domingo, 24 de setembro de 2017

AS MELHORES ENERGIAS

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A cirurgia era delicada: a equipe médica do Hospital de Base de São José do Rio Preto (SP) tinha consciência dos riscos. A paciente de 45 anos deveria ficar em contínua comunicação, durante a intervenção cirúrgica, para a retirada de um tumor na região do cérebro responsável pela fala e congnição. O risco de comprometer as cordas vocais era grande, daí a importância da conversação.

Maria Filomena da Costa não só falou como também cantou uma canção religiosa, que ela mesmo compôs. Após o sucesso da cirurgia, quatro dias depois, a paciente, emocionada, disse à equipe médica: ‘não imaginava que iria conseguir cantar, mas consegui. Obrigada aos médicos por tudo que fizeram por mim.’

Os avanços da medicina causam admiração. Uma prova disso é que as pessoas estão vivendo mais tempo e com maior qualidade de vida. Por outro lado, a espiritualidade também tem contribuído muito para prevenir doenças e garantir pronta recuperação.

Estudos mostram a grande diferença entre pacientes com fé em relação aos descrentes. O ato de acreditar em um ser superior é capaz de reunir as melhores energias e favorecer o bom êxito de um tratamento ou procedimento cirúrgico.

Mesmo que algumas pessoas e profissionais da área médica pensem diferentemente, os testemunhos são evidentes. São verdadeiros milagres que devolvem vida, justamente lá onde os diagnósticos não previam outro desfecho, a não ser o insucesso.

Maria Filomena da Costa abriu mão de sentir medo, compôs uma canção e elevou aos céus uma melodia que suplicava a cura. Enquanto os médicos realizavam o procedimento, a jovem senhora cantava ao Deus em quem sempre colocou toda confiança.

Certamente ela só conseguiu cantar porque sua vida havia sido marcada por preces e por uma profunda fé. A mão de Deus nunca falha, quando a pessoa acredita com todas as suas forças. A ciência e a espiritualidade podem caminhar lado a lado e provocar verdadeiros milagres nos intervenções cirúrgicas s  nos cuidados para com a saúde.

Ter fé não é uma obrigação, mas é um jeito diferenciado de enfrentar as diversas situações do cotidiano. Feliz de quem canta o amor de Deus e enfrenta serenamente os desafios existenciais.

sábado, 23 de setembro de 2017

DE VOLTA À CAVERNA.

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A história do ocidente se funda no judaísmo e o cristianismo, mas, igualmente, sobre os gregos. Dos gregos, ninguém melhor do que Platão sintetizou o ideal político, pedagógico, científico e filosófico em uma única página, conhecida até por secundaristas, intitulada Mito da Caverna.

O mito da caverna tem a mesma força de uma parábola contada por Jesus. No caso do mito da caverna o cerne da mensagem está em que o mundo dos sentidos e da opinião nos prendem no fundo da escuridão de nós mesmos, voltados a contemplar as sombras do real, pela falta de luz (conhecimento) achando que o limite da percepção subjetiva é o limite do mundo e da verdade.

Imaginemos, diz Platão, que no fundo de uma caverna se encontrem homens presos por correntes nos pés e no pescoço, que lhe impossibilitam o movimento e os obriguem a olhar somente para o fundo da caverna. Imaginemos ainda, continua Platão, que em direção à saída da caverna, logo após os homens amarrados, há um muro e, atrás desse muro, andam homens para cá e para lá carregando figuras que se erguem acima do muro. Mais atrás ainda há uma grande fogueira. A luz da fogueira projeta, então, as sombras desses objetos no fundo da caverna. Os homens, amarrados com o rosto para o fundo, contemplam essas sombras e ouvem o eco das vozes dos homens em movimento, imaginando se tratar de vozes das próprias sombras, que eles pensam serem reais. Na cabeça desses homenzinhos o mundo está todo inteiro aí e não há outro mundo possível e pensam ser a verdade toda inteira.

Imagine agora, diz Platão, que um desses homens se liberte das correntes que o amarra à escuridão da ignorância e vá em direção a saída da caverna. A saída em direção à luz pode ser dolorida, mas ao chegar ao fim verá e contemplará o sol, metáfora verdadeira do conhecimento e do bem.

Qual a missão desse que se liberta e vai em direção ao sol, ao conhecimento? Voltar para dizer aos presos na caverna que aquele mundo é apenas a sombra do verdadeiro mundo e que vale o esforço de libertação. Esse processo quem deve fazer? A educação, a arte, as ciências e a filosofia. Essa tem sido a aposta do longo processo de civilização...

Pois, hoje, a impressão que se tem é que as pessoas amam o fundo da caverna e fazem elogio a ignorância defendendo teorias obscurantistas, opiniões e mais opiniões sem base científica e filosófica mínimas.

