sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

SÓ A LITERATURA CONTA MENTIRAS

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Tomo a liberdade de reivindicar: a mentira é nossa. A literatura pega um fato real e transforma em mentira. Faz até mais: inventa mentiras do nada. O que mais irrita um escritor é perguntar se a sua história é verdadeira. É mentira! É pura mentira!

São mentiras que servem para a gente pensar no que acontece de verdade. Servem só para pensar. Não servem para confundir uma coisa com a outra. Por isso, são mentiras perigosas: porque fazem pensar e confundem, mesmo não servindo para isso. Quanto mais perigosas são as mentiras literárias, mais os escritores se deleitam. E os leitores penam, mas é na pena da dor que não sentiram que crescem e aprendem a tirar suas próprias conclusões. Um texto perigosamente mentiroso jamais entrega os seus segredos facilmente, não é bengala de leitor preguiçoso, não se transforma em auto-ajuda.

Reivindico a verdade dessas mentiras. O resto é falsificação. Ou podem chamar de falsidades diversamente verdadeiras. Notícias difamatórias? São uma verdade. Elas revelam os seus fins malévolos, geralmente por meio de argumentações inconsistentes, falta de informações, insinuações, conclusões obtidas a partir de falsas premissas. Comentários na internet? Verdade pura. Quem agride, insulta, ofende, ameaça e não debate, não escuta, não lê, está apenas mostrando a mais pura verdade sobre a sua pobreza intelectual. Juízo moral? Uma verdade sublime. Ninguém como um hipócrita é capaz de ser tão fiel a si mesmo em suas externações. Quando abre a boca, o universo recebe uma lição sobre a anatomia do preconceito, a sua estrutura íntima, os subterfúgios mais eficazes para desviar a atenção do tema.

O mundo anda realmente estranho. Quanto mais buscamos a verdade, mais encontramos a mentira no nosso caminho. Pior: encontramos verdades que fingem ser mentiras, usam os seus instrumentos e não podem alcançar o status de arte, ficando no patamar da informação ruim. Apenas isso. As pessoas leem mentiras pensando que estão diante da verdade e acabam por ficar sem uma e sem outra.

Esses são apenas alguns motivos pelos quais prefiro confiar em mentirosos declarados. Prefiro os escritores e os poetas. Eles são especialistas em mentiras e não enganam ninguém, não escondem os seus propósitos. Basta analisar um texto literário para perceber a sintaxe, os deslocamentos de sentido, a escolha lexical cuidadosa a fim de que ninguém se sinta ludibriado ou para que possa cair deliberadamente nas deliciosas trapaças que os textos criam.

Estou farto dos que usam os recursos literários com o pretexto de contar uma verdade, mentindo e enganando sobre a eventual verdade dos fatos. Eles deveriam entregar-se à mentira de uma vez por todas, sem receios, sem escrúpulos. Isso não é garantia de que um dia se tornem escritores, mas ao menos nos pouparia do constrangimento cotidiano de ler, desmascarar e penosamente desmontar as mentiras que tentam transformar em verdade.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

EM TODO GOLPE TEM CORRUPTOS.

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O golpe na presidente Dilma Rousseff e na democracia produzirá muitas páginas de lamento que entrarão para os anais da história brasileira. A ruptura social, política, jurídica, econômica e moral provocada com o golpe jamais serão sanadas. Porque por detrás do golpe sempre tem as mãos corruptas. Jamais os honestos e os justos promovem uma ruptura social e política como o golpe.

A prova que corruptores não suportam pessoas honestas e íntegras se confirmou no período pós-golpe. O honesto procede e se enquadra dentro das leis e normas éticas estabelecidas pela coletividade. O próprio termo honestidade é um substantivo derivado da palavra latina honos que significa dignidade e honra. Por sua vez, o corrupto não sabe o que é dignidade e honra, sobretudo pública e coletiva. O honesto faz questão de manter sua dignidade e honra sob qualquer sacrifício. Já o corrupto pensa que algo a mais pode ser seu, por isso, subtrai dos outros em próprio benefício. A diferença entre o honesto e o corrupto é como a da noite para o dia. Um age às claras e outro procura esconder seu agir.

