terça-feira, 17 de julho de 2018

QUAL É A SUA VERSÃO?

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Tipificar, caracterizar e distinguir é uma mania dos filósofos e pensadores que primam pela clareza e evitam confusões. Confundir é colocar tudo no mesmo fundo, fundindo, misturando e embaralhando aquilo que, bem pensado, são coisas diferentes. Com a Ética acontece o mesmo fenômeno. Fala-se em falta de ética, de antiética, de imoral, como se a ética fosse uma coisa única, clara e transparente a todos. E não é. Nem é clara e transparente a todos e nem é uma única. Na verdade, não há isso que chamamos A ética, o que há são várias éticas.

Diga-se, de passagem, que há também uma importante distinção entre ética e moral. Moral é o conjunto das normas de certo e errado compartilhadas por uma determinada comunidade histórica. Moral é sempre histórica, situada, particular e em transformação em seus valores. A escravidão já foi moral, o machismo já foi moral, matar animais para se alimentar continua sendo moral. Moral são as normas de comportamento com caráter de bom e mau. A moral responde à pergunta: o que eu devo fazer para ser bom? As normas morais vigentes dizem o que fazer.

A ética é de outra ordem. A ética não responde o que devemos fazer, mas por que devemos fazer ou por que não devemos fazer. A ética dá as razões das normas morais, legitimando-as ou deslegitimando-as, mostrando sua consistência ou inconsistência. Na medida em que a ética, a ciência da moral, a reflexão sobre a moral, pretende dar as razões das normas, então, ela se vale de critérios que podem ser tomados como princípios norteadores das normas morais. E aí entra a pluralidade da ética. Não há uma única ética como critério universal, mas várias. E agrupadas em duas vertentes que tecnicamente nomeia-se: éticas teleológicas e éticas deontológicas. Ou se quiser, éticas consequencialistas e éticas principialistas.

Para as éticas consequencialistas importa o resultado e não a regra prévia à ação que diz o que tem que ser feito. Para as éticas deontológicas importa seguir a regra à risca, sem exceção e sem contextualização. A questão de fundo é pois de intenções e de resultados. A boa vontade de seguir a regra ou o melhor resultado, independente das consequências e dos resultados? Eis a questão.

Se a escolha recair sobre os resultados então teremos o consequencialismo em três versões. a) Se o que importa é o bom para o sujeito da ação, então temos o egoísmo ético. b) Se o que importa é a consequência boa para o outro, mesmo com o sacrifício do sujeito da ação, então temos o altruísmo ético. c) E, se o que importa é a consequência boa para o maior número de pessoas implicadas na ação, então temos o utilitarismo ético.

Na versão deontológica ou principialista, as mais famosas e importantes versões das éticas são a ética cristã e a ética kantiana. Ambas têm algo em comum, o que importa é seguir a regra e ela vale para todos. Não matar, não roubar, não violentar, não mentir. A ética religiosa cristã pressupõe a fé em Deus, razão da própria norma. Para a ética kantiana, basta a racionalidade da regra que se impõe como um dever e um imperativo categórico universalmente válido. A regra cristã diz: tu deves amar o próximo como a ti mesmo. A ética kantiana diz: o que vale para ti, que valha para o outro. Se não gostarias que o outro te trate como meio, trate o outro como fim em si mesmo também.

As cinco versões pretendem apresentar um critério que seja suficientemente forte e universal e que possa ser aplicado com validade universal. Qual a melhor das versões? E qual a tua versão? Ou será que não há a melhor e para evitar contradições haverá de sempre avaliar a versão e o contexto e seus resultados? Como somos finitos e falíveis, não há ética que seja A ética e, no cotidiano, para continuarmos merecermos usar a palavra ética, deveríamos, no mínimo, pensar, ajuizar e deliberar com coerência virtuosa.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

COMO DAR A NOTÍCIA.

