quinta-feira, 22 de setembro de 2022

PATRÍCIA LÈLIS E O CABARÉ CRISTÃO EVANGÉLICO DOS ÚLTIMOS DIAS

 



Denúncias envolvem Silas Malafaia, Magno Malta, Damares Alves, a pastora e ex-deputada Flordelis e o próprio Marco Feliciano

Acompanhando os escândalos sexuais envolvendo a cúpula do cristianismo brasileiro, pude ouvir o silêncio ensurdecedor de fiéis que acreditam na santidade de muitos desses pastores e pastoras mais devassos e pervertidos do que qualquer profissional da zona do meretrício. Que os profissionais da zona não se ofendam com a comparação. Tem casos de estupro, assédio sexual, abuso de menores, orgias, adultério, tem áudio de pastora conservadora elogiando o “varão” de homem casado e até relações homossexuais, prática que eles tanto condenam e demonizam. Estamos falando de uma igreja do jeito que o diabo gosta, e que talvez esteja sendo comandada pelo próprio na figura de líderes religiosos sem escrúpulos e sem nenhum respeito pelo nome do Deus que dizem seguir.

A jornalista Patricia Lélis, que em 2016 denunciou uma tentativa de estupro contra ela cometida pelo pastor e deputado Marco Feliciano, volta a carga em 2022 trazendo ainda mais denúncias e revelações sobre o que acontece nos porões obscuros do cristianismo evangélico brasileiro. Obviamente, ela precisa provar o que tem dito e publicado em suas redes sociais, a respeito de figuras como Silas Malafaia, Magno Malta, Damares Alves, a pastora e ex-deputada Flordelis e o próprio Marco Feliciano, a quem Patrícia agora acusa de promover orgias durante os eventos gospel que ele organiza e participa. Isto incluiria, segundo a jornalista e ex-secretária de Feliciano, a contratação de garotos de programa para satisfazer aos seus desejos sexuais menos héteros. Pelo visto, a máquina de passar cartão do pastor aceita depósito em espécie.

Apesar de as acusações serem graves, é importante que não se generalize o segmento como um todo, porque ainda existem pessoas sérias e comprometidas com o evangelho de Cristo. Porém, se analisarmos a conduta de tais líderes com relação a seus fiéis e ao evangelho distorcido e alienante que eles lhes oferecem, é possível concluir que sacanagem é a especialidade da casa. Afinal, uma coisa puxa a outra. Quem rouba milhares de pessoas pobres e carentes através da imposição do dízimo, é bem capaz de organizar surubas com o dinheiro arrecadado em nome de Deus. E tais surubas, não em nome de Deus, é claro, seriam muito mais dignas do que o falso culto que eles celebram em suas igrejas. Desde que não envolvam estupros e aliciamento de menores de idade, uma acusação que Patrícia Lélis direciona ao senador Magno Malta, e que se espera que ela também possa provar. Logo ele, que se notabilizou pela sua luta contra a pedofilia.

A ex-namorada de Eduardo Bolsonaro, também conhecido como “bananinha”, devido a uma revelação feita pela mesma Patrícia de que ele tinha o “mito” pequeno, também aponta Silas Malafaia como uma espécie de Sultão do meio gospel, que costuma contratar garotas de programa para alegrar os bacanais ungidos que ele gosta de organizar. É a marcha para o prazer de um dos principais defensores da família cristã e tradicional brasileira. Eu fico imaginando o Malafaia participando de uma suruba com aquela voz estridente e irritante, obrigando as “irmãs” a dizerem amém após receberem a unção seminal do seu espírito de porco. A minha dúvida é: Será que eles também vão para o inferno ou a putaria para esses
"ungidos de deus" é liberada através de um excludente de ilicitude divino?
Enquanto o cabaré evangélico brasileiro vai pegando fogo, eu fico aqui lembrando das vezes em que ouvi esses homens e mulheres de Deus apontando os seus dedos sujos para o “pecado” dos outros e oferecendo o fogo do inferno para aqueles que, segundo a moralidade cristã que eles defendem, são abomináveis aos olhos de Deus. Seja pela forma como se orientam sexualmente, pela religião que praticam ou pela ideologia política que defendem. Enquanto a esquerda defende às claras uma liberdade de comportamento que os seus adeptos usam com moderação, a extrema direita, os inquisidores da liberdade alheia, se refestelam até o talo com uma liberalidade oculta e promíscua que eles abominam publicamente. Que Patrícia Lélis apresente as provas que diz ter o mais rápido possível e que tenha início o apocalipse particular de cada um desses falsos profetas usurpadores da fé alheia e profanadores do verdadeiro evangelho de Cristo.

 E eu que achava que a minha alma já estava perdida por estar no “mundo”, estou descobrindo que o meu mundo perto do mundo dessa gente é uma verdadeira igreja. Glória a Deus!

Ricardo Nêggo Tom  Cantor e compositor

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

LULA, MARINA E O MEIO-AMBIENTE.


