sábado, 16 de junho de 2018

NA EDUCAÇÃO DE NOSSOS FILHOS, TODO EXAGERO É NEGATIVO

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Proteja-o, não o cubra.
Ajude-o, não o substitua.
Abrigue-o, não o esconda.
Ame-o, não o idolatre.
Acompanhe-o, não o leve.
Mostre-lhe o perigo, não o atemorize.
Inclua- o, não o isole.
Alimente-o de esperanças, não as descarte.

Mostre-lhe que o amor é paciente e agradável,não é invejoso, não se exibe, não se incha de orgulho.

Conscientize-o de que tudo que somos e temos acontece por vontade e misericórdia de Deus, não por sorte, acaso ou mera coincidência.

Valorize-o com seus dons, habilidades e talentos, não seus fracassos e defeitos.

Não exija que seja o melhor, peça-lhe para ser bom e dê exemplo.
Não o mime em demasia, rodeie-o de amor.

Não faça tudo por ele, deixe que ele seja criativo e tenha iniciativa.

Não responde por ele, confie na sua potencialidade.
Não o mande estudar, prepare-lhe um clima de estudo.
Não fabrique um castelo para ele, vivam todos com naturalidade.
Não lhe ensine a ser, seja você como quer que ele seja.
Não lhe dedique a vida, vivam todos em família com amor, paz, justiça e fraternidade.

LEMBRE-SE DE QUE SEU FILHO NÃO O ESCUTA, ELE O OLHA.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

DIA SEM SOL

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Tempo nublado; silêncio na madrugada... A idade me ensina que a tristeza vista no imediatismo do meu coração é falsa...
Acostumamos a idolatrar os dias ensolarados... e, de fato, são belos e bela é a vida na possibilidade de agir, andar, encontrar amigos e companheiros; contudo, a quietude dos dias nublados revela-nos os limites do nosso modo estar no mundo...
Vivemos acelerados, falamos e agimos preenchendo a vida para que esta não tenha nenhum vazio...
Compramos, vendemos... Nos mostramos, olhamos a estamparia do mundo... O tempo é tempo ocupado...
Assim, nos dias nublados tendemos a ficar melancólicos... Qual será o nosso medo?
Penso que temos medo de nos encontrarmos... De ver desnudados sonhos reprimidos, fragilidades camufladas...
Ninguém cresce longe do próprio coração...
Urge ousadia e coragem para viver o tempo livre, desbravando nosso próprio mundo desabitado...
Pensar, cochilar... ler um poema, ouvir uma canção... O ócio é criativo. Ele pode não ser utilitário para a lógica do mercado e do espetáculo... mas o é para que cuidemos de nós...
Robóticos, não brincamos...
Utilitaristas, não sonhamos...
Só conhecemos o que pode a força bruta... pouco sabemos do que pode o corpo no bailado das nuvens, vivenciando as potências da ternura e da suavidade...
Antes escrevíamos longas cartas; hoje, trocamos pequenas mensagens previamente codificadas no reducionismo de calar a força das palavras e de, ruidosamente, evitar as lições do silêncio...
Não fujamos da dança das nuvens...
Tempo livre... é tempo de amar e brincar, dar-se a preguiça e dar-se aos voos da vida sonhada...
Todos, nos dias atuais, sabem os dados que nos identificam socialmente... poucos, e muitas vezes nós próprios, desconhecemos o que somos nas batidas melodiosas do nosso coração... Nele, mora nossa história... e nosso eu adiado.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

ASSIM SERÁ.

“Assim é aquele que para si ajunta tesouros e não é rico para com
Deus.”
Jesus. (LUCAS, 12:21.)
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 Guardarás inúmeros títulos de posse sobre as utilidades terrestres, mas se não fores senhor de tua própria alma, todo o teu patrimônio não passará de simples introdução à loucura.
Multiplicarás, em torno de teus pés, maravilhosos jardins da alegria juvenil, entretanto, se não adquirires o conhecimento superior para o roteiro de amanhã, a tua mocidade será a véspera ruidosa da verdadeira velhice.
Cobrirás com medalhas honoríficas o teu peito, aumentando a série dos admiradores que te aplaudem, mas, se a luz da reta consciência não te banhar o coração, assemelhar-te-ás a um cofre de trevas, enfeitado por fora e vazio por dentro.
Amontoarás riquezas e apetrechos de conforto para a tua casa terrena, imprimindo-lhe perfil dominante e revestindo-a de esplendores artísticos, contudo, se não possuíres na intimidade do lar a harmonia que sustenta a felicidade de viver, o teu domicílio será tão-somente um mausoléu adornado.
Empilharás moedas de ouro e prata, à sombra das quais falarás com autoridade e influência aos ouvidos do próximo, todavia, se os teus haveres não se dilatarem, em forma de socorro e trabalho, estímulo e educação, em favor dos semelhantes, serás apenas um viajor descuidado, no rumo de pavorosas desilusões.
Crescerás horizontalmente, conquistarás o poder e a fama, reverenciar-te-ão a presença física na Terra, mas, se não trouxeres contigo os valores do bem, ombrearás com os infelizes, em marcha imprevidente para as ruínas do desencanto.
Assim será “todo aquele que ajunta tesouros para si, sem ser rico para com Deus”

