidade unida ao fundamento, Jesus Cristo. É capaz de ouvir o grito pela vida. Rejeita a maneira “platônica”, fora da história. A espiritualidade cristã não se identifica com o supermercado do sagrado, pois é comunidade e socialmente transformadora.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

A EVOLUÇÃO

A moral evolui. Os valores morais evoluem. As normas do certo e do errado evoluem. A avaliação e fundamentação criteriosa do certo e do errado, isto é, a ética, também evolui. Os conservadores teimam em segurar, em protelar, em manter e até recuar, são medrosos os conservadores. Medrosos e de percepção perturbada e distorcida pelo medo, pela ignorância e por egoísmo, claro.

Detrás de todo conservador, há um egoísta. Sim, querer manter o passado é uma forma de egoísmo e de segurança que só os bem constituídos desejam. Pergunte às vítimas para ver se elas querem conservar o passado. Pergunte! Pergunte aos negros se eles querem o passado de escravidão de volta. Pergunte às mulheres se elas querem o passado de submissão de volta. Pergunte aos gays para ver se eles querem o passado de perseguição e morte de volta. Pergunte aos pobres em geral se eles querem o passado de exclusão e violências de volta. A vítima quer que o futuro chegue e não quer a conservação do passado que a condena. Por isso, para auscultar o futuro, olhe e escute a vítima.

Temos avançado no reconhecimento das injustiças cometidas em relação às vítimas humanas nas formas acima evocadas. Mas há outras vítimas, fruto da nossa ignorância violenta, que estão à espera de reconhecimento moral da nossa parte. Ainda continuamos com consciência tranquila, sem culpa, vergonha e não nos indignamos diante de barbaridades, violências e mortes diariamente cometidas por nós humanos ditos do “bem”. Somos todos de uma ignorância invencível diante de um fato corriqueiro e habitual envolto em normalidade, mas que não passa de crueldade. Muitos, sobretudo nós gaúchos, expomos nas redes sociais nossas festas em mesas fartas de vítimas inocentes. Imbecis que somos, sacrificamos no altar da gula, animais inocentes e expomos suas partes e seu sangue nos espetos corridos de nossas festas, como se fossem troféus, mas são, antes, um gesto de imbecilidade e de ignorância. O futuro está batendo às nossas portas e ainda estamos presos ao passado.

Por três razões é erro moral continuarmos com hábitos alimentares baseados em mortes de seres sensíveis e inteligentes como são os animais que criamos em estado cruel e os matamos, mesmo que terceirizemos as mortes, pois se tivéssemos que matá-los não faríamos pessoalmente, mais cruelmente ainda.

Primeiro porque a vida deles vale mais do que o nosso prazer e gosto. Segundo porque não somos carnívoras e a carne, ovos e leite e derivados faz mal à saúde. Terceiro porque estamos destruindo a natureza, desmatando e acabando com a biodiversidade sempre que priorizamos a pecuária para a seguridade alimentar. 70% da terra agriculturável do mundo é destinada aos animais. 35% dessa terra é para plantar grãos para alimentar os animais. 35% é para o pasto aos animais. E se comêssemos os grãos diretamente sem passar pelos animais, será que teríamos fome no mundo? E ainda sobrariam os 35% das terras destinadas para o pasto. Imagem o que não daria para colher de grãos, frutas, legumes, raízes, verduras etc., para alimentar o mundo. Não seria mais racional tirar a proteína dos grãos sem vítimas? Mas quem diz que somos racionais? Somos todos escravos de nossa ignorância e paixões! Adeus inocência!

quinta-feira, 16 de junho de 2016

A BOMBA TÔMICA E S OLIMPIADAS


No exato momento em que no dia 6 de agosto de 2016 às 20.00 horas se inaugurarão os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, há 71 anos, no mesmo dia 6 de agosto de 1945 e na mesma hora correspondendo às 8.15 da manhã, será recordada em Hiroshima no Japão, a nefasta data do lançamento da bomba atômica sobre a cidade. Vitimou 242.437 pessoas entre as que morreram na hora e as que posteriormente vieram a falecer em consequência da radiação nuclear.

O imperador Hirohito reconheceu, no texto de rendição no dia 14 de agosto, que se “tratava de uma arma que levaria à total extinção da civilização humana”. Dias após, ao aduzir, numa declaração ao povo, as razões da rendição, a principal delas era de que a bomba atômica “provocaria a morte de todo o povo japonês”. Em sua sabedoria ancestral tinha razão.

A humanidade estremeceu. De repente deu-se conta de que, segundo o cosmólogo Carl Sagan, havíamos criado o princípio de autodestruição. Não disse outra coisa Jean-Paul Sartre: ”os seres humanos se apropriaram dos instrumentos de sua própria exterminação”. O grande historiador inglês, Arnold Toynbee, o último a escrever 12 tomos sobre a história das civilizações, aterrado, deixou escrito em suas memórias (Experiências 1969):”Vivi para ver o fim da história humana tornar-se uma possibilidade intra-histórica, capaz de ser traduzida em fato, não por um ato de Deus mas do homem”. O grande naturalista francês Thédore Monod disse enfaticamente: ”somos capazes de uma conduta insensata e demente; pode-se a partir de agora temer tudo, tudo mesmo, inclusive a aniquilação da raça humana”(E se a aventura humana vier a falhar,2000).