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Num Seminário de futuros médicos o cenário trazia presente a relação médico e paciente, o assunto, no entanto, era incomum: como dar uma notícia triste. A importância da espiritualidade, no momento de comunicar um diagnóstico nada favorável. Situações como estas trazem presente o quanto as palavras são insuficientes, para dizer o que é profundo, pontual e, muitas vezes, irreversível. Realmente não é suficiente ter habilidade e boa comunicação. Quando a vida está em jogo ou diante de um risco, é preciso deixar o coração falar, utilizando o menor número possível de palavras. Os gestos podem expressar, com maior fidelidade, o sentimento que embarga as palavras e nos transporta, por uns instantes, para o lugar da outra pessoa. Os profissionais da saúde carregam consigo uma grande responsabilidade diante da vida e da respectiva missão do cuidado.

Ninguém está totalmente seguro em dar uma notícia e muito menos preparado para ouvir o que não gostaria jamais de ouvir. Mas a vida é feita de tudo um pouco. Momentos bons se alternam com situações difíceis, alegrias e lágrimas brincam de roubar o lugar uma da outra. Ânimo e desânimo, por vezes, ocupam o mesmo palco, apenas mudam-se os cenários. Estar realmente preparado para acolher as diversas situações da vida, não é tarefa muito fácil. Porém, ninguém foge de determinadas situações. O que parece impossível acontecer talvez alcance a realidade mais cedo do que se imagina. Acostumar-se com essa dinâmica e com o amontado de situações é uma obrigação distante da possibilidade de opção. Apesar de todas essas possibilidades, a vida segue em frente e continua sendo o mais belo dos embalos, a mais extraordinária história existencial. Viver é um ato humano com o toque divino. Com ou sem preparo, todos são desafiados a abraçar a vida, independentemente deste ou aquele diagnóstico.

Aqueles jovens, acadêmicos de medicina, permaneceram muito atentos. Todos sonham, certamente, com uma carreira brilhante. Naquele entardecer deu para ver o quanto a vida pulsa no coração daqueles que se preparam para cuidar da vida dos outros. Ao mesmo tempo, parece ter sido consenso de que não basta multiplicar palavras, é importante ter conteúdo existencial e espiritual para poder comunicar a situação de cada paciente. Contar notícias alegres e vitoriosas é muito mais fácil do que dizer para alguém que os próximos tempos serão de intensa luta, onde a boa vontade e ao auxílio químico deverão se somar. Quem tem profundo amor à vida, faz de tudo para garantir a saúde do corpo e da alma. Apesar da finitude terrena, é possível avançar mais um passo e abandonar-se totalmente nas mãos do Criador. A espiritualidade não resolve problemas, mas favorece a esperança e renova as energias. Viver alegre, mesmo sabendo que, um dia, será necessário partir, é uma das características das pessoas que professam a fé. Feliz de quem não abre mão do cultivo da espiritualidade.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

QUATRO IMPORTANTES COMPROMISSOS


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* Seja impecável com sua palavra. As palavras têm imenso poder e não devem ser usadas levianamente. Diga apenas aquilo em que acredita, usando corretamente sua energia. Fuja de mexericos e de comentários negativos:


* Não leve nada para o lado pessoal. Quando alguém fala de você, está na realidade expondo a si mesmo. Não absorva insultos e não se deixe levar por adulações. Aprenda a se tornar imune às opiniões alheias.


* Não tire conclusões. Atenha-se apenas à realidade imediata e concreta. Não imagine "coisas" sobre amigos e parceiros. Seja sempre claro e transparente e exija que os outros também o sejam, ignorando o que há de nebuloso ou mal-explicado.


* Sempre dê o melhor de si. Em qualquer circunstância, mesmo nas situações mais insignificantes, faça o melhor -- nem mais, nem menos. Rejeite sacrifícios ou esforços extenuantes: faça o que pode, da melhor maneira possível.

