
Diário, não existe nada melhor que a vingança. Vou até confessar uma coisa: quando eu estou no banho, faço o chuveirinho de microfone e canto aquela música: “Por isso eu sou vingativa, vingativa, vingativa…”.
Vingança é uma vitória dupla, porque vem depois da derrota.
Eu, por exemplo, exonerei aquele cara do Ibama que me multou em Angra.
Agora vou mandar a namorada do Lula para Foz do Iguaçu, para ela ficar bem longe dele.
E também vou vetar esse negócio de bagagem gratuita nos voos. Só porque foi o PT que deu a ideia.
Pena que não deu para tirar o Paulo Freire de patrono da Educação. A gente propôs botar aquele padre dos índios no lugar dele. Mas o pessoal do Santuário José de Anchieta disse que ele não merece ser colocado como patrono num momento em que a educação não é prioridade no país. Ah, ingratidão…
Olha, Diário, a verdade é que eu só escolhi gente vingativa pro meu time. E eles querem dar o troco.
A gente era oprimido por ser menos inteligente, por não ser intelectual, por não ter diploma. Tanto que o Witzel, o Salles e o Dallagnol inventaram que estiveram em Harvard. Mas agora eles vão ver. É a nossa chance da revanche.
Por exemplo, o Onyx, que odeia a esquerda, demitiu todo mundo da Casa Civil logo que entrou (depois teve que chamar uns de volta, mas tudo bem).
E o Ricardo Salles, que é xingado pelos verdes, fez uma queimada de ecologistas no Ministério do Meio Ambiente.
Agora, cá entre nós, o Weintraub é um caso especial. É mais ressentido que miss derrotada. Ele, que tomou um monte de zero na faculdade, está se vingando bonito!
Primeiro falou que ia cortar o dinheiro de três universidades por causa de balbúrdia. Aí, como teve reclamação, resolveu fazer um corte geral.
Depois proibiu todo mundo de falar sobre as passeatas. E, como teve um professor que falou para os alunos irem nas manifestações, agora disse que vai instaurar processo contra o cara.
Diário, falam que a vingança é um prato que se come frio. Mas a gente come ela quente, fria, requentada, de qualquer jeito. Pra mim, vingança é que nem rodízio de carne: tem que comer até explodir, kkkkkk!
*José Roberto Torero

Neste 2019, completam-se 45 anos da grande guinada da sociedade brasileira, sobre um regime que, há 10 anos - desde o golpe de 1964 - a sufocava. Nas primeiras "eleições" pós golpe, promovidas pelo ditador de plantão, Ernesto Geisel, houve a escolha para senadores em 22 estados. A oposição venceu em 16. Foi a guinada que os militares não esperavam, e o início da marcha ladeira abaixo, da ditadura que subjugava o país.
Agora, retrocedemos tanto, que hoje temos um cenário semelhante, como bem lembrou o analista político, Breno Altman, ao comentar o momento catastrófico, porém, em seu entender, promissor, que nos apresenta a eleição para prefeitos em 2020. Tal como naquela ocasião, a economia - reflexo do arrocho efetuado pelos ditadores – gerou a insatisfação na população. O quadro foi acrescido da crise do petróleo, no ano anterior, (colocando fim no milagre econômico) e pelos acidentes na política mundial, com a renúncia do presidente americano, Richard Nixon. Em consequência, o panorama interno era de desconfiança e pouco investimento. Sem contar, a total falta de liberdade. A resposta foi dada nas urnas. Uma derrota que levou Geisel à TV, reconhecer o tombo.
A eleição, que escolhia também deputados federais, deputados estaduais e prefeitos para alguns municípios do país, acabou por levar para Brasília uma avalanche de novas lideranças, - Itamar Franco, Orestes Quércia, por exemplo -, comprometidas com a única oposição possível, no plano da política partidária.
É bom lembrar que só existiam Arena (o partido dos ditadores) e o MDB, uma "benevolência" da ditadura, para manter a fachada de um regime "legal" e, (hahaha) democrático. A expressiva vitória do MDB e a perda de espaço da Arena no Senado assustou o Regime que nos anos seguintes lançou a Lei Falcão e o Pacote de Abril, (mudando as regras do jogo nas próximas eleições), com o objetivo de desfavorecer a oposição e, com isto, mantendo a ditadura por mais onze anos. Para senador, o MDB venceu o pleito, com mais de 14,5 milhão de votos, contra pouco mais de 10 milhões da Arena.