Com efeito, de pouco valeu o estarrecimento, pois continuou-se a desenvolver armas nucleares mais potentes ainda, capazes de erradicar toda a vida do planeta e pôr um fim à espécie humana.

Atualmente há 9 países detentores de armas nucleares que, conjuntamente, somam mais ou menos 17.000. E sabemos que nenhuma segurança é completa. Os desastres de Tree Islands nos USA, de Chernobyl na Ucrânia e de Fukushima no Japão nos dão uma amostra convincente.

Pela primeira vez um Presidente norte-americano Barack Obama, visitou, há dias, Hiroshima. Apenas lamentou o fato e disse:”a morte caiu do céu e o mundo mudou…começou o nosso despertar moral”. Mas não teve a coragem de pedir perdão ao povo japonês pelas cenas apocalípticas que lá ocorreram.O povo japonês perdoou,sim, os norte-americanos.

Vigora uma vasta discussão cultural sobre como avaliar tal gesto bélico. Muitos pragmaticamente afirmam que foi a forma encontrada de levar o Japão à rendição e poupar milhares de vidas de ambos os lados. Outros consideram o uso desta arma letal, na versão oficial japonesa, como “um ato ilegal de hostilidade consoante as regras do direito internacional”. Outros vão mais longe e afirmam tratar-se de um “crime de guerra” e até de “um terrorismo de Estado”.

Hoje estamos inclinados a dizer que foi um ato criminoso e anti-vida, de nenhuma forma justificável. Pensando em termos ecológicos, a bomba matou muito mais do que pessoas, mas todas as formas de vida vegetal, animal e orgânica, além da destruição total dos bens culturais. Geralmente as guerras são feitas de exércitos contra exércitos, de aviões contra aviões, de navios contra navios. Aqui não. Tratou-se de uma “totaler Krieg” (guerra total) no estilo nazista de matar tudo o que se move, envenenar águas, poluir os ares e dizimar as bases físico-químicas que sustentam a vida. Porque Albert Einstein tinha consciência desta barbaridade se negou a participar no projeto da bomba atômica e a condenou, veementemente, junto com Bertrand Russel.

Ao lado de outras ameaças letais que pesam sobre o sistema-vida e o sistema-Terra, esta nuclear continua sendo uma dos mais amedrontadoras, verdadeira espada de Dâmocles colocada sobre a cabeça da humanidade. Quem poderá conter a arrogância e a irracionalidade da Coréia do Norte de deslanchar um ataque nuclear avassalador?

Há uma proposta profundamente humanitária que nos vem de São Paulo, da Associação dos Sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki (chamados de hibakusha, presume-se que haja uns 118 no Brasil), animada pelo militante contra a energia nuclear Chico Whitaker. No dia 6 de agosto, no momento da abertura dos Jogos Olímpicos, dever-se-ia fazer um minuto de silêncio pensando nas vítimas de Hiroshima. Mas não só. Também voltando nossas mentes para a violência contra as mulheres, os refugiados, os negros e pobres que são sistematicamente dizimados (só no Brasil em 2015 60 mil jovens negros), os indígenas, os quilombola e os sem-terra e sem-teto, em fim, todas as vítimas da desumanidade de nosso sistema social mundial.

O prefeito de Hiroshima, nesse sentido, já encaminhou carta ao Comité Organizador dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Esperamos que este se sensibilize e promova esse grito silencioso contra as guerras de todo tipo e pela paz entre os povos.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

ABRA-TE A LUZ DO ALTO.


Depois de semanas de turbulência política, onde dominaram densas trevas feitas de distorções, vontade de destruir e de raivas viscerais, mas felizmente com alguns lampejos de luz, escrevemos esta meditação da Luz. Ela até hoje é para os cosmólogos um mistério ainda indecifrável. Só a entendemos um pouco pensando-a ora como onda ora como partícula.

Independentemente desta imponderabilidade sobre a natureza da Luz, professamos a crença inarredável de que a Luz tem mais direito do que as trevas. Basta a pequena luz de um fósforo aceso para espancar a escuridão de toda uma sala.

Foi o que nos moveu a publicar, recata e reverentemente, esta pequena reflexão inspirada pela prática dos cristãos do norte do Egito, influenciados pela cultura gnóstica da época mas assimilada dentro da compreensão cristã que via na Luz a presença do Espírito Criador.

Do fundo mais profundo do universo nos vem uma Luz misteriosa. Ela incide sobre a nossa cabeça, exatamente onde temos o corpo caloso, aquela parte que separa o cérebro esquerdo do direito. Essa separação é a fonte de nossas dualidades, por um lado o sentimento e por outro o pensamento, por um lado a capacidade de análise e por outro nossa capacidade de síntese, por um lado o senso de objetividade e por outro, da subjetividade, por um lado o mundo dos fins e por outro o universo do sentido e da espiritualidade.