Há os que defendem, discutem, brigam dizendo que a terra é plana desprezando a história das ciências e os grandes gênios de todos os tempos. Há os que, a todo custo, se opõe aos defensores do aquecimento global e que localizam a atividade humana como causadora. A quase unanimidade dos cientistas, com a adesão do Papa Francisco, não lhe diz nada. Eles adoram a caverna. Há os defensores de um tal de Bolsonaro, que se opõe aos direitos humanos e que afronta o mínimo do bom senso no campo da sexualidade, do valor da diferença, dos direitos dos animais e da liberdade religiosa. Há ainda aqueles que se opõem ao mundo acadêmico fazendo louvor a um Olavo de Carvalho que em universidade alguma seria aceito. Há os que confunde arte de representação com a própria realidade representada, confundido a palavra com a coisa. Há ainda os que dizem que nunca houve ditadura no Brasil. E o dizem como se estivessem profetizando uma verdade revelada, sabe-se lá de que deus... A lista é longa e cada um pode fazer a sua...

A impressão que fica é que vivemos tempos de volta à caverna. Eu particularmente não me assusto. Esses são tempos instigantes. Quanto maior for o movimento de retorno à caverna, maior deve ser a aposta no pensamento livre, mas responsável, baseado na racionalidade crítica e no amor à verdade.


sexta-feira, 22 de setembro de 2017

UMA GRANDE MULHER

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“Por detrás de um grande homem existe uma grande mulher”. Inúmeras vezes ouve-se esse jargão que não passa de manifestação sexista e de misoginia, preconceituoso e pejorativo. Por natureza homens e mulheres são iguais em capacidades e condições humanas. Nos primórdios do século XXI é preciso combater essa cultura de superioridades e inferioridades.

“A história é escrita pelo olhar masculino”. Esta observação feminista é correta. No entanto, o feminismo não é um movimento contrário ao machismo. Entende-se por cultura machista a da superioridade do homem em relação à mulher. Entretanto, o feminismo é o movimento que surgiu no século XIX como objetivo da conquista de iguais direitos entre homens e mulheres. Também não está associado às ideias do humanismo, o movimento intelectual que coloca no centro do mundo o ser humano. O humanismo teve ampla difusão na Europa com a Renascença, que valorizava o saber crítico e o conhecimento humano. Em razão desta aspiração da racionalidade foi confundido com um movimento anticlerical. Mas, as mulheres têm razão ao refazer a leitura da civilização sobre o equilíbrio dos gêneros.

Porém, insistir em uma nova leitura da história é reconhecer que a civilização foi conduzida por um sistema político e social de patriarcado. O patriarcado é definido como sistema político-social em que poder, liderança, autoridade e controle são exercidos pelos homens. Nisto promove-se a figura e linhagem masculina de domínio sobre as mulheres e as crianças. Em qualquer sistema político, social e econômico de diferentes culturas a exclusividade do comando era atribuída ao homem. Historicamente não foi diferente no Brasil, somente em 2010 elegeu-se a primeira presidente do país. A eleição de 31 de outubro de 2010 quebra um tabu e um mito da cultura política do Brasil. Em 26 de outubro de 2014, após quatro meses de campanha sob forte ataque de adversários, Dilma Rousseff foi reeleita Presidente da República.

Porém, em 2 de dezembro de 2015 inicia-se o processo de cassação da presidente e por motivo da “pedalada fiscal” foi deposta em meados de 2016. Ironicamente, passado o golpe as contas foram aprovadas pelo Tribunal de Contas da União. Isto significa que pedalada fiscal não é crime. Aliás, prática de todos os governos. Então, a presidente foi deposta por outros motivos: por cortar verbas de publicidade com a Rede Globo que a leva à falência, por regularizar o marco exploratório do Pré-Sal, por investir nas empresas estatais como a Petrobras, por negar apoio ao Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, prestes a ser denunciado por corrupção na Comissão de Ética, por contrariar o senador Aécio Neves em Furnas, por demitir vários diretores da Petrobras, BNDES, Caixa Econômica Federal, por negar 70% de aumento salarial aos ministros do Supremo Tribunal Federal, por traição do Vice-Presidente da República Michel Temer, etc.

Pouca gente sabe, mas em seu primeiro mandato a presidente Dilma Rousseff produziu fartos superávits fiscais, com 2,94% do PIB em 2011; 2,18% em 2012, e 1,72% em 2013. Apenas em 2014, com a retração da economia global, em especial dos preços do petróleo, houve um déficit de R$ 17,2 bilhões, equivalente a 0,57% do PIB. Em contrapartida, o Brasil é governado por um presidente incapaz de combater a crise política, ética e econômica que aprofundou o déficit público e a recessão econômica. Lamentavelmente, agora quem paga a conta é o povo brasileiro com os tarifaços dos combustíveis, alimentos, etc. Neste cenário de vergonha nacional e internacional fica o ditado popular “há males que vêm para bem”.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

SEM CONTAR AS CRIANÇAS E MULHERES

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Bordão constante da teologia feminista, esta frase que consta  do evangelho de Mateus 15,38, volta hoje – invertida porém – à linha de frente do noticiário e da reflexão teológica.

O contexto evangélico é a multiplicação dos pães, quando Jesus de Nazaré, a partir da pobreza de sete pães e dois peixinhos, dá de comer a uma imensa multidão faminta. O texto identifica os personagens masculinos que se alimentaram, mas sem contar as mulheres e as crianças.

