sexta-feira, 20 de julho de 2018

EM QUESTÃO DE MINUTOS

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A instantaneidade perpassa e invade os recantos do mundo. O que aconteceu em nossa rua, em questão de minutos, todos ficam sabendo. As redes sociais são ágeis, rápidas e práticas. Nestes dias, procurei ficar atento ao desenrolar dos fatos do grupo de meninos, com seu treinador, presos, por causa de uma enchente, numa caverna na Tailândia. O desfecho aliviou o coração de todos. As manifestações de solidariedade surgiram de todos os lados. Pensei comigo mesmo: o mundo não está perdido, ainda bem. A dor alheia consegue, independente da distância, tocar na sensibilidade de todos aqueles que ainda se importam com o valor e o sentido da vida. Um dia depois do resgate, recebi uma síntese, em forma de mapa conceitual, que trazia presente o aprendizado que o resgate daqueles meninos proporcionou. O enredo dos fatos que envolveram o salvamento daquele grupo é, sem dúvida, iluminador. Sou da opinião de que não basta tomar conhecimento dos detalhes de uma informação, mas estar aberto para aprender algo novo ou confirmar o que já era de conhecimento pessoal ou público.

Em pouco tempo, especialistas em mergulho e socorristas dos Estados Unidos e do Reino Unido se juntaram à equipe tailandesa de resgate, tendo como meta encontrar aquele time de futebol com seu treinador. A solidariedade ainda é capaz de derrubar barreiras e salvar o que existe de mais precioso, a vida. Não importa onde estamos, só precisamos de vontade e disponibilidade para ajudar quem necessita. Após nove dias, o grupo foi encontrado com vida, apesar de não terem consigo nenhum alimento. Água e comida são fundamentais, mas o que nos mantém mesmo é a vontade de viver. O mergulhador e triatleta Samam Kunan, levou mantimentos ao grupo. Porém, ao retornar acabou falecendo. Provavelmente o socorrista sabia dos riscos, mesmo assim foi em frente pelos meninos, queria ajudar, fez a sua parte, doou a própria vida. Gastar os dias, as energias e a criatividade em prol da existência dos outros é mais do que altruísmo, é um ato divino.

As horas iam passando, os dias também. No lugar do desespero, os meninos e seu técnico enviaram cartas de otimismo, em tom descontraído, para suas famílias. Calma e entusiasmo serão sempre grandes aliados frente à realidade desesperadora. O próprio técnico, numa das cartas, pediu desculpas aos pais por estar causando tanta dor e transtornos. Por fim, todos foram salvos. A recuperação se deu num processo ascendente e veloz. Certamente surgirão livros e filmes contando essa história, que tocou profundamente o mundo. Sem dúvidas, o episódio da Tailândia jamais será esquecido. O amor é capaz de salvar, independentemente das condições e obstáculos. Diariamente, no anonimato, muitos continuam salvando vidas, através de um olhar terno, de um abraço aconchegante, da partilha do alimento, da cura das feridas do corpo e alma. Problemas, tragédias e infortúnios podem bater à porta de todos, sem nenhum aviso prévio. O importante é saber amar e estar pronto a estender a mão àqueles que necessitam. Os meninos da Tailândia, juntamente com o jovem técnico, venceram a maior competição da história e mostraram ao mundo a taça da solidariedade.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

QUE BRASIL VOCÊ QUER PARA O FUTURO?

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Em ano de eleição presidencial mais importante do que discutir qual o melhor candidato é debater que projeto queremos para o Brasil superar a atual crise agravada pelo desastrado governo Temer, que fez o país voltar 20 anos em dois.

Não acredito em saídas para a crise de olho apenas nos índices do mercado financeiro. Como falar em melhoras na economia se o PIB recua, o desemprego aumenta, a dívida pública e a inflação sobem e o dólar vai às alturas?

