quinta-feira, 22 de agosto de 2019

TELEFONE SEM FIO



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Quando eu era moleque de rua, num tempo em que ser moleque e estar na rua eram as coisas mais saudáveis do mundo, havia uma brincadeira chamada "telefone sem fio" que, entre outras, garantia a diversão para a meninada que precisava, ela mesma, inventar seus brinquedos. A gente se organizava numa longa fila e o primeiro falava ao ouvido do segundo uma frase. Para garantir a lisura da coisa (brincadeira também tem regras), a frase era escrita num papel que ficava no bolso do primeiro, pra conferir ao final.

Na sequência, o segundo repetia a frase ao ouvido do terceiro, o terceiro para o quarto e assim sucessivamente até chegar ao fim da fila. Então, o último dizia a frase em voz alta.
Era uma gargalhada só. O primeiro tirava o papel do bolso e lia a frase original, que não tinha nada a ver com aquela que chegou ao último ouvido.

Brincadeiras infantis são nossa primeira escola. Como a gente aprende com elas! Aliás, a coisa mais séria que uma criança sabe fazer é brincar. Brincando, aprende a se relacionar consigo mesma, com o outro, com o mundo, com a vida.

Eu, hoje um moleque oitentão, continuo brincando de aprender e aprendendo a brincar, tentando manter viva a criança que mora em mim. Esta criança, aos cinco anos, entrou pela primeira vez numa sala de aula, no Jardim de Infância. Nunca mais saí. 


Muitas vezes,  me lembrei do "telefone sem fio" da minha infância. Era como se eu fosse o primeiro e o último da fila.
Para garantir a fidelidade da informação, era comum recorrer a uma circular. Nem assim. Um texto pode ser lido em muitos contextos e lá no fundão da mochila dos alunos existe um "buraco negro" que suga todas as informações, recados, comunicados, convites e convocações. E aí, adeus...

Quantas e quantas vezes testemunhei, não com uma gargalhada, mas com constrangimento, a lenta descaracterização da mensagem entre o emissor e o receptor, entre a direção, a sala de aula, os alunos e as famílias.

Isso acontece não apenas na Escola...
No horário eleitoral gratuito, por exemplo, vejo hospitais e postos de saúde impecáveis. Médicos, enfermeiras, auxiliares sorridentes em seus impecáveis uniformes brancos. Instalações e equipamentos de primeiro mundo.

Na outra ponta do telefone sem fio vi, um dia desses, na TV, num quadro apresentado pelo Dr. Dráuzio Varella. Na matéria, uma jornalista que tinha um problema no pulso ia a vários postos de saúde pública em busca de uma consulta com um ortopedista. A via sacra foi gravada com uma câmera escondida.

A demora para o atendimento foi, em média, de 3 horas. E as consultas, quando aconteceram, duraram dois minutos. Era uma ponta do problema.

Num extremo, o que queremos, o que temos direito. No outro, lá, no fim da fila, a dura realidade.
A mesma coisa vale para a Educação, a Segurança Pública e para os meus conselhos aos meus filhos. Digo uma coisa hoje, ao ouvido do meu caçula, na esperança de que lá na frente seja compreendido. Para meu consolo lembro que muitos conselhos, óbvios ululantes, do meu pai só fui ouvir e acatar depois que eu mesmo me tornei pai.

E o conselho óbvio, hoje, é mesmo ululante: é necessário e importante investir em Educação, Saúde, Segurança, como diz o discurso de todos os candidatos, de todos os partidos. Mas o conselho, ou a frase, dito no início da fila vai-se perdendo ao longo do caminho, mesmo quando há investimentos reais em equipamentos, infraestrutura, modernização de instalações. Nossos homens públicos se esquecem da longa fila de pessoas que, em sequência, irão lidar com a informação, os equipamentos, o atendimento, o cuidado, até que ele chegue ao cidadão que está ali, em busca de uma boa escola para seu filho, uma solução para o seu problema de saúde, segurança para ir e vir do trabalho.

Concluo o óbvio não menos ululante. Posso reformar ou construir novos prédios, instalar, numa escola, posto de saúde ou delegacia, equipamentos de última geração. Se por trás deles há uma pessoa desvalorizada, desmotivada, com baixa autoestima, mal remunerada, acumulando vícios e espertezas, validando os rótulos que costumamos imprimir ao chamado funcionalismo público, o que vamos ver, ao final, será uma fila onde desfilam carência, desrespeito, descuido, desespero e desalento.

Diante desse quadro, quero dar, aqui, um testemunho pessoal.
Há cerca de três anos conheci um grupo que trabalha na Academia de Polícia Civil de Porto Alegre. São funcionários públicos, agentes de polícia, pessoas responsáveis pela formação de novos policiais. Quando fui a eles, levava comigo o preconceito formado ao longo dos anos, tal qual um rótulo carimbado nas minhas certezas. Conheci gente séria, humana, competente. Lutando contra tudo e contra o rótulo. Perdendo e ganhando, mas lutando. Cheguei ao fim da fila com um sorriso de esperança.

O pessoal da Acadepol RS me ensinou que é preciso investir em pessoas. De verdade.

No ano que vem vou ter, mais uma vez, oportunidade de encurtar a distância entre o início e o fim da fila. Esse é o sentido do meu voto. Depois da eleição, há que cuidar para que ele não se perca no longo caminho a percorrer entre o CONFIRMA que vou deixar na urna e as mãos do meu candidato.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

SONHAR COM O CORAÇÃO E CRER COM AS MÃOS

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Sempre que tem eleição desfila pelo horário eleitoral gratuito uma variada fauna de candidatos criados à imagem e semelhança de uma legislação que, em tese, pretende colocar todos em condições iguais e acaba por promover um espetáculo constrangedor que trafega entre o grotesco e o piegas, o cômico e o patético.

