terça-feira, 6 de novembro de 2012

A MORTE NÃO TEM A ÚLTIMA PALAVRA


Desesperada com a morte do filho único, uma mulher passava horas e horas em absoluto silêncio, depois saía gritando e chorando pelas ruas, recusando qualquer palavra de consolo.
Um dia bateu à porta de uma cabana, no meio da floresta, onde vivia um homem de Deus. Depois de escutá-la com paciência e amor, o eremita deu-lhe uma tarefa a executar: vá ao povoado e traga um grão de trigo de uma casa onde não tenha morrido ninguém. Depois volte aqui.
Passaram-se dias e ela retornou de mãos vazias. Visitara todas as famílias da aldeia, visitara as moradias do interior e em toda parte havia alguma história de morte. Alguém perdera o pai, outro a esposa, um filho, um irmão... nas circunstâncias mais diversas. Alguns haviam morrido na idade madura, outros haviam tombado na juventude. A própria mulher, em sua peregrinação de casa em casa, dera-se conta que tudo é passageiro neste mundo.
E porque tudo é passageiro neste mundo, a morte faz parte da vida. E na rapidez
das coisas que passam, é inteligente buscar coisas que não passam. A ciência não
tem resposta para esta questão. A única resposta satisfatória vem da fé.
A fé nos ensina que a morte não é a última palavra. Nem a medicina tem a última palavra. De comum, a morte e a medicina têm uma coisa: elas têm a penúltima vitória. A palavra final é da vida. E a fé nos assegura que a morte é o momento mais precioso da vida. É a hora de refazer escolhas, buscar o equilíbrio sempre oscilante na vida, é a hora de pedir e dar o perdão. O que haverá depois da morte? Um Pai nos acolhendo de braços abertos. Mas é em vida que devemos conhecer e dar-nos a conhecer a este Pai.
Não há normas confiáveis em relação à morte. Ninguém aprende a morrer.
Podemos e devemos aprender a viver.
A morte torna definitivo nosso projeto de vida. Deus olhará o que fizemos e –
porque é Pai – levará em conta também nossa boa vontade, mesmo quando ela não chegou a termo.
Não sabemos o dia, nem as circunstâncias, nem o local de nossa morte. O único local decente para morrer é a comunidade cristã. E morre na comunidade cristã aquele que vive na comunidade cristã. 

PELA FÉ PROMOVEMOS PAZ,JUSTIÇA E AMOR

Atravessando a porta da fé, progressivamente, vamos nos dando conta de que esta não se baseia em alguma coisa secundária do nosso viver. Porém, certamente, a fé sustenta de modo particular os que atravessam momentos difíceis, ajudando-os a vivê-los e colocá-los em um horizonte mais amplo. A fé não nos dispensa dos passos normais que humanamente devemos dar e do nosso compromisso com a vida. Porém, em tudo e para tudo confere sentido e oferece razões para ser ou não ser, para fazer ou não fazer, para viver e conviver.
Numa pequena história irônica de um antigo livro de teologia, conta-se que, num dia de tempestade, um navio estava afundando. O comandante, apavorado, começou a gritar: “Os ateus às bombas e os crentes a rezar!” Diante da tragédia, nem uns e nem outros tinham a solução, mas ainda era melhor rezar para tentar arrancar forças repentinas que pudessem inspirar alguma reação positiva.
Para podermos atravessar com elegância e dignidade a porta da fé e prosseguirmos com decidida perseverança, necessitamos fazê-lo na certeza de um encontro com aquele que disse: “Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem”. Melhor que as provas racionais para convencer alguém da importância da fé, é preciso que a prova seja o nosso viver como humanos, na realidade do cotidiano, na sua evidência social. Por causa do encontro com Jesus Cristo nos tornamos mais humanos e amigos da vida.