Meio ambiente no centro da agenda

A questão é complexa, assim como é pesado o jogo de interesses múltiplos envolvidos no debate e na busca de possíveis soluções. De qualquer forma, o que se sabe é que a postura destruidora de Bolsonaro precisa ser interrompida o mais rapidamente possível. Ele consegue a impressionante façanha de ser negativo em todas as dimensões dessa matéria multidisciplinar. Seu governo atua contra os mecanismos e órgãos públicos de regulação de tais assuntos. Seus ministros favorecem os interesses do agronegócio mais nocivo e predador, liberando o desmatamento ilegal, o uso de defensivos venenosos e a aplicação de transgênicos prejudiciais à saúde. Bolsonaro se envolve pessoalmente na defesa de práticas como o garimpo ilegal, como a negociação clandestina de madeira e com o genocídio de indígenas, quilombolas e demais populações tradicionais.

Isso significa que qualquer projeto de retomada do caminho do desenvolvimento nacional precisa incorporar a dimensão ambiental. Não basta apenas o enfoque centrado exclusivamente no econômico e no social, como sempre se fez até o presente momento. O assunto é sensível e implica mudanças importantes na forma como a nossa sociedade deveria encarar as alternativas para o curto prazo, bem como as opções de futuro. Estão aí definições estratégicas, tais como: 1) a ampliação das fontes de energia não fóssil; 2) o uso que se pretende fazer das reservas do Pré Sal; 3) a aplicação sem regulação de agrotóxicos e transgênicos; 4) o poder descontrolado do agronegócio; 5) o avanço do desmatamento que compromete o equilíbrio ecológico nacional e planetário; 6) a preservação de biomas ameaçados; 7) a necessária mudança na matriz de transportes, tornando-a mais sustentável; 8) as mudanças no processo produtivo, penalizando os processos que comprometem o meio ambiente e estimulando as reconversões para processo ditos “limpos”; 9) avanço na dimensão educacional e cultural, em questões como o consumismo, o destino de lixo e resíduos, a reciclagem, a reutilização e demais “erres” do comportamento preservacionista.

Lula e Marina: um gol de placa

Para dar conta de tal tarefa hercúlea, o primeiro ponto seria o reconhecimento de que algo precisa ser feito nesta direção. Assim, o recente encontro público entre Lula e Marina foi um acontecimento que traz consequências que vão muito além do simbólico e do eleitoral. Do ponto de vista da disputa contra Bolsonaro, sem dúvida foi um gol de placa da campanha do ex presidente. O apoio explícito e inquestionável de uma das maiores lideranças do campo ambiental vem se somar à participação de seu partido, a Rede, no interior da federação com o Psol e que participa da coligação que apoia Lula desde o registro das candidaturas. A pouco menos de três semanas do primeiro turno, as imagens das duas lideranças e as declarações de Marina de que seu candidato é Lula podem contribuir para selar a parada presidencial já na apuração do dia 2 de outubro.

Mas a reunião pode significar também alguma forma de participação da quase certamente futura deputada federal por São Paulo em eventual governo federal a partir de janeiro do ano que vem. Não se trata de mera repetição da relação anterior, quando ela ocupou o cargo de Ministra do Meio Ambiente por mais de cinco anos, durante os dois mandatos de Lula (2003 a 2008). No primeiro caso, tratava-se da indicação de uma militante do PT bastante envolvida com a causa ambiental para ocupar o posto. Agora, o acordo envolve a aproximação do futuro presidente com uma agremiação partidária que tem no meio-ambiente seu principal ponto programático. Assim, a eventual presença, direta ou indireta, de Marina na equipe ganharia uma outra dimensão.
Durante o encontro, ela apresentou a Lula um conjunto de reivindicações e sugestões envolvendo a pauta ambiental, tornando públicas as suas propostas e preocupações. Trata-se do documento “Compromissos de resgate da agenda socioambiental brasileira perdida”, onde são elencados 26 pontos como contribuição de Marina para o futuro governo. O texto consolida proposições a respeito do tema, apresentando uma abordagem ampla e integrada da questão ambiental em toda a sua complexidade. Assim, ali estão presentes itens bastante conhecidos do assunto, a exemplo da necessidade de maior controle sobre o desmatamento e o uso de agrotóxicos, mas também sugestões específicas, como a criação de uma autoridade nacional de segurança climática e o destaque para a urgência de universalização do saneamento básico para toda a população. O documento também aponta para a necessidade de fortalecimento das instituições públicas federais já existentes como, ICM-Bio e o IBAMA, e sugere a implementação do Cadastro Ambiental Rural até 2025.

Enfim, tudo indica que a aproximação entre Lula e Marina deveria se manter para depois das eleições. Como ambos afirmaram no evento em que a aliança se consolidou, a emergência da questão democrática e civilizatória contribuiu para acelerar a atuação conjunta nesse momento. No entanto, o amadurecimento político dos campos que as duas lideranças representam observado ao longo dos últimos anos talvez permita uma colaboração de maior fôlego, que torne possível a efetiva incorporação da agenda ambiental no programa e na prática de um governo progressista e desenvolvimentista.