E, do lado de cá da telinha ou do rádio, o eleitor, se virando pra encontrar uma luz no fim do túnel ou, ao menos, perceber em que túnel está se metendo.

A TV de LCD pendurada na parede me faz pensar não num túnel mas numa caverna, aquela, do mito de Platão, onde os personagens nela encerrados viam as sombras projetadas por uma fresta de luz e acreditavam que aquilo era a realidade lá de fora.

300 anos antes de Cristo o filósofo grego já havia inventado a televisão...
Vendo as sombras que desfilam diariamente na tela da minha caverna, ou melhor, da minha TV, tenho a impressão de que há um movimento organizado, pensado, planejado para desmoralizar a imagem dos políticos de forma a evitar que pessoas de bem se sintam atraídas e motivadas a participar da Política. E se tal movimento há, ele tem sido muito bem sucedido, com a ajuda, claro, de boa parcela de suas "excelências".

Na geléia geral dos escândalos sucessivos, ampliados e repetidos de forma massiva na mídia, hoje, o que mais se vê é um quase generalizado desprezo pelos políticos e suas ações. Política virou sinônimo de corrupção, falcatrua, malandragem, quadrilha, bandidagem do colarinho branco. Daí, quando o tema vem à discussão é comum ouvir a frase, dita com expressão de nojo:

- "Odeio política!...".
O problema é que quem odeia ou não se interessa por política está condenado a ser governado por quem se interessa, e muito, por ela. E esse interesse pode ter as mais variadas motivações, as melhores e as piores possíveis.

Já disse aqui que ando meio desencantado com a forma como organizamos nosso modelo político. Penso que a democracia representativa funcionaria muito bem numa tribo onde todo mundo conhecesse todo mundo, as pessoas pudessem olhar nos olhos umas das outras, acompanhar a ação política diária, sugerir, cobrar, participar. Mas nesse mundão de meu Deus, de quase 7 bilhões de habitantes, a maioria anônimos e invisíveis, é muito difícil dar certo.

Mas então, pergunta-me o leitor, qual a alternativa?
As ditaduras ainda espalhadas pelo mundo são parte de uma resposta bem clara. Qualquer modelo de organização política, sem liberdade, não dá! Deixar decisões políticas nas mãos de uma meia dúzia, ou pior, de uma cabeça "iluminada" conduz, mais cedo ou mais tarde, à prepotência, à arrogância, à truculência, principalmente quando esse poder ganha ares messiânicos, contaminado pela dimensão religiosa. Regimes ditatoriais "teocráticos" ou não, são um passo seguro em direção à atrocidades.

Então, insiste o aflito leitor, como encontrar uma saída?
Inspiro-me, de novo, nos pensadores da História. Recorro a um mais recente, Berthold Brecht, um dramaturgo e poeta alemão do século XX, cujos trabalhos artísticos e teóricos marcaram profundamente o pensamento de várias gerações, inclusive a minha.

Influenciado pelo marxismo do início do século passado, Brecht escreveu, entre outras coisas, uma página que se transformou num ícone, pendurado nas paredes da juventude rebelde dos anos 1960 ao lado do poster de Che Guevara.

O Analfabeto Político

O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito
dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

Mesmo com a queda do Muro de Berlim que decretou, aos olhos de muitos, o fim do socialismo real, o texto de Brecht não perdeu nada de sua novidade indignada, libertária, revolucionária. Continua por aí, guardado em algum armário, ao lado de um pôster empoeirado e de uma boina com uma estrela, à espera de que alguém se lembre de uma juventude que foi capaz de sonhar um mundo com mais luz e menos sombras, o que exige, com certeza, o resgate da Política como espaço de participação de todos os que buscam a construção desse mundo.

Assim, ao invés da gente se deixar tomar pelo desânimo geral diante de tanta mediocridade oportunista, entregando de vez e literalmente o ouro aos bandidos, é preciso buscar e construir espaços de participação, a "nossa tribo", capaz de dar voz às nossas propostas e sonhos.

Nesse sentido, uma experiência interessante são os Grupos de Fé e Política, formados por pessoas que participam e atuam em escolas, movimentos populares, sindicatos, igrejas, associações de bairro e outros espaços de organização social.

Algumas dessas pessoas se reúnem em grupos informais de reflexão, aprofundamento e celebração, buscando a formação do senso crítico que convida a uma ação consequente e coerente. Grupos assim se espalham por todo o Brasil. Em sua maioria são ecumênicos, não confessionais e não partidários. Estão abertos a todas as pessoas que consideram a Política uma dimensão fundamental da vivência da sua fé, e vêem a fé como o horizonte de sua utopia política, lembrando que utopia, na versão cristã, não é sonho impossível, é rumo. Para lá caminhamos.

Sendo assim, o Movimento Fé e Política pretende ser um serviço de formação e informação sobre questões de política, cultura, ecologia, ética e espiritualidade. Quer também reforçar, estimular e transformar propostas em gestos concretos, através de uma maior participação na vida política da cidade, do estado, do país, do mundo!
Volto a Berthold Brecht que disse em outro texto inspirado e inspirador:

"Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida. Estes são os imprescindíveis..."

Diante das sombras, das cavernas, das carências e contradições do mundão de meu Deus, optar por sonhar com o coração e crer com as mãos. Imprescindível...

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

O MEDO DO INFERNO DA DONA ANTÔNIA.

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Dona Antônia já havia passado dos noventa anos e dava por cumprida a sua missão aqui na Terra. Filhos criados, netos e até bisnetos já encaminhados, a vida começou a passar devagarinho à frente de sua vista miúda. Foi vindo uma canseira, uma preguiça imensa em ter que esticar os dias cada vez mais longos. Decidiu que era hora de abrir vaga para os mais novos e passar desta para a melhor.