Reproduzo, aqui, a opinião do jornalista e editor do Portal Opera Mundi, resumida numa matéria em tela no 247. Neste trecho, Altman analisa "a pré-composição do pleito eleitoral em 2020 e considera que os três partidos que compõem o "núcleo fundamental da nascente união das forças populares", o PT, o PSOL e o PCdo B "deveriam fazer o mais rapidamente possível um acordo de ter chapas unitárias ao menos nos quatro grandes centros do sul e sudeste". Para Breno, os candidatos devem ser: Fernando Haddad (PT) em São Paulo, Freixo (PSOL) no Rio, Manuela (PC do B) em Porto Alegre e Áureas Carolina (PSOL) em BH."
Desta forma, com as candidaturas consolidadas, a campanha fortalecida, tal como em 1974, a sociedade poderá dar, nas urnas, uma resposta ao (des)governo de Bolsonaro. Também 2020 terá um caráter plebiscitário, ao mesmo tempo em que ter domínio sobre as grandes capitais permitirá à oposição sair na frente para - principalmente em São Paulo –, preparar novos rumos para um futuro não muito distante, mas que deve, por enquanto, ser deixado lá, no futuro.

Bolsonaro escolheu o pior caminho: o confronto com o Congresso, com o Centrão, com o STF, com a imprensa e com parte do exército. Tal estratégia debilita toda sua política. A saída seria abandonar a cena e cuidar de salvar a si mesmo e os seus familiares do alcance da justiça.
Efetivamente, o governo Bolsonaro desmantelou as quatro pilastras básicas que sustentam uma sociedade para que minimamente funcione.
A primeira, já herdada de seu antecessor, acusado em vários processos, Michel Temer: a destruição e precarização completa das leis trabalhistas. Uma nação vive do trabalho das grandes maiorias operárias que garantem a vida e a continuidade de uma nação. Concedeu tantos privilégios aos patrões que os operários foram conduzidos a uma situação similar aos inícios do capitalismo selvagem da Inglaterra, sem direitos garantidos e o desmantelamento da estrutura sindical.
A segunda foi o desmonte da salvaguarda dos direitos fundamentais, penalizado especialmente minorias como LGBT, indígenas e quilombolas As instituições que as implementavam foram em muito esvaziadas.
A terceira é o ataque direto à educação, às escolas, às universidades, à ciência e a suas instituições técnico-científicas. Tentou-se implantar uma “escola sem partido” para dar lugar à ideologia do partido do governo de viés conservador, ultra-direitista, intolerante e fundamentalista. Sob a questionável alegação de contingenciamento mas, na verdade, uma espécie de punição às críticas por parte da inteligência nacional e acadêmica, fizeram-se cortes substanciais à toda a rede de ensino superior e aos centros de pesquisa científica e tecnológica. Junto a isso se distorceu totalmente a preocupação pelo meio ambiente, para privilegiar o agro-negócio, descuidando da preservação da Amazônia e negando o aquecimento global por razões meramente ideológicas e até de supina ignorância.
A quarta foi a desidratação do SUS, um dos maiores programas mundiais de saúde pública, com o propósito de privatizar grande parte do sistema de saúde. Os cortes atingiram as farmácias populares e os medicamentos gratuitos para várias doenças como diabetes, HIV e outras.
À frente dos ministérios foram colocadas pessoas sem a menor qualificação para o cargo, algumas bizarras, como a dos direitos humanos e da mulher ou incompetentes como o da educação, do meio ambiente e o das relações exteriores.
A sensação que se tem, é o propósito de conduzir o país aos moldes pré-modernos, congelar o parque industrial, um dos mais avançados dos países em desenvolvimento, privatizar o mais possível todo e tudo, a ponto de o ministro da Fazenda, despudoradamente dizer a investidores em Dallas que até o palácio do Planalto poderia ser privatizado e o BB fusionado com Bank of America. Por fim, submeteu-se à recolonização do país, condenado a ser mero exportador de commodities; compô-se como sócio agregado ao projeto de hegemonia mundial pretendido pelos EEUU. O presidente visitou aquele país e lá cumpriu um rito de explícita vassalagem.
A consequência é a condenação do país à irrelevância. A seguir a política de cortes, poderemos ter uma grande parte da população reduzida à condição de párias. Sabemos que o Brasil é decisivo para o futuro ecológico-social da vida e do planeta.
Um povo ignorante por lhe negarem um ensino de qualidade e doente por não cuidarem de sua saúde, jamais conhecerá um desenvolvimento sustentado e dar uma contribuição importante à humanidade.