O EQUILÍBRIO ESTÁ SENDO RETOMADO

Inundações, secas, incêndios florestais, terremotos e outras ameaças afetam cerca de 200 milhões de pessoas todos os anos no mundo, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). Recentemente no Brasil, as enchentes atingiram Santa Catarina, Rio de Janeiro e Minas Gerais, que afetaram milhões de pessoas e desalojaram milhares.
Para mudar este quadro, é fundamental que as cidades tornem-se resilientes, aquelas empenhadas em retornar a seu estado de equilíbrio ecológico após passar por intenso processo de urbanização (ver quadro).
No mundo, mais da metade da população vive a menos de 60 quilômetros do mar e 75% das grandes cidades estão localizadas em região costeira. Situação que as torna vulneráveis aos eventos climáticos. É o caso de Santa Catarina, único Estado brasileiro que possui 10 cidades resilientes: Lages, Araranguá, Rio do Sul, Tubarão, Itajaí, Florianópolis, Blumenau, Joinville, Criciúma e Jaraguá do Sul. O secretário da Defesa Civil, Geraldo Althoff, disse que a Secretaria está trabalhando para credenciar outros municípios catarinenses. “Para aderir, o município precisa apresentar carta de interesse, assinada pelo prefeito, e desenvolver os 10 itens essenciais sugeridos pela ONU”, adiantou.
Já Curitiba figura entre as 10 melhores cidades resilientes do mundo, conforme o ranking O U.S Green Building Council. A capital dos paranaenses está em segundo lugar, perdendo apenas para Copenhagen, na Dinamarca. O ranking se completa com Barcelona, Estocolmo, Vancouver, Paris, São Francisco, Nova York, Londres e Tóquio.
A boa colocação se justifica. Curitiba usa 82% de energia reciclável, tem baixa emissão de carbono de 2,1 toneladas per capita e ainda traz bons exemplos, como o uso do transporte público por 70% de sua população e um sistema de prevenção de enchente através do qual a cidade, além de se livrar dos transtornos causados por ela, ganhou mais de 20 km² de parques ao longo dos leitos dos rios.
Providências - A construção de uma cidade resiliente envolve 10 providências principais a serem implementadas por prefeitos e gestores públicos. Cinco delas têm origem nas prioridades estabelecidas em 2005 pelo Marco de Ação de Hyogo (Japão), quando 168 países se comprometeram a adotar medidas para reduzir o risco de desastres até 2015.
Entre as medidas estão a criação de programas educativos e de capacitação em escolas e comunidades locais, o cumprimento de normas sobre construção e princípios para planejamento e uso do solo, o investimentos em implantação e manutenção de infraestrutura que evitem inundações e o estabelecimento de mecanismos de organização e coordenação de ações com base na participação de comunidades e sociedade civil organizada.

ÁGUA DEVE SER CONSUMIDA COM INTELIGÊNCIA E RESPONSABILIDADE.


Todos devemos fazer uso da água com inteligência e responsabilidade. O desperdício de água nas atividades domésticas é muito grande, sobretudo em comunidades que dispõem de abundância do produto. A cultura do uso apenas do necessário precisa sofrer um paradigma. Banhos de 15 minutos são comuns, sobretudo entre jovens e adolescentes e custam menos de R$ 0,70, sem contabilizar o custo da eletricidade. Se nesse banho fosse utilizada água mineral, o custo passaria de R$ 300,00.
O aumento do preço da água, como fator isolado, não resolve, pois para muitas famílias não afeta o orçamento doméstico. Há que se mudar a cultura. Uma medida eficiente é a medição individualizada nos condomínios, do contrário o consumidor não sabe o quanto consumiu e qual o impacto de suas ações de uso racional da água. Um banho de quatro minutos, em média, é suficiente para realizar a higiene do corpo. Para banhos de 15 e 30 minutos são gastos 57 e 114 litros de água respectivamente. Um banho de mais de 25 minutos equivale ao consumo per capita diário recomendado pela Fundação Nacional de Saúde, que é de 100 litros/habitante/dia. O chuveiro avaliado tem redutor de vazão, ou seja, chuveiros sem este dispositivo podem dobrar o volume de água referido.
Há que se ter claro o conceito de que a água é um bem finito. O volume existente no planeta hoje é o mesmo de séculos passados. A grande diferença é que o consumo aumenta, sem controles. Para tornar o conceito prático, considere-se a cidade de Santa Maria com seus 300 mil habitantes. Em tese, seriam 300.000 banhos por dia. Todavia, se considerados 280.000 banhos com tempo médio de dez minutos, pois nem todos sem banham todos os dias, o consumo seria de 10.640.000 litros. Se a média do tempo de banho for reduzida para cinco minutos, o consumo baixaria para 5.320.000 litros, com uma economia de mesma grandeza suficiente para fornecimento de água potável para dez mil famílias ou 40 mil pessoas por dia.
Esta água não teria se tornado lixo, engrossando o volume do esgotamento sanitário que, se não coletado e tratado, acaba nos mananciais e rios, contaminando-os. A água que foi desperdiçada pelo ralo do box do banheiro estava pronta para beber, cozinhar etc. Por outro lado, 300.000 habitantes de Santa Maria, deveriam beber 600.000 litros de água por dia, que manteria uma saúde de maior qualidade, diminuindo a ocupação de leitos hospitalares e, sobretudo, reduzindo o dispêndio de recursos financeiros, tão escassos para a saúde.

