terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

A VOLTA AO PÓ

O ser humano necessita de símbolos e sinais. Os diferentes momentos da vida são solenizados com rituais. O sentimento é de elevação, de eliminação da distância entre o céu e a terra. Um momento especial é a Quarta-Feira de Cinzas.
Nos bastidores, com antecedência, os ramos abençoados de oliveira são queimados e a cinza é peneirada para, depois, assinalar a testa dos cristãos, no início da Quaresma. Algo muito simples, mas milenar. As palavras proferidas, no instante da imposição das cinzas, recordam que viemos do pó e ao pó retornaremos. Quando escutamos e não refletimos, quase nos assustamos. Mas é algo simples e verdadeiramente profundo: um dia retornaremos ao pó.

As cinzas à testa convidam à humildade, no contínuo abandono do orgulho e da autossuficiência. Recordar que a vida passa, não deve ser motivo de angústia e tristeza. Pelo contrário, até chegar ao pó, há um longo caminho que aguarda por significado. O término não compromete o entusiasmo, quando os motivos que fazem viver não são deixados no esquecimento. Todos serão pó, um dia. Mas todos podem, no decorrer dos dias, viver de tal forma, ao ponto de tornar o pó relativo.

O bem realizado não é consumido pelas chamas, o amor dedicado não perece com o fogo que arde. As cinzas, no início desse período de 40 dias que antecedem a Páscoa, não deixam de ser um instigante convite à autenticidade e à vivência intensa da caridade. Que o ódio e a vingança se transformem em pó para deixar expandir a espiritualidade e o amor. Um coração novo para um novo tempo. Abençoada Quaresma!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

SIMBOLOS

Em continuidade à reflexão sobre alguns símbolos religiosos que representam a felicidade das pessoas, vale ressaltar o significado das flores, do véu e do beijo. O imensurável valor da vida em seu estado de felicidade ou tristeza pode ser expresso em símbolos. Atualmente há uma proliferação de símbolos. Porém, nem todos representam o perene, estável e duradouro.

Da felicidade e da solidariedade depende a qualidade de vida, o futuro da humanidade e do planeta. Pensar em felicidade e solidariedade sem propor novos conteúdos para a superação da crise econômica e política mundial soa como ignorância. A realidade confirma que a livre economia, a política neoliberal e o poder plutocrático não têm a última palavra. A economia sob o comando do mercado só acumula em poucas mãos e provoca um cenário mundial de exclusão. Os representantes da política tendem a ampliar a crise mundial. Diante disto não é exagero pensar que a felicidade das pessoas e o futuro da humanidade e do planeta sentem-se ameaçados.

Na complexidade da crise mundial é impossível explicar em linguagem as consequências disto tudo para a felicidade das pessoas e para o futuro da humanidade e do planeta. Nossa felicidade, o futuro da humanidade e do planeta depende do modo que o mundo e a vida estão organizados. Por isto é importante a existência de um sistema que, em função do bem comum, funcione e oriente à ordem social.

No sistema religioso surgiram símbolos buscando entender e orientar as pessoas para o bem individual e comum. O anel ou aliança representavam o elo entre a condição real, material e espiritual das pessoas. Para conseguir tais fins, como a felicidade, muitos ao dispor-se a essa condição de vida e de relação humana gravavam o nome dos amados na aliança.

Na real, o mais significativo em qualquer ser humano é sua felicidade. A felicidade ocupa o centro das relações humanas. As alianças são um sinal disto, como mostra a tradição dos anéis de noivado de brilhante para representar a solidez do relacionamento. Em prol da felicidade dos cônjuges, surgiu também o primeiro beijo em público na cerimônia de noivado e as noivas passaram a usar na cabeça flores como buquês. As flores representavam a felicidade e a vida longa, e os espinhos afastariam os maus espíritos. Posteriormente substituiu-se a coroa com espinhos pelo véu, em referência à deusa greco-romana Vesta, protetora do lar, simbolizando a honestidade e a pureza, virtudes imprescindíveis para uma boa prole e a continuação do “sangue”. Deste universo simbólico religioso, o mais eloquente e significativo é ensinar que da felicidade e da relação humana dependem muitas coisas, inclusive o futuro de todos e do planeta.

COISAS DA NOSSA ERA

Por que tanto ódio nas redes sociais? Por que muitos expõem ali o que há neles de mais perverso e maldoso? Agora, o adversário vira inimigo; o opositor, desafeto; o diferente, antagônico. A razão naufraga sob o niilismo exacerbado e a emoção explode à flor da pele em surpreendente ferocidade.

Freud, em “O mal-estar na cultura”, frisa que a vida em sociedade nos induz a reprimir as pulsões. O outro é o nosso limite. E Lacan nos faz entender que, na tensão entre a pulsão e a cultura, não temos outro recurso além da linguagem. E ela é sempre dúbia. Assim, na vida social, como no trânsito, somos capazes de ler a sinalização e procuramos nos conduzir de modo a evitar acidentes.

As redes sociais, no entanto, são o somatório de individualidades recolhidas a seus respectivos nichos ou trincheiras. Muitos se encastelam no próprio ego e perdem horas no pingue-pongue narcísico em torno de vidas alheias. Não comunicam ideia, sugestão ou atividade. Apenas praticam o onanismo cibernético.

O outro deixa de ser real. É virtual. E o emissor canibal já não precisa conter as suas pulsões e moderar a sua linguagem. Julga-se inatingível. Acima de qualquer padrão civilizatório, capaz de ditar regras de educação recíproca, ele se arvora em juiz implacável com direito de ofender e ridicularizar os réus de suas amargas emoções.

Na infovia, o ego implode o superego e abre o canal para que venham à tona as pulsões mais primitivas. O assassino virtual promove a morte simbólica de todos que estão focados no alvo de seu ódio: Marisa Letícia; Maria Júlia Coutinho; Leonardo Vieira; réus da Lava Jato etc. A diferença é que não aperta o gatilho, apenas digita.

Esse gozo pulsional, que impele à satisfação imediata, ignora toda escala de valores. E infantiliza, faz a pessoa retroceder à fase da irresponsabilidade. Destitui-se o sujeito racional que ela deveria ser. As “feras” do inconsciente afloram. O réptil que habita cada um de nós expele, enfim, o seu veneno.

O sujeito racional exerce vigilância sobre si mesmo e delega poderes às instituições (judiciais, policiais etc.) que têm por função assegurar à sociedade um mínimo de harmonia. Essa repressão cria as condições de sublimação e, portanto, de cultura e civilidade. Sem ela, o outro se torna objeto de abjeção.

Não podemos saciar todos os nossos desejos. Os limites são intrínsecos à nossa liberdade, que se funda nas opções, nas escolhas, e não na pulsão. Porém, na era pós-civilidade o inconsciente se vê livre de suas amarras e rejeita a sublimação. Isso favorece a postura anti-humanista de desprezo pelos direitos humanos e pela democracia.

É hora de famílias, escolas e outras instituições sociais cuidarem da educação digital das novas gerações. Não basta dominar as novas tecnologias. Elas são apenas ferramentas. Uma sociedade de conhecimento se constrói com conteúdos humanísticos respaldados pela ética e pela globalização da solidariedade. Sem avançar nessa direção, corremos o risco de inviabilizar o projeto de uma humanidade ancorada na justiça e vocacionada à paz.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

NAQUELE DIA EU NASCI

Achei que estava vivo, andava, respirava, me alimentava, dormia e, acima de tudo, respeitava as regras dos outros; acatava tudo e obedecia a todos, considerava-os excessivamente mais importantes do que eu mesma. Minhas opiniões e minhas regras passavam pelo endereço dos outros, além do que podia absorver como construção emocional. Todas as regras ecoavam como voz do outro, ou será que era a minha?

Não me sentia em condições de pensar, direcionar meus sonhos ou ter o poder de ter opinião. Não tinha voz e, consequentemente, nem direção própria. Incluía-me nas regras dos outros, e assumia a direção que os outros consideravam adequada para mim. Perambulava pela vida: ia para qualquer lugar e qualquer caminho servia.

Como marionete ensaiava movimentos de ter meus próprios conceitos, de achar a minha direção, para apenas espelhar-me nos outros, não absorvê-los.

Até que naquele dia, um dia qualquer de primavera, resolvi olhar para mim e para a minha vida e nasci por mim mesmo, de dentro para fora, com a força de movimentos pensados e emocionalmente ensaiados por longo tempo. Vivenciava as perturbações, contradições e dificuldades que aquele momento mantinha. O endereço do outro é bom para me oferecer colo, não para estacionar.

Minha jornada teve início quando resolvi olhar-me intimamente, procurei meu próprio lugar dentro de mim. Achei, através do endereço do outro meu próprio lugar; encontrei uma nova direção!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

CONVIVER

A onda de ódio que grassa no mundo, claramente no Brasil, as discriminações contra afrodescendentes, nordestinos, indígenas, mulheres, LGBT e membros do PT sem falar dos refugianos e imigrantes rejeitados na Europa e pelas medidas autoritárias do presidente Donald Trump contra imigrantes muçulmanos, estão rasgando o tecido social da convivência humana a nível nacional e internacional.

A convivência é um dado essencial de nossa natureza, enquanto humanos, pois nós não existimos, co-existimos, não vivemos, convivemos. Quando se dilaceram as relações de convivência algo de inumano e violento acontece na sociedade e em geral em nossa civilização em franca decadência.

A cultura do capital hoje globalizada não oferece incentivos para cultivarmos o “nós” da convivência, mas enfatiza o “eu” do individualismo em todos os campos. A expressão maior deste individualismo coletivo é a palavra de Trump:”em primeiro lugar (first) os USA” que bem interpretada é “só (only) os USA.”

Precisamos resgatar a convivência de todos com todos que moramos numa mesma Casa Comum, pois temos uma origem e um destino comuns. Divididos e discriminados percorreremos um caminho que poderá ser trágrico para nós e para a vida na Terra.

Notoriamente a palavra “convivência”como reconhecem pesquisadores estrangeiros (por exemplo um acadêmico alemão, T. Sundermeier, Konvivenz und Differenz,1995) tem seu nascedouro em duas fontes brasileiras: na pedagogia de Paulo Freire e nas Comunidades Eclesiais de Base.

Paulo Freire parte da convicção de que a divisão mestre/aluno não é originária. Originária é a comunidade aprendente, onde todos se relacionam com todos e todos aprendem uns dos outros, convivendo e trocando saberes. Nas CEBs é essencial o espírito comunitário a e convivência igualitária de todos os participantes. Mesmo o bispo e os padres sentam-se juntos na mesma roda e todos falam e decidem. Nem sempre o bispo tem a última palavra.

Que é a convivência? A própria falavra contem em si o seu significado: deriva de conviver que significa conduzir a vida junto com outros, participando dinamicamente da vida deles, de suas lutas, avanços e retrocessos. Nessa convivência se dá o aprendizado real como construção coletiva do saber, da visão do mundo, dos valores que orientam a vida e das utopias que mentém aberto o futuro.

A convivência não anula as diferenças. Ao contrário, é a capacidade de acolhê-lhas, deixá-las ser diferentes e mesmo assim viver com elas e não apesar delas. A convivência só surge a partir da relativização das diferenças em favor dos pontos em comum. Então surge a convergência necessária, base concreta para uma convivência pacífica, embora sempre haja níveis de tensão, por causa das legítimas diferenças.

Vejamos alguns passos rumo à convivência:

Em primeiro lugar, superar a estranheza pelo fato de alguém não ser de nosso mundo. Logo perguntamos: de onde vem? Que veio fazer? Não devemos criar constrangimentos, nem enquadrar o estranho mas acolhe-lo cordialmente.

