domingo, 31 de janeiro de 2016

O JEITO DE CAMINHAR

Morando numa chácara do interior, um homem ganhou um valioso presente: três cachorros. Foi buscar os animais com sua carroça. Amarou os três na parte traseira do carro de bois e iniciou a viagem que devia durar cerca de duas horas. Um dos animais rebelou-se contra a coleira, contra a corda, contra a carroça, contra a viagem. Mordia a corda, caia, era arrastado. Outro cachorro após examinar a situação, convenceu-se que não havia remédio, a não ser obedecer. Seguiu tranquilamente o carro de bois. Mas o terceiro pulou para dentro da carroça e, confortavelmente, seguia viagem.

De alguma maneira, essa alegoria retrata a vida das pessoas. Temos todos um ponto de partida e um ponto de chegada. A nós cabe escolher a melhor maneira de viajar. O primeiro grupo é dos revoltados. Estão convencidos que o mundo está contra eles, que o destino os tratou mal ou, na melhor das hipóteses, eles não têm sorte. Caminham na vida resmungando, arrastando a cruz, na sua opinião, a mais pesada. O segundo grupo é integrado pelos conformistas. Já que está assim, deixa assim. Passam pela vida sem grandes paixões, sem grandes revoltas, sem grandes alegrias. Existem, enfim, aqueles que aceitam a situação e tratam de descobrir as melhores soluções para a viagem da vida. Se o destino me deu um limão, pensam eles, nada como transformá-lo em limonada.

As três alternativas se repetem em toda a parte. É, por exemplo, o caso do casamento. O sonho não se realizou e passam a vida praguejando: maldito o dia em que casei. Mas não têm forças para a separação. O conformismo marca o segundo grupo. A rotina predomina na viagem a dois. Podem até parecerem felizes, mas são dominados por um grande tédio, sem ódio, sem paixão. Por fim, a atitude inteligente. A partir da situação concreta, da vida familiar, as pessoas tratam de conseguir o melhor jeito, com diálogo ou por vezes calando, outras vezes fingindo não ver e perceber.

Na caminhada da fé, o primeiro grupo segue as leis, por obrigação, criticando tudo e todos. O segundo grupo é marcado por uma constante rotina. São bons cristãos, missa dominical e um mínimo de entusiasmo. O terceiro grupo busca na fé a força e o melhor meio de caminhar.

Há na vida coisas que não podemos mudar e outras que devemos mudar. A sabedoria é saber distinguir uma da outra, a virtude é escolher a melhor alternativa. E em todas as situações, jamais pode faltar o amor. O caminho está traçado, o jeito de caminhar, nós escolhemos.

COMO É GOSTOSO O INVERNO NA PRAIA

Gosto da praia. Não só no verão. Gosto da praia o ano inteiro. Em todas as estações. Aqueles que frequentam a praia apenas no verão talvez não entendam. Mas eu, que sou frequentador da praia o ano interno, confesso-lhes que no inverno a praia tem um sabor especial que a maioria das pessoas desconhece. É o sabor da solidão.

Quando a agitação do trabalho e do encontro cotidiano com tantas e tantas pessoas começam a pesar nos braços, na mente e no coração, a praia no inverno é o lugar ideal para deixar de sentir saudades de si mesmo, olhar para dentro e ver por onde andam as forças, as razões e, sobretudo, e emoções. As areias desertas pelos humanos - salvo os raros pescadores que insistem em buscar nas águas as tainhas e corvinas - e esporadicamente visitadas pelos extraviados pinguins e lobos marinhos, são um lençol onde podemos descansar os pesos e os pesares que nos acompanham no dia a dia da atribulada urbe.