Mas ao invés de encontrar paz e descanso na perspectiva do eterno repouso, o que brotou foi o medo terrível de uma ameaça que a acompanhava desde a longínqua infância: O FOGO DO INFERNO!
Era como se todos os sermões do Monsenhor Prado, mais as ameaças de dona Íris, no catecismo, tivessem saído da neblina do tempo e viessem assombrar como fantasmas à pobre dona Antônia. O pior é que a velhice, se limita braços, pernas, olhos e ouvidos, fechando portas para a realidade do aqui e do agora, deixa solta e até alimenta mais a imaginação. A quem não pode mais correr, ver, ouvir e até falar, resta o lembrar e o imaginar...

E nas lembranças e na imaginação de dona Antônia vieram todos os pecados (ou o que ela classificava como tal) de sua longa vida. Ao lado de cenas e personagens do passado surgiam o remorso e o medo, avivados pelo fogo do inferno. Não havia escapatória, dona Antônia estava frita, e o que é pior, por toda a eternidade!

Quem primeiro percebeu o drama foi Maria, a empregada, que era quem tinha mais paciência de ouvir os queixumes de dona Antônia. A parentada, ao saber da história, primeiro achou graça. Só mesmo caduquice, onde já se viu, a dona Tininha no inferno? Vai converter o capeta! Mas logo viram que o caso era sério. Dona Antônia sofria e se agoniava com o medo que a devorava.

Tio Haroldo era médico, o único dos filhos que se formara, e foi chamado para resolver a questão. Do alto do seu diploma diagnosticou:
"Bobagem mamãe, inferno é aqui mesmo, este seu medo é besteira..."
" Vade retro, Satanás, não venha me enrolar que ainda não cheguei em sua casa!", gritou dona Antônia, escondendo-se sob o cobertor depois de expulsar o Tio Haroldo como se fosse o próprio demo.


Carolina, uma das netas, estudante de Comunicação, tentou explicar que o inferno era uma invenção das padres para manter os fiéis sob controle. Levou uma bengalada na testa.

Em dona Antônia o medo estava agora misturado com a raiva, o que já era um outro pecado a carimbar seu passaporte para as profundas. A casa virou um inferno. Ninguém mais vivia em paz e dona Antônia não morria em paz...

Esgotadas todas as tentativas domésticas, resolveram apelar para a Santa Madre Igreja. Chamaram o Padre Candinho, santo homem, para abrir à dona Antônia as portas do Paraíso. Ele veio munido de sermão, benção, água benta, confissão, unção, Eucaristia e todo o arsenal capaz de garantir uma vaga à direita de Deus Pai.

Dona Antônia agarrou-se àquela tábua de salvação. Passou a vida a limpo. Lavou e enxaguou a alma no ouvido de Pe. Candinho. Confissão de mais de duas horas, pois além da dificuldade de se fazer entender, depois de aposentada a dentadura, eram noventa anos de pecados a apurar...

No finalzinho, quando Pe. Candinho já engatilhava a absolvição plenária que apagaria o fogo do inferno, dona Antônia arregalou os olhos apavorada e disse:

" Tô perdida! Tem um pecado que Deus não perdoa. Li na Bíblia. Pecado contra o Espírito Santo não tem perdão. Não tenho salvação..."
E dona Antônia foi buscar lá na sua meninice de 6 anos a lembrança de uma travessura que custara a vida de uma pobre pombinha. Tininha, levada, resolveu brincar com a ave como se fosse uma peteca... a coitada virou paçoca. Dona Eulália ralhou e prescreveu castigo. "Onde já se viu tamanha maldade com o bichinho? Quando morrer, Deus castiga!"

QUANDO MORRER, DEUS CASTIGA...

A frase ficou gravada nos labirintos da memória como uma maldição e voltava agora, condenação última, definitiva e sem perdão. Dona Antônia matara um parente do Espirito Santo e estava inapelavelmente FRITA!

A paciência do Pe. Candinho já estava derramando pelas beiradas. Num último esforço, ele reuniu todos os argumentos teológicos acumulados em anos de seminário e paróquias, nas milhares de aulas de religião e sermões do seu longo sacerdócio, para explicar à dona Antônia que Deus não é um carrasco vingativo, nem trabalha na polícia. Que Ele é um Pai amoroso que perdoa e acolhe a todos os seus filhos, mesmo os mais pecadores, que afinal somos todos nós. E além do mais, acrescentou o Pe. Candinho, vermelho como um pimentão, O ESPIRITO SANTO NÃO É UMA POMBA!!!

Tudo inútil. Dona Antônia entregava-se aterrorizada à maldição que a acompanhara por toda vida: O FOGO DO INFERNO A ESPERAVA!
Pe. Candinho já ia desistindo quando uma idéia iluminou-lhe o rosto.

Correu na Bíblia e localizou o trecho que procurava.
" Dona Antônia, a senhora está salva!"
"Salva o que, Pe. Candinho, eu tô é fudida" disse dona Antônia, já apelando para a ignorância e, em nome da caduquice, falando um palavrão, coisa que nunca fizera em toda a sua vida, ainda mais na frente de um padre, o que, agora, condenada como estava, não ia alterar muito a temperatura das fornalhas infernais que a aguardavam.

"Não, dona Antônia, tá aqui na Bíblia, Mateus capítulo 24, versículo 51, aqui diz que no inferno tem choro e ranger de dentes... a senhora não tem dentes, dona Antônia, não vai poder ficar no inferno!!!"
Dona Antônia aprumou-se na cama e com os olhinhos miúdos tentava ler o trecho que Pe. Candinho apontava com o dedo. Com muito custo soletrou o versículo salvador.