Em segundo lugar, evitar fazer-se logo uma imagem do outro e dar lugar a algum preconceito (se é negro, muçulmano, pobre). É difícil mas é incondicional para a convivência. Enstein bem dizia: “é mais fácil desintegrar um átomo do que tirar um preconceito da cabeça de alguém”. Mas podemos tirar.

Em terceiro lugar, procurar construir uma ponte com o diferente que se faz pela pelo diálogo e pela compreensão de sua situação.

Em quarto lugar, é fundamental conhecer a língua ou rudimentos dela. Se não for possível, prestar atenção aos símbolos pois revelam, geralmente, mais que as palavras. Eles falam do profundo dele e do nosso.

Por ultimo, esforçar-se para fazer do estranho um companheiro (com quem se comparte o pão) de quem se procura conhecer sua história e seus sonhos. Ajudá-lo a sentir-se inserido e não excluído. O ideal é faze-lo um alidado na caminhada do povo e daquela terra que o acolheu, pelo trabalho e convivência.

Acrescentamos ainda que não se deve restringir à convivência apenas à dimensão humana. Ela possui uma dimensão terrenal e cósmica. Trata-se de conviver com a natureza e seus ritmos e dar-se conta de que somos parte do universo e de suas energias que a cada momento nos atravessam.

A convivência poderá fazer da geosociedade menos centrada sobre si mesma e mais aberta para cima e para frente, menos materialista e mais humanizada, um espaço social no qual seja menos difícil a convivência e a alegria de conviver.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

O FILHO PRÓDIGO (3) - A COMPARAÇÃO.


Comparando o Brasil de 2002 ao de 2013, segundo a OMS, a ONU, o Banco Mundial, o IBGE, o Unicef etc...
1. Produto Interno Bruto
:

2002 – R$ 1,48 trilhões

2013 – R$ 4,84 trilhões

2. PIB per capita:

2002 – R$ 7,6 mil

2013 – R$ 24,1 mil

3. Dívida líquida do setor público:

2002 – 60% do PIB

2013 – 34% do PIB

4. Lucro do BNDES:

2002 – R$ 550 milhões

2013 – R$ 8,15 bilhões

5. Lucro do Banco do Brasil:


2002 – R$ 2 bilhões

2013 – R$ 15,8 bilhões

6. Lucro da Caixa Econômica Federal:

2002 – R$ 1,1 bilhões

2013 – R$ 6,7 bilhões

7. Produção de veículos:

2002 – 1,8 milhões

2013 – 3,7 milhões

8. Safra Agrícola:

2002 – 97 milhões de toneladas

2013 – 188 milhões de toneladas

9. Investimento Estrangeiro Direto:

2002 – 16,6 bilhões de dólares

2013 – 64 bilhões de dólares

10. Reservas Internacionais:

2002 – 37 bilhões de dólares

2013 – 375,8 bilhões de dólares

11. Índice Bovespa:

2002 – 11.268 pontos

2013 – 51.507 pontos

12. Empregos Gerados:

Governo FHC – 627 mil/ano

Governos Lula e Dilma – 1,79 milhões/ano

13. Taxa de Desemprego:

2002 – 12,2%

2013 – 5,4%

14. Valor de Mercado da Petrobras:

2002 – R$ 15,5 bilhões

2014 – R$ 104,9 bilhões

15. Lucro médio da Petrobras:

Governo FHC – R$ 4,2 bilhões/ano

Governos Lula e Dilma – R$ 25,6 bilhões/ano

16. Falências Requeridas em Média/ano:


Governo FHC – 25.587

Governos Lula e Dilma – 5.795

17. Salário Mínimo:

2002 – R$ 200 (1,42 cestas básicas)

2014 – R$ 724 (2,24 cestas básicas)

18. Dívida Externa em Relação às Reservas:

2002 – 557%

2014 – 81%

19. Posição entre as Economias do Mundo:

2002 – 13ª

2014 – 7ª
20. PROUNI – 1,2 milhões de bolsas

21. Salário Mínimo Convertido em Dólares:

2002 – 86,21

2014 – 305,00

22. Passagens Aéreas Vendidas:

2002 – 33 milhões

2013 – 100 milhões

23. Exportações:

2002 – 60,3 bilhões de dólares

2013 – 242 bilhões de dólares

24. Inflação Anual Média:

Governo FHC – 9,1%

Governos Lula e Dilma – 5,8%

25. PRONATEC – 6 Milhões de pessoas

26. Taxa Selic:

2002 – 18,9%

2012 – 8,5%

27. FIES – 1,3 milhões de pessoas com financiamento universitário

28. Minha Casa Minha Vida – 1,5 milhões de famílias beneficiadas

29. Luz Para Todos – 9,5 milhões de pessoas beneficiadas

30. Capacidade Energética:


2001 – 74.800 MW

2013 – 122.900 MW

31. Criação de 6.427 creches

32. Ciência Sem Fronteiras – 100 mil beneficiados

33. Mais Médicos (Aproximadamente 14 mil novos profissionais): 50 milhões de beneficiados


34. Brasil Sem Miséria – Retirou 22 milhões da extrema pobreza

35. Criação de Universidades Federais:

Governos Lula e Dilma – 18

Governo FHC – zero

36. Criação de Escolas Técnicas:

Governos Lula e Dilma – 214

Governo FHC – 0

De 1500 até 1994 – 140

37. Desigualdade Social:

Governo FHC – Queda de 2,2%

Governo PT – Queda de 11,4%

38. Produtividade:

Governo FHC – Aumento de 0,3%

Governos Lula e Dilma – Aumento de 13,2%

39. Taxa de Pobreza:

2002 – 34%

2012 – 15%

40. Taxa de Extrema Pobreza:

2003 – 15%

2012 – 5,2%

41. Índice de Desenvolvimento Humano:


2000 – 0,669

2005 – 0,699

2012 – 0,730

42. Mortalidade Infantil:

2002 – 25,3 em 1000 nascidos vivos

2012 – 12,9 em 1000 nascidos vivos

43. Gastos Públicos em Saúde:

2002 – R$ 28 bilhões

2013 – R$ 106 bilhões

44. Gastos Públicos em Educação:

2002 – R$ 17 bilhões

2013 – R$ 94 bilhões


45. Estudantes no Ensino Superior:

2003 – 583.800

2012 – 1.087.400

46. Risco Brasil (IPEA):

2002 – 1.446

2013 – 224

47. Operações da Polícia Federal:

Governo FHC – 48

Governo PT – 1.273 (15 mil presos)

48. Varas da Justiça Federal:

2003 – 100

2010 – 513

49. 38 milhões de pessoas ascenderam à Nova Classe Média (Classe C)

50. 42 milhões de pessoas saíram da miséria
FONTES:

47/48 – http://www.dpf.gov.br/agencia/estatisticas

39/40 – http://www.washingtonpost.com

42 – OMS, Unicef, Banco Mundial e ONU

37 – índice de GINI: www.ipeadata.gov.br

45 – Ministério da Educação

13 – IBGE

26 – Banco Mundial

Por estas razões a volta de Lula é necessária.

Publicada anteriormente por 247.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O FILHO PRÓDIGO (2)

Existem pessoas que fazem parte dessa triste e verídica história da fome e miséria, que conseguiram sobrevivê-la após um governo que se preocupou com o social, desenvolveu e implantou projetos de combate a fome e a miséria, mudou a realidade do país gerando emprego e renda, possibilitando ao pobre a oportunidade de usufruir de uma vida melhor, que se esqueceram da sua própria história, da história de seus familiares e quererem experimentá-la, afinal, não sentiram na pele, não sabem como é passar fome – Isso é mais inconcebível ainda!

Lembro-me do tempo “bate, torce, sacode e veste” era assim que de forma sarcástica faziam piada da sua própria miséria; era lastimável, pessoas que não tinham nem mesmo roupas para vestir ou calçados para calçar. Alguns tinham apenas uma roupinha melhor que era também chamada de “domingueira”; as pessoas não trocavam tanto de roupas e sapatos como agora, não podiam optar pelo alimento que queriam comer, não usufruía das novidades tecnológicas, não tinham automóveis, não faziam faculdades, o “andar de cima” e o “andar de baixo” era claríssimo, eram ricos e pobres, ser de classe média era um privilégio para poucos. Quem não lembra desse capítulo da nossa história?

Pasmem leitores, por falta de emprego, anúncio de vaga para gari atraia até universitários concorrendo pela vaga. Mais de 130 mil disputam vaga de gari no Rio

Depois do governo Lula essa triste realidade mudou. O pobre, aos poucos foi começando a experimentar o que outrora era apenas um sonho impossível de se realizar. Programas sociais passaram a ser imprimidos e praticados, créditos foram abertos, novos empregos, novas formas de geração de renda, mais investimento e oportunidade na educação, enfim, o pobre deixava aquele estigma de miserável para trás e adentrava a um mundo novo, uma realidade nova, onde podia experimentar de privilégios que antes somente os ricos e os de classe média experimentara. A transformação social era visível a olhos nus.

Mas uma coisa muito importante não foi resolvida: o complexo de vira-lata! Mesmo com toda evolução e crescimento, todas as mudanças para melhor, muitos ainda viam o outro e aspirava ser o outro. A Europa e EUA ainda era o céu de muitos. Continuavam a falar mal do Brasil, nada estava bom, “somos um país de terceiro mundo”, os americanos e europeus são “melhores”!

Passaram-se doze anos e começaram a surgir os filhos pródigos do Brasil. De barriga cheia, totalmente salvos e protegidos da era e forma FHC de governar, onde a fome e a miséria era o que mais abundava, começam a cuspirem no prato em que comeram, desprezarem os governos que lhes deram alguma dignidade social, pedem a cabeça daquele que desbravou a “libertação” do Brasil das “teias” da dívida externa e o emancipou aos olhos do mundo; aquele que foi o único a demonstrar uma preocupação prática com as camadas mais pobres e necessitadas, possibilitando às mesmas a inserção na prática da cidadania, e vão às ruas vestidos de verde amarelo, camisas da CBF, panelas e gritos de “Fora Dilma”, “Fora PT”!

Como o filho pródigo da parábola, estavam cheios da certeza de que tinham o suficiente, apesar de que havia muito por melhorar ainda. Queriam agora experimentar o imaginário, o incerto, o fantasioso. Queriam trocar o que deu certo pelo que sempre deu errado, enfim, queriam experimentar o que ainda não haviam experimentado.

Foram atraídos pela neurolinguística da Globo e assemelhados, a Globo pediu para que eles repetissem várias vezes: “Branco, branco, branco... e depois pergunta: A vaca bebe? E eles respondem: Leite!!”

Foram induzidos a atacar o único partido que através de seus governos, transformou este país em um país minimamente respeitável; a expulsá-lo, a incriminá-lo, a crucificá-lo, a atribuir a ele a culpa pela centenária corrupção, a ficarem cegos para o que estava por detrás de tudo isso e a destituir do poder uma presidenta legitimamente eleita pelo voto direto de mais de cinquenta e quatro milhões de brasileiros, colocando em seu lugar um traidor da nação, entreguista do Brasil, uma quadrilha, que estava tão somente assustada com a operação Lava Jato e preocupada em “estancar a sangria” ou seja, protegerem a si mesmos, uma vez que chafurdados estão na lama da corrupção.

Muito bem, os “porcos” tiveram acesso e liberdade total aos "cochos" da "ração pública" e fazem dela o que bem querem agora, deixando o povo a ver navios, quebrando empresas, promovendo o desemprego, destruindo direitos, desmontando o Estado levando ao mínimo, levando o Brasil à precariedade do retrocessos sem precedentes.

