sexta-feira, 13 de julho de 2012

TEMPO ESGOTADO


Entre a inconsciência e o sonho tive a visão de um palácio maravilhoso, feito de cristais. Uma placa informava: Livro da Vida. O anjo que cuidava do palácio informou-me que lá estavam os registros da vida, digitalizados, de todos os habitantes da Terra. Na primeira página estava o passado de cada um, imutável, definitivo. No verso o futuro de cada um. Quem tivesse acesso ao palácio poderia modificar o futuro, excluindo todo o negativo e substituí-lo por coisas positivas. Ou até fazer o contrário. Depois de muito implorar, o anjo permitiu que eu entrasse no palácio por cinco minutos. Quase não acreditei na maravilhosa chance. Eu seria uma pessoa feliz, inteiramente feliz.
A porta se abriu e logo vi o Livro da Vida do meu pior inimigo. Não resisti. O passado correspondia ao que sabia dele, mas seu futuro não era tão ruim. Existiam coisas boas. Rapidamente, apaguei as coisas boas e tornei ainda piores as coisas más. Encontrei também o livro da vida do meu primeiro professor. Ele parecia ter gosto em me humilhar e me dava notas bem inferiores às merecidas. Mais uma vez, substitui coisas boas por algumas menos boas. Bem ao lado, o livro da vida de um político de sucesso. O que o futuro reservava para ele? Finalmente, o livro da minha vida. Eu apagaria as dores e fracassos e colocaria tudo o que me fizesse feliz. Nisto o anjo tocou no meu ombro e disse: Tempo esgotado! Os cinco minutos haviam passado. Não haveria prorrogação. Coloquei as mãos no
rosto e chorei. E saí da sala.
Na vida, cada um de nós tem a possibilidade de escolher ser feliz. Porém gastamos muito tempo controlando a vida dos outros. Colocamos nelas o tempero da maldade, e até mesmo um pouco de inveja, na perspectiva que sua felicidade diminuiria a nossa. Também criamos versões nada caridosas do bem que elas fazem. E cuidando dos demais, esquecemos nossa vida e nossas falhas.
A comparação entre nossa vida e um livro procede. As primeiras páginas não são nossas. Não escolhemos nossos pais, não escolhemos o tempo de nascer, nem escolhemos a escola. Aos poucos, porém, assumimos a autoria do livro. Cada página representa uma ou algumas escolhas nossas. As pequenas escolhas encaminham escolhas maiores. Fazemos nossas escolhas e elas fazem nossa vida.
Nós somos o resultado de nossas escolhas. Não das escolhas feitas no passado, mas das escolhas que fazemos hoje. A vida tem uma lógica: as causas geram consequências. No entanto, temos a incrível possibilidade de quebrar esta sequência. Cada um de nós pode dizer: de hoje em diante será diferente. E assim começamos a reescrever o livro de nosso futuro. Podemos e devemos substituir a maldade, a mágoa, a inveja, o egoísmo, por outros valores: o serviço, a partilha, a bondade, a prece. Podemos modificar a distribuição de nosso tempo e nossas prioridades.
Se uma coisa é importante, deve ser feita hoje, agora. Agora são os cinco minutos em que podemos modificar nosso futuro, povoando-o de felicidade.  Deus dá a todos o perdão e a possibilidade de recomeçar, mas não garante a ninguém o dia de amanhã. A qualquer momento poderemos escutar a frase: tempo esgotado!