Dona Antônia não teve dúvida. Reuniu a parentada, despediu-se de todos, fez as recomendações de praxe e acrescentou uma, especialíssima:

NÃO ME ENTERREM DE DENTADURA!!!
Aí, deitou-se de novo, virou pro canto, deu um suspiro profundo, sorriu, morreu e foi pro céu...

sábado, 17 de agosto de 2019

CRESCER PARA SER FELIZ.


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Ninguém é feliz todos os dias. Há dias nos quais levantamos, mas parece que tudo em nós gostaria de ter ficado na cama. Há dias nos quais nossos corações parecem estar nublados, somente nuvem, chuva e frio.

Sentimo-nos desanimados, achando-nos o pior de todos os mortais. Dias de fastio da alma, uma certa náusea da vida, um enjôo da existência. Tudo fica muito rotineiro, o novo tornar-se velho, o belo, comum, a alegria se despedaça em pequenos fragmentos de tristeza, parece que a felicidade escorreu pelo ralo da nossa vida.

Se este é um dos seus dias, você saberá exatamente do que estou falando. É sempre assim, somos mais capazes de compreender a dor ou a alegria quando passamos por elas. Contudo, esteja como estiver o seu dia hoje, é bom lembramos algumas verdades.

Existe dentro de nós uma imensa sede de felicidade e bem-estar. Tudo quanto fazemos na vida, desde o mínimo detalhe, até a coisa mais complicada, é em busca desta felicidade. Daí nossa dificuldade de lidar com esses dias nos quais a felicidade parece ter desaparecido.

Infelizmente, o alvo consciente ou inconsciente da nossa vida tem sido a felicidade. Mas este não é o alvo de Deus para sua vida. Neste dia, quem sabe infeliz para você, Deus quer que você olhe para um outro alvo da vida. O alvo de Deus para você é o crescimento. Isto não significa que Deus não queira sua felicidade, apenas quer alertar para o fato de que a felicidade é uma conseqüência do seu crescimento.

Crescer, desenvolver nossa maturidade, desenvolver nosso potencial, este é o alvo primeiro de Deus para mim e para você. Sem crescimento não haverá felicidade. Se não crescermos, viveremos como crianças desfrutando das pequenas alegrias que os nossos brinquedos nos dá, mas jamais experimentaremos a real felicidade que vem dele.

Todo crescimento passa pela dor. A dor é o sinal de uma nova vida, é o prenúncio de uma nova experiência, é o grito de um novo ser nascendo em nós. Sem dor não haverá crescimento, sem crescimento, novamente, não haverá felicidade.

Neste dia quem sabe de dores, você pode não estar se sentindo feliz, mas você pode estar crescendo. Saiba que apesar das dores de hoje, o crescimento virá e com ele a felicidade que você tanta almeja

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

A HISTÓRIA DE UM CERTO BRASIL

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- Tio Dudu, me conta a história do Brasil?
- Ô Rui, foi mais ou menos assim...


Tudo começou quando um certo Pedro saiu de Portugal à procura de umas índias. Mas o vento soprou pru lado errado, ou faltou vento, sei lá, o fato é que ele se perdeu. Perdeu mas achou, ou descobriu, ou invadiu uma ilha grande, tão grande que virou um país onde se plantando tudo dava.

E deu pau-brasil, ouro, cana de açúcar, café e confusão, com um outro Pedro, que se dizia o primeiro, mesmo tendo havido aquele Pedro, o Cabral, antes dele.

Mas o Pedro primeiro, que era filho de um tal João, que era o sexto, apesar da gente não ter notícias dos outros cinco, resolveu ser imperador no grito. E foi. E o filho dele, menino ainda, foi o segundo.

Pedro e imperador. A filha do segundo Pedro, ou terceiro, se contar o Cabral, uma tal Isabel, assinou uma lei libertando os negros que eram escravos. A lei Áurea acabou sendo a certidão de óbito da monarquia imperial.

Pedro, o segundo, juntou a família e se mandou pra Europa, deixando aqui, instalada, uma tal de República, que já começou fardada. Entrava e saía marechal. De vez em quando vinha um civil, entre eles um presidente, que, antes, havia sido ditador, até foi pra guerra, foi não, mandou brasileiros pra guerra, lá nas Europas. Acabou a guerra e o governo dele também, tanto que voltou corrido pra sua fazenda, lá no Rio Grande.

Retornou, depois, nos braços do povo, eleito no voto, direitinho. Só que um negão amigo dele arrumou encrenca na rua, e o presidente deu um tiro no peito, peito dele, não do negão.

Foi uma confusão. Mas assumiu o vice e a coisa parecia que ia tomar rumo. Até veio um presidente que ria pra todo mundo, gostava de fazer serenata, dançar e resolveu construir uma cidade no meio do nada.

Construiu, mudou a capital para lá, com dança e tudo. O problema é que a cidade tinha muita poeira e ficava muito longe do Brasil.

Depois dele veio outro, que falava esquisito e tinha mania de vassoura, não sei se por causa da poeira ou da sujeira da nova capital, e que de repente renunciou, ninguém entendeu bem por quê. Então deu outra confusão danada, mas acabou assumindo o vice, de novo, que começou a ter umas ideias e foi derrubado pelos militares, que botaram um general na presidência, aliás, um não, vários, um atrás do outro.

Teve um marechal baixinho, que não tinha pescoço nem paciência, depois aquele outro que teve um treco e, no lugar dele, assumiu uma junta militar. Era farda demais.

Aí vieram mais três generais, que pareciam não gostar muito de ser presidentes; um bravo, que escutava futebol num radinho; um alemão, que não ria de jeito nenhum; e um João, que não era o sétimo, e gostava mesmo era de cheiro de cavalos.

