terça-feira, 21 de novembro de 2017

CACHORRA

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Zumbi deveria ser festejado por todos os brasileiros como mártir da liberdade e símbolo das vítimas da opressão, ao lado de Tiradentes. No entanto, é celebrado apenas como líder da consciência negra, como se a consciência da igualdade não dissesse respeito a todas as pessoas, mas apenas a quem tem a pele preta e viu pouca igualdade na vida.

Se deixamos de lado a hipocrisia, podemos dizer envergonhados que preferimos a seletividade. Na teoria, tratamos todos igualmente, mas os que pertencem ao nosso círculo tratamos de modo mais igual.

Falei de Zumbi, mas queria falar do cachorro, o Capataz. Pêlo brilhante, dentes brancos, olhos vivos, a maioria não lembra quando ele assumiu o seu cargo: porteiro. Não era um emprego, claro, cachorros não têm contrato. Mas era o que ele fazia o dia todo, na entrada do armazém: abanava o rabo aos clientes da casa, levantava-se e abria a boca com faceirice aos mais conhecidos, rosnava aos que chegavam pela primeira vez, chamando a atenção do dono, que vinha pessoalmente recepcionar e desfazer equívocos. Capataz também era bom guardião: à noite, quando todos iam para casa, ele se ajeitava com uma coberta atrás do balcão, depois de comer a sua ração. Uma noite tentaram roubar o estabelecimento: Capataz foi ferido a pauladas, mas não deixou que levassem nada. O dono lhe deu uma coleira. Capataz entendeu que tinha feito algo bom, mas não entendeu o presente. Queria uma bola, como as carolas querem a missa. Era a única coisa que fazia o cachorro sair da porta do armazém: jogar com a garotada, no ataque e na defesa. Mas a bola nunca veio. Vieram os anos, a velhice, a cegueira e um pouco de surdez. Capataz ainda reconhecia os antigos clientes pelo cheiro, mas com frequência não levantava e o rabo abanava pouco. O dono, ainda mais idoso, morreu entre o balcão e as prateleiras. Os herdeiros enxotaram Capataz do armazém tão logo caiu a noite. Essas regalias para cães vadios não seriam mais permitidas. Nunca viram o animal como fiel companheiro do comerciante. Para eles era apenas um cachorro de rua, a quem o dono do armazém tolerava, por ter muita pena.

Dizem que antes de morrer, Capataz andava pelos arredores da igreja da cidade, como quem espera uma esmola.

Falei do cachorro, mas queria falar de Zumbi. Ele deveria ser festejado como herói do nosso país tão nobre, onde “nós nem cremos que escravos outrora tenha havido”, como repetimos quando celebramos a nossa República. Por isso lembrei do Capataz: é que conheci alguém tratado como cachorro. Era mulher, era negra e ninguém mais se interessou por seu destino desde que o último dono se foi. As pessoas que enxotaram Capataz sempre se emocionavam ao ouvir os nossos hinos e cantavam com a mão direita posta sobre o coração.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

UM POUCO, QUASE NADA.

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Os dias estão repletos de ações de bondade. A mídia nem sempre concede um espaço justo às boas notícias. Alguns relatos são até comoventes. Num dia desses, um jovem contou que havia doado uma cama, tempos atrás, para um imigrante que chegara em sua cidade, proveniente de outro país. Aquele gesto havia alegrado quem buscava um leito e também a ele, que teve a oportunidade de ajudar alguém, num momento de extrema necessidade. Como seu sonho era fazer a cidadania italiana, viajou para a distante e anônima Itália. Enquanto tinha condições, permaneceu em albergues. Como o custo era elevado, foi obrigado a encontrar outras alternativas. Por coincidência, um outro estrangeiro que também era imigrante na Itália lhe ofereceu uma cama. De imediato recordou da cama que ele mesmo havia doado para aquele peregrino, em sua cidade. Quem dividiu o pouco que possuía, não fora uma pessoa bem estabelecida e com maiores condições, mas alguém que tinha pouco ou quase nada.

Normalmente as pessoas mais humildes ou que já foram provadas pela pobreza, são aquelas que se tornam mais sensíveis, diante do sofrimento alheio. Dar da própria pobreza é um gesto repleto de amor e de generosidade. Repartir o pouco é confirmar que ninguém é tão pobre que não tenha nada para repartir. Sempre há alguma coisa que pode servir aos outros. Além disso, a caridade é muito maior do que a doação material. Saber acolher, disponibilizar um tempo para a escuta, estender a mão numa necessidade, secar as lágrimas, permanecer próximo: são infinitos os gestos que aliviam a dor daqueles que sofrem. Estar em terras distantes da própria pátria, por vezes, é ainda mais exigente.

