domingo, 14 de julho de 2019

A VERDADEIRA EDUCAÇÃO CONSISTE NO CULTIVO DO CORAÇÃO.

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A educação é um processo contínuo, permanente de interação, que tem início antes do nascimento do indivíduo, com a educação de seus pais, e dura toda a vida, desenvolvendo-se em instituições específicas e além delas. Nesse encontro com a sabedoria interior, os, educadores, podem ser meros transmissores de informação ou estabelecer como objetivo um verdadeiro conceito de educação. Se assumirem ser EDUCADORES, poderão contribuir para uma mudança social a partir do desenvolvimento individual e coletivo. Para isso, terão que participar da mudança e vivê-la como um desafio essencial. Assim poderão colaborar na construção de uma comunidade harmoniosa, apoiada nos VALORES HUMANOS como base do crescimento pessoal e comunitário.

A vida nesta nossa complexa e comprometida época é difícil porque o desenvolvimento de nossos conhecimentos intelectuais levou-nos a explorar milhões de quilômetros de um espaço até há pouco inexplorado, mas a habilidade e o esforço para explorar um milímetro do nosso próprio espaço interior foram diluídos. 


O educador francês Celestine Freinet disse: “... a ciência constrói robôs que... calculam a uma velocidade vertiginosa e que são capazes de vencer o poder, criando uma grande devastação. Infelizmente, a ciência ainda não conseguiu produzir o homem que pensa não por meio de fios e engrenagens, mas com seu ser sensível, e capaz de determinar o destino dos robôs. Esse ser sensível é que devemos educar, não apenas para criar e animar os robôs, mas para dominá-los e exaltar os elementos de consciência e humanidade que são a grandeza e a razão de ser do Homem”.

Vivemos um momento histórico crucial, em que ainda podemos colaborar para a criatividade, a participação responsável e a cooperação na construção de uma comunidade harmoniosa, baseada em Amor, energia de crescimento e de transformação, respeito, verdade, retidão e justiça. 

Em nosso trabalho cotidiano, precisamos projetar um futuro com sentido e ações diferentes. Respeitar toda expressão de vida e levar à prática a idéia de que “o homem seja irmão do homem” são atitudes resultantes de uma vida sustentada no desenvolvimento dos valores. Quando cada um de nós se pergunta: “A que sociedade aspiro?”, a resposta é unânime:
Todos desejamos uma sociedade solidária, compreensiva, tolerante, justa e participativa.

Um dos espaços para a transmissão de valores poderá ser a escola, desde os balbucios do jardim de infância até a cátedra pós-universitária. Para isso, devemos ter consciência da relevância da atividade diária da aula como um espaço de vivência exemplar e habitual dos valores a que aspiramos e que sejam definidos socialmente. O primeiro passo consiste em dar-nos conta da importância de, como os PROFESSORES, praticam esses valores em todos os momentos, já que são eles que nos dão uma verdadeira qualidade humana.
Nossa sociedade necessita reencontrar o homem e sua essência como objetivo central e, partindo dessa visão, avançar na busca de seu bem-estar e felicidade em interação harmônica com a natureza e o Cosmos.

Só sobreviveremos se aprendermos a elaborar um novo paradigma, no qual cooperar seja mais importante que competir, a igualdade de oportunidades, uma realidade e não um mero enunciado, e em que construamos pontes de união entre os pensamentos e as ações, sem limitar-nos ao nosso relativo ponto de vista. A partir da resolução pacífica dos conluios e do prazer de sentir e viver a paz, semearemos a base para uma Futura Paz Mundial. 

A grande crise que vivemos hoje é ao mesmo tempo uma grande oportunidade para reencontrar a pureza da vida, com a autenticidade e a sinceridade daquelas almas que não se contundiram com o egoísmo e a competitividade de nossa época e que esperam o reencontro do homem com seu Ser Interior. 

Quando aprendemos a viver em nossa essência de Valores Humanos, amamos sem egoísmo, compreendemos, toleramos e compartilhamos. Este Novo Homem, em permanente processo de construção, AMA. Ama a vida em todas as suas manifestações. Nutre-se da verdade e da retidão. Busca a paz como manifestação autêntica do ser humano. Condena a violência e privilegia atitudes, gestos, palavras e pensamentos que conduzem à não-violência. Afronta com valentia e decisão o reencontro com a dimensão positiva do Ser, construindo a partir daí um novo paradigma para a humanidade.