Para o Brasil sair do buraco, ou seja, livrar toda a sua população dos apertos atuais, é preciso isentar de impostos todos que ganham até 10 salários mínimos por mês, de modo a aquecer a demanda interna. E taxar o imposto de renda em 10% para quem recebe de 10 a 20 salários mínimos por mês; 20 para quem ganha de 20 a 30; 30 para os remunerados de 30 a 40 salários mínimos; e 40% de taxação para todos que embolsam mais de 40 salários mínimos por mês.

Há que imprimir progressividade também no pagamento do IPTU. Quem aluga imóvel ficaria livre de IPTU. Quem possui até três imóveis, com menos de 150 m2 cada um, deveria merecer um acréscimo de 20%. Acima desta área, 30%. Para quem tem até cinco imóveis, 40%. E para quem é dono de mais cinco, seja qual for o tamanho, acréscimo de 60%.

Isso reduziria a especulação imobiliária. O Brasil tem um déficit de 6,2 milhões de moradias. E há 7 milhões de imóveis vazios, incluídos os que são ocupados por breve espaço de tempo ao longo do ano, como os situados em beira de praias.

As propriedades agrícolas não produtivas deveriam merecer 50% de aumento no imposto rural. Este imposto seria progressivo em mais 10% a cada ano. Ao atingir 100%, e comprovada a improdutividade, o imóvel rural seria confiscado para efeito de reforma agrária.

Todos os recursos privados remetidos ao exterior deveriam ser taxados em 40%, bem como as fortunas acima de R$ 2 milhões. Quem possui dois veículos de transporte individual pagaria 50% a mais no IPVA. Em contrapartida, as passagens de transportes coletivos seriam reduzidas pela metade.

Cobrança imediata de todas as dívidas com o INSS e a Receita Federal. Auditoria das dívidas pública e externa. Todas as empresas privadas envolvidas em corrupção passariam a ter 49% de seu controle acionário em mãos do poder público.

Fim do foro privilegiado em todas as instâncias; do auxílio moradia para quem possui imóvel no município em que trabalha; do auxílio “salsicha” (refeições e lanches) em todas as instâncias da administração pública; e de uso de veículos oficiais, exceto para os presidentes dos três poderes republicanos.

Com tais medidas, o Brasil teria recursos suficientes para aprimorar seus sistemas de saúde e educação e reimplantar políticas sociais que assegurem inclusão social da população empobrecida.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

OUVI O ECO.



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Ouvi o eco de tudo que vive dentro de mim. Ouvi o eco da transmutação. De tudo que fica e plenifica meus sentidos. Ouvi o eco que me fez mudar, alterar meu caminho e me questionar.

Ouvi o eco do meu próprio sintonizar, do amparo a se reacomodar, tudo isso a se juntar.

Hoje parei para ouvir o que o meu interior dizia... Ele queria se expressar.

Revisitei momentos raros, engolida pela vida. Me vi plena nas recordações que vinham me aconchegar. Me vi rolando pela areia da praia deserta como uma célula do universo num sereno e tranquilo ali estar. Me enxerguei em outro momento intenso, no ir e vir pelas estradas da vida, com a música me invadindo, numa suave melodia que vinha me encontrar e outras lembranças resgatar.

Por vezes, os cantos escuros do meu ser cansado buscavam a leveza daqueles momentos, acordando e recordando o eco do amor, reacendendo o brilho da minha alma que cintila. Luz dos olhos a iluminar.

A fé translúcida se mostrava agora e mais uma vez acreditei que o meu mundo ia ser melhor. Tirei da minha mão o controle remoto que nunca tive - a não ser nas minhas ilusões - confiei e me deixei embalar. O eco repetia a ânsia por um sereno e leve andar.

terça-feira, 17 de julho de 2018

QUAL É A SUA VERSÃO?