Bolsonaro faria bem ao país e ao mundo se renunciasse à presidência, para a qual confessou não ter vocação. Ideal seria se tivesse a generosidade mínima e um pouco de amor ao povo, para fazê-lo por si mesmo, antes de ser obrigado a isso pelo total solapamento do solo que o sustenta.

O sábado chuvoso e o dólar a R$ 4,10 inspiram uma breve reflexão: Paulo Guedes é uma fraude ainda maior do que Jair Bolsonaro. O vídeo em que ele coloca o Brasil à venda, incluindo Petrobrás, Banco do Brasil e palácios, é um dos momentos mais infames da nossa história.
Na prática, Guedes promove a sua xepa e trata a oitava economia do mundo (que, com Lula, seria a quinta), como uma republiqueta falida, incapaz de manter instalações como o Alvorada e o Palácio do Planalto e, portanto, indigna de qualquer respeito.
Sobre o Banco do Brasil, que ele propõe fundir com o Bank of America, a fala é indecorosa. Quem deu a ele o mandato para privatizar? E mais: por que ele acha que pode escolher o comprador? No caso Petrobrás, infelizmente, a empresa já vem sendo vendida aos pedaços.
Enquanto age como mitômano, na definição precisa de Pérsio Arida, a economia derrete, o desalento dispara e Guedes não pronuncia a palavra emprego. Ele se limita a prometer o paraíso após uma reforma da Previdência que teria efeitos contracionistas sobre a atividade econômica.
Para quem entende minimamente de economia, a máscara já caiu. Por isso mesmo, a ordem de venda do manifesto espalhado por Bolsonaro vem sendo seguida à risca pelos atores de mercado. Guedes não vai entregar nada do que prometeu – o que, de certo modo, é até positivo.
Para fechar a humilhação, sua reforma da Previdência, que tem cálculos sigilosos (se é que tem) será jogada no lixo pelos parlamentares, que apresentarão um projeto alternativo. Fora isso, Rodrigo Maia cobra de Guedes medidas contra o desemprego e recebe o silêncio como resposta.
Por isso mesmo, a batalha mais importante, assim que o entulho Bosonaro for removido, será a demissão de Paulo Guedes. Com ele à frente da economia, não haverá qualquer perspectiva de retomada do crescimento econômico no Brasil. Ao Fora Bolsonaro, deve-se somar o Fora Guedes.
Primeiro, foram os inativos, no governo Temer; soltaram o FGTS deles; a economia estava naquela base, horror puro; deu uma sacudidela; não mais que isso; agora, quando está tudo piorado, com desemprego saindo pela ladrão, com a fome avançando nas ruas, povão pobre feio e sujo se espalhando pelas praças, esmolambados, dormindo nos bancos sujos etc, vem outra mágica furada; Guedes promete soltar grana do FGTS dos ativos; certamente, está sabendo que o desemprego continuará crescendo; afinal, não haverá mais oferta de trabalho, se a previdência em regime de capitalização passar, à custa, pelo que já se vê, de todas as promessas disfarçadas de compras de votos etc; grana para isso tem; os banqueiros, os mais interessados, estão de burra cheia; os lucros dos bancos crescem 20%, enquanto o PIB tem crescimento negativo de 0,2% no primeiro trimestre.
Guedes sabe que liberar dinheiro privado é um viagra insuficiente para sustentar potência por muito tempo; algo, meramente, passageiro; a dose forte, porém, não virá, que é a supressão do congelamento dos gastos sociais, do teto de gasto, a única variável econômica independente, no capitalismo – a demanda estatal -, para girar, sustentavelmente, a produção e o consumo; teria, também, que ser complementada por mecanismo capaz de conter concentração de renda já excessivamente concentrada, tipo reforma tributária, para tentar taxar os mais ricos, os que não pagam impostos sobre lucros e dividendos, juros sobre capital próprio, os que se beneficiam das elisões fiscais, dos perdões, remissões e anistias de dívidas, para manter constante sua taxa de lucro, enquanto cai o poder de compra dos salários etc.
Paulo Guedes sabe que a “reforma” da Previdência é uma jogada para tirar dos pobres para dar aos ricos, como sempre; não vai gerar empregos prometidos; é, na verdade, uma fakeada econômica; por isso, anuncia que outras maldades virão, em doses homeopáticas; o capital especulativo, com Guedes, o especulador, está no poder; com ele, não tem composição social, alianças de classes de interesses antagônicos etc.
