sábado, 26 de março de 2016

TODOS QUEREM VENDER...

Desde 2008 o sistema capitalista enfrenta uma das piores crises de sua história. A economia globalizada tornou a crise mundial. Atualmente não estamos vivendo uma nova crise, mas o prolongamento da mesma. E o sistema financeiro o que propõe para sair da situação? Vender é a resposta. Produzir é fácil. Difícil é vender. Todos querem vender. Mas, ninguém compra. Eis o problema crucial do sistema econômico no início do século XXI.

Esta crise foi deflagrada com a falência das hipotecas imobiliárias nos Estados Unidos, com a quebra do banco Lehman Brothers. O sistema entrou em crise basicamente quando as instituições financeiras emprestaram dinheiro para quem não podia pagar. Na época a situação obrigou a intervenção governamental e houve transferência de dinheiro público para os bancos e grupos privados a fim de evitar o colapso do sistema financeiro e a recessão econômica. Por um lado o governo aumentou os gastos públicos ao injetar recursos em bancos e empresas privadas; por outro, a economia mundial não respondeu com crescimento. Hoje, é notório o encolhimento e a redução das taxas de crescimento econômico. Se não bastasse transferir recursos públicos para o setor privado, o resultado foi catastrófico devido ao aumento do déficit público que já era bem elevado. Por conta da quebra do sistema financeiro, todos os países aumentaram seu déficit público. Entre eles a Grécia, os países da zona do euro, da América Latina e outros tidos como emergentes.

Na realidade, diante da crise econômica mundial há todo um esforço para vender. Isto significa exportar mais e, por conseguinte, importar menos. Comprar se possível nada ou o mínimo necessário. Em regime de recessão do mercado global é preciso oferecer algo que corresponda ao desejo do sistema: consumir. A recessão mundial gera uma constante tensão e pressão por observância aos acordos e contratos bilaterais. Prova desta tensão é o mercado que vive em constante nervosismo, num verdadeiro sobe e desce.

A desigual concorrência econômica entre os países está um caos total, não é simplesmente resultado de maus contratos, mas de um comportamento subserviente ao jogo do mercado em recessão. No jogo da economia globalizada não tem a palavra justos acordos bilaterais ou iguais taxas, apenas ganhos. Isto constitui uma situação que faz pensar que a superação da crise não será para todos os países, mas sim para os mais desenvolvidos. Em suma, o deterioramento do quadro econômico mundial prolonga-se amargamente para os países pobres enquanto os poderosos entusiasmam-se em fazer destes as novas colônias da economia global.

sexta-feira, 25 de março de 2016

OS DOIS FILHOS


Os Livros Sagrados não foram escritos, assim como figuram nas bíblias atuais. O texto era corrido, sem divisões. Para tornar o texto mais compreensível, ao longo do tempo, os teólogos dividiram os livros em capítulos e, mais tarde,em versículos. O arcebispo Estevão Langton, em 1220, dividiu a Bíblia em capítulos. Mais tarde - 1555 - Roberto Stephanus dividiu os capítulos em versículos. Outros trataram de colocar intertítulos para designar os diferentes temas. Finalmente o Papa Gregório VIII tornou oficiais as mudanças, em 1592.


Os intertítulos não são oficiais e podem ser mudados. O evangelista da misericórdia - Lucas - é o único que narra a parábola do pai com seus dois filhos. O texto foi conhecido como o Filho Pródigo. Edições mais recentes da Bíblia o denominam “Os dois filhos”. O espírito do ensinamento fica mais claro se usarmos o título; O pai misericordioso. Jesus não quis ressaltar a infelicidade do filho, mas a misericórdia do Pai. Foi a resposta de Jesus aos doutores da Lei que o acusavam de acolher os pecadores.

O filho mais novo não apenas exigiu a parte da herança que lhe cabia, mas desprezou todas as coisas do pai. Teve a pretensão de ser feliz sozinho, voltou as costas ao pai, ao seu passado e todos os seus valores. A experiência desastrada o levou a cuidar dos porcos, considerados pelos judeus animais imundos. Foi ali, no fundo do poço que teve saudade do pai. Sua redenção começa com a determinação: voltarei a meu pai.

Na contraluz aparece o filho mais velho, certinho, sem rebeldias e sem amor. Não estava preocupado com o irmão e não entendeu a misericórdia do pai.