quarta-feira, 13 de junho de 2018

ALÉM DE MOCINHOS E BANDIDOS.

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É necessária a entrada em cena de um novo ator, que indique a saída. Caso contrário, no lugar de novela brasileira, teremos um filme de Tarantino no qual todos se matam.

Durante os últimos dois anos, os brasileiros acompanham, embasbacados, uma novela que parece não mudar de rumo. Mocinhos pertencentes ao Poder Judiciário, ao Ministério Público e à Polícia Federal desmascaram políticos e empresários corruptos, usando todos os instrumentos da lei, e até por momentos extrapolando seus limites. Isso não diminui o justo entusiasmo dos espectadores com os mocinhos, pois estão revoltados e nauseados com os bandidos que roubaram o dinheiro do povo.

Acontece que a trama se complicou. Os mocinhos fizeram um serviço aplaudido por todos, mas no caminho foram destruindo possíveis saídas para a trama, pois não possuem os instrumentos para solucionar o imbróglio. Tampouco ajudam os meios de comunicação, que alimentam o público com os últimos lances do dia, sem parar para discutir para onde se dirige o desfecho.

Se faz necessária a entrada em cena de um novo ator, que indique a saída do labirinto. Caso contrário, no lugar de uma telenovela brasileira, teremos um filme de Tarantino no qual todos os personagens se aniquilam entre si.

Fim da metáfora.

A crise brasileira é uma crise política. Os partidos perderam sua legitimidade, pois todos eles embarcaram em manobras de conjuntura, olhando para as nuvens, e não para o céu, para os ganhos e perdas deles, e não do pais, Como se Temer ficar ou sair fosse um programa político para o futuro do Brasil. Estamos presos a bolhas que nos apequenam.

Chegou a hora de a sociedade civil exigir dos políticos comprometidos com o bem público a se disporem a trabalhar juntos, pensando no futuro, e não em candidatos. Devem fazer avançar uma frente política, suprapartidária, que coloque como prioridade no Congresso Nacional a reforma política.

Só uma reforma política que diminua o número dos partidos, permita ao eleitor ter maior informação e controle sobre seus representantes e reduza o custo e regule o financiamento das campanhas, poderá permitir que o próximo Congresso não seja uma versão do atual, que inviabiliza a governabilidade.

Uma frente parlamentar, de políticos dos mais diversos partidos, que inclusive possa gerar a base de uma nova agrupação eleitoral, com um programa mínimo de reformas básicas que tirem o pais do atoleiro.

Um programa que acompanhe os sentimentos amplamente difundidos na cidadania: em favor de um Estado que se concentre em oferecer serviços públicos de qualidade e apoie os setores mais desfavorecidos, e de uma economia com menos amarras burocráticas e carga tributária.

Uma frente que lute por uma reforma da Previdência que elimine primeiro os privilégios mais gritantes usufruídos por políticos e setores de funcionários públicos, para logo ter a legitimidade necessária para fazer avançar outras medidas mais amplas.

Uma frente que possa ser o embrião de um partido político que se assuma como um centro radical, sensível tanto às necessidades sociais como às demandas empresariais legitimas, que modernize o Estado, avesso ao corporativismo e com um sólido código de ética, aberto às transformações de valores promovidos por grupos identitários e às exigências de respeito ao meio ambiente.

Poderemos assim mudar de rumo, salvar a democracia e recuperar a esperança.

terça-feira, 12 de junho de 2018

LIANE A NAMORADA QUE SONHEI.


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Eu estava a suplicar por carinho, companheirismo e amor. Eu gritava de forma estrondosa por alguém que me proporcionasse tais alegrias. E por motivo do destino fomos apresentados um ao outro.