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Tipificar, caracterizar e distinguir é uma mania dos filósofos e pensadores que primam pela clareza e evitam confusões. Confundir é colocar tudo no mesmo fundo, fundindo, misturando e embaralhando aquilo que, bem pensado, são coisas diferentes. Com a Ética acontece o mesmo fenômeno. Fala-se em falta de ética, de antiética, de imoral, como se a ética fosse uma coisa única, clara e transparente a todos. E não é. Nem é clara e transparente a todos e nem é uma única. Na verdade, não há isso que chamamos A ética, o que há são várias éticas.

Diga-se, de passagem, que há também uma importante distinção entre ética e moral. Moral é o conjunto das normas de certo e errado compartilhadas por uma determinada comunidade histórica. Moral é sempre histórica, situada, particular e em transformação em seus valores. A escravidão já foi moral, o machismo já foi moral, matar animais para se alimentar continua sendo moral. Moral são as normas de comportamento com caráter de bom e mau. A moral responde à pergunta: o que eu devo fazer para ser bom? As normas morais vigentes dizem o que fazer.

A ética é de outra ordem. A ética não responde o que devemos fazer, mas por que devemos fazer ou por que não devemos fazer. A ética dá as razões das normas morais, legitimando-as ou deslegitimando-as, mostrando sua consistência ou inconsistência. Na medida em que a ética, a ciência da moral, a reflexão sobre a moral, pretende dar as razões das normas, então, ela se vale de critérios que podem ser tomados como princípios norteadores das normas morais. E aí entra a pluralidade da ética. Não há uma única ética como critério universal, mas várias. E agrupadas em duas vertentes que tecnicamente nomeia-se: éticas teleológicas e éticas deontológicas. Ou se quiser, éticas consequencialistas e éticas principialistas.

Para as éticas consequencialistas importa o resultado e não a regra prévia à ação que diz o que tem que ser feito. Para as éticas deontológicas importa seguir a regra à risca, sem exceção e sem contextualização. A questão de fundo é pois de intenções e de resultados. A boa vontade de seguir a regra ou o melhor resultado, independente das consequências e dos resultados? Eis a questão.

Se a escolha recair sobre os resultados então teremos o consequencialismo em três versões. a) Se o que importa é o bom para o sujeito da ação, então temos o egoísmo ético. b) Se o que importa é a consequência boa para o outro, mesmo com o sacrifício do sujeito da ação, então temos o altruísmo ético. c) E, se o que importa é a consequência boa para o maior número de pessoas implicadas na ação, então temos o utilitarismo ético.

Na versão deontológica ou principialista, as mais famosas e importantes versões das éticas são a ética cristã e a ética kantiana. Ambas têm algo em comum, o que importa é seguir a regra e ela vale para todos. Não matar, não roubar, não violentar, não mentir. A ética religiosa cristã pressupõe a fé em Deus, razão da própria norma. Para a ética kantiana, basta a racionalidade da regra que se impõe como um dever e um imperativo categórico universalmente válido. A regra cristã diz: tu deves amar o próximo como a ti mesmo. A ética kantiana diz: o que vale para ti, que valha para o outro. Se não gostarias que o outro te trate como meio, trate o outro como fim em si mesmo também.

As cinco versões pretendem apresentar um critério que seja suficientemente forte e universal e que possa ser aplicado com validade universal. Qual a melhor das versões? E qual a tua versão? Ou será que não há a melhor e para evitar contradições haverá de sempre avaliar a versão e o contexto e seus resultados? Como somos finitos e falíveis, não há ética que seja A ética e, no cotidiano, para continuarmos merecermos usar a palavra ética, deveríamos, no mínimo, pensar, ajuizar e deliberar com coerência virtuosa.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

COMO DAR A NOTÍCIA.

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Num Seminário de futuros médicos o cenário trazia presente a relação médico e paciente, o assunto, no entanto, era incomum: como dar uma notícia triste. A importância da espiritualidade, no momento de comunicar um diagnóstico nada favorável. Situações como estas trazem presente o quanto as palavras são insuficientes, para dizer o que é profundo, pontual e, muitas vezes, irreversível. Realmente não é suficiente ter habilidade e boa comunicação. Quando a vida está em jogo ou diante de um risco, é preciso deixar o coração falar, utilizando o menor número possível de palavras. Os gestos podem expressar, com maior fidelidade, o sentimento que embarga as palavras e nos transporta, por uns instantes, para o lugar da outra pessoa. Os profissionais da saúde carregam consigo uma grande responsabilidade diante da vida e da respectiva missão do cuidado.