Texto de Paulo Kliass

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

A PATRIOTADA "IMBROCHÁVEL" DE JAIR BOLSONARO, NO 7 DE SETEMBRO.

 


Em duzentos de independência do Brasil, nunca houve um dia mais propício para qualquer cidadão brasileiro que ainda não perdeu a razão e o bom senso, sentir vergonha de ter nascido neste país, do que este 7 de setembro de 2022. Nunca antes na história, um presidente da república avacalhou com tamanha força de vontade uma data cívica e de tamanha importância para a nação. Em Brasília, Jair Bolsonaro transformou o dia da independência do Brasil numa festa paroquial da seita miliciana da qual ele é o mito, com direito a “veio” da Havan desfilando como autoridade, primeira-dama como princesa do baile, comício eleitoral e um coro de “imbrochável”, puxado por ele mesmo, para exaltar a sua masculinidade tóxica, frágil e duvidosa. Só faltou um bingo tendo o coração de Dom Pedro I como prêmio.

Nesse desbunde cívico-militar em glória de si mesmo, o atual presidente da república usurpa a máquina pública em favor de sua campanha à reeleição, considerando como povo brasileiro apenas o gado que saiu às ruas para apoiá-lo. A fatiota patriótica promovida pelo pior governante que esse país já teve, deveria entrar para a história como o dia da vergonha nacional. E a vergonha é ainda maior para aqueles que saíram de suas casas para incensarem um genocida responsável pela morte de milhares de cidadãos brasileiros, como se este fosse o santo padroeiro de sua quermesse. Estes se prestaram a ouvir de um chefe de estado um discurso estruturalmente machista, que atribui juízo de valor à prática religiosa e à aparência de duas mulheres – a sua esposa e a esposa do seu principal adversário político - as colocando em lados opostos de acordo com o seu padrão moral e estético. Nenhuma novidade, vindo de um sujeito que disse que não estupraria uma colega de parlamento por ela não lhe despertar desejo sexual.  

O que dizer de patriotas que obedeceram à voz de comando do sociopata que os regia, e repetiram a plenos pulmões que ele é “imbrochável”? O que dizer desses apaixonados pela pátria, que se alvoroçaram com a presença de empresário sonegador de impostos Luciano Hang, a versão fascista do “Louro José”, o reverenciando como um grande herói nacional? O que dizer de patriotas que dizem ser contra a corrupção e a velha política, mas se ajuntaram para festejar o dia da independência prestando continências a um político que estava usando e abusando do poder público, se aproveitando do cargo que ocupa e se utilizando da máquina administrativa e de sua aproximação com as Forças Armadas, para favorecer a sua candidatura à reeleição? Essa marmota apoiada por um bando de patriotários bolsonaristas não passou de uma grande patriotada. Um ufanismo estúpido e hipócrita, que ratifica o quanto o bolsonarismo é débil, tosco, virulento e irascível.

Depois dessa farândola militarizada patrocina da pelos cofres públicos, que mais parecia uma comemoração ao dia da independência da Suécia, devido a quase exclusiva adesão de brancos e elitistas ao evento, resta ao Brasil real, aquele que voltou a passar fome graças a política do atual governo, proclamar a sua independência nas urnas no dia 2 de outubro, e se libertar definitivamente do jugo fascista do bolsonarismo.  



Ricardo Nêggo Tom.

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

FORA NEOLIBERAIS.


Como disse: 
Valéria Guerra Reiter:

"O expansionismo é cruel e costuma condenar aqueles que se atrevem a desconstruí-lo. E com o operário e presidente Lula não foi diferente"

Existe Direita e existe Esquerda. Um lado e outro se reproduzindo dentro de um modelo econômico e social que aferroa, privatiza e lucra.

A Lava-jato foi uma operação orquestrada por uma ordem internacional. O expansionismo é cruel e costuma condenar aqueles que se atrevem a desconstruí-lo. E com o operário e presidente Lula não foi diferente.

“VOCÊ ESTÁ CONDENADO A ME CONDENAR” foram as palavras ditas por Lula a um juiz e aspirante a político: e que realmente se travestiu em ministro da República; depois da prisão insalubre de Luiz Inácio. Sergio Moro tinha um projeto pessoal de poder.

De fonte segura soube o quanto o atual presidente J. Bolsonaro ofendeu (nos bastidores) o estadista Lula durante o debate na Bandeirantes. Irrespirável estar assistindo Soraya Thronicke, Simone Tebet, o inominável representante do Novo e etc.

Quando o profeta Daniel foi enclausurado na cova de leões famintos: teve seu livramento de morte “conhecido” e divulgado na Bíblia; “ Disse Daniel: “O meu Deus enviou o seu anjo, e fechou a boca dos leões, para que não me fizessem dano, porque foi achada em mim inocência diante dele; e também contra ti, ó rei, não tenho cometido delito algum” (Dn 6:22).