Um professor sufi disse certa vez: “Podes voltar às tuas origens e lá plantar uma árvore com o melhor de ti mesmo”.
Plantemos essa semente no coração das crianças e dos jovens, e lá crescerão as árvores que oxigenarão o planeta.
Assim reencontraremos o equilíbrio e tornaremos realidade o seguinte pensamento do educador Sai Baba:
“A verdadeira educação consiste no cultivo do coração.” Um dos muitos propósitos que deveria ter a educação neste pais.

sexta-feira, 12 de julho de 2019

PARA HAVER PAZ!

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Se todos os homens e mulheres
Tivessem a plenitude da vida,
A consciência do Eu,
Haveria paz individual,
Haveria paz universal.

Toda falta de Paz é a luta
Entre o ego da humana personalidade
E o Eu Divino da alma
Por um desequilíbrio voraz

Todo homem e mulher que se pacificou a si mesmo
Irradia paz e harmonia
Ao redor de si, na vida doméstica,
Social, nacional e internacional.

Quando Cristo identificou:
O centro do homem com o Pai,
Com a luz,
Com o Reino de Deus,
Com o tesouro oculto,
Com a perola preciosa,
Mostrou um centro dinâmico de paz
Para que o mundo tenha paz.

 O primeiro passo  para a realização
De um grande tratado de Paz,
É a resposta à eterna pergunta:
“Quem sou eu”?
 Que quase ninguém faz.

A verdadeira Paz é silenciosamente dinâmica,
Age como se não agisse.
Não arromba portas e não esmaga ninguém.
Move os pesos com leveza,
Faz com facilidade as coisas mais difíceis e
Abrange com suavidade todo o Universo.

Um único  homem ou mulher realmente pacificador
E pacificado dentro de si,
Vale mais para a Paz Universal,
Do que todos os  fazedores de paz
que não a realizaram dentro de si.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

PODE SER BOM, MAS NÃO NECESSÁRIO.

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“Para quê fazer as coisas simples, se elas podem ser complicadas?” É a pergunta que nós, que nascemos antes da era digital, nos colocamos diante de sistemas operacionais, programas, aplicativos, telefones, comandos eletrônicos e digitais que, ao invés de facilitar, complicam a vida de muitos usuários. Se tomarmos os programas para edição de texto, por exemplo, de cada cinquenta funcionalidades, um digitador normal talvez utilize duas ou três. E olha lá!... O mesmo nos smartphones. São raras as pessoas que utilizam sequer 10% de todas as possibilidades que eles oferecem. Por que, então, não oferecer telefones, programas, máquinas... com os recursos básicos e que todas as pessoas possam utilizar?

Pode haver várias razões para isto. Mas uma é indiscutível: porque a maioria de nós trabalha com a afirmação inconsciente de que o mais complicado é melhor. E não só no campo da tecnologia. Também na vida prática. Se uma pessoa vai ao médico e este, após uma consulta, não pedir nenhum exame e não oferecer uma longa lista de medicamentos a consumir, é provável que este médico seja considerado como não confiável. Mas se o médico pedir quatrocentos exames e disser que a pessoa tem dez doenças com nomes impronunciáveis e mandar tomar vinte remédios, caros e com bulas assustadoras, a pessoa muito provavelmente vai dizer: “esse médico é dos bons”!

No mundo das religiões, a necessidade que temos de complicar as coisas, é ainda maior. Quanto mais exigente ou bizarra nas suas demandas e ofertas for uma religião, mais provável é que atraia adeptos com rapidez e os mantenha convictamente ligados a essa experiência. Ainda mais se o chefe religioso usar nomes, roupas estranhas e tiver comportamentos bizarros.