Ninguém está totalmente seguro em dar uma notícia e muito menos preparado para ouvir o que não gostaria jamais de ouvir. Mas a vida é feita de tudo um pouco. Momentos bons se alternam com situações difíceis, alegrias e lágrimas brincam de roubar o lugar uma da outra. Ânimo e desânimo, por vezes, ocupam o mesmo palco, apenas mudam-se os cenários. Estar realmente preparado para acolher as diversas situações da vida, não é tarefa muito fácil. Porém, ninguém foge de determinadas situações. O que parece impossível acontecer talvez alcance a realidade mais cedo do que se imagina. Acostumar-se com essa dinâmica e com o amontado de situações é uma obrigação distante da possibilidade de opção. Apesar de todas essas possibilidades, a vida segue em frente e continua sendo o mais belo dos embalos, a mais extraordinária história existencial. Viver é um ato humano com o toque divino. Com ou sem preparo, todos são desafiados a abraçar a vida, independentemente deste ou aquele diagnóstico.

Aqueles jovens, acadêmicos de medicina, permaneceram muito atentos. Todos sonham, certamente, com uma carreira brilhante. Naquele entardecer deu para ver o quanto a vida pulsa no coração daqueles que se preparam para cuidar da vida dos outros. Ao mesmo tempo, parece ter sido consenso de que não basta multiplicar palavras, é importante ter conteúdo existencial e espiritual para poder comunicar a situação de cada paciente. Contar notícias alegres e vitoriosas é muito mais fácil do que dizer para alguém que os próximos tempos serão de intensa luta, onde a boa vontade e ao auxílio químico deverão se somar. Quem tem profundo amor à vida, faz de tudo para garantir a saúde do corpo e da alma. Apesar da finitude terrena, é possível avançar mais um passo e abandonar-se totalmente nas mãos do Criador. A espiritualidade não resolve problemas, mas favorece a esperança e renova as energias. Viver alegre, mesmo sabendo que, um dia, será necessário partir, é uma das características das pessoas que professam a fé. Feliz de quem não abre mão do cultivo da espiritualidade.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

QUATRO IMPORTANTES COMPROMISSOS


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* Seja impecável com sua palavra. As palavras têm imenso poder e não devem ser usadas levianamente. Diga apenas aquilo em que acredita, usando corretamente sua energia. Fuja de mexericos e de comentários negativos:


* Não leve nada para o lado pessoal. Quando alguém fala de você, está na realidade expondo a si mesmo. Não absorva insultos e não se deixe levar por adulações. Aprenda a se tornar imune às opiniões alheias.


* Não tire conclusões. Atenha-se apenas à realidade imediata e concreta. Não imagine "coisas" sobre amigos e parceiros. Seja sempre claro e transparente e exija que os outros também o sejam, ignorando o que há de nebuloso ou mal-explicado.


* Sempre dê o melhor de si. Em qualquer circunstância, mesmo nas situações mais insignificantes, faça o melhor -- nem mais, nem menos. Rejeite sacrifícios ou esforços extenuantes: faça o que pode, da melhor maneira possível.

Ensinamentos para incorporar diretrizes ao dia-a-dia, afastando o inferno da depressão, da insegurança e da dependência e conquistando a única e verdadeira liberdade -- a que vem da alma, aquela que cada indivíduo concede a si mesmo.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

O HIPOCONDRÍACO

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Em tempos de remédios falsificados e laboratórios sedentos de lucros exorbitantes, vale lembrar deste consumidor compulsivo que faz da bula Bíblia:

o hipocondríaco. Ele padece do mal de ter mania de doenças e adora tomar remédios. Ao passar à porta da farmácia não resiste e pergunta: "O que tem de novidade?".