O Ano Santo da Misericórdia, promulgado pelo Papa Francisco, pode sugerir um final diferente para a parábola. O filho mais novo dirige-se ao irmão e diz: pequei contra o céu e também contra ti. Por sua vez, o filho mais velho complementa: eu também te peço perdão porque nunca soube te amar, ajudar e aconselhar. Então o pai abraça os dois filhos, chora com eles e diz: nunca haverá festa igual a esta.

A Semana Santa torna atual a Misericórdia do Pai, que enviou seu Filho, não para condenar, mas para salvar. A Semana Santa não coloca em primeiro lugar o sofrimento de Jesus, mas seu amor, que o levou a assumir todas as consequências, inclusive a morte na cruz. E suas últimas palavras estão cheias de misericórdia: Pai, perdoai-os porque não sabem o que fazem.
 Todos nós, em diferentes momentos, temos o rosto do filho mais novo e do filho mais velho.

SEXTA-FEIRA SANTA.

Curiosamente foi refletindo sobre o significado profundo da sexta-feira santa que o jovem estudante de teologia e depois um dos maiores filósofos da história F. Hegel tirou a sua famosa chave de leitura da história e da vida humana: a dialética. Ele via realizada na saga de Jesus a realização destes três passos: vida-morte-ressurreição.

A vida é a tese da positividade. A morte é a antítese da negatividade. A ressurreição é a síntese que incorpora a tese e a antítese numa síntese superior. A ressurreição é mais que a reanimação de um cadáver, pois significaria a volta à vida anterior. A ressurreição é a introdução de algo novo, nascido das afirmações e contradições do passado. Esse "insight" sempre lembrado por ele, foi chamado de a "sexta-feira santa teórica".

Se bem reparamos, a semana santa, para além de seu caráter religioso, representa um paradigma do processo histórico e da própria evolução. Tudo no universo, nos processos biológicos, humanos e biográficos se estrutura na forma da dialética. O primeiro momento é a tranquila serenidade e paz infinita daquele pontozinho quase infinito de onde viemos (tese). De repente, sem sabermos por quê, ele explode. Produz um incomensurável caos(antítese). A evolução do universo significa um processo de criar ordens cada vez mais altas e complexas que culminam com a emergência do espírito e da consciência (síntese).

Dentro desta síntese, transformada agora em nova tese, carrega sua antítese que desemboca numa nova síntese mais fecunda. E assim corre o devenir da história do universo, das sociedades e de cada pessoa.

Concretizando para a nossa situação atual. O Brasil entrou num processo de crise, cujas causas não cabe aqui referir. Algo entrou em processo de caos. Deste caos deve irromper uma nova ordem que possa dar horizonte e esperança ao país. Precisa-se descobrir novas estrelas-guia que nos orientem face à crise atual. A crise tem a função de acrisolar, purificar e tornar a todos mais maduros.

A questão toda se resume: quem possui a proposta político-social que supere a crise e crie uma convivência minimamente pacífica? Não será através de fórmulas já testadas e gastas que virá a superação da crise dando centralidade a políticas e a grupos de poder à custa do sacrifício da maioria da população.

Promissora é aquela que realiza para o maior número de pessoas um bem-estar mínimo, que lhe garanta trabalho, que lhe assegure uma moradia modesta mas digna e lhe abre janelas de possibilidades de desenvolvimento e crescimento através da saúde e da educação sustentáveis. Em todo esse processo dialético há a experiência de vida, de morte e de transfiguração; de ordem, desordem e nova ordem; de tese, antítese e síntese. A complexidade segundo E. Morin se estrutura nesta dialética que é a da semente: "se o grão de trigo, caindo na terra não morrer, ficará só, mas se morrer, produzirá muito fruto", como disse o Mestre.

Hoje a natureza, a humanidade e nossa sociedade vivem sob pesada sexta-feira santa ameaçadora. A nossa esperança é que este padecimento se ordene a uma radiante transformação. O corrupto seja punido e o que politicamente se fez errado seja corrigido.

Importa definir um rumo que de certa forma já foi apontado. Se o rumo estiver certo, o caminho pode conhecer subidas e descidas mas ele nos leva ao destino certo: a uma nova ordem de convivência onde não seja tão difícil tratarmos a natureza com compaixão e nossos próximos com humanidade e com cuidado.

l.boff

quinta-feira, 24 de março de 2016

OMBROS QUE CARREGAM

Cheguei a virar para trás para contemplar aquela cena: um pai carregando seu pequeno e sorridente filho nos ombros. A confiança era tão plena que o filho esbanjava espontaneidade. Quando a infância é rodeada da necessária proteção familiar, a construção da personalidade experimenta o que de mais natural a vida pode oferecer: a confiança. Aquele menino não pesava nos ombros do alegre pai. Ambos provavam do privilégio da pertença mútua, da proteção e do amor, como laços que entrelaçam o viver.