Quando as mulheres entraram no campo da teologia, levantaram suspeita sobre esta frase, mostrando quão machista era a sociedade daquele primeiro século da nossa era. Também foi assinalado por homens e mulheres que se deixaram tocar pela Escritura quão profunda se revelou a revolução do rabi de Nazaré, para quem as mulheres contavam – e muito! – pois as acolhia e ouvia com carinho, integrava-as em seu seguimento da Galileia até Jerusalém, apontava-as como exemplo a seus discípulos e convertia-as em beneficiárias privilegiadas de seus milagres.

Também contavam para Jesus as crianças, a quem acolhia com alegria e desvelo, opondo-se aos discípulos que queriam afastá-las porque o perturbariam. Jesus se alegrava de vê-las, ouvi-las e tê-las por perto, e afirma que delas é o Reino dos céus.

Hoje, mulheres e crianças são contados, sim. Mas a contagem da qual fazem parte é macabra e terrível. São contados entre as maiores vítimas da violência em nosso país. A situação mundial não é muito diferente, mas no Brasil a coisa chega a níveis exponenciais.

Recentemente, a denúncia de uma mulher que sofreu abuso em um carro da frota Uber surpreendeu a sociedade. Atacada e ameaçada pelo motorista, tornou pública a agressão na imprensa e nas redes sociais. A vítima, machucada, ofendida, humilhada e desrespeitada, desabafou: "O mundo é um lugar horrível para ser mulher".

O agressor alegou que ela estava bêbada. Como se isso fosse atenuante para seu comportamento absolutamente condenável. Uma mulher independente e solteira, que volta para casa à noite de uma festa ou um encontro com amigos, pode ter ingerido álcool, mas nem por isso se encontra à disposição das taras de machistas e agressores que resolvem abusar de sua vulnerabilidade. Chama um uber para não descumprir a lei seca que vigora em sua cidade e aquele que devia transportá-la segura para casa a ataca e desrespeita.

Outro caso foi de um mesmo homem que abusou de várias mulheres em ônibus e transportes públicos. Seu comportamento chegou ao grau máximo do desrespeito e da violência. Preso e solto em seguida, voltou à cadeia apenas depois de repetir mais de uma vez o mesmo crime.

Parece que o mundo evolui, a sociedade avança, as mulheres conquistam direitos e galgam degraus na escala social, mas a mentalidade machista permanece intocada. E para estes homens elas não contam. São objetos para serem usados e abusados, segundo a vontade e o desejo do macho. A cada 2 minutos uma mulher sofre violência no Brasil. Essa estatística parece haver aumentado nos últimos tempos. Talvez porque hoje as mulheres já não se calem; elas denunciam os abusos e as agressões recebidas e os expõe no espaço público.

Com as crianças o panorama não é muito diferente. Desde o espancamento doméstico, onde as agressões à mulher acabam atingindo igualmente os filhos, até as balas perdidas que interrompem a vida de crianças pequenas e indefesas, a violência contra os menores só faz aumentar. Violência anônima, que não mostra o rosto e atinge os pequenos que estão começando a vida, interrompendo brutalmente sua infância. As crianças não contam, assim como as mulheres. E a violência os atropela, semeando morte e terror entre aqueles que são os mais vulneráveis de um tecido social esgarçado e sem consistência.

O mundo é um lugar terrível para ser mulher. E para ser criança. E para ser cidadão que passa tranquilamente pela rua, mas tem esse simples direito cassado pela violência, pelo terror, pela cegueira agressora, para a qual não contam os cidadãos pacíficos que estão apenas exercendo seu direito de ir e vir. Mais ainda quando são mulheres e crianças.

Urge uma conversão em nível comunitário, social, e não apenas individual. A humanidade é composta por homens e mulheres. As crianças estão no mundo para serem protegidas e educadas. Não para serem agredidas, desrespeitadas, espancadas e assassinadas. Apenas quando o machismo e a violência por ele gerada forem superados, poderemos, enquanto sociedade, viver a alegria do Evangelho de Jesus e ver acontecer o Reino por Ele prometido.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

NO BRASIL E NO MUNDO: MEDO.

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Hoje o mundo, o Brasil e as pessoas são assoladas pelo medo de assaltos, às vezes com morte, de balas perdidas e de atentados terroristas. Estes recentemente praticados em Barcelona e Londres provocaram um medo generalizado, por mais que tenha havido demonstrações de solidariedade e manifestações pedindo paz.
Indo mais a fundo na questão, há que se reconhecer que esta situação generalizada de medo é a consequência última de um tipo de sociedade que colocou acumulação de bens materiais acima das pessoas e estabeleceu a competição e não a cooperação como valor principal. Ademais escolheu o uso da violência como forma de resolver os problemas pessoais e sociais.

A competição deve ser distinguida da emulação. Emulação é coisa boa, pois traz à tona o que temos de melhor dentro de nós e o mostramos com simplicidade. A competição é problemática, pois significa a vitória do mais forte entre os contendores, derrotando todos os demais, gerando tensões, conflitos e guerras.