Ensinamentos para incorporar diretrizes ao dia-a-dia, afastando o inferno da depressão, da insegurança e da dependência e conquistando a única e verdadeira liberdade -- a que vem da alma, aquela que cada indivíduo concede a si mesmo.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

O HIPOCONDRÍACO

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Em tempos de remédios falsificados e laboratórios sedentos de lucros exorbitantes, vale lembrar deste consumidor compulsivo que faz da bula Bíblia:

o hipocondríaco. Ele padece do mal de ter mania de doenças e adora tomar remédios. Ao passar à porta da farmácia não resiste e pergunta: "O que tem de novidade?".

Nada mais ofensivo ao hipocondríaco do que erguer um brinde e desejar-lhe "saúde!" Ele só frequenta coquetel de vitaminas. Encara sempre o interlocutor com aquele olhar de quem diz "ando sentindo coisas que você nem imagina". No telefone, faz voz de vítima. Cara a cara, suplica, saliente a compaixão do outro.

Está sempre entrando ou saindo de uma gripe; já tomou todas as vacinas; sofre da coluna; padece de insônia; e trata médico como faz com motorista de táxi: "Tá livre?"

O hipocondríaco entra na Justiça exigindo mandado de prisão contra os radicais livres e duvida que alguém possa imaginar o tamanho da enxaqueca que teve ontem. Enquanto outros fazem shopping, o prazer do hipocondríaco é visitar drogarias de vitaminas importadas. Ingere pela manhã o abecedário em drágeas e nunca se deita sem antes tomar um chá de ervas. Hipocondríaco não tem plano de saúde; prefere cota de cemitério. Gosta de se separar da família para morrer de saudades. E fica doente de raiva quando alguém diz que ele aparenta boa saúde.

O autêntico hipocondríaco carrega sempre uma dorzinha de lado, uma unha encravada, uma afta na boca, uma irritação na garganta, uma dor na coluna e umas tonturas estranhas.

Para o hipocondríaco, esposo ou esposa ideal é a que banca o enfermeiro; cadeira confortável é a de rodas; e cama macia, a de hospital. O hipocondríaco é a única pessoa que, pelo som, distingue sirene de ambulância da de viatura de polícia e de bombeiro. O guru do hipocondríaco é Hipócrates, e sua filosofia se resume nesta questão metafisica: "Se a gente nasce deitado e morre deitado, por que não viver deitado?" .

terça-feira, 10 de julho de 2018

ABC...

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Cada vez que faço uma visita, meu sobrinho, entre uma brincadeira e outra, faz questão de mostrar que já sabe ler. Aprendeu cedo o som das letras e desenvolveu rapidamente a habilidade de agrupar sílabas e formar palavras. É maravilhoso acompanhar as crianças na iniciação à leitura. A impressão que fica é que elas descobrem o mundo, com uma cadência empolgante. Ler e reler é uma forma de existir, de assimilar, de desvendar o desconhecido. Algumas pessoas não ficam longe de uma leitura diária. Outros já passam longos períodos sem abrir um livro ou se deter em algum texto. A importância da leitura é indiscutível. Não é suficiente armazenar informações, nem passar rapidamente os olhos nas manchetes, muito menos fixar-se em imagens. Os horizontes se alargam a partir do contato com o conhecimento científico. Ler sobre temas substanciosos, de fontes fidedignas provoca avanços, inspira transformações, impele à construção de melhorias. Pessoas dedicadas à leitura enxergam mais longe, são capazes de protagonizar uma quantidade maior de esperança.

Saber ler é uma necessidade, uma conquista, um caminho. Por incrível que pareça, muitas pessoas ainda não tomaram contato com as letras. Sabem que existe o alfabeto, mas não conseguem movimentar-se entre o A e o Z. de um jeito ou de outro, somos responsáveis por tal situação. A educação não é prioridade porque aceitamos que ela seja tratada assim, deixando muitos à margem do conhecimento. Por outro lado, a iniciativa pessoal é determinante. É maravilhoso ver a dedicação de muitos frequentando bibliotecas, participando de debates, acessando bases de dados, sentindo saudades das salas de aula. Querer aprender, desejar saber é estar no caminho que leva à felicidade. A superficialidade e o ‘achismo’ não preenchem as buscas mais profundas dos humanos de todos os tempos. As ferramentas de acesso estão cada vez mais sofisticadas. Mas nada move aqueles que se instalaram confortavelmente na acomodação e no desejo de simplesmente aproveitar a vida, saltando de uma facilidade para outra.