Claro que o inverno na praia é frio, ainda mais quando o vento gélido descamba dos Aparados da Serra e sopra em direção às ondas como querendo empurrá-las de volta para o meio do Atlântico. Mas quanto mais frio o ar, maior o aconchego da casa, mais quente o calor da chama a crepitar na lareira, mais saliente o sabor do cabernet, do tannat, do merlot, do chiraz que acompanham o pinhão, o amendoim e a batata assados à beira do fogo. E claro, o calor maior vem da conversa solta e desinteressada dos amigos e amigas sobre futebol, política, música, viagens, comidas, flores, cachorros, cavalos, gatos... Falar de tudo, menos de trabalho, compromissos, obrigações.

Mas o inverno na praia também tem seus “veranicos”: aqueles dias de sol, sem vento, calmos, de sol brilhante, céu azul, transparente, horizonte apenas delimitado pelo encontro entre as águas do oceano e as nuvens do céu... Maravilhosos! Caminhar displicentemente pela areia brincando de escapar das ondas que insistem em subir cada vez mais e mais em direção aos escombros é algo que remete às brincadeiras da infância. Passar horas e horas fazendo a mesma coisa sem que ela perca a graça porque o prazer está em não ter outra preocupação a não ser fazer o que se está fazendo.

E não se pode esquecer os pássaros que habitam a praia no inverno. Desde o amanhecer aleteiam pelos ares, alguns em voos retilíneos, outros em círculos, outros em volteios que confundem todas as formas geométricas. Mais cedo ou mais tarde, a maioria acaba por pousar na areia. Alguns solitários. Outros aconchegados em bandos. Alguns apenas para espichar as pernas e estender as asas. Quase todos para a grande e farta mesa. Na areia ou nas águas está para eles o leve “café da manhã” ou a comida substanciosa da tarde. Há as marrecas - a piadeira e a do-pé-vermelho - os biguás, as garças – a vaqueira, a moura, a branca-grande, a maria-faceira, a branca-pequena -, o maçarico-de-cara-pelada, os biguás, as batuíras – a batuiraçu, a da-axila-preta, as de-bando, as de-olheira, as de-peito-de-tijolo -, os maçaricos – os de-perna-amarela, os vira-pedra, os de-papo-amarelo, o branco, o miúdo, o de-sobre-branco -, a gaivota e o gaivotão, os trinta-reis de variados tamanhos, as andorinhas-da-praia, a coruja-buraqueira, o carcará e o chimango e, de vez em quando, para não serem esquecidos, os enormes albatrozes e o quero-quero para dar o seu recado campeiro.

Ah! Como é gostoso o inverno na praia. Mais gostoso é quando lembramos dele no verão, sob a sombra do guarda-sol, besuntados de protetor, tomando um gostoso chimarrão, vendo o multidão desfilar pela areia sob o tórrido sol de fevereiro.

sábado, 30 de janeiro de 2016

PARTES E PARTIDOS

Iniciamos o ano em que teremos eleições para escolha de nossos representantes no legislativo e executivo municipal. É um ano político porque uns candidatos reapareceram e outros se apresentarão pela primeira vez. Eles vêm, infelizmente, com os mesmos discursos, entoando suas vozes em prol do desempregado, do estudante etc. Nos discursos, afirmam melhoria na saúde, na segurança pública, incentivos à agricultura, bem como da cultura e dos esportes, etc. Os candidatos colocam-se ao lado do povo parecendo sentir na pele suas dores e necessidades. E, de bom grado, oferecem-se como representante na luta por melhorias para a população.

São muitos bonitos e empolgantes os discursos, mas, na prática, pouco se percebe de realidade por parte de alguns dos nossos representantes. O que se vê é mais a luta e busca pela parte, ou seja, pelo interesse de seu partido.

A palavra partido indica parte do todo, não é o todo. A proliferação de partidos e coligações em nosso país é grande e confunde o eleitorado desavisado. Qual a causa dessa proliferação partidária? É importante e necessária a diversidade de partidos, os denominados de esquerda e de direita, porque, assim, há maior fiscalização na administração do executivo. O problema está em os partidos, muitas vezes, defenderem mais seus interesses do que o bem comum.