Infelizmente mais um golpe entra para a história do Brasil, promovido por pessoas corrompidas. O mais vergonhoso é ver pessoas corruptas que continuam mandando no Brasil, fazendo leis e legislando em causa própria à luz do dia. Como é lógico, na história do Brasil o golpe nunca é dado por uma pessoa, um partido, um poder, um desejo popular, mas vem de muitas forças corruptas articuladas. O golpe de 2016 teve uma grande articulação nacional, movimentos sociais financiados por partidos políticos, empresários, grupos midiáticos e internacionais. Muitos brasileiros que foram à rua com camisas do Brasil e com a bandeira nacional hoje se sentem enganados com justa indignação. Só não sabiam que detrás do golpe existem as mãos corruptas.

Com as delações de corruptos no período pós-golpe, impressiona como se desmanchou no ar o sistema democrático brasileiro e as instituições públicas. Muitos foram os personagens, grupos, empresas, autoridades, instituições, organizações pró-impeachment. Hoje, corruptos sob investigação da Polícia Federal contam a respeito do sistema de compra de parlamentares em conluio com os grupos midiáticos, da quantia e do montante de dinheiro distribuído para compra de votos de deputados pró-impeachment. Por sua vez, o bate boca entre os agentes do Ministério Público e os prêmios oferecidos aos delatores corruptos expõem o Brasil perante a comunidade internacional ao mais baixo nível de degradação das instituições públicas e da moral.

O mais deprimente é assistir as instituições públicas envolvidas com o golpe parlamentar de 2016 perderem toda credibilidade perante os cidadãos. Como se não bastasse, corruptos continuam governando e fazendo leis sacrificando o povo do Brasil. Com indignação assistem-se diariamente desvios de finalidade das instituições e dos homens públicos. Com a precarização da autoridade e fim do Estado democrático quem manda no Brasil é o poder e o interesse econômico. Para aqueles que detêm o controle econômico, não importa se corruptos governam e controlam as instituições públicas, aproveitam-se para subtrair do patrimônio nacional em seus benefícios. O resultado do golpe foi o favorecimento das mãos corruptas que na nação não são

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

VENDO O MUNDO COM OLHOS DE CRIANÇA

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A ingenuidade toma forma; a fluidez dos aprendizados transcorre e a criança dentro de cada um cresce e se desenvolve quando tem condições para tal.

Quisera eu acordar todos os dias com olhos de criança, para me embalar na doce magia da ingenuidade de acreditar que sempre tudo pode acontecer, mudar, dar certo, enfim.

Quisera eu trocar meus olhos de vez em quando. Ver o mágico acontecer...

Quisera eu perceber que todos estão certos, ao menos os que ao meu lado permanecem. Que não existe certo ou errado, nem contradições ao meu redor.

Já fui criança e tive o coração cheio de planos e sonhos. Ainda acordo com esse gosto de vez em quando, que me dá uma sensação sem igual... Acordar a criança dentro de mim me tira algumas fortalezas que construí, ideias rígidas sobre a vida. A inflexibilidade permanece em mim até que eu encontre a minha criança e vá acordá-la.

Olhar a partir do olhar do outro ou olhar no ritmo do outro não é mais o meu olhar. Essa é a primeira constatação para a criança crescer livre e serena.

Quisera eu me embalar nesse leve divagar e transmudar os aprendizados ocorridos. Contemplar cada nova etapa, ciclo, resgatando a história vivida e a compreensão do universo.

De qualquer maneira, escolha por ti sempre. Cuide da sua criança interior, só assim ela se tornará adulta. Deixe os outros cuidarem de suas crianças, é obrigação deles. E a vida segue...

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

ORDEM E PROGRESSO

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Mesmo os críticos mais acerbos do golpe de 2016 temos que reconhecer: a economia está retomando! A mudança é claramente perceptível. Só não enxerga quem não quer.

Mesmo se os dados de todos os telejornais abundantemente irrigados pela propaganda governamental não bastassem para nos convencer disso, uma pequena volta pelas ruas, avenidas, praças e parques de qualquer cidade de médio ou grande porte, maiormente as capitais, é suficiente para nos abrir os olhos à nova realidade de estabilidade e crescimento econômico.

Tomo o exemplo de Porto Alegre. Na esquina da Ipiranga com a Azenha, só havia um rapaz que limpava os para-brisas dos carros. Agora já são dois. 100% de aumento da força de trabalho ocupada! Impressionante mesmo para o mais cético dos economistas. E além dos dois, agora há uma senhora que vende água. E um quarto que faz malabarismos e, em troca, pede gentilmente uns trocados. Em frente à UFRGS, um senhor vestido de palhaço dá, diariamente seu show de pirotecnia e equilíbrio. Antes da crise, ele só trabalhava das 17 às 22h. Agora, com a retomada da economia, ele aí está labutando das 8h da manhã às 23h.

