quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

COMO O NATAL PODE SER SIMPLES.

Sempre gostei do tempo que antecede o Natal. Confesso que alguns sentimentos já não são mais os mesmos de outros tempos. Na infância tudo parecia demorado, principalmente a chegada das festas natalinas. Na simplicidade da tenra idade, as exigências se resumiam em pequenas surpresas que expandiam o coração de alegria. Havia um equilíbrio interessante entre o papai noel e o Menino Jesus. O material não excluía o espiritual. A refeição era mais elaborada, mas a religiosidade se destacava. As saudações eram efusivas, as alegrias mais verdadeiras, os encontros mais intensos. Impossível apagar da mente e do coração as modestas cenas natalinas.

Os anos vão passando e a saudade continua sempre presente. Os cenários mudaram muito. A essência, em determinados espaços, cedeu lugar à aparência. O Aniversariante não é recordado por todos. A insistente materialização do Natal impede o equilíbrio entre o bom velhinho de barba branca e a Criança da gruta de Belém. Celebrar o Natal sem o Menino Jesus é esvaziar a festa da vida, subjugar a Luz, distanciar o céu da terra. Sem espiritualidade, a alegria é superficial e a paz torna-se frágil. Há tantos espaços sem manjedoura, estrela sem brilho, corações sem amor.

Mas nem tudo está perdido. O ano foi e continua exigente, mesmo assim é possível fazer algo diferente neste Natal. Quando o material é limitado, o afeto pode ser expandido. Menos presentes e mais abraços; poucas coisas, maior intensidade. Menos recursos, mais proximidade. A crise não afeta o real sentido do Natal, nem diminui a alegria de ver famílias reunidas, sensibilidade mais aguçada, diálogos mais prolongados. O Natal está acima da sofisticação. No ontem, o cenário era uma simples gruta, na insignificante Belém. Hoje, o espaço ideal é o coração da humanidade que continua sedento de amor.

Todos gostam de ganhar presentes. Se os recursos estão limitados, a criatividade, advinda da espiritualidade, é capaz de inspirar o maior e sempre atual presente: Jesus. Se não é possível voltar no tempo, a alternativa é vislumbrar outros tempos. Qual a família que não necessita de paz, harmonia, diálogo e paciência? Pronto. Estes são os presentes que o dinheiro não compra e que todos podem ofertar. Se o papai noel não chegar, não tem problema. O Menino Jesus já bateu à porta dos nossos corações. Com Ele, o Natal será sempre muito feliz.

A ROLHA DO MALAFAIA

deus ama quem dá com alegria, diz um versículo da bíblia.

logo, deus ama jean wyllys.

veja o que é usar trechos bíblicos retirando-os de seu contexto original.

é isso que fazem os pilantras que parasitam o dízimo.

a justificativa para a oferta são sempre frases retiradas de seu contexto original.

é sabido que Jesus tinha um tesoureiro, o tal judas da cidade de kerioth, mas as espórtulas que recebiam era pra alimentá-los, não era para jesus comprar um jumentinho importado e ostentar.

nem era dízimo, porque o dízimo era uma obrigação que somente agricultores e donos de rebanho tinham com o templo.

era um espécie de imposto sobre produção.

e mais, o dízimo – quem tem ouvidos para ouvir que ouça – era oferta em alimentos e não em grana viva.

sobre a grana viva o mestre já havia advertido os infelizes: a césar o que é de césar, a deus o que é de deus.

pois deus, como se sabe, não tem conta bancária.

mas malafaia tem.

e foi nela que identificaram um depósito de cem mil lascas.

dinheiro de dízimo, justificou o fariseu caga-raiva.

mas a federal, longe da hipnose dos templos (templo é dinheiro), não caiu no conto do vigário aplicado pelo vigarista.

os homens da lei dos homens crêem que silas pretendia lavar com água benta uma grana suja.

por isso mesmo o conduziu à delega debaixo de vara, como diria o fleumático marco aurélio.

cena que nos remete às chibatadas que o mestre desferiu contra os vendilhões do templo.

mala desdenhou da condução coercitiva de lula, feriu com ferro e com ferro foi ferido.

certa vez, silas afirmou, dedo em riste, que eduardo cunha era o cabra mais honesto que ele havia conhecido.

com mil diabos!

mais cedo ou mais tarde esse sujeito pagará por seus, até agora, supostos crimes e por sua associação com criminosos.