Por outro lado, torna-se relevante o cidadão conhecer as bases de cada partido, isto é, suas origens e seus projetos, porque em muitos existe mais interesse em pequenos grupos do que em iniciativas em prol da população.

É muito comum esta expressão: “O povo tem o governo que merece”. Contudo, acredita-se numa mudança em nosso país em relação à construção da consciência política através da educação, pois, aos poucos, o brasileiro está crescendo em acesso a cultura. Acredita-se que um dos caminhos mais seguros para uma mudança do cenário político é a ética e a educação.

Elas tecem uma consciência crítica da realidade e, só assim, vê-se com mais profundidade as reais intenções dos candidatos que visam, de fato, lutar pelo povo ou pelo interesse do partido. Isso porque, devido à preocupação de projeção partidária, muitos projetos que vem ao encontro das necessidades do povo vão para a gaveta, porque se não é “do meu partido”, o plano não é aprovado. Então, pergunta-se: você acompanhou o trabalho daquele que recebeu o seu voto na última eleição? O que seu representante eleito têm feito em benefício da cidade? Eles foram eleitos para administrar aquilo que é seu, pois o patrimônio público é seu, é de todos. Sem forçar a expressão, quem fiscaliza o trabalho de seus empregados? Os representantes eleitos são os empregados, por isso devem ser averiguadas suas atitudes.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

O QUE AINDA ESTÁ FALTANDO?

Sem título Seca, enchentes, zika, dengue: o que ainda falta?


O primeiro mês do ano, lamento constatar, chegou ao final deixando um tsunami de más notícias. Era melhor que 2016 nem tivesse começado. Sem falar do cenário político e econômico, que continua se deteriorando a cada dia, temos agora os desastres da natureza, multiplicando-se por toda parte.

Em matéria de tragédias, estamos superando todas as previsões, e o novo ano está só começando. Temos de tudo: epidemias, enchentes, chuvas de granizo, tornados, largas regiões assoladas por estiagem severa, alagamentos, deslizamentos, colapso no sistema de saúde e no abastecimento de água. No mesmo dia, parte do país fica debaixo d´água; outra, sofre com a seca prolongada. O que ainda falta?

Abaixo, um breve resumo da situação neste momento, segundo levantamento feito pela Folha desta terça-feira

* De cada cinco municípios brasileiros, um está em situação de emergência ou em estado de calamidade pública. Em 77% deles (792 municípios), localizados em sua maioria no Nordeste e em Minas Gerais, o problema é a falta de chuvas.

* Em 236 cidades, principalmente no Sul, o excesso de chuvas tem provocado enxurradas, alagamentos, inundações, vendavais e até tornados.

* A infestação do mosquito aedes aegypti faz crescer geometricamente os casos de dengue, do vírus zika e da chikungunya, que já atingem nove Estados. No ano passado, batemos o recorde: foram registrados 1,6 milhão de casos, com 863 mortes. E o drama da microcefalia se alastra.

Prefeitos e governadores fazem romarias a Brasília toda semana para pedir ajuda ao governo federal, que também está com os cofres vazios, cortando despesas, e não tem a quem pedir socorro.

Estamos, literalmente, no mato sem cachorro. Até rimou...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

A FÉ REMOVE MONTANHAS


Uma mulher acordou uma manhã após a quimioterapia, olhou no espelho e percebeu que tinha somente três fios de cabelo na cabeça. Bom, disse ela, acho que vou trançar meus cabelos hoje. Assim ela fez e teve um dia maravilhoso. No dia seguinte ela acordou, olhou no espelho e viu que tinha somente dois fios de cabelo na cabeça. Hummm, disse ela, acho que vou repartir meu cabelo ao meio hoje. Assim ela fez e teve um dia magnífico.