O gosto pela complicação, de fato, parece fazer parte da própria condição humana. Mas não nos preocupemos: desde os tempos de Jesus era assim. Um rabino foi a Jesus e fez a pergunta religiosa clássica: “O que devo fazer para conquistar a vida eterna?” Jesus respondeu com aquilo que era o óbvio para todo judeu piedoso: “Observa os mandamentos”. E, para simplificar mais ainda as coisas, Jesus lhe diz: “E não precisa observar os dez. Basta observar os dois primeiros – amar a Deus e amar ao próximo – e tudo o mais se resolve!” Mas o doutor em leis, que era daqueles que acham que o complicado é melhor que o simples, logo atirou a pergunta: “Mas, quem é meu próximo?” De fato, os rabinos judeus tinham todo um sistema complicado para definir quem era “próximo” e devia ser amado e quem era “estrangeiro” e devia ser odiado. Jesus sabia disso e, para manter a sua afirmação na simplicidade da experiência da fé que pode ser alcançada por qualquer um, conta uma historinha simples: um homem foi assaltado e atirado meio-morto à beira do caminho. Vários passaram por ele sem fazer nada. Um samaritano passou, viu o homem caído e o ajudou. O samaritano é próximo daquele que estava caído à beira do caminho. Logo, o samaritano fez aquilo que é necessário para ter a vida plena e perfeita. Simples assim!

Se o caminho da salvação é esse, por que nossas religiões, inclusive o cristianismo, se apresentam de forma tão complicada? Tantas leis, tantas obrigações, tantos ritos, roupas, gestos, construções, negócios, funcionários, relicários, imposições, discussões sobre quem é Deus e qual é a melhor religião ou a Igreja que mais salva?

Suspeito que seja pela mesma razão que nos leva a desconfiar de máquinas, programas, softwares e telefones simples e fácil de usar: a satisfação com o complicado é um modo de disfarçar a nossa não disposição de fazer aquilo que é simples. Em outras palavras, complicamos para nos descomprometer. É preciso voltar ao simples, ao “arroz com feijão”, ao básico, àquilo que realmente nos torna humanos e nos conduz no caminho de Deus: amar ao próximo e amar o irmão. Tudo o mais pode até ser bom. Mas não é necessário. E pode atrapalhar o caminho da salvação.

terça-feira, 9 de julho de 2019

AS REDES DIGITAIS ESTÃO NOS DEVORANDO.

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Canibal é todo aquele que devora indivíduos de sua espécie. Para isso, precisa dominar a presa. Torná-la indefesa. Então, trata de devorá-la.

Esta é a face medonha das redes digitais, tão úteis para facilitar a nossa intercomunicação. Assim como veículos – aviões, carros, motos – são úteis à nossa mobilidade mais rápida e, no entanto, usados também para atentados terroristas, como na queda das Torres Gêmeas de Nova York. Do mesmo modo, as redes digitais possuem seu lado sombrio.

Se não sabemos usá-las adequadamente, devoram o nosso tempo, o nosso humor, a nossa civilidade. Daí a minha resistência de chamá-las de redes sociais. Nem sempre a sociabilidade supera a hostilidade. Inclusive devoram o nosso sono, pois há quem já não consiga desligar o smartphone na hora de dormir. Devoram também a nossa capacidade de discernimento, na medida em que nos tribalizam e nos confinam em uma única visão de mundo, sem abertura ao contraditório e tolerância a quem abraça outra ótica.

A medicina já está atenta a uma nova enfermidade, a nomofobia. Termo surgido na Inglaterra, deriva de no-mobile, destituído de aparelho de comunicação móvel. Em síntese, é o medo de ficar sem celular. É a mais recente doença aditiva, sobre a qual os terapeutas se debruçam. Há quem fique horas nas redes, muito mais naufragando que navegando.

A face canibal do celular devora ainda o nosso protagonismo. É ele que, por via de suas múltiplas ferramentas e aplicativos, decide o rumo de nossas vidas. A enxurrada de informações que recaem sucessivamente sobre cada um de nós, quase todas descontextualizadas, nos conduz inelutavelmente ao território da pós-verdade. Elas tocam a nossa emoção e, céleres, neutralizam a nossa razão. Com certeza a maioria de nós não é capaz de, gratuitamente, ofender um estranho na padaria da esquina. Porém, nas redes muitos endossam difamações, acusações levianas e calúnias. Haja fake news!