terça-feira, 3 de julho de 2012

ANDAR NA CONTRAMÃO É MUITO PERIGOSO


A comunicação global e instantânea permite que muitos alcancem seus 15 minutos de celebridade. Correu o mundo a notícia que o agricultor gaúcho, Leo Deimling, 55 anos, percorreu a movimentada BR 116 na contramão por 15 quilômetros. Após alguns acidentes, foi detido pela polícia. Alcoolizado ou distraído – talvez as duas coisas – o motorista teve dificuldade em compreender o que fizera. Esclareceu que era a primeira vez que andava nesta estrada. A existência de cerveja e cachaça serve como agravante.
Andar na contramão sempre foi perigoso. Hoje muitos têm dificuldades em perceber qual é a via preferencial, qual é a contramão. No trânsito, as instâncias competentes estabelecem leis que todos estão convidados a observar, evitando assim acidentes. Na vida, a situação é mais complexa. Muitos decidem, por conta própria, as leis da caminhada. E, na vida, só se anda pelo mesmo caminho uma única vez. Na legislação civil não vale a desculpa: não sabia. No campo da vida esta desculpa pode ser um atenuante, mas não invalida os acidentes do percurso.
Deus quer que seus filhos e filhas sejam felizes. Diante da dificuldade e da miopia humanas, Ele colocou os  Mandamentos, que são sinais de trânsito no complicado caminho da vida. Os Mandamentos não são imposições de Deus, mas indicam a maneira de ser feliz. Eles não são contra a pessoa, mas a favor dela. Indicam as vias preferenciais e seguras.
Por ignorância, teimosia ou desconhecimento, muitos pretendem estabelecer suas próprias leis e imaginam saber como encontrar a felicidade. O Evangelho fala de dois caminhos, um é espaçoso, o outro é estreito. O primeiro leva à perdição, o segundo conduz à Vida.
O caminho largo e espaçoso é o caminho do comodismo e da autossuficiência. Por vezes, é o caminho considerado politicamente correto. E se arranjam justificativas para isso alegando: “isto ninguém mais faz” ou “todo mundo faz”. A assustadora sequência dos acidentes na vida individual, familiar e social parece não preocupar aos transeuntes do caminho fácil. O caminho é bom quando nos conduz ao destino desejado. De nada adianta ser largo e pavimentado se nos leva a um lugar onde não quereríamos ir.
Um dia, no Dia da Verdade, ficará claro qual a via preferencial e qual a contramão. Muitos que pareciam andar na contramão, na verdade andavam na via preferencial. E os alegres viajantes da vida fácil e dos desvios dar-se-ão conta que andavam na contramão. Deixar a contramão e passar para a via preferencial é sinal de inteligência.