No portão do Banrisul da Avenida Bento Gonçalves, um jovem senhor oferece abacaxi com a opção de inteiro ou em fatias. Isso que ele não é um empreendedor individual. Ele é empregado. E, como a nova legislação trabalhista permite, seu trabalho é intermitente. Só trabalha quando as condições climáticas são ótimas. Em outras palavras, nos dias de chuva, ele não trabalha. Isso só foi possível porque agora já não há, nas negociações trabalhistas, a nefasta interferência dos sindicatos.

E o mais interessante é que o novo espírito econômico começa a vencer os vícios do estado protetor e provocador da inércia. Exemplo deste novo espírito econômico, é a notória quantidade de pessoas que já não esperam pelas benesses do Estado na forma do Minha Casa Minha Vida e, com muita iniciativa e criatividade, fazem das praças, viadutos e marquises seu lugar de moradia. Em alguns pontos há verdadeiros conjuntos habitacionais que renovam a paisagem urbana.

Também no âmbito comercial, no centro de Porto Alegre então, a retomada é fantástica. Em cada esquina e sob cada marquise, verdadeiros shopping centers onde encontra-se de tudo. Pena que o prefeito Despacito Júnior, tão liberal em suas ideias econômicas, teime em querer controlar a livre iniciativa que aos poucos vai demonstrando sua superioridade em relação ao Estado opressor. Não entendo o porquê de, de tempos em tempos, ele jogar sua guarda pretoriana sobre os empreendedores individuais que exercem o comércio nas ruas e praças da capital gaúcha.

Ah! E não podia, é claro, esquecer que a educação empreendedorista está também mostrando seus resultados nas inúmeras crianças que, livres da ideologia que as prendia à tutela do Estado em matéria de educação, alimentação e lazer, lançam-se às ruas e põe-se a labutar para ganhar a própria sobrevivência. Eles não esperam por seus pais inaptos e dependentes das leis trabalhistas. Com 8, 10 ou 12 anos já andam pelos semáforos pedindo um suporte e econômico para suas atividades empreendedoras ou então exercendo o pequeno comercio de todo tipo de mercadoria, desde as importadas da China até a do próprio corpo, para educar-se no espírito empreendedor.

Estamos avançando. É um novo país que se desenha. Viva a nova economia! Viva a liberdade de mercado! Viva o espírito empreendedor! Viva a ordem e o progresso!

MUDANÇA DE ANO

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O que há de especial no início de um novo ano? Não somos trilobitas. Somos humanos, dotados da capacidade de imprimir ao tempo caráter histórico e, à história, sentido. Mudar de ano é rito de passagem. Ressoa em nosso inconsciente o alívio por terminar um ano de tantas decepções, frustrações e crises, e a expectativa de, em breve, celebrar conquistas, avanços e vitórias.

Vivemos premidos pelo mistério. Como as partículas subatômicas, somos regidos pela lei da indeterminação. Essa impossibilidade de prever o futuro suscita angústia, e nos induz a tentar decifrá-lo por via da leitura dos astros, das cartas, da premonição de videntes, dos búzios ou da rogação aos santos protetores.

Eis uma característica da pós-modernidade: em plena era da emergência da física quântica e da falência do determinismo histórico como ideologia, acreditamos que o futuro está escrito nas estrelas.

Daí a inércia, a indignação imobilizadora, a impotência frente aos escândalos éticos, ao descaramento com que corruptos são absolvidos por seus pares, essa letargia que em nada lembra um povo que inundou as vias públicas pelas Diretas Já, a queda do presidente Collor, e contra o aumento das tarifas de ônibus.

O Brasil já viveu tempos mais sombrios, como os anos de chumbo, os generais metendo no coldre as chaves dos parlamentos, a utopia dependurada no pau-de-arara, as rotas do exílio a se multiplicarem, os mortos e desaparecidos enterrados nos arquivos secretos das Forças Armadas. Ainda assim, havia sonho, e ele não era motivado pela ingestão química; brotava da fome de liberdade e justiça, fomentava o desejo irrefreável a adjetivar de novo a criatividade incensurável – o cinema, a bossa, a literatura, o tropicalismo.