A Luz beatíssima do Alto suspende a separação dos cérebros e opera a união. Pensamos amando e amamos pensando. Trabalhamos fazendo poemas. Combinamos arte com lazer. Mas sob uma condição, a de nos abrirmo-nos totalmente à Luz do Alto.

“Acolha a Luz misteriosa que atravessa todo o universo e chega até a ti! Faça-a correr por todo o teu corpo, pela cabeça, pelos olhos, pelos pulmões, pelo coração, pelos intestinos, por teus órgãos genitais. Faça-a descer pelas pernas, detenha-a nos joelhos, e, por um momento, fixe-a nos pés, pois são eles que te sustentam”.

“E suba com ela, passando por todo o corpo, dirija-a novamente ao coração para que de lá te venham o bons sentimentos de amor e de compaixão. Faça-a ascender até ao meio da testa, àquilo que chamamos de o terceiro olho. Ela lhe trará pensamentos luminosos. Por fim deixe-a repousar no alto da cabeça”.

“De lá ela encherá de luz todo teu corpo. Ela abrir-se-á a todo o universo, conferindo-te a sensação de seres um com o Todo. Superar-se-ão as dualidades e farás a experiência bem-aventurada da unidade originária de tudo o que existe e vive. E conhecerás uma paz que é a integração das partes no Todo e do Todo nas partes. E de ti sairá uma luz como aquela do primeiro momento da criação. Conhecerás, mesmo que seja por um momento, o que é ser feliz em plenitude”.

“Por fim, agradeça a presença transformadora da Luz do Alto. Deixe-a sair para o seio do Mistério de onde veio”.

“No entanto, escute este conselho. Prepara-te sempre para acolhe-la. Pois ela nunca deixa de vir. E se não tiveres aberto todo o teu ser, ela passa ao largo e tu, estranhamente, te sentirás vazio, com um sentimento de falta de rumo e de sentido”.

“Sempre que acolheres a Luz beatíssima, irradiarás bondade e benquerença. E todos se sentirão bem junto de ti.”

“Abra-te inteiramente à Luz até tu mesmo virares plena luz”.

terça-feira, 14 de junho de 2016

OS TIPOS DE INVEJA

Como em filosofia não sou nada platônico, para falar da inveja me sinto mais seguro falando do invejoso. Prefiro a indução. E com isso concorda meu compadre Adamastor, o sábio, com quem conversei sobre o assunto na semana passada. Entre um gole de chope e uma rodela de salame, ele discorreu sobre a inveja, começando por sua divisão em dois tipos diferentes.

O Adamastor tem a mania da classificação.

Existe uma inveja perniciosa, pontificava meu compadre, que corrói o caráter como ácido. É a inveja cobiçosa. O invejoso atacado por esse tipo de deformação é imobilizado por um ódio rasteiro capaz de o levar a cometer qualquer tipo de maldade. Claro, ele não tem nem é o que tem ou é seu vizinho.

A imobilidade de que ele é atacado tira-lhe o gosto pela vida num processo de alter e autodestruição que o torna muito infeliz. Ele está sempre muito perto de caluniar quem tiver boa reputação ou de quebrar a vidraça de uma casa melhor que a sua. O invejoso cobiçoso acaba tornando-se um ser antissocial, que olha para os outros por cima do ombro e com olhar oblíquo, cheio de veneno. Ele não acha justo que o outro seja ou tenha o que ele não é nem tem.

A outra inveja, afirmou o Adamastor, é benéfica, saudável. Sem melhor nome, o Adamastor chamou a essa de inveja ambiciosa. O invejoso deste outro tipo vai à luta, está sempre preocupado em aprimorar-se, em ser melhor hoje do que ontem, em mudar sua vida empregando o próprio esforço.

Este invejoso, diferente do outro, é capaz de amar tudo aquilo ou todo aquele que o impulsionam para a frente. E sente-se feliz com o que conquista, por pouco que seja, uma vez que tenha expandido seus próprios limites.

Os progressos de seu vizinho são motivações, são impulsos para que ele também progrida. Ele não quer o que é do outro, como no caso do invejoso cobiçoso, mas acha que também merece e, para tanto, parte para o esforço com esse objetivo.

Tem-se visto muita inveja cobiçosa nos dias que correm, com pessoas que fazem uso de qualquer recurso, geralmente ilegítimo, para se apropriar daquilo que não é seu. Foi a reflexão de meu amigo depois de um longo silêncio, esquecido do chope e do salame.Ele parecia buscar alguma coisa dentro de si.

Por fim, encerrou o assunto de forma lacônica: Mas no capítulo da inveja, fez nova pausa, prefiro ser invejado.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

GESTOS

O sonho de um mundo mais solidário já contabiliza bons sinais. Nem tudo está perdido. O bem se alastra, sem ruído e sem excessiva publicidade. Claro, são necessários mais multiplicadores, entusiastas da vida, promotores do bem comum. Há muito por ser feito. Enquanto isso, meu coração se alegra com pequenas conquistas, merecidos aplausos àqueles que não cansam de fazer o bem, sem exigir holofotes e registros. Carrego comigo uma esperança que não se aquieta e que, em alguns momentos, até incomoda. É maravilhoso constatar a alegria no semblante daqueles que estendem a mão para aliviar a dor do semelhante e, ao mesmo tempo, estão empenhados na transformação das estruturas políticas e econômicas que colocam à margem da dignidade uma parcela crescente da população.