NÃO ESQUEÇA: O VOTO VAI PRIMEIRO PARA O PARTIDO E DEPOIS PARA O CANDIDATO

Candidato, vocábulo que deriva de cândido, puro, íntegro. Quem dera a maioria correspondesse a essa etimologia... A ingenuidade de muitos candidatos a vereador se desfaz quando, convidado a concorrer às eleições, acredita que, se eleito, não será “como os outros” (quantos não disseram isso no passado e hoje...) e prestará excelente serviço ao município.
O que poucos candidatos desconfiam é que servem de escada para a vitória eleitoral de políticos que eles criticam. Para se eleger vereador, deputado estadual ou federal, é preciso obter quociente eleitoral - aqui reside o pulo do gato.
A Câmara Municipal comporta de 9 a 55 vereadores, de acordo com a população do município. Cândidos eleitores imaginam que são empossados os candidatos que recebem mais votos. Ledo engano. João pode ser eleito ainda que receba menos votos do que Maria. Basta o partido do João atingir o quociente eleitoral.
Vamos supor que o município tenha 6.000 eleitores. Destes, 1.500 deixaram de votar, votaram em branco ou anularam o voto. São considerados válidos, portanto, 4.500 votos. Como a Câmara Municipal tem 9 vagas, divide-se o número de votos válidos pelo número de vagas. O resultado dá o quociente eleitoral: 500 votos. Todo candidato que obtiver nas urnas 500 votos ou mais, será eleito vereador.
É muito difícil um único candidato obter, sozinho, votos suficientes para preencher o quociente eleitoral. Casos como o do Tiririca são raros. A Justiça Eleitoral soma os votos de todos os candidatos do mesmo partido, mais os votos dados apenas ao partido, sem indicação de candidato.
A cada 500 votos que o partido recebeu, o candidato mais votado vira vereador. Se o partido obteve 1.500 votos, ele terá, na Câmara Municipal, três vereadores. Os demais candidatos, que individualmente receberam menos votos do que os três empossados, ficam como suplentes. E o partido que obtiver menos de 500 votos, neste exemplo, não faz nenhum vereador.
A lei permite que um partido apresente um número de candidatos até uma vez e meia o número de vagas na Câmara. Se o partido se coliga com outros partidos, a coligação pode apresentar candidatos em número duas vezes superior à quantidade de vereadores que o município comporta. Para uma Câmara que comporta 9 vereadores, cada partido pode ter 14 candidatos, e cada coligação, 18. Esta a razão pela qual os partidos lançam muitos candidatos. Quanto mais votos os candidatos obtêm, mais chance tem o partido, ou a coligação, de atingir o quociente eleitoral. E, portanto,
de eleger os candidatos com maior votação individual. 
Ora, se você pensa em ser candidato, fique de olho. Pode ser que esteja servindo de degrau para a ascensão de candidatos cuja prática política você condena, como a falta de ética. Enquanto não houver reforma política, o sistema eleitoral funciona assim: muitos novos candidatos reelegem os mesmos políticos de sempre!
Se você é, como eu, apenas eleitor, saiba que escolher o partido é mais importante que escolher o candidato. Votar de olho somente no candidato pode resultar, caso ele não seja eleito, na eleição de outro candidato do partido. Como alerta o sociólogo Pedro Ribeiro de Oliveira, “mais frequente, porém, é a derrota e a frustração de pessoas bem-intencionadas, mas desinformadas. Ao se apresentarem como candidatas, elas mobilizam familiares, amigos e vizinhos para a campanha. Terminadas as eleições, percebem que sua votação só serviu para engordar o quociente eleitoral do partido ou da coligação... Descobrem, tarde demais, que eram apenas ‘candidatos alavancas’”.
Convém ter presente que o nosso voto vai, primeiro, para o partido e, depois, para o candidato. São raríssimos casos como o da manicure Sirlei Brisida, eleita vereadora em Medianeira (PR) com apenas 1 voto. Seu partido, o PPS, concorreu nas eleições de 2008 com nove candidatos. Pelo quociente eleitoral, apenas Edir Moreira tomou posse. E se mudou para o PSDB, acompanhado pelos outros sete suplentes. Sirlei, que adoeceu durante a campanha eleitoral, e não pediu votos nem à família, permaneceu filiada ao PPS. Agora, a Justiça Eleitoral decidiu que o mandato pertence ao partido, no caso, ao PPS.
Edir foi cassado e Sirlei, empossada.

A MARAVILHOSA ALEGRIA DE FRANCISCO

Começamos lembrando o que São Francisco disse de si mesmo: “O Senhor me disse que queria fazer de mim um novo louco no mundo e Ele não quer dar-me outra sabedoria, a não ser essa” . Francisco sabia que a pessoa não é só razão, ou trabalho, ou adoração, ou palavra, ou somente corpo. A pessoa é também festa, celebração, espontaneidade, humor, fantasia, criatividade etc...
Ao natural, Francisco era alegre e de um temperamento jovial e festivo. A conversão não anulou essa tendência, mas a potencializou a ponto de transbordar no cântico das criaturas, composto no momento mais crítico de sua vida, quando nada o favorecia. Francisco sabia que a alegria é um dom de Deus. Merece ser respeitado, acolhido e comunicado. Isso o fazia uma pessoa de fina cortesia e fineza de espírito. O primeiro biógrafo diz que ele “acolheu a morte cantando”.
A literatura do Romantismo atribui a Francisco o título de trovador, jogral, cavalheiro e artista . Esse novo modo de aparecer no cenário da história poderia ter enterrado Francisco no esquecimento, se apenas fosse visto na ótica da eficiência e da produtividade. Um olhar utilitarista e capitalista jamais se interessaria por um tipo de louco assim.
Com suas loucuras e extravagâncias, Francisco se inseria no ambiente sócio-cultural mais popular, porém, sem se identificar com o mesmo. Assume a ironia, o cômico, o festivo e a jovialidade, como caminho de aproximação para alcançar os seus objetivos humanos e evangélicos. Toda essa estrutura cavalheiresca revelava a sua maneira singular de relação com Deus, com a Igreja, com as pessoas, com a pobreza, com a vida e com a morte.
Na alegria de Francisco há uma forma de profecia. De um lado ele anuncia um jeito livre e feliz de viver, mas também denuncia a escravidão da ganância, do poder e do nervosismo desgastante do insaciável desejo de acúmulo. Todos percebiam que ele era muito mais alegre e feliz do que seu pai, dominador e ganancioso. Ele “gostava de alegrar-se e cantar, andando a toa em Assis, dia e noite, com um grupo de amigos”.
O temperamento festivo de Francisco não se manifestava somente quando a vida lhe sorria e a boa sorte o acompanhava, mas também nos momentos de infortúnio, solidão e desespero. Assim o confirmou na prisão durante a guerra entre Perúgia e Assis onde “zombava e ria das correntes”.
Quando se sente envolvido com a presença total de Deus, sabe que Ele o convida a uma nova viagem em sua existência. Francisco vê-se tomado de um incontida alegria, expressa em saltos, cantos e gestos. Deus não era símbolo da lei, mas uma festa e uma celebração constante de vida e amor.
Quem assistiu o filme “Irmão Sol, Irmã Lua”, lembra Francisco inaugurando a igrejinha de São Damião e a festa da criação que celebrava o Deus próximo do povo, e a proximidade do povo com seu Deus.