espero que na cadeia ele encontre uma rolha para lacrar o seu cântaro de vinho.

e já que estamos em questões eclesiásticas, em verdade vos digo:

natal é para celebrar o papai noel e não o cristo.

isso é fuleiragem, minha gente boa.

em lugar nenhum da bíblia você vai encontrar o tal 25 de dezembro.

mesmo porque dezembro nem existia no calendário dos que escreveram o livro.

e mais, jesus nasceu em belém, comendo açaí e pato no tucupi, quem nasceu em natal foi o papai noel.

antes de se mudar para a lapônia e viajar de trenó, o velho potiguar praticava ski bunda no morro do careca.

vi uma foto de michel temer ao lado de um cosplay do santa clauss, desses noéis de shopping.

e num é que as crianças estavam de cara amarrada ao lado de temer e do papai noel de araque.

no natal de temer, ao invés do bom velhinho, quem tá de saco cheio é a criançada.

palavra da salvação.


Lelê Teles

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

LEVEI 70 ANOS PARA APRENDER COMO SÃO AS PESSOAS

Um dos maiores problemas com o qual o ser humano pode conviver é a busca de aprovação pela família ou sociedade. Não espere que as pessoas à sua volta vejam o seu desempenho no momento e na hora que você mais precisa que isso aconteça. Os que vivem em sua volta, na maioria das vezes, gostam de você do jeito que é bom para eles. Poucos sabem entender que cada um tem o seu caminhar e a sua forma de enxergar a vida.
Não espere que as suas verdades, conquistadas com muito esforço, sirvam também para os demais. O processo de aprendizado é individual.
Não espere que o óbvio seja companheiro de todas as suas verdades. Só você vê o mundo da sua maneira. Ninguém trilhou o mesmo caminho que você.
Não espere que, depois de viver junto com alguém, as coisas possam ficar melhores. Não, não ficam. As pessoas vêm até nós com suas virtudes e seus defeitos. Ninguém consegue ser o que nós esperamos que seja. Por um minuto até pode, mas o dia inteiro não será possível. Ou você aceita a pessoa como ela é ou irá ter problemas de relacionamento.
Não espere que um dia a pessoa mude e passe a ser como você gostaria que ela fosse. Isso nunca acontece. O caminhar é individual. As pessoas só mudam quando decidem mudar. Ninguém tem o controle da vida do outro.. Não espere que seu amigo entenda... Ele vê você exatamente da forma como demonstrou lhe entender e ler. As pessoas se revelam e se mostram nas dificuldades.
Não espere que os amigos de festas venham lhe ajudar, eventualmente, no transporte dos móveis de sua mudança de casa. A expressiva maioria deles não gosta de você. Gosta e aprecia o que você lhes oferece como distração ou alimento.
Não espere ter muitos amigos. Poucos nos aceitam como somos. Poucos têm a energia compatível. Não espere que sua felicidade esteja nas mãos dos outros. Eles também buscam a deles. Felicidade é uma mera combinação de mente aberta com oportunidade escancarada. Ser feliz é uma determinação e não uma busca. Felicidade é essência e não matéria.
Não espere, portanto, que seu bolso lhe traga esta felicidade. A satisfação que emana de um bem, em nossa vida, leva em si poucas horas de prazer. O que não se toca "esconde" a essência da vida feliz. A felicidade está DENTRO de nós. É só saber usar.Não espere que, finalmente, seguir os outros venha lhe dar a paz que você busca. Ela está em seu equilíbrio emocional e na forma como você verbaliza as suas verdades. Eles são a base do seu e do meu plantio.

CATEDRAIS.

Rezar extramuros das igrejas, sinagogas, mesquitas e templos é uma prática comum de nosso tempo. Em avenidas, ruas ou estádios de futebol se fazem prédicas e rezas para uma multidão de pessoas. O louvável de tudo isto é o homem que reza a Deus. Contudo, a relação que se estabelece com Deus nessas prédicas e rezas é hoje desafio de reflexão teológica.