É o interesse dele e acabou. Financeirização econômica ampla, geral e irrestrita. O resto que se lasque. O capital financeiro impõe sua férrea lei, no Congresso, cuja maioria será, facilmente, cooptada. Restarão as ruas cheias de miseráveis e desempregados revoltados, até o momento, sem voz de comando político partidário para organizá-los; as cúpulas fazem os conchavos, para, apenas, mexer nos móveis da sala, mudando-os de lugar, deixando o conteúdo dramático corrosivo da crise como está. Salve-se quem puder no reinado da bancocracia.

Tenho ouvido tantas coisas sobre o Islam que resolvi ler e estudar um pouco sobre o assunto. O que encontrei é bem diferente do que dizem. Veja o que eles acreditam e praticam sobre o meio ambiente:
O Islam antes dos ambientalistas estabelecerem regras para o meio ambiente há mais de 400 anos atrás ao falar sobre o equilíbrio na criação do universo que não foi criado a toa mas todas as coisas nele criadas são criados devido a uma exata proporção, as regras estabelecidas evitam choque entre as funções de cada elemento neste universo para manter o equilíbrio. Podemos citar o exemplo da China onde os pássaros comiam 3% da safra do arroz e para impedir esse prejuízo mataram os pássaros, logo apareceu um problema maior quando os insetos acabaram consumindo 50% da safra. O Islam para preservar o ambiente estabeleceu regras como: "impedir os danos é melhor que trazer benefícios", também não há dano singelo nem recíproco" tais regras impedem os transgressores ao meio ambiente de causar danos. Estabelece a regra de "prevenir contra a corrupção" esta regra impede o ser humano de agredir o meio ambiente, o profeta Mohamed (SAS) orienta para que as pessoas preservem as fontes hídricas de poluição quando disse: "evitem as três maldições: fazer necessidades nas fontes de água, lugares de passagem de pessoas, e na sombra" e completou "não urine na água parada" o Islam dá orientação para que se preserve a higiene nas residências, disse o profeta(SAS): "Deus é belo e aprecia tudo o que é belo e limpo, então limpem suas casas e jardins".
O Islam estimula as pessoas a plantarem e embelezarem o meio ambiente, disse o profeta (SAS): "todo muçulmano que plante uma planta ou uma muda e vem se alimentar dela uma ave, ser humano ou um animal é considerado uma caridade para ele, e disse também "se vier a acontecer o fim do mundo e na mão de um de vocês tiver uma muda , que a plante se puder". Existem três fundamentos básicos nos Islam para a preservação do meio ambiente:
1- o muçulmano deve ser justo e não deve transgredir os limites, deve observar a Deus em qualquer ação seguindo Sua orientação e por tal razão não deve corromper nenhum dos alimentos da natureza, portanto não deve poluir a água, extrapolando no seu consumo, matar um animal sem razão, proteger a terra;
2-o Alcorão veio para organizar os aspectos gerir da vida e entre esses aspectos está o meio ambiente, proibindo assim exagero nas medidas para que não haja desequilíbrio;
3- buscar o equilíbrio e respeitar os limites estabelecidos por Deus e não causar danos, disse Deus no Alcorão:
"não espalhem na terra a corrupção"
Na Assunnah profética há ênfase sobre o meio ambiente, podemos dividí-la em três grupos:
1-ditos que estimulam a plantação e preservação de árvores, considerando que o plantio é uma obrigação coletiva e para preservar a plantação e as sementes o profeta (SAS) proibiu a coleta antes da época, além de estabelecer garantias financeiras contra danos causados às plantações por animais.
2-Regras relacionadas à caça, onde é proibido a prática a não ser para alimentação, disse o profeta(SAS): "não tome algo vivo como alvo e quem matar um pássaro por brincadeira irá testemunhar contra ele no dia do julgamento final".
3-Regras que estabelecem a quarentena e reservas ambientais, disse o profeta (SAS): "não deve-se apresentar uma pessoa doente a outra sã" sabe-se também que o Islam havia estabelecido determinados período do ano onde proíbe matar e assustar animais e cortar e queimar plantações em determinados lugares.
Quanto ao meio ambiente não vi nada errado por parte deles. Quanto ao resto:
vou continuar pesquisando, mas duvido que sejam tão maus quanto somos acostumados a ouvir.

“Tenho que me apressar, o tempo urge.
Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida.
Amar os outros é a única salvação individual que conheço.
Ninguém estará perdido se der amor e, às vezes,
Receber amor em troca.