Numa sociedade onde esta lógica se faz hegemônica, não há paz, apenas um armistício. Vigora sempre o medo de perder, perder mercados, vantagens competitivas, lucros, o posto de trabalho e a própria vida.

A vontade de acumulação introduz também ansiedade e medo. A lógica dominante é esta: quem não tem, quer ter; quem tem, quer ter mais; e quem tem mais, diz, nunca é suficiente. A vontade de acumulação alimenta a estrutura do desejo que, como sabemos, é insaciável. Por isso, precisa-se garantir o nível de acumulação e de consumo. Daí resulta a ansiedade e o medo de não ter, de perder capacidade de consumir, de descer em statussocial e, por fim, de empobrecer.

O uso da violência como forma de solucionar os problemas entre países, como se mostrou na guerra dos USA contra o Iraque, se baseia na ilusão de que derrotando o outro ou humilhando-o, conseguiremos fundar uma convivência pacífica. Um mal de raiz, como a violência, não pode ser fonte de um bem duradouro. Um fim pacífico demanda igualmente meios pacíficos. O ser humano pode perder, mas jamais tolera ser ferido em sua dignidade. Abrem-se as feridas que dificilmente se fecham e sobra rancor e espírito de vingança, húmus alimentador do terrorismo que vitima tantas vidas inocentes como temos assistindo em muitos países.

A nossa sociedade de cunho ocidental, branca, machista e autoritária escolheu o caminho da violência repressiva e agressiva. Por isso está sempre às voltas com guerras, cada vez mais devastadoras, como na atual Síria, com guerrilhas, cada vez mais sofisticadas e atentados, cada vez mais frequentes. Por detrás de tais fatos existe um oceano de ódio, amargura e vontade de vindita. O medo paira como manto de trevas sobre as coletividades e sobre as pessoas individuais.

O que invalida o medo e suas sequelas é o cuidado de uns para com os outros. O cuidado constitui um valor fundamental para entendermos a vida e as relações entre todos os seres. Sem cuidado a vida não nasce nem se reproduz. O cuidado é o orientador prévio dos comportamentos para que seus efeitos sejam bons e fortaleçam a convivência.

Cuidar de alguém é envolver-se com ele, interessar-se pelo seu bem-estar, é sentir-se corresponsável do destino dele. Por isso, tudo o que amamos também cuidamos e tudo o que cuidamos também amamos.

Uma sociedade que se rege pelo cuidado, cuidado pela Casa Comum, a Terra, cuidado com os ecossistemas que garantem as condições da biosfera e de nossa vida, cuidado com a segurança alimentar de cada pessoa, cuidado com as relações sociais no sentido de serem participativas, equitativas, justas e pacíficas, cuidado com o ambiente espiritual da cultura que permite as pessoas viverem um sentido positivo da vida, acolher suas limitações, o envelhecimento e a própria morte como parte da vida mortal: esta sociedade de cuidado gozará de paz e concórdia, necessárias para a convivialidade humana.

Em momentos de grande medo, ganham especial sentido as palavras do salmo 23, aquele do “Senhor é meu pastor e nada me falta”. Ai o bom pastor garante: ”ainda que tu devesses passar pelo vale da sombra da morte, não temas porque Eu estou contigo”.

Quem consegue viver esta fé se sente acompanhado e na palma da mão de Deus. A vida humana ganha leveza e conserva, mesmo no meio de riscos e ameaças, serena jovialidade e alegria de viver. Pouco importa o que nos acontecer, acontece em seu amor. Ele sabe o caminho e sabe bem certo.

domingo, 17 de setembro de 2017

POR QUE CENSURAR A ARTE?

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Arte blasfema?

Terroristas do Estado Islâmico destruindo o patrimônio artístico milenar da cidade de Palmira é uma profanação. Gilberto Gil cantando “Pai, afasta de mim esse cálice” é arte.

O ataque à biblioteca de Tombuctu é uma profanação. O parricídio cometido por Édipo no início da sua tragédia é arte.

Martelar a Pietà de Michelangelo é uma profanação. O artista tirando a roupa na frente de um quadro é arte.

Ronda na frente das igrejas para intimidar padres que defendem os imigrantes é uma profanação. A peça teatral na qual a mãe mata os próprios filhos para se vingar do marido é arte.

A profanação é o gesto real praticado com o objetivo de destruir algo que representa uma religião ou que, na visão de terroristas, ultraja a sua concepção de religião. A arte de Palmira ofende fundamentalistas, os manuscritos de Tombuctu representam uma agressão cultural para eles, a Pietà provoca extremistas, a defesa dos imigrantes irrita os fascistas.

Diante de uma profanação sentimos indignação, raiva, impotência ou outras emoções. Mas não podemos experimentar a catarse. A catarse é um sentimento de horror que se experimenta apenas diante de uma obra artística. A arte permite que o fruidor se coloque na pele da personagem representada, narrada ou retratada. A arte é uma mediação simbólica, que se coloca entre o fruidor e a realidade que ela interpreta por seus meios específicos. A arte jamais é a realidade, apenas a sua representação. Por isso, a arte não pode ser blasfema.