No passado, o futuro era melhor. Hoje, imersos nessa sociedade da hiperestetização da banalidade, na qual as imagens contraem o tempo e a rede virtualiza o diálogo na solidão digital, andamos em busca da razão de viver. Perdemos o senso histórico, trocamos os vínculos de solidariedade pela conectividade eletrônica, vendemos a liberdade por um punhado de lentilhas em forma de segurança.

Neste 2018, seremos chamados às urnas. Haveremos de tentar discernir os idealistas dos arrivistas; os servidores públicos dos que se afogam no ego destilado na embriaguez dos aplausos; os movidos pela intransigência dos princípios éticos dos que miram os recursos do Estado como carniça fresca ofertada à sua gula insaciável.

Ano de comemorar o 70º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos e 30º de nossa atual Constituição. Impossível celebrar conquistas em direitos humanos enquanto a polícia estigmatiza como suposto bandido o morador de favela; o Judiciário mantém-se indiferente à reforma do sistema prisional; indígenas e quilombolas têm suas terras invadidas; a frouxidão da lei cobre de imunidade corruptos e, de impunidade, bandidos.

Não basta o propósito de fazer novo em nossas vidas o ano de 2018. É preciso fazer novas as realidades que nos cercam, de modo que ocorram mudanças efetivas, e a paz floresça como fruto da justiça.

Feliz 2018, Brasil!

domingo, 14 de janeiro de 2018

A VERDADE E A MENTIRA

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A facilidade de tomar contato com histórias e notícias, devido aos muitos meios, permite novos aprendizados. Ouvir uma narrativa ou conto auxilia na compreensão da própria vida. Dias atrás recebi algo interessante que falava da mentira e da verdade. Gostei muito e resolvi partilhar. Conta uma parábola que um dia a Mentira e a Verdade se encontraram.

A Mentira disse à Verdade: ‘Bom dia, dona Verdade’. E a Verdade foi comprovar se realmente era um bom dia. Ela olhou para cima, vendo que não havia nuvens de chuva, que vários pássaros cantavam e que era realmente um bom dia, respondeu à Mentira: ‘Bom dia, senhora Mentira’. ‘Está muito quente hoje’, continuou a Mentira. E a Verdade, vendo que a Mentira era sincera, relaxou-se. A Mentira, então, convidou a Verdade a se banhar no rio.

Ela tirou a roupa, pulou na água e disse: ‘Realmente, a água está deliciosa’. E, uma vez que a Verdade, sem duvidar da Mentira, tirou suas roupas e caiu no rio, a Mentira saiu da água e vestiu-se com a roupa da Verdade. Esta por sua vez, recusou-se a vestir as roupas da Mentira e, não tendo de que se envergonhar, saiu desnuda, andando pela rua. Aos olhos das outras pessoas, no entanto, foi mais fácil aceitar a Mentira vestida de Verdade, do que a Verdade nua e crua.

De fato, desde sempre, mentira e verdade disputam espaços. O ideal seria que a verdade se apoderasse de todos os recantos, não deixando nenhum lugar para a mentira. A mentira até pode, num primeiro momento, se revestir da verdade, mas é uma vestimenta muito insipiente, um disfarce com jeito de fantasia. No final de tudo, a verdade, nua e crua, assumirá seu posto e alcançará leveza e transparência. Os fatos são corriqueiros e em grande volume: a mentira tem um discurso fabuloso. Qualquer distração é suficiente para uma pessoa acreditar na mentira, achando que é verdade.

Optar pela verdade sempre será o melhor caminho, a mais adequada escolha, a certeza da felicidade que todos buscam incansavelmente. Além de tal opção, é importante manter-se atento pois a mentira gosta de vestir a roupa da verdade e enganar os que estão desatentos. Tem até gente que conta mentiras achando que as mesmas são verdadeiras. Ninguém se arrepende de aderir à verdade em tempo integral.

A mentira, cedo ou tarde, traz enganos, tristezas e decepções. Feliz daqueles que, diariamente, independente da temperatura e das condições climáticas, veste a roupa da verdade e caminha de cabeça erguida, estampando serendidade e sorrindo para as diversas realidades. A verdade é uma grife, uma roupa de marca famosa.

sábado, 13 de janeiro de 2018

APAIXONAR-SE PELA VIDA.