Receber a ajuda de quem menos se espera é uma surpresa agradável e inesquecível. O relato do jovem brasileiro vivendo em terras italianas, por sinal já bem colocado, me fez lembrar da oração dedicada a São Francisco de Assis: ‘Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz...’ Mais adiante a prece enfatiza: ‘pois é dando que se recebe.’ Como faz bem recordar a ajuda dada e, acima de tudo, as ajudas recebidas. O amor permite trocas incríveis, que acabam sendo eternizadas. Quem faz o bem até pode esquecer o que fez. Mas quem recebe o bem, quem foi socorrido num momento de necessidade, jamais esquece. Uma convicção me acompanha há tempo: faz bem fazer o bem.

sábado, 18 de novembro de 2017

REFORMA TRIBUTÁRIA, URGENTE

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Estudos contidos no livro “Tributação e desigualdade” (Rio, Letramentos, Casa do Direito e FGV Direito, 2017) demonstram que, no Brasil, a alíquota do imposto direto cresce na medida em que o rendimento aumenta. Mas isso somente para quem ganha, por ano, de R$ 24,4 mil a R$ 325 mil. Nesses casos, o imposto é de 12%.

Quem ganha mais de R$ 325 mil por ano é beneficiado por aberrações de nosso sistema tributário. A alíquota entra em ritmo de queda, e cai de 12% para 7% para quem ganha anualmente mais de R$ 1,3 milhão.

Por quê? Porque a maior parte dos rendimentos dos mais ricos provém de lucros e dividendos isentos para pessoas físicas!

O resultado é a brutal distorção: a parcela 0,05% da população brasileira (100 mil pessoas) paga, proporcionalmente à sua renda, menos imposto que 5,8 milhões de pessoas que ganham mais de R$ 81,4 mil por ano.

A solução, diz o estudo, não reside apenas em criar alíquotas mais altas para quem ganha mais, o chamado imposto progressivo. É preciso mudar todo o sistema tributário brasileiro.

A maior parte da renda dos 100 mil mais ricos não deriva do trabalho, como acontece com o comum dos mortais, sujeitos à alíquota progressiva. Dois terços dos mais ricos são isentos!

Nosso sistema tributário figura entre os 15 mais injustos do mundo, porque concentra renda no topo da pirâmide social em vez de distribuí-la. Hoje, a carga tributária responde por 33% do PIB.

A Receita Federal cobra muito das empresas, mas quase nada das pessoas físicas e da renda patrimonial dos ricos. Como os empresários exercem poder sobre o governo, obtêm com frequência isenções tributárias e perdões de dívidas.

Criar alíquotas para lucros e dividendos pode resultar na redução de nosso sistema produtivo. O dinheiro migrará da produção para aplicações financeiras.

Já os impostos indiretos, embutidos no consumo de bens e serviços, pesam mais no bolso dos mais pobres. Os 10% mais ricos da população abocanham 47% da renda nacional e respondem por 43,7% da arrecadação. Os 10% mais pobres ficam com apenas 0,7% da renda nacional e respondem por 1,6% da arrecadação.

A tributação indireta sacrifica mais os pobres porque eles não conseguem poupar, enquanto os ricos investem o excedente de seus ganhos no mercado financeiro. Segundo a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), 53% das famílias brasileiras não conseguem fazer poupança. Apenas 10% das famílias poupam com regularidade. Em média 20% de sua renda anual.

Nos países mais desenvolvidos, que pertencem à OCDE, os mais ricos são tributados de modo mais justo. Os impostos indiretos, embutidos em bens e serviços, respondem, em média, por 34% da arrecadação. No Brasil a mordida do Leão responde por 53%!

A Receita Federal alega que é mais fácil arrecadar os impostos indiretos. Ora, com as novas tecnologias é possível tributar menos o consumo e mais a renda e o patrimônio. Falta é vontade política.

Um estado como São Paulo concede, com frequência, desoneração do ICMS sem prejudicar a arrecadação, o que não podem fazer os estados mais pobres.

Ao comparar a tributação de duas famílias que ganham dois salários mínimos por mês, uma em São Paulo e outra no Pará, constatou-se que a do Pará paga o dobro de impostos sobre alimentos do que a família de São Paulo.

O governo brasileiro não obedece aos princípios de capacidade contributiva, seletividade e progressividade dos impostos, previstos na Constituição de 1988. Segundo o princípio da seletividade, os governos teriam a obrigação de aplicar alíquotas menores a produtos essenciais, como cesta básica. A energia elétrica, um produto essencial, tem tributação alta.

As distorções de nosso sistema tributário afetam a Previdência. A participação dos contribuintes que ganham acima de dez salários mínimos por mês na arrecadação do INSS caiu de 31,5% em 1988 para 2,7% em 2015!