Ficou evidente no espetáculo/debate na Tv Bandeirantes em 28 de agosto de 2022: o quanto só há um único candidato/estadista, e ele precisará ter fé e bom ânimo para lutar e perseverar na luta do bem (povo desprotegido) contra o mal (neoliberalismo destruidor da coisa pública).

Querem até comprar alunos/escravos com valores nunca recebidos por nenhum professor; para manter a CASA GRANDE E SENZALA sob nova direção. FORA NEOLIBERAIS .

domingo, 28 de agosto de 2022

A DEMOCRACIA QUE EU SONHO.

Estamos todos empenhados em salvaguardar uma democracia mínima diante de um presidente desvairado que continuamente a ameaça. Como vivemos uma crise geral, paradigmática e irremissível, convém já agora sonhar com outro tipo de democracia.

Parto de um pressuposto, segundo dados de cientistas sérios, de que enfrentaremos dentro de poucos anos, devido ao acelerado e irrefreável aquecimento climático, grave risco de sobrevivência da espécie humana. A Terra será outra. Se quisermos continuar sobre este planeta temos que, por primeiro, minorar os efeitos danosos, com ciência e técnica e por fim, elaborarmos um outro paradigma civilizatório, amigável à vida e sentindo-nos irmãos e irmãs de todos os demais seres vivos. Pois possuímos com eles o mesmo código genético de base. Dizem-me: ”você é pessimista”! Respondo com Saramago: ”não sou pessimista; a realidade é que é péssima” Já em 1962 a bióloga estadunidense Rachel Carson em seu famoso “A primavera silenciosa“(Silent Spring) advertia sobre a crise ecológica e concluía: ”A questão consiste em saber se alguma civilização pode levar adiante uma guerra sem tréguas contra a vida sem destruir a si mesma e em perder o direito de ser chamada de civilização“. Por isso a urgência de mudarmos de paradigma e de modelo de democracia.

Dentro deste contexto realista proponho a urgência de um outro tipo de democracia: a sócio-ecológica. Ela representaria a culminância do ideal democrático.

Subjacente a ela vigora também ideia originária de toda a democracia: tudo o que interessa a todos e a todas deve ser pensado e decidido por todos e por todas.

Há uma democracia direta em pequenas comunidades. Quando são maiores, projetou-se a democracia representativa. Como, geralmente, os poderosos a controlam, propôs-se uma democracia participativa e popular na qual os do andar de baixo podem participar na formulação e acompanhamento das políticas sociais. Avançou-se mais e descobrimos a democracia comunitária, vivida pelos povos andinos, na qual todos participam de tudo dentro de uma grande harmonia ser humano-natureza. Viu-se que a democracia é um valor universal (N.Bobbio) a ser vivida cotidianamente, uma democracia sem fim (Boaventura de Souza Santos). Face ao risco da eclipse da espécie humana, todos para se salvar se uniriam ao redor da superdemocracia planetária (J.Attali).

Mais ou menos nesta linha, penso numa democracia sócio-ecolôgica. Os sobreviventes das mutações da Terra, estabilizando seu clima médio por volta de 40 ou mais graus Celsius, como forma de sobrevivência, forçosamente, terão que a se relacionar em harmonia com a natureza e com a Mãe Terra. Dai se propõem a construir uma democracia sócio-ecológica. È social por envolver a toda a sociedade. É ecológica porque o ecológico será o eixo estruturador de tudo. Não como uma técnica para garantir a sustentabilidade do modo de vida humana e natural mas como uma arte, um novo modo de convivência terna e fraterna com a natureza. Não obrigarão mais a natureza a adaptar-se aos propósitos humanos. Estes se adequarão aos ritmos da natureza, cuidando dela, dando-lhe repouso para se regenerar. Sentir-se-ão não apenas parte da natureza mas a própria natureza, de sorte que cuidando dela, estão cuidando de si mesmos, coisa que os indígenas já sabiam.

A singularidade do ser humano e isso foi comprovado pelos neurólogos, geneticistas, bioantropólogos e cosmólogos, é comparecer como um ser-nó-de-relações, de amorosidade, de cooperação, de solidariedade e de compaixão. Tal singularidade aparece melhor quando a comparamos com os símios superiores dos quais nos diferenciamos em apenas com 1,6% de carga genética. Eles possuem também uma vida societária. Mas se orientam pela lógica da dominação e hierarquização. Mas nós nos diferenciamos deles pelo surgimento da cooperação. Concretamente, quando nossos ancestrais humanóides saiam para buscar seus alimentos, não os comiam individualmente. Traziam-nos para o grupo e viviam a comensalidade solidária. Esta os fez humanos, seres de amor de cuidado e cooperação.