Quando ninguém aguentava mais nem cheiro de generais eles deixaram entrar um civil, aquele, que tinha sido ministro do que deu um tiro no peito. Mas ele também teve um treco, logo antes da posse, e acabou morrendo no dia do Tiradentes, que não foi presidente e fez uma conspiração contra o imposto de renda que no tempo dele cobrava 20%. Bons tempos...

Mas isso é uma outra história que um dia te conto...
Então entrou esse outro, que seria vice, tinha um bigode de morsa, achava que era poeta e até ganhou um fardão. Ô sina.

Esse vice, mais um que virou titular, fez uma lei proibindo os preços de subir, correu atrás de boi no pasto, deu calote dentro e fora do país, distribuiu televisão e rádio prus amigos, ganhou mais um ano pra ser presidente, disparou a inflação e deu com os burros n'água.

Ninguém aguentava mais. Foi quando voltou a eleição direta que o pessoal de farda não gostava e não deixava, e apareceu um monte de candidatos, entre eles um sujeito barbudo, peão, de língua presa, que deu um susto em todo mundo e quase ganhou.

Perdeu no segundo turno para um almofadinha que tinha aquilo roxo, olhos esbugalhados (talvez os olhos estivessem esbugalhados porque aquilo tava roxo) e chamava todo mundo de minha gente. Ele gostava de correr, andar de moto e fazer discurso pra gente dele. Deu um tiro na inflação que o poeta tinha deixado, errou feio, tomou o dinheiro da poupança do povo, distribuiu entre outra gente, essa dele, de verdade, construiu uma cascata em casa e, por causa de uma briga com o irmão, quase foi pra cadeia junto com o tesoureiro, que depois morreu, parece que em briga de mulher. Parece...

O almofadinha saiu com o rabo entre as pernas, pela porta dos fundos do palácio, escapou da cadeia, foi prus Estados Unidos e aí, adivinhem? Entrou de novo um vice, que gostava de pão de queijo e desfile de carnaval.

Todo mundo dizia pra ele sair, mas, mineiro teimoso e topetudo, resolveu ficar. Relançou o fusca e inventou um novo dinheiro, bolado por um ministro, que deu certo, o dinheiro e o ministro, ora vejam só...
E o ministro virou presidente, e gostou tanto que repetiu a dose.

Depois dele veio um sujeito que era a cara do Brasil, sabe, aquele peão de língua presa, que quase ganhou do almofadinha, pois é, chegou lá.
Diziam que ele ia mandar invadir o apartamento da gente, que ia fazer confusão, que era um sapo barbudo, faltava um dedo e falava tudo errado.

Pois não é que o cara até que fez muita coisa certa? Comprou um avião, viajou pra todo lado, deu palpite na cozinha de todo mundo e até ensinou gringo a transformar tsunami em marola.

E o povão elegeu o cara de novo. Ao sair sair deixou a vaga para uma coroa, ou melhor, uma mulher, coisa que nunca antes se viu na história desse país.
Ela ganhou e foi a primeira presidente (ou presidenta?) que foi derrubada por um golpe. E começou uma nova história.
Pois é, Rui, foi mais ou menos assim... Agora virou num Deus nos acuda e manda um doido que chamado de mito e tem na cabeça o que o Rui Barbosa tinha nas tripa.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

O NÓ DO AFETO

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A história que vou lhes contar me foi narrada por uma amiga professora que trabalha numa escola pública, na periferia da cidade.

Conversávamos sobre as surpresas que a Educação prega através do convívio com os alunos, essas joias fantásticas que se escondem na sala de aula, pedras ainda brutas, esperando quem as possa lapidar e fazer brilhar. Então ela me contou o que aconteceu numa reunião de pais.

A diretora ressaltava a importância da presença dos pais na vida dos filhos. Educadora experiente e sensível, ela dizia entender que, embora a maioria dos pais e mães daquela comunidade trabalhasse fora, deveriam achar um tempinho para se dedicar mais às crianças. O desenvolvimento delas, em todos os sentidos, dependia muito da presença afetiva dos pais que, se não podia ser em quantidade, devia ser em qualidade.

E perguntou: que tipo de contato efetivo e afetivo vocês tem com seus filhos ao longo da semana? Quanto tempo dedicam, de verdade, a estar com eles, conversar com eles, ouvi-los, conhecê-los?

Um homem, então, levantou a mão e pediu licença para falar. A pele marcada por rugas precoces, as mãos grossas e cheias de calos já falavam da rudeza do seu trabalho, da dureza da sua vida.

Com um jeito simples e humilde, o homem disse que era pedreiro e realmente não tinha muito tempo nem de falar com o filho, nem de vê-lo durante a semana. Quando saía para trabalhar, era muito cedo e o menino ainda estava dormindo. Quando voltava do serviço, já era muito tarde e o garoto não estava mais acordado.

Explicou, então, que havia combinado com o filho um modo dele saber que todas as noites, quando chegava do trabalho, ele ia à sua cama, o beijava e abençoava enquanto dormia. Para que soubesse da sua presença, dava um nó na ponta do lençol que o cobria. Isso acontecia religiosamente, todas as noites. Quando o menino acordava e via o nó, sabia que o pai tinha estado ali e o havia beijado e abençoado. De segunda a sexta feira aquele nó era o meio de comunicação entre eles. Nos finais de semana matavam as saudades através de coisas também simples, como um café da manhã compartilhado à mesa, um passeio no parque, um jogo de futebol.

O homem terminou de falar e sentou-se, em meio a um silêncio emocionado.

A diretora emocionou-se mais ainda quando minha colega lhe disse que aquele garoto era seu aluno e, mais, era um dos melhores alunos da escola, além de um dos mais alegres.

Na sua casa, provavelmente bem simples, onde faltavam certamente tantas coisas, o essencial estava sempre presente, em especial na figura daquele pai, aparentemente ausente.

