A oração é o combustível de todo cristão. A fé cristã é robustecida pela prática da oração. É o elemento imprescindível de quem acredita em um ser Superior, Absoluto. Pelo exercício da oração o homem se encontra com a natureza humana, a terrestre, a morte, e com a divina, a transcendente, a imortalidade. A oração transforma o ser humano, eis um desafio espiritual subjetivo e comunitário de nosso tempo.
A oração não é tão somente um exercício espiritual dos cristãos, judeus ou muçulmanos. Há muitas religiões com suas diferenciadas experiências de oração. Todas com suas teorias, ideias e aplicações. Normalmente a oração está caracterizada à religião, à comunidade dos fieis e à prática pessoal. A palavra oração, do latim orare, tinha o sentido de pronunciar uma fórmula ritual, uma súplica, um discurso, um pedido. A oração propriamente dita é uma experiência de recitare no sentido de ler em voz alta, recitar. Em linguagem popular é rezar. O significado era recitar ou ler as orações. No vocabulário hebraico bíblico a oração é traduzida pelo verbo pãlal que dá sentido de: orar, interferir, mediar, julgar. Estes verbos são encontrados oitenta e quatro vezes no Antigo Testamento hebraico. A oração é o diálogo da alma com Deus. É o meio de comunicação do homem com o seu Criador. Então, na oração Deus se revela e orienta as pessoas para andarem na sua presença.
Sendo assim, a oração não é experiência exclusiva dos homens. Jesus de Nazaré, o enviado do Pai, passava longos dias em oração. Para o seu seguimento, a comunidade dos discípulos lhe pede que os ensine a rezar. E Jesus lhes propõe uma prática: “quando rezardes, dizei: Pai, santificado seja teu nome. Venha o teu reino. Dá-nos a cada dia o pão de que precisamos e perdoa-nos os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todos os nossos devedores; e não nos deixeis cair em tentação”.
Na oração de Jesus a primeira súplica é pela união com Deus Pai. A segunda prece é o trabalho pelo Reino. A terceira reza é para matar a fome. A quarta súplica é gratificar-se na sua misericórdia. A quinta súplica é pela proteção da fragilidade humana. A oração de Jesus advoga a comunhão com o Pai; aceitar o convite a experimentar o Reino; alegria e júbilo pela dignidade; a vida favorecida pela misericórdia, com relação a erros cometidos; e orientação para evitar um pecado futuro pela animação sóbria e criativa que decorre os dias.
A oração é a respiração de quem se põe à escuta da vontade de Deus. A experiência de oração é profunda quando cresce a liberdade e a sabedoria interior que transforma a própria pessoa. Nesse caso, a oração é uma bela e santa aventura, plena de coragem em moldar-se à vontade de Deus. Experimenta-se o ser homem de Deus. Chega-se ao estado do ser homem transformado em oração a exemplo de São Francisco de Assis. É transformar-se literalmente na vontade de Deus, de acordo com o que Jesus veio relembrar. Há muitos exemplos de pessoas que conseguiram e conseguem, podemos até conhecer algumas entre nós. São Francisco de Assis foi, na sua humildade, alguém que, de tão bem sucedido no querer seguir Jesus, transformou-se em oração e recebeu o título de "O Outro Cristo".
domingo, 11 de dezembro de 2016
sábado, 10 de dezembro de 2016
"VAI CATAR COQUINHO
Na beira da estrada que da entrada a propriede, estão dois pés de coqueiros. Sempre gostei de coqueiros. Eles até têm um nome científico e as variedades são muitas. Lembro bem: um amigo queria plantar dois coqueiros e meu irmão conseguiu as plantas já adultas. A adaptação foi imediata. Os anos passaram e lá estão os coqueiros. Não faz muito tempo, o cacho estava florido, as abelhas faziam visitas frequentes em busca do néctar. Nestes dias, num daqueles momentos de olhar e pensar longe, percebi que os coquinhos estão todos maduros. O amarelo das frutinhas, então, me transportou à infância.
Um sabor inesquecível: as tardes de domingo eram simples, as brincadeiras tinham as marcas da inocência, o mundo possuía o formato do alcance dos olhos. A intensidade, porém, não dependia de nenhum incremento. Comer coquinhos era um programa muito especial. Os domingos eram aguardados com certa ansiedade. A simplicidade proporcionava profundas alegrias. Tudo era motivo para gargalhada. Os brinquedos eram naturais ou fabricados manualmente. Os córregos, com espécies comuns de peixes, reuniam os decididos pescadores mirins. O lanche era feito de frutas silvestres. Quando havia pipoca doce ou rapadura, a festa alcançava a sofisticação.