Nos primeiros anos do cristianismo os cristãos rezavam nas casas, nos porões e às escondidas com medo da prisão, de torturas e até da morte cruel. Na liberdade de manifestar publicamente a fé em Cristo, os cristãos iniciam a construção de igrejas, templos, catedrais e de enormes basílicas. Roma é o berço da construção de igrejas, catedrais, e das chamadas Basílicas Papais: São João de Latrão, São Pedro, São Paulo e Santa Maria Maior. São as quatro maiores basílicas do mundo. A de São João de Latrão é a mais antiga e mais importante e leva o título de “Omnium urbis et orbis ecclesiarium mater et caput”. Isto é, Mãe de todas as igrejas de Roma e do Mundo. Foi construída entre anos de 314 e 335. A Basílica de São Pedro é a maior igreja do cristianismo. Foi construída sobre o túmulo de Pedro, crucificado no ano 64 durante o governo do imperador Nero. A construção foi ordenada pelo imperador Constantino trezentos anos depois da morte de Pedro. Atualmente, as citadas basílicas são os locais mais visitados pelos cristãos.

No segundo milênio do cristianismo, grandes catedrais foram erguidas pela Europa. São catedrais de características góticas que possuem traços de arquitetura diferenciada em relação ao estilo românico, com impulso vertical e com muita luminosidade. Graças a técnicas arquitetônicas introduziram as abóbadas em ogiva, apoiadas sobre robustos pilares que permitiram elevar a altura das catedrais. Este traço característico em direção ao céu exprime uma linguagem universal de convite à oração rumo ao alto, do elevar-se a Deus. Os próprios vitrais pintados, com muita luminosidade, narram a história da salvação em que Deus derrama-se sobre os fiéis e os envolve em seu amor. Com seus traços arquitetônicos as catedrais góticas expressavam uma harmonia entre a fé e a arte por meio da linguagem universal da beleza que ainda hoje suscita muita admiração.

Muitos elementos da cultura e arquitetura gótica poderiam ser destacados por fazerem das catedrais uma verdadeira “Bíblia de pedra” que há séculos representa uma comunidade cristã e civil percorrendo o mesmo itinerário, o da salvação. Nelas participavam os humildes e poderosos, os analfabetos e doutos, porque todos eram instruídos na casa comum, da fé. Hoje, os estádios de futebol viraram "catedrais". Certamente menos imponentes, pobres em arquitetura, de linguagem e de rito fanático. Na verdade, locais onde se glorifica ao Senhor não pelo mistério da salvação, mas pela vitória de seu time. Nos estádios, a oração não é pela realização do mistério do Cristo sofredor, que inspira mudança de vida e arrependimento pelos pecados, mas feitas com uma única intenção, pedir a vitória do time. Nesta postura treinadores, jogadores e torcida fazem suas orações. É algo a ser refletido pela Teologia.




Miguel Debias
e

domingo, 18 de dezembro de 2016

CREMAÇÃO. O QUE VOCÊ PENSA A RESPEITO.

Não é estranha a afirmação de que hoje “tudo mudou”! Isso é notório e confirmado em todos os campos da atividade humana. Em questões religiosas e morais, quem vivenciou experiências de cristandade num passado recente também sente e vive, hoje, novas visões e tendências contraditórias. Também na relação com a morte e com os mortos acentuam-se novos comportamentos, mesmo que nem todos sejam os mais condizentes.

A realidade da morte e seus ritos ainda move sentimentos e motiva rituais, mas até nos funerais muitas tradições foram mudando. As empresas funerárias oferecem planos; facilitam espaços e modalidades de transportes; garantem seguranças legais e assessorias que amenizam os familiares. Mas tudo isso tem seu preço.

O velório que era mais doméstico e acompanhado, dia e noite, por amigos e vizinhos, vai reduzindo sempre mais o seu tempo, inclusive dispensando a presença durante a noite por motivos de segurança. Evidentemente, as mudanças nas práticas dos funerais variam muito entre os grandes centros urbanos e o mundo rural e entre as diversas culturas. Mas, em geral, dentro das mudanças que vão ocorrendo, sempre é preservada a sacralidade da morte e confirmada em suas reações familiares e sociais.

Uma das questões que sempre preocupou a humanidade e a Igreja é a cremação, cada vez mais comum, mesmo entre os católicos praticantes. Devido à questão polêmica da ressurreição dos corpos no fim do mundo, no Renascimento, a cremação era uma escolha mal interpretada e motivo de conflito. Desde 1963, com o Papa Paulo VI, a Igreja liberou a seus fiéis a escolha pela cremação.

É bom clarear que, na tradição católica, a cremação nem sempre era proibida. Era comum e inevitável nas epidemias e em casos de calamidades naturais e de guerra.