Não falta dinheiro para desenvolver o Brasil. Faltam governo, justiça social e iniciativa privada mais voltada à coletividade.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A HISTORIA É O HOMEM

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As produções intelectuais, filosóficas e teológicas buscam a compreensão do sentido da vida humana. Trata-se de um esforço para compreender o ser humano pelas relações subjetivas e objetivas com a história. Toda compreensão leva à orientação e a melhorar os contextos históricos da vida. Compreender o sentido da vida humana é desafio do homem moderno.

No pensamento do filósofo alemão Wilhelm Dilthey (1833-1911), a compreensão do ser humano só é possível via história. Para Dilthey “a história é o grande documento do homem, como mais fundamental expressão da vida”. Considerado pai do historicismo, Dilthey vê como único meio de conhecimento do homem e do comportamento humano o reconhecimento da história. Para Dilthey o reconhecimento da história cabe à ciência da psicologia. Com isso, o historiador é o agente capaz de decifrar o sentido da vida humana. O pensamento de Dilthey, por um lado, é verídico. No dizer do filósofo a compreensão da vida humana dá-se pela história, acessada pela psicologia.

Na compreensão teológica, a vida humana não está limitada ao evento histórico. Embora não haja vida humana sem história. Na reflexão teológica a narrativa, pela vida humana, está muito além de seu contexto histórico. A história possibilita ao crente compreensão de outras dimensões da vida, como as da graça, da eternidade, da transcendência, do espírito indescritível. Em outras palavras, o sentido da vida humana está revestido de dimensões que não são eventos materializados pela história. Elementos que somente Deus dá ao ser humano, sua obra criada, aquilo que é da natureza divina, mistério. Como a certeza que a vida humana é vencedora da morte em Cristo ressuscitado.

No consenso comum a vida parece ser mais significativa através do consumo, de satisfação imediata, do apropriar-se das coisas materiais. Todavia, esta é uma proposta inviável a todas as pessoas. O sistema permite que pouco gozem desta condição material. A maioria é excluída pela pobreza. No presente momento, vive-se no maior escândalo mundial contra a vida humana, pois apenas um por cento da população possui mais riqueza do que os 99% restantes, conforme dados divulgados em outubro de 2015 pela organização não governamental britânica OXFAM.

Mas, a vida humana conduzida segundo os conselhos do evangelho, a fé em Cristo, pressupõe uma participação histórica, como pensava Dilthey. Porém, em Cristo vive-se o sentido da vida crendo em outros valores, como na sua transcendência que, por sua vez, dá sentido à história. Nisto Dilthey tem razão que a compreensão da vida é algo histórico. A diferença está que para um cristão a vida humana não está determinada pelas condições e situações dos tempos históricos. No cristão a história não é somente o homem. Existe algo maior que a história contada em fatos.

O escândalo mundial de um por cento deter mais riqueza do que os demais 99%, e de 62 pessoas possuírem mais bens do que 50% da população global é história que fere a consciência, logo, o sentido da vida. As mortes por fome e por absoluta pobreza invocam compreensão de que Deus não criou o ser humano submisso a essa tragédia da história. O sentido da vida cristã diz que a quantidade de dinheiro acumulada em paraísos fiscais, como aponta o relatório da OXFAM, tem função quando empregado para enfrentamento da desigualdade sócio-humana no mundo. Então, lutar por mundo mais inclusivo pode vir a confirmar a filosofia de Dilthey, de que “a história é o homem

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

REFORMA DE PREVIDÊNCIA É ROBIN HOOD ÀS AVESSAS

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Reforma da Previdência no Brasil é Robin Hood às avessas. O governo Temer quer tirar ainda mais dos pobres para poupar os ricos. Esta a conclusão dos estudos feitos pela Oxfam, conceituada instituição britânica. Apenas em 2016 o nosso país deixou de arrecadar, por falhas e omissões no recolhimento de impostos, R$ 546 bilhões!

Este o valor das isenções tributárias que o governo concedeu a determinados setores da economia, como a indústria automobilística. Graças a esse pacote de bondades, apenas em isenções fiscais os cofres públicos deixaram de arrecadar R$ 271 bilhões. Isso significa menos saúde, educação, saneamento, segurança etc.

Na opinião da diretora-executiva da Oxfam, Katia Maia, o Brasil precisa “eliminar esses benefícios e ser rígido nos controles da sonegação fiscal. A gente sabe que o Brasil deixa de arrecadar por uma sonegação grande. Também deixa de arrecadar por mecanismos (legais) que fazem com que as pessoas e empresas não paguem impostos. E ainda deixa de arrecadar com uma série de isenções fiscais para vários setores.”