Participar de campanhas que buscam suprir uma necessidade imediata tem se tornado algo bem presente. As pessoas são sensíveis, não deixam de ajudar. Doar algo material é muito importante. Doar, no entanto, sangue, medula, órgãos e tecidos é aproximar ainda mais o divino do humano. Gestos encantadores, expressão de um grande amor à vida. Um morador do interior do Rio Grande do Sul doou medula óssea a uma criança de Istambul, na Turquia. Quando a solidariedade consegue ultrapassar as fronteiras, algo novo está em ebulição. O doador estava cadastrado no banco nacional, que é ligado a uma lista internacional.

Desde 1990, no Hospital Universitário de Santa Maria/RS, transplantes eram realizados apenas entre parentes. Nos últimos anos, mais de dez doadores anônimos também ajudaram pacientes de outros hospitais do país. O envio do material ao exterior é considerado um avanço. Mais de 300 pacientes com câncer já foram salvos graças a transplantes realizados pelo referido hospital. O doador é um homem com menos de 30 anos, morador da Serra gaúcha, que se cadastrou no banco nacional. Ele não pode ser identificado porque a legislação não permite.

A medula óssea, que são células capazes de produzir novas células sanguíneas, foi extraída com uma espécie de seringa dos ossos do quadril. Um procedimento simples, seguro, que salva vidas. Saber que alguém continuou vivendo por causa da doação, é um sentimento nobre, uma alegria com a inspiração da eternidade. Alcançar ao outro, num momento de extrema necessidade, parte do próprio corpo é uma antecipação do céu. Nem tudo está perdido. O amor é uma silenciosa e provocante melodia.

domingo, 12 de junho de 2016

ESCOLHER O NOME DO FILHO

Numa fria noite de quarta-feira decidi perder um pouco de meu tempo para assistir a um jogo da seleção brasileira. Não foi por causa da equipe verde-amarela que, todos sabemos, vai de decadente a despencante. Uns dizem que é pela “má safra” de jogadores. Outros, pela incompetência dos dirigentes. Outros opinam que a culpa é da mediocridade do treinador. Como não sou do mundo do futebol, abstenho-me de dar minha opinião. O fato é que quase ninguém mais perde tempo assistindo aos jogos da seleção.

Mas o jogo daquela quarta tinha algo de especial. O Brasil enfrentaria o Haiti, a poderosa seleção do Caribe que, no ranking da Fifa, aparece em 74º lugar. Narradores e comentaristas repetiam a todo instante o óbvio de que o Brasil com certeza superaria o temível desafio e, para comprovar as habilidades do treinador e dar confiança aos jogadores, venceria por goleada.

O jogo começou morno e a poderosa canarinho mostrava suas deficiências ao ter imensa dificuldade em chegar na área adversária. Minha atenção foi se concentrando nos jogadores brasileiros. Havia dois ou três dos quais já tinha ouvido falar. A maioria, por ter iniciado sua carreira na Europa ou estarem na China, eram-me completamente desconhecidos. Chamou-me a atenção, pelo inusitado da grafia, um jogador chamado Philippe. Pensei nas dificuldades que o rapaz enfrenta no seu dia a dia quando é convidado a dar o seu nome para alguém que tem que escrever. Com certeza, a cada vez, ele é obrigado a dizer: Philippe com “ph” e dois “p”. Não teria ficado tudo mais simples se seus pais o tivessem nomeado, simplesmente, Felipe? Assim, normal, como se escreve em língua portuguesa do Brasil...

Lembrei-me então dos meus colegas que se chamam Wallysson, Wenderson, Jayson, Wellington, Frankinsen, Alliweriton, Richarlisson ou Wenkley, só para citar alguns exemplos no masculino. Que passaria na cabeça dos pais quando registraram seus filhos com esses nomes?

Sem falar, é claro, dos nomes que se tornam epidêmicos por causa de algum personagem de novela. Encontrei uma menina há poucos dias que leva o nome de Amora. De onde tiraram isso? De uma novela das seis... Imagina daqui a 20 anos, quando ela, já moça, na universidade, for chamada pela professora: Amora! O bulling será inevitável... Culpa de quem? Dos pais, evidentemente, que acreditaram que Amora é nome de gente e não de fruta.

Por outro lado, há nomes estranhos que são significativos. Um colega historiador batizou seu filho como Artigas, o Pai da Pátria uruguaia que liderou a formação do primeiro estado laico e livre da escravidão na América Latina. Um outro deu à filha o nome de Dandara, a líder do quilombo de Palmares que, ao lado de Zumbi, lutou pela libertação dos negros escravizados no Brasil. São nomes que, mesmo não habituais, são significativos.

Pensando no momento atual da política brasileira e no filho que eu não vou ter, será que, daqui há vinte anos, ele teria orgulho em ser chamado de Aécio, Cunha, Temer Renan, Jucá ou Dilma? O futuro dirá...

sexta-feira, 10 de junho de 2016

QUEM VOCÊ AMA?