PROGRESSO NÃO ELIMINA DISTORÇÕES

Por mais que evolua, o Brasil não consegue se livrar de seus contrastes. Pelo contrário: novos surgem, em alguns casos desmontando lógicas e desafiando a identificação correta da origem.
O Censo Agropecuário divulgado recentemente pelo IBGE fornece mais mercadorias para o balcão das distorções. Como um país avança pelo caminho da modernização agrícola, rompe a barreira de máquinas e insumos e chega ao capital intelectual mantendo parcela significativa de seus agropecuaristas na classe de analfabetos? Ou, ainda: como um país adota sistemas sofisticados de irrigação, usa sementes certificadas, assistência técnica, transferência de embriões, rastreamento, inseminação... e não consegue que 39% dos responsáveis por este avanço saibam pelo menos ler e escrever? Algo está errado, obviamente. Um setor que bate recordes em sequência, que serve de exemplo para boa parte do planeta, que fatura centenas de bilhões de reais por ano, convive com um dos problemas mais primários de uma sociedade.
Talvez a própria tradição de desigualdades possa explicar este descompasso. A concentração de terras dá a poucos muito e a muitos pouco ou quase nada. Não é sem razão que a agricultura familiar, responsável por 84,4% dos estabelecimentos agropecuários, ocupe menos de 15% da área destinada a essa atividade. Ou seja: é parca terra para muitos, o contrário da agricultura empresarial. Mas, é bom frisar, ambas são importantes e não excludentes.
Historicamente, agricultores e pecuaristas limitavam suas preocupações à produção do campo. Uma política para o setor ampliaria a visão de todos envolvidos. É nesse ponto que o governo precisa intervir. Ainda há tempo de aliar às habilidades a informação e o conhecimento que são oferecidos somente a quem têm acesso à leitura e à pesquisa. No fundo, trata-se de um direito sonegado por quem deveria garanti-lo.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

DE ALMA LAVADA CONTRA O ESFORÇO DA GRANDE MÍDIA


A eleição de 2012 entrará para a história. Esforço que envolveu toda a grande imprensa, partidos de oposição e as cúpulas do Poder Judiciário e do Ministério Público, tentou gerar “efeitos políticos” – leia-se uma monumental derrota do Partido dos Trabalhadores e, por conseguinte, do ex-presidente Lula – nas eleições municipais.
Ao fim da tarde de 28 de outubro, porém, no grupo de mídia que mais se empenhou em destruir um partido e o maior líder político da atualidade no Brasil, o jornalista Willian Bonner, com expressão de choro estampada no rosto, teve que admitir que o processo eleitoral deste ano terminou com uma vitória histórica desse partido.
Se o PT não vencesse a eleição em mais nenhuma parte, vencendo só em São Paulo já seria uma derrota sem par do consórcio demo-tucano-pepessista-midiático-judiciário. A vitória retumbante de Fernando Haddad, porém, somou-se a mais de 17 milhões de votos que fizeram o PT emergir do primeiro turno como o campeão brasileiro de votos.
O caráter histórico das eleições de 2012 também se fará acompanhar pelo fenômeno político e social que eclodiu, com o povo brasileiro simplesmente ignorando uma campanha de difamação de Lula e do PT pela mídia que, ao todo, durou 7 anos, mas que, nos últimos três meses anteriores a este 28 de outubro, atingiu as raias do inacreditável.
Centenas de milhões de dólares foram gastos pela grande imprensa brasileira na busca desesperada por fazer o povo brasileiro votar como queriam colunistas, editorialistas e articulistas de jornais, revistas, televisões e rádios. Tudo em vão. O brasileiro, mesmo bombardeado por acusações ao PT, ignorou e deu quase 20 milhões de votos ao partido.
Ao fim, mais uma vez o Brasil e o mundo se voltam a um retirante nordestino que chegou a São Paulo com a roupa do corpo, sofreu o diabo com privações e humilhações e, assim mesmo, tornou-se o pesadelo de uma elite que, desde o descobrimento, jamais teve o menor vínculo com a realidade, preferindo crer nas mentiras que ela mesma inventa.
Viva a Democracia!
Viva a Verdade!
Viva Luiz Inácio Lula da Silva!