O cacho repleto de coquinhos amarelados provocou um feliz intervalo. Foram instantes rápidos, num tempo de tanta velocidade. Recordar é viver. As lembranças conseguem aliviar as preocupações e as crescentes exigências diárias. É maravilhoso ter um ontem capaz de roubar alguns minutos do hoje. O passado é mágico: não ocupa espaço e, ao mesmo tempo, elimina distâncias. Impossível viver bem o hoje sem os parâmetros do ontem. Tudo é aprendizado, conteúdo necessário para novos sonhos. Apenas um pequeno lamento: a grande maioria perdeu a simplicidade das brincadeiras, a transparência dos relacionamentos, o encantamento pela natureza.
Evidente que havia desencontros. Era comum ouvir a expressão: ‘vai catar coquinho.’ Emoções passageiras, trocadilhos sem rancor. O respeito nunca ficava no esquecimento. Os tempos são outros. Tomara que o ritmo acelerado dos dias não roube a oportunidade de olhar, mesmo que seja de forma rápida, os ‘coquinhos’ que amadurecem. Por uns instantes, sempre é possível voltar no tempo e reavivar aqueles momentos que continuam confirmando que quanto mais simples for a vida, maior será a felicidade. Nos próximos dias, no real sentido, irei catar alguns coquinhos maduros, que estão prestes a se soltar do cacho.
Um sabor inesquecível: as tardes de domingo eram simples, as brincadeiras tinham as marcas da inocência, o mundo possuía o formato do alcance dos olhos. A intensidade, porém, não dependia de nenhum incremento. Comer coquinhos era um programa muito especial. Os domingos eram aguardados com certa ansiedade. A simplicidade proporcionava profundas alegrias. Tudo era motivo para gargalhada. Os brinquedos eram naturais ou fabricados manualmente. Os córregos, com espécies comuns de peixes, reuniam os decididos pescadores mirins. O lanche era feito de frutas silvestres. Quando havia pipoca doce ou rapadura, a festa alcançava a sofisticação.
O cacho repleto de coquinhos amarelados provocou um feliz intervalo. Foram instantes rápidos, num tempo de tanta velocidade. Recordar é viver. As lembranças conseguem aliviar as preocupações e as crescentes exigências diárias. É maravilhoso ter um ontem capaz de roubar alguns minutos do hoje. O passado é mágico: não ocupa espaço e, ao mesmo tempo, elimina distâncias. Impossível viver bem o hoje sem os parâmetros do ontem. Tudo é aprendizado, conteúdo necessário para novos sonhos. Apenas um pequeno lamento: a grande maioria perdeu a simplicidade das brincadeiras, a transparência dos relacionamentos, o encantamento pela natureza.
Evidente que havia desencontros. Era comum ouvir a expressão: ‘vai catar coquinho.’ Emoções passageiras, trocadilhos sem rancor. O respeito nunca ficava no esquecimento. Os tempos são outros. Tomara que o ritmo acelerado dos dias não roube a oportunidade de olhar, mesmo que seja de forma rápida, os ‘coquinhos’ que amadurecem. Por uns instantes, sempre é possível voltar no tempo e reavivar aqueles momentos que continuam confirmando que quanto mais simples for a vida, maior será a felicidade. Nos próximos dias, no real sentido, irei catar alguns coquinhos maduros, que estão prestes a se soltar do cacho.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
COMO SURGIU O NATAL
Isaias, seiscentos anos antes, exortou o povo a manter viva a esperança; João Batista proclama que o Messias está próximo, mas foi o “sim” de Maria que colocou em marcha a redenção. O seu sim foi o sinal verde entre o céu e a terra.
Uma mulher, pequena e pobre, situou-se na encruzilhada do tempo. Seu nome: Maria. Descendente de homens de esperança, filha de um povo que tinha aprendido a buscar a Deus e que tinha o hábito de olhar para o céu e para as nuvens na expectativa de que Ele se manifestasse. Mulher, pequena e pobre, vestia-se de Deus. Seu coração estava constantemente voltado para o Altíssimo, Senhor até do impossível.