Há tragédias que me chocaram profundamente: em Tiestes, de Sêneca, Atreu mata os sobrinhos e serve-os durante o banquete para o próprio irmão, Tiestes, que acaba por cometer um ato de canibalismo involuntário. É arte. Mas isso não significa que não choque a sensibilidade de quem entra em contato com o objeto artístico.

É extremamente perigoso confundir profanação e arte. Sobrepor a violência da vida à violência representada na arte, dizer que estão no mesmo patamar, é um erro. Uma facada nunca será um quadro ilustrando uma facada. A dor da vítima nunca será equiparável à dor representada. Mas a dor apresentada por uma obra de arte nos faz pensar na dor que não sentimos, como diz Fernando Pessoa, na sua Autopsicografia. Sem a arte, restam-nos os sentimentos que já mencionei, mas não a dimensão recriadora que nos permite repensar a vida, mesmo que não tenhamos tido experiência real dos fatos. Censurar a arte é, paradoxalmente, dar espaço à profanação, ao gesto concreto. Censurar a arte é impedir a educação da sensibilidade, é retirar a oportunidade de refletir sobre o nosso estar no mundo.

Por que censurar a arte?

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

O DONO DA BOLA ERA O GORDINHO

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Todos os que jogamos futebol na infância conhecemos o caricato personagem do gordinho, filhinho de papai, que era dono da bola. Nas redondezas, era o único que sempre tinha uma bola nova para jogar. Quem, como eu e meus irmãos e a maioria dos vizinhos, vivia catando bolas de segunda mão, costurando um pedaço de uma com a outra, remendando, fazendo de tudo para ter uma bola para brincar, vivíamos com inveja do gordinho. Ele sempre tinha uma bola nova, reluzente, colorida, número cinco! Era o sonho: uma bola nova número cinco... E se fosse da marca “Dal Ponte”, costurada a mão... Quanta inveja!

E o pior era que o gordinho sabia do poder de sua bola nova, colorida, número cinco, da marca “Dal Ponte”. Nós, os “Sem Bola” ou com bolas precárias, remendadas e velhas, concordávamos tacitamente com o poder que ele tinha, não por mérito seu, mas por ter um pai que podia comprar-lhe uma bola nova a cada seis meses. Para nós, com pais trabalhadores, vivendo no limite da necessidade e loucos por futebol, mais valia fazer as vontades do gordinho e poder jogar com sua bola do que opor-se e ter que correr atrás de uma bola velha, número três, remendada e descolorida.

Entre as vontades do gordinho estava a de escalar os times. Ele ditava quem jogava no time dele e quem jogaria no time adversário. A sorte era que o gordinho, apesar de ser o dono da bola, não entendia muito de futebol. Ele escolhia os jogadores mais por amizade do que pela qualidade futebolística de cada um. E como, normalmente, entre aqueles que o gordinho considerava seus amigos havia alguns que jogavam bem e outros que jogavam mal, as equipes quase sempre resultavam equilibradas.

O outro direito que o gordinho fazia valer era o de nunca jogar de goleiro. Era a posição terrível e detestada por todos. A solução era o revezamento. Cada um jogava um pouco de goleiro e, depois de um tempo ou de tantos gols feitos, era substituído por um companheiro do time. Mas o gordinho, usando o poder da bola nova, reluzente, número cinco, da marca “Dal Ponte”, nunca ia para o gol. Queria sempre jogar de centroavante. Sim, naqueles tempos havia uma posição na escalação que se chamava “centroavante”. Era o cara que ficava na frente, fincado entre os dois zagueiros e, pela força ou pela habilidade, era o encarregado de fazer gols. E o gordinho não tinha nem uma e nem outra... e, por isso, nunca fazia gol. Todo mundo queria que ele jogasse ou de lateral direito ou de ponteiro esquerdo. Não vou explicar aqui para os mais novos o que era um lateral direito ou um ponteiro esquerdo. Mas, não sei por que – e esse é um dos mistérios do futebol dos tempos da minha infância que até hoje não foi desvendado – todo perna de pau era escalado para jogar, ou de lateral direito ou de ponteiro esquerdo. E o gordinho teimava em jogar de centroavante! E nós tínhamos que aceitar porque senão, ele enfiava a bola embaixo do braço e ia embora.

A outra situação terrível em que o gordinho enfiava a bola embaixo do braço e ameaçava ir embora era quando o time dele começava a perder de goleada. Às vezes até evitávamos fazer muitos gols no time do gordinho com medo de que a ameaça se concretizasse. Ele começava a choramingar, a dizer que ia contar tudo para o pai, que nós não valíamos nada, que ele sabia jogar muito mais que nós e que, desse jeito, ele não brincava mais. E às vezes a ameaça se tornava realidade... O gordinho pegava a bola, metia o objeto de desejo e admiração de todos nós entre o braço e a lateral da barriga e, entre uma lágrima e um muxoxo, saia do campo, tomava o caminho que levavas às casas bonitas da vila e desaparecia na esquina perto da mansão onde morava com seu pai e sua mãe. Era o fim do sonho e só nos sobravam duas alternativas. A primeira era a de também ir embora tomando o caminho oposto ao tomado pelo gordinho e voltar a nossas casas que ficavam no lado pobre da vila. Ou então, sair do sonho e voltar à realidade jogando com uma de nossas bolas velhas, remendadas, descoloridas, número três, que até aquele momento tinha ficado escondida de vergonha atrás de uma das goleiras.