O Sinprofaz (Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional) estima em R$ 275 bilhões as perdas de arrecadação.

O Ministério da Fazenda calcula que o rombo da Previdência em 2018 seja de R$ 202,2 bilhões. Ou seja, com a perda de receita apontada pelo relatório da Oxfam, daria para custear todas as aposentadorias e pensões e ainda sobrariam R$ 343,8 bilhões.

A cifra de R$ 546 bilhões sonegados aos cofres públicos representa 12 vezes o orçamento do Ministério da Saúde em 2016, calculado em R$ 43,3 bilhões.

O estudo cita um exemplo da chamada evasão fiscal dentro da lei. O setor de mineração usa ‘manobras’ que reduzem em até 23% o montante de tributos a ser pago aos cofres públicos.

Oded Grajew, presidente do conselho deliberativo da Oxfam, ressalta que o problema do Brasil não é a elevada carga tributária, e sim o fato de não retornar à população na forma de benefícios sociais, como educação e saúde de qualidades, e ser dilapidada pelo mau uso da máquina pública.

Grajew acrescenta que “as reformas tributária e fiscal são importantes”, mas faz uma ponderação: “Isso tem que ser acompanhado de justa distribuição dos recursos. Porque se continuar com a mesma distribuição, você não muda o quadro das desigualdades (sociais).”

A Oxfam critica o fato de o Brasil ter poucas alíquotas de Imposto de Renda da Pessoa Física. Katia Maia explica: “Uma revisão das alíquotas do imposto de renda é importante. Na base tem tantas pessoas com salários tão baixos e que pagam imposto de renda. A nossa tabela está congelada há 8 anos.”

 distorção tributária é tanta que, segundo o estudo, quem ganha 320 salários mínimos por mês (R$ 299,8 mil) paga a mesma alíquota efetiva (após descontos e deduções) de IR de quem ganha cinco salários mínimos (R$ 4.685).

terça-feira, 14 de novembro de 2017

FAZER SILÊNCIO

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A simples pronúncia ou leitura da palavra silêncio causa espanto hoje em dia. Quem busca silêncio? Quem sabe fazê-lo? Sintoma que evidencia quão ruidosa é a sociedade pós-moderna.

Vivemos na era panóptica, na qual é difícil escapar de assédios alheios na forma de ruídos. Ruídos não se resumem a sons captados pela audição. Nossos cinco sentidos são permanentemente afetados pela avalanche de informações, imagens, apelos publicitários etc. E a voracidade de querer fazer tudo ao mesmo tempo e estar em permanente conexão digital nos faz experimentar como frustração nossos próprios limites.

Estar só se tornou uma experiência ameaçadora. Tememos a solidão, talvez pelo medo do encontro consigo mesmo. “Amai o próximo como a si mesmo.” Simples. Quem não se gosta não se sente à vontade para estar só. E tem mais dificuldade para amar o próximo.

Náufragos sem boia em pleno mar revolto, urge nos apegar a algo, encontrar urgentemente uma alteridade virtual. Pode ser a TV, o rádio, alguém no facebook ou alguma coisa que nos entretenha e impeça que o silêncio se instaure.

O silêncio é quebrado pela ansiedade e a imaginação, “a louca da casa”. E também por símbolos, logotipos, outdoors, linhas arquitetônicas de mau gosto. A poluição visual desgasta o espírito. A cidade encobre a sua beleza com a propaganda que sujeita o olhar à solicitação incessante.

Em matéria de dependência, a predominância é do celular. Repare no metrô, no ônibus, no aeroporto, em restaurantes e shoppings. Ninguém está consigo mesmo. Quase todos surfam nas redes digitais, muitas vezes envolvidos em contatos desprovidos de afeto e empatia. Pessoas que se tornam objetos de seus objetos, impossibilitadas de se assumirem como sujeitos, incapazes de repetir com Cecília Meireles em “Serenata”: “Permita que agora emudeça:/que me conforme em ser sozinha.”

O silêncio constrange quem não sabe acolhê-lo. Só é suportável quando o sono aplaca a audição. Imagine uma refeição na qual todos se calam em torno da mesa. Seria suficiente para sentir o peso opressivo do silêncio. No entanto, outrora os monges se alimentavam calados. A única voz no refeitório era a do leitor, responsável por nos nutrir a mente e o espírito enquanto cuidávamos do corpo.

Costumo indagar do jovem casal de amigos que se preparam para a vida a dois: vocês são capazes de estar sós em uma sala, e permanecer em silêncio sem que um se sinta constrangido pelo fato de o outro não dizer nada? Se a resposta é negativa, alerto para a imaturidade da relação. E do risco de a alteridade dar lugar à submissão de um ao outro.