No dia seguinte ela acordou, olhou no espelho e percebeu que tinha apenas um fio de cabelo na cabeça. Bem, disse ela, hoje vou amarrar meu cabelo como um rabo de cavalo. Assim ela fez e teve um dia divertido. No dia seguinte ela acordou, olhou no espelho e percebeu que não havia um único fio de cabelo na cabeça e exclamou: hoje não tenho que pentear meu cabelo. Assim ela foi encaminhando seus dias, até restabelecer a saúde.

Algumas situações são inevitáveis. As surpresas consomem muitas lágrimas. O mundo pode desabar de uma hora para outra. Ninguém está isento de abalos emocionais. Diagnósticos são inesperados. Tudo é muito rápido: entre o melhor e o pior, a distância é mínima. Os sentimentos se alternam em questão de segundos. Todos podem provar profundamente a dor, sem abdicar de um amor que faz viver e que inspira superação. Nem sempre é possível tomar distância do sofrimento, mas sempre será adequado reunir motivos para continuar vivendo.

As reações fazem parte dos diversos contratempos e do modo como os problemas se apresentam. Pessoas mais espiritualizadas acabam respondendo de forma mais confiante. Nem todos conseguem controlar a emoção, para adequar respectivos encaminhamentos. Tudo se parece com um pesadelo, o mundo simplesmente desaba. A fé não elimina a dor, mas conforta e inspira o desejo de continuar apostando na superação. Para quem acredita, o impossível poderá se tornar possível. Independentemente do que possa acontecer, os dias são magníficos. O desespero nunca serviu para aliviar e nem para curar. Provar o amargo da dor, faz parte da condição humana. Há dias em que a tristeza se instala. Em outras ocasiões, a alegria se estabelece de forma suave e leve. Recuperar a saúde é uma dádiva que passa também pelo esforço e determinação em não desanimar, de jeito nenhum. Sim, a fé é capaz de remover montanhas

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

UM SONHO


Ha uma discussão pelo mundo afora sobre a “sociedade do cansaço”. Seu formulador principal, é um coreano que ensina filosofia em Berlim, Byung-Chul Han, cujo livro com o mesmo título acaba de ser lançado no Brasil (Vozes 2015). O pensamento nem sempre é claro e, por vezes discutível, como quando se afirma que “cansaço fundamental” é dotado de uma capacidade especial de “inspirar e fazer surgir o espírito” (cf. Byung-Chul Han, p. 73). Independentemente das teorizações, vivemos numa sociedade do cansaço. No Brasil além do cansaço sofremos um desânimo e um abatimento atroz.

Consideremos, em primeiro lugar, a sociedade do cansaço. Efetivamente, a aceleração do processo histórico e a multiplicação de sons, de mensagens, o exagero de estímulos e comunicações, especialmente pelo marketing comercial, pelos celulares com todos os seus aplicativos, a superinformação que nos chega pelas midias sociais, nos produzem, dizem estes autores, doenças neuronais: causam depressão, dificuldade de atenção e uma síndrome de hiperatividade.

Efetivamente, chegamos ao fim do dia estressados e desvitalizados. Nem dormimos direito, desmaiamos.

Acresce ainda o ritmo do produtivismo neoliberal que se está impondo aos trabalhadores no mundo inteiro. Especialmente o estilo norteamericanmo cobra de todos o maior desempenho possível. Isso é regra geral também entre nós. Tal cobrança desequilibra emocionalmente as pessoas, gerando irritabilidade e ansiedade permanente. O número de suicídios é assustador. Resuscitou-se, como já referi nesta coluna, o dito da revolução de 68 do século passado, agora radicalizado. Então se dizia: “metrô, trabalho, cama”. Agora se diz: “metrô, trabalho, túmulo”. Quer dizer: doenças letais, perda do sentido de vida e verdadeiros infartos psiquicos.