Carregar algo nos ombros não é cena incomum. No passado, a ausência de outros meios forçava o trabalho braçal. As lidas do campo e o cultivo da lavoura obrigava o uso dos ombros para transportar desde ferramentas até um feixe de pasto. A força física era medida também pela resistência e capacidade de suportar peso. O ombro participa de todos os movimentos na musculação. Nem todas as articulações exercem tal flexibilidade, em ângulo e grau de movimentos.

Especialistas afirmam que os ombros, além da resistência e força para suportar peso e movimentos, concentram a tensão muscular. Depois de um dia de exigente trabalho, os músculos e tendões podem necessitar de exercícios que aliviem a sobrecarga que fora acumulada. Quando o emocional se distancia do necessário equilíbrio, a tensão pode se tornar ainda mais intensa. Os mesmos ombros que carregam o sorridente menino podem se tornar como que um depósito das energias que tencionam o corpo, como um todo.

Todos os ombros são abençoados. Porém, os ombros que transformaram a história da humanidade jamais serão esquecidos. Jesus de Nazaré emprestou os humildes ombros para carregar a pesada cruz. A consciência da missão não impediu que o madeiro provocasse três quedas. No entanto, Jesus se ergue e continua o caminho em direção ao Calvário. Não era apenas o peso da madeira que estava nos ombros do Filho de Deus. Os pecados da humanidade eram transportados para o alto monte, lugar do castigo e da remissão.

Os tempos são outros, mas a cruz continua pesando em frágeis ombros, que não conseguem erguer-se das forçadas quedas. Uma certeza ecoa: aqueles ombros suportaram o peso de nossos pecados. Nos ombros de Jesus, a cruz se transformou em luz. O menino sorridente, carregado nos ombros de seu pai, traz presente a vitória da vida. No terceiro dia, Ele ressuscitou. Felizes os ombros que carregam a esperança.

terça-feira, 22 de março de 2016

DIA MUNDIAL DA ÁGUA

Nesta terça-feira, 22 de março, celebrou-se o Dia Mundial da Água. A água é uma necessidade básica da humanidade e a sua escassez e contaminação podem comprometer irreversivelmente a existência humana na Terra. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 1,1 bilhão de pessoas não têm acesso a abastecimento adequado.

No Brasil, 94% da população têm acesso a serviços de água potável. Nas cidades, esse percentual alcança 98%, contra 92% em 1990, de acordo com o relatório da Unicef. Entre a população rural, o avanço foi bem mais expressivo nos últimos 25 anos: apenas 38% acessavam redes de água limpa nestas regiões, contra 70% em 2015.

Porém, o Brasil enfrenta o desperdício, que gira em torno de 40%. Essa é uma das questões mais relevantes para a gestão hídrica: a mensuração e o controle contínuo das perdas, principalmente na etapa de distribuição dos sistemas de abastecimento. Essas perdas podem ser provenientes de vazamentos, erros de medição e consumos não autorizados (ligações clandestinas).

Isso traz impactos negativos para o meio ambiente e para a receita financeira, elevando os custos com tratamento da água, energia elétrica, entre outros. Estudo do Instituto Trata Brasil, em parceria com a GO Associados, apontou que cidades com padrão de excelência em perdas têm indicadores menores do que 15%.

Gestão - O índice geral de perdas foi de 39,07% (6,53 bilhões de metros cúbicos ao ano) e o índice de perdas na distribuição foi de 36,95% (5,95 bilhões de metros cúbicos ao ano). Os dados evidenciam urgência em acelerar o ritmo de gestão e investimentos em programas de controle e redução do extravio de água, já que os prejuízos econônicos chegam a R$ 8 bilhões ao ano.

“Esse valor poderia ser aplicado em melhorias, ampliações e novas obras em prol da universalização do saneamento básico no”, opina Guilherme Girol, especialista em saneamento.

A EMOÇÃO PODE MUDAR O SEU DIA.

Os três primeiros meses do ano já se foram. Vamos aproveitar bem o restante do ano “A vida é mais emocionante quando se é ator e não expectador.” Ao receber o dom da vida, todos recebem dons. O que fazer com a vida é uma das primeiras escolhas. Ao longo dos anos, assume-se diferentes papeis. Alguns gostariam de encontrar tudo pronto. Uma grande maioria nasceu para ser ator. Até exercitam a posição de expectador, mas não foram feitos para isso. Como é maravilhoso desempenhar bem o papel recebido.