Há mais de 70 anos, o frade Dominique Dubarle escreveu sobre a cibernética: “Podemos sonhar com um tempo em que uma máquina de governar viria a suprir a hoje evidente insuficiência das mentes e dos instrumentos habituais da política” (Le Monde, 28/12/1948).

O Leviatã cibernético previsto pelo frade dominicano francês hoje tem nome: Google, Facebook, WhatsApp etc. Essas corporações devoram todos os nossos dados para que a regulação algorítmica repasse às ferramentas incapazes de nos enxergar como cidadãos. Para elas, somos meros consumistas. Eis a era do Big Data.

As redes digitais devoram inclusive a realidade na qual estamos inseridos. Nos deslocam para a virtualidade e ativam em nós sentimentos nocivos de ódio e vingança. O príncipe encantado se transforma em monstro. Os valores humanitários se esgarçam, a ética se dissolve, a boa educação é descartada. Importa agora, com esta arma eletrônica nas mãos, travar a batalha do “bem” contra o “mal”. Deletar os inimigos virtuais após crucificá-los com injúrias que se multiplicam através de hiperlink, vídeo, imagem, website, hashtag, ou apenas por uma palavra ou frase.

Eis o que pretende cada emissor: viralizar o que postou. O próprio verbo deriva de vírus, substantivo empregado na biologia; derivado do latim, significa “veneno” ou “toxina”. Cria-se assim a pandemia virtual! Preciso ler rápido este email ou zapp porque outros tantos me aguardam na fila! E, se for o caso, responder em texto conciso, ainda que agrida todas as regras da gramática e da sintaxe. Segundo a pesquisadora Maryanne Wolf, em média acessamos, por dia, 34 gigabytes de informação, um livro com 100 mil palavras. Sem tempo suficiente para absorção e reflexão.

Corremos o risco de dar um passo atrás no processo civilizatório. A menos que famílias e escolas adotem algo similar ao advento do carro, quando se percebeu a necessidade de criar autoescolas para educar motoristas. O celular está a exigir, também, uma pedagogia adequada ao seu bom uso.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

UMA LONGA E DIFÍCIL JORNADA.







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Não sei o momento exato, a hora, o minuto, o segundo, mas enfim nasci. Nasci na tua casa e no teu colo! Ali me coloquei confortavelmente por um longo tempo... mas agora nasci como ser no mundo.

Ali no teu colo serenei e achei o meu lugar no mundo e na minha vida. Nasci, vivi a infância e a adolescência dos meus sentimentos. Não muito longas, mas cheias de descobertas, que me levaram para uma nova vida e para o encontro verdadeiro comigo mesma. Andar esse que continuo descobrindo constantemente.

Quando me senti expulsa de alguns colos, doeu muito, precisei de muitos silêncios para me reintegrar, no entanto me lancei em busca de outras acolhidas e, nesse trajeto, consequentemente cresci...

Hoje do teu colo dói partir, mas é hora, e quem vai com amor sabe que é seguro ir e voltar quando desejar... sabe que é o momento de tomar a decisão, embora seja difícil e penoso.

Encontrar a tua casa foi como voltar para casa depois de uma longa e difícil jornada. E para quem encontra esse lugar é difícil se desligar.

Num impulso percebi que estava pronta e que era hora de ir, e segui...

Obrigada a todos que pela vida me mostraram o caminho e que me acolheram como colo!

sábado, 6 de julho de 2019

POBREZA É SINAL DE MALDIÇÃO?

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Ainda é tempo de recordar que, ao discursar no Palácio do Planalto, no dia da posse, Bolsonaro leu o discurso, não falou de improviso. O texto original, distribuído previamente pelo novo governo, continha a afirmação de que investimentos em educação poderiam atenuar as diferenças entre ricos e pobres no Brasil.

Nosso país é o 9º mais desigual do mundo e o 1º na América Latina neste mesmo ranking. Ano passado, segundo a Oxfam, a parcela de 1% mais rica da população se apropriava de mais de 25% da renda nacional. E a soma da riqueza dos 5% mais ricos era igual à soma da riqueza dos demais 95% da população.