Sempre me restará amar.
Escrever é alguma coisa extremamente forte,
Mas que pode me trair e me abandonar.
Posso um dia sentir que já escrevi o que é meu lote neste mundo
E que eu devo aprender também a parar.
Em escrever eu não tenho nenhuma garantia.
Ao passo que amar eu posso até a hora de morrer”.
Clarice Lispector
Lendo (saboreando, contemplando...)
Drummond, Vinícius, Clarice, Cecília,
D. Pedro, Guimarães Rosa, Adélia, Rubem Alves,
Manoel de Barros, Érica Toledo, Libanio,
Adroaldo (e outros e outras tantos e tantas...),
Aprendi que o amor é permanência.
A paixão quer pra já.
O amor quer pra sempre.
Escrever sobre o amor, descrever o amor,
Buscar amar e me deixar amar,
É minha terapia.
O amor é meu berço, caminho e destino, pois que Deus,
Que é amor, criou cada um de nós por amor e para o amor
Ah, você é ateu...
Eu até poderia, a modo de Nietzsche, decretar a morte de Deus.
Poderia, quem sabe, até sobreviver, não sem dor,
À ideia da inexistência de Deus.
Mas não poderia suportar a morte do amor.
E aí, quem me salva é o apóstolo João quando diz:
‘Deus É amor’...
Ele não fala de uma ação, mas de um estado.
Deus não ama, simplesmente. Ele É o próprio amor.
Podemos até matar Deus como ideia.
Mas se sua ação amorosa permanece em nós,
Se permanecermos nela.
Está salvo o essencial.
Nossa vocação primeira, original
Amar e me deixar amar: questão de sobrevivência...

Lendo alguns salmos, me vejo diante das seguintes palavras:
“O Senhor levantou da poeira o indigente, e do lixo retirou o miserável para fazê-lo assentar-se ao lado dos nobres do seu povo”.
De imediato, lembrei-me da história de um menino que, em 1952, aos sete anos, saiu com sua mãe e os muitos irmãos de Garanhuns, no sertão de Pernambuco, enfrentou treze dias de viagem num pau-de-arara até chegar a São Paulo, fugindo da miséria, da fome e de um futuro que prometia ainda mais miséria e fome.
Na cidade grande, as perspectivas também não eram muito promissoras para aquele migrante nordestino que, como tantos, poderia sonhar, na melhor das hipóteses, em passar a vida assentando tijolos numa obra ou ajustando parafusos numa fábrica.
O menino foi um pouco mais longe...
Numa trajetória de vida surpreendente e absolutamente improvável, se fez operário, líder sindical e político e tornou-se o 35° presidente eleito da República Federativa do Brasil.
Mas... os nobres não conseguiram suportar a petulância atrevida desse menino que, além de ascender à Casa Grande, sonhou trazer com ele os outros moradores da senzala.
E a intolerância não reside apenas aqui...
Quando, em agosto de 2008, Barak Obama foi escolhido para concorrer, como candidato dos democratas, à presidência dos EUA, um assessor do então presidente Bush perguntou quem era ele e teve como resposta: “é aquele preto de Harvard”.
Um preto de Harvard, um peão de Garanhuns...
Meus companheiros de luta sonham com um Lula livre. Ele nunca será. Assim como Obama não será capaz de se livrar da cor da sua pele e será, aos olhos de muitos, quando muito, ‘um preto de alma branca’...
O racismo, a intolerância, o ódio racial e social são o caldo de cultura em que eu e os brancos do sul maravilha como eu, fomos criados. O racismo, e outros preconceitos muitos, estão entranhados em mim, em nós, como um DNA maligno e inevitável, absorvido no leite materno, vivido, das carteiras da educação infantil às salas da Universidade.
Nas escolas onde estudei o lugar dos negros era na faxina e nos serviços gerais...
Lula é humano. Obama também. Assim como o preto de Harvard terá que lidar com os fantasmas dos mortos durante a sua gestão, nas guerras declaradas e anônimas que seu país costuma semear pelo mundo, Lula também não vai se livrar do seu fantasma; o erro político fatal que cometeu ao imaginar que poderia conviver com os “nobres”, os senhores da Casa Grande.
Pensou que poderia sentar-se à mesa com eles, como fazia em seus tempos de sindicato dos metalúrgicos, e negociar políticas públicas que beneficiassem o país da maioria dos peões e pretos que somos e que, de repente, começaram a frequentar faculdades e aeroportos, não mais como faxineiros e serviçais, mas como alunos, e passageiros.