Meu sobrinho ama estudar, gosta de receber livros de presente, sabe contar histórias e até inventa desfechos que roubam risos dos presentes. O amor às palavras é algo incrível. Quantos sentimentos e pensamentos são gerados através de significativas leituras. Mas a vida pede algo mais do que o simples contato com as palavras: é urgente aprender a ler o que não está escrito nas entrelinhas dos versos e parágrafos redacionais. A vida já não acontece unicamente no mundo físico. A realidade virtual atinge todos, em todos os recantos do mundo. Mesmo que uma parcela da população não tenha acesso às novas tecnologias, todos estão cadastrados em algum cadastro virtual. O mundo não piorou, apenas tornou-se mais complexo. É preciso ir um pouco mais adiante do que simplesmente juntar letrinhas e formar palavras. Quanto mais intensa for a vida, mais significativas serão as palavras. Sem esquecer que tem silêncios que falam alto. É possível ler o que não foi escrito, entender o que não foi dito. Isso supõe sabedoria. Uma pessoa sábia não abre mão do cultivo da própria interioridade. Precisamos continuar contando histórias que empolguem e que permitam a escolha de um final à altura das buscas mais profundas da existência. Além de formar palavras, que saibamos amar profundamente a vida.
   

segunda-feira, 9 de julho de 2018

CARTA ABERTA A NOVA BLOGUEIRA LILIAM

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Querida amiga Liliam.
Para os que não sabem, Liliam reside em Cascavel - PR e a partir de agora escreve e assina o Blog Mulher Sustentável, do qual fui um modesto apoiador desde que a ideia foi concebida. Recomendo-o a todos os meus leitores. 
Liliam seu post começou muito bem. Começou agradecendo. É de suma importância que saibamos agradecer as dádivas que o Senhor nos concede cada dia: 
A largueza da vida; o ar abundante; a graça da locomoção; a faculdade do raciocínio,
a fulguração da ideia; a alegria de ver; o prazer de ouvir; o tesouro da palavra;
o privilégio do trabalho; o dom de aprender; a mesa que nos serve; o pão que nos alimenta; o pano que nos veste; as mãos desconhecidas que se entrelaçam no esforço de suprir-nos a refeição e o agasalho; o aconchego do lar; o doce dever da família;
o contentamento de construir para o futuro; a renovação das próprias forças...
Muita gente está esperando lances espetaculares da “boa sorte mundana”, a fim de exprimir gratidão ao Céu.
O cristão, contudo, sabe que as bênçãos da Providência Divina nos enriquecem os ângulos mais simples de cada hora, no espaço de nossas experiências.
Nada existe insignificante na estrada que percorremos.
Todas as concessões do Pai Celeste são preciosas no campo de nossa vida.
Utilizando, pois, o patrimônio que o Senhor nos empresta, no serviço incessante ao bem, aprendamos a agradecer. 
Você pode estar pensando agora o quanto demorou para tomar a iniciativa. Então saiba que nada se realiza aos saltos e, na pauta da Lei Divina, não existe privilégio em parte alguma. 
Enche-se a espiga de grão em grão. Desenvolve-se a árvore, milímetro a milímetro.
Nasce a floresta de sementes insignificantes. Levanta-se a construção, peça por peça.
Começa o tecido nos fios. As mais famosas páginas foram produzidas, letra a letra.   A estrada mais longa é pavimentada, metro a metro.O grande rio que se despeja no mar é conjunto de filetes líquidos. Não abandones o teu grande sonho de conhecer e fazer, nos domínios superiores da inteligência e do sentimento, mas não te esqueças do trabalho pequenino, dia a dia.
A vida é processo renovador, em toda parte, e, segundo a palavra sublime de Paulo, ainda que a carne se corrompa, a individualidade imperecível se reforma, incessantemente.
Age com regularidade, de alma voltada para a meta. Há percalços, lutas e espinhos,
Prossegue mesmo assim.   Guardemos a lição e caminhemos para diante, com a melhoria de nós mesmos. Devagar, mas sempre.
Um beijo no seu coração e sucesso na nova empreitada.



sábado, 7 de julho de 2018

COMO SERÁ O DESTINO DA HUMANIDADE?