Se queremos sobreviver juntos, esta democracia se caracterizará por ser uma ecológico-social ou sócio-ecológica. O tempo urge. Devemos gerar uma nova consciência e nos preparamos para as mudanças e adaptação que não tardarão em chegar.

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

PRECISAMOS ABRIR CAMINHO.




Recorro ao pensamento de Confúcio. Ele acreditava, em meio a uma China medieval mergulhada na guerra e na violência, que as pessoas são essencialmente boas. Sua natureza boa poderia resultar em práticas virtuosas se fossem corretamente orientadas. No entanto, essa tendência à bondade não significa práticas bondosas invariavelmente. A água pode saciar a sede e irrigar a plantação e também pode inundar as casas e destruir vidas. Da mesma forma pessoas, e principalmente sociedades, podem ser construtivas ou destrutivas. Tudo depende das circunstâncias e das condições materiais e morais.

O artista Criolo parece ter usado o pensamento de Confúcio para analisar nosso cotidiano ao cantar em seus versos que as pessoas não são más, elas só estão perdidas e dizer que ainda há tempo. A maioria das pessoas é boa nos anos bons e má nos anos ruins. Não há nada mais determinante de um ano bom ou ruim do que a economia. Refiro-me a economia real, vivida no bolso das pessoas, no ato de ir comprar alimentos, ganhar a vida.


A partir de 2013, essa economia começou a piorar. E as pessoas acharam no governo de ocasião, no caso o PT, o culpado perfeito para expiar os efeitos de uma crise econômica global. O que se seguiu não precisa ser repetido. E lá se vão quase dez anos.


Nesse período todo se deu a busca nacional por outro caminho para resolver a economia sentida. E um caminho contrário ao que havia antes teve 6 anos de oportunidades. A economia sentida só piorou. 50 milhões de pessoas mal têm o que comer.

A mesma sociedade que deu 4 vitórias ao PT, deu uma vitória a sua negação. As famílias que brigaram por política nesses tempos, por mais que tenham se colocado em trincheiras opostas, são produto do mesmo barro, e não há em seus corações uma maldade intrínseca.

Um governo capaz de inspirar práticas virtuosas pode surgir dessas eleições. As pessoas tem em si o potencial do que é belo e bom. Precisamos abrir caminho. Começa pela vitória eleitoral, mas é só o primeiro passo. Reconstruir a economia sentida, incutir boas expectativas que orientem a energia vital e a capacidade de luta para causas justas. É possível.

O lado de cá precisa ter garra sem ódio. Esperança ao invés de revanchismo. A virtude social é uma construção generosa, ampla. À luta sem briga. Trata-se de abrir o rumo.

A bondade intrínseca da maioria de nossa gente brotará novamente. O galo vai insistir em cantar, por que é de sua natureza cantar. Água nova brotará por que é de sua natureza brotar. E a gente vai se amar por que somos vocacionados para o amor.
Só precisamos abrir o rumo. Lutemos a luta parteira de um futuro melhor!

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

ALGUMAS IGREJAS SÃO COMITÊS DE CAMPANHA.

Hoje, peço licença para publicar um texto do cantor e compositor Ricardo Neggô Tom, por achar que serve para uma reflexão:

 Durante comício realizado em São Paulo, Lula declarou que "se o pastor estiver falando coisa séria, a gente respeita, mas se estiver mentindo, temos que enfrentá-lo. ” Claramente, um recado direcionado a lideranças evangélicas bolsonaristas, como o pastor e deputado Marco Feliciano, que tem semeado entre os fiéis de sua igreja a mentira de que Lula irá fechar igrejas evangélicas. Quem dera. Pelo menos, para igrejas como as de Feliciano e outros picaretas da fé que sobem ao púlpito para pregar o evangelho do roubo, da morte e da destruição, orientando o voto de suas ovelhas segundo os próprios interesses. A fala de Lula sugere a criação de uma sessão pública para descarrego de pastores. Porque é mais fácil encontrar um cego que voltou a enxergar num culto da Universal, do que encontrar um pastor evangélico bolsonarista que não minta.

Tais igrejas se tornarão verdadeiros comitês de campanha eleitoral que escondem atrás do nome de Jesus Cristo, o nome de outro messias. Ainda que esse, apesar de ser considerado um mito, já tenha declarado que não faz milagres. Se Cristo é o caminho a verdade e a vida, Bolsonaro, é o buraco, a mentira e a morte. Os pães que Jesus multiplicou e repartiu entre a multidão, Bolsonaro comeria sozinho com leite condensado. Talvez, nem se dignaria a oferecer um pedaço a Michelle, aquela que vem sendo usada como pastora em sua campanha e tem profetizado uma nação cujo presidente é Deus e seu marido é o seu enviado. Quando Lula tem a coragem de confrontar os falsos profetas que comandam esse neopentecostalismo capitalista e diabólico, ele desafia os fariseus chefes dessas igrejas a fazer em algo que nem Deus ainda conseguiu que eles fizessem. Falar a verdade. Porque é mais fácil o assassino Guilherme de Pádua ir para o céu, do que encontrar um pastor evangélico bolsonarista que não minta.