Ódios ancestrais não são passageiros...
A Casa Grande tem seus sortilégios. Pegou Lula pela vaidade e Obama contribuiu para isso quando declarou: “esse é o cara”!
O cara se elegeu, foi reeleito, elegeu e reelegeu sua sucessora. O peão foi longe demais. Nem o preto de Harvard tinha conseguido tal proeza. Foi sucedido por um inacreditável Donald Trump!
A Casa Grande tinha seus trunfos, truques e cunhas, aprendidos desde a armada de Cabral.
Para derrubar uma presidente eleita ou prender e tirar do jogo eleitoral um candidato que começava a disputa com quase 40% de preferência dos eleitores, a Casa Grande não precisa de provas, só denúncias, e alguém em cima do Moro, digo, muro, de olho num ministério aqui e numa vaga no STF acolá.
Ah, Lula, vaidade das vaidades, tudo é vaidade...
Conhecemos bem o caminho das seduções e mimos. Poderíamos até nos perguntar; o que é a reforma de um sítio do amigo dos amigos e um apto. no Guarujá, perto das histórias que correm a malas soltas?
Pois foi o suficiente para colocá-lo na cadeia e, assim, abrir caminho para que se entronizasse um asno chucro, mentiroso contumaz, incompetente, marginal, violento, racista, misógino, homofóbico, ignorante e DESONESTO na Presidência.
Esse é o quadro, senhores e senhoras eleitores do asno.
Vá lá, admitamos que o Lula é ladrão, que todos os petistas são ladrões, que todo mundo que tem pensamento socialista é ladrão. Em nome disso você se sentiu justificado para eleger o asno que ora está no poder?
Alguém que montou uma quadrilha com seus filhotes para abocanhar dinheiro do salário de assessores reais (como o Queiroz) ou fantasmas, como os milicianos foragidos?
Alguém que tem como herói um assassino torturador, covarde e brutal?
Alguém que em quatro meses de mandato já foi duas vezes aos states lamber o saco do Trump?
Alguém que mostra absoluta ignorância e desprezo por ideias, arte, cultura, ecologia?
Ele que, quando era deputado federal, foi assaltado por dois criminosos que acabaram levando sua motocicleta e a pistola Glock calibre 380 que carregava debaixo da jaqueta, e tem, agora, como única proposta, distribuir armas para “os cidadãos de bem”, como os que recentemente fuzilaram um músico e um catador, no Rio de Janeiro?
Quem tem olhos, veja!
O que vemos é o que temos, o que sempre tivemos, aquilo que um barbudo chamado Marx, lá no sec. XIX chamava de mais-valia (vulgo, PIB): a riqueza criada pelo trabalhador que não beneficia o trabalhador, mas se concentra nas mãos dos proprietários da Casa Grande.
Só que...
O asno vai ter que se virar para sufocar a reação, que está apenas começando, dos “idiotas úteis, militantes, massa de manobra que não sabe a fórmula da água e nem o resultado de 7X8”...
Água mole em asno duro. Estamos fazendo a conta. Já, já chegamos ao X da questão...
Tá apenas começando...

Definha o interesse por notícias impressas ou televisivas. Pesquisas revelam que o público prefere notícias online.
Nos séculos XIX e XX, o modo de pensar da sociedade tendia a ser moldado pelos grandes meios de comunicação: mídia impressa, rádio e TV. Tudo indica que termina aquela era. Trump se elegeu atacando a grande mídia dos EUA. Só a Fox o apoiou. Os principais veículos da mídia britânica se opuseram ao Brexit. Ainda assim a maioria dos eleitores votou a favor dele. Bolsonaro fez campanha presidencial quase ausente da grande mídia. Criticou os principais veículos, e ainda assim se elegeu. O que acontece de novo?
O novo são as redes digitais, as novas tecnologias ao alcance da mão. Elas deslocam a notícia dos grandes veículos para computadores e smartphones. Têm o mérito de democratizar a informação, rompendo a barreira ideológica que evitava opiniões contrárias à orientação editorial do veículo.
Contudo, pulverizam a notícia. O que é manchete na TV não merece destaque na comunicação interpersonalizada na internet. O receptor corre o risco de perder ou não adquirir critérios de valoração das notícias. Pode ser que lhe seja mais importante ficar ciente de que seu colega tem nova namorada do que inteirado do golpe de estado no país vizinho ou da nova lei que regula o trânsito em seu bairro.