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A humanidade está sob várias ameaças: a nuclear, a escassez de água potável em vastas regiões do mundo, o aquecimento global crescente, as consequências dramáticas da Sobrecarga dos bens e serviços naturais, indispensáveis à vida (the Earth Schoot Day).

A estas ameaças se acrescenta uma outra não menos perigosa, aventada já por vários analistas mundiais como os prêmios Nobéis Paul Krugman e Joseph Stiglizt. Recentemente um economista ítalo-argentino, Robeto Savio, co-fundador e director geral da Inter Press Service (IPS), agora emérito, escreveu um artigo que nos deve fazer pensar sob o título:”Trump veio para ficar e mudar o mundo”(ALAI-America Latina en Movimiento de 20 junio de 2018).

Aí afirma que Trump não é uma causa da nova desordem mundial. Ele é um sintoma. O sintoma de tempos em que os valores civilizatórios que davam coesão a um povo e às relações internacionais, são simplesmente anulados. O que conta é o voluntarismo narcisista de um poderoso chefe de Estado, Trump, que no lugar destes valores colocou o dinheiro e os negócios pura e simplemente. São estes os que definitivamente contam. O resto são perfumarias dispensáveis para o domínio do mundo.

O “America first” deve ser interpretado como “só a América” conta e seus interesses globais. Em nome deste propósito, já pré-anunciado em sua campanha, Trump rompeu tratados comerciais com velhos aliados europeus, a Aliança do Transpacífico e abriu uma arriscada guerra comercial com seu maior rival a China, impondo sobretaxas de importação de produtos que somam bilhões de dólares, além de cobrar taxas sobre o aço e outros produtos a outros países como o Brasil.

É próprio de figuras autoritárias e narcisistas fazerem pouco das legislações. Quando lhes convem passam por cima delas sem dar maiores razões. Para Trump vale mais a invenção de “uma verdade” do que a verdade factual mesma. O “fakenews” é um recurso presente em seus twitters. Segundo Fact Schecker, desde que assumiu a presidência disse cerca de 3.000 mentiras. Verdade e mentira valem na medida que respaldam seus interesses. Curiosamente venceu os principais pleitos e tem a aprovação de 44% da opnião pública e de 82% de aprovação do Partido Republicano.

Não tolera críticas e cercou-se se assessores súcubos que lhe dizem para tudo “sim” sob o risco de serem sumariamente demitidos.

Caso seja re-eleito, o que não é improvável, o estilo de governo e a negação de toda ética poderão tornar-se irreversíveis. Não esqueçamos que Hitler e Mussolini também foram eleitos e criaram as suas mentiras vendidas como “verdades” para todo um povo. Podemos esta face a um mundo marcado pela xonofobia, pela exclusão de milhares e milhares de imigrantes e refugiado, pela afirmação excessiva dos valores nacionais em desprezo dos demais.

Tais atitudes transformadas em políticas oficiais podem ser fonte de graves conflitos, cujo “crescendo” pode até ameaçar a espécie humana. Cerca de 1300 psicanalistas e psiquiatras norte-americanas denunciaram desvios psicológicos graves na personaldade de Trump.

Como será o destino da humanidade, entregue a um narcisista deste jaez, cujo paralelo só se encontra em Nero que se divertia assistindo o incêncio de Roma, com a diferença de que agora não se trata de um incêndio qualquer mas da inteira Casa Comum. Como é imprevisível e a toda hora pode mudar de posição, assistimos, assustados e estarrecidos, quais serão os futuros passos.