É evidente que a Igreja não via contradições entre cremação e a doutrina da ressurreição dos corpos no fim do mundo. A teologia sempre confirmou que o corpo que ressurgirá será qualitativamente diferente do corpo mortal. Deus não precisa de nossos restos mortais para o milagre da ressurreição. Se assim não fosse, como seria a ressurreição final de quem morreu em incêndio ou explosões?

Referindo-se à questão da cremação, a Igreja Católica lançou no dia 25 de outubro de 2016 uma instrução com o título “Ressurgir com Cristo”. Aqui, a Igreja não se opõe à cremação, porém recomenda que os restos mortais sejam depositados em cemitérios ou outro lugar sagrado. Questiona-se o fato de guardar em casa ou espalhar as cinzas no mar ou outros espaços da natureza.

Penso que, em relação à conservação digna, tanto do corpo, quanto das cinzas, a decisão deverá considerar também a questão simbólica, o bom senso do memorial e a realidade antropológica. “Espera-se que esta nova instrução possa fazer com que os fiéis cristãos tenham mais consciência de sua dignidade de filhos de Deus” (cardeal Gehrard Müller)

sábado, 17 de dezembro de 2016

A IMPORTÂNCIA DE APRENDR

As ideias podem mover o mundo. Há uma urgência e, ao mesmo tempo, uma carência de ideias criativas. Copiar ou imitar é mais cômodo. O novo não surge do nada, mas de acréscimos e aperfeiçoamentos. A inspiração é fantástica: de algo muito simples, verdadeiros luminares desencadeiam processos transformadores. Porém, somente o sentimento é capaz de reunir verdadeiras multidões, entrelaçando amor e comoção. As alegrias causam êxtase, empolgam, provocam vibração. Porém, a dor é capaz de invadir o mais profundo do ser e unir um número sem fim, eliminando, por uns instantes, distâncias, diferenças culturais, religiosas e étnicas. O sofrimento está envolto de uma magia que contagia e cria comunhão.

Há um mistério por detrás da dor: ela é capaz de fazer com que o mundo inteiro fale o mesmo assunto, pense nos mesmos detalhes, derrame as mesmas lágrimas. Talvez seja pelo fato de ser impossível explicar alguns acontecimentos, que existe tanta coesão ao redor do sofrimento. Há momentos onde todos têm perguntas e ninguém é capaz de respostas. O intelecto ensaia continuamente explicações, mas o silêncio, por vezes, se impõe e obriga ao recolhimento. Sentir profundamente é uma forma de reunir dentro de si os suficientes motivos para continuar acreditando na excepcionalidade da vida.

As lágrimas expressam o incomunicável. As palavras são insuficientes, quando a questão demanda uma explicação. Querer entender alguns mistérios é abrir espaço ao dinamismo, provocando buscas, ensaiando superação. Nenhuma dor deveria levar ao conformismo. Afinal, se há vida o destino é evidente: ser feliz. Mas viver não é apenas reunir e colecionar acertos e vitórias. Muitas vezes do pior nasce o melhor. O segredo é descobrir o que fazer com a decepção, como lidar com a frustração, como preencher o vazio de uma perda. Como tudo seria diferente se houvesse uma maior preparação para lidar com a vida e com alguns acontecimentos que desencadeiam desestruturação.

Guardo comigo uma frase que acaba acalmando o coração, em determinadas tribulações: “Para quem não tem fé, nenhuma explicação é suficiente. Mas para quem tem fé, não há a necessidade de explicações”. É maravilhoso acreditar em Alguém maior, capaz de serenar as inquietações, permitindo o encontro diário com a transcendência. Um dia, na eternidade, o mistério será desvendado.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

A DOENÇA DA MODA.

Sem ser propriamente uma doença, o estresse é a doença da moda. É um conjunto de fatores que acabam derrotando os mecanismos de defesa. É a soma de ansiedade, depressão, angústia, problemas mal ou não resolvidos, que tiram o sono e a própria alegria de viver. O atingido torna-se pessimista, imprestável para a convivência normal. Por fim, o estresse pode tornar-se verdadeira doença cardiovascular.

A palavra stress apareceu pela primeira vez em 1936, num artigo de uma revista científica, assinado por Hans Selye, médico endocrinologista de origem húngara, que lecionava na famosa universidade John Hopkins. A partir daí o fenômeno ultrapassou a área da medicina.