Não sei porque as lembranças do gordinho dono da bola me vieram à mente nesta semana quando, no noticiário político, apareceu aquele apartamento cheio de malas recheadas de dinheiro. As digitais que a polícia encontrou nas malas indicam que o Sr. Geddel Vieira Lima era responsável pela presença daquelas malas com todo aquele dinheiro naquele apartamento na cidade de Salvador. No total, 51 milhões de reais sob a cara gorda e sorridente do nobre político baiano com trinta anos de carreira e serviços prestados a vários governos. E aí veio a pergunta que não quer calar: quantas bolas novas, coloridas, reluzentes, número cinco, da marca “Dal Ponte”, daria para comprar com todo aquele dinheiro?


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

SER PROTAGONISTA DA SUA HISTÓRIA


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Adentrar-se na vida do outro. Querer ter o controle do que ele diz e gosta e acima de tudo em como conduz sua vida, pode fazer parte da existência de algumas pessoas.

Tudo é tomado pelo outro... não se tem espaço, nem forças para conquistar esse lugar na nossa vida e no nosso mundo. Não se tem mundo, vive-se no planeta do outro.

Não se aprende a pensar; tudo vem do outro que controla; os pensamentos, as ideias, o que fazer, o que dizer... Mas o sentir atrapalhado, isso é nosso, porque não descobrimos um lugar confortável para o eu estabelecer-se dentro de si.

Algumas pessoas acreditam que não se pode viver sem a opinião delas. Metem-se, intervêm, verbalizam teorias e tentam implantar suas ditas verdades. Mais que isso, o fazem sem que o outro se dê conta. Criam um verdadeiro estrago com besteiras que vão sendo construídas no outro.

Opiniões e julgamentos vem pela esquerda, pela direita, daqueles que se dizem amigos, dos que acreditam tudo saber. Eles minam espaços, invadem histórias, deixam buracos nos relacionamentos. E o limite? Onde fica?

Precisamos nos recriar e aprender a verdadeiramente nos olhar. Encontrar dentro de si o direito de escolher partes da sua vida, saindo do endereço do outro, é um grande aprendizado, tornando-se protagonista da sua história.


TUDO MUDA, INCLUSIVE EU E VOCÊ.

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Diz o ditado popular: “Pau que nasce torto, morre torto”. Acreditar ser impossível reverter uma situação é da convicção e da ciência humana. Por falta de formação o ser humano aceita com resignação certas realidades. Quer, dizer, aceita a submissão ao real e até o destino. Contudo, acreditar na mudança no Brasil é possível? Talvez só o tempo tenha a resposta certa.

Toda mudança pressupõe alteração de uma situação, de um modelo, de um estado. Melhor dizendo, é mudança para uma situação, modelo, estado de futuro. Mudança, do verbo latino mutare, significa “mudar, trocar de lugar, alterar”. Mas, o sentido de mudança aqui envolve a capacidade humana, social, cidadania que materializa a transformação da realidade brasileira, torná-la mais favorável a toda população da nação. Trata-se de mudança realizada pela formação de consciência, e por estar sensibilizada há uma vontade interior e comunitária de transformação. É algo que muda pela compreensão e adoção de práticas que viabilizem os projetos de transformação da conjuntura política e econômica nacional. Pois bem, a mudança de consciência e prática em seres humanos são mais significativas que os procedimentos científicos ou técnicos executados em um experimento sobre algo.

Para Heráclito, filósofo grego nascido em Éfeso por volta de 540 a.C., considerado pai da dialética, diz que tudo que existe está em transformação. Heráclito definiu o mundo em constante mudança com o que chamou de “devir”. Seu pensamento ficou conhecido pelas célebres frases: “nada é permanente, exceto a mudança” e “ninguém entra em um mesmo rio uma segunda vez, pois quando isso acontece já não é o mesmo, assim como as águas que já serão outras”. Pelo conceito do “devir”, Heráclito vê o mundo constituído pelos opostos. A mudança nasce exatamente do conflito entre os contrários. Com isso vê que os opostos se complementam, como o quente e o frio, o bem e o mal, a vida e a morte, a juventude e a velhice, a alegria e a tristeza, etc.

Contudo, para Heráclito os opostos não produzem o caos. Pelo contrário, são os que garantem a harmonia do Universo. A harmonia está justamente no confronto dos opostos. A unidade está em eterna luta ou conflito entre os opostos. Porém, nesta luta não há vencedores, pois um depende do outro para existir. Para o filósofo, no mundo somente os sentidos nos enganam, por serem uma percepção limitada. É importante perceber que sua teoria permanece atual. Ela contrapõe o ditado popular sobre a impossibilidade de mudar consciências e práticas humanas.