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Se você não quer se emocionar, então não absorva a vida – disse o andante. Fiquei absorto diante dessa encantadora colocação e comecei a refletir...

Apaixonar-se pela vida e pelas pessoas é se emocionar, é sentir o doce e o amargo de estar conectado com o pequeno universo que nos cerca. É saber verdadeiramente se conduzir e ser conduzido pelas experiências, é passar por dentro da existência e de tudo que faz parte dela.

Andar pela vida sem estar conectado a ela é não experimentar o sabor de cada etapa de nossa evolução. É seguir no automático sem fazer entregas, mas também sem realizar colheitas. É andar no empurrão (como quando outras pessoas ou ocasiões nos pressionam para tomar atitudes, falar). A entrega é o que nos torna verdadeiros.

Sentir o sangue fluir nas veias, a alegria transbordar no peito, a tristeza invadir o momento – isso é se emocionar, e é isso que nos torna seres vinculados nos diversos momentos da nossa caminhada. Sabedores de que os períodos difíceis vão passar, porque investimos nisso, utilizamos os recursos que temos e buscamos os que precisamos construir.

Precisamos nos apaixonar, quantas vezes forem necessárias, pelas mesmas pessoas ou por novas; por velhos ou novos sonhos; por projetos; por novas ou antigas situações. Apaixonar-se pelo sol, pela lua, pelo amigo, pela vida, pela luta diária, encontrando a direção e o sentido a caminho da mais honesta construção interna.

Apaixonar-se por algo que nos dê forças, que aqueça, que provoque o brilho no olhar, algo por que valha a pena lutar, tudo isso é o que nos move.

O importante é que nosso olho brilhe, que nos movamos em direção ao que precisamos realizar. Apaixonar-se pela vida nos permite encontrar força e direção para continuar...

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

ESCRAVIDÃO RONDA O BRASIL

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O trabalho escravo fere a dignidade e a consciência humana. Mas, para o governo federal as condições de trabalho degradantes e a dignidade humana parece não importunar, conforme Portaria MTB nº 1.129/2017, publicada no dia 16 de outubro no Diário Oficial da União. Ao publicar a Portaria de “condição análoga à de escravo” o governo atende os interesses dos poderosos, latifundiários, do agronegócio, de empresários desonestos.

A história da civilização e do Brasil foi manchada pela submissão de seres humanos à dura e penosa situação de escravidão. No período da escravidão as pessoas mais vitimadas foram os negros trazidos da África e os indígenas da América. A escravatura teve seu auge com o período do colonialismo. No Brasil os escravos negros foram trazidos da África pelos colonizadores europeus. Os colonizadores submeteram também os indígenas à escravidão, mas devido a sua resistência ao trabalho escravo no final do século XVIII foram abolidos. Mais sofrido foi com os escravos negros trazidos para o serviço da agricultura e para a atividade açucareira, de mineração e de serviços domésticos e urbanos. Estes, sob a força da violência se curvaram por longos anos de escravidão.

Em 1885 foi promulgada a Lei dos Sexagenários que garantia a liberdade aos escravos com mais de 60 anos idade. Mas, somente no final de século XIX é que a escravidão foi proibida no mundo. A Lei Áurea, da abolição da escravatura no Brasil foi assinada pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1888. Contudo, o trabalho escravo continua no Brasil com a chamada escravidão moderna, através do trabalho compulsório e do tráfico de pessoas. Agora, por meio da Portaria MTB 1.129/2017, o governo federal facilita as condições que ferem a dignidade humana e não caracterizam trabalho escravo. Segundo a Portaria, para caracterizar a escravidão é necessário que o trabalhador seja cerceado em sua liberdade. Isto é, que o trabalhador seja forçado de maneira involuntária, sob a ameaça de punição e com uso de coação.

O professor e advogado trabalhista Nelson Mannrich vê como positiva a iniciativa do Ministério do Trabalho, porque a portaria avançou bastante sobre o conceito de trabalho, pois a anterior era muito genérica. Para o advogado e professor Gustavo Filipe Barbosa Garcia, o conceito “condição degradante” e “condição análoga à de escravo”, destoa do conceito contemporâneo utilizado pelo Código Penal. Diz que na escravidão moderna não precisa haver a coação direta contra a liberdade de ir e vir. A escravidão moderna é muito sutil e pode decorrer de diversas situações, muito além dos constrangimentos físicos, como o econômico, social, de condições indignas.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil divulgou nota repudiando a Portaria TMB 1.129/2017, que alterou conceitos de definição sobre trabalho escravo. Para os Bispos a medida é desumana porque elimina proteções legais: "A desumana Portaria é um retrocesso que, na prática, faz fechar os olhos dos órgãos competentes do Governo Federal que têm a função de coibir e fiscalizar esse crime contra a humanidade e insere-se na perversa lógica financista que tem determinado os rumos do nosso país", afirma a nota.