O estresse atinge, sobretudo, empresários de meia idade e que residem em grandes cidades. Mas afeta também homens e mulheres, ocupados ou desocupados, executivos e empregados. Cursando o primeiro ano, uma criança recusou participar das atividades escolares, ponderando para a professora que estava estressada.

Sem chegar a níveis patológicos, o estresse causa estragos na vida cotidiana. Interessante artigo que circulou na internet tem como título “Não deixe suas panelas brilharem mais do que você”. E retrata a luta de uma dona de casa contra o pó. Ela gastava cerca de oito horas por semana para manter a casa bem limpa, preocupada com uma possível visita. Uma casa só vai ser um lar quando a dona de casa for capaz de escrever: eu te amo - seja para quem for - nos móveis empoeirados.

Em vez de ficar horas e horas tirando o pó dos móveis, poderia apelar para tarefas alternativas bem mais agradáveis: plantar uma flor em seu jardim, telefonar, sem motivos, para sua melhor amiga da infância, assar um bolo e lamber a colher suja de massa. Lá fora um pássaro está construindo seu ninho numa laranjeira florida, um lírio vermelho acaba de desabrochar e o carrinho do sorvete está ali, diante de sua porta.

A vida é curta... saiba aproveitá-la. Tire o pó, se precisar..., mas há tantas alternativas mais agradáveis. Crie momentos de encanto para o esposo e os filhos; até o cachorro merece uns afagos e não dê tanta importância ao que os outros pensam.

Não ligue muito para o pó. Um dia todos partiremos e vamos virar pó. Ninguém vai se lembrar de sua casa tão limpinha, mas vão lembrar de sua amizade, de sua alegria e do que você ensinou. Afinal, não é o que você juntou e sim o que você espalhou que reflete como você viveu.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

UM NATAL NOVO.

De novo é Natal. De tanto ouvir e ver as mesmas coisas, o Natal virou rotina. Propagandas sem novidades, velhas canções, alto-falantes dizendo as mesmas coisas diante das mesmas vitrines, as ruas enfeitadas quase do mesmo jeito. Você cansou e não consegue disfarçar um bocejo.

O Natal perdeu a graça. Por que será? O sermão dos religiosos que os fiéis sabem de cor ou o coral com o mesmo repertório dos últimos natais, os mesmos cartões postais com os mesmos dizeres? E para piorar, surge o Papai Noel, cansado e suado, com aquelas roupas de inverno num calor de 30 graus.
A boa Conceição, saída de um livro de Machado de Assis, pergunta: mudou o Natal ou mudei eu? Onde está o Natal de outros tempos, com o pequeno presépio feito em casa, com um espelho parecendo um lago e o pinheirinho com o algodão parecendo neve? Onde está aquele Natal que enchia de encanto o coração e as famílias?
É muito grave, sequestraram nosso Natal. Ele nos foi roubado e em seu lugar tentam colocar panetones, perus, chocolates, presentes, muitos presentes. No lugar do Menino pobre de Belém, querem nos impingir bonecas que falam e dançam, carrinhos com motor, que andam e acendem luzes, tênis iluminados e roupas que vem do outro lado do mundo. Sem falar dos gulosos jantares, onde é quase impossível escolher, tantas são as ofertas.
Podemos, quem sabe, ir ao Procon e pedir que devolvam o Natal. Este natal que nos impingem está vencido, precisa ser retirado do mercado. É falsificado.
Como ponto de partida, é preciso colocar Jesus no centro de nossa festa. Não é o natal do Papai Noel, distribuindo presentes para as crianças ricas e brinquedos reciclados para os pobres. É o Natal de Jesus, que veio trazer a todos o grande presente da salvação. É o Natal daquele que veio trazer a boa nova aos pobres, excluídos e sem esperança.