O silêncio perturba porque nos remete à desafiadora via do mergulho em nós mesmos. Desnudar-se frente ao espelho da subjetividade. Desprover-se de todos os artifícios que nos convocam à permanente exposição. Ousar viajar para a morada interior na qual habita aquele que não sou eu e, no entanto, é ele quem revela a minha verdadeira identidade. Então, o silêncio se faz epifania.

Há pessoas tão densas de silêncio que, sem nada dizer, bradam alto. O silêncio do sábio é eloquente, como o do santo é questionador. Ao se calarem, excluem-se da competição verborrágica. Por isso, sobrepõem-se aos demais. Guardam para si as pérolas que os outros atiram aos porcos.

Saber se calar é sabedoria. Só quem conhece a beleza do silêncio, dentro e fora de si, é capaz de viajar por seu próprio mundo interior - pacote impossível de ser encontrado em agências de turismo. Trata-se de uma exclusividade dos sábios e das tradições espirituais milenares.

Como os poetas expressam o indizível, convém se deixar impregnar pelos versos de Arnaldo Antunes em “O silêncio”: “Antes de existir a voz / existia o silêncio / o silêncio foi a primeira coisa que existiu / um silêncio que ninguém ouviu / astro pelo céu em movimento / e o som do gelo derretendo / o barulho do cabelo em crescimento / e a música do vento / e a matéria em decomposição / a barriga digerindo o pão / explosão de semente sob o chão / diamante nascendo do carvão / homem pedra planta bicho flor / luz elétrica tevê computador / batedeira, liquidificador / vamos ouvir esse silêncio meu amor / amplificado no amplificador / do estetoscópio do doutor / no lado esquerdo do peito, esse tambor.”

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

TOME REMÉDIOS E SEJA FELIZ


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A felicidade é um produto engarrafado que se adquire no supermercado da esquina? É o que sugere o neoliberalismo, criticado pelo clássico romance de Aldous Huxley, “Admirável mundo novo” (1932). A narrativa propõe construir uma sociedade saudável através da ingestão de medicamentos.

Aos deprimidos se distribui um narcótico intitulado “soma”, de modo a superarem seus sofrimentos e alcançar a felicidade pelo controle de suas emoções. Assim, a sociedade não estaria ameaçada por gente como o atirador de Las Vegas.

Huxley declarou mais tarde que a realidade havia confirmado muito de sua ficção. De fato, hoje a nossa subjetividade é controlada por medicamentos. São ingeridos comprimidos para dormir, acordar, ir ao banheiro, abrir o apetite, estimular o cérebro, fazer funcionar melhor as glândulas, reduzir o colesterol, emagrecer, adquirir vitalidade, obter energia etc. O que explica encontrar uma farmácia em cada esquina e, quase sempre, repleta de consumidores.

O neoliberalismo rechaça a nossa condição de seres pensantes e cidadãos. Seu paradigma se resume na sociedade consumista. A felicidade, adverte o sistema, consiste em comprar, comprar, comprar. Fora do mercado não há salvação. E dentro dele feliz é quem sabe empreender com sucesso, manter-se perenemente jovem, brilhar aos olhos alheios. A receita está prescrita nos livros de autoajuda que encabeçam a lista da biblioterapia.

Se você não corresponde ao figurino neoliberal é porque sofre de algum transtorno. As doenças estão em moda. Respiramos a cultura da medicalização. Não nos perguntamos por que há tantas enfermidades e enfermos. Esta indagação não convém à indústria farmacêutica nem ao sistema cujo objetivo primordial é a apropriação privada da riqueza.

Estão em moda a síndrome de pânico e o transtorno bipolar. Já em 1985, Freud havia diagnosticado a síndrome de pânico sob o nome de neurose de angústia. O transtorno bipolar era conhecido como psicose maníaco-depressiva. Muitas pessoas sofrem, de fato, dessas enfermidades, e precisam ser tratadas e medicadas. Há profissionais que se sentem afetados por elas devido à cultura excessivamente competitiva e à exigência de demonstrar altíssimos rendimentos no trabalho segundo os atléticos parâmetros do mercado.

Em relação às crianças se constata o aumento do Transtorno por Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Ora, é preciso cuidado no diagnóstico. Hiperatividade e impulsividade são características da infância, às vezes rebaixadas à categoria de transtorno neurobiológico, de desordem do cérebro. Submeta seu filho a um diagnóstico precoce. É possível que alguma anomalia seja descoberta e medicamentos prescritos.

Nos EUA, o neurologista Fred Baughman apresentou ao Congresso uma denúncia de fraude ao consumidor pelo falso diagnóstico de TDAH. Crianças sem qualquer problema de saúde foram diagnosticadas com fictícios desequilíbrios químicos cerebrais, e orientadas por médicos a ingerir medicamentos.