JÁ OUVIU FALAR EM LIBERDADE?


Ele era um homem feito. Tinha 41 anos. Nunca se casara, mas tinha tido quase todas as meninas que queria, porque era bonito, tinha dinheiro, carro e motos possantes. Só não teve as que sabiam o que queriam da vida. Era vazio demais para os sonhos delas. Sua vida se passava em torno da sua liberdade naquela moto.
O tempo foi passando. Dos 26 passou para os 30 e 35 até chegar aos 41, sem nenhum projeto de vida, além da sua liberdade, da sua moto e do seu direito de ter quem ele quisesse sem compromisso algum. O casamento atrapalharia. Por isso não se permitiu amar nenhuma das moças que levou na garupa.
Um dia ela apareceu. Bonita, sorridente, maravilhosa, inteligente. Aceitou aquela garupa, mas deixou claro que buscava mais do que uma carona e a liberdade de voar. Namoraram seis meses. Ele achando que poderia fazer a cabeça dela e escapar do compromisso; ela achando que poderia segurá-lo. Ele queria a velocidade da moto; ela, a estabilidade de um lar. Não deu certo. Venceu a moto. Terminaram.
Seis anos depois, ela está muito bem casada, tem dois filhos. Encontrou um homem que a amava e queria um lar com ela. Ele tem 47 anos e continua montado naquela moto, mas as meninas estão escasseando. Pega mal andar com ele. Quando a liberdade se torna um fim em si mesmo perde a sua razão de ser.

A IMPORTÂNCIA DA REFLEXÃO.


Não raro, nos deparamos deitados em nosso leito, ou sentados contemplando o céu, ou ainda andando e sentindo a natureza e... refletindo.
No âmbito escolar é muito comum o exercício da reflexão: seja numa interpretação de texto, seja na análise de uma poesia ou na apreciação de uma peça de arte, seja um quadro ou uma escultura.
No ambiente empresarial a reflexão também é muito exercida: na elaboração de um orçamento, na previsão do semestre ou ano seguinte, na análise de resultados, na confecção de uma planilha de investimentos, etc.
Mas, a reflexão de nada vale se não for conduzida à ação ou à tua evolução.
Agora, agindo com grande sinceridade, quantas coisas que você determinou fazer, quantas maneiras que se propôs a agir, que não ficaram de lado beirando o esquecimento? Muitas, não? Pois é... como quer evoluir se tua reflexão não deixa de ser mera reflexão?
Perceba que a palavra reflexão possui conceitos diferentes diante de diferentes áreas, matérias ou disciplinas, mas todas conduzem ao mesmo ponto: ação. Veja:
Na psicologia: virtude onde o pensamento se volta para si com o objetivo implícito e explícito de examinar seus elementos e combinações.
Na filosofia: atenção aplicada às operações do entendimento, aos fenômenos da consciência e às próprias idéias.
Na administração: Consideração atenta de um assunto. Cálculo, raciocínio. Aplicação do entendimento e da razão.
No dicionário: ato ou efeito de refletir, prudência, juízo,  tino, pensamento sério. Meditação.O que está esperando? Reflita e Ação!