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A MORTE. NOSSA ÚLTIMA BRINCADEIRA


Um concurso lançado por uma empresa israelense pode ser sua última chance de tornar-se célebre. O premiado será aquele que morrer primeiro e, neste caso, nem mesmo poderá gozar de seus quinze minutos de celebridade. Para participar, o usuário da Internet precisa gravar um vídeo para ser exibido após sua morte. Nos primeiros dias, cerca de duas mil pessoas se inscreveram.
O primeiro que morrer, entre todos os inscritos, terá o testemunho publicado em sites e portais de todo o mundo.
O programa virtual permite aos internautas gravar uma mensagem de despedida com vídeo e texto para ser publicado na rede social só após a morte de cada um deles. Regulamento prevê que o vídeo não será publicado em caso de suicídio ou quando existir interferências visando antecipar a própria morte. A empresa estima que o primeiro ganhador sairá somente num prazo de vinte meses.
Já que não podemos vencer a morte, procuramos duas maneiras de enfrentá-la. A primeira é, simplesmente, esquecê-la. Fazer de conta que ela não existe. A segunda maneira é tentar brincar com ela. Esta opção foi escolhida pelo israelense Eran Alfronta. Depois de uma vida inteira no anonimato, na humilde rotina do dia a dia, há os que escolhem esta possibilidade para uma “imortalidade” provisória de 15 minutos, mesmo eles estando ausentes.
A morte é uma coisa séria. Sua sombra costuma pairar sobre as pessoas, sobretudo a partir de certa idade. O filósofo espanhol Miguel de Unamuno dizia que o homem é um animal doente, porque sabe que vai morrer. A vida pode ser definida como um aprendizado para a morte. Aprender a morrer é tarefa pessoal e irrepetível. Mas antes disso, precisamos aprender a viver. O tempo é um dom de Deus e nos é dado para nosso amadurecimento.
Viver bem é a melhor maneira de preparar a morte. Mesmo assim, a morte se constitui no momento mais privilegiado da vida.
Na visão apenas humana, a morte é um absurdo. Temos ânsia de viver para sempre e somos finitos. Os primeiros cristãos colocavam na sepultura o dia do nascimento, mas não nascimento para o mundo, mas o nascimento para a eternidade. A ternura de São Francisco descobriu na morte uma irmã, a irmã mais velha que nos entrega ao Pai.
A morte tornará definitivo, não os últimos quinze minutos, mas nosso projeto de vida. É o apito final e vale o resultado do jogo. Mas é um jogo de cartas marcadas.  Para Shakespeare, depois da morte, o mistério; para o cristão, depois da morte a Vida.