Detenhamo-nos no Brasil. Entre nós, nos últimos meses, grassa um desalento generalizado. A campanha eleitoral turbinada com grande virulência verbal, acusações, deformações e reais mentiras e o fato de a vitória do PT não ter sido aceita, suscitou ânimos de vindita por parte das oposições. Bandeiras sagradas do PT foram traídas pela corrupção em altíssimo grau, gerando decepção profunda. Tal fato fez perder costumes civilizados. A linguagem se canibalizou. Saiu do armário o preconceito contra os nordestinos e a desqualificação da população negra. Somos cordiais também no sentido negativo dado por Sergio Buarque de Holanda: podemos agir a partir do coração cheio de raiva, de ódio e de preconceitos. Tal situação se agravou com a ameaça de impeachment da Presidenta Dilma, por razões discutíveis.

Descobrimos um fato, não uma teoria, de que entre nós, vigora uma verdadeira luta de classes. Os interesses das classes abastadas são antagônicos aos das classes empobrecidas. Aquelas, historicamente hegemônicas, temem a inclusão dos pobres e a ascensão de outros setores da sociedade que vieram ocupar o lugar, antes reservado apenas para elas. Importa reconhecer que somos um dos países mais desiguais do mundo, vale dizer, onde mais campeiam injustiças sociais, violência banalizada e assassinatos sem conta que equivalem em número à guera do Iraque. Temos ainda centenas de trabalhadores vivendo sob condição equivalente à escravidão.

Grande parte destes malfeitores se professam cristãos: cristãos martirizando outros cristãos, o que faz do cristianismo não uma fé mas apenas uma crença cultural, uma irrisão e uma verdadeira blasfêmia.

Como sair deste inferno humano? A nossa democracia é apenas de voto, não representa o povo mas os interesses dos que financiaram as campanhas, por isso é de fachada ou, no máximo, de baixíssima intensidade. De cima não se há de esperar nada pois entre nós se consolidou um capitalismo selvagem e globalmente articulado o que aborta qualquer correlação de forças entre as classes.

Vejo uma saída possível, a partir de outro lugar social, daqueles que vem debaixo, da sociedade organizada e dos movimentos sociais que possuem outro ethos e outro sonho de Brasil e de mundo. Mas eles precisam estudar, se organizar, pressionar as classes dominantes e o Estado patrimonialista, se preparar para eventualmente, propor uma alternativa de sociedade ainda não ensaiada mas que possui raízes naqueles que no passado lutaram por um outro Brasil e com projeto próprio. A partir daí formular outro pacto social via uma constituição ecológico-social, fruto de uma constituinte exclusiva, uma reforma política radical, uma reforma agrária e urbana consistentes e a implantação de um novo design de educação e de serviços de saúde. Um povo doente e ignorante nunca fundará uma nova e possível biocivilização nos trópicos.

Tal sonho pode nos tirar do cansaço e do desamparo social e nos devolver o ânimo necessário para enfrentar os entraves dos conservadores e suscitar a esperança bem fundada de que nada está totalmente perdido, mas que temos uma tarefa histórica a cumprir para nós, para nossos descendentes e para a própria humanidade. Utopia? Sim. Como dizia Oscar Wilde: “se no nosso mapa não constar a utopia, nem olhemos para ele porque nos está escondendo o principal”. Do caos presente deverá sair algo bom e esperançador, pois esta é a lição que o processo cosmogênico nos deu no passado e nos está dando no presente. Em vez da cultura do cansaço e do abatimento teremos uma cultura da esperança e da alegria.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

TENHA UM FOCO NA VIDA

Atualmente um termo muito empregado em qualquer atividade é a palavra foco. Praticamente em todas as áreas de atuação humana o termo ganhou significativa importância. No mercado e nos negócios não faltam profissionais para tratar da questão. Em qualquer organização e em planos de governo o termo está presente. Porém, por detrás do termo foco esconde-se uma pergunta fundamental: para onde pretende ir? Muitas são as respostas, mas a de dimensão pessoal exige maior valorização e crenças no potencial das pessoas.