Nada mais ofensivo ao hipocondríaco do que erguer um brinde e desejar-lhe "saúde!" Ele só frequenta coquetel de vitaminas. Encara sempre o interlocutor com aquele olhar de quem diz "ando sentindo coisas que você nem imagina". No telefone, faz voz de vítima. Cara a cara, suplica, saliente a compaixão do outro.

Está sempre entrando ou saindo de uma gripe; já tomou todas as vacinas; sofre da coluna; padece de insônia; e trata médico como faz com motorista de táxi: "Tá livre?"

O hipocondríaco entra na Justiça exigindo mandado de prisão contra os radicais livres e duvida que alguém possa imaginar o tamanho da enxaqueca que teve ontem. Enquanto outros fazem shopping, o prazer do hipocondríaco é visitar drogarias de vitaminas importadas. Ingere pela manhã o abecedário em drágeas e nunca se deita sem antes tomar um chá de ervas. Hipocondríaco não tem plano de saúde; prefere cota de cemitério. Gosta de se separar da família para morrer de saudades. E fica doente de raiva quando alguém diz que ele aparenta boa saúde.

O autêntico hipocondríaco carrega sempre uma dorzinha de lado, uma unha encravada, uma afta na boca, uma irritação na garganta, uma dor na coluna e umas tonturas estranhas.

Para o hipocondríaco, esposo ou esposa ideal é a que banca o enfermeiro; cadeira confortável é a de rodas; e cama macia, a de hospital. O hipocondríaco é a única pessoa que, pelo som, distingue sirene de ambulância da de viatura de polícia e de bombeiro. O guru do hipocondríaco é Hipócrates, e sua filosofia se resume nesta questão metafisica: "Se a gente nasce deitado e morre deitado, por que não viver deitado?" .

terça-feira, 10 de julho de 2018

ABC...

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Cada vez que faço uma visita, meu sobrinho, entre uma brincadeira e outra, faz questão de mostrar que já sabe ler. Aprendeu cedo o som das letras e desenvolveu rapidamente a habilidade de agrupar sílabas e formar palavras. É maravilhoso acompanhar as crianças na iniciação à leitura. A impressão que fica é que elas descobrem o mundo, com uma cadência empolgante. Ler e reler é uma forma de existir, de assimilar, de desvendar o desconhecido. Algumas pessoas não ficam longe de uma leitura diária. Outros já passam longos períodos sem abrir um livro ou se deter em algum texto. A importância da leitura é indiscutível. Não é suficiente armazenar informações, nem passar rapidamente os olhos nas manchetes, muito menos fixar-se em imagens. Os horizontes se alargam a partir do contato com o conhecimento científico. Ler sobre temas substanciosos, de fontes fidedignas provoca avanços, inspira transformações, impele à construção de melhorias. Pessoas dedicadas à leitura enxergam mais longe, são capazes de protagonizar uma quantidade maior de esperança.

Saber ler é uma necessidade, uma conquista, um caminho. Por incrível que pareça, muitas pessoas ainda não tomaram contato com as letras. Sabem que existe o alfabeto, mas não conseguem movimentar-se entre o A e o Z. de um jeito ou de outro, somos responsáveis por tal situação. A educação não é prioridade porque aceitamos que ela seja tratada assim, deixando muitos à margem do conhecimento. Por outro lado, a iniciativa pessoal é determinante. É maravilhoso ver a dedicação de muitos frequentando bibliotecas, participando de debates, acessando bases de dados, sentindo saudades das salas de aula. Querer aprender, desejar saber é estar no caminho que leva à felicidade. A superficialidade e o ‘achismo’ não preenchem as buscas mais profundas dos humanos de todos os tempos. As ferramentas de acesso estão cada vez mais sofisticadas. Mas nada move aqueles que se instalaram confortavelmente na acomodação e no desejo de simplesmente aproveitar a vida, saltando de uma facilidade para outra.