Quando um suposto diagnóstico científico arvora-se em quantificar nosso grau de tristeza e frustração, de hiperatividade e alegria, é sinal de que não somos nós os doentes, e sim a sociedade que, submissa ao paradigma do mercado, pretende reduzir todos nós a meros objetos mecânicos, cujos funcionamentos podem ser decompostos em suas diferenças peças facilmente azeitadas por quilos de medicamentos.

Há algo de profundamente errado com essa sociedade que tem as ruas permanentemente cortadas por ambulâncias e carros de polícia. Ela é que está doente, e não nós, os únicos com o poder de curá-la.

domingo, 12 de novembro de 2017

MERECEDORES DO PERDÃO.

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Em continuidade à reflexão anterior sobre perdão não merecido, agora ressalto o prejuízo da população decorrente das benesses do governo federal. A “Casa do Povo”, mais para a Casa VIP, o Congresso Nacional, foi capturada pelo interesse do mercado liberal. Nisto a política, enquanto ciência de organização e administração do bem comum ou do coletivo, foi banida da Casa VIP. Por aquilo que aconteceu e pelo que está em curso, Brasília é tudo, menos a “Casa do Povo”.

Em consequência do desvio da função ao comum ou à coletividade dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, o povo brasileiro tem sólidas razões para repugnar governos e políticos. Mas, esta repugnância é desejada pelo sistema, por assim colocar o Estado em função de interesses privados. A composição do Congresso Nacional já demonstra total repugnância ao sistema político. Em termos estatísticos 22,9% do Congresso é composto por parlamentares que representam servidores públicos, professores, policiais, etc.; 4,9% por bispos e pastores, atletas, cantores, etc.; 1,5% por agricultores; 28,5% por profissionais liberais como advogados, médicos, engenheiros, etc.; 42% por empresários e latifundiários. Nisto tem-se uma compreensão do aval às medidas provisórias, reformas, projetos e deliberação das verbas públicas.

Está em pauta no Congresso Nacional a mudança da Medida Provisória referente à anistia da Dívida Ativa da União. Se aprovada causará forte impacto no orçamento anual. Segundo o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, com base em alguns cálculos da Receita Federal, “a cada seis reais que o governo poderia obter sobrará apenas um”. Em razão de que o governo concede o perdão de cinco reais que serão embolsados pelos próprios caloteiros. Com isso abre-se um déficit público, um rombo nas contas do governo, e quem paga isto é o povo com aumento de impostos, taxações de produtos como combustível, energia, comunicações, etc.

O assombro da mudança é a comissão que aprovou o relatório para o perdão da Dívida Ativa com a União. A comissão é composta por 50 membros, sendo que entre os titulares 22 estão com o nome na Dívida Ativa da União. Estes devem "apenas" 212 milhões de reais. Entre eles, dois deputados: Newton Cardoso Jr., do PMDB de Minas Gerais, e Alfredo Kaefer, paranaense do partido PSL. Newton Cardoso Jr. tem uma dívida de 53 milhões de reais e foi o relator do texto que deve ser aprovado pelo plenário do Congresso. O deputado Kaefer deve 32 milhões. Com 22 membros da comissão devedores da União o texto a ser aprovado não poderia ser diferente, o perdão da dívida.

Com esse agravante moral dos senhores deputados, pasme ver um país afundado na maior crise econômica e política conceder perdão a quem não merece. Em qualquer país sério, um parlamentar devedor não votaria uma matéria desta natureza. Melhor dizendo, os devedores estão fazendo leis e aprovando em seu próprio benefício obtendo o perdão da dívida. Em contrapartida, para combater o rombo público, a Casa VIP retira direitos dos trabalhadores e aposentados e eleva impostos. O conhecimento dessas informações dos congressistas devedores é público, basta acessar o órgão federal e conferir a lista oferecida pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Indignação com o perdão é o mínimo que se pode esperar da soberania nacional

sábado, 11 de novembro de 2017

UMA ESCOLA SINDICAL.

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Completam-se, neste ano, duas décadas sem Paulo Freire, educador popular pernambucano que sistematizou a pedagogia do oprimido a partir de trabalhos de base e alfabetização, tanto no Brasil como em diversos países.

Também 2017 marca o centenário da primeira greve geral no Brasil, desencadeada a partir da paralisação de operárias da indústria têxtil em São Paulo. Elas reivindicavam aumento de salário e redução da jornada de trabalho, até então não garantidos por lei. Em poucas semanas a greve se espalhou por diversos setores da economia, pelo estado de São Paulo e, em seguida, Rio e Porto Alegre.

Paulo Freire e a greve geral de 1917 aproximam-se nesta iniciativa pioneira do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) - a Escola DIEESE de Ciências do Trabalho,em São Paulo.