Próximo ao termo foco usa-se outros, como por exemplo, planejamento estratégico. Geralmente, o planejamento é apresentado por escrito, tendo objetivos e atividades prioritárias para o crescimento, consideradas estratégicas. Enfim, planejar é o alinhamento de objetivos e de atividades considerados importantes para um setor. Logo, exige uma prévia resposta à pergunta onde se pretende chegar com tal empenho. Restrita às exigências da vida, a resposta precisa ser a mais real possível para não permanecer na utopia, sem nunca alcançar realização e felicidade. Então, o termo foco pode ser aplicado eficazmente a todas circunstâncias da vida das pessoas e da sociedade.

No campo religioso, o papa Francisco elegeu como centro de seu pontificado uma Igreja “em saída”, com cheiro do povo. A partir disto o pontífice acredita na primeira experiência de Igreja: a do mais pobre, a serviço destes, comprometida com a defesa da vida e usando nas relações sempre da misericórdia divina. Em dimensões de geopolítica mundial é de compreensão global que faltam grandes estadistas internacionais justamente pela ausência de um foco em política pública, do tipo eleger o bem comum, a garantia dos direitos humanos a todos os povos, paz mundial.

Em níveis de conjuntura política do país, setores da imprensa criticam os partidos de oposição porque não têm um foco central de combate ao governo. Em nível pessoal, ao observar seres humanos sem motivação, registra-se a falta de horizontes. Portanto, de um foco no qual persistir e depositar energias.

Então, o foco tem como objetivo ajudar as pessoas a encontrar os valores que sejam essenciais para a vida e para seus projetos. Os valores são um conjunto de elementos que caracteriza uma determinada pessoa, comunidade, sociedade, povos e até organizações. Através dos valores se estabelecem comportamentos com outros indivíduos e com os espaços sociais da vida. Ao praticar os valores ganha-se em significado em dimensão de merecimento, reputação, coragem, valentia, talento, etc. Logo, os valores estão associados à missão, a crenças em atingir um determinado foco. Acredita-se que toda atividade humana será executada tendo um foco definido. Entre os muitos caminhos que a vida oferece é preciso saber escolher o melhor. A vontade de Deus é um ótimo itinerário para a felicidade e para a realização da vida.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

1% DA POPULAÇÃO MUNDIAL, DETEM A MESMA RIQUEZA QUE OS DEMAIS 99%.

A riqueza acumulada pelo 1% mais abastado da população mundial agora equivale, pela primeira vez, à riqueza dos 99% restantes.

Essa é a conclusão de um estudo da organização não-governamental britânica Oxfam, baseado em dados do banco Credit Suisse relativos a outubro de 2015.

O relatório também diz que as 62 pessoas mais ricas do mundo têm o mesmo – em riqueza – que toda a metade mais pobre da população global.

O documento pede que líderes do mundo dos negócios e da política reunidos no Fórum Econômico Mundial de Davos, que começa nesta semana, na Suíça, tomem medidas para enfrentar a desigualdade no mundo.

A Oxfam critica a ação de lobistas – que influenciam decisões políticas que interessam empresas – e a quantidade de dinheiro acumulada em paraísos fiscais.

Segundo o estudo da Oxfam, quem acumula bens e dinheiro no valor de US$ 68 mil (cerca de R$ 275 mil) está entre os 10% mais ricos da população. Para estar entre o 1% mais rico, é preciso ter US$ 760 mil (R$ 3 milhões).

(…)

A Oxfam verificou que a proporção de riqueza do 1% dos mais ricos vem aumentando a cada ano desde 2009 – depois de cair de forma gradual entre 2000 e 2009.

A ONG britânica pede que os governos tomem providências para reverter esta tendência. A Oxfam sugerem a meta, por exemplo, de reduzir a diferença entre o que é pago a trabalhadores que recebem salário mínimo e o que é pago a executivos.