Quem você ama? A namorada/o, a esposa/o, o pai e a mãe, os irmãos? Ou os outros, os de fora do teu círculo de parentesco e afeto por dever sanguíneo? Quem você ama, diz de você! Se você quer conhecer bem uma pessoa, pergunte a ela quem ela ama. E porque ela a ama. Quem amamos, diz de nós. O amor nos define. O amor nos dá identidade. O amor, o amor, o amor! Nesse dia dos namorados que se aproxima, por que não pensar o amor?

Não se racionaliza o amor. Ou se ama, ou não se ama. Melhor seria amar do que falar sobre o amor, claro. Mas, não somos proibidos de pensar o que fazemos. E quando bem pensamos o amor, caímos na conta de que há três formas, todas elas nobres: o amor Filia, o amor Eros e o amor Ágape.

Amor filia é o amor de amizade. Quem encontra um amigo, encontra um tesouro, diz o clássico provérbio. A amizade é uma alma em dois corpos, dizia Aristóteles. Aristóteles, o filósofo que melhor pensou a filia dizia que nós somos amigos de alguém por três razões: a) por interesse; b) pelo agradável que a companhia do outro nos é; c) pelo bem que o outro porta em si. Não somos amigos de quem nos causa mal, nos é inconveniente, sem graça e sem nos dar algo em retorno. E mais, a amizade exige reciprocidade, fidelidade e não-exclusividade. Não dá para ser amigo de quem não é nosso amigo. Eu não posso ser amigo de quem não me considera amigo. Amizade exige reciprocidade. Pense num amigo teu e verás que a recíproca é verdadeira. Não posso dizer de alguém que é meu amigo se ele não te considerar amigo seu. E, por fim, a amizade não é ciumenta. Não exige exclusividade. Os amigos têm amigos e a amizade não se importa.

O amor erótico, por sua vez, têm uma outra dinâmica. Se a amizade a gente alimenta ou deixa de existir e, portanto, tem um grau de escolha, o amor erótico não tem escolha, ele é que nos escolhe. Quem ama eroticamente, vive se perdendo, pois o peso de si está no outro. O amor erótico é o amor de atração que implica preferência e exigência sexual. Quem ama eroticamente deseja o outro. Deseja como seu, somente seu, desejando se apossar do corpo do outro. Por isso o amor erótico é ciumento, exclusivo e, às vezes, até violento, quando não correspondido. Diferentemente do amor amizade, o amor erótico não exige reciprocidade podendo amar sem ser amado ou ser amado sem amar. O amor platônico é prova disso...

O amor ágape, também conhecido como o amor cristão ou amor de caridade é de outra matriz e dinâmica. Não é interesseiro como o amor filia, não é exclusivo e ciumento como o amor erótico, e não exige reciprocidade ou agradabilidade. A prova do amor cristão é a gratuidade, a universalidade e a preferencialidade pelos mais vulneráveis. Amor as bonitas e o bonitos e amar os que nos são agradáveis e nos dão retorno, é fácil, difícil é amar os feios/as e os pobres. Pior ainda, amar os inimigos. Por isso o amor ágape é um dever. Tu deves amar o próximo! Aos olhos da razão, o amor cristão é um paradoxo!

De qualquer forma, as três formas de amor têm legitimidade e nobreza. Quem ama se humaniza e se eleva acima dos brutos. Os brutos são os que só pensam em si e se utilizam do outro para seu único e exclusivo interesse próprio. Os brutos e egoístas, aqueles que não transcendem ao ego, são os mais infelizes dos humanos e possivelmente são os que tornam os outros mais infelizes. Se o amor nos diz quem somos, a sua falta também nos diz quem somos: brutos e egoístas! Ame, namore e se apaixone, nem que seja por um rato, ou uma árvore, pois só quem ama merece verdadeiramente viver!

quinta-feira, 9 de junho de 2016

DEUS EXISTE

É comum boa parte da humanidade referir-se a Deus em suas conversas, debates e reflexões. Nisto há uma relação estreita entre os homens e Deus, que mostra como Deus está presente na história das pessoas. Logo, na verdade, Deus não está incógnito. Chegar ao verdadeiro conceito de Deus é tarefa da vida e da teologia . Portanto, quem é ele?

Por quase todas as religiões e pessoas, Deus é designado como todo-poderoso, misterioso, sagrado, do qual o ser humano depende. Neste conceito Deus se distingue do ser humano por não estar sujeito à mortalidade ou às limitações de espaço e de tempo. Deus é imortal. Nenhuma pessoa tem qualidades sobrenaturais para tal. Nesta condição de dependência do ser humano, o fundamental é estar em paz com Deus. Justamente em razão de sua benevolência ou por estar sob o comando divino. Boa parte do esforço religioso é para estar em paz com a divindade a fim de obter o favor de Deus. Em outras palavras, a missão religiosa é para obter a bênção. Nesta relação de dependência se espera felicidade, bem-estar e salvação vinda da parte de Deus. Em suma, esta relação exige do homem respeito, vontade de cumprir suas leis e obediência aos mandamentos. Exige ter uma relação e um comportamento que fuja das maldições de Deus.