Meu sobrinho ama estudar, gosta de receber livros de presente, sabe contar histórias e até inventa desfechos que roubam risos dos presentes. O amor às palavras é algo incrível. Quantos sentimentos e pensamentos são gerados através de significativas leituras. Mas a vida pede algo mais do que o simples contato com as palavras: é urgente aprender a ler o que não está escrito nas entrelinhas dos versos e parágrafos redacionais. A vida já não acontece unicamente no mundo físico. A realidade virtual atinge todos, em todos os recantos do mundo. Mesmo que uma parcela da população não tenha acesso às novas tecnologias, todos estão cadastrados em algum cadastro virtual. O mundo não piorou, apenas tornou-se mais complexo. É preciso ir um pouco mais adiante do que simplesmente juntar letrinhas e formar palavras. Quanto mais intensa for a vida, mais significativas serão as palavras. Sem esquecer que tem silêncios que falam alto. É possível ler o que não foi escrito, entender o que não foi dito. Isso supõe sabedoria. Uma pessoa sábia não abre mão do cultivo da própria interioridade. Precisamos continuar contando histórias que empolguem e que permitam a escolha de um final à altura das buscas mais profundas da existência. Além de formar palavras, que saibamos amar profundamente a vida.
   

segunda-feira, 9 de julho de 2018

CARTA ABERTA A NOVA BLOGUEIRA LILIAM

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Querida amiga Liliam.
Para os que não sabem, Liliam reside em Cascavel - PR e a partir de agora escreve e assina o Blog Mulher Sustentável, do qual fui um modesto apoiador desde que a ideia foi concebida. Recomendo-o a todos os meus leitores. 
Liliam seu post começou muito bem. Começou agradecendo. É de suma importância que saibamos agradecer as dádivas que o Senhor nos concede cada dia: 
A largueza da vida; o ar abundante; a graça da locomoção; a faculdade do raciocínio,
a fulguração da ideia; a alegria de ver; o prazer de ouvir; o tesouro da palavra;
o privilégio do trabalho; o dom de aprender; a mesa que nos serve; o pão que nos alimenta; o pano que nos veste; as mãos desconhecidas que se entrelaçam no esforço de suprir-nos a refeição e o agasalho; o aconchego do lar; o doce dever da família;
o contentamento de construir para o futuro; a renovação das próprias forças...
Muita gente está esperando lances espetaculares da “boa sorte mundana”, a fim de exprimir gratidão ao Céu.
O cristão, contudo, sabe que as bênçãos da Providência Divina nos enriquecem os ângulos mais simples de cada hora, no espaço de nossas experiências.
Nada existe insignificante na estrada que percorremos.
Todas as concessões do Pai Celeste são preciosas no campo de nossa vida.
Utilizando, pois, o patrimônio que o Senhor nos empresta, no serviço incessante ao bem, aprendamos a agradecer. 
Você pode estar pensando agora o quanto demorou para tomar a iniciativa. Então saiba que nada se realiza aos saltos e, na pauta da Lei Divina, não existe privilégio em parte alguma. 
Enche-se a espiga de grão em grão. Desenvolve-se a árvore, milímetro a milímetro.
Nasce a floresta de sementes insignificantes. Levanta-se a construção, peça por peça.
Começa o tecido nos fios. As mais famosas páginas foram produzidas, letra a letra.   A estrada mais longa é pavimentada, metro a metro.O grande rio que se despeja no mar é conjunto de filetes líquidos. Não abandones o teu grande sonho de conhecer e fazer, nos domínios superiores da inteligência e do sentimento, mas não te esqueças do trabalho pequenino, dia a dia.
A vida é processo renovador, em toda parte, e, segundo a palavra sublime de Paulo, ainda que a carne se corrompa, a individualidade imperecível se reforma, incessantemente.
Age com regularidade, de alma voltada para a meta. Há percalços, lutas e espinhos,
Prossegue mesmo assim.   Guardemos a lição e caminhemos para diante, com a melhoria de nós mesmos. Devagar, mas sempre.
Um beijo no seu coração e sucesso na nova empreitada.



sábado, 7 de julho de 2018

COMO SERÁ O DESTINO DA HUMANIDADE?