Tudo nela era ordem, tudo era harmonia. Deus veio visitá-la. Queria dela um sim. Queria ter carne de homem, sonho de homem, coração de homem. Queria caminhar pelos nossos caminhos, queria ter história como todos os homens. Queria inaugurar um novo tempo, queria instaurar uma nova ordem de coisas. Maria hesita apenas um momento. Sua humildade é superada pela disponibilidade. O sim é proferido e esse sim vai dividir o tempo: antes e depois dele.
A hesitação de Maria é feita de honestidade. Ela não quer voltar atrás depois de responder. O anjo sussurra-lhe que Deus quer nascer em seu seio. Diz que a força de Deus será colocada à sua disposição. Assim como tinha agido no seio estéril de Sara, assim como tinha atuado na dureza do deserto, assim como havia habitado o coração dos profetas, assim também agiria no seio de Maria.
Aquele que iria nascer de Maria seria o Filho do Altíssimo, seria a esperança dos povos. Mas era preciso que Maria desse o seu sim. Deus nunca age contra a vontade do homem. Nada pode fazer se o coração do homem se fecha. O Altíssimo está pronto a agir maravilhosamente quando o homem deixa espaço para agir.
Maria respondeu com o sim, um sim incondicional para todas as propostas e para sempre: estou disposta a acolher a aventura de Deus em minha vida. Estou pronta a deixar que Deus realize grandes coisas em mim. Porque eu sou a serva do Senhor. Foi assim que o Natal aconteceu.
Uma mulher, pequena e pobre, situou-se na encruzilhada do tempo. Seu nome: Maria. Descendente de homens de esperança, filha de um povo que tinha aprendido a buscar a Deus e que tinha o hábito de olhar para o céu e para as nuvens na expectativa de que Ele se manifestasse. Mulher, pequena e pobre, vestia-se de Deus. Seu coração estava constantemente voltado para o Altíssimo, Senhor até do impossível.
Tudo nela era ordem, tudo era harmonia. Deus veio visitá-la. Queria dela um sim. Queria ter carne de homem, sonho de homem, coração de homem. Queria caminhar pelos nossos caminhos, queria ter história como todos os homens. Queria inaugurar um novo tempo, queria instaurar uma nova ordem de coisas. Maria hesita apenas um momento. Sua humildade é superada pela disponibilidade. O sim é proferido e esse sim vai dividir o tempo: antes e depois dele.
A hesitação de Maria é feita de honestidade. Ela não quer voltar atrás depois de responder. O anjo sussurra-lhe que Deus quer nascer em seu seio. Diz que a força de Deus será colocada à sua disposição. Assim como tinha agido no seio estéril de Sara, assim como tinha atuado na dureza do deserto, assim como havia habitado o coração dos profetas, assim também agiria no seio de Maria.
Aquele que iria nascer de Maria seria o Filho do Altíssimo, seria a esperança dos povos. Mas era preciso que Maria desse o seu sim. Deus nunca age contra a vontade do homem. Nada pode fazer se o coração do homem se fecha. O Altíssimo está pronto a agir maravilhosamente quando o homem deixa espaço para agir.
Maria respondeu com o sim, um sim incondicional para todas as propostas e para sempre: estou disposta a acolher a aventura de Deus em minha vida. Estou pronta a deixar que Deus realize grandes coisas em mim. Porque eu sou a serva do Senhor. Foi assim que o Natal aconteceu.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
UMA MOTIVAÇÃO MOTRIZ
Quanto mais difícil é a realidade, maior deve ser a motivação. No surgir das dificuldades não faltam conselhos, pensamento positivo, confiança, fé, orações. Nesta corrente positiva vídeos e mensagens são enviados de amigo para amigos via WhatsApp. É uma iniciativa positiva. Porém, o ser humano precisa de uma motivação motriz.
Em contexto de altos índices de estresse, depressão, desânimo, medos e angústias, o verbo motivar ganha destaque. Na opinião dos profissionais da área da saúde, essas doenças são um fenômeno da sociedade moderna de característica consumista. O moderno estilo de vida tem construído um quadro social patológico de ascendente consumo de drogas farmacêuticas e até da prática de automedicação. Em razão desse quadro patológico enfatiza-se cada vez mais a questão das motivações. A questão tem ganhado destaque nas ciências humanas, bem como nas áreas administrativas, pedagógicas, literárias, com as mais diversas conceituações e aplicações. A palavra motivação provém do latim motivos, que significa mover. Isto aplicado ao processo comportamental significa incentivar, estimular ou energizar por algum motivo ou razão. A motivação é a mola propulsora que leva a pessoa a realizar seus desejos para algum objetivo na vida.