Credenciada pelo Ministério da Educação em 2012, a escola oferece um inédito bacharelado interdisciplinar em Ciências do Trabalho, com duração de três anos. Três turmas, com 60 alunos no total, já se formaram no curso, e outras três seguem em andamento. A partir de 2015, a escola passou a oferecer também curso de pós-graduação em Economia e Trabalho, com 35 alunos em duas turmas já formados e atualmente com duas turmas em andamento.

Paulo Freire escreveu que “não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.”

A proposta pedagógica da Escola DIEESE visa a alfabetização política de trabalhadores para a ação sindical. Tarefa urgente diante das ações do governo Temer e do Congresso Nacional dominado por interesses empresariais empenhados em desmontar o sistema brasileiro de relações de trabalho e favorecer as empresas nas negociações com os sindicatos.

A educação popular não é apenas uma forma de inovar o processo ensino-aprendizado, mas expressa uma concepção ideológica de ser humano e de mundo. Ela antecede a educação escolarizada, pois se refere às trocas de saberes que circulam no cotidiano de organizações sociais e sindicatos, não estruturadas a partir da divisão social do conhecimento.

A educação popular também pode ser definida a partir dos movimentos políticos com caráter educativo presentes no Brasil e na América Latina desde a década de 1960. Uma educação que se reivindica política, humanizadora e construtora de um projeto novo de nação.

A Escola DIEESE retoma a formação sindical com intencionalidade transformadora da realidade. Toda ação de opressão se defronta com uma ação de resistência de homens e mulheres que lutam, no cotidiano, por mais liberdade. No entanto, a resistência, assim como a opressão, nem sempre é vivenciada de forma consciente por educandos e educadores.

Essa percepção é uma descoberta que exige releitura do mundo. Muitos sindicatos e a Escola DIEESE buscam ser um espaço de cultivo dos elementos de resistência que se expressam de diferentes formas. Descobri-los e potencializá-los é um longo caminho a ser trilhado por educadores e educandos. Afinal, como escreveu Paulo Freire, “a pessoa conscientizada tem uma compreensão diferente da história e de seu papel nela. Recusa a se acomodar, mobiliza-se, organiza-se para mudar o mundo.”

     Foi assim na greve de 1917. É urgente que seja assim no Brasil a partir deste ano de 2017.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

DEUS, ONDE ESTÁS?

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Albert Camus, escritor e filósofo francês nascido na Argélia, disse que o único problema filosófico, verdadeiramente sério, é o suicídio. Cuidado, ele não disse que para um homem ser sério tem que se suicidar. O que é sério é o problema do suicídio. A sua possibilidade é o que é séria e o sim ou o não decidem a vida. Se opto por continuar vivo é porque há boas razões para tanto. E todos os dias deveria pensar nisso. Se não me coloca a questão, a vida vai sendo conduzida, banalmente. Camus, nesse aspecto, repercute Sócrates que dizia que uma vida não analisada não vale a pena de ser vivida.

O problema de Camus, contudo, não é o único verdadeiramente sério. Se fosse, então só ele seria filósofo, já que só ele formulou o problema. Não parece ser o caso. Há tantos problemas quantos são os filósofos. E há tantos filósofos, quantos são os grandes problemas essenciais!

Leibniz, por exemplo, formulou a pergunta das perguntas, mais radical ainda do que a de Camus: “por que há o ser e não antes, simplesmente, o nada”? Essa é a mãe de todas as perguntas. Qual a razão última de todas as coisas? Por que há o ser e não o nada? Dizer que há o ser porque Deus é a razão, é abdicar de continuar pensando. A religião, nesse particular, responde uma questão de princípio pressupondo o princípio do princípio, sem demonstrá-lo. Apela para Deus e pronto, resolvido está. A religião é, de alguma forma, a mais sutil forma de abdicar de pensar, afinal, nem mesmo a mãe de todas as perguntas lhe causa algum desconforto.

Mas, não necessariamente. É possível ser religioso, teólogo e pensador ao mesmo tempo e aí a pergunta não cessa. E a aparente resposta abre outras tantas perguntas...

A pergunta que me atormenta não é tanto “por que não me mato” ou “Deus existe” ou não? Essas duas perguntas já estão resolvidas e já não me perturbam.

A pergunta: “por que não me mato” é simples de responder. Há muitos sabores, aromas, cheiros e temperos que ainda desejo e isso é suficiente para querer continuar vivendo. Simples assim. O que dá sentido à vida são os sentidos. Os cinco.

Ver as maravilhas da natureza e a beleza de um animal, ouvir uma canção ou o cantar dos pássaros, cheirar o perfume da dama da noite, saborear um bom vinho, tocar suavemente um cachorro peludo, que maravilha! Isso me basta.