Essa informação individualizada, embora mais cômoda, prêt-à-porter, tende a evitar o contraditório. Cada interessado se isola no interior de sua tribo no Whatsapp, no Twitter, no Facebook, no Instagram, no YouTube, no Telegram, nos serviços de mensagens no Google e do Periscope. Não há interação dialógica. Não interessa o que dizem as tribos vizinhas, potenciais inimigas. O que transmitem não merece crédito. A única verdade é a que circula na tribo com a qual o internauta se identifica. Ainda que essa “verdade” seja fake news, mentira deslavada, farsa. Apenas um dialeto faz sentido para o internauta. Desprovido de visão conjuntural, ele se agarra ao que propagam seus parceiros como quem acolhe oráculos divinos.
Querer mudar-lhe o foco é como se alguém tentasse convencer os astecas contemporâneos de Cortés de que o sol haveria de despontar no horizonte ainda que eles não despertassem de madrugada para celebrar os ritos capazes de acendê-lo. Com certeza não ousariam correr o risco de ver o dia inundado de escuridão.
Eis a privatização da notícia. Essa seletividade individualizada faz com que o internauta se encerre com a sua tribo na fortaleza virtual dotada de agressivas armas de defesa e ataque. Se a versão emitida pela tribo inimiga chegar a ele, será imediatamente repelida, deletada ou respondida por uma bateria de impropérios e ofensas. É dever de sua tribo disseminar em larga escala a única verdade admissível, ainda que careça de fundamento, como a teoria do terraplanismo.
Os efeitos dessa atomização das comunicações virtuais são deletérios: perda da visão de conjunto; descrédito dos métodos científicos; indiferença ao conhecimento historicamente acumulado; e, sobretudo, total desprezo por princípios éticos. Qualquer um que se expresse em linguagem que não coincida com a da tribo merece ser atacado, injuriado, difamado e ridicularizado.
O que fazer frente a essa nova situação? Desconectar-se? Ora, isso seria bancar a tartaruga que recolhe a cabeça para dentro do casco e, assim, se julga invisível. A saída deve ser ética. O que implica tolerância e não revidar no mesmo tom. Como sugere Jesus, “não atirar pérolas aos porcos”. Deixar que chafurdem na lama sem, no entanto, ofendê-los.
A vida é muito curta para que o tempo seja gasto em guerras virtuais. Quanto a mim, prefiro ignorar ataques e atuar propositivamente. Sobretudo, não trocar a sociabilidade real pela conflituosidade virtual. E muito menos livros por memes e zapps que nada acrescentam à minha cultura e à minha espiritualidade.
Se há algo a lamentar profundamente hoje em dia nas redes sociais de nosso país é o império da grosseria e da obscenidade.
Essa metáfora já foi usada por outros: parece que as portas e as janelas do inferno se abriram de par em par. Daí saíram os demônios das ofensas pessoais, das injúrias, dos fake news, das mentiras, das calúnias e de toda sorte de palavras de baixíssimo calão. Nem precisaria Freud ter chamado a atenção ao fato de que há pessoas com fixação anal, usando palavras escatológicas e metáforas ligadas a perversões sexuais, pois as encontramos frequentemente nos twitters, nos facebooks, nos youtubes e em outros canais.
A grosseria demonstra a falta de educação, de civilidade, de cortesia e de polidez no trato para com as pessoas. A grosseria transforma a pessoa em vulgar. O linguajar vulgar usa expressões que ferem a sensibilidade dos outros ao seu redor. A vulgaridade contumaz deixa as pessoas inseguras, pois, nunca sabem quais gestos, palavrões ou metáforas de mau gosto podem sair de gente grosseira. O grosseiro casa o mau gosto com o desrespeito.
Especialmente, embora não exclusivamente, é o homem mais vulgar em sua linguagem. A mulher, não exclusivamente, pode ser vulgar no modo de se expor. Não se trata apenas no modo de se vestir, tornando-a explicitamente sensual e sedutora, mas no comportamento inadequado de se portar. Se a isso ainda se somam palavras obscenas e grosseiras faz-se mais vulgar e grotesca.
Especialmente grave é quando os portadores de poder como um presidente, um juiz da corte suprema, um ministro de Estado ou senador entre outros, esquecem o caráter simbólico de seu cargo e usam expressões vulgares e até obscenas. Espera-se que expressem privada e publicamente os valores que representam para todos. Quando falta esta coerência, a sociedade e os cidadãos se sentem traídos e até enganados. Aqueles que usam excessivamente expressões indignas de sua alta função são os menos indicadas para exercê-las.