Entre a população, 80% (ou 165 milhões de pessoas) sobreviviam com uma renda inferior a dois salários mínimos por mês (R$ 1.996). E 0,1% da parcela mais rica concentrava em mãos 48% de toda a riqueza nacional. Além disso, o Brasil é o país mais violento do mundo. Em 2017, foram registrados 63.880 mil assassinatos. A principal causa da violência foi a desigualdade social.

Eis a versão do texto lido por Bolsonaro: “Pela primeira vez, o Brasil irá priorizar a educação básica, que é a que realmente transforma o presente e o futuro de nossos filhos e netos, diminuindo a desigualdade social”.

Do alto do parlatório, na Praça dos Três Poderes, ele encerrou seu discurso em “’filhos”. Omitiu a referência à redução da desigualdade social.

Assessores do presidente, questionados pela mídia, disseram ter sido um lapso. “Ele deve ter pulado, até porque seria bom fazer referência à desigualdade”, tentou explicar o general Heleno. “Não é fácil ler discurso assim. De repente, as letras começam a embaralhar...”, concluiu o militar.

Ora, Bolsonaro não trai o seu viés ideológico. Sabe ser real a desigualdade social, mas considera concessão ao “marxismo cultural” referir-se a esta realidade. Porque, segundo a lógica dessa ideologia, falar da desigualdade implica querer combatê-la. E para isso é preciso buscar as suas causas. E elas são óbvias: o sistema predatório que torna os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.

Na abertura de Davos, neste ano, a Oxfam noticiou que, em 2018, os mais ricos do mundo tiveram aumento de 12% em suas fortunas, enquanto os mais pobres uma diminuição de 11% em suas rendas.

Já que não se pretende reduzir a desigualdade social, nem mesmo pela melhoria da educação ou aumento da oferta de emprego (tema também omitido pelo presidente), há que tentar dissimulá-la. Para tanto há vários recursos ideológicos, já que não há milagre que faça desaparecer favelas, pedintes, moradores de rua, corpos caídos nas calçadas, enfim, os 165 milhões de brasileiros que sobrevivem com menos de dois salários mínimos mensais.

O recurso mais utilizado para naturalizar a pobreza é o religioso: “As coisas são assim porque Deus quer.” Porém, quem vive conforme os preceitos da fé alcança a prosperidade. Basta trabalhar arduamente, deixar de fumar e beber, limitar o número de filhos (de preferência, o homem fazer vasectomia) e, se necessário, praticar o aborto induzido, conforme defende Edir Macedo, cuja Igreja é a favor de sua descriminalização.

O importante nesse viés ideológico é aceitar que a riqueza é uma bênção divina e não se deve pretender reduzi-la através de políticas que propiciem distribuição de renda. E a pobreza é sinal de maldição...

O único grande problema é que não se conhece povo que tenha suportado a desigualdade por longo tempo. Há um momento em que a ostentação dos ricos é recebida como ofensa pelos pobres. Então estes descobrem que são maioria, e têm em mãos um poder que, até hoje, nenhuma força bélica foi capaz de superar.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

REPUDIAR A DITADURA.


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Em 31 de março de 1964 acontecia o golpe de estado militar no Brasil que culminou no dia 1º de abril e encerrou o governo do 24º presidente eleito, João Goulart. Após 55 anos de triste memória, o presidente Jair Bolsonaro pediu às Formas Armadas e aos militares que comemorem o golpe de 1964. O pedido de comemoração expôs o presidente a um vexame internacional. Aliás, quem teria motivo para celebrar a ditadura militar?

O governo militar no Brasil se estendeu de 1964 a 1985. Foram 21 anos de ditadura militar em que o povo esteve sob as ordens dos generais. No período, os presidentes da república foram: General Humberto de Alencar Castello Branco, de 1º de abril de 1964 a 1967; General Artur da Costa e Silva (1967-1969); General Emílio Garrastazu Médici (1969-1974); General Ernesto Beckmann Geisel (1974-1979) e General João Batista Euclides Figueiredo (1979-1985). Durante o período foram emitidos dezessete Atos Institucionais (AI). O mais conhecido foi o AI-5, emitido em 13 de dezembro de 1968 pelo presidente Artur da Costa e Silva, que permitiu a radicalização da Doutrina ou do Regime de Segurança Nacional.