Enfim, uma vez que os filhos pródigos do Brasil começaram a se dar conta de que esbanjou com as “prostitutas” toda a sua “herança” e agora comem “alfarrobeiras”, sentem saudades da “casa do pai” do tempo dos governos PTistas, aqueles em que por mais difíceis que fossem, não retrocedíamos, apenas avançávamos.

Te acusaram Lula, te perseguiram, te chamaram de tudo que não gostariam der serem chamados, te desacataram, ofenderam a tua honra, só uma coisa não fizeram: NÃO PROVARAM as inúmeras acusações caluniosas e carregadas de ódio! Não macularam a tua honra, pois a mesma é limpa!

Volta Lula! As cortinas do engano já caíram por terra, se rasgaram e agora quase todos já sabem que o Brasil precisa de você! O Brasil precisa da sua capacidade de governar, do seu carisma, da sua experiência e prestígio e da sua visão social. O bom filho a casa torna, o Brasil te espera de braços abertos - Continua...

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

O FILHO PRÓDIGO (1)

O Filho Pródigo é talvez, a mais conhecida das parábolas de Jesus. Essa parábola narra a história de um filho que tinha tudo, nada lhe faltava, mas não estava contente com a vida que levava. Queria sua parte na herança do pai para sair no mundo, esbanjar, viver a vida que ele nunca tivera, a vida segundo suas fantasias, vida incerta, que em seus devaneios imaginava ser bem melhor do que aquela vida prática e comprovadamente confortável e suficiente que tinha.

"Um homem tinha dois filhos".

O mais novo disse ao seu pai: ‘Pai, quero a minha parte da herança’. Assim, ele repartiu sua propriedade entre eles. "Não muito tempo depois, o filho mais novo reuniu tudo o que tinha, e foi para uma região distante; e lá desperdiçou os seus bens vivendo irresponsavelmente. Depois de ter gasto tudo, houve uma grande fome em toda aquela região, e ele começou a passar necessidade. Por isso foi empregar-se com um dos cidadãos daquela região, que o mandou para o seu campo a fim de cuidar de porcos. Ele desejava encher o estômago com as vagens de alfarrobeira que os porcos comiam, mas ninguém lhe dava nada. "Caindo em si, ele disse: ‘Quantos empregados de meu pai têm comida de sobra, e eu aqui, morrendo de fome! Eu me porei a caminho e voltarei para meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e contra ti. Não sou mais digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados’. A seguir, levantou-se e foi para seu pai. "Estando ainda longe, seu pai o viu e, cheio de compaixão, correu para seu filho, e o abraçou e beijou. "O filho lhe disse: ‘Pai, pequei contra o céu e contra ti. Não sou mais digno de ser chamado teu filho’. "Mas o pai disse aos seus servos: ‘Depressa! Tragam a melhor roupa e vistam nele. Coloquem um anel em seu dedo e calçados em seus pés. Tragam o novilho gordo e matem-no. Vamos fazer uma festa e comemorar. Pois este meu filho estava morto e voltou à vida; estava perdido e foi achado’. E começaram a festejar. Lucas 15:11-24
A parábola parece ter se tornado realidade no Brasil, só que superabundou quanto aos filhos pródigos, eles se multiplicaram.

É inconcebível para qualquer indivíduo em posse da razão, querer voltar a um tempo no Brasil em que a fome matava 300 crianças por dia, tempo esse, do governo Fernando Henrique Cardoso, tucano do PSDB, tempo também em que haviam pessoas que comiam e viviam muito bem, porém, sequer queriam saber da massa pobre e faminta, a final, desde que o mundo é mundo, sempre foi assim, uns poucos tem muito e muitos nada tem. O egocentrismo e a gana pelo status de ser o maior e o melhor, a ausência de humanidade. Egoísmo desenfreado. - continua

A GOSTOSA CHUVA DE VERÃO.

Gostar mais de uma estação ou de outra é muito comum. Os comentários são diversos e intensos. Falar do tempo tornou-se algo trivial. De um jeito ou de outro, todos gostam de assumir o papel de meteorologistas, mesmo que seja apenas por uns instantes. Minha preferência sempre foi pelo frio. Talvez haja uma explicação científica. Apesar do gosto, procuro me adequar às diferentes estações.

Mas quando se trata de vestir um casaco, a alegria aumenta instantaneamente. Se tivesse que descrever um ponto positivo da estação do calor, destacaria as chuvaradas de verão. Elas chegam de forma repentina, espantam o calor e se despedem imediatamente. Por uns instantes, uma leve brisa faz o termômetro se movimentar de forma decrescente.

A vida tem também suas estações. Nem sempre o clima é favorável. Impossível fazer apenas o que se gosta. Num mesmo dia, o próprio humor oscila entre temperaturas negativas e excessivamente elevadas. Alguns fatos são inevitáveis: criam desconforto. Por outro lado, as surpresas são marcantes.

Altos e baixos se alternam, exigindo uma certa habilidade para garantir serenidade e paz interior. Viver é um desafio e, ao mesmo tempo, uma conquista incrível. As chuvas de verão até conseguem espantar o excessivo calor, por algumas horas.

Que o desejo de superação se junte com a paciência para garantir dias amenos, em tempos de tanta turbulência. Assim como as estações se sucedem, os momentos mais exigentes abrem espaço para a alegria de viver. Depois da chuva, vem o sol. Ainda bem.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

ORDENAÇÃO DE MULHERES

           
Foi publicada pelo site da BBC News, de Roma, em 14 de janeiro deste ano, a matéria “Maria Madalena poder abrir caminho para que mulheres sejam ordenadas na Igreja”? Para valorizar o texto foram publicados ícones que retratavam Maria Madalena junto a Jesus. A matéria repercutiu nas redes sociais, por isso merece alguns comentários.

Miguel de Biase escreveu:Inicialmente é preciso recordar que os textos do Evangelho mostram Maria Madalena como uma pessoa próxima de Jesus e dos discípulos. Seu nome é citado doze vezes, sendo uma das personagens mais conhecidas do Novo Testamento. Porém, para muitos a razão que faz Maria Madalena famosa é a interpretação que ela teria sido uma prostituta que foi convertida pelo encontro com Cristo. Antes de tudo é bom saber que nenhuma passagem da Bíblia e até mesmo dos evangelhos apócrifos afirma que Maria Madalena foi prostituta ou a mulher apanhada em adultério no capítulo de João (Jo 8,1-11). Com toda certeza o livro de Dan Brown, O Código Da Vinci, baseado no evangelho apócrifo de Felipe, polemizou sobre sua prostituição. Contudo, a versão não se sustenta pelos textos do Evangelho. É sim Maria, chamada de Madalena por ser de Magdala, aldeia de pescadores que ficava no oeste do mar da Galileia, próxima à cidade de Tiberíades.

Mediante isto é credível o que relata o Novo Testamento: Cristo expulsou de Maria sete demônios (Mc 16,9; Lc 8,2); tornou-se seguidora de Jesus (Lc 8,2-3); permaneceu aos pés da cruz (Mc 15,40; Mt 27,56; Lc 23,49; Jo 19,25); assistiu ao sepultamento do Mestre (Mt 27,59-69; Mc 15,46-47; Lc 23,55-56); foi a primeira testemunha da ressurreição de Cristo (Mt 28,1-8; Mc 15,1-19; Lc 24,1-10; Jo 20,1-18). Em suma, a Bíblia nada relata sobre a vida de Maria Madalena antes de sua conversão. Quanto à citação da mulher adúltera do capítulo oitavo de João, provavelmente não cabe à Maria Madalena.

A seguir, algumas explicações. Primeira, as mulheres livres não adulteram, nem as solteiras, mas somente as casadas e as noivas. Segunda, Maria Madalena não era casada, prova do seu livre seguimento a Cristo. Sendo casada, seria impossível seu seguimento a Cristo naquele tempo. Terceira, embora o texto de João narre o fato da mulher adúltera nele não consta nome algum, nem o de Maria Madalena. Quarta, a identificação da mulher adúltera com Madalena veio muito posteriormente, sendo uma errônea interpretação.

Certamente não haverá dúvida de que Maria Madalena foi seguidora de Jesus. A comunidade cristã primitiva manifesta muita estima e respeito a ela, prova disto é seu papel no anúncio da ressurreição de Cristo. Para os biblistas, na comunidade primitiva Maria Madalena passou a ser modelo de seguimento a Cristo, apóstola dos apóstolos. Muito os biblistas poderiam dizer da importância de Maria Madalena para a comunidade cristã primitiva e para Igreja de hoje.

Após essas pinceladas sobre a identidade de Maria Madalena, voltando ao tema da matéria da BBC sobre a possibilidade da ordenação de mulheres pela Igreja Católica, não creio que o ministério sacerdotal feminino seria aprovado por esse paradigma. Mas, não deixa dúvida que Maria Madalena viveu um rico ministério, serviu ao Cristo com muita fé e amor. Talvez seja isto o que hoje precisa a Igreja.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

O CAMINHO PARA DEUS

O pensamento pós-moderno, caracterizado pela “desconstrução” e relativização de todo o edifício conceitual aparentemente sólido da modernidade, questiona também toda tentativa de dizer de forma plena o Absoluto inefável que o Cristianismo e outras tradições religiosas chamamos Deus. Considera igualmente todo discurso com pretensões à universalização e à totalização como redutor e inadequado.

Não seria pertinente, no entanto, admitir como premissa iniludível que vivemos um tempo de enfraquecimento da fé em Deus e da reflexão sobre Ele. Ainda que seja certo que a época moderna proclamou a inevitabilidade do declínio das religiões, chegando até a sustentar a tese da morte de Deus, a identificação da modernidade com o humanismo ateu carrega consigo uma redução insustentável.

Com efeito, o projeto da modernidade engendrou a indiferença religiosa mais do que a negação de Deus. Ao mesmo tempo, a crise deste projeto demonstrou que uma sociedade, se não encontrar seu fundamento em uma Transcendência – seja dado a ela ou não o nome de Deus - se dissolverá lenta e inexoravelmente.

A proclamação da assim chamada pós-modernidade e do pretenso “retorno” do religioso, permite entrever que é bastante inadequado decretar o banimento de Deus do horizonte humano. E que, ao contrário, a busca de Deus continua a agitar o coração da humanidade, sem levar em conta o risco corrido por todos os discursos “oficiais” sobre Deus de estarem envelhecidos.

Hoje, seria possível encontrar uma concepção que migrou de um Deus pessoal em direção a um Deus mais impessoal e, portanto, mais afastado da tradição cristã. Mas não estaria aí para o homem e a mulher pós-modernos a fascinante oportunidade de descobrir aquele que desde a primeira hora da nossa era, Paulo de Tarso tentava anunciar aos atenienses, procurando o caminho para nomear o Deus desconhecido cujo templo encontrara andando pela cidade?


O grande teólogo Karl Rahner afirma que se a palavra “Deus” e mesmo sua memória fossem banidos definitivamente do pensamento e discurso humanos, isso não provaria a não existência Dele. Pelo contrário, o ser humano é que teria desaparecido e mergulhado no nada, fracassando em seu projeto e vocação. Pois Deus é constitutivo do ser humano em sua identidade em contínua auto-transcendência.


A fragmentação da pós-modernidade vai re-situar o problema de Deus a partir de um reencontro com o primado da alteridade. A partir daí emergirá um novo paradigma inter-subjetivo e relacional, que reconduzirá a linguagem humana a encontrar as palavras para dizer o Absoluto pelo qual seu coração anseia. Aí, talvez, possa voltar a ter sentido uma vida fragmentada pelo estilhaçamento de uma compreensão global totalizante e uniformizante do mundo e da história.