Infelizmente é o que verificamos quase diariamente no linguajar daquele que ocupa o cargo mais alto da nação. Seu linguajar, não raro, é tosco, ofensivo, quando não escatológico e quase sempre burlesco.
Se é grave alguém ser grosseiro, mais grave ainda é o ser obsceno. Pois, este, o obsceno, rompe o limite natural daquilo que implica respeito e o sentido bom da vergonha. Já Aristóteles em sua Ética anotava que nos damos conta da falta de ética quando se perdeu o sentido da vergonha. Sem ela, tudo é possível, pois, não haverá nada que imponha algum limite. Até a Shoah, o extermínio em massa de judeus pelo nazismo, se tornou terrível realidade.
“Ter um coração leve é escutar o pássaro cantando no jardim. Não o perturbes. Faze-te o mais silencioso possível. Escuta-o. Seu canto é o canto de seu Criador.”
“Rosas desabrocham no jardim. Deixa que possam florir. Não estendas a mão para colhê-las. Elas são o sorriso do Criador”.
“E se encontrares um miserável, alguém que está sofrendo desesperado, cala-te, escuta-o. Enche teus olhos com a presença dele, com a vida dele até que ele possa descobrir em teu olhar que tu és seu irmão. Então tu o fizeste existir.Tu foste Deus para teu irmão”
Releva dizer: somos seres duplos, grosseiros e obscenos, mas também podemos e devemos ser gentis e corteses. Destes precisamos muitos, nos dias atuais, em nosso país. Para isso importa educar o coração (sim, dar valor à educação) para que seja leve e totalmente distante de toda a grosseria e de toda a obscenidade, tão vigentes entre nós

A falta de luz era motivo para nos contarem histórias. Meu pai contava, meus tios contavam, a imaginação viajava. O pouco que sei sobre música também aprendi no escuro. Meu pai dizia: é preciso tocar de olhos fechados, reconhecer as notas pelo ouvido e pelo tato, conhecer as notas sem olhar o braço do instrumento.
Às escuras, elaborávamos hipóteses, planos, programas. Rompíamos o silêncio. Era preciso conhecer o lugar exato das velas e dos fósforos. Tatear os móveis, caminhar lentamente para pegar a lanterna. Às escuras fazíamos teatro de sombras e ouvíamos histórias de fantasma. Minha tia, caminhando à noite, temia os copos-de-leite no banhado: moviam-se ao vento como almas penadas. Eram os percursos iluminados apenas pela lua nos bairros pobres.
Quando a luz voltava, retornavam as certezas. Ah, era o contador da luz, era o transformador do poste, era o temporal. Tudo encontrava o seu lugar no campo das explicações plausíveis. Com a luz também voltava a nossa distração. O jantar preparado como sempre, a comida engolida como sempre, a TV ligada como sempre, a mudez respeitada como sempre. Os olhos empanturrados de histórias que não nos pertenciam. Os ouvidos abarrotados de fofocas sobre vidas imaginárias. Era um tédio. Preferia a cantoria à luz de velas. Antes do livro, a escrava Isaura já tinha cara de Lucélia Santos. Diadorim era Bruna Lombardi.
Há algo de misterioso, porém, nas palavras. Como viver às escuras. Imaginar. Quando finalmente li Grande Sertão: Veredas, uma emoção desconhecida se apoderou de mim. Esqueci a Bruna Lombardi, sem esquecer os olhos verdes de Diadorim. Quando penetrei a musicalidade do romance, descobri um país totalmente diferente do sotaque habituado aos meus ouvidos. Aprendi outra língua. Senti a angústia de Riobaldo, que se chama amor, mas não pode ser nomeado. Era cantiga de amigo, escrita no sertão, num outro tempo, mas com semelhante sentimento: corrosivo, carregado de ausências. A intuição vem às escuras, puxando outras leituras, dialogando com outras musicalidades, sentindo as alheias dores. Não se aprende fartando de imagens os nossos olhos, esgotando os ouvidos de respostas sem perguntas, engasgando as palavras de opiniões sem conhecimento.
Esvaziamos os sentidos para preencher o tempo.
Na verdade, não queria falar nada disso. Queria apenas lembrar que a luz um dia sempre falta. Mas o estrago está feito e já não há espaço para dar instruções sobre como encontrar velas e lanternas no escuro. Tudo culpa da literatura, essa matéria inútil para tudo. Menos para a vida.