Natal é também lembrar que o Menino cresceu e nos deixou um modo de viver. Um modo exigente, mas que inclui a misericórdia. Natal não é uma noite, mas uma vida. Natal é o privilégio de recomeçar, exatamente ali naquele ponto que nos encontramos. Natal é a certeza de que para Ele não existem casos perdidos.
Em 1223, Francisco de Assis, o santo do presépio, decidiu: “Quero, neste ano, celebrar o Natal mais bonito de minha vida”. Cada um de nós pode tomar essa decisão. Isso significará reinventar um Natal, um Natal com menos lampadinhas e mais luz. Um Natal com menos festas e mais amor, um Natal onde Jesus é a figura principal.
E quando você der – ou receber – um presente, pense no grande Presente que Deus Pai nos enviou: seu Filho Jesus. E o amor, o encantamento, a alegria, a capacidade de recomeçar sejam os enfeites deste Natal. Troque seu natal vencido por um Natal novo, saído das páginas do Evangelho.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

ME DIZ COM QUEM ANDAS

e direi quem são os seus amigos.

sujeitos avessos à lei costumam abrir mão de seus nomes de batismo e adotam um nome de guerra, criando assim uma identidade antissocial.

esses facínoras inventam vulgos para si mesmos ou recebem apelidos que os caracterizam no mundo da criminalidade.

disso todos nós o sabemos.

no bando de virgulino, ele mesmo era o lampião, o clarão que iluminava a noite cuspindo fogo de bacamartes, arrancando fagulhas de pedras com o arrastar de facões, aterrorizando o mundo.

com ele se esquivava pela caatinga, matando e dançando xaxado, sujeitos de nomes não menos temíveis como gavião, meia-noite, bala-seca, jararaca, corisco...

vai vendo.

no início dos anos oitenta surgiram nas cidades os bandoleiros-traficantes.

foi a vez do trio gordo, meio-quilo e escadinha apavorar o ridjanêro, balneário que vivia sob a lei dos fora da lei do comando vermelho.

o power trio foi pioneiro de uma criminalidade que se organizava nas íngremes paisagens atijoladas das favelas.

depois deles vieram beira-mar, canela de vidro, uê, cagado, piolho, chulé, boca murcha, piroca, sem pescoço, gardenal, cara de cavalo, sem cérebro etc.

o tal meio-quilo, traficante de responsa que morreu ao cair de um helicóptero que lhe garantiria uma fuga espetacular do presídio, chegou a namorar a filha do vice-governador do estado.

vai vendo.

e por falar em ridjanêro, o time de bangu 8 pode ganhar reforço.

além do cabeça de guardanapo - e sua consorte com muito azar - tudo indica que dois meios-de-campo de peso estão chegando: big foot e edward peace.

um por ter dado continuidade à brincadeira do guardanapo, o outro por brincar de esconder dinheiro na olimpíada.

mas, porém, contudo e todavia... no campeonato interestadual de pelada entre presidiários, o time de cabral terá um duro embate com o time que vai se formando em curitiba.

dizem até que cabral conseguiu uma transferência provisória para a cadeia do caipira-da-fala-fina para estudar o esquema tático do adversário após a globo vazar a escalação do escrete curitibano.

foi um executivo da odebrecht (ode à brecht?) quem passou a lista para a imprensa, veja com exclusividade os convocados:

santo, reitor, pino, caju, gripado, angorá, babel, caranguejo, misericórdia, mineirinho, boca mole e todo feio...

nosso time de comentaristas disseca o plantel e mostra quem é quem: babel é aquele que tentou liberar a construção de um zigurate com mais de cem metros de altura para tentar, dali, meter a mão no bolso de deus.

mas com a ajuda de satanás, a torre de babel foi implodida ainda na fase do alicerce, como na bíblia.

o tal babel, gordo como uma porca, acreditava que tinha as costas quentes, porém foi surpreendido com um balde de água fria, uma espécie de ice bucket challenge versão baiana.

agora, para entrar em forma, o construtor de zigurates se prepara para fazer um regime forçado comendo quentinha azeda em curitiba.

mas já tem gente querendo armar um tapetão.

outro dia, um juiz de uma região agrícola do sul do país, o árbitro mais arbitrário da história, gargalhava em um convescote com o centro-avante do escrete da odebrecht, o tal mineirinho funga-funga, aquele que não sabe perder.

o que faziam os dois ali, às vésperas da escalação?, perguntavam os torcedores.

será que combinavam o resultado da partida? é possível, visto que ali também se encontravam dois outros pernas-de-pau da mesma equipe, a dupla de pontas-de-lança santo e careca, atletas de cristo, daqueles que depois de um gol ajoelham-se no gramado e sacam a testeira 100% jesus.

o nobilíssimo reitor, ao que tudo indica, é o cérebro do time. pernambucano radicado em brasília, é conhecido por já ter jogado em diversos times; embora manjado, esse gosta de esconder o jogo.