No rolo compressor da sociedade de consumo, com sucessivas datas comemorativas nas quais somos induzidos a dar e receber presentes, fico pensando sobre as muitas maneiras das pessoas se fazerem presentes, de se comunicarem umas com as outras. Aquele pai encontrou a sua, simples como ele, mas eficiente. E o mais importante, o filho recebia, através daquele nó, todo o afeto que o pai podia lhe oferecer naquele momento e circunstância.

Por vezes, nos importamos tanto com a forma de dizer as coisas e esquecemos o principal, que é a comunicação através dos sentimentos; simples gestos como um beijo e um nó na ponta do lençol, valiam, para aquele filho, muito mais do que presentes ou desculpas vazias.

É válido que nos preocupemos em estar com as pessoas, em especial em momentos festivos, como Natal, Dia das Mães, dos Pais, das crianças, mas o mais importante é que elas saibam, que elas sintam que fazemos isso por amor, mesmo quando não podemos estar tão presentes ou dar os presentes que gostaríamos.

Segundo os teóricos, para que haja comunicação é preciso uma mensagem, um transmissor e um receptor. Mas para haver um "contato" amoroso tanto faz ser o telefone, um computador, ou coisas bem simples como uma palavra, um bilhete, um recado, ou um nó na ponta de um lençol... o que importa é que as pessoas "ouçam" a linguagem do coração, pois, em matéria de afeto, os sentimentos são mais poderosos e eficientes que qualquer teoria ou tecnologia.

Na linguagem do afeto, do coração, transmissor e receptor estão sempre em contato.

E para sempre...

Tudo isso me faz lembrar uma cena da minha infância que, provavelmente, está na lembrança da infância de muita gente. Eu era menino, moleque de rua, numa época em que ser moleque e brincar na rua eram as coisas mais saudáveis do mundo. Invariavelmente chegava em casa com um joelho esfolado, um cotovelo ralado, um galo na cabeça. Choramingando, ia até minha mãe e me aninhava no seu colo. Ela passava a mão em meus cabelos, me apertava em seu abraço e perguntava: dói aqui? E em seguida beijava o lugar dolorido.

Nunca houve remédio mais eficaz para curar minhas dores de menino.

Um beijo, um abraço, revestidos do mais puro afeto, curam dor de cabeça, arranhão no joelho, medo de escuro, medo do futuro...

As pessoas podem não entender o significado de muitas palavras, mas sabem registrar um gesto de amor. Mesmo que esse gesto seja apenas um beijo, um abraço ou um nó... um nó cheio de afeto e carinho.

Um nó de amor...

Deus, ao nos enviar seu filho, que se identifica e se faz presente em todo e qualquer ser humano, a começar dos mais simples, dos mais pobres, dos mais excluídos, deu um nó na ponta do lençol da nossa História.

Quando "acordamos" e vemos, no olhar do outro, o nó amoroso de Deus, nos sabemos "laçados", amados, cuidados, abençoados.

E para sempre...

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

AFAGAR A TERRA.

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Ouço no rádio, na voz de Milton Nascimento, Pena Branca e Xavantinho, uma das mais belas canções da MPB, "Cio da terra", de Chico Buarque e do próprio Milton.

Não sei quantas versões já foram gravadas, mas, de todas, esta é, para mim, a que melhor traduz o diálogo entre a beleza poética da letra e a sensibilidade rústica e suave da melodia.

A composição é tão intensa que ultrapassou os limites da canção popular e chegou à liturgia. É comum vê-la cantada no ofertório de muitas eucaristias nas quais várias de suas frases musicais me chamam a atenção de maneira especial, tornando-se convite à oração.

"Afagar a terra, conhecer os desejos da terra..."Penso na Terra, planeta, e na terra, que se faz, cotidianamente, caminho para os meus pés (ou rodas).

Cidadão absolutamente urbano, pouco sei dos desejos da terra-chão, já que pouca terra sobrou nesta selva de cimento e asfalto em que se transformaram as metrópoles do século XXI. Ruas impermeáveis, rios convertidos em fétidos esgotos, tudo serve de calha para enchentes, desmoronamentos e outras catástrofes já incorporadas ao calendário das nossas metrópoles.

As dores do planeta também não me passam despercebidas. As loucuras do tempo levam aos extremos de, ao mesmo tempo, no mesmo país, continente e hemisfério, ver gente morrendo de sede e gente morrendo afogada. Mas, mesmo em meio à estranha contradição dessa aridez inundada, meu coração insiste em buscar e semear ternuras, ainda que através de palavras.

Gosto, por exemplo, da palavra "afagar".
Afagar me lembra gesto de carinho em rosto de criança. É convite a toque suave, terno, sem pressa. A colheita vem no sorriso infantil, fruto abundante, com sabor de pura gratuidade. Nele, fecha-se o ciclo amoroso do cio da terra, propícia estação de fecundar o chão da vida com nossos melhores sonhos.

Jesus talvez estivesse ouvindo Chico e Milton quando contou aos seus discípulos a seguinte parábola, em Lucas 13,1-9...

Certo homem tinha uma figueira em meio à sua plantação de uvas.
Quando foi procurar figos, não encontrou nenhum. Disse, então, ao empregado que tomava conta da plantação: "Olhe, já faz três anos seguidos que venho buscar figos nesta figueira e não encontro nenhum. Corte esta figueira! Por que deixá-la continuar tirando a força da terra sem produzir nada?"

Mas o empregado respondeu:"Patrão, deixe a figueira ficar mais este ano. Eu vou afofar a terra em volta dela e pôr bastante adubo. Se no ano que vem ela der figos, muito bem. Se não der, então mande cortá-la".

Recolhendo "cada bago do trigo..."