A vida proporciona muita satisfação, para quem caminha um tanto distante da acomodação. Apequenar a existência é uma lástima. Não cultivar sonhos é uma agressão à grandiosidade do existir. As emoções dão colorido aos dias. Viver sem emoção é aproximar esse dom maravilhoso do abismo da indiferença. Viver com emoção é descobrir o melhor, mesmo que tenha que ser em meio aos destroços da maldade alheia. A acomodação não apresenta outra opção a não ser de expectador.

A vida é dada a quem sabe ser ator, que descobre que o papel principal não pode ser delegado. É tão bom arregaçar as mangas e fazer acontecer! Quanto dinamismo quando a vida é assumida e encaminhada. Há tanta gente especialista em lamentações! Leitores de tragédias e páginas policiais dificilmente se encontram com o melhor da vida. Não se trata de negar fatos e acontecimentos negativos. Mas porque tão pouco espaço para o positivo? Não há escassez de emoções.

Tem diminuído os protagonistas. Tem gente demais querendo apenas assistir e torcer por este ou aquele. Que emoção desbravar novos caminhos, que alegria dar formato ao bem, que felicidade ultrapassar os limites da acomodação. É importante se emocionar com as pequenas conquistas, com os simples detalhes. A emoção pode mudar os seus dias.

segunda-feira, 21 de março de 2016

GETSEMANI, O PRETÓRIO E O CÓLGOTA

Estamos nos aproximando da Semana Santa e mais uma vez vamos reler o relato da Paixão de Cristo. Jesus é o Único Justo que nos poderia acusar de nossos pecados, mas não nos acusa. Busquemos compreender e acolher a justiça realizada por Jesus, pois ela é paradoxal e escandalosa à nossa realidade de consumo e política.

A vitória de Jesus sobre o mal não foi pelo viés da justiça humana, mas pela vitória de um amor posto a toda prova cuja medida é incondicional, superior a todos os amores deste mundo e capaz de curar todas as expressões de maldade vivida pela humanidade.

Os três os momentos que caracterizam a Paixão de Cristo e sua resposta ao mal são o Getsêmani, o Pretório e o Gólgota. Naqueles momentos terríveis vividos por Jesus estiveram presentes, de modo condensado, todas as nossas contradições, sofrimentos e maldades.

No jardim do Getsêmini se configurou todas as angústias, traições, beijos mentirosos, infidelidades, lágrimas sujas, palavras inúteis e maliciosas, maquinações noturnas e conspirações.

No Pretório se configuram todos os tribunais com pretensões ‘injustas’ pela sede de vingança, todas as mãos impuras e contaminadas pelo ter, prazer e poder. Toda a liberdade mal vivida e desprezada, todos os vícios, baixarias, egoísmos, falsidades, risos e aplausos maldosos.

No Gólgota, se configuram todos os sofrimentos e sentimentos humanos, todos os gritos úteis e inúteis, todas as gozações e ridicularizações, todos os crimes e criminosos, todas as quedas e feridas, amarguras, ofensas e punhaladas pelas costas, mágoas e rancores da humanidade.

Enfim, a morte de Cristo na cruz revela, de um lado, toda maldade de que o homem é capaz, mas, pelo outro, a ressurreição revela o amor infinito e misericordioso de Deus.

sábado, 19 de março de 2016

O QUE MAIS NECESSITAMOS É ALEGRIA!

Ao percebermos algo importante, em retirada na vida, volta-se a falar e, com insistência, se mostra o desejo de ver a sua volta, provando que é necessário e possível. Mas não basta provar que seja possível. Precisamos encontrar o caminho e o modo como isto possa acontecer. Um destes componentes atuais de nosso viver e conviver em retirada, de que muitos necessitamos, é a alegria.

O primeiro sinal que denuncia a carência de alegria está estampado no rosto das multidões de homens e mulheres, jovens e crianças que correm dia e noite pelas cidades, carregados de preocupações, limites e angústias. Dizem que nosso povo brasileiro gosta muito de se divertir e até se exceder nos limites, mas não prova ser um povo alegre. Certamente não é só o povo brasileiro. O Papa Francisco, em sua Exortação Apostólica “Alegria do Evangelho”, afirma:

“O grande risco do mundo atual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais da consciência isolada. Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros. Já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem”.