Voltando a Marco Feliciano e a defesa da igreja de Jesus Cristo que ele diz estar fazendo ao espalhar mentiras sobre Lula, é possível encontrar na internet um vídeo no qual ele faz uso do altar de sua igreja para pedir que suas ovelhas votem em Dilma Rousseff e compara Lula a uma figura “messiânica” que conquistou o mundo durante os seus 8 anos de mandato. Abrindo o paletó e mostrando uma camisa do PT com o nome da ex-presidenta, Feliciano declara à igreja de Jesus, ou à dele mesmo, como queiram, que “sou cristão e voto em Dilma” Será que Deus, que ele diz estar em contato diário e diuturno, ainda não havia revelado a ele que o PT era um partido das trevas, que a esquerda queria destruir a família cristã brasileira e que Lula voltaria em 2023 para fechar as igrejas? Mas não foi apenas Marco Feliciano que não recebeu de Deus tão importante revelação. Silas Malafaia, Edir Macedo, Magno Malta, entre muitos outros amigos mais chegados ao todo poderoso, também já apoiaram Lula e Dilma. Ou Deus os estava provando em sua honestidade, ou ele nunca revelou nada a eles. Porque é mais fácil o dinheiro do dízimo estar caindo na conta de Deus, do que encontrar um pastor evangélico bolsonarista que não minta.

A próxima eleição será marcada pelos duelos entre o bem e o mal, a verdade e a mentira, o amor e o ódio, a vida e a morte. Mas é preciso estar atento para não escolher o lado errado, achando que escolheu o lado certo. Porque é mais fácil o diabo se passar por Deus, do que encontrar um pastor evangélico bolsonarista que não minta.

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

CREIA: UM POUCO DE LUZ DESFAZ A ESCURIDÃO.

 

Como é fácil para um candidato da nova direita como Bolsonaro apresentar à massa eleitoral essa tríade: ele rezando (Deus), com bandeira do Brasil (Pátria) e com Michelle ao lado (Família), três cenas de comoção garantida e atração irresistível para o povão. Quem pode ser contra a reza, a bandeira verde-amarela e uma esposa (sobretudo se é bem feminina)?”

“Os intelectuais podem falar o que quiserem contra esse populismo de direita. Mas que funciona, funciona. E é isso que importa à direita, e acho que deveria importar também à esquerda, sem ofensa à ética, pois dá perfeitamente para defender essas três bandeiras, outrora integristas, como valores morais, à condição, contudo, de não serem excludentes: dos sem religião, das outras pátrias e dos LGBT+respectivamente”.

“Mas mesmo que ganhe o Lula, o que as pesquisam indicam, a questão das três bandeiras acima permanecerá. E os bolsonaristas continuarão a agitá-las, como as está agitando a nova direita em todo o mundo (veja Trump, Putin, Le Pen, Salvini et caterva). E é a “bandeira Deus”, sobre todas as outras, que ser vai mais politizada pela nova direita, e isso tanto mais quanto menos a velha esquerda digeriu essa questão e quanto menos atenção a própria Igreja, progressista ou liberacionista que seja, parece dar a mudança de Zeitgeist (do espírito do tempo), designado como pós-moderno”.

O grande desafio da campanha da coligação ao redor de Lula/Alckmin, que é também das Igrejas cristãs históricas, principalmente da Católica, é como atrair estas massas, manipuladas e ludibriadas pelas igrejas pentecostais, para os valores do Jesus histórico, muito mais humanitários e espirituais do que aqueles apresentados pelos “pastores e bispos” autoproclamados e verdadeiros lobos em pele de ovelha. Estes usam a lógica do mercado, da propaganda e estilos que contradizem diretamente a mensagem bíblica e de Jesus, pois, utilizam-se diretamente da mentira, da calúnia, da fake news.

Vale mostrar a estes seguidores das Igrejas pentecostais, como Jesus dos evangelhos sempre esteve do lado os pobres, dos cegos, dos coxos, dos hansenianos, das mulheres doentes e os curava. Era extremamente sensível aos invisíveis e aos mais vulneráveis, homens ou mulheres, em fim, àqueles cujas vidas viviam ameaçadas. Vale muito mais o amor, a solidariedade, a verdade, e acolhida de todos sem discriminação, como os de outra opção sexual, vendo nos negros, quilombolas e indígenas nossos irmãos e irmãs sofredores. Importa se solidarizar com eles e estar junto com eles para fazerem o seu próprio caminho. Esse comportamento vale muito mais que o “evangelho da prosperidade” de bens materiais que não podemos carregar para a eternidade e, no fundo, não preenchem nossos corações e não nos fazem felizes. Ao passo que os outros valores do Jesus histórico vão conosco como expressão de nosso amor ao próximo e a Deus e nos trazem paz no coração e uma felicidade que ninguém nos pode roubar.