A motivação também é algo intrínseco às pessoas, dado que todos podem se motivar por si próprios. Na essência do indivíduo, como comportamento único e natural, a motivação vem do sentido ou da importância que cada pessoa atribui à determinada coisa, trabalho, projeto, etc. Portanto, motivação é pessoal, mas pode ser influenciada por objetivos e interesses próprios, familiares ou coletivos em busca de algo que possa satisfazer suas vontades.
Portanto, para compreender o comportamento do homem moderno é fundamental o conhecimento de suas motivações. Visto que o motivo é tudo aquilo que impulsiona a pessoa a agir de determinada forma, as motivações são algo a ser pensado, por serem determinantes na configuração da personalidade e dos comportamentos. Diante do quadro de desmotivações e de falta de perspectivas pessoais é urgente refletir sobre as motivações das pessoas. É importante estimular os indivíduos. Mas o homem é um ser permanentemente insatisfeito, julga sempre faltar algo para sua satisfação. Entretanto, ao satisfazer suas necessidades pessoais e de autoestima não significa que esteja motivado, pois as necessidades humanas são infinitas. É certo que o ser humano está sempre procurando motivos para viver melhor e mais feliz, então é bom um estímulo motriz a dar sentido perene a sua vida. Logo, continue a passar adiante motivações inteligentes para a vida das pessoas.
Em contexto de altos índices de estresse, depressão, desânimo, medos e angústias, o verbo motivar ganha destaque. Na opinião dos profissionais da área da saúde, essas doenças são um fenômeno da sociedade moderna de característica consumista. O moderno estilo de vida tem construído um quadro social patológico de ascendente consumo de drogas farmacêuticas e até da prática de automedicação. Em razão desse quadro patológico enfatiza-se cada vez mais a questão das motivações. A questão tem ganhado destaque nas ciências humanas, bem como nas áreas administrativas, pedagógicas, literárias, com as mais diversas conceituações e aplicações. A palavra motivação provém do latim motivos, que significa mover. Isto aplicado ao processo comportamental significa incentivar, estimular ou energizar por algum motivo ou razão. A motivação é a mola propulsora que leva a pessoa a realizar seus desejos para algum objetivo na vida.
A motivação também é algo intrínseco às pessoas, dado que todos podem se motivar por si próprios. Na essência do indivíduo, como comportamento único e natural, a motivação vem do sentido ou da importância que cada pessoa atribui à determinada coisa, trabalho, projeto, etc. Portanto, motivação é pessoal, mas pode ser influenciada por objetivos e interesses próprios, familiares ou coletivos em busca de algo que possa satisfazer suas vontades.
Portanto, para compreender o comportamento do homem moderno é fundamental o conhecimento de suas motivações. Visto que o motivo é tudo aquilo que impulsiona a pessoa a agir de determinada forma, as motivações são algo a ser pensado, por serem determinantes na configuração da personalidade e dos comportamentos. Diante do quadro de desmotivações e de falta de perspectivas pessoais é urgente refletir sobre as motivações das pessoas. É importante estimular os indivíduos. Mas o homem é um ser permanentemente insatisfeito, julga sempre faltar algo para sua satisfação. Entretanto, ao satisfazer suas necessidades pessoais e de autoestima não significa que esteja motivado, pois as necessidades humanas são infinitas. É certo que o ser humano está sempre procurando motivos para viver melhor e mais feliz, então é bom um estímulo motriz a dar sentido perene a sua vida. Logo, continue a passar adiante motivações inteligentes para a vida das pessoas.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
ORGULHOSOS & VAIDOSOS
Pessoas feridas nos seus sentimentos costumam usar estes adjetivos contra quem não lhes demonstrou o devido apreço. Sei de milhares de pessoas tidas como vaidosas e orgulhosas e sei que, para algumas pessoas e grupos, faço parte desses maus sujeitos.
Não me orgulho de ter ferido quem não merecia sofrer. Quem se orgulha demais é um orgulhoso. Quem tem orgulho de algumas coisas e as sustenta pode não ser orgulhoso. Atribuir a Deus e aos amigos o bem que fizemos e aceitar que algum bem foi feito é humildade. Ninguém deve negar os valores que tem. Só não devemos é supervalorizar-nos.
Quanto a ser vaidoso, nosso espelho, nossa fala e nossos amigos devem dizê-lo. Eles sabem se somos acessíveis, se insistimos em respeitar e ser respeitados e se reagimos quando alguém nos varre para baixo do tapete.