Contudo, este conceito de Deus é ambíguo, pois são inúmeras as imagens que se faz de Deus. Também são inúmeras as experiências da divindade. Algo não corresponde ao verdadeiro conceito e mostra fragilidade da ideia e da experiência de Deus. As imagens que se faz de Deus estão cheias de expectativas, anseios, interesses do ser humano. Isto é tão real que entre as teologias e as religiões não há unanimidade na conceituação de Deus.

Veja-se que em matéria de divindade é possível apontar muitos termos. Como o teísmo, doutrina que afirma a existência de uma só divindade de caráter pessoal e transcendente que mantém relação soberana com o universo e com a criatura humana. Há a experiência do politeísmo, crença que admite mais do que um deus. O chamado panteísmo entende haver uma plena identificação entre Deus e o universo, sendo uma única realidade interligada. O conceito de monoteísmo crê na existência de uma única divindade. Existem outros termos de conceituação, como, por exemplo, ateísmo (não crer em Deus) e henoteísmo (culto a um só Deus, mas que admite a existência de deuses inferiores). E ainda se fala de “energia positiva”, de “orixá” ou “gaia”. A sociedade multicultural do terceiro milênio ou do século XXI faz renascer o termo politeísmo. É incontroverso que dessa cultura resulta uma imagem mutilada e deformada de Deus, pois por esse caminho o ser humano cria Deus conforme sua razão e crença. De tudo isto, algo é certo: Deus existe.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

NÃO GUARDE NADA PARA UM DIA ESPECIAL

Esta história foi-me enviada por um amigo. Não sei onde aconteceu, nem os nomes dos personagens. O certo é que tenho recordado este fato uma dezena de vezes nas últimas semanas. Algumas vezes com remorso, outras vezes como desafio.

A história é esta: Meu cunhado abriu a gaveta da cômoda de minha irmã e tirou um pacote e disse: esta é uma blusa de seda, feita à mão e com fino acabamento de renda. A etiqueta, com um preço muito alto, ainda estava pendurada. E explicou: Luiza comprou isso numa viagem há oito anos. Nunca a usou. Estava guardando para uma ocasião especial. Colocou-a em cima da cama, com as outras roupas que íamos levar para a casa mortuária. Segurou a macia roupa por uns momentos, fechou a gaveta e disse: nunca guarde nada para uma ocasião especial.

O que é mesmo uma ocasião especial? E vamos jogando as ocasiões especiais para o futuro. E assim a vida passa. É uma roupa que não foi usada, uma viagem que não foi feita, um livro que não foi lido, um abraço que não foi dado, um elogio que nunca foi externado, até mesmo um fino licor que não foi bebido. Tudo à espera de uma ocasião especial.

Por vezes nos questionamos sobre isso e decidimos que “num dia desses” colocaremos em prática nossos projetos. E o tempo continua passando. Alguém dia ou num dia desses são coisas demais abstratas.

Independente do dia da semana ou do mês, hoje é uma ocasião especial. Todo o dia é uma ocasião especial desde que você decida. Use aquela camisa bonita para ir ao supermercado, coloque umas gotas do perfume preferido para ir trabalhar, planeje o que fazer com sua poupança, convide amigos para jantar. Hoje é uma ocasião especial.

As coisas guardadas não são suas, as roupas saem da moda. Poucas coisas duram para sempre e o ser humano é uma delas.

E por isso, hoje assumo o compromisso de nada adiar ou nada guardar o que pode dar alegria aos demais. E todas as manhãs, quando acordar, direi a mim mesmo: hoje é uma ocasião especial. Cada dia é único. E por isso preciso viver com intensidade.

Se você acha que uma coisa vale a pena, faça-a agora. Cada dia é um presente de Deus e não posso guardá-lo para amanhã, mesmo porque não há estoques de dias e minutos poupados. Eles se perdem para sempre.

Hoje é uma ocasião especial. Não deixe nada para amanhã. Ame, vibre, cante, festeje, faça felizes os demais. Libere a sua ternura, estenda a mão, sorria, abrace. A vida é curta demais para não ser vivida com intensidade. Hoje é uma ocasião especial.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

CARDEAL AMARELO, AVE CONSIDERADA EXTINTA É ENCONTRADA NO RS.


Pássaro: visto na Serra Sudeste do RS
Depois de 15 anos tido como extinto, foi encontrado um cardeal-amarelo (Gubernatrix cristata). O fenômeno aconteceu durante uma expedição da equipe da secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do RS à região da fronteira com o Uruguai, no início de maio.

É a primeira vez, em mais de uma década, que um macho adulto da espécie é fotografado e filmado em seu ambiente natural. Na oportunidade, os pesquisadores capturaram o pássaro, coletaram amostras para análises genéticas e fizeram uma marcação que permite monitorá-lo.

O cardeal-amarelo é um dos pássaros mais ameaçados de extinção do Brasil. A única população conhecida da ave vive no Parque Estadual do Espinilho e arredores, no extremo oeste do Rio Grande do Sul.