Logicamente, importa desfazer as calúnias, rebater as falsificações e, eventualmente, usar os meios disponíveis para incriminá-los juridicamente.

Vale sempre crer que um pouco de luz desfaz toda uma escuridão e que a verdade escreve a verdadeira página de nossa história.

O Brasil merece sair desta devastadora tempestade e ver o sol brilhar em nosso céu, devolvendo-nos esperança e alegria de viver.

terça-feira, 16 de agosto de 2022

Quando a invasão à Rússia fracassou e os aliados estavam prestes a tomar a Alemanha, Hitler se matou, depois de deixar ordens expressas para que seu ministro da propaganda, Joseph Goebbles, assumisse o poder. Mas no dia seguinte, primeiro de maio de 1945, quando ficou claro que o regime nazista realmente sucumbiria, Goebbles e sua esposa Magda assassinaram seus seis filhos com veneno, cinco meninas e um garotinho, e depois se mataram no mesmo porão em que Hitler havia morrido, na véspera.

Para eles, era insuportável viver num mundo regido por um sistema diferente daquele em que acreditavam. Para os fundamentalistas, é assim. Pois quanto mais frágil for a base que alicerça um pensamento, com mais rigor e fúria um ser humano tentará defende-la. Porque se aquela ideia, volátil como uma nuvem, ruir, o mundo (vazio) interior daquele crente desaba junto.

Assim como acredita ser inconcebível viver num mundo de ideias diferentes das suas, o radical também acha impossível que o outro, que não concorde com ele, exista em seu universo. O que lhe permite acreditar que tenha o direito legitimado por Deus de exterminar este outro da face da Terra. Seja pelas câmaras de gás dos campos de concentração ou camburões; seja invadindo a casa de uma pessoa, em plena festa de aniversário dela, sem importar-se até mesmo com a quantidade de testemunhas do crime. Pois o direito de matar o diferente, foi legitimado!

É muito importante refletirmos sobre isto, pois teremos de conviver com o bolsonarismo daqui em diante, independentemente do resultado das eleições. Mesmo que, no futuro, a imagem do ídolo atual seja substituída por outra, o que é bem provável, o bolsonarismo veio pra ficar. Porque pessoas de alma intransigente sempre existiram, mas, agora, que tiveram seu sentimento (e – pior – seu comportamento) de intransigência legitimado pelo ‘mito’, não voltarão mais pra suas “casinhas”. Assim como as mulheres que se libertaram da violência doméstica não voltarão a apanhar em silêncio. E o bolsonarismo nasceu justamente daí: do violento revoltado com a nova postura de não-aceitação da vítima. Uma mudança deu origem à outra. Quanto mais a empregada doméstica se tornou exigente, mais a patroa patricinha ficou intransigente. Quanto mais o proletário ganhou, mais o capitalismo arrochou.

E às vésperas de uma nova eleição, que promete um clima tenso, com o uso das forças armadas autorizado por decreto presidencial publicado nesta sexta-feira, dia 12, se deu que, justamente ontem, no histórico 11 de agosto de 2022, quando a Carta em Defesa da Democracia foi assinada por mais de 1 milhão de brasileiros e lida sob o olhar atento do mundo, que o bolsonarista Jorge Guaranho, que matou em flagrante e ante dezenas de testemunhas o petista Marcelo Arruda, por ser bolsonarista e o outro petista, foi colocado em liberdade pelo juiz Gustavo Germano, um mês após sua prisão.

Enquanto a presença de um presidente com discurso beligerante legitima o extermínio daqueles que pensam diferente dele e de seus asseclas, a soltura de Guaranho vai além: legitima a impunidade de tais ações. É, portanto, um passo à frente na barbárie. À beira de uma eleição tensa; no precipício social e econômico em que estamos, ante a dor moral coletiva que enfrentamos (ao menos os que têm moral e lucidez para sentir dor), a soltura de Guaranho equivale a uma carta branca concebida por uma autoridade da Lei para matar impunimente.

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

OS TRÊS GARGALOS

Os estrategistas da campanha de Lula precisam encontrar saídas para alguns gargalos que favorecem Bolsonaro. Bolsonaro vem dominando a agenda do debate político do país nos últimos meses. Até o início de julho dominou o debate com a PEC da reeleição. Há mais tempo domina o debate com suas arruaças antidemocráticas, de ataque aos tribunais superiores e de suspeição das urnas. Ele capturara as reações da oposição, da sociedade civil e da própria mídia – da grande mídia e da mídia alternativa. Essas arruaças conseguem até mesmo intimidar muita gente.

O segundo gargalo diz respeito ao uso do discurso religioso, moralista e obscurantista pelo bolsonarismo. Esse discurso constitui uma tática de mobilização de afetos que radicalizam o ativismo de extrema-direita e bloqueia qualquer fluidez reflexiva quanto à decisão do voto. Parece que os estrategistas de esquerda não compreenderam até hoje a importância da mobilização dos afetos e o poder do estímulo ao ódio na política.