Sou como Paulo, que aceitava ser o último dos apóstolos, mas insistia que era apóstolo. Não pretendia renunciar a esse título. Não era, pois, justo que os seguidores de outros profetas e apóstolos negassem sua profecia. Podia ser o último, mas era apóstolo. E Paulo não era orgulhoso nem vaidoso. Era justo consigo e com os outros. Nem sempre a pessoa de quem discordamos ou que de nós discorda é orgulhosa ou vaidosa. É bom consultar nossa vaidade ferida.
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
UM TESTE PARA VOCÊ:
É do espírito miúdo e da mente pequena do amplamente distribuído homem raso a afronta e o desrespeito àquilo que ele jamais irá compreender daí e, portanto, jamais admitir. É que a paisagem do futuro é por demais ampla para seus olhos estreitos e enlameados com o medo, a mediocridade e o egoísmo e; sua cabeça, sempre arreada, jamais irá alinhar-se aos profundos do horizonte; as luzes de um amanhã pleno são por demais incandescentes aos acostumados ao turvo de buracos ou cavernas existenciais.
Testem vocês! Tentem fazer algo de incomum! Já de partida serão classificados como loucos, insanos ou perturbados; tentem, por exemplo, alimentar os que tem fome; dar fim ao analfabetismo da gente pobre da comunidade ou quem sabe; garantir um pão com margarina mais uma xícara de café com leite às crianças? Já afirmo que um batalhão de inimigos irá se erguer contra você e seu sonho impossível.
Finque o pé na história e sem titubeio, trave uma batalha, por exemplo, por saúde pública, universal e de qualidade excelente; reúna a cidade e diga que ninguém, nenhum de nós, pode viver sem moradia digna e decente ou; defenda abertamente que idosos não são lixos ou refugos humanos e que devem ser integralmente respeitados por todos; sabe o que essas grandes causas podem lhe causar? Estou certo de que será taxado de populista, demagogo, arruaceiro, provocador, agitador, esquerdista, comunista ou subversivo.
Se você ousar tratar de temas absurdos e inadmissíveis como educação e saúde; moradia e transporte público para a população; trabalho e renda digna para todos; meio ambiente e qualidade de vida para a cidade você será acusado, julgado, preso, humilhado, isolado e submetido até aprender a respeitar a lei e a ordem.
E a infâmia dos acusadores correrá livre e veloz de boca em boca, de ouvido em ouvido até você, meu bom atrevido, ser convertido em um indivíduo da mais alta periculosidade, afinal, já sabemos, é a segurança nacional que está em jogo; são os alicerces de nossa democracia que estão sendo usurpados por um alguém feito você. E as pessoas de bem? E as famílias? E a grande confraria dos irmãos de José? E as digníssimas senhoras que promovem o chá beneficente para o orfanato do menino Jesus? Como ficam?
Onde já se viu? E a associação dos filhos de Maria? E a festa da cidade que homenageia o empresário do ano? E o baile das debutantes? Você com suas lutas e exigências absurdas... Quer o quê? Aparecer? Quer revolucionar? Vai alterar nossas tradições, nossos hábitos sociais?
Quer ser um novo Fidel Castro? Que absurdo completo... Acho que não, né!?
Testem vocês! Tentem fazer algo de incomum! Já de partida serão classificados como loucos, insanos ou perturbados; tentem, por exemplo, alimentar os que tem fome; dar fim ao analfabetismo da gente pobre da comunidade ou quem sabe; garantir um pão com margarina mais uma xícara de café com leite às crianças? Já afirmo que um batalhão de inimigos irá se erguer contra você e seu sonho impossível.
Finque o pé na história e sem titubeio, trave uma batalha, por exemplo, por saúde pública, universal e de qualidade excelente; reúna a cidade e diga que ninguém, nenhum de nós, pode viver sem moradia digna e decente ou; defenda abertamente que idosos não são lixos ou refugos humanos e que devem ser integralmente respeitados por todos; sabe o que essas grandes causas podem lhe causar? Estou certo de que será taxado de populista, demagogo, arruaceiro, provocador, agitador, esquerdista, comunista ou subversivo.
Se você ousar tratar de temas absurdos e inadmissíveis como educação e saúde; moradia e transporte público para a população; trabalho e renda digna para todos; meio ambiente e qualidade de vida para a cidade você será acusado, julgado, preso, humilhado, isolado e submetido até aprender a respeitar a lei e a ordem.