O judeu-cristianismo coloca como caminho possível da identidade do “eu” o rosto do outro. Amar o outro como a si mesmo é, desde o Antigo Testamento, o maior mandamento, paralelo à grandeza de amar a Deus sobre todas as coisas. No Novo Testamento, ambos são tomados, segundo Jesus, como resumo, síntese feliz da lei e dos profetas. No cristianismo, portanto, o ser humano é visto como alguém livre. Livre para amar. A liberdade não é concebida como uma heteronomia opressiva, no sentido de uma lei exterior que esmaga e destrói a subjetividade, mas é dom gratuito de Deus, que coloca e recoloca sempre de novo o homem livremente no caminho do amor, no percurso em direção ao outro.


A visão cristã tenta dar um passo adiante nesse sentido, ao dizer que a liberdade não vem puramente de fora, mas está dentro do ser humano, como inscrição ali gravada, da interpelação epifânica, manifestativa do rosto do outro – do pobre, da viúva, do órfão, do estrangeiro – que institui para ele a única lei, que é a lei do amor. O caminho para Deus hoje, portanto, passa por sua descoberta no sofrimento e na fragilidade do outro. Disso deram testemunho todos os místicos – homens ou mulheres – do último século que, situados no epicentro da injustiça, da violência e do mal, experimentaram a vida em plenitude e a transmitiram como legado a nossa geração.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

SÍMBOLOS

A felicidade também está representada em símbolos. Os símbolos são sempre significativos e representativos. Todos os povos, raças e etnias portam anéis, alianças, véus. Existem anéis e alianças de todos os preços, formatos e materiais. Seus significados têm a ver com estética, poder, estilos de vida, classes sociais, instituições, organizações, etc. Há também símbolos de felicidade e de consolidação de relações humanas.

Quanto à origem dos anéis, é bem provável que tenham surgido com os egípcios e hindus, cerca de três mil anos antes da era cristã. Naqueles povos os anéis eram usados para simbolizar a aliança entre o homem e a mulher. Eram feitos em forma de círculo para significar que o amor entre o casal não tem fim. Contudo, a expansão do anel deu-se com o imperador Alexandre Magno (356/323 a.C.), que ao dominar o território egípcio introduziu o hábito na Grécia. Os gregos acreditavam que o terceiro dedo da mão esquerda possuía uma veia que levava diretamente ao coração. Por isso, passaram a usar um anel de ferro imantado, para que os corações dos amantes permanecessem para sempre fiéis e atraídos um pelo outro. Também para acupuntura há um meridiano, o do coração, que passa pelo dedo anular esquerdo e pelo coração. Seja como for a explicação, provavelmente os romanos adotaram a aliança ao conquistar a Grécia.

Com a conversão do mundo greco-romano ao cristianismo romano, o uso da aliança na mão esquerda tornou-se um símbolo obrigatório para os que se casavam. Prova disto é que o anel de noivado foi introduzido no ano 860 por decreto do Papa Nicolau I (858-867). Isto se constituiu em um ato de afirmação pública obrigatória da intenção dos noivos. Na celebração de casamento os noivos trocavam as alianças passando-as da mão direita para a esquerda como símbolo de compromisso definitivo. Por sua vez, esta prática reforçou a crença dos gregos e da acupuntura, segundo os quais no lado esquerdo a aliança fica mais próxima do coração.

A palavra aliança tem um amplo significado e representação. Em contexto político, aliança significa um acordo ou um pacto entre as partes, grupos, nações, partidos, etc. No sentido bíblico representa a relação entre Deus e os homens. Para os cristãos, a aliança definitiva entre Deus e o homem é dada em Jesus que se encarnou, morreu e ressuscitou para salvar a humanidade. No casamento, as alianças celebram um acordo de amor, fidelidade e cumplicidade. Em decorrência disto, a aliança ampliou sua representação de elo material e espiritual entre duas pessoas dispostas a compartilhar as alegrias e tristezas por toda a vida. Neste propósito por felicidade agregaram-se outros símbolos, como as flores, o véu, o beijo.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

REINVENTAR O AMOR É NECESSÁRIO?

O que leva um casal que começa a vida, com muito amor, cheio de sonhos, cair no vazio, no distanciamento? A incoerência interna emerge. Laços afetivos mal elaborados, existência de vínculos precários refletem-se no relacionamento. Como resgatar essa relação? Amarrar de um lado só consegue sustentá-la? Como transcender as dificuldades e transformar esse amor?

Diante das situações difíceis as quais passa o casal, frequentemente, se percebe que uma parte do “eu” de cada um ficou, em muitos momentos, presa no fundo da gaveta, em um lugar do passado, esperando uma palavra, um alento, para que possa só assim construir saídas, resgatar-se. No entanto, fica-se à margem de um caminho incerto ou da acolhida que não vem. Torna-se necessário então construir suas próprias respostas. Sem essa palavra, esse conforto, por mais insignificantes que sejam, é penoso resgatar-se.

A identidade como casal já não existe mais, necessita ser reconstruída sem amassar, anular, quebrar, estraçalhar o outro, mas garantir um lugar para o “eu” de cada um na relação e o lugar dos “nós” serenamente encontrar.

E agora, para onde ir, se é que se deve ir, ou simplesmente ficar e esperar enxergar o que ainda não tenha sido visto?

Onde nos perdemos tanto? Onde nossa vida assumiu caminhos tão longínquos, contraditórios? São questionamentos para quem se permite ver que algo está errado. Será que existe algo a fazer? Sem buscar entendimentos ou soluções, emaranha-se nas teias do não resolvido.

Reinventar o amor em muitas situações, é necessário; para isso precisa-se começar consigo mesmo e, num primeiro momento, resgatar-se é necessário. Chega um tempo em que é melhor a ausência que a presença sem sentido; é construir novas saídas e novas formas de amor e de amar.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

DESTRUIÇÃO DA NATUREZA

A criação é obra da bondade divina do Criador e entregue aos cuidados do homem. Nos dois relatos da criação o Criador colocou o homem como guardião de toda obra criada. Mas pela desobediência, ruptura com o Criador e mundo criado entrou o pecado como consequência da queda a hostilidade da terra ao homem. Porém, ao longo da História da Salvação Deus falou pelos profetas e por último enviou seu Filho para restaurar o rompimento original.

Assim, por meio da contemplação da natureza o ser humano é convidado por Jesus a compreender que sua vida está nas mãos de Deus. Somente buscando o Reino de Deus em primeiro lugar o homem pode libertar-se do incansável desejo de possuir e destruir a natureza ao seu bel prazer.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

A ESPERANÇA DEVE CEDER LUGAR À AMBIÇÃO

Há patologias psíquicas que desestruturam o indivíduo ao esgarçarem de tal modo seus nexos emocionais e racionais a ponto de fazê-lo perder o senso de identidade. Uma delas é a perda de memória, como acontece com quem padece do mal de Alzheimer.

Uma pessoa destituída de consciência de quem ela é e ignora o próprio nome, suas raízes e seu histórico, praticamente retrocede ao estado vegetativo. Elevada essa síndrome à potência coletiva, o resultado é a perda de identidade de povos inteiros.

A visão histórica criou as condições para a descoberta da evolução genética, as teorias de Darwin e a filosofia de Marx. Já não sou apenas um indivíduo nascido em uma determinada família. Sou cidadão de uma cidade, de uma nação, parte de um povo, cujas raízes históricas estão impregnadas em minha sensibilidade, memória, cultura e religião, e na arte e na culinária que aprecio.

Ao adquirir senso histórico, o homem moderno imprimiu à sua vida um sentido imanente – mudar o que deve ser mudado, investigar os fenômenos da natureza (ciência), aprimorar as ferramentas de trabalho e os utensílios úteis à vida (tecnologia), refletir criticamente sobre todas as questões (filosofia). Essa emancipação da razão humana permitiu que fossem desvendados o que, até então, era tido como mito ou mistério.

A modernidade derrubou monarquias e engendrou revoluções que mudaram a face do mundo: inglesa, francesa, americana, russa, chinesa e cubana. Do mundo feudal restaram poucos resquícios. E, no entanto, malgrado tantos avanços civilizatórios, o Céu não desceu à Terra. A revolução moderna e o senso histórico foram sabotados pelo capitalismo.

O neoliberalismo proclamou pela boca de Francis Fukuyama: “A história acabou.” Leia-se: já não cabe nenhuma esperança de que, no futuro, o capitalismo será superado por outro modo de produção e consumo. As tentativas socialistas resultaram em fracasso.

Para o sistema, entretanto, não basta proclamar o fim da história. É preciso desmobilizar todas as forças capazes de ter olhos críticos para o presente e esperançosos para o futuro. Urge apagar de vez o horizonte da utopia. Destituir os seres humanos de qualquer senso histórico.

Trata-se, agora, de aplicar ao conjunto da sociedade o que as enfermidades causam naqueles que perdem a própria identidade. Daí a afirmação de Margareth Thatcher: “A sociedade se resume ao Estado e à família.” Com esse simples suspiro ela pretendeu anular todas as instituições que mediatizam a relação da família com o Estado: associações, sindicatos, partidos etc. Suprimido o senso histórico, está esgarçado o tecido social.

Essa estratégia neoliberal de atomização das grandes narrativas visa a evitar que as novas gerações promovam mudanças sociais. A esperança deve ceder lugar à ambição. A solidariedade à competitividade. A política à antipolítica. E o desejo deve ter, como alvo, apenas o que o mercado oferece.

Triste horizonte nos oferece o sistema que prioriza o capital e não os direitos humanos.

LOUCO É QUEM RASGA DINHEIRO

Quem planta limoeiro espera colher limão. No entanto, nossa sociedade, movida pela óptica analítica, e não pela dialética, se acostumou a examinar os fatos por seus efeitos e não por suas causas.

O próprio sistema ideológico no qual vivemos cuida de encobrir as verdadeiras causas. Assim, há países pobres porque seu povo não é empreendedor; muçulmanos são potenciais terroristas; presos comuns, irrecuperáveis; homossexuais, pervertidos; negros, inaptos às carreiras científicas etc.

Trump surpreende muitos. Sobretudo seus aliados. Ninguém esperava que o seu primeiro soco na cara de governos da América Latina fosse exatamente em gestões que se postavam de joelhos diante da Casa Branca: México e Argentina. Se fosse na cara do governo da Venezuela não teria surpreendido.

Trump deu uma rasteira em seus mais fiéis aliados, como agora faz com os governos europeus, ao ameaçar esvaziar a OTAN e fechar as portas dos EUA aos refugiados.

Trump é louco? Porá fogo no mundo, como Hitler fez na Europa e Nero em Roma? De modo algum. Louco é quem rasga dinheiro, e Trump sabe como multiplicá-lo. Ele é fruto genuíno do sistema capitalista, cujo valor primordial é a competitividade e não a solidariedade. E aparelha sua administração para consolidar os mais caros “valores” desse sistema que pratica a idolatria do dinheiro: supremacia dos brancos; fortalecimento dos privilégios dos ricos; anulação de direitos sociais, como saúde; liberação da CIA para sequestrar suspeitos em qualquer ponto do planeta, torturar e manter cárceres clandestinos etc.

Se quem planta limoeiro colhe limões, quem planta essa perversa noção de que ser rico em um mundo majoritariamente pobre (a renda de 1% da população mundial supera a de 99%) é um direito natural legitima a desigualdade e a violência. Para assegurar esse “direito natural”, aciona-se uma poderosa máquina de propaganda. É fato que muitos não ricos nutrem explícita ou dissimulada inveja dos mais ricos.