Em contraponto com a atitude objetiva, prática, utilitarista, do patrão, Jesus revela o olhar amoroso e misericordioso do empregado. Em outra ocasião, quando Pedro lhe pergunta se devemos perdoar, "até sete vezes", Ele responde: "Não, Pedro, setenta vezes sete...".

O Deus em que creio, revelado por Jesus é paciente, amoroso, cuidadoso. Nada tem de vingativo ou irado. É também um Deus que, diante da liberdade humana, se mostra surpreendentemente impotente. Respeita nossas escolhas até o limite do absurdo. Respeita até nosso direito de não crer nele.
E aí, entramos definitivamente no território do mistério. Um Deus onipotente, onipresente, onisciente, ou seja, que pode tudo, sabe tudo e está em toda parte, se mostra frágil e limitado diante da nossa liberdade.
Às nossas dúvidas, à nossa teimosia rebelde, à nossa aridez estéril, Ele responde sorridente e paciente: "Eu vou afofar mais esta terra e pôr bastante adubo a sua volta".

Hoje, olhando/rezando o chão da minha vida, me pergunto:

- Que pedaço de terra precisa ser "afofado" (afagado) em meu coração?

- O que precisa ser adubado em minha vida?
- Que frutos o Senhor espera colher em mim?

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

DIA SEM SOL

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Tempo nublado; silêncio na madrugada... A idade me ensina que a tristeza vista no imediatismo do meu coração é falsa...


Acostumamos a idolatrar os dias ensolarados... e, de fato, são belos e bela é a vida na possibilidade de agir, andar, encontrar amigos e companheiros; contudo, a quietude dos dias nublados revela-nos os limites do nosso modo estar no mundo...

Vivemos acelerados, falamos e agimos preenchendo a vida para que esta não tenha nenhum vazio...

Compramos, vendemos... Nos mostramos, olhamos a estamparia do mundo... O tempo é tempo ocupado...

Assim, nos dias nublados tendemos a ficar melancólicos... Qual será o nosso medo?
Penso que temos medo de nos encontrarmos... De ver desnudados sonhos reprimidos, fragilidades camufladas...

Ninguém cresce longe do próprio coração...
Urge ousadia e coragem para viver o tempo livre, desbravando nosso próprio mundo desabitado...

Pensar, cochilar... ler um poema, ouvir uma canção... O ócio é criativo. Ele pode não ser utilitário para a lógica do mercado e do espetáculo... mas o é para que cuidemos de nós...

Robóticos, não brincamos...
Utilitaristas, não sonhamos...

Só conhecemos o que pode a força bruta... pouco sabemos do que pode o corpo no bailado das nuvens, vivenciando as potências da ternura e da suavidade...

Antes escrevíamos longas cartas; hoje, trocamos pequenas mensagens previamente codificadas no reducionismo de calar a força das palavras e de, ruidosamente, evitar as lições do silêncio...

Não fujamos da dança das nuvens...
Tempo livre... é tempo de mar e brincar, dar-se a preguiça e dar-se aos voos da vida sonhada...

Todos, nos dias atuais, sabem os dados que nos identificam socialmente... poucos, e muitas vezes nós próprios, desconhecemos o que somos nas batidas melodiosas do nosso coração... Nele, mora nossa história... e nosso eu adiado.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

PREDADORES


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Eis, uma poesia à respeito dos PREDADORES:

A abelha pousa na flor
Sem o pólen massacrar,
O homem massacra o amor,
Sem nem ao menos pousar!

O passarinho faz o ninho
Sem a natureza incomodar,
O homem, sendo mesquinho,
Faz sua imposição imperar!

A formiga faz seu lar
Em união e equidade,
O homem a... Rapinar:
Direito e igualdade!

Até o animal predador
Satisfaz-se com a fartura,
O homem, em seu rancor,
Só para na... Sepultura!

O equilíbrio da vida
Tem por base o amor,
Sem disputa renhida
E sem almejar penhor.

Nem Jesus envelheceu
Neste mundo nefando,
Veio amar e... Morreu,
Como se estivesse pecando!

Pregou o eterno paraíso
Longe dos elos terrenos,
Profetizou o dia do juízo
Com julgamentos serenos.

Homens insensatos!
Copiem dos animais,
Não sejam ingratos
Acatem os seus iguais!

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

O MAIOR PREDADOR DO SER HUMANO


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A Morte sempre foi o... Fim da Vida! O seu remate seria: Terminarmos os nossos dias pela senilidade decrépita e/ou, por algum mal físico a nos corroer a existência, sem recuperação ou medicamentos eficazes para a nossa cura plena, que nos levaria pelos anos à fora até a nossa decrepitude pela velhice!

O ser humano, no seu labutar pela vida e, a sua compensação sequente, trava uma luta ferrenha para sobreviver com saúde e harmonia de comportamentos viáveis, nesse Vale de Lagrimas, que não pode dominar e, percorrer, sempre ileso.

O maior predador do ser humano é... Ele próprio! Sempre numa azáfama em adquirir bens materiais e, quase sempre, relegando os bens morais ilibados.

Hoje! Tranquilamente podemos dizer, sem medo de errar, que os maiores inimigos do Homem não é a doença, por mais grave que Ela seja, nem a velhice que o torna trôpego e com falha mental de raciocínio lógico! O seu maior inimigo é o próprio Homem!

Os noticiários em geral, diuturnamente, nos dão notícias de mortandade com morticínios, em todos os lugares da Terra, muitos, por assassinatos e, outros, por acidentes fatais.

Os homicídios poderiam diminuir, consideravelmente, se, antes Dele ocorrer, os que soubessem da trama ou, intenção de sua prática, avisasse a vítima em potencial ou, à Polícia! Os legisladores deveriam elaborar leis mais rígidas e, sem apadrinhamentos para ninguém!