A psicologia nos confirma que a intensidade da alegria é uma expressão que pode variar de pessoa a pessoa, segundo a diversidade de temperamentos. Porém, a alegria é um direito e um dever de todos. Uma pessoa que cultiva a alegria tem trânsito livre em todos os setores da vida e da atividade humana. Além de ser um benefício para a pessoa, cultivar a alegria é também um benefício social. Tudo flui com mais leveza e espontaneidade. Onde há alegria, diz um antigo pensador, até as paredes aprendem a sorrir.

Há motivos passageiros que suscitam alegria: é uma boa notícia que recebemos; é um êxito obtido; é um elogio sincero que nos é dado; é um encontro festivo que promovemos etc. Há incontáveis razões para a alegria. Mas há uma alegria que nem o mundo pode nos tirar. É a alegria garantida por Cristo. Ele não só nos garante esta alegria, mas se torna nosso mestre.

Parece estranho pensar em Jesus Cristo – o perseguido e crucificado, o austero profeta da interioridade, da renúncia e da cruz – como mestre da alegria. Sua vida e sua mensagem são a “jubilosa novidade” do reino. Geralmente a tristeza nasce em nós, porque nos sentimos sozinhos ou porque provamos a esterilidade do nosso trabalho e o vazio de nossa vida. Mas, com sua vinda a nós e para nós, Jesus preenche o vazio; existe a cruz pascal para fecundar e dar importância ao trabalho.

Desde o começo, Cristo nos convida a sermos alegres. O sermão da montanha abre-se à solene proclamação da alegria dos pobres, dos pacientes, dos aflitos, dos que têm fome e sede de justiça, dos misericordiosos, dos puros de coração, dos que promovem a paz, dos perseguidos por causa da justiça.

sexta-feira, 18 de março de 2016

BASTA QUERER

Sempre gostei de plantações de milho. Minha mãe chegava quase a contemplar o germinar das sementes. Depois de uma chuvarada, ela dava umas voltas na lavoura para observar o crescimento das plantinhas. Dias atrás, passamos por uma grande extensão, onde o milharal estava muito bonito, promessa de ótima colheita. Enquanto meu olhar quase se perdia naquela verdadeira imensidão de alinhadas plantas, recordei de uma história sempre atual, que inspira e provoca boas lembranças.

“Um determinado fazendeiro produtor de milho, já por muitos anos recebia o prêmio de melhor produtor de milho num determinado concurso da sua cidade. Uma vez, um repórter o entrevistou e aprendeu algo interessante sobre como ele fazia seu cultivo. Descobriu que o fazendeiro compartilhava a semente do seu milho vencedor com os vizinhos. Intrigado, o repórter perguntou: ‘como pode você se dispor a compartilhar sua melhor semente de milho com seus vizinhos, uma vez que eles estão competindo com você todo ano?’ O fazendeiro respondeu: ‘então você não sabe? É que o pólen do milho maduro é levado através do vento de campo para campo. Se meus vizinhos cultivam milho inferior, a polinização continuada degradará a qualidade do meu milho. Assim, se eu desejar cultivar milho de boa qualidade, tenho que ajudar meus vizinhos a cultivar milho bom.’”

Querer o melhor para os outros é uma atitude sábia. Quem deseja e faz o bem está apto para receber o próprio bem. O egoísmo tem prejudicado e interrompido muitos laços. São infindas as histórias de intrigas e de divisão familiar. Os desentendimentos entre vizinhos provocam estragos emocionais e físicos. A espontaneidade é a grande prejudicada por verdadeiras batalhas, onde o poder e a ganância se revezam, dissipando o bom senso e o respeito. O amor cede facilmente lugar para o ódio e o rancor.

Assim como o pólen do milharal multiplica a qualidade e quantidade da produção, que a convivência humana seja resgatada de forma criativa. A paciência aguarda por mais espaço, o perdão está em prontidão para instigar a expansão da paz. O amor quer ser multiplicado, impactando diretamente na eliminação da vingança que só faz estragos. A felicidade aspira por menos apego e maior afago. Há muitos laços que ainda podem provocar intensos abraços. Basta querer.

quinta-feira, 17 de março de 2016

O QUE SIGNIFICAM OS NOVOS TEMPOS?

É comprovado que os assuntos mais comentados, hoje, nos encontros informais, nas ruas, nas famílias, no trabalho e também nos meios de comunicação social, são os relacionados a crises, doenças, dificuldades, decepções e desalentos. E o pior é que, em lugar de melhorar o discurso do cotidiano, parece complicar-se cada vez mais, porque os problemas de hoje são globalizados. Rapidamente mudam os cenários e também as disposições de investir no melhor.