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A humanidade está sob várias ameaças: a nuclear, a escassez de água potável em vastas regiões do mundo, o aquecimento global crescente, as consequências dramáticas da Sobrecarga dos bens e serviços naturais, indispensáveis à vida (the Earth Schoot Day).

A estas ameaças se acrescenta uma outra não menos perigosa, aventada já por vários analistas mundiais como os prêmios Nobéis Paul Krugman e Joseph Stiglizt. Recentemente um economista ítalo-argentino, Robeto Savio, co-fundador e director geral da Inter Press Service (IPS), agora emérito, escreveu um artigo que nos deve fazer pensar sob o título:”Trump veio para ficar e mudar o mundo”(ALAI-America Latina en Movimiento de 20 junio de 2018).

Aí afirma que Trump não é uma causa da nova desordem mundial. Ele é um sintoma. O sintoma de tempos em que os valores civilizatórios que davam coesão a um povo e às relações internacionais, são simplesmente anulados. O que conta é o voluntarismo narcisista de um poderoso chefe de Estado, Trump, que no lugar destes valores colocou o dinheiro e os negócios pura e simplemente. São estes os que definitivamente contam. O resto são perfumarias dispensáveis para o domínio do mundo.

O “America first” deve ser interpretado como “só a América” conta e seus interesses globais. Em nome deste propósito, já pré-anunciado em sua campanha, Trump rompeu tratados comerciais com velhos aliados europeus, a Aliança do Transpacífico e abriu uma arriscada guerra comercial com seu maior rival a China, impondo sobretaxas de importação de produtos que somam bilhões de dólares, além de cobrar taxas sobre o aço e outros produtos a outros países como o Brasil.

É próprio de figuras autoritárias e narcisistas fazerem pouco das legislações. Quando lhes convem passam por cima delas sem dar maiores razões. Para Trump vale mais a invenção de “uma verdade” do que a verdade factual mesma. O “fakenews” é um recurso presente em seus twitters. Segundo Fact Schecker, desde que assumiu a presidência disse cerca de 3.000 mentiras. Verdade e mentira valem na medida que respaldam seus interesses. Curiosamente venceu os principais pleitos e tem a aprovação de 44% da opnião pública e de 82% de aprovação do Partido Republicano.

Não tolera críticas e cercou-se se assessores súcubos que lhe dizem para tudo “sim” sob o risco de serem sumariamente demitidos.

Caso seja re-eleito, o que não é improvável, o estilo de governo e a negação de toda ética poderão tornar-se irreversíveis. Não esqueçamos que Hitler e Mussolini também foram eleitos e criaram as suas mentiras vendidas como “verdades” para todo um povo. Podemos esta face a um mundo marcado pela xonofobia, pela exclusão de milhares e milhares de imigrantes e refugiado, pela afirmação excessiva dos valores nacionais em desprezo dos demais.

Tais atitudes transformadas em políticas oficiais podem ser fonte de graves conflitos, cujo “crescendo” pode até ameaçar a espécie humana. Cerca de 1300 psicanalistas e psiquiatras norte-americanas denunciaram desvios psicológicos graves na personaldade de Trump.

Como será o destino da humanidade, entregue a um narcisista deste jaez, cujo paralelo só se encontra em Nero que se divertia assistindo o incêncio de Roma, com a diferença de que agora não se trata de um incêndio qualquer mas da inteira Casa Comum. Como é imprevisível e a toda hora pode mudar de posição, assistimos, assustados e estarrecidos, quais serão os futuros passos.