A estimativa do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), é que existam cerca de 50 aves da espécie em todo o território brasileiro.

O FIM DO BRASIL

Nesta semana, o presidente interino e ilegítimo Michel Temer, em solenidade no Palácio do Planalto, teve a desfaçatez de dizer o seguinte: "Aqui, devo dizer aquilo que em momentos de dificuldades se diz: nós teremos sacrifícios”. Os “sacrifícios” proclamados por Temer são seletivos: pretende-se acabar com os direitos dos trabalhadores e mais pobres em benefício dos financistas e rentistas.

Uma das principais medidas do programa de “sacrifícios” de Temer foi anunciado na semana passada, pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, de estabelecer um limite máximo para os gastos primários do governo federal. Querem escrever na Constituição a seguinte regra: o governo federal poderá aumentar os seus gastos primários no máximo de acordo com a inflação do ano anterior.

Isso seria um desastre; é uma regra antissocial. Cabe uma simulação do que teria ocorrido nos últimos dez anos nas áreas da saúde e da educação se fosse aplicada a regra Temer-Meirelles.

Vejam a seguinte tabela: Tabela: Gastos efetivos do governo federal em Saúde e Educação no período 2006-2015 e simulação dos mesmos gastos na regra Temer-Meirelles – Em bilhões de Reais


Além disso, ano a ano, o gasto nessas áreas teria sido muito menor se tivesse valido a regra antissocial da dupla Temer-Meirelles. Em termos nominais, a perda na área da saúde de 2006 a 2015 teria sido de R$ 178,8 bi e, na educação, R$ 321,3 bi. Explicando: Em 2006, o governo Lula investiu em saúde o montante de R$ 40,6 bi e, em 2015, o governo Dilma alcançou o valor de R$ 102,1 bi. Se fosse adotada a regra antissocial Temer-Meirelles, o orçamento da saúde teria sido, em 2015, R$ 65,2 bi, ou seja, um orçamento 36% menor. Na educação, o orçamento de 2015 foi de R$ 103,8 bi. Na regra antissocial, teria sido de apenas R$ 31,5 bi – um orçamento 70% menor.

O que eles querem, de verdade, é o fim do Estado brasileiro e dos direitos sociais. Não passarão.

sábado, 4 de junho de 2016

FALANDO EM CULTURA...

A vida humana se constitui de cultura. Só se compreende as pessoas dentro de uma cultura. A própria sociedade se define pela sua cultura. O mundo está caracterizado por sua diversidade cultural. Todos estão relacionados à cultura. Em cada comunidade existe um centro cultural orientador. A cultura é a roupagem do ser humano. Por conseguinte, o crescimento humano está ligado às possibilidades de adaptar-se e recriar a cultura. Em contexto globalizado e banalizado pelas redes virtuais, promover a cultura representa uma tarefa que exige esforço.

O termo cultura, no sentido latino, significa agricultura. Na Idade Média sempre se acrescentava ao termo um genitivo específico quando não se fazia referência específica à agricultura. Dessa forma acrescentava-se ao termo cultura animi ou cultura do espírito, a cultura christianae religionis ou a cultura da religião cristã. Na acepção moderna o primeiro a usar o termo cultura foi Samuel Pufendorf (1632-1694). Fez isto ao comparar o status naturae, estado de natureza, e o status culturae, o estado de cultura do ser humano. Neste sentido, a palavra cultura vem sempre com a Paideia, ou educação da humanidade. Então, a cultura é a expressão do que o ser humano faz com a natureza que o cerca e o processo dos efeitos ativos dessas moldagens. A palavra moldagem pode ser insuficiente para compreender a cultura como esforço humano. Na antropologia moderna a cultura cumpre e confirma o homo creator, ou seja, o ser humano criador. Em outras palavras, a cultura é campo do desenvolvimento humano.

O ser humano é um ente cultural que projeta atitudes positivas e negativas nas moldagens das relações entre indivíduos e sociedade. Por estar a pessoa repleta de dinâmicas históricas entre irrupção e desaparecimento de orientações culturais, tudo que pensa e faz está relacionado à cultura. Pois a cultura é configuração integral na medida de coesão e de elementos diversos de noções e valores centrais. Então, a cultura significa uma ação de se orientar por noções e valores que operam dentro de um padrão sócio cultural.

A civilização é um processo que se evidencia no fato dos indivíduos e a coletividade serem determinados culturalmente pelo bem-estar do conjunto. A configuração da cultura é sempre decisiva para o desenvolvimento do ser humano. Neste sentido a cultura constitui-se um ideal de compreensão ética e de um pensamento formulado numa civilização que reivindica uma justa relação com o restante do mundo. Dessa forma, a cultura não está limitada a um departamento, mas faz parte da totalidade dos sistemas sociais e é uma identidade do ser humano.