Você mudou totalmente o meu modo de pensar, me fez enxergar que o amor não é só contato de lábios ou abraço caloroso, e sim um sentimento que desperta lá no fundo de nossos corações.

Sei que é muito cedo para falar de amor, mas não posso guardar só para mim um sentimento tão forte como esse que você me fez sentir. É um doce remédio que alivia as minhas preocupações e me dá forças para fazer de minha vida algo muito especial.

Às vezes na vida perdemos oportunidades magníficas de felicidade. Mas essa eu não vou perder, que é a de estar ao seu lado. Gosto e admiro muito você

Minha companheira, só queria lembrar que tem algo dentro de mim que pertence a ti, algo que tinha jurado nunca mais entregar a ninguém, mais isso foi antes de te conhecer.

Hoje posso afirmar que ele é todo teu. E se há um motivo pra que ele bata tão forte desde quando me levanto, até mesmo a hora de ir deitar, esse motivo leva teu nome.

Como explicar tudo o que você consegue despertar em mim sem ao menos um toque? Como pode me passar tanta segurança sem ao menos um olhar? Como pode me fazer sorrir sem ao menos dizer nada?

É nessas horas e com essas perguntas que você descobre que não importa o tempo que ele existe, não importa como ele chegou em ti, ele simplesmente está ai para ser vivido, para ser sentido.

Hoje tenho a mais pura certeza de que é você mesmo quem eu amo, quem eu preciso, quem eu quero para fazer e ser feliz.

Por tanto tempo procurei alguém como você, e agora que encontrei eu não quero nunca te perder, eu não sei o que vai ser da minha vida sem teu amor, sem teus carinhos, eu te amo minha vida, eu te amo muito mesmo! Tenho tanto medo de viver sem você que a cada minuto que passa aumenta esse amor, um amor tão puro e verdadeiro, um amor lindo e perfeito.

Depois que te conheci a minha vida mudou, eu ando com um sorriso no rosto, eu sou mais feliz. Você é a única pessoa que me faz tão bem, a única pessoa que está me fazendo feliz. Peço todos dias, todas as noites, para que Deus abençoe nosso namoro, e que possamos ficar juntos pra sempre.

Eu quero envelhecer do seu lado, eu quero ser o velho mais chato que existe, mas eu quero estar do seu lado. Eu tenho é sorte de ter te encontrado! Eu te amo muito menininha, e vou te amar pra sempre, vou cuidar de você, te mimar, fazer suas vontades, te botar pra dormir e dizer que te amo em seu ouvido eternamente.

domingo, 10 de junho de 2018

A AUSÊNCIA DA PÁTRIA

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Passei o último feriado com as cartas de Sêneca. Faminto de consolo e esperança, suas palavras brilham como Sol, depois de vinte séculos. Livres de ilusão, as cartas não cultivam dissabores, antes produzem um sentimento de autonomia e liberdade diante dos reveses destino e da humana condição.

Uma filosofia sem arroubos, madura, pronunciada a meia voz, ensaiando um repertório de escolhas capazes de nos libertar da dispersão e da tristeza de que somos presas. E impedir nossa entrada num labirinto de dor e aflição, de onde mal conseguimos sair, tão prisioneiros nos sentimos.

As cartas de Sêneca podem servir como guia de sobrevivência ao Brasil atual, ao profundo mal-estar que nos fere a cada dia, com seu instinto de ódio e guerra, dos súditos da cólera e das paixões tristes, movidos por slogans e ações políticas que redundam em teatro de bonecos. As cartas oferecem um sabor de exílio, no entanto para dentro, como quem tempera seus instintos, num alternar-se de triunfo e desventura, que foi quanto vivemos nos últimos vinte anos, em compasso de espera de novas eleições.

Passeio no jardim, de olhos cansados e audição precária, enquanto leio Sêneca para esconjurar o travo amargo que nos cerca e não dá trégua. A carta sobre a virtude traz uma leveza singular, assim como aquela sobre o uso do tempo e ainda outra acerca das vantagens da vida solitária. A conclusão da carta sobre as paixões diz: “amamos nossos vícios, preferimos defendê-los e desculpá-los.” Fecho suas páginas, expulso, de repente, de uma impossível harmonia.