boca mole é aquele zagueirão do piauí, um tipo truculento que esquece a bola e já vai na canela do adversário. costuma jogar com dois ovos na boca.

caju é o goleiro, o cabra que segura todas. versátil, pode também ser usado como massagista e estancador de sangrias.

caranguejo é o coringa. sangue frio, flutua com desenvoltura por todo o campo, é ele quem distribui as jogadas e quem sobe à área para cabecear.

todo feio acaba de chegar da terceira divisão e foi escolhido para dar um susto na zaga adversária.

o técnico, mt, uma espécie de vanderlei luxen burro, é também conhecido como piloto de trem fantasma, mordomo do conde drácula e jaburu usurpador.

mt é um técnico cagão, joga na defensiva e muda o esquema tático a todos momento, é só alguém da globo reclamar que ele substitui um jogador.

ninguém o queria para técnico, ele chegou lá puxando o tapete vermelho da outra titular. segundo nizan guanaes, a popularidade de mt nasce do fato de ele ser muito impopular.

mesmo com todas essas descrendenciais, o veterano mt participa dessas peladas em brasília desde os tempos em que a bola era quadrada.

galáticos, o passe de cada um supera os craques do barcelona, todos são patrocinados por grandes empreiteiras.

façam suas apostas.

o time vestirá uniforme listrado e tornozeleira eletrônica.

palavra da salvação


Lelê Teles

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O MÊS DE DEZEMBRO TERIA ALGUMA MAGIA?

Por que algumas pessoas são egoístas durante o ano todo e nos últimos dias de cada ano passam a refletir e aceitar alguns conceitos de boa convivência e bondade? O mês de dezembro teria alguma magia? Seria isto? Seria uma confluência de poderes religiosos, místicos, astrológicos e climáticos? Seria alguma tentativa de negar o quanto alguns foram cruéis nos outros onze meses? Seria uma forma de passar uma imagem falsa de ser uma boa pessoa repleta de bons princípios? Confesso que eu não sei, só sei que o real significado do Natal não é entendido por muitos. Natal não é simplesmente ficar embasbacado com enfeites e luzes nas mais diversas cidades e ruas do mundo. Natal não é uma simples troca de presentes num “amigo oculto” que cada vez mais tem variações confusas. Natal não é se empanzinar com as mais diversas guloseimas servidas na noite. Natal não é ter a árvore natalina mais colorida, bonita e repleta de cores do bairro. Natal não é nada material meus caros! Então, será que vocês têm de fato um Natal? Claro que não é preciso deixar de ter estes eventos que descrevi acima, pois é possível ter o Natal com tudo isto, mas ressalto que também é possível ter e entender o Natal sem nada disto. Pensando assim, fica evidente que o Natal em si não está vinculado naquilo que se tem e se produz na noite do dia 24 de dezembro, mas naquilo que se sente e que se deseja fazer durante todo o ano. Muitos têm uma bela ceia, um fabuloso “amigo oculto”, uma animada e uma iluminada festa, todavia podem estar distantes do Natal. Espero que você que me ler agora não se enquadre neste grupo de pessoas. 