Os acidentes, em geral, são frutos da incompetência de previsão do perigo e, do desleixo das vítimas, ou dos responsáveis, em não prever o perigo iminente, para, Dele, fugir, em defesa própria e, até, de outros!

O pior disso tudo são os assassinatos continuados, quase sem nenhuma razão, ceifando várias vítimas por dinheiro ou, sem nenhum motivo válido para tais execuções sumárias, onde, o Mortífero executor pratica o obituário sem dar nenhuma defesa à sua vítima, às vezes, nem a... verbal!

Se acabarmos com o Bem e o Mal, em sua totalidade, certamente, nos transformaremos num vácuo ou, no... Nada! Um não existirá sem o outro! Todavia, temos que encontrar um meio Deles conviverem, lado a lado, porém, com o Bem suplantando o Mal e, o trazendo no recôndito, sem deixá-lo recrudescer, nos agravando com os seus malefícios!

Para conter o Mal, é preciso não nos mancomunar com Ele, o colocando à parte dos nossos procedimentos legais, não o copiando e, muito menos, atender às suas ofertas indignas que, atendidas, acabarão por nos destruir física e, moralmente!
Não podendo vencer, totalmente, o Mal, devemos nos desunir Dele, o projetando nos rodas-pé do nosso itinerário pelos caminhos da vida, simplesmente, não fazendo... Parte!
Agora, ao elaborar este texto, sei a razão dos nossos antepassados ou, ancestrais, terem vivido até quase 900 anos, sem médicos e, medicamentos elaborados quimicamente, Eles, só morriam, quando velhos, com doenças incuráveis ou, nas Guerras, delas participando! Os homicídios tinham uma razão no entrevero mortal transcorrido! Com cada um, cuidando, tão somente, do Labor e da sua família, sem locupletarem com os bens materiais alheios.


Se for, para eu ter que morrer assassinado injustamente, prefiro ser corroído pelo Câncer! Que é menos maligno do que os algozes assassinos mortíferos!



segunda-feira, 5 de agosto de 2019

SINCRONICIDADE

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Partindo do conceito de COOPERATIVA que é um grupo de coisas ou de atividades semelhantes que se desenvolvem conjuntamente, e deste conceito podemos depreender a ideia de junção, agregação, integração, unidade...

Assim como na Cooperativa, também o ser humano sempre buscou unir-se à alguém ou à alguma coisa. É inerente (instinto gregário) ao homem esta busca de união, é uma aspiração no sentido de procurar agrupar-se, primeiramente, com uma pessoa do outro sexo, depois constituir família, amigos, clubes, associações, entidades religiosas, cooperativas, clusters, etc, etc....

O Universo é composto por energias que se atraem entre si por força de uma Lei Cósmica, Superior, ou seja, toda e qualquer manifestação neste Universo possui um princípio inteligente que conduz inexoravelmente à união, ou mais precisamente, à Unidade, à emanação Original.

Por outro lado, devemos considerar o fato do ser humano buscar, através das mais variadas uniões, a sua evolução rumo ao verdadeiro significado da sua vida terrena. Esta auto realização somente pode ser alcançada na medida em que o homem se unir de modo profundo e verídico a todos os demais seres humanos, indistintamente, não importando credo, raça ou posição social. Isto significa afirmar que o homem está programado originalmente para se unir, primeiro entre si em todos os níveis e, depois, com a Energia Original que o criou à Sua imagem e semelhança.

Por isso, não tem muito sentido que o homem busque excluir outros homens de seu círculo de amizades, ou dos benefícios gerais dos frutos do seu trabalho, ou ainda, tirar proveito próprio em detrimento de outrem, porque, enquanto todos os homens não buscarem a igualdade e, principalmente, amar ao próximo como a si mesmo, não encontrarão o caminho que os conduzirão de retorno à sua verdadeira Casa, onde encontrarão a felicidade e a Paz.

Estas organizações estão se tornando cada vez maiores e com participantes das mais variadas origens raciais, dos mais variados níveis sócio-econômicos, das mais variadas tendências político-religiosas, enfim, estão se agrupando na ONU, na CEE, na Alca, no Mercosul, na Internet, em Cooperativas, etc. Elas procuram soluções que beneficiem uma parcela cada vez maior da humanidade, transformando o instinto gregário em Amor, que, em última instância, é nossa maior aquisição nesta ronda evolutiva.

Muitas destas instituições estão sendo criadas para estabelecer corretas relações humanas, que são baseadas na verdade e na sinceridade de todos os seus integrantes e com a orientação clara de arrimar suas decisões em dimensões energéticas transcendentes.

Temos que ter plena convicção que uma Cooperativa, para atingir seus objetivos maiores, deverá ser socialmente correta, ou seja, orientar suas ações no sentido de beneficiar todos os seus integrantes, quer sejam sócios, diretores, funcionários ou a sociedade como um todo. Nesta organização deverão ser gerados produtos e serviços que sejam efetivamente necessários ao ser humano, a preços justos e devidos, com a qualidade acima de todos os padrões e parte substancial dos resultados terão que retornar à sociedade em forma de benefícios diretos.

O Sol que nos sustenta a todos de forma imparcial, disponibilizando seus raios mesmo àqueles que não o procuram deliberadamente.

Atualmente, o homem está buscando cada vez mais se organizar em grupos de todas as ordens, finalidades e objetivos, justamente objetivo.

Assim sendo, podemos entender que a formação de uma Cooperativa vem de encontro com as forças cósmicas, das Leis Naturais e Imutáveis que holisticamente dirigem todo o propósito desta manifestação Universal, porque objetivam a união, integração e o bem maior dos seus integrantes.

Uma Cooperativa, socialmente correta e cosmo eticamente orientada, para alcançar o sucesso pleno deverá estar em conformidade com a Ordem Maior do Cosmo.