O Regime de Segurança Nacional através do AI-5 dava plenos poderes aos militares, o que resultou na perda de mandatos de parlamentares contrários a eles. Bem como, intervenções ordenadas pelo presidente nos municípios e estados. Ainda, institucionalização da tortura, usada como instrumento pelo Estado. A Doutrina de Segurança Nacional permitia aos militares reprimir pela força e violência qualquer ato e manifestação política de objeção ao governo. Também concedia amparo e proteção aos militares de não serem investigados e punidos pelos seus atos de tortura e perseguição contra cidadãos brasileiros contrários à ditadura. Ainda, a Doutrina de Segurança Nacional estruturou uma proposta pedagógica nacional obrigando os professores a lerem para seus alunos os textos em defesa da ditadura militar. A rigor a Doutrina de Segurança Nacional criava um conceito de nação ou de Brasil, sob o lema: “ame-o ou deixe-o”.

A ditadura militar causou muitos malefícios ao povo brasileiro. Segundo a Comissão Nacional da Verdade (CNVV), sancionada em 18 de novembro de 2011 e instalada oficialmente em 16 de maio de 2012, cerca de 50 mil pessoas tiveram sua cidadania violada pelo governo militar. A intolerância do regime militar levou ao exílio muitos brasileiros, entre eles políticos, artistas, professores, alunos, cientistas, líderes populares e sindicais. Centenas de brasileiros foram presos, torturados e mortos. Muitos outros tiveram seus direitos políticos cassados. Ademais, o regime militar desestruturou a produção do país em vários setores da economia, aumentando a dívida externa e interna.

Apesar desta triste página da história do Brasil o presidente da república mostra-se favorável à ditadura militar e à tortura. Como se não bastasse o desprezo pelo cargo que ocupa, desrespeita aos cidadãos, as famílias vítimas, e viola a memória dos mortos pela ditadura. Tudo isso parece agradar ao presidente e à líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselmann (PSL – SP) pedindo que as Forças Armadas comemorem o golpe militar de 1964 “é a retomada da narrativa verdadeira de nossa história”. A insanidade política parece ainda não ter chegado ao seu final no Brasil.

Contudo, a proposta do presidente foi alvo de retaliação da imprensa e dos representantes dos órgãos públicos e civis. O Ministério Público Federal divulgou documento afirmando “a postura do presidente é de enorme gravidade constitucional, incompatível com o Estado Democrático de Direito”. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgou nota alertando: “comemorar a instalação de uma ditadura que fechou instituições democráticas e censurou a imprensa é querer dirigir olhando para o retrovisor, mirando uma estrada tenebrosa”. O jornal inglês The Guardiandivulgou matéria intitulada: “a celebração da insanidade política”. A ONU e a Comissão Internacional dos Direitos Humanos divulgou comunicado dizendo “ser de uma gravidade inaceitável”.

Pelo mundo foram muitas as manifestações contrárias ao presidente. Queira Deus sejam elas um sinal de esperança para os brasileiros, para todos repudiarem a ditadura, a tortura e os crimes contra a humanidade.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

QUEREMOS UMA REFORMA DECENTE


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Etimologia é a ciência que estuda a origem e o significado das palavras. Esse campo do conhecimento é absolutamente surpreendente. É que as palavras às vezes escondem o seu real significado num emaranhado de conceitos comuns e tornam-se o seu oposto. Tome por exemplo a palavra “déficit”. No linguajar cotidiano “déficit” aparece como uma coisa ruim nas políticas públicas. Pergunte a qualquer cidadão o que acha do “déficit” público. A absoluta maioria dirá que “déficit público” é coisa de governo populista. E fica nisso.

Continuarei tratando desse assunto mais embaixo. Aqui abordo logo outra palavra do momento, no contexto da reforma da Previdência: “desconstitucionalização”. Desconstitucionalização significa retirar alguma coisa da Constituição. Parece algo inocente. Entretanto, a retirada de direitos embutida na desconstitucionalização pretendida por Paulo Guedes afetará milhões de funcionários públicos e contribuintes do INSS. Isso, pela mágica de transformar uma regra constitucional em regra por lei ordinária ou complementar.