BRASILEIRO: ENGOLIDOR DE SAPO UM ATRÁS DO OUTRO

Amigo meu esteve no Japão, convidado a visitar famosa empresa transnacional de produtos eletrônicos. Fabricam-se ali desde computadores a componentes aeronáuticos. Empregam-se mais de 50 mil pessoas. Impressionou-o o ritmo de trabalho. O engenheiro, que lhe serviu de anfitrião e explicou o processo interno da empresa, trabalha de segunda a sábado.
O japonês esclareceu que trabalha também um domingo por mês, e o faz porque a empresa consegue que os funcionários encarem suas tarefas como atividades prazerosas. O cuidado da família, incluídos lazer e cultura, faz parte do projeto da empresa.
Naquela semana, por exemplo, ele tinha como serviço recepcionar o brasileiro, levá-lo aos melhores restaurantes, conhecer algo da arte do país, percorrer pontos turísticos.
Meu amigo perguntou se teria chance de conhecer o presidente da empresa. A resposta o surpreendeu: o presidente se encontrava, por três meses, recolhido a um mosteiro budista, sem sequer utilizar o celular. Ali, desfrutava da tranquilidade necessária para refletir sobre o perfil da empresa... daqui a trinta anos!
Como é possível um executivo de alto nível prescindir do andamento cotidiano da empresa? O anfitrião explicou que o sistema de delegação de funções e tarefas, respaldado na confiança depositada na competência de cada funcionário, permite a executivos em postos de direção se envolverem menos com desafios e problemas do cotidiano.
No Brasil ocorre exatamente o contrário, descreveu meu amigo. Executivos são regiamente pagos para vender a saúde à empresa: vivem dependurados no celular, apagam um incêndio a cada hora, matam três leões por dia, correm de um lado ao outro, raramente têm condições de pensar o empreendimento a longo prazo, e ainda sacrificam a vida familiar, ignorada pela empresa.
Isso vale para a iniciativa privada e o serviço público. Quem comanda, tem a pretensão de monitorar todos os detalhes, nem sempre confia suficientemente nos subalternos, tende a centralizar todo o poder de decisão. Sem a calma necessária para tocar os negócios, extravasa o nervosismo nos companheiros de trabalho, vive brigando com o tempo e modifica a agenda a cada dia.
Não há planejamento estratégico, as metas a serem atingidas sofrem atrasos consideráveis, as reuniões se prolongam mais do que deveriam e nem sempre terminam conclusivas. A cada momento é preciso arrancar a faca da cintura para descascar um novo abacaxi...
O japonês, interessado pelo sistema brasileiro, perguntou como funciona, em nossas empresas e repartições públicas, o método de crítica interna. O visitante, de início, pensou que ele se referia à avaliação dos subalternos pelos superiores. Era o contrário: como os subalternos criticam o desempenho de seus chefes?
O brasileiro ficou perplexo. Ali naquela poderosa empresa se atribui o êxito dos negócios ao fato de ninguém se sentir na obrigação de calar a crítica que lhe parece procedente. A cada dois meses, toda a equipe de um determinado setor se reúne para que sejam ditas e consideradas queixas e propostas, tanto em relação à produção quanto ao trato entre funcionários.
O faxineiro que cuida dos banheiros do setor de embalagem, frisou o japonês, tem o direito e o dever de enviar ao presidente da empresa uma crítica, ainda que de caráter pessoal. E a cultura que se respira ali dentro permite que isso não redunde em retaliação ou ressentimento. Todos os dias, nos primeiros minutos do horário de trabalho, os funcionários são convidados a praticar meditação, o que apazigua espíritos e favorece a amizade.
Muito diferente do Brasil, frisou meu amigo. Aqui o chefe finge acreditar que todos o admiram e todos fazem de conta que estão muito satisfeitos com o desempenho do chefe. E haja estresse, gastrite, depressão, e até consumo de drogas, para suportar o macabro exercício cotidiano de engolir um sapo atrás do outro.
Meu amigo retornou convencido de que não há lucro a longo prazo sem investimento em recursos humanos a curto prazo.

FAMÍLIA EM DADOS DO IBGE

Situação dos filhos

Pela primeira vez, o IBGE pesquisou a situação dos filhos nas famílias. A coordenadora da pesquisa, Ana Lúcia Sabóia, chama a atenção para essa nova classificação, ‘famílias reconstituídas’, que somam 16% das famílias brasileiras. “Até então, o Brasil era um mar de tranquilidade, todo mundo era casal com filho, mas você não sabia filhos de quem. Mudou. Você ouve falar do casal: o meu filho, o seu filho e os nossos filhos”, explicou. Em 84% das unidades, todos os filhos são dos casais.

Morando sozinho

A proporção de unidades domésticas unipessoais (com apenas um morador) passou de 9,2%, em 2001, para 12,1% em 2010. Muito distante ainda de países escandinavos (38% na Noruega, 37% na Finlândia, 36% na Dinamarca), mas já preocupando pela questão econômica e pelo comportamento.

União conjugal

Pela primeira vez, o contingente de pessoas vivendo em união conjugal supera a metade da população (50,1%). Desse total, subiu de 28,6% para 36,4% o percentual de pessoas vivendo em uniões consensuais. Por outro lado, diminuiu de 49,4% para 42,9% a proporção de cônjuges que optaram pelas uniões religiosas ou civis, sendo maior a queda do casamento religioso.

Raça predomina
A raça é fator predominante na escolha de parceiros conjugais. 70% dos casamentos no Brasil ocorrem entre pessoas de mesma cor. a incidência é maior entre os brancos (74,5%), pardos (68,5%) e índios (65%), neste caso, relacionado à preservação dos povos. A renda também influencia.