Natal é a expressão maior da compaixão e da aceitação. Natal é entender o diferente e excluir a imposição. Natal é “multi-color”, “multi-religião”, “multi-orientação”, “multi-ideologia”, “multi-idioma” e “multi-partidário”. Portanto, ao Natal não se deve instituir cor de pele, religião específica, orientação sexual, ideologia pessoal, país e desejo político. Neste sentido, é possível entender que o significado do Natal transcende fronteiras e desejos pessoais. Natal é ser bom. Bom mesmo, sem interesses para ser chamado pelos outros artificialmente de “gente boa”. Natal é poder e querer ofertar sem esperar nada em troca. Natal é ter bons princípios com expurgo da mesquinhez e do individual. No Natal, não há espaço para “olhar para o umbigo”. Natal é entender o quanto nos afastamos de nós mesmos por desejos um tanto quanto obsoletos e materiais. Natal é perceber que você não está acima de tudo e que não pode controlar os outros. Natal é escutar. Natal é amar, mas amar do fundo do coração e não como muitos dizem após uma boa transa - “eu te amo, baby”. Natal é respirar todas as manhãs, ver o pôr do sol todas as tardes, escutar o canto dos pássaros ao amanhecer, namorar a lua ao anoitecer e compreender que temos tudo e não aproveitamos nada. Natal é verificar que o valor das pessoas não está simplesmente na roupa vestida, no perfume usado, no carro comprado, na jóia ostentada, no cargo ocupado e nas posses conquistadas, mas sim na própria pessoa. Esta mesma pessoa que sorri, chora, canta, dança, dorme e olha para você e você nem percebe. Natal é ser fraternal de modo que se eu tenho um e meu “irmão” tem zero, portanto ambos terão meio. Natal é entender que a divisão é espontânea e não imposta por força de lei. Natal é enxergar que sua postura, conduta e atitudes refletem muito além de você e atingem os outros. Natal é poder estar com quem você ama e chorar no ombro daqueles que você confia. Natal é ter humildade para pedir desculpas caso tenha errado e aceitar as desculpas caso tenha sido magoado. Natal é fazer o seu melhor e buscar crescer sem derrubar seu ninguém. Natal é ser “abençoado” por não aceitar a hipocrisia, o preconceito, o ditatorial e o corrupto. Natal é cheirar seus filhos, beijar sua esposa e abraçar seus pais e irmãos, pois eles possibilitaram você ser o que você é. Natal é valorizar seus amigos por que eles sempre estarão contigo independente do que aconteça. Natal é se deleitar com a pureza e a inocência das crianças e quem sabe incorporar mais isto na nossa vida. Atrevo-me a dizer que, em muitas coisas, quando crescemos ao invés de evoluir fazemos é “involuir”. Talvez, se o mundo fosse comandado pelas crianças seria mais leve, pacífico e repleto de boas brincadeiras.

Enfim, o significado do Natal está intimamente relacionado ao nascimento de Jesus. Portanto, não cometi nenhum erro, pois tudo, que descrevi acima, foi buscado e desejado por ele independente de uma data específica. Então, Natal é quando o ser humano de fato assume o papel humano nas relações. 

Diante de tudo isto, retorno aos questionamentos levantados no início. 

Qual seria o porquê de querermos nos aproximar destas boas atitudes somente nos últimos 10 dias do ano? Isto não tem cabimento! Todos os dias deveriam ser,dentro desta lógica, natalinos. Não precisamos marcar no calendário os dias para sermos bons e doar agasalhos, fazer campanhas de comidas para pessoas carentes ou ter outros atos de apoio ao próximo. Isto deveria ser universal e contínuo. Bem amigos, depois de tudo, eu desejo um feliz natal a todos e torço para que você que me ler seja mais “natalino”, inclusive nos outros meses e dias do ano. 

“Lembre-se, se o Natal não é achado em seu coração, 
você não o achará debaixo da árvore.” 
(Charlotte Carpenter

BOTARAM FOGO NA CASA GRANDE

Sob o falso pretexto de expulsar os "ratos" do PT, parte inconsequente da nossa elite conservadora resolveu botar fogo na casa-grande.

O caos financeiro e institucional no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, a invasão da Câmara por radicais e alguns lunáticos pedindo 'intervenção militar', a deposição de uma presidente por intermédio de um golpe jurídico-parlamentar, um país governado por bandidos, a falência de diversas empresas e a consequente demissão de centenas de milhares de trabalhadores, bem como a prisão de diversas autoridades da República (senadores, deputados, ministros, ex-ministros, governadores e ex-governadores) são apenas as "fulgurosas" chamas desse "incêndio", que só aos incautos encanta.

É preciso ver para além das chamas. Para além da fumaça.

Quero só ver se vai aparecer algum bombeiro antes que o fogo, que já consumiu boa parte da casa-grande, consuma e destrua toda a nação.

Não se trata de querer preservar os malfeitos ou de ser leniente/conivente com a corrupção ou com a impunidade.

Mas será que para expulsar os "ratos" e os "cupins" que infestam a casa-grande, é mesmo necessário destruir o país, levando-o à completa ruína, ao caos?

Não teria sido mais prudente e consequente expulsar os "ratos" e os "cupins", mas preservar a Casa? E assim, também, a senzala?

Por enquanto, os nossos chamados "líderes" e "homens públicos" que, quando pensam, só pensam em 2018, assistem a tudo à distância, impassíveis, inertes, covardes.

Enquanto isso... ardem as chamas.

Conseguiremos nos reerguer das cinzas?