Que Deus que se anunciou como “o apaixonado amante a vida”(Sabedoria 11,24) nos livre de tragédas que poderão ocorrer, dada a irracionalidade de alguém que anuncia “um só mundo e um só império”(o império norte-americano).


sexta-feira, 6 de julho de 2018

VIDA DE GADO, POVO MARCADO, POVO FELIZ.

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Meus amigos e amigas torcedor@sverde-amarel@s, não me levem a mal, mas para mim é impossível torcer pela Seleção Brasileira. Estou sofrendo demais com a realidade do mundo verdadeiro.

O petróleo do pré-sal, a maior riqueza natural do nosso país, está sendo roubado pelo capital transnacional. Na calada da noite, os traidores da pátria estão entregando esse tesouro de trilhões de dólares, bloco após bloco, a preço vil. A pilhagem mais escandalosa em toda nossa história está acontecendo justamente por estes dias, embalada pela trilha sonora das buzinas, das vuvuzelas, dos gritos eufóricos da multidão hipnotizada pela Copa.

O sonho dos governos de Lula e Dilma, de usar o pré-sal para impulsionar o nosso desenvolvimento econômico e social, está sendo sepultado sob as águas do Atlântico. De leilão em leilão, de decreto em decreto, estamos sendo condenados ao eterno atraso, sem refinarias, sem estaleiros, sem indústria nacional, sem tecnologia, sem Petrobrás, importadores de gasolina e diesel. E ninguém parece estar tomando conhecimento disso.

As nossas universidades públicas, orgulho dos governos progressistas, estão em acelerado processo de desmonte, com cortes sistemáticos de recursos. O plano dos golpistas, claramente, é asfixiar o ensino superior público, sucatear as universidades gratuitas, inviabilizar o seu funcionamento, para que elas encolham e agonizem, para que as mais frágeis delas fechem as portas e o que o restante, o que sobrar, se ajoelhe perante os bancos privados, verdadeiros donos do Brasil, em busca de umas migalhas de financiamento em troca do ensino pago.

O diploma universitário voltará a ser um privilégio dos mais ricos. Aliás, já está voltando: é o que estamos assistindo, de braços cruzados, enquanto centenas de milhares de jovens deixam o ensino superior por falta de meios de subsistência, com o corte das bolsas de estudo que garantiam sua condição de estudantes.

Os direitos dos trabalhadores, a maioria deles conquistas que remontam às lutas da primeira metade do século 20, estão sendo destruídos, sem choro nem vela, por uma burguesia voraz, predadora, perversa, que prefere o fascismo a admitir um mínimo de benefícios sociais para a massa de despossuídos. Os sindicatos, principal instrumento de defesa da classe trabalhadora, marcham silenciosamente para a extinção, exaustos, falidos, sem ânimo para a resistência, hoje mais necessária do que nunca. E a multidão indiferente, bestificada, vibrando na cadência da narrativa ufanista dos galvões buenos.

Desemprego em massa, milhões de novos desesperados no olho da rua todos os meses, em meio à maior epidemia de falências de empresas em toda a nossa história -- e ninguém diz nada.

Lula, o maior líder popular brasileiros em todos os tempos, o melhor de todos os nossos presidentes, vai completar três meses na cadeia, condenado injustamente por um bando de canalhas, e ninguém, salvo um punhado de bravos, faz qualquer coisa em sua defesa...

Mas nada disso importa diante da grande pergunta, se Neymar será capaz de recuperar o seu talento, erguer-se finalmente em campo e levar a nossa pátria idolatrada ao retumbante triunfo. Esse é o foco de todas as atenções nestes dias de tragédia e de infâmia.

Até mesmo meus companheiros mais conscientes, mais combativos, alguns dos que eu mais admiro, se deixaram seduzir pelo grande circo do futebol.

Não se fala de outra coisa, não se pensa em mais nada, o país inteiro transformado num imenso rebanho marchando passivo para o matadouro. "Vida de gado, povo marcado, povo feliz"...

Uma vitória da seleção brasileira na final da Copa do Mundo será a apoteose da insensatez.