ENTENDENDO OS TERMOS TÉCNICOS DA TEMÁTICA RIO+20



A Rio+20 provocou vasta discussão sobre questões ecológicas. Nem todos entendem os termos técnicos da temática. Publicamos aqui um artigo do mais conhecido ecologista do Estado do Rio, Arthur Soffiati, publicado em 14/05/2012 na Folha da Manhã daquela cidade. Eis a palavras principais: ecodesenvolvimento, desenvolvimento sustentável, economia verde, pegada ecológica, antropoceno.
“Há cerca de 11 mil anos, a temperatura da Terra começou a se elevar naturalmente, produzindo o derretimento progressivo da última grande glaciação. Grande parte da água, passando do estado sólido para o líquido, elevou o nível dos mares, separou terras dos continentes, formou ilhas, incentivou a formação de florestas e de outros ambientes. Os cientistas deram a esta fase nova o nome de Holoceno.
Nesses últimos 11 mil anos, restou dos Hominídeos apenas o “Homo sapiens”, que se tornou soberano em todo o planeta. Com um cérebro bem desenvolvido, ele foi desafiado pelas novas condições climáticas e domesticou plantas e animais, inventando a agropecuária, criou tecnologia para polir a pedra, inventou a roda, a tecelagem e a metalurgia. Logo a seguir, criou cidades, impérios, represas, drenagem e irrigação. Várias civilizações ultrapassaram os limites dos ecossistemas em que se ergueram, gerando crises ambientais que contribuíram para o seu fim.
Entra, então, o conceito de pegada ecológica. Ele se refere ao grau de impacto ecológico por um indivíduo, um empreendimento, uma economia, uma sociedade. A pegada ecológica das civilizações anteriores à civilização ocidental sempre teve um caráter regional, sendo reversíveis ou não. O ocidente foi a civilização que calçou as botas mais pesadas conhecidas até o momento. O peso começou com o capitalismo, que transformou o mundo.
A partir do século XV, a civilização ocidental (leia-se europeia) passou a imprimir marcas profundas com a expansão marítima. Impôs sua cultura a outras áreas do planeta. O mundo foi ocidentalizado e passou também a pisar fundo no ambiente.
Veio, então, outra grande transformação com a revolução industrial, na Inglaterra do século XVIII. Ela se expandiu pelo mundo, dividindo-o em países industrializados e países exportadores de matéria-prima. A partir dela, começa a se criar uma outra realidade planetária, com emissões de gases causadores do aquecimento global, devastação de florestas, uso indevido do solo, urbanização maciça, contaminação da água doce, extração excessiva de recursos naturais não renováveis, quantidades inauditas de lixo...
Os cientistas estão demonstrando que, dentro do Holoceno (holos=inteiro +koinos=novo), a ação humana coletiva no capitalismo e no socialismo provocou uma crise ambiental sem precedentes na história da Terra porque gerada por uma só espécie. Eles estão denominando o período pós-revolução industrial de Antropoceno, ou seja, uma fase geológica construída pela ação coletiva do ser humano (antropos=homem+koinos=novo).
Em função dessa grande crise ou dessa nova época é que a ONU vem promovendo grandes conferências internacionais, como as de Estocolmo (1972), Rio-92 e a Rio+20. O objetivo é resolver os problemas do Antropoceno, seja conciliando desenvolvimento econômico e proteção do ambiente, seja buscando outras formas de desenvolvimento. A Rio-92 adotou a fórmula do desenvolvimento sustentável, que ganhou diversos sentidos, inclusive antagônicos ao original.
A Rio+20 pretende colocar em pé de igualdade as dimensões ambiental, social e econômica. A palavra mágica, agora, é economia verde, cujo conteúdo não apresenta clareza. Supõe-se que, no mínimo, signifique a substituição progressiva de fontes de energia carbono-intensivas por fontes renováveis de energia, bem como a substituição de recursos não renováveis por renováveis.”
A Rio+20 mostrou que os países industrializados não querem abdicar da sua posição; os países emergentes querem alcançar os industrializados; e os pobres querem ser emergentes. Enquanto não houver entendimento acerca dos limites do planeta, inútil pensar em justiça social e desenvolvimento econômico. O ambiente é mais importante que o social e o econômico, já que sem ele não se pode encontrar solução para os outros dois. Por outro lado, o conceito de ecodesenvolvimento parece ser o mais correto enquanto tática e estratégia.