Separações em alta
Em dez anos, a formalização de separações cresceu 20%, passando de 11,9% para 14,6%. Um dos fatores para esse aumento é a facilidade na emissão do divórcio para casais sem filhos, a partir de 2007. A medida influenciou a escalada do número de divorciados, de 1,7% para 3,1%.

Rumo de migrantes

Os 9,5 milhões de nordestinos migrantes são maioria (53%) entre os 17,8 milhões de pessoas que residem em região diferente da que nasceram, sendo 66% no Sudeste. Pela pesquisa Nupcialidade, Fecundidade e Migração, o Sudeste também é o principal destino de 66% dos 600 mil estrangeiros que moravam no Brasil em 2010, seguido do Sul.

VALE A PENA INVESTIR NO AMOR

Acreditar que Deus crê em mim é a lógica do amor que sempre começa com a iniciativa divina. “Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele que nos amou primeiro!” ). O fato decisivo que confirmou a conversão de Paulo aconteceu desde o momento em que ele se deu conta do quanto Deus nele acreditava e qual era o preço de tal credibilidade. Isto ele o declara quando proclama: “Ele me amou e se entregou por mim!”.
Todo o acontecimento Jesus Cristo em sua vida, paixão, morte e ressurreição é um hino de credibilidade à dignidade humana. Daí o respeito e a reverência que Cristo sempre revelou em suas palavras, em seus encontros e em suas ações redentoras. Para Ele não havia vida humana que não pudesse ser salva. Aos menos acreditados da sociedade, Cristo confirmou toda a credibilidade, a ponto de dar a vida.
Apesar de todas as negações e traições, Cristo nos amou até o fim. Foi fiel ao projeto do Pai. Sua morte confirma que ninguém acreditou tanto na vida quanto Cristo. Sua Ressurreição confirma o quanto valeu a pena investir no amor.

OS MUNICÍPIOS MAIS RICOS


Os municípios mais ricos estão concentrados em duas regiões brasileiras. Entre os 47 municípios bilionários, ou seja, aqueles com receita orçamentária anual superior a R$ 1 bilhão, 33 estão localizados no Sul e Sudeste. A região Norte tem apenas dois, o Centro-Oeste tem três e o Nordeste, 9. Nessas três últimas regiões, todos abrigam as capitais estaduais. Apenas o Sul e o Sudeste possuem municípios bilionários no interior - 26, mais da metade do total, entre eles Caxias do Sul, que projeta crescimento de R$ 1,3 bilhão para 2013.
Os dados fazem parte de estudo sobre os municípios bilionários elaborado pelo economista e geógrafo François Bremaeker, da Associação Transparência Municipal. Os 47 representam apenas 0,84% do total, mas têm receita orçamentária de R$ 164,347 bilhões neste ano, o que corresponde a 37% do montante de recursos disponíveis do conjunto de municípios brasileiros, diz o estudo.
Mas ser bilionário não significa, necessariamente, ter mais recursos para gastar com a oferta de serviços à população. Quanto maior a receita orçamentária per capita, maior é a disponibilidade de recursos da prefeitura para investir em saúde, educação, saneamento, obras de infra-estrutura, entre outras. Em 2010, último dado disponível, a receita orçamentária per capita média dos municípios era de R$ 1.699,55 e a dos 47 bilionários, de R$ 2.141,63.
A receita orçamentária per capita, no entanto, é um indicador que depende do porte demográfico do município. Nos 47 bilionários vivem 56,1 milhões de habitantes, 29,58% da população brasileira, não computados Brasília e Fernando de Noronha.
Elite - Outros fazem parte de uma elite nacional. Entre os 47 municípios bilionários, 10 possuem receita orçamentária per capita superior a R$ 3,7 mil. Desses, apenas dois abrigam capitais. Isto significa que a maior disponibilidade de recursos para suprir as demandas dos cidadãos está em mãos de prefeituras do interior do país. Outros dados apresentados por Bremaeker nos estudo confirmam essa realidade. “Os três municípios bilionários com receita orçamentária per capita superior a R$ 7 mil são do interior. Entre os sete municípios com valor acima de R$ 4 mil, apenas um deles abriga capital”, destaca.