Tô fora dessa.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

AS MUDANÇAS NA NOSSA VIDA

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O passado costuma ser conhecido por eras, como as dos coletores e caçadores, agricultores nômades e sedentários etc. Eras do cobre, do bronze, do ferro...

A antiguidade grega se destaca como era do nascimento da filosofia (embora ela tenha outra mãe além da grega, a chinesa), assim como a República romana se destaca como a era do direito.

Como a nossa contemporaneidade será conhecida no futuro? Meu palpite é que seremos conhecidos como a era do fundamentalismo econômico. Porque todas as nossas atividades giram em torno do dinheiro. Era do business. Time is money. Do lucro exorbitante. Da desigualdade social alarmante. Do império dos bancos.

Era na qual apenas oito homens dispõem de renda superior à soma da renda de 3,6 bilhões de pessoas, metade da humanidade. Era na qual tudo tem valor de troca, e não de dom.

Esse fundamentalismo submete a política à economia. Elege-se quem tem dinheiro. Todo o projeto político é pensado em função de ajuste fiscal, redução de gastos em programas sociais, cortes orçamentários, privatização do patrimônio estatal, redução da dívida pública.

No altar das Bolsas de Valores, tudo é ofertado, em sacrifícios humanos, ao deus Mercado. É ele que, com as suas mãos invisíveis, abençoa paraísos fiscais, livra os mais ricos de pagarem impostos, eleva as cotações do câmbio, abarrota a cornucópia da minoria abastada e arranca o pão da boca da maioria pobre.

Outrora meus avós, ao despertar de um novo dia, consultavam a Bíblia. Meus pais, a meteorologia. Meus irmãos, as oscilações do mercado financeiro.

Sucateia-se o ensino público para fortalecer a poderosa rede de educação particular. Propõe-se a reforma da Previdência para desobrigar o Estado de assegurar aposentadoria e transferir o encargo aos planos de previdência privada.

A saúde há tempos está privatizada: médicos preferem fazer parto por cesariana; cirurgias desnecessárias são recomendadas; o SUS não funciona; os planos de saúde e os medicamentos têm aumentos sazonais.

O mais nefasto efeito do fundamentalismo econômico é, de um lado, a acumulação privada e, de outro, a exclusão social. Quem tem dinheiro prefere guardá-lo no banco e aplicá-lo no cassino financeiro a usufruir uma vida mais saudável e solidária.

Quem não tem padece a humilhação da pobreza, da carência de bens e direitos essenciais, do salário minguado e do desemprego.

A exclusão reforça as vias criminosas de acesso ao dinheiro e ao fetiche das mercadorias: narcotráfico, roubo, sonegação e corrupção. Agora o rei já não proclama “L’État c’est moi”. Ele brada “In Gold we trust”.

terça-feira, 3 de julho de 2018

FAÇA O QUE TEM QUE FAZER

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Podem nos tirar objetos acumulados ao longo dos anos, podem nos tirar o tempo, distorcer direções, colocar palavras na nossa boca que não dissemos. Também podem mostrar para o outro que somos quem eles querem que sejamos, ou quem acreditam que somos. Vendem sua ideia de nós. Grande equívoco no olhar a se mostrar, distorcendo o viver sob nossos pés...

Ficamos vulneráveis ao que pensam de nós, invadem até o que pensamos do que pensam de nós. E nós o que pensamos de nós? Interrogações vão sendo construídas. Ficamos à mercê das expectativas, das construções do outro, até perceber as contradições e assumir nossa própria direção. O que faço com o que fazem comigo ou com o que me dizem fica no meu colo até que eu ache um lugar para colocar.

Chega um tempo que fazer o que o outro acredita que deva fazer, ou o que tentam te convencer, fica para trás. Faça o que tem que fazer, o que sintoniza com você; construa dentro de si esse fazer. É transição, transformação, não é falência, nem fracasso, isso é um novo modo de entender.