A organização também quer o fim da diferença de salários pagos a homens e mulheres, compensação pela prestação não remunerada de cuidados a dependentes e a promoção de direitos iguais a heranças e posse de terra para as mulheres. A ONG britânica quer também que os governos imponham restrições ao lobby, reduzam o preço de medicamentos e cobrem impostos pela riqueza em vez de impostos pelo consumo


Da BBC.

sábado, 23 de janeiro de 2016

O ENVELHECIMENTO E O AGORA.

Passa tempo e as conversas continuam as mesmas, o deficit da previdência. Os custos dos velhos desse país. A conta não fecha. É preciso enrijecer as regras de acesso. O Brasil é muito generoso. E por aí podíamos passar um texto inteiro.

Mas no fundo, nada disso é tão relevante quanto realizar uma escolha sensata e realista. Que Brasil queremos para nós?

Um dia o mundo escolheu deixar as crianças do continente africano morrendo à míngua de saneamento, de educação, de alimento e todos aquiesceram. Essa foi uma escolha da qual todos hoje pagam o preço.

A próxima escolha que precisa ser tomada em cada um dos países e, por fim, em todo o mundo, é relativamente a seus idosos. O que fazer com eles? Considerá-los apenas um custo? Deixá-los à própria sorte?

As consequências existem para todos os lados. Se optarmos por deixá-los a sua própria sorte, veremos muitos morrendo nas ruas, sozinhos, sem alimento, sem medicamento, sem condições mínimas de irem e virem e, até mesmo, sem condições de se lavarem e realizarem o asseio diário. Os veremos mendigando, sem dentes, fétidos pelas ruas. E isso será uma escolha.

Mas podemos escolher nos responsabilizarmos por eles. Abrirmos mão de algumas coisas para vermos decência na vida que se desenrola e naturalmente leva à velhice. Podemos escolher garantir aposentadorias dignas, saúde de qualidade, suporte para as demandas diárias de qualquer cidadão que, quando envelhece, precisa de um pouco mais de atenção.

Mas, e os custos? Bom, vamos pensar um instante. O mundo não irá parar de produzir riquezas. As gerações continuarão crescendo e se multiplicando. Portanto, o dinheiro continuará circulando. A pergunta que se faz é: nas mãos de quem

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

QUE A PAZ SEJA A NOTÍCIA DO DIA.

Estar na paz é meta de todo ser humano. Na ausência da paz a vida seria muito sofrida e sem esperança. Na sociedade contemporânea a superação da violência, guerras, conflitos, intolerâncias, exclusão social e degradação do meio ambiente seria um sonho coletivo. Entretanto, a paz é uma construção dos povos, comunidades, grupos e pessoas. Por conseguinte, a condição real para realizar tal sonho está próxima de todos.

Almejar um estado de paz é imprescindível para o futuro da humanidade. Dada a sua importância até existem no calendário civil e religioso datas e feriados que fomentam ideias e atitudes de paz. Entre tantas, as datas religiosas incluem a festa da Páscoa e do Natal, e no ano civil temos o 1º de janeiro. Essas datas convergem motivações e chamamento para a paz universal. A presente realidade da sociedade mundial impõe razões para a conquista da paz.

Ao assistir aos noticiários, ler os jornais, ouvir relatos das pessoas, constata-se que o crescimento da violência é uma realidade perturbadora. Como se não bastasse a situação global com tendência ao crescimento da violência, dos conflitos, constata-se que também o coração e o espírito das pessoas andam na insegurança e na intranquilidade. Os entraves pela paz não deixam de ser fruto do mercado bélico e do negócio ilegal desses produtos que provocam transtornos pelo mundo.