Com tantas crenças, ideologias e comportamentos disseminados por redes virtuais, e a possibilidade de livre-arbítrio, na globalização existe o risco de esvaziamento das culturas, fato que não deve ser ignorado. Algo que até pouco tempo era natural na transmissão cultural regional, por exemplo, hoje é tarefa que requer algum esforço. A possibilidade de um futuro humano de paz e de respeito se descreve pela grandeza cultural dos indivíduos e das sociedades.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

RELÓGIO E RELOJOEIRO

O universo me encanta. Não posso admitir a existência de um relógio sem que exista o relojoeiro. Este ato de fé não partiu de um camponês ou de um santo. Foi proferido por François Marie Arouet, mais conhecido por Voltaire, filósofo iluminista francês, que procurou ridicularizar a religião e o sagrado. Um compatriota seu, Blaise Pascal, garantia: a pouca ciência afasta de Deus, a muita ciência dele nos aproxima. O crente começa por Deus, o cientista termina em Deus.

Os escritores James e Priscila Tucker abordam a harmonia do universo, num livro que tem como título As lições de Deus na natureza. Todo mundo sabe que o planeta Terra gira ao redor do Sol. A órbita da Terra, ao redor do Sol, é extremamente exata. Enquanto se move através do espaço, esta bola gigantesca de rocha, terra, água e outros elementos também gira ao redor de si como um pião. Seu giro ao redor do Sol tem a duração de um ano. Numa linha imaginária e perfeita.

Porém, os astrônomos, com o avanço da técnica e da ciência, deram-se conta de um desvio, pequeno, mas preocupante. A Terra tem um diâmetro de 40 mil quilômetros e, por alguma influência, se afasta de sua órbita cerca de 2,8 milímetros a cada 28 quilômetros. Isto significa um centímetro a cada 100 quilômetros.

Longe de levar para a catástrofe, esses dois milímetros possibilitam a vida sobre a Terra. Se, por exemplo, ela aumentasse o desvio de 2,8 para 3,0 milímetros a cada 28 quilômetros, morreríamos todos queimados pelo sol. Se o desvio diminuísse para 2,5 ml a cada 28 quilômetros, morreríamos todos congelados. Para que a vida possa continuar na Terra, sua órbita deve desviar-se levemente de uma reta, exatamente, 2,8 milímetros a cada 28 quilômetros de sua órbita solar.

Estas e outras descobertas fizeram, Wernher von Braun (1912-1977) um dos maiores gênios do nosso tempo, admitir: quando a ciência faz uma descoberta, encontra Deus lá. Ele detalhava: nos orgulhamos das nossas descobertas em astronomia e física e não podemos ignorar quem fez tudo isso. A mesma harmonia do universo se revela até no inseto e na pequena e escondida flor do campo.

Cada descoberta nos obriga a admitir: e Deus tinha razão. Este Deus que fez leis tão perfeitas para os espaços siderais, povoados de esferas gigantescas e extremamente velozes, é o mesmo Deus que nos deu os Dez Mandamentos. Os mandamentos não são ordens ou proibições, mas caminhos de felicidade. Porque Ele nos conhece e ama, nos deu leis tão perfeitas.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

ALEM DO QUE SE VÊ



Um jovem de 24 anos, olhando pela janela do trem, gritou: “Pai, olha as árvores andando para trás!” O pai sorriu serenamente. Um casal, que estava sentado no banco ao lado, olhou com piedade para o comportamento infantil daquele rapaz. Após alguns minutos, o rapaz novamente exclamou: “Pai, veja as nuvens correndo com a gente!” O casal não resistiu. Pensando que o rapaz era mentalmente deficiente, disseram para aquele velho pai: “Por que o senhor não o leva a um bom médico?" O velho pai sorriu e disse: “Acabamos de sair do hospital. Meu filho era cego de nascença e acabou de recuperar, hoje, a visão.” O casal simplesmente inclinou a cabeça, sem esboçar nenhuma palavra.

A facilidade de emitir julgamento parece estar arraigada no coração humano. Uma simples atitude é suficiente para que rapidamente se formule uma opinião ou se faça um comentário a respeito de outra pessoa. A grande maioria desconsidera que cada um tem uma história de vida. Não poucas vezes o que os olhos veem e os ouvidos ouvem não coincidem com a realidade existencial. Cada pessoa é um mundo, cada história tem um contexto. Nem sempre as atitudes revelam a real identidade de uma pessoa.

A prudência em multiplicar palavras em relação aos outros deveria fazer parte do cotidiano. A liberdade de expressão é uma conquista histórica. Porém, o compromisso com a verdade está acima de qualquer parecer. As relações humanas seriam diferentes se não fossem proferidos tantos comentários desnecessários a respeito dos outros. Desentendimentos e distanciamentos continuam sendo provocados pelos equívocos em interpretar as atitudes alheias. Como tudo seria diferente se houvesse uma certa lentidão em tentar interpretar as palavras e atitudes dos conhecidos e, também, dos desconhecidos.

Evitar o julgamento é um princípio norteador da boa convivência. Antes de emitir qualquer parecer, é necessário conhecer um pouco do mundo que cada um carrega consigo. Mesmo que se tenha um contato mais próximo, ainda assim é impossível compreender o universo que rege a vida das pessoas. Histórias de desentendimentos, em decorrência do hábito de julgar, relatam incontáveis malefícios. Nada justifica a prática do julgamento. Quem não julga os outros, vive melhor consigo mesmo e deixa alegres marcas por onde passa.