Os sentidos dão sentido, Inclusive os sentidos do “ser” e do “dizer” que se oferecem à interpretação...! Sentir e pensar são a razão do viver. Tudo bem, se tu disseres que o amor é o sentido, nada tenho a objetar. Se disseres que a beleza é o sentido, tens o meu aval. O amor e a beleza são, de fato, o que nos suspendem do chão da banalidade, sobretudo da banalidade do mal...Estamos de acordo! Mas, mesmo assim, os sentidos e a razão que interpreta sentidos, já me bastam!

Quanto ao problema se “Deus existe”, ou não existe, não perco tempo com ele. Segundo Guimarães Rosa, esse é o problema essencial. Ele se recusava assinar algum protesto ou moção sobre o que quer que fosse de ordem política, já que nesse âmbito a pergunta: Deus existe?, nunca aparece. Era grande o Guimarães, o maior entre os literatos brasileiros, para meu gosto.

Mas, eu penso que o problema maior não é se “Deus existe”, ou se “Deus não existe”. Já me surpreendi, várias e recorrentes vezes, pensando que a minha vida em nada mudaria mesmo se Deus não existisse. Viver em Deus como se Deus existisse, eis a fórmula sintética de Bonhoeffer que aprecio sobremaneira. Deus não se importa com minha profissão de fé ou certeza da sua existência. Ele não depende de mim e eu não dependo da resposta a essa pergunta. Mesmo se Deus não existisse, a vida, com sentidos e razão, já teria razões e sentido.

Mas, não sou descrente.

E, então, o que me atormenta é um outro problema: onde Deus está? Parece-me que essa pergunta é mais interessante. Ela já supõe que Ele existe, e vai adiante. Dá um passo a mais, mais radical, mais existencial e decisivo. Onde ele está? E onde ele não está?

Socorro-me de Heráclito para pacificar em mim essa pergunta. Heráclito foi, para o meu senso filosófico, o maior dos pré-socráticos. Ele era genial. Genial e obscuro. Certa feita, uns admiradores, que ouviram falar dele, foram ter com ele, para beber no copo do seu saber. Imaginavam que o encontrariam em algum lugar propício para meditação, num templo, numa academia ou em algum lugar reservado e propício para filosofar. Só que não. Encontraram-no numa estrebaria, entre estercos e animais. Os admiradores se retiveram, imaginando ter havido um engano. Mas não. Heráclito os acolhe e lhes diz: “entrem, entrem, aqui também moram os deuses”.

Há ditos e feitos que não devem ser explicados para não perder a potência de interpretação. É o caso da frase de Heráclito...! Interprete-a, pois isso faz parte do sentido da vida...

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

AS FOLHAS DO COQUEIRO

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O coqueiro  é o mesmo, novas folhas surgiram, outras caíram. O vento provoca balanços variáveis. A pombinha rola fez novamente seu ninho, no encontro da folha com o tronco. Por onde se passa é possível acompanhar os movimentos. Até registros fotográficos aconteceram, além de ser assunto quase diário, entre seus admiradores. Ela não escolheu um lugar mais seguro. Certamente a sua confiança é bem maior que os possíveis riscos. Ela bem sabe que suas duas asas podem proteger e também levantar um rápido voo, em caso de emergência. O cenário é belo e inspirador, principalmente por ser despojado e simples.

O ninho da pombinha rola recorda o lar de muitas famílias, onde nada é luxuoso, mas repleto de harmonia e felicidade. A simplicidade deveria adentrar corações e lares de todas as pessoas que, um dia, decidiram morar debaixo do mesmo teto. Ter um lugar para morar é um direito, uma questão de justiça social. Infelizmente nem todos são contemplados, por isso alguns são denominados de sem teto. Um dia, talvez, o mundo seja diferente. Tomara que a ganância possa ser controlada e o ímpeto de possuir sempre mais seja inibido. Viver com o suficiente é o segredo para que todos sejam contemplados com o mínimo necessário.

Quando o lar é simples e aconchegante, a vida transborda, a convivência é harmoniosa, surge o prazer de voltar para casa. É do conhecimento de todos que o vento nem sempre é suave. Quantos vendavais atingem um número elevado de famílias. Não falo do vento que sopra lá fora, me refiro aos impactos das mudanças sociais que atingem em cheio a vida familiar. O sonho da eternidade do amor continua válido e sempre atual. O amor não nasce para terminar, mas para eternizar-se. Aprender a conviver, aceitando as diferenças é o segredo, o caminho mais indicado. A pombinha rola não se preocupa com a velocidade do vento. Ela sabe da agilidade das suas asas. Que o amor sustente todos os sonhos de felicidade.