Porque o Brasil é uma ideia fixa, rumor de fundo, paixão e desengano, dolorosa ferida, hábito feroz. Como desligar-se de seus reveses e rupturas, esse meu vício cruel, que desculpo e defendo. Talvez porque não aceite uma cidadania “in vitro”, separada por estamentos, redimida tão somente pela força das armas quando assassinam uma vereadora e atiram na caravana de um ex-presidente, sem contar as mortes no morro e no asfalto, insultos aos direitos humanos, vergonha da sociedade civil.

Longe de seus destinos, uma parte do Brasil vai à deriva, enquanto outra parte, ativa, silenciosa e resiliente não perde o norte. Setores do campo e da escola, da periferia e da universidade sentem as dores do parto. Um Brasil a contrapelo, maior que seus representantes, centrado na ética do trabalho e da palavra, radicado em práticas mutualistas, já se tornou irreversível, desde as camadas populares.

As cartas de Sêneca dirigem-se hoje para uma ideia republicana em ato, concreta e cidadã, com um profuso sentimento de paz, construído passo a passo com a simetria de oportunidades iguais para todos.

Como disse Sophia de Mello Breyner: “Quando a pátria que temos não a temos, perdida por silêncio e por renúncia, até a voz do mar se torna exílio, e a luz que nos rodeia é como grades".

sábado, 9 de junho de 2018

A NATUREZA DE TRUMP.

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Quem planta limoeiro espera colher limão. No entanto, nossa sociedade, movida pela ótica analítica, e não pela dialética, se acostumou a examinar os fatos por seus efeitos e não por suas causas.

O próprio sistema ideológico no qual vivemos cuida de encobrir as verdadeiras causas. Assim, apregoa que há países pobres porque seu povo não é empreendedor; muçulmanos são potenciais terroristas; presos comuns, irrecuperáveis; homossexuais, pervertidos; negros, inaptos às carreiras científicas etc.

Trump surpreende muitos. Sobretudo seus aliados. Ninguém esperava que o seu primeiro soco na cara de governos da América Latina fosse exatamente em gestões que se postavam de joelhos diante da Casa Branca: México e Argentina. Se fosse na cara do governo da Venezuela não teria surpreendido.

Trump deu uma rasteira em seus mais fiéis aliados, como agora faz com os governos europeus, ao adotar medidas protecionistas prejudiciais ao Velho Continente e abandonar o acordo nuclear com o Irã.

Trump é louco? Porá fogo no mundo, como Hitler fez na Europa e Nero em Roma? De modo algum. Louco rasga dinheiro, e Trump sabe como multiplicá-lo. Ele é fruto genuíno do sistema cujo valor primordial é a competitividade e não a solidariedade. E aparelha sua administração para consolidar os mais caros “valores” de quem pratica a idolatria do dinheiro: supremacia dos brancos; fortalecimento dos privilégios dos ricos; anulação de direitos sociais, como saúde; liberação da CIA para sequestrar suspeitos em qualquer ponto do planeta, torturar e manter cárceres clandestinos etc.

Se quem planta limoeiro colhe limões, quem planta essa perversa noção de que é direito natural ser rico em um mundo majoritariamente pobre (a renda de 1% da população mundial supera a de 99%), legitima a desigualdade e a violência.

A propaganda é avassaladora. Tirânica, como analisou Hannah Arendt. Incute-nos a ideia de que só os ricos são felizes, pois têm acesso ao luxuoso e requintado mercado de bens supérfluos. Ou vemos com frequência a TV exaltar quem partilha seus bens ou defende os direitos dos negros e homossexuais?

O sistema não tem o menor interesse nas pessoas, exceto se potencialmente consumidoras. O que importa é o lucro e a acumulação de riquezas. Se um país é pobre, isso resulta de sua falta de cultura e criatividade. Assim, jogam-se para debaixo do tapete as verdadeiras causas: séculos de colonialismo, de tirania a serviço dos países metropolitanos, de extorsão de recursos naturais e exploração da mão de obra.

Exemplo disso é o Brasil, no qual os portugueses tudo fizeram para evitar uma nação de letrados. A primeira impressora desembarcou aqui em 1808, com Dom João VI, mais de três séculos após o início da colonização. E a primeira universidade foi inaugurada em 1920, no Rio de Janeiro.

Trump é um imperador que se acredita revestido de cabelos de ouro. Seu país viola impunemente a soberania de inúmeros outros através de suas empresas e bases militares. Quantas bases militares estrangeiras existem nos EUA? O dólar é a moeda padrão internacional. Se os EUA tossem, a economia global se gripa.