Nos tirar a beleza de nos enxergar pelo que absorvemos da vida, não é simples assim, se verdadeiramente nos encontramos em nós. Ninguém nos tira quem nos construímos internamente e nem quem somos. Porque nós somos a vida que pulsa em nós; os aprendizados que construímos; o que tentamos modificar, o que conseguimos e o que ainda não conseguimos integrar.

Nós somos um eu que invade e é invadido por outro andar, mas que pode escolher o seu novo jeito de ser e de caminhar....

segunda-feira, 2 de julho de 2018

VIVER É UM ATO MARAVILHOSO


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Contar histórias para iluminar a vida é um jeito interessante de aprender e assimilar algumas coisas. Com a multiplicação dos meios, as frases, os provérbios, relatos, imagens e contos tornaram-se conhecidos por muitas pessoas. O interessante é que essas histórias são capazes de provocar profundas reflexões e desencadear mudanças. O próprio Jesus usava de parábolas para ensinar aquilo que os olhos não viam e a mente era incapaz de compreender. Num dia desses, recebi um vídeo com o título: ‘uma história tocante sobre a vida.’ E a história assim descrevia: certo dia, um jovem garoto perguntou a seu pai: qual é o valor da minha vida? Ao invés de responder, o pai disse: pegue esta pedra e vá vende-la no mercado. Se alguém perguntar o preço, mostre dois dedos e não diga nada. Então o garoto foi ao mercado e uma mulher perguntou: quanto por esta pedra? Quero coloca-la no meu jardim. O garoto não disse nada e levantou dois dedos. E a mulher disse: dois dólares? Vou levar! Então, o garoto foi para casa e contou ao seu pai: uma mulher quis comprar essa pedra por dois dólares! Então, o pai disse: filho, agora quero que leve esta pedra ao museu. Se qualquer pessoa quiser compra-la, não diga nada. Levante os dois dedos.

Então o garoto foi ao museu e um homem quis comprar a pedra. O garoto não disse uma palavra e levantou os dois dedos. E o homem disse: 200 dólares? Vou levar! O garoto ficou chocado e foi correndo para casa: Pai, um homem quis comprar essa pedra por 200 dólares. Então seu pai disse: Filho, o último lugar que quero que leve esta pedra é à uma loja de pedras preciosas. Mostre ao dono da loja e não diga uma palavra. E se ele perguntar o preço, apenas levante os dois dedos. O filho foi à loja de pedras preciosas. Ele mostrou a pedra ao proprietário, que imediatamente indagou: onde você achou essa pedra? Essa é uma das pedras mais raras do mundo, preciso tê-la. Por quanto você a venderia? O garoto levantou os dois dedos. Então homem disse: vou leva-la por 200 mil dólares. O garoto sem saber o que dizer, voltou correndo para casa: ‘Pai, um senhor quer comprar a pedra por 200 mil dólares!’ Então, seu pai disse: ‘Filho, agora você entende o valor da sua vida? Veja, não importa de onde veio, onde você nasceu, a cor da sua pele ou em meio a quanto dinheiro você nasceu. O que importa é onde você decide se posicionar, as pessoas com as quais você convive e como você decide levar sua vida. Você pode ter passado a vida toda pensando ser uma pedra de dois dólares.

Você pode ter vivido a vida toda em volta de pessoas que enxergavam você com o valor de dois dólares. Mas cada um de nós tem um diamante dentro de si. Nós podemos escolher nos rodear de pessoas que enxergam nosso valor e o diamante dentro de nós, nós podemos escolher entre nos colocar em um mercado qualquer ou nos colocar em uma loja de pedras preciosas. Você pode, inclusive, escolher ver o valor nas outras pessoas. Você pode ajudar outras pessoas a enxergar o diamante dentro delas. Escolha com cuidado as pessoas com quem você se cerca. Isso pode fazer toda a diferença em sua vida. Os dias foram passando e essa história continua interpelando minha capacidade reflexiva. Como tudo seria diferente se as pessoas conseguissem ver o diamante que cada um carrega consigo. Sejamos capazes de valorizar imensamente a vida que está em nós e a vida que está naqueles que nos rodeiam. Viver é um ato maravilhoso.