O maior dos empecilhos para a conquista da paz é a guerra entre os países poderosos com o objetivo de maior controle no negócio global e ampliar poderes em áreas geopolíticas estratégicas para a economia. No encalço da ferrenha batalha incalculáveis quantias são destinadas à produção de armas, equipamentos e tecnologia militar como a da fabricação de munições, mísseis, aviões e veículos militares, navios e sistemas eletrônicos. Em 11 de dezembro de 2015, em Seul, o líder norte-coreano Kim Jong-un anuncia que o país possui uma bomba de hidrogênio. Isto representa além de um avanço no programa de armamento nuclear, o aumento do poder de controle econômico, social e moral no panorama mundial. Por outro lado, a própria pobreza, marginalização e exclusão social acabam se tornando um ambiente que prospera a partir de situações favoráveis a crimes, violência, conflitos, insegurança.

Neste cenário desenha-se uma falsa ideia de que o sonho coletivo pela paz parece estar distante de ser alcançado. Mas, para São Paulo apóstolo a paz não está presa a circunstâncias. Em Deus é credível que em todas as circunstâncias a paz seja capaz de efetuar transformações. A bem da verdade, Paulo apóstolo diz que todas as circunstâncias podem ser pensadas a partir do sentimento da paz. Logo, mesmo quando parece estar distante sua conquista, estará sempre presente naqueles que experimentam a graça de Deus. Em tal condição a paz é real no sentimento e na alma dos que desejam ver o mundo mais aprimorado para a solidariedade, a moral, a reconciliação, a fraternidade universal, o respeito à vida humana e do planeta. Dessa forma, quando a maioria da população mundial vestir esperança neste sonho a paz pode virar a boa notícia para todos.

O ELEITOR DO DIABO.

João Dória, o eleitor do diabo, faz parte prazerosamente da elite que odeia os pobres passeando na Avenida Paulista e dando rolezinho nos espaços que a apodrecida e racista elite branca imagina delirantemente como de sua propriedade.

O eleitor do diabo prefere mil vezes o apodrecimento dos pobres do que sua ascensão ao direito de estudar, de crescer intelectual e socialmente como cidadãos criativos e inteligentes na construção democrática do Brasil.

João Dória declarou com aquele sorriso de hiena que vota no diabo, mas não vota em Lula.

Seu testemunho é inconteste como autêntico direitista burguês que despreza o povo e seus líderes, por isso sente orgasmo em votar no diabo.

Antes que me imagines piegas e supersticioso do tipo desses crentes que vêm diabo como entidade absoluta e de poder espiritual transcendental capaz de fazer-se um monstro presente em todos os lugares, sempre disposto a quebrar os pescoços das pobres e indefesas criaturas humanas, te explico o que é o diabo, no qual vota o fanfarrão burguês João Dória.

A palavra diabo tem origem na língua grega. Lá, desde seu nascimento, diabo – “dia- blós” – significa divisão, acirramento de sentimentos e divisão inconciliável. Ao contrário de “sim-bolós” – de onde símbolo – que une, que converge, que agrega, que congraça, “diablós” destrói a unidade entre os seres.

É nisso que vota João Dória.

João Dória é parte da elite dominante que se empenha diuturnamente na destruição social, da unidade nacional, na comunhão do povo e na tomada do poder pelos que realmente trabalham.

João Dória não só vota no monstro diabólico que destrói pela manipulação, pela exclusão e pela divisão, como também é um dos que se candidata a diabo, procurando enganar a sociedade ao pedir-lhe votos para o cargo de prefeito de São Paulo, atropelando companheiros de seu próprio partido, antro do diabo por natureza.

Imagino o inferno em que se transformaria a vida do povo de São Paulo se, por uma desgraça, João Dória vencesse as eleições e se tornasse prefeito da maior capital da América Latina.

Suas alianças com as máfias do transporte coletivo, do sistema financeiro e dos racistas fariam de São Paulo permanente espetáculo que o diabo gostaria, já que ele seria o principal.

A tentativa de diabos como João Dória é a de dialoblizar toda a sociedade com o objetivo de que os diabos em quem ele e sua escória votam sejam os mais fortes na desconstituição da democracia.

• Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.