O bom de Trump é que, agora, ele exibe as garras afiadas de Tio Sam. Este já não faz questão de esconder sua verdadeira natureza sob a fachada de bom velhinho. Clark Kent se despe, afinal, de sua cara de boa gente. Quem acreditou na humanização do capitalismo talvez se convença de que serrar os dentes e as garras do tigre não anula a sua natural ferocidade

quinta-feira, 7 de junho de 2018

AO REDOR DO FOGÃO A LENHA

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"Fim de semana na casa dos avós, lá no interior. Todos acordam bem cedo, junto com o galo, dono do galinheiro. O cheiro é de café novo, fumaça de lenha e prosa. (…) No canto da parede as brasas já brilham o vermelho do fogo. (...) As pessoas se juntam ao redor, os rostos vão ficando corados e alma se aquece. É o aconchego do fogão a lenha.

Na essência desse suave movimentar, o fogão a lenha protagoniza o ambiente desde tempos remotos, por aqui e em todo país, fornecendo com apreço o alimento, mas também estabelecendo relações de convívio, trocas e afetos. Na realidade atual, cheia de aparatos eletrônicos e luzes azuladas, ele volta à cena doméstica repaginado, aparece nos projetos contemporâneos em diversas roupagens para fazer o morador se reconectar a uma época ancestral e, sem correria, reunir amigos e parentes para compartilhar.

O fogão a lenha tem sempre um apelo familiar, que vem do sentido da convivência, do agrupamento e, claro, da boa comida. Hoje, explicam, ele consegue entrar em praticamente todos os tipos de composição decorativa, já que agora é encontrado em vários modelos, dos mais rústicos aos modernos, e com opções de receber o acabamento ao gosto do cliente. "Existem peças de ferro, tijolinho, aço fundido, alvenaria, esmaltadas e com diversas formas de finalização, do inox, o ladrilho hidráulico ao barro", elucidam.

Com a ressignificação da cozinha na casa do século 21, os lugares onde o fogão a lenha pode ser inserido são novamente valorizados, e ele cabe bem em espaços gourmet, coberturas e varandas, por exemplo. "Vivemos um momento de resgate de tradições, de reconhecimento da gastronomia gaúcha, marcada fortemente pela cozinha a lenha. Com o fogão, os cômodos são criados para receber, cozinhar e experimentar as variadas comidinhas, nos remetendo a princípios culturais".

quarta-feira, 6 de junho de 2018

EU, CADEIRA PRESIDENCIAL

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Ando muito fria nos últimos tempos. Ninguém me esquenta. Havia uma senhora sentada sobre mim. Recordo que ela se levantou, abrupta, ao receber a carta na qual seu vice se queixava de ser uma figura decorativa. E, súbito, a senhora sumiu...



Veio então o decorativo senhor e me ocupou. Mas ainda não esquentou assento. Prefere atender a turma do beija-mão fora de mim. Já a do beija-bolso, nos porões do Palácio Jaburu.



Agora me sinto reduzida ao jogo infantil do senta-levanta. Em poucos dias, três bundas diferentes desabaram sobre mim. Já nem sei quem governa o Brasil. O piloto sumiu! A rotatividade presidencial anda acelerada.



Só me resta ficar aqui à espera de que a nação assegure um mínimo de estabilidade ao país e fundilhos dignos e limpos a quem meus braços acolhem e meu estofado sustenta.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

OS SINOS TOCARAM.

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A cerimônia estava quase se encerrando e os sinos começaram a tocar. Olhei para o relógio: eram 11h30min. As palavras silenciaram, parei por uns instantes, aquela audição me reportou a outros tempos. Du
rante toda minha infância, na ausência de relógio, os sinos dobravam anunciado que o meio-dia estava próximo. Cresci ouvindo o toque dos sinos. Certamente os sinos não anunciavam somente o horário. Seria uma finalidade por demais resumida, diante de tudo o que aquele sonoro badalar pode significar. Foram apenas uns segundos ou minutos, mas a intensidade era tanta que dava a impressão de estar, lá naquele lugar, há muito tempo escutando silenciosamente. Erra drasticamente quem confunde o toque dos sinos com outros ruídos. Sino é sinal, melodia, elevação, recordação, lembrança. Um sino não pode ser comparado com nenhuma outra sonorização. Hoje já não ouvimos frequentemente o toque do sino. Os centros urbanos colecionam variados barulhos. Sem contar que uma grande maioria opta por fones de ouvido, assim escutam somente o que gostam.