De fato, a Portaria do Ministério do Trabalho dá novo fôlego para uma realidade de escravatura, facilitando jornadas de trabalho exaustivas em condições degradantes, impedindo a fiscalização, atuação e a penalização da escravidão por parte dos órgãos públicos competentes. Na prática, a Portaria é um verdadeiro retrocesso por dificultar os órgãos do Governo de exercer sua função de coibir o trabalho escravo no país. Dessa forma, o sistema capitalista coloca o capital e o trabalho acima da dignidade da pessoa humana, buscando lucro e rendimentos sem limites. Na realidade a Portaria vem acompanhar a lei da terceirização do trabalho e o fim das Leis Trabalhistas. Em suma, lucro e segurança para o empregador.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

COMPRAR VOTOS É CRIME, VENDER TAMBÉM.

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Pairam sobre as eleições gerais no Brasil a desconfiança e o ceticismo. A razão da desconfiança no processo eletivo brasileiro vem de longo tempo. Historicamente as eleições políticas caminham junto ao poder econômico. São poucos os representantes do povo que se elegem por uma mística, um carisma pessoal e por postura ideológica partidária.

A compra de votos acontece antes, durante e pós-eleição. Essa prática continua vigente, agora com larga facilidade. O atual Congresso e Senado Nacional colocam em pauta projetos e matérias de interesses públicos sob a premissa da troca de favores ou do famoso jeitinho brasileiro do “toma lá e dá cá”. Consequentemente, para manter o governo Temer no poder foram gastos nada menos de 32 bilhões de reais. Tal valor foi gasto com emendas beneficiando parlamentares em troca de votos contrários à cassação do presidente da república. Sendo essa uma prática que fere as regras do sistema democrático, da capacidade do debate político. Pior, a compra de votos é justificada pelo vice-líder do governo, deputado do PMDB Darcisio Perondi “isto faz parte do jogo democrático”. Faz parte do governo vigente, nunca do sistema democrático. Aliás, no Brasil a democracia foi detonada em abril de 2016.

A compra de votos é intensificada pela fragilidade e pelo descrédito do governo. Pois, o sistema presidencialista funciona somente tendo uma base política de sustentação do governo e na sua inexistência recorre à artimanha de subornar parlamentares. Atualmente a compra de parlamentares acontece de muitas formas no governo federal. O presidente Michel Temer, acusado de obstrução judicial e comando de organização criminosa, perdoou em 60% multas ambientais que somam R$ 4,6 bilhões. Como se isto não fosse suficiente para conter os ímpetos da base parlamentar ruralista, retirou as punições pelos desmatamentos e que serão substituídas por prestação de serviços. Por este benefício o político latifundiário prestará serviços comunitários gratuitos pelo crime ambiental cometido. Acreditar nisto seria muita ingenuidade.

No Brasil a compra de votos é normal e legal, a prova é que ninguém foi cassado ou impedido de cometer essa degradação política, institucional e moral praticada diariamente no Congresso e no Senado Nacional. Parlamentares sem compromisso moral com a comunidade que os elegeu aceitam essa prática e em nome da ética impõem esta obrigatoriedade. Esse método político envergonha a nação brasileira e é desabafo de um dos fiadores do golpe parlamentar de 2016. O jurista e ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior disse no dia 4 de novembro: “essas medidas contentaram a bancada ruralista, mas envergonham o país”.

Quando um renomado jurista vem a público e diz que sente vergonha deste método político de beneficiar parlamentares para único e estrito objetivo de manter-se no comando é porque a coisa está fora do controle. Isto significa que os recursos econômicos obtidos via recolhimento de imposto, em vez de serem aplicados em áreas básicas para a população brasileira, estão sendo empregados para beneficiar parlamentares. Aceitar essa prática de compra de votos como algo normal do processo político é manter delinquentes no comando do Tesouro Nacional.