HOMENS & MULHERES

Apesar da especificidade própria de cada sexo, nenhum dos dois constitui uma autonomia fechada; ambos são energias voltadas para a alteridade. “Deus os criou homem e mulher” para serem juntos a sua imagem no mundo. Ambos levam a marca da relação, que se traduz em nossa linguagem com expressões como estas: a) o sexo oposto, indicando os sexos como polaridades contrárias que se atraem; b) a complementaridade, indicando a insuficiência de cada parte e a ajuda mútua que podem se prestar; c) a reciprocidade, indicando que são duas dignidades de igual grandeza e constituídos em condição de se olharem nos olhos, sem se sentir acima nem abaixo um do outro.
C. G. Jung expressa numa imagem esta relação. Todo homem, diz ele, carrega dentro de si uma anima (alma), figura da mulher; e toda mulher carrega dentro de si um animus (masculino de alma), figura do homem. Cada um, cada uma, tem a tarefa de integrar harmonicamente dentro de si a imagem do sexo oposto. “O homem tem dentro de si a ‘mulher’ e a mulher tem dentro de si o ‘homem’. O relacionamento mulher-homem não se estabelece primeiramente de fora para dentro, mas de dentro para fora. O homem se relaciona com a mulher já dentro dele e a partir daí com a mulher concreta que encontra diante de si. É nela que encontra um traço da própria profundidade. Da mesma forma, a mulher”. Os preconceitos, os “grilos” que afloram nas relações entre homens e mulheres podem significar que esta integração não aconteceu a contento. Em todo caso, é importante a cada um, cada uma, sentir-se membro da espécie humana que é constituída radicalmente pelos dois sexos. O antropólogo A. Jeannière diz a mesma coisa num enunciado dinâmico: “O homem se torna homem sob o olhar da mulher; e a mulher se torna mulher sob o olhar do homem”. Portanto, sempre na reciprocidade, não na oposição hostil ou no desconhecimento.

UM BELO EXEMPLO DA AGRICULTURA FAMILIAR DO PARANÁ

Vem do Paraná um bom exemplo. Um grupo de 33 agricultores familiares, voltados principalmente à pecuária leiteira, suinocultura e cultivo de milho, é beneficiado por um projeto desenvolvido por vários parceiros, entre eles Embrapa, Emater, Itaipu Binacional e prefeituras.
Em regime de condomínio, produzem a energia térmica e elétrica a partir do biogás de dejetos da agropecuária. De quebra, promovem o saneamento ambiental, sequestram gases do efeito estufa, geram biofertilizante e fazem a secagem de grãos. Futuramente, poderão também abastecer veículos rurais.
Cerca de R$ 3,8 milhões foram investidos, o que permitiu a instalação de biodigestores em todas as propriedades e de 25,5 quilômetros de gasodutos. A infraestrutura inclui também um sistema de armazenamento de biogás, filtros de purificação, secador de grãos e grupo motogerador de 75 kW. Segundo Gedson Vargas, presidente da Coperbiogás (cooperativa criada para administrar o Condomínio de Agroenergia Ajuricaba), o grupo está pronto para conectar a energia elétrica gerada à rede de distribuição.
Números - Com rebanho de mil cabeças de bovinos e 3.000 suínos, o condomínio gera cerca de 15,8 mil m3 de dejetos por ano. Durante o processo de decomposição, os dejetos produzem 266,6 mil m3 de biogás/ano, que por sua vez produzem 445 mil kWh/ano, quantidade de energia suficiente para abastecer 2.200 residências de porte médio.
Em cada propriedade há um medidor que indica a quantidade de biogás enviada à microcentral, permitindo um rateio proporcional das receitas geradas. Outro benefício é o secador de grãos. O agricultor não precisa mais enviar a produção a uma cerealista.
Nos últimos 12 meses, um dos produtores do Ajuricaba, Pedro Regelmeier, economizou R$ 2.500 em fertilizantes minerais e aumentou em R$ 1.800 a renda com o leite, impacto significativo nas receitas de um agricultor familiar. Regelmeier ainda substituiu o gás de
cozinha pelo biogás em sua residência.

