quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

ONDE ESTÃO?

No âmbito do país violento, golpista, clivado por grupos políticos em pé-de-guerra, agrilhoado por uma crise política sem fim, sem saída, sem perspectiva de solução, os atos de monstruosidade ou de indiferença pelo direito alheio se tornam banais.

Um ambulante que teve a infeliz ideia de separar uma briga teve a cabeça pisoteada até o esmagamento por duas feras humanas enquanto os transeuntes mal desviavam o olhar do linchamento que tinham diante dos olhos.

Onde estão as pessoas que deveriam estar nas ruas correndo atrás de produzir para o país sair do buraco?

Onde estão as pessoas que deveriam estar nos parlamentos buscando soluções ou propostas?

Onde estão os ativistas que deveriam estar bradando, nas ruas e/ou nas redes, que não está tudo bem, não, e que não podemos nos dar ao luxo de ir salgar a bunda na praia porque instalaram uma ditadura no país?

Essa paz é falsa, é uma Pax Romana (longo período de relativa paz, gerada pelas armas e pelo autoritarismo, experimentado pelo Império Romano em 28 a. c.)

O grande risco que os golpes e as ditaduras deles decorrentes oferecem é o que está acontecendo no país, é a acomodação e o desalento, diferentes no conteúdo mas idênticos na forma.

As pessoas desistem de lutar e decidem ir “cuidar de suas vidas”. E é com isso que os golpistas contam, é com isso que os carrascos do povo contam, é com isso que os tubarões capitalistas contam, é com isso que os fascistas contam.

O objetivo do fascismo é justamente desestimular reações aos desmandos dos regimes autoritários vigentes ou pretendidos. Uma vez que você não se rebela mais, que esconde suas opiniões políticas, que aceita de cabeça baixa os desmandos dos novos donos do poder, o objetivo foi alcançado e não há mais necessidade de a militância fascista fazer suas blitz do ódio.

O Brasil ainda está vivendo do pouco mais de uma década de bonança econômica e social gerada pelos governos petistas. Ainda tem “gordura” para queimar. Mas a nova realidade irá se impor quando as reservas acabarem.

Só aí, quando o cinto apertar de verdade, é que as pessoas vão se dar conta de que não deveriam ter se acomodado, pois a viagem de volta à democracia só começará no momento em que a sociedade se der conta de que vai ter que se mexer ou continuará afundando na areia movediça do autoritarismo e da injustiça.

Mexa-se, saia do marasmo, não se desligue de tudo, não vá “cuidar da sua vida”, pois sua vida é seu país, sua vida depende da taxa de democracia por habitante que sua pátria tiver. Os problemas não desaparecem quando você os ignora. Pelo contrário, aumentam.

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