O terceiro gargalo se refere a como enfrentar o uso inescrupuloso do aparelhamento do Estado para fins eleitorais. Encontrar uma saída tática para esta investida, como se disse, é difícil por conta dos erros cometidos pela oposição parlamentar. Aqui, no máximo, se conseguirá apenas uma política de redução de danos.

Por fim, os estrategistas da campanha precisam dar vasão a uma campanha combativa, mobilizadora dos ativistas, dos militantes e dos movimentos sociais. Uma campanha popular, de mobilização de rua e de organização. Somente uma campanha com este teor poderá influenciar positivamente o caráter progressista do governo Lula. O resgate da democracia não pode ser um impeditivo para o seu aprofundamento. A democracia são as regras do jogo mas também o seu conteúdo social e econômico. A campanha de Lula não pode ser aprisionada por um discurso de uma democracia minimalista e elitista.

A fantasia desta campanha precisa voltar-se para o futuro. E o futuro está na proposição de uma democracia que resolva os problemas sociais, que produza mais igualdade. A fantasia consiste em conferir um caráter plebeu, tanto à campanha, quanto à democracia.

sábado, 13 de agosto de 2022

TEM QUE SENTAR EM UMA ENCRUZILHADA.

O núcleo de campanha de Bolsonaro à reeleição exigiu que a primeira-dama, Michelle, entrasse de ‘cabeça’ para minimizar a rejeição do presidente entre o eleitorado feminino, mas tudo indicava que Michelle não queria participar da campanha de maneira incisiva.

A partir da convenção do PL que homologou a chapa Bolsonaro/Braga Netto, em evento realizado no Maracanãzinho, Michelle não resistiu e teve participação destacada na comunicação com o público.

Em tom messiânico, fez discurso com menções a Deus: “Eu creio que Deus é por nós, é pelo nosso Brasil, eu creio na libertação, eu creio na salvação, eu creio na cura, no resgate e eu creio que o Brasil será celeiro de benção para outras nações. As palavras do senhor vão cumprir sobre essa terra”.

Sua pregação foi bastante elogiada no QG de campanha, mas Michelle foi mais uma do mesmo, seu fundamentalismo não furou a bolha bolsonarista.

Peça-chave na campanha para reverter a rejeição, Michelle passou a usar o sectarismo, a intransigência e a intolerância religiosa para combater o mal, no caso, a esquerda representada por Lula.

No início de agosto, a primeira-dama, conduziu uma vigília evangélica dentro do Palácio do Planalto. Em uma madrugada, acompanhada de cantores e pastores de igrejas neopentecostais, disse que adentrava a sede do poder Executivo na companhia de ‘intercessores’.

Em discurso recente em Lagoinhas, BH, ao lado de seu marido e do candidato do partido ao governo de MG, Michelle aumentou o tom dizendo: "Vou continuar orando e intercedendo em todos os lugares, e sabe por que, irmãos? Porque por muitos anos, por muito tempo, aquele lugar foi um lugar consagrado a demônios. Planalto consagrado a demônios, e hoje consagrado ao senhor Jesus. Ali, eu sempre falo e falo para ele, quando eu entro na sala dele e olho para ele: essa cadeira é do presidente maior, é do rei que governa essa nação".

Empoderada, Michelle compartilhou um vídeo produzido e postado pela vereadora Sonaira Fernandes (PL-SP), em que Lula está em um Terreiro de Umbanda, com a legenda: "Lula entregou a sua alma para vencer essa eleição".

Esse vídeo já foi alvo de uma representação feita pela Coalizão Negra de Direitos, que aponta promoção do discurso de ódio. Em uma versão manipulada do vídeo, dá a entender que Lula tem uma relação com o demônio.

Michelle estimula o maniqueísmo fundamentalista pregando a guerra entre o ‘bem e o mal’, na tentativa de alavancar a candidatura de Bolsonaro, porque essa é a linguagem de quem o apoia.

O fascismo não debate ideias, não dialoga com quem considera adversário, trata-o como o inimigo que precisa ser destruído, usando a religião para torna-lo algo sobrenatural e desumanizado, como o demônio.

Ao ‘chutar’ o despacho, Michelle legitima a intolerância religiosa e a incitação ao ódio que descamba para a perseguição e invasão a Terreiros de Umbanda e Candomblé pelos fanáticos da ‘esquina’, legalmente armados pelo governo.

A primeira-dama precisa sentar em uma encruzilhada, fazer um Ebó de limpeza do facciosismo, racismo, preconceito, dualismo, estudar sobre as religiões de Matriz Africana, respeitar seus Orixás, aprender com Exu, o Orixá da comunicação e da linguagem, mensageiro entre os seres humanos e as divindades, antes de sair por aí satanizando e pregando contra o amor e a união, razões da existência de Deus.