Muitas pessoas caminham de cabeça baixa, centradas unicamente nos seus problemas, tendo como cenário apenas o próprio mundo. Não são poucos os que passam longo tempo sem olhar para o céu, sem dar-se conta de que as estrelas continuam brilhando, que as nuvens se fundem e formam figuras, que os raios do sol ainda têm brilho, que a chuva ora é miúda, ora é muito forte. O mundo virtual acaba roubando a melhor parte do tempo, ao ponto de restringir os humanos à condição de inquilinos do planeta. Não basta estar neste mundo, é necessário sentir-se parte da criação. Já que todos utilizam o oxigênio disponibilizado gratuitamente, seria importante apreciar essa obra maravilhosa, a casa comum da humanidade de todos os tempos. A natureza não produz ruídos, emana uma diversidade de sons. Se existem ruídos, estes são produzidos pelos humanos, que inventam máquinas que impactam no silêncio, impedindo ou prejudicando a harmonia.

Quando os sinos pararam de tocar, as palavras tornaram-se desnecessárias. Uma mensagem havia impregnado o coração dos presentes. Por uns instantes, a sensação era de que o céu tinha feito uma visita à terra. Mas como a hora já estava adiantada, era necessário partir. Depois de tantos anos, tive a oportunidade de ouvir novamente os sinos que marcaram minha infância. Os grandes centros urbanos já não aceitam o toque dos sinos. Uma das causas da grande insatisfação, que invade os humanos de todas as idades, pode ser a pouca sensibilidade diante dos sons e dos sinais. A natureza, como um todo, tem muito a ensinar, mas é preciso prestar atenção e saber escutar. O toque de um sino pode aliviar a solidão, renovar a esperança, elevar o pensamento, direcionar o olhar para o céu. Quero continuar ouvindo os sinos das solitárias igrejas e capelas, distribuídas ao longo dos caminhos. Afinal, o sino auxilia na tomada de consciência da única verdade: um dia teremos que partir. A terra não é o endereço definitivo de ninguém. Quem tem sino, certamente tem céu.

REENCONTRAR-SE, QUE EMOÇÃO.

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De pés descalços na grama da vida andava e observava outros andares. Uns seguiam devagar, outros corriam, outros ainda parados absorviam o momento. A emoção do reencontrar-se consigo mesmo se fazia presente.

Seguiam apoiados por alguma mão a lhes guiar, até que pudessem seguir sozinhos. Eu também fui conduzida até que pudesse sozinha andar. Em sequência guiei outros andares que passaram pelo meu caminho, e como um deleite observava quem eu conduzi, auxiliando outras pessoas nessa passagem, ensinando-os subir, descer, e se desafiar. Era mágico observar com todo carinho quem agora assumia direções e contribuia com o caminho do outro. Cada um guiava do seu jeito, uns calma e tranquilamente, outros mostravam a ansiedade, mas leve era seu deslocar.

Andavam em círculo, sem destino, sem direção, ou mesmo na contramão, mas, andavam de acordo com como compreendiam e percebiam o seu viver. A necessidade de cada um se fazia presente. O desalento também ocupava um lugar, mas não representava tudo que estava sendo sentido. Era preciso ressignificar.

A música da vida embalava-os entrando pelos ouvidos e resgatando emoções. A melodia e o ritmo penetravam nos poros, nas entranhas daqueles que procuravam se conectar.

O toque com a grama fazia-os se sentirem vivos, únicos, absortos nesse andar. Uns dançavam a vida que de dentro deles transbordava, outros corriam, assumiam riscos. Outros ainda contemplavam, com o olhar para o alto e para o chão, a procura do seu ontem e do seu amanhã.

Sob céu azul e serenidade seguiam os ciclos, misturavam-se as histórias, e todas representavam uma maior, a sua. Era a verdade do universo a se mostrar e unificar.

Alguém lá no fundo se abraçou e chorou. Era o momento da transformação, de mãos dadas consigo mesmo enxugou suas próprias lágrimas e seguiu. De olhos fechados para os desafios que viriam naquela existência seguia seu viver. A compreensão não alcançava, tudo que precisava experimentar. Mas conectava-se consigo, e com o seu andar, e confiava na ajuda que viria. Essa fé o manteria e mesmo que por vezes a venda nos olhos impedisse de ver além, de enxergar o amanhã, seguia da melhor maneira possível.

Eu, sentada a beira do caminho, observava esses andares. Momento este que representava a chama da emoção sentida. Era a transformação do amor, a vida que se mostrava presente nos registros de carinho impressos nas pessoas que passavam por aquele lugar.