MAIS DE 19 MIL ESPÉCIES PODEM DESAPARECER

A perda de espécies não preocupa apenas pelo desaparecimento de tais animais e plantas, mas também porque causa impacto direto na alimentação e na produção de remédios e de água limpa. Ameaça bilhões de seres humanos, segundo avaliação dos especialistas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), que publica periodicamente a Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas de Extinção. A mais recente atualização do documento foi publicada este mês, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada no Rio de Janeiro (Rio + 20).
Das 63.837 espécies avaliadas, 19.817 encontram-se ameaçadas de extinção. Desse total, 41% são anfíbios, 33% corais formadores de recifes, 25% mamíferos, 13% aves e 30% coníferas. A Lista Vermelha da UICN é considerada um indicador crucial da saúde da biodiversidade mundial e um dos mais respeitados documentos sobre o tema.
A maioria da população nos países ricos depende primordialmente de espécies domesticadas para a sua alimentação, ao passo que milhões de outras pessoas no mundo dependem de espécies selvagens. Fonte alimentícia importante, os peixes estão ameaçados pelas práticas pesqueiras insustentáveis e pela destruição do seu habitat.
No mínimo um terço da produção mundial de alimentos depende da polinização efetuada por insetos, morcegos e aves. Segundo a Lista Vermelha, 16% das borboletas endêmicas da Europa estão ameaçadas; assim como 18% dos morcegos do mundo. Os beija-flores, notórios polinizadores, também estão ameaçados. Além de serem polinizadoras, essas espécies ajudam a controlar a população de insetos, que de outra forma poderiam até destruir lavouras economicamente importantes.
Os anfíbios, por exemplo, desempenham papel vital na busca de novos medicamentos, pois no couro de muitas rãs encontram-se componentes químicos importantes. Contudo, 41% das espécies de anfíbios estão ameaçadas de extinção.
Outros serviços importantes prestados pelas espécies incluem a melhoria e o controle da qualidade do ar pelas plantas e árvores. Uma árvore frondosa e madura produz a mesma quantidade de oxigênio inalada por 10 pessoas durante um ano.

PERDERAM UMA BELA OPORTUNIDADE

Somente ingênuos ou otimistas exagerados poderiam esperar que a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, fosse o marco para a adoção de um modelo que associe crescimento econômico com preservação ambiental. Uma mudança tão profunda como esta não se dá em uma conferência, por maior abrangência e representatividade que ela alcance.
O bom senso induzia a expectativas moderadas, quem sabe um acordo que priorizasse o social, considerando o drama de centenas de milhões de famintos e sedentos, e o cuidado com os recursos naturais do planeta.
Nada disso ocorreu. O evento que reuniu cerca de 45 mil pessoas e negociadores de 193 países encerrou apenas com a perspectiva de que temas voltem a ser analisados em reuniões futuras, como se a vida na Terra fosse um assunto adiável. A falta de ambição foi denunciada por ambientalistas, especialistas e, estranhamente, até por governantes cujos representantes aprovaram o texto. Não foi dado nenhum passo significativo para unir expansão econômica com defesa da natureza, duas variantes que deveriam estar sempre em consonância, mas que seguem em total desarmonia.
Nem o teórico saldo de que o desenvolvimento sustentável se transforme em paradigma nos aspectos social, ambiental e econômico pode ser festejado. Pelo menos na Rio+20 não houve retrocessos, mas isso é muito pouco.
Projeções indicam que em 2030 haverá 9 bilhões de habitantes no planeta e, para atender a demanda, se o atual nível de consumo for mantido, serão necessárias duas Terras. Como disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, nesse ritmo não é a Terra que vai acabar, mas sim a humanidade. A Rio+20 é mais uma oportunidade histórica de mudar desperdiçada