Nessa situação, corremos o risco de encarar os tempos novos como sendo tempos que devemos viver inevitavelmente. Por isso, nos resignamos passivamente; afligimo-nos e vamos tecendo nossas lamentações, ampliando a lista de nossas agruras. Outra forma de nos trair é procurar fugir do nosso momento presente, repetindo o refrão: “No passado era melhor!”. Com o pretexto de que estamos envolvidos na incerteza e nos desafios dos tempos novos, arriscamos duvidar de tudo e de todos. Na queda da confiança deslizamos para um isolamento no tempo e no espaço, aumentando a multidão dos solitários.

A primeira coisa que se pede a nós, cristãos, é que amemos o nosso tempo, que não vivamos de amargas lamentações e nem sonhemos com uma paz que não nasça da cruz. Cada um de nós é chamado a descobrir e cultivar a responsabilidade, a dor e o júbilo da nossa hora, as exigências renovadoras de nosso tempo. É importante para a vida e a fé repetir sempre de novo a sábia pergunta: “O que me pede hoje o Senhor?”. O que esperam e aguardam hoje de mim os meus irmãos e minhas irmãs?

Diante dos novos e muitos desafios do nosso tempo, resta uma única resposta: a fidelidade ao nosso momento, a alegria insubstituível de viver este único tempo colocado por Deus à nossa disposição. “Minha alma está agora conturbada! O que direi? Pai livra-me desta hora? Foi precisamente para esta hora que eu vim” (Jo 12,27).

O que significam os tempos novos? Como se apresentam? É lógico que qualquer tempo, vivido em plenitude, é novo todo dia. Quando entramos na monotonia da vida e nos deixamos envolver pela ideia de que os dias são irremediavelmente iguais, envelhecemos logo. Assim tudo se torna pesado e triste, seja o trabalho, a convivência familiar e social e até mesmo nossas práticas religiosas. As coisas repetidas diariamente, com superficialidade e sem amor, nos cansam.

Os tempos novos, com suas incontáveis descobertas e progressivos avanços em seus meios, pressionam sempre mais as pessoas à exterioridade e à superficialidade. Possivelmente aqui está uma grande causa de nosso desconforto e insegurança. É neste contexto que se manifesta o incontido clamor de nossa interioridade a fazermos a experiência de Deus.

Os tempos novos são também fecundados pela ação do Espírito Santo e tempos favoráveis. É alegria de viver agora, nestes tempos difíceis do reino, mas providenciais para uma fé mais vigorosa, uma esperança mais animadora e um amor mais sincero.

quarta-feira, 16 de março de 2016

REDE GLOEBELS...

Me dá nojo ao ver as claques montadas ao estilo dos programas de auditório da Globo, ao redor das câmeras móveis sendo regidas pelos "animadores de platéia" para gritarem "Fora PT", na transmissão da passeata na Paulista.

Que vergonha ver o povo brasileiro sendo levado como uma manada de gado pelos profissionais habilíssimos da Rede Gloebels.

Interessante notar também que durante todo o dia 13, cada um dos apresentadores/jornalistas que aparecia no vídeo da Rede Gloebels dizia mais ou menos assim: "Estamos aqui na demostração contra o PT, Lula e Dilma...." exatamente nas mesmas palavras, ensaiado (ordenado) por um diretor tipo o próprio Marinho, na abertura de sua transmissão. Ouvi isso milhares de vezes, no mesmo estilo, nas mesmas palavras e no mesmo momento de entrada do apresentador(a).

As tomadas de câmera eram invariavelmente defronte a um boneco da Dilma ou do Lula ou de cartazes acintosos, degradantes para um programa noticioso.

Nas transmissões de estúdio também era usada a mesma frase, como que um "must" para todos os jornalistas (jornalistas????) que começava seu discurso tendencioso e malicioso.

Será que o povo não percebe o facciosismo e a manipulação da realidade por estes cafajestes transvestidos de jornalistas?

Fica aqui minha dúvida pois me parece que não percebem MESMO, o que poderia ser considerado uma CATARSE coletiva em nível nacional, exatamente como na Alemanha de 1930 onde a multidão erguia seus braços na saudação nazista quando aparecia o Füher.

Cadê a manifestação contra corrupção?????

Resposta: Foi sequestrada pela Gloebels e transformada em manifestação para o Golpe.

Mel Dels.... Que Vergonha !!!