A “desconstitucionalização” do Guedes tira da Constituição a prerrogativa de estabelecer as regras de concessão e os valores dos benefícios para os funcionários públicos. Isso significa que será bem mais fácil alterar essas regras pela legislação comum. Hoje, como se trata de um princípio constitucional, é necessário contar com um número maior de deputados e senadores para a alteração. No futuro, será necessário um quorum menor, mais manipulável pelo Executivo.

A “desconstitucionalização” também permitirá alterar normas gerais do regime dos servidores, colocando-as nas mãos de uma maioria parlamentar esporádica. Entretanto, os contribuintes da Previdência pública comum, do INSS, também serão atingidos. O tempo de contribuição para aposentadoria também poderá ser alterado por lei ordinária. Ou seja, com uma mordida aqui, outra ali, desmonta-se completamente o capítulo da Constituição da Seguridade Social, tido, na sua promulgação, como um dos mais avançados do mundo.

Presumia-se que o capítulo da Seguridade Social fosse o marco central da política de bem estar social brasileira. Ali todos estavam contemplados, sobretudo os mais pobres. Depois dele, só se esperava melhorar, como foi o caso da inclusão das domésticas nas leis trabalhistas. Contudo, ele está sendo moído pelo triturador de Paulo Guedes e sua equipe neoliberal, determinados a arrasar a estrutura econômica e social do Estado brasileiro. Alguma coisa pode ser recuperada no STF, embora o quadro do judiciário seja desanimador.

Voltando à palavra “déficit”, ela tem em comum com a “desconstitucionalização” o potencial formidável da mistificação pela grande imprensa. O déficit público é a diferença entre o que o Estado arrecada e o que gasta. A imprensa esconde que a conta maior do gasto são juros e amortização fingida da dívida pública, e que esses juros se devem a taxas historicamente extravagantes, impostas pelo Banco Central. Tirando os juros e criando novas regras para amortização, o país teria superávits orçamentários gigantescos.

A banca discorda disso. Ela é voraz. Está colocando a sociedade inteira para trabalhar para ela, lucrando centenas de bilhões de reais por ano. Hoje, e na verdade nos últimos 30 anos, pois essa usurpação é antiga, representa o maior obstáculo à retomada da economia. De fato, mesmo que, reduzindo-se os juros, restasse algum “déficit” público, não haveria nenhum problema em fazer investimentos deficitários para estimular a demanda, o investimento e o gasto público. Em recessão, o “déficit” não acarreta inflação, e ativa o crescimento.

Como o país, no interesses dos banqueiros, não pode fazer déficit, resta cortar gastos públicos, como quer Guedes. E é para viabilizar esses cortes que a infame reforma previdenciária do Guedes inventou a “desconstitucionalização”. Sem a proteção social da Constituição os gastos sociais podem ser cortados à vontade, desde que haja maioria parlamentar para aprovar leis ordinárias ou complementares. Mas ainda há tempo. Sobretudo se os parlamentares tiverem caráter, jogando o projeto no lixo e propondo ao povo uma reforma decente.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

ESTE É O MEU LUGAR.


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Hoje me senti como se estivesse voltando para casa, depois de uma difícil e cansativa jornada. Fatigado, mas não exausto, sozinho, mas não solitário, contemplativo e nada ausente.

Sentimentos se acomodaram, pessoas e intervenções do lado de fora ficaram. E eu contatei com minha essência, com meu eu profundo a se acalmar internamente em mim e me reacomodar como ser no universo.

Talvez o estar longe de mim de outrora, me remetesse à ânsia de verdadeiramente me encontrar.

Talvez estar tanto tempo sozinho me remetesse a olhar-me mais profundamente, a perceber que a solidão nesse momento me preenche, não me devora. Talvez, só assim, tenha descoberto meu verdadeiro lugar.

Conhecer esse sentimento, esse bem estar, me fazia buscar recursos para cada vez mais o resgatar.

Assim percebi que este é o meu lugar... e é onde eu quero e devo estar; é o lugar para rir e chorar, acomodar minhas angústias, buscar ilusões e com certeza nunca perder a esperança.

Me acolher em mim é achar equilíbrio, harmonia, sintonia. Isso é, estar na mais sublime forma de me encontrar.