A propaganda é avassaladora. Tirânica, como analisou Hannah Arendt. Incute-nos a ideia de que só os ricos são felizes, pois têm acesso ao luxuoso e requintado mercado de bens supérfluos. Ou vemos com frequência na TV propaganda de quem partilha seus bens, defende os direitos dos negros e homossexuais?

O sistema não tem o menor interesse nas pessoas, exceto se são potencialmente consumidoras. O que importa é o lucro e a acumulação de riquezas. Se um país é pobre isso resulta de sua falta de cultura e criatividade. Assim, jogam-se para debaixo do tapete as verdadeiras causas: séculos de colonialismo, de tirania a serviço dos países metropolitanos, de extorsão de recursos naturais e exploração da mão de obra.

Exemplo disso é o Brasil, no qual os portugueses tudo fizeram para evitar uma nação de letrados. A primeira impressora desembarcou aqui em 1808, com Dom João VI, mais de três séculos após o início da colonização. E a primeira universidade foi inaugurada em 1913.



Trump é um imperador que se acredita revestido de cabelos de ouro. Seu país viola impunemente a soberania de inúmeros outros através de suas empresas e bases militares. Quantas bases militares estrangeiras existem nos EUA? O dólar é a moeda padrão internacional. Se os EUA tossem, a economia global se gripa.

O bom de Trump é que, agora, ele exibe as garras afiadas de Tio Sam. Este já não faz questão de esconder sua verdadeira natureza sob a fachada de bom velhinho. Clark Kent se despe, afinal, de sua cara de boa gente. Quem acreditou na humanização do capitalismo talvez se convença de que serrar os dentes e as garras do tigre não anula a sua natural ferocidade.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

EM BUSCA DA FELICIDADE

A cerimonia foi uma verdadeira festa ao redor da vida, contemplação que eleva o pensamento ao Criador: só Ele para tanta perfeição. Ninguém se repete. Cada um é único: detalhes em forma de traços, admiração sem fim, amor infinito. Uma criança simplesmente transforma residências e corações.

Por mais que a ciência intensifique a busca por entender a dinâmica do humano, sempre ficará uma fresta para o inexplicável mistério que envolve a existência. Há algo mais do que apenas um corpo físico, que extrapola a substância e inspira admiração. A importância da pesquisa científica é inquestionável. Entender as funções vitais para prevenir possíveis doenças é um sensível sinal de amor à vida. Diante da grandiosidade de cada pessoa, aumenta a responsabilidade social: todos têm direito à dignidade.

A felicidade é a incessante busca do ser humano. Em todos os recantos do planeta, multidões andam inquietas, entre acertos e erros, tentando descobrir uma ‘fórmula’ que torne a vida mais leve e alegre. A ciência tem redobrado os esforços para validar esse desejo de felicidade. O cérebro possui neurotransmissores que têm o papel de mensageiros: são substâncias químicas que permitem que os neurônios passem sinais entre si e para outras células do corpo, o que os torna importantíssimos na manutenção dos sinais vitais. Há muitas funções e muitos neurotransmissores, mas um deles merece destaque: a serotonina.

Entre outras ‘responsabilidades’, a serotonina tem um papel inconfundível: garantir o bom-humor. De fato, o toque divino pensou nos mínimos detalhes, inclusive na alegria que acompanha a existência física. O corpo humano está dotado de plenitude. Ninguém nasceu para viver triste. Naturalmente a felicidade está enraizada nas profundezas do ser. É evidente que os níveis de serotonina podem variar, de acordo com o estilo de vida. Naquela cerimônia , a serotonina alcançou o ápice. Momento inesquecível. Porém, tenho encontrado pessoas que necessitam repor urgentemente a serotonina. Fará um bem enorme para todos.

RESGATAR O VALOR DA HOSPITALIDADE

Os USA sempre se distinguiram por ser um país extremamente hospitaleiro, pois, a exceção dos povos originários, os indígenas, toda a população é composta por imigrantes. Bem como o Brasil para onde vieram representantes de 60 povos diferentes.

O espírito democrático e o respeito às diferenças religiosas estão consignados na constituição. Agora surge um presidente, Donald Trump que rompe uma longa tradição norte-americana: o respeito às diferenças religiosas, rejeitando a população muçulmana especialmente vinda da Síria e a tradicional hospitalidade a todo o tipo de gente que acorria e acorre àquele país.

O filósofo Imanuel Kant (+1804) em seu ultimo escrito “A paz perpétua” propunha a república mundial (Weltrepublik) baseada fundamentalmente em dois princípios: a hospitalidade e o respeito aos direitos humanos.

Para ele a hospitalidade (usa a expressão latina “die Hospitalität) é a primeira virtude desta república mundial, porque, “todos os humanos estão sobre a Terra e todos, sem exceção, têm o direito de estar nela e visitar seus lugares e povos; a Terra pertence comunitariamente a todos”. A hospitalidade é um direito e um dever de todos.

O segundo princípio é constituído pelos direitos humanos que Kant considera “a menina-dos-olhos de Deus” ou “o mais sagrado que Deus colocou na Terra”. O respeito deles faz nascer uma comunidade de paz e de segurança que põe um fim definitivo “à infame beligerância”.

Pois esta hospitalidade está sendo negada a milhares de refugiados na Europa, escapando das guerras apoiadas pelos ocidentais, na França punindo até um fazendeiro que acolheu a muitos deles. Esta mesma hospitalidade é explicita e conscientemente recusada por parte de Donald Trump a milhares e até milhões de estrangeiros e trabalhadores ilegais.

É neste contexto que vale lembrar um dos mais belos mitos da cultura grega, a hospitalidade oferecida por um casal de velhinhos – Filêmon e Báucis – a duas divindades: Júpiter, o deus supremo e seu acompanhante o deus Hermes.

Conta o mito que Júpiter e Hermes se travestiram de andarilhos miseráveis para testar quanta hospitalidade ainda restava sobre a Terra. Foram repelidos por todos por onde quer que passassem.

Mas, eis que num entardecer, mortos de fome e de cansaço, foram calorosamente acolhidos pelos bons velhinhos que lhes lavaram os pés, ofereceram-lhes comida e a própria cama para dormir. Tal gesto de hospitalidade comoveram os dois deuses.

Quando estavam se preparando para repousar, despindo seus trapos, resolveram revelar sua verdadeira natureza divina. Num abrir e fechar de olhos transformaram a mísera choupana num esplêndido templo. Espantados os bons velhinhos se prostraram até o solo em reverência.

As divindades pediram que ambos fizessem um pedido e que seria prontamente atendido. Como se tivessem combinado previamente, Filêmon e Báucis, disseram que queriam continuar no templo recebendo os peregrinos e que no final da vida, os dois, depois de tão longo amor, pudessem morrer juntos.

E foram atendidos. Um dia, quando estavam sentados no átrio, esperando os peregrinos, de repente Filêmon viu que o corpo de Báucis se revestia de folhagens floridas e que o corpo de Filêmon também se cobria de folhas verdes.

Mal puderam dizer adeus um ao outro. Filêmon foi transformado num enorme carvalho e Báucis numa frondosa tília. As copas e os galhos se entrelaçaram no alto. E assim abraçados ficaram unidos para sempre. Os velhos daquela região, hoje no norte da Turquia, sempre repetem a lição: quem hospeda forasteiros, hospeda a Deus.

A hospitalidade é um teste para ver quanto de humanismo, de compaixão e de solidariedade existe numa sociedade. Atrás de cada refugiado para a Europa e de cada imigrante para os USA há um oceano de sofrimento e de angústia e também de esperança de dias melhores. A rejeição é particularmente humilhante, pois lhes dá a impressão de que não valem nada, de que sequer são considerados humanos.

Os refugiados vão à Europa porque antes os europeus estiveram por dos séculos lá em seus países, assumindo o poder, impondo-lhes costumes diferentes e explorando suas riquezas. Agora que são tão necessitados, são simplesmente rejeitados.

Vale resgatar o valor e a urgência da hospitalidade, presente como algo sagrado em todas as culturas humanas. Temos que nos reinventar como seres hospitaleiros para estarmos à altura dos milhões de refugiados e imigrantes no mundo inteiro.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

A CORAGEM DE DAR TUDO

O poeta Rabindranath Tagore, numa história inesquecível, narra o encontro de um mendigo com o rei. Andando pelas empoeiradas estradas da Índia, o velho mendigo batia de porta em porta, pedindo qualquer coisa. Pouca coisa recebia, até mesmo porque a miséria era muito grande. A tarde ia adiantada e ele apenas conseguira alguns punhados de trigo. A paisagem animou-se quando, no horizonte, apareceu uma imponente carruagem. Puxada por cavalos garbosos, ela conduzia o próprio rei.

E a carruagem parou bem à sua frente. Hoje é o meu dia de sorte, pensou o mendigo, imaginando sonantes moedas de ouro que poderia receber do rei. Descendo da carruagem, o rei estendeu sua mão, pedindo alguma coisa. Confuso, olhou para o fundo de seu bornal e tirou alguns grãos de trigo e depositou-os nas mãos reais. O rei agradeceu, voltou à carruagem e desapareceu nas curvas do caminho. O mendigo continuou sua penosa caminhada sem nada entender. Antes de deitar, após ter comido um pedaço duro de pão e tomado um pouco de água, o mendigo despejou as poucas esmolas do dia. E, surpreso, notou que entre os de trigo luziam alguns grãos de ouro. Eram os grãos que ele dera ao rei. Tardiamente arrependido, lamentou-se: porque não tive a coragem de dar tudo!

No rosto do mendigo, o rosto da humanidade inteira. Desalentada, faminta, andava sem rumo pelas estradas do mundo. Foi neste horizonte que, um dia, surgiu a carruagem real. Mas esta nada tinha de real, nada tinha de majestade e poder.

Numa noite luminosa, o filho de Deus armou sua tenda em nosso meio, afirma São João, no prólogo de seu Evangelho. Ele não veio para ser servido, mas para servir. Ele abriu suas mãos para receber um pouco de nossa pequenez. Ele não quis impressionar-nos com sua grandeza, mas irmanou-se em nossa pobreza. É isto o que celebramos em mais este Natal.

Contrariamente a uma humanidade egoísta e mesquinha, Deus Pai nos deu seu Filho único. Ele nos deu tudo. Mais ainda: iluminou nossos horizontes, santificou nossas dores, trouxe-nos a possibilidade infinita de sermos felizes. Seu reinado eterno tem a marca da humildade, do cotidiano e do amor. Jesus abriu nossos olhos a uma grandeza desconhecida por nós mesmos. Ele se fez homem para que nós pudéssemos ser deuses, sintetiza Santo Agostinho.

Essa é a história que há mais de dois mil anos é contada no Natal; essa é a história que Francisco de Assis visibilizou na campina italiana de Gréccio; essa a história que merece ser vivida a cada dia do ano. Porque Ele nasceu, não mais existem razões para temer. Continuamos pobres, continuamos pecadores, mas pobres pecadores amados por Deus. E se não somos mais felizes é porque, ainda hoje, não temos a coragem de dar tudo.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

PORQUE DESEJAMOS FELIZ ANO NOVO

O novo ano separa o tempo que é contínuo. Separamos para organizar nossas vidas, mas quem só separa esquece que o mais bonito não é o dia ou à noite, mas o amanhecer e o pôr do sol, que as outras culturas nos enriquecem porque são diferentes, que o puro e o impuro estão sempre juntos.