Isso, no entanto, requer a consciência de que a vida é uma constante mudança. É um círculo em transformação. Considerar a vida como algo imutável, para Heráclito, é uma ilusão. Como para ele tudo se movimenta, é preciso consciência de que a realidade política e econômica do Brasil é fruto de péssimas gestões de governos. Na filosofia heraclitiana a única realidade que existe é a mudança, e a percepção disto é tarefa da razão. Logo, é ilusão achar que não é possível mudar e que as pessoas seguem uma órbita política e social. Neste clico de eterna mutabilidade é preciso mudar a consciência e a prática de todo cidadão para transformar o Brasil.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

OS SENTIMENTOS MORAIS.


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Os animais não humanos – cachorros, gatos, vacas, elefantes, macacos – são seres sencientes, conhecem e manifestam sentimentos e emoções, experimentam sofrimento e prazer, iguais aos humanos, não são, contudo, seres morais e não apresentam sentimentos morais de culpa, vergonha e indignação. Isso em nada diminui a condição dos animais não humanos e em nada nos faz superiores a eles. Não se trata de superioridade e inferioridade, mas de diferença. Uma diferença que não faz diferença alguma, e em nada é relevante para tratá-los sem consideração, respeito e justiça.

Vamos por partes, aos moldes do Jack, o estripador.

Culpa. A culpa é um sentimento desconfortante e perturbador, resultante da inadequação entre o que deve ser feito e o que se faz, entre um valor internalizado, aceito e reconhecido e a ação praticada em desacordo ao valor. O sentimento de culpa é uma experiência de cisão no “eu”, operada pela não correspondência entre o que consideramos correto e o ato praticado. O sentimento de culpa é o mais genuíno registro moral em nós e sua condição de possibilidade é a condição transcendental de liberdade e consciência.

A condição de seres não programados e não determinados pela biologia e nem mesmo pela sociedade, nos obriga, a nós humanos, a escolher e inventar o que vamos ser, enquanto indivíduos e espécie. As escolhas são sempre pautadas em valores que resultam em normas e, comumente, transformados em costumes e hábitos. Viver segundo valores e normas nos torna humanos, quando esses valores e normas são, reconhecidamente, a favor da preservação da vida de todos e a ampliação da qualidade da vida de todos, inclusive dos animais não humanos.

Se quisermos uma prova de que somos animais morais, essa prova a encontramos na presença do sentimento de culpa, sempre que transgredimos normas ancoradas em valores que se apresentam como obrigatórias. O sentimento de culpa é a sentinela moral que, por primeiro, acusa o perigo da transgressão de valores e normas de conduta, internalizadas e aceitas por cada membro de uma comunidade moral. Quem já não sente culpa, bom sujeito não é. Um humano que já não manifeste sentimento de culpa, quando comete um ato imoral, desliza para uma condição sub-humana que tipificamos como psicopata, um doente, portanto.

A culpa é um sinal de vida moral saudável. Num humano saudável, o sentimento de culpa vem acompanhado da consciência de culpa. A consciência é, contudo, pelo seu caráter racional, ambígua, e pode camuflar, mascarar, criar artimanhas de auto justificação e, até, recalcar o sentimento, dando para si uma justificativa de autoconforto que aplaque tanto o sentimento quanto a consciência. É o caso quando alguém se justifica apelando para o famoso “todos fazem” ou, então, “cumpri ordens” etc.

Mas a consciência também pode levar a sério o sentimento e reconhecer o mal praticado e mudar de ação. A virtude moral é, exatamente, essa atividade de permanente vigilância e conversão do “eu” em acordo com o dever e ao sentimento do bem. O sentimento de culpa e a consciência que reconhece a culpa são os tribunais últimos da moralidade e independem da aprovação ou desaprovação do outro para se manifestarem. Mesmo invisíveis, se humanizados e éticos formos, se cometemos um mal, o sentimento e a consciência de culpa nos alfineta e nos incomoda criando em nós um estado de mal-estar moral.

Assim, daria para dizer que o sentimento de culpa é o mais sincero dos sentimentos morais pois é o reconhecimento, quando da sua presença, da negação de um valor internalizado em que o juiz punidor é interno e, não externo, como no caso da vergonha. Quanto o “outro” entra e nos julga, então, estamos diante de outro sentimento, igualmente importante: a vergonha.



Vergonha: Vergonha moral é o nome que damos ao sentimento que nos acontece, se saudáveis formos, quando alguém nos flagra fazendo algo moralmente errado. A vergonha sempre é diante do outro. Se o sentimento de culpa é um autoflagrante executado pelo punidor interno, o sentimento e a consciência, e independe da presença do outro, a vergonha resulta do flagrante vindo do outro que nos culpa, julga e pune com seu olhar. Sem o olhar do outro, não há sentimento de vergonha.

É por isso que sempre que fazemos algo que não deveria ser feito, olhamos para os lados para nos certificarmos e ver se alguém está nos vendo. O sentimento de vergonha demonstra que os valores morais são compartilhados pelos membros de uma comunidade moral, um sendo vigia do outro no seu cumprimento. Isso é altamente positivo. Se há internalização do valor moral, então a culpa é suficiente, mas se não há internalização, então o que nos salva de nós mesmos é o punidor externo, no caso o olhar do outro.