Que Deus que se anunciou como “o apaixonado amante a vida”(Sabedoria 11,24) nos livre de tragédas que poderão ocorrer, dada a irracionalidade de alguém que anuncia “um só mundo e um só império”(o império norte-americano).


sexta-feira, 6 de julho de 2018

VIDA DE GADO, POVO MARCADO, POVO FELIZ.

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Meus amigos e amigas torcedor@sverde-amarel@s, não me levem a mal, mas para mim é impossível torcer pela Seleção Brasileira. Estou sofrendo demais com a realidade do mundo verdadeiro.

O petróleo do pré-sal, a maior riqueza natural do nosso país, está sendo roubado pelo capital transnacional. Na calada da noite, os traidores da pátria estão entregando esse tesouro de trilhões de dólares, bloco após bloco, a preço vil. A pilhagem mais escandalosa em toda nossa história está acontecendo justamente por estes dias, embalada pela trilha sonora das buzinas, das vuvuzelas, dos gritos eufóricos da multidão hipnotizada pela Copa.

O sonho dos governos de Lula e Dilma, de usar o pré-sal para impulsionar o nosso desenvolvimento econômico e social, está sendo sepultado sob as águas do Atlântico. De leilão em leilão, de decreto em decreto, estamos sendo condenados ao eterno atraso, sem refinarias, sem estaleiros, sem indústria nacional, sem tecnologia, sem Petrobrás, importadores de gasolina e diesel. E ninguém parece estar tomando conhecimento disso.

As nossas universidades públicas, orgulho dos governos progressistas, estão em acelerado processo de desmonte, com cortes sistemáticos de recursos. O plano dos golpistas, claramente, é asfixiar o ensino superior público, sucatear as universidades gratuitas, inviabilizar o seu funcionamento, para que elas encolham e agonizem, para que as mais frágeis delas fechem as portas e o que o restante, o que sobrar, se ajoelhe perante os bancos privados, verdadeiros donos do Brasil, em busca de umas migalhas de financiamento em troca do ensino pago.

O diploma universitário voltará a ser um privilégio dos mais ricos. Aliás, já está voltando: é o que estamos assistindo, de braços cruzados, enquanto centenas de milhares de jovens deixam o ensino superior por falta de meios de subsistência, com o corte das bolsas de estudo que garantiam sua condição de estudantes.

Os direitos dos trabalhadores, a maioria deles conquistas que remontam às lutas da primeira metade do século 20, estão sendo destruídos, sem choro nem vela, por uma burguesia voraz, predadora, perversa, que prefere o fascismo a admitir um mínimo de benefícios sociais para a massa de despossuídos. Os sindicatos, principal instrumento de defesa da classe trabalhadora, marcham silenciosamente para a extinção, exaustos, falidos, sem ânimo para a resistência, hoje mais necessária do que nunca. E a multidão indiferente, bestificada, vibrando na cadência da narrativa ufanista dos galvões buenos.

Desemprego em massa, milhões de novos desesperados no olho da rua todos os meses, em meio à maior epidemia de falências de empresas em toda a nossa história -- e ninguém diz nada.

Lula, o maior líder popular brasileiros em todos os tempos, o melhor de todos os nossos presidentes, vai completar três meses na cadeia, condenado injustamente por um bando de canalhas, e ninguém, salvo um punhado de bravos, faz qualquer coisa em sua defesa...

Mas nada disso importa diante da grande pergunta, se Neymar será capaz de recuperar o seu talento, erguer-se finalmente em campo e levar a nossa pátria idolatrada ao retumbante triunfo. Esse é o foco de todas as atenções nestes dias de tragédia e de infâmia.

Até mesmo meus companheiros mais conscientes, mais combativos, alguns dos que eu mais admiro, se deixaram seduzir pelo grande circo do futebol.

Não se fala de outra coisa, não se pensa em mais nada, o país inteiro transformado num imenso rebanho marchando passivo para o matadouro. "Vida de gado, povo marcado, povo feliz"...

Uma vitória da seleção brasileira na final da Copa do Mundo será a apoteose da insensatez.

Tô fora dessa.