Toda separação do tempo é artificial e só é relevante se não nos permite realizar um balanço do que temos realizado e refletir sobre o que desejamos atingir. Sabendo que querer controlar o futuro só produz ansiedade e que as transformações não dependem de promessas infantis no início do ano, e sim de um esforço constante, pois as mudanças nos deixam inseguros e nos aprisionamos nas nossas formas de ser, ainda que empobrecedoras.

A passagem do tempo produz perdas, mas só graças à impermanência, a mudança é possível, e permite transformar a vida numa experiência enriquecedora.

Por isso devemos enfrentar nos medos, que não nos permitem:

• Superar nosso lado criança que quer que todos se ajustem a nossos desejos e vontades, que fala mais não ouve, e não entende o porquê das atitudes dos outros.

• Enfrentar nossas inseguranças, que nos fazem autoritários e enrijecem nossa sensibilidade.

De forma que possamos como adultos construir um mundo de respeito mútuo, aceitando nossas imperfeições e erros.

E no lugar de dar tanta importância em possuir objetos que são perfeitos, pois não são humanos, investir mais:

• Na convivência e na leitura, que nos enriquecem para o resto de nossas vidas.

• Em nos perdoar quando erramos e compreensivos com quem erra, em particular as pessoas queridas e as mais fracas, pois são as que mais precisam de nossa compaixão.

• Em não confundir amor com possessão, educação com imposição;

• Em ajudar outras pessoas, contribuindo para que todas vivam num mundo onde possam desenvolver suas capacidades e individualidades.

Lembrando que o melhor presente que podemos dar a nós mesmos e aos seres queridos nunca é um objeto, e sim:

• Um gesto de carinho e valorização.

• Aconselhando e não reprimindo.

• Ouvindo e compreendendo antes de julgar.

• Diferenciando entre o essencial do secundário.

E nunca perdendo nosso lado infantil, que:

• É curioso e interessado em tudo.

• E se pergunta o porquê das coisas.

• E gosta de brincar e de rir.

Porque nossas vidas podem ser melhores se procuramos nos superar, agradecemos:

Que vivemos, que existimos, que chegamos a este momento.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

ALEGRIA SEMPRE, COMO?

Uma das mais sérias observações feitas ao nosso tempo e à nossa sociedade pós-moderna refere-se ao roubo da alegria de viver. Aqui não são nomeados assaltantes. Eles não têm rosto, nem armas, mas subliminarmente agem sem ação, tiram ser ter mãos e passam sem ter pés. O roubo da alegria parece ser um dos mais sérios prejuízos à convivência humana. Por que andamos assim, tão sérios, com rostos fechados, de mau humor? O que nos rouba a alegria?

 “O grande risco do mundo atual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é a tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada... Muitos caem nele, transformando-se em pessoas ressentidas, queixosas, sem vida”

Logo em seguida a essa advertência, Francisco convida a nos deixarmos encontrar pelo Senhor. “Da alegria trazida pelo Senhor, ninguém é excluído... Quem arrisca, o Senhor não o desilude”. Esta é a alegria de base que o mundo não pode roubar. Para cultivá-la e garanti-la necessitamos de uma luta paciente, perseverante e teimosa, pois as ofertas de alegrias passageiras invadem nossa superficialidade e querem se tornar agentes de uma alegria imediata, mas fugaz.

Ser uma pessoa alegre ou ter apenas algumas alegrias, é o que faz a diferença. Temos o sagrado direito da alegria! Essa é o reflexo de uma vida rica de sentido, de poder andar em caminhos abertos, de horizontes amplos e esperançosos. É a alegria de sentir-nos habitados e não solitários na aventura da vida.

Encontrar Cristo é o mesmo que encontrar o verdadeiro mestre da alegria. O sermão da montanha abre-se com a solene proclamação da alegria dos pobres, dos pacientes, dos aflitos, dos que têm fome e sede de justiça, dos misericordiosos, dos puros de coração, dos perseguidos por causa da justiça e dos que promovem a paz.

“Alegrai-vos sempre no Senhor! Repito, alegrai-vos!”. O que intriga, nas palavras do apóstolo Paulo é a palavra “sempre”. Algum tempo de alegria e algumas experiências rápidas acontecem, mas “sempre” é a questão. Em sua experiência com o Senhor, Paulo se dá o direito de dizer que é possível cultivar sempre este tipo de alegria de base.

Ao pensarmos em Francisco de Assis e sua definição da “perfeita alegria”, ficamos admirados quando o grande santo diz ser possível vivê-la no desconforto total da rejeição, até mesmo dos próprios confrades. Talvez o seu “Cântico das criaturas”, verdadeira explosão de alegria, seja a maior prova daquela alegria que ele sempre cultivou na raiz de seu ser redimido. No meio da dor proclamou e compôs o mais significativo hino de amor e de alegria.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

MAIS DO MESMO

não, senhoras e senhores, trump não vai construir um muro separando o méxico dos esteites.

sinto muito, mas essa é uma meia verdade.

o muro já existe, tem 1.100 km de extensão e foi construído por bill clinton – aquele do saxofone – em 1994.

trump, na verdade, vai concluir a obra de clinton.

dito isso, digo mais.

chamam trump de xenófobo porque ele diz que vai deportar imigrantes ilegais.

sim, ele é xenófobo.

mas oh, ninguém botou mais estrangeiros pra fora do que obama.

obama deportou nada menos que dois milhões e meio de seres humanos.

obama é o quê?

trump é racista? é, racista escroto.

mas oh, durante o governo obama negros eram alvejados nas ruas pelas forças policiais do estado, à luz do dia.

inclusive crianças.

nunca se matou e se encarcerou tantos negros desde os tempos do "tolerância zero" do giuliani.

não que obama estivesse a mandar matar os seus irmãos de cor, o que digo é que o racismo institucional não será inventado por trump.

hoje há mais negros encarcerados nos esteites do que havia escravos nas fazendas de algodão.

libertaram os caras para depois prendê-los.

obama ganhou um nobel da paz preventivo e a primeira coisa que fez foi jogar o prêmio no porão e começar uma guerra.

obama matou na líbia, na síria, no diabo a quatro.

é o fim dos tempos, dizem. como os esteites podem eleger um homem tão despreparado como trump?

amigão, os estadunidenses elegeram reagan, um ator medíocre de filmes de faroeste.

mas trump, um bilionário, só vai pensar nos próprios negócios.

deixa eu lhe dizer uma coisa, qual é o ineditismo disso?

os estadunidenses elegeram bush pai e depois elegeram o bush filho por duas duas vezes seguidas.

e ambos não fizeram mais do que cuidar dos próprios negócios, encher o rabo de petróleo e aumentar a riqueza familiar, à custa da invasão e destruição de país estrangeiro.

e oh, se hillary fosse a vencedora, hoje mesmo a síria estaria debaixo de fogo, novamente, até que ela conseguisse colocar lá, à força, um presidente que ela pudesse manipular.

não se engane, hillary seria muito pior pro mundo.

com hillary e obama os esteites fizeram as maiores vendas de armas de toda a sua história.

obama e hillary semearam a morte.

e você tava aí caladinho. agora quer encrencar com o topete do trump.

não se deixe enganar pelo sorriso charmoso e o andar elegante de obama, com ele os estados unidos empobreceram.

ah, mas a cia e a mídia andam a dizer que putin ajudou a eleger trump.

sim, essa é a mesma cia e a mesma mídia que disseram a você que saddam escondia armas de destruição em massa.

destruíram o iraque, enforcaram saddam e o diabo das armas nunca apareceram.

não se esqueça que a mídia e a cia não pediram desculpas a você por enganá-lo.

não acredite nesses caras.

é isso que trump está a dizer.

ah, entendi, você trumpou!

não, cara. não estou a defender trump, quero que trump se foda.

estou a dizer apenas que esse ódio contra trump só faz com que ele tenha razão ao meter o pau na mídia.

porque é a mídia que faz com que você ache que trump é um demônio comparado aos anjos que governaram o império.

se liga, cara.

trump é mais do mesmo.

e mais num digo.

palavra da salvação.


lELE lELLES

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

QUEM É O PRÓXIMO?

Sabe quando se está numa destas redes de cafés e vai se aproximando o momento de seu pedido... Quando se terá uma fração de momento de atenção do profissional do caixa demandando que sua escolha seja clara e decidida... Quando qualquer hesitação será recebida com impaciência e inadequação e ao menor sinal de indecisão lhe será roubada a legitimidade comercial levando as pessoas da fila a cassar em olhar seu direito de precedência... Pois é sobre este "próximo" que gostaria de falar.

Terminou-se o tempo mercantilista em que o indivíduo era um freguês, o cliente a quem se dava toda a atenção. Já não era lá um tempo de muita empatia, um tempo marcado mais é por interesses mesmo, mas dele já temos saudades. Hoje o olhar está no "próximo": "Proximo!". O tempo de atenção que nos dispensam é de soslaio, uma breve passagem antes que o protagonista seja "o próximo". Nosso dinheiro, que até então nos comprava a consideração do momento, hoje apenas dá o direito de passagem no encadear de consumidores. Qualquer excentricidade será ameaçada pelo avançar do "próximo". Algo que só havia experimentado no colégio público. Lá, diferente do colégio particular, onde um boleto assegura identidade, o anonimato se fazia o preço da benesse do Estado. Na fila da canjica do recreio, ali naquela situação, eu já havia experimentado ser o próximo antes de ser a mim mesmo.

Tento entender o que seria hoje "amar o próximo como a ti mesmo". Hoje todos nós disputaríamos ser o próximo - o único a merecer atenção e reconhecimento. O presencial não consegue ser amado como alguém ama a si mesmo, mas tão somente o próximo. Estamos é no tempo pós-interesseiro, porque nem sequer a atenção dos outros se consegue por interesse. Isso porque o interesse sempre estará no próximo interesse. Algo só compreensível pelo mundo dos aplicativos, do que pode ser aplicado. O freguês é passado e a referência tanto do foco como do lucro se encontra no que está por vir, um interesse mais viral do que pessoal.

O próximo é com certeza um efeito colateral do olhar de hoje. Esse olhar que é oblíquo, sempre dividido pela atenção preferencial a uma tela, e que nos oferece o mesmo pálido prestígio disponibilizado pelo profissional do caixa: não somos o foco, mas apenas mais um estímulo não presencial e difuso no encadeamento de inputs que constituem o existir. O olhar está no próximo: no que vai pop-up na vida e que teremos que atender ou deletar. E aí tudo faz sentido porque estamos trocando a existência pela aplicabilidade, e o que está presente é irrelevante diante do que está por vir.

Descobrimos que mais fácil do que dobrar a morte com nossa ciência é usá-la para produzir nossa ausência. Inventamos existir no futuro driblando o Anjo da Morte porque não estamos em nenhum lugar do presente. Como um elétron que está em algum lugar da nuvem, mas não tem lócus, também nossa presença, nosso olhar e nosso existir ganham asas no que virá proximamente. Para os que cismam habitar o momento, o mundo se assemelha a uma realidade de zumbis: de pessoas que não olham nos olhos, cuja atenção está sempre na borda da tela à espera do que vai entrar em cena. Enfim acho que estamos no tempo de "amar o próximo mais do que a si mesmo".

COMBATA O RACISMO (2)

Em continuidade à crônica anterior transcreve-se o relato de uma vítima de racismo. Transcreve-se por duas razões. A primeira porque o racismo é um mal que perdura em nosso tempo. A segunda razão, o fato não pode passar em brancas nuvens. A vítima descreve o fato para a direção da EST, Escola de Teologia de São Leopoldo, da qual participou como convidado de um Seminário Internacional. Diante de um fato extremamente grave, é necessário chegar à compreensão do que isto significa e representa na vida de um ser humano vitimado.