Quem é flagrado fazendo o mal, experimenta uma diminuição da autoestima, pela natural exposição negativa aos olhos da comunidade moral a que pertence. Importa notar que a formação moral de um indivíduo tem esses dois mecanismos de controle civilizacional: a culpa e a vergonha. Os dois operam em conjunto, mas a vergonha tem um peso menor na formação moral de um indivíduo.

Não basta, para uma autenticidade moral, depender da câmera de vigilância, do guarda e do olhar do outro, pois, se esses mecanismos falharem, então os indivíduos se sentem livres para agir segundo o bel prazer, desde que invisível aos olhos dos outros. O fato é que mesmo invisível aos olhos dos outros, o mal continua sendo mal e só a culpa pode agir de forma genuína e humanizadora.

Indignação: Indignação é o sentimento de revolta diante do mal cometido pelo outro, sobretudo a pessoas e a animais vulneráveis. Indignação é uma espécie de ira santa que nos assalta e nos impulsiona contra alguém que desrespeita as regras consensuadas em vida societária. Indignação é aquele sentimento de cólera e desprezo experimentado diante de injustiças. Quando a indignação é coletiva pode acontecer de mudar rumos da história de um povo, mas pode, também, se mal direcionada, cometer atrocidades, como é o caso dos linchamentos em que o sentimento se sobrepõe a racionalidade.

A indignação é um sentimento e, ao mesmo tempo, uma ação. Só o sentimento não altera em nada o quadro de injustiça presenciada e vivida. Há de tornar-se ação, individual ou coletiva. Se na culpa a relação é do “eu” consigo mesmo e na vergonha a relação é do “eu” diante do olhar do “outro”, na indignação, o sentimento une o “eu” e o “outro” e faz surgir um “nós”.

Percebe-se, então, que a moral lida com uma estrutura de rede de relações em que as autonomias se unem a outras autonomias para a preservação da vida, cujo sentimento é uma poderosa sentinela e a consciência é uma aliada de peso. Tudo isso só acontece nos humanos e a humanidade estará tanto mais protegida e garantida quanto mais manifestos serão os sentimentos morais. Levar a sério os sentimentos e a consciência moral faz do humano um ser confiável e o afasta da barbárie que sempre está à espreita para o engolir.

domingo, 10 de setembro de 2017

INSTITUCIONALIZAÇÃO DA JUSTIÇA SOCIAL.

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Segundo a Constituição Federal, todo cidadão brasileiro tem direito de gozar da Seguridade Social, definida pelo art. 194 como “um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinado a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social”. O prescrito pela lei é algo a ser cumprido. É o mínimo pelo qual um governo deveria zelar.

Atualmente a Seguridade Social instituída com a promulgação da Constituição Federal de 1988 é alvo de ofensiva da política neoliberal. Desde 1990 com a abertura econômica nacional, a política neoliberal trava investida de desregulamentação dos direitos sociais. A investida contra as leis de Seguridade Social, Previdência e Trabalhista tem por objetivo acordos da economia e do trabalho global. Em prol deste mercado livre rasga-se a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e a Constituição Nacional.

As leis de Seguridade Social e as trabalhistas representam um conjunto de conquista e melhoria da população brasileira. A luta por Seguridade Social e Leis Trabalhistas é intensificada no período pós Segunda Guerra Mundial. Estas leis surgiram da necessidade de repensar o sistema capitalista e sua relação de dominação e exploração social. Pois a dominação social acontece pela acumulação de riqueza de forma injusta. Melhor dizendo, a produção de capital vem do trabalho proletário e vai para a mão do proprietário. Contra esta lógica as classes populares e os sindicatos dos trabalhadores lutaram pela instituição de leis de garantia da seguridade social. As conquistas vieram através de 40 anos de greve geral, manifestações das categorias em portas de fábricas e ocupações das praças defronte aos poderes públicos. Em razão desta grande mobilização social foi possível a aprovação de leis de Seguridade Social, com implantação de políticas públicas.

Infelizmente, está em jogo no Brasil a instituição de nova compreensão das leis de proteção social. A nova compreensão é da privatização dos direitos relativos à saúde, à previdência e assistência social. Portanto, tem como objetivo atender à política neoliberal e adequar o país às normas da economia internacional. Isto é, à privatização da Seguridade Social. O direito à aposentadoria é uma conquista símbolo da Seguridade Social. Atualmente, esse benefício social no Brasil é pago assim: para os 33 milhões de trabalhadores aposentados, o custo é de 450 bilhões anuais. Estes aposentados recebem em média de um a dois salários mínimos. Já a média do valor pago aos aposentados do Legislativo é de 28 mil reais. E do pago aos aposentados do Executivo e Judiciário é acima de 25 mil reais. Aos do Ministério Público fica acima de 30 mil. O custo aos cofres públicos com um milhão de aposentados do setor público é de 115 bilhões de reais. Se comparados com as diferenças entre os 33 milhões de trabalhadores de um salário mínimo e com um milhão do setor público, legislativo, executivo e judiciário é uma grande injustiça social. Então, com o fim da Seguridade Social e da CLT é a institucionalização da injustiça social por um governo denunciado por corrupção e que não representa a sociedade brasileira.