“Meu nome é Reverendo Joel MbongiKuvuna. Sou natural da República Democrática do Congo, estudante de doutorado na Universidade de KwaZulu-Natal na África do Sul e pastor da Igreja Protestante. Escrevo para expor o tratamento desumano a que fui exposto em 21 de outubro de 2016, ao término do Seminário Internacional ocorrido em São Leopoldo, no Brasil. Quando retornávamos às nossas cidades de origem através do aeroporto Salgado Filho, de Porto Alegre, por volta de 17h, fui cruelmente humilhado pelo Departamento da Polícia Federal de Porto Alegre. Quatro policiais sem uniforme militar, mas fortemente armados, vieram na nossa direção extremamente furiosos e nos retiraram do setor de embarque: dois professores e dois alunos norte-americanos e eu, logo após o check-in. Nesse instante nos retiraram os passaportes violentamente, sem qualquer explicação, ordenando que os seguisse; instalaram-nos em seu gabinete, onde insistiram que meus colegas norte-americanos me deixassem sozinho em uma sala separada. Neste momento finalmente entendi que eu era o alvo do episódio. Mas o que eu havia feito de errado? Minha única falha seria a de ser negro e portar um passaporte africano. Quando meus colegas saíram da sala, os agentes abriram minhas bagagens e espalharam meus pertences, sem que eu pudesse perguntar o que havia de errado, dizendo apenas que eu ficasse calado. Quando um dos agentes encontrou minha loção, disse com desdém: “Africanlotion!”. Então chamaram seu cachorro para me farejar. Ao não encontrar nada, me obrigou a tirar toda a minha roupa e o forçaram a me farejar mais três vezes. Quanto mais os agentes não confirmavam sua expectativa, mais furiosos ficavam. Finalmente, após confirmar a inexistência de qualquer irregularidade, nada foi explicado a respeito do que estava sendo procurado e qualquer pedido de desculpas foi feito. Eles apenas disseram para que eu recolhesse as minhas coisas e saísse. Eu chorei como nunca antes, desde que me tornei adulto”.

A carta continua descrevendo o modo desumano como o Reverendo africano foi tratado pelos agentes do Departamento da Polícia Federal de Porto Alegre. Sendo verdadeiro, o fato fere a sabedoria e a consciência de uma nação inteira. No relato das vítimas se compreende que o racismo é uma atitude abominável para todo ser humano. Como já foi dito, as práticas e ideologias do racismo são universalmente condenadas pela ONU, na Declaração dos Direitos Humanos. Combater o racismo é tarefa de hoje


Miguel de Biase

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

COMBATA O RACISMO (1)

Apesar das intensas campanhas de conscientização, o racismo continua fazendo vítimas pelo mundo. Pessoas, sobretudo negras, pobres, minorias, são agredidas, injuriadas por causa da cor da pele, da situação social, da nacionalidade. O preconceito e a discriminação são um verdadeiro absurdo e afronta à civilização do século XXI. Combater o racismo é tarefa de hoje.

O racismo é definido como um preconceito e uma discriminação com base em percepções sociais baseadas em diferenças biológicas entre raças humanas. Uma pessoa que pratica atos de racismo se considera superior entre as raças com base na diferença da cor da pele, de classe social, ou até de práticas, crenças e de sistema político. Para estes, ao considerar que as raças humanas são diferentes, as pessoas também precisam ser tratadas de forma distinta ou inferiorizadas. Em contrapartida, as ciências da sociologia e psicologia advertem que o comportamento humano não está ligado à cor de pele, mas, sim, à cultura. Isto significa dizer que o racismo é uma forma maligna e consciente de discriminação.

Ainda que o racismo seja um fenômeno cultural que tem atravessado a história da civilização desde seus primórdios, precisa ser refutado. Normalmente, manifesta-se como um preconceito aliado ao poder e apoiado por poderes, sejam políticos, econômicos ou sócio-culturais. O foco de racismo geralmente parte dos brancos e de sua forma de observarem as diferenças entre as raças. Segundo a Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação Racial da Organização das Nações Unidas (ONU), não há distinção entre os termos “discriminação racial” e “discriminação étnica”. Ou seja, a superioridade baseada em diferenças raciais é cientificamente falsa, moralmente condenável, socialmente injusta e perigosa. Além do mais, não há razão para a discriminação racial, em teoria ou na prática, em qualquer lugar do mundo.

Como é sabido, a história da colonização foi uma força motriz para o tráfico transatlântico de escravos baseado na segregação racial. Do mesmo modo, o racismo tem sido a base política e ideológica de genocídios ao redor do planeta, como por exemplo, o Holocausto e, em contextos coloniais, os ciclos da borracha na América do Sul e no Congo; na conquista europeia das Américas e nos processos de colonização da África, Ásia e Austrália. Aqui no Rio Grande do Sul, tido como estado hospitaleiro, outro fato recente de racismo manchou sua história. Na próxima crônica acompanhe o relato de uma vítima em nosso Estado, tido como sendo “De modelo a toda Terra”, conforme o Hino do Rio Grande do Sul.


Miguel Debiase

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

MARISA E A FORÇA DO CARÁTER

Passado o choque de uma morte precoce e injusta, será preciso acompanhar, passo a passo, a investigação e a necessária punição dos doutorzinhos e doutorazinhas de instinto assassino que envergonharam o país com atos criminosos durante o AVC de Marisa Letícia, sem respeitar direitos de paciente e a privacidade de cidadã em luta pela vida.

A esse respeito, não custa lembrar que teriam honrado o diploma universitário se ajudassem a esclarecer as circunstâncias psicológicas de uma tragédia iniciada 24 horas depois que a Polícia Federal esteve no apartamento de Marisa e Lula em São Bernardo, revirou móveis, abriu pastas, levantou o colchão do quarto do casal.

Um dia será possível passar a limpo, como o próprio Lula deixou claro ao falar de facínoras, a perseguição movida pelo Ministério Público e pela Lava Jato. Após dois anos de inferno programado, até agora nada se apontou em acusações contra Marisa, o marido e os filhos. Restou um triplex imoral formado pela covardia, o interesse político e a manipulação midiática. Sua finalidade real era destruir reputações e alimentar um retrocesso político que se encontra aí, à vista de todos, e ainda pode se agravar.

Numa sociedade que, de uns tempos para cá, passou a fingir que aprendeu a respeitar a condição de suas mulheres e não costuma perder a chance de pronunciar palavras simpáticas sobre elas, o tratamento oferecido a Marisa desmascara a hipocrisia e denuncia o atraso real. Sublinha a duplicidade reservada às filhas, mães e avós, em particular aquelas nascidas em famílias de trabalhadores. Confirma a permanência de preconceitos de classe e de gênero, enraizados, invencíveis, desrespeitosos, que ajudam a humilhar para quebrar e descartar. No passado da ditadura, elas eram sequestradas e torturadas para descrever o caminho das pedras que podia levar aos maridos, namorados, filhos.

Era a visão da mulher como o elo mais fraco, que cede primeiro.

No Brasil de nossa época, os adversários de Lula sempre calcularam -- erradamente -- que seria possível contar com Marisa Letícia, antiga operária da Dulcora, uma das lendárias fábricas de doces de minha infância, para atingir a mais importante liderança popular de nossas lutas sociais após a Abolição. Foi assim desde a primeira campanha presidencial, a de 1989 e um segundo turno de virada, como todos podem recordar. Sempre se procurou um escândalo que pudesse se transformar em tragédia política, forçando a saída de cena do personagem indesejável. Foram três décadas de esforço, investimento, trapaças, armadilhas, de qualquer tipo, origem, fundamento. Aguardavam por um depoimento, uma reação desesperada, um gesto de quem não aguenta mais. Uma confissão conveniente. Nada. Marisa não tremeu nem cedeu. Em várias conjuntura difíceis, desfavoráveis, manteve-se de pé. Revelou-se insubstituível. Num período de desafios extremos, quando a postura de determinados indivíduos, homens e mulheres, cumprem um papel decisivo, demonstrou caráter a altura.

E assim chegamos ao ódio que lhe devotavam nos últimos tempos, que denuncia a falta de escrúpulos, a vocação para o crime. É uma vergonha para o país, um risco para a democracia.

A capacidade de resistência, contudo, honra a memória de Marisa. Vamos entender: por maior que tenha sido a dor, não deixou uma existência de 66 anos como vítima. Foi uma vencedora: "a estrela que iluminou minha vida," escreveu Lula, na coroa de flores.

A GLOBALIZAÇÃO DA INDIFERENÇA

Ao encerrar o III Encontro dos Movimentos Populares, no Vaticano, em novembro último, o papa Francisco denunciou “a globalização da indiferença” frente à pobreza mundial e ao drama dos refugiados que, pelas águas do Mediterrâneo, tentam alcançar a Europa. Até meados de novembro morreram afogados, na travessia do Mediterrâneo, 4.600 refugiados, um recorde mundial segundo a Organização Internacional para Imigrações.

Essa indiferença se retrata na avareza das nações ricas. A ONU procura amenizar o sofrimento humano através de ajuda às vítimas de conflitos e desastres naturais. Para isso, ela literalmente passa o chapéu entre as quase 200 nações que lhe são filiadas.

Não espera que todas colaborem, pois sabe que a maioria deve lidar com as vítimas em seus próprios territórios. Espera, contudo, que os países ricos do G-7 e do G-20 sejam solidários.

O G-7, integrado por EUA, Alemanha, Reino Unido, Japão, Canadá, França e Itália, concentra 64% da riqueza líquida global, o equivalente a US$ 263 trilhões. Para se ter uma ideia comparativa, o PIB do Brasil é de pouco mais de US$ 2 trilhões.

Este ano, como em 2015, a contribuição ficou abaixo da metade da quantia esperada. A denúncia é de John Ging, chefe do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU.

Para ele, isso demonstra a insensibilidade dos governos para com aqueles que são vítimas da violência (guerras, terrorismo etc.) e do desequilibrio ambiental (tsunamis, terremotos, enchentes, incêndios, secas prolongadas etc.).

A ONU solicitou, este ano, US$ 20 bilhões para socorrer 87 milhões de seres humanos ameaçados por guerras e conflitos, sobretudo na Síria, no Iêmen, no Sudão, no Sudão do Sul, na República Centroafricana, no Afeganistão e na Palestina. É preciso asegurar a essa gente alimentos, medicamentos, água, abrigos, educação e proteção ao frio.

Frente à devastação provocada no Haiti pelo furacão Matthew, em outubro passado, a ONU solicitou US$ 120 milhões para socorrer 750 mil pessoas. Uma quantia irrisória para as nações dos G-7 e G-20. Conseguiu apenas 40%, ou seja, US$ 48 milhões.

Enquanto o orçamento militar dos EUA, em 2017, está calculado em US$ 583 bilhões (40% do orçamento federal), 560 mil crianças estão ameaçadas de morte pela fome que assola a região saariana conhecida como Sahel. Em 2015, segundo a ONU, o mundo gastou em armas US$ 1,7 trilhão de dólares, o suficiente para erradicar a fome no mundo.

Recursos, materiais (dinheiro, tecnología etc.) e naturais (terras, áreas ociosas etc.), há de sobra no mundo. Deus criou a terra e, o diabo, as cercas. O que falta é justiça. E frente à “globalização da indiferença”, só resta aos militantes da utopia fazer a diferença na busca incessante de outros mundos possíveis.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

DEUS NOS INTERRROGA

Deus nos interroga sobre o sentido de nossa vida, lembramos que ha:

Tempo de olhar para o futuro e tempo de lembrar nosso passado.
Tempo de nos pensar como indivíduos e tempo de nos pensar como comunidade.
Tempo de realizar e tempo de refletir.
Tempo de ficar sós e tempo de ficarmos juntos.
Tempo de lembrar e tempo de esquecer.
Tempo de ensinar e tempo de aprender
Tempo de dar e tempo de receber.
Tempo de falar e tempo de calar.
Tempo de acreditar e tempo de duvidar.
Tempo de se sentir culpado e tempo de se perdoar.
Tempo de julgar e tempo de suspender o julgamento.
Tempo de se entregar e tempo de se dissociar.
Tempo de viver e tempo de morrer.
Tempo de rir e tempo de chorar.
Tempo de ser prudente e tempo de arriscar.
Tempo de trabalhar e tempo de descansar.
Tempo de semear e tempo de colher.
Tempo de ser orgulhoso e tempo de ser humilde.
Tempo de estar alegre e tempo de estar triste.
Tempo de ter ilusões e tempo de perdê-las.
Tempo de esperar e tempo de agir.
Tempo de amar sem ser amado e tempo de ser amado sem amar.
Tempos sem sentido e tempos com sentido.


E que a sabedoria se encontra em compreender que o tempo é sempre um, no qual:

Nosso passado esta sempre presente no nosso futuro.
A comunidade é formada por indivíduos livres e os indivíduos não esquecem que sempre são parte de comunidades.
Quem faz deve refletir e quem reflete deve agir.
Porque os mortos continuam vivos em nos e a vida não pode desconhecer a morte.
Paramos de falar para ouvir e ouvimos para entender o que estamos falando.
A prudência não deve eliminar nossa coragem para ariscar e o risco deve ser responsável.
Quem recebeu já retribuiu e quem deu já recebeu.
Só aprendemos desaprendendo e só se ensina aprendendo.
Quem semeou já recolheu e quem recolheu não deixa de semear.
Não podemos ser orgulhosos se não somos humildes e somos humildes porque somos orgulhosos.
Estamos sós quando estamos juntos e estamos juntos quando estamos sós.
Acreditamos sem dogmatismo e duvidamos sem deixar de lutar pelo que acreditamos.
Só somo livres para encontrar sentido à vida quando descobrimos que ele simplesmente é o que fazemos de nossas vidas.
Choramos de alegria e rimos para não chorar.
No há culpa sem perdão, nem julgamentos que não sejam questionáveis.

Porque o tempo nos permite amar e aprender, e ambos são o maior dom da vida, agradecemos:
Que vivemos, que existimos, que chegamos, a este momento.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

ENTRE O PRIMEIRO E O ULTIMO PASSO

Num dia desses dediquei um tempo para ouvir os detalhados relatos de uma avó encantada com os primeiros passos do netinho. A chegada dessa criança simplesmente transformou a vida familiar. Um ano depois, o menino ensaiou os passos iniciais. Alguns tombos também se sucederam. Entre levanta e cai, o aprendizado deu-se num processo crescente. Tudo foi registrado, através de fotos e vídeos. A tecnologia possibilita que sejam captados ângulos e cenas que não se perderão no tempo. A alegria da avó me contagiou e, ao mesmo tempo, me transportou para além do espaço onde nos encontrávamos naquele momento.

Na minha infância não havia tantos meios para registrar possíveis cenas dos primeiros passos. Com certeza as quedas foram incontáveis, mas o desejo de prosseguir em busca da autonomia do deslocamento e dos movimentos sempre foi maior do que os próprios tombos. Entre outros pensamentos, veio em mente principalmente a paciência da mãe no incentivo e no reerguimento. As mães não cansam, quando se trata de observar e atender o desenvolvimento de um filho. Cada passinho é uma vitória no coração familiar. O ser humano depende do aprendizado para dar conta da própria existência.

Os anos vão sendo somados e muitos passos são dados, levando para diferentes direções. Não é suficiente saber andar. As escolhas confirmam a validade ou não dos caminhos percorridos. Além de apoiar nos passos iniciais, a família é capaz de mostrar alguns itinerários que devem ser evitados. Muitos percorrem extensões que em nada ajudam, quando se trata de buscar a realização. A felicidade é uma construção que deve estar no compasso de todos os caminhantes. Ninguém está privado de ser feliz. Algumas decisões, no entanto, podem afastar do insistente e profundo desejo de felicidade.

O sorriso no semblante da avó, ao mostrar as façanhas do neto, pode servir de inspiração: a vida é cheia de detalhes. Onde há amor, as emoções acabam tendo formato, tonalidade e naturalmente espontaneidade. Nada é em vão: o primeiro passo, a descoberta do primeiro dente, o balbuciar das primeiras palavras. A vida é, sem dúvida, um dom maravilhoso. O encantamento diante das descobertas de uma criança deveria continuar nas outras fases da vida. Viver é o que existe de melhor. Entre o primeiro e o último passo, as surpresas são muitas e a alegria sempre apontará para o infinito.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

EIKE, UMA PRISÃO ENIGMÁTICA

abdelmassih, o taradão de bigode, ao saber que seria jogado numa masmorra brasileira, aproveitou o habeas corpus - emitido pelo sempre previdente gilmar mendes - e vazou.

preferiu morar no paraguai a ser preso no brasil.

salvatore cacciola foi pelo mesmo caminho.

o banqueiro delinquente colocou na algibeira o habeas corpus concedido por marco aurélio e vazou para mônaco.

lá andava trepado numa lambreta como um bom cristão: livre, leve e solto.

eike, com um passaporte alemão nas mãos e com a certeza da não extradição, foi por outro caminho.

pegou um voo nova iorque/rio, esticou os pulsos e pediu pra ser algemado.

com mil diabos.

sem curso superior, o sacana sabia que cairia numa cela comum, sem chuveiro elétrico e sem vaso sanitário.

por que o fez?

ele mesmo o diz: chegou a hora "de passar as coisas a limpo".

huummm.

sabe-se que eike batista é um contraventor. sua fortuna está impregnada de maracutaias.

acostumado a delinquir, estava careca de saber que sua hora iria chegar.

para os imberbes funcionários públicos que fazem justiçamento político, a prisão de eike era uma questão de timing.

foi só carmem lúcia ventilar que homologaria as delações odebréchticas que os meganha da federal decidiram prender eike.

agora ele ocupa todos os noticiários e, assim, abafa as delações que implodiriam a república.

é um boi de piranha.

e tudo conspira pela sua absolvição.

seus advogados não lhe entregariam ao capa-preta sem uma garantia de que preso aqui seria melhor que livre na alemanha.

a mídia faz a sua parte.

o noticiário faz dele um santo, só faltou ilze scamparini - a beata do vaticano - entrevistá-lo no avião, qual um francisco.

homens de bens tiraram selfie com ele no aeroporto (bandido bom é bandido branco).

e para a sua completa beatificação, rasparam-lhe a cabeça e o brasil descobriu que o santo tem uma auréola em forma de calva.

veja que curioso.

pra que serve a prisão de eike, a quem interessa?

ele vai delatar o cabral que já tá preso?

não, eike já disse ao que veio.

o negócio é abrir a caixa preta do bndes, claro que durante os governos lula e dilma.

assim, saem de cena o mordômico mt, o mineirinho, o transilvânico careca, o santo, o botafogo, o gripado, o primo, o campari, o boca mole, o todo feio...

e voltam à cena lula e dilma.

sacaram o timing?

e digo mais.

da última vez que prenderam eike, um juiz levou para casa objetos pessoais do magnata: um carrão, um piano, relógios...

lembram?

por isso, não se assustem se a qualquer momento surgir um juiz do stf ostentando uma jovial peruca acaju.

palavra da salvação.


Lelê Telles

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

TEU PODER NÃO TEM FRONTEIRAS

Tu és o meu Senhor e meu Deus. Penso em Ti em todas as horas de todos os meus dias, ao acordar e me alimentar, ao trabalhar e me divertir, e a Tua existência povoa meus sonhos à noite.

Ao despertar, meu primeiro pensamento a Ti se dirige. Ao longo do dia, deixo-me guiar pela Tua luz. Ela refulge em tudo que me cerca, das roupas que me vestem aos adereços que trazem encanto à minha vida.

Com a Tua presença sinto que os meus pés pisam em terra firme. Já a Tua ausência me entristece por atirar-me aos braços do desamparo. Senhor, poupa-me da pobreza e conduze-me às trilhas da prosperidade.

És a minha alegria e o meu consolo, pois em Ti deposito toda a minha confiança. O que seria de mim sem a Tua companhia? Como eu poderia viver sem o Teu respaldo? Tu és a minha salvação!

Guardo-Te como as pupilas dos olhos. A cada hora confiro a Tua bênção à minha vida e me asseguro de que sou digno de Teus abundantes dons. Eles me fazem sentir amado e abençoado, salvo dos infortúnios e dos males que tanto afligem aqueles que não gozam de Tua proteção.

Em Ti ponho a minha segurança. Graças a Ti, caminho por sendas ladrilhadas de ouro. Tua divina luz resplandece em minha casa e em meu trabalho. Teu manto me recobre e, por isso, todos me tratam com respeito e reverência.

Teu miraculoso poder aplaca sofrimentos e dirime dificuldades. Na aflição e na carência é a Ti que recorro, pois de Ti emana a força que desata todos os nós e derruba todas as barreiras. A Ti dobro os meus joelhos e curvo a minha cabeça. Sou Teu servo e escravo! Faça-se em mim o que for a Tua vontade!

Por Ti sou capaz de correr riscos, infringir leis humanas e suportar a má fama. Tua atração e teu fascínio me são irresistíveis. Tu me conduzes e agasalhas, e eu Te amo acima de todas as pessoas e de todas as coisas.

Se Te afastas de mim, desfaleço tomado por um sentimento de orfandade. Quando Te distancias de mim, o chão me falta aos pés, a vergonha me recobre, e meu coração é corroído pela inveja daqueles que jamais se encontram excluídos do Teu abrigo.

Tu és o meu guia, e de Ti decorrem a minha saúde e a minha felicidade. Quando Te aproximas, minha alma se rejubila. Quando Te afastas, a desolação me abate. Nada sou sem a Tua inefável presença. Nela encontro o meu valor e a razão do meu viver.

Seduzistes-me e eu me deixei seduzir. Ainda que muitos Te acusem de causar males e provocar divisão onde havia união, jamais levantarei a minha voz contra Ti. Tu és o meu pastor! Nada haverá de me faltar!

É a Ti que mais almejo, e por Ti se movem a minha vontade e a minha inteligência. Faça chuva ou sol, é a Ti que busco. Tu és o espírito que me anima. Em tudo que faço e idealizo, anseio por Tua divina companhia.

Não suportaria viver sem as Tuas bênçãos e a imensa fartura que deriva de Tuas dádivas. Elas transparecem em todos os bens que me revestem e me dignificam aos olhos alheios.

Porém, se Te apartas de mim, já ninguém comigo se importará nem me estenderá as mãos. Serei atirado à escória do mundo. Todos evitarão cruzar os meus passos, e aqueles que porventura o fizerem haverão de virar o rosto para o outro lado.

Quando, porém, recobres a minha vida, todos rendem homenagens e professam louvores. Não a mim, mas a Tua poderosa manifestação, capaz de abrir portas e corações, e suscitar, naqueles que Te adoram, desejos infinitos.

Ao Teu poder não há fronteiras nem obstáculos. És capaz de mudar os passos e o caráter dos homens, e converter nações inteiras aos Teus desígnios.

Meu Senhor e meu Deus, eis o Teu sagrado nome, aclamado e louvado por toda a Terra – Dinheiro.