E a infâmia dos acusadores correrá livre e veloz de boca em boca, de ouvido em ouvido até você, meu bom atrevido, ser convertido em um indivíduo da mais alta periculosidade, afinal, já sabemos, é a segurança nacional que está em jogo; são os alicerces de nossa democracia que estão sendo usurpados por um alguém feito você. E as pessoas de bem? E as famílias? E a grande confraria dos irmãos de José? E as digníssimas senhoras que promovem o chá beneficente para o orfanato do menino Jesus? Como ficam?
Onde já se viu? E a associação dos filhos de Maria? E a festa da cidade que homenageia o empresário do ano? E o baile das debutantes? Você com suas lutas e exigências absurdas... Quer o quê? Aparecer? Quer revolucionar? Vai alterar nossas tradições, nossos hábitos sociais?
Quer ser um novo Fidel Castro? Que absurdo completo... Acho que não, né!?
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
A EDUCAÇÃO E A REFORMA
Há tempo ouve-se que o Brasil só terá avanços significativos com as devidas reformas. Nesta trilha, comenta-se sobre a urgência de reformas como as da previdência, política, educação, saúde, do sistema tributário e de comunicação, entre outras. O discurso dos políticos e dos governantes é de pressa pelas reformas. Porém, estão divididos por interesses partidários, ideológicos e religiosos. As benéficas reformas só virão quando o povo for o sujeito e o protagonista de uma nova Carta Constitucional. Uma luta a considerar.
Na verdade, sem devido debate com os profissionais da área, acaba de ser publicada a mudança na legislação da educação, envolvendo o ensino médio e também mudanças no fundamental, com base na reformulação da lei número 9394. A partir nova reformulação no ensino médio deixam de serem obrigatórias às disciplinas: Sociologia, Filosofia, Artes, Educação Física, Música. Também não é mais obrigatório o ensino de cultura afro-brasileira; não é mais garantida à universidade publica; a gratuidade do ensino público tanto no nível fundamental quanto no médio; não é mais obrigação do Estado garantir educação infantil para todos. Para verificar estas e outras mudanças basta acessar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB 9394/96) que regulamenta o sistema educacional público e privado no Brasil, da educação básica ao ensino superior.
Em dez de fevereiro deste ano uma pesquisa da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostrou que o Brasil é o segundo país do mundo com pior nível de aprendizado. Segundo estudos o Brasil tem o segundo maior número de estudantes com baixo desempenho em matemática, ciências e leitura. Entre os 64 países, o Brasil, é o décimo pior avaliado, atrás de Catar, Peru, Albânia, Argentina, Jordânia, Indonésia, Colômbia, Uruguai e Tunísia. Dos 2,7 milhões de alunos de 15 anos avaliados no Brasil, 1,9 milhão tinha dificuldade em matemática básica, 1,4 milhão em leitura e 1,5 milhão em ciências. Quando cruzados, os números indicam que 1.165.231 de alunos têm dificuldades em cumprir tarefas básicas nas três áreas de conhecimento.
Como se não bastasse à situação de falta de qualidade na educação, outra constatação do estudo é de que o Brasil está no “top 10” de países mais desiguais do mundo. Esta desigualdade social diz respeito à diferença de desempenho entre estudantes de classes sociais altas e baixas. Nas classes desfavorecidas, os primeiros anos de educação são mais problemáticos, porque frequentam escolas com menos recursos, como ocorre em regiões rurais. De acordo com orientação da OCDE, para romper o ciclo de baixo nível educacional o governo deve identificar os problemas no processo de educação e oferecer estratégias para a recuperação de nível. Entre as propostas que a OCDE propõe estão: reduzir a desigualdade no acesso à educação; estimular a inscrição escolar o mais cedo possível; envolver os pais na comunidade escolar; fornecer programas de auxílio financeiro às instituições de ensino e às famílias carentes. Então, é lamentável que a reforma do atual governo faça justamente o contrário.
Na verdade, sem devido debate com os profissionais da área, acaba de ser publicada a mudança na legislação da educação, envolvendo o ensino médio e também mudanças no fundamental, com base na reformulação da lei número 9394. A partir nova reformulação no ensino médio deixam de serem obrigatórias às disciplinas: Sociologia, Filosofia, Artes, Educação Física, Música. Também não é mais obrigatório o ensino de cultura afro-brasileira; não é mais garantida à universidade publica; a gratuidade do ensino público tanto no nível fundamental quanto no médio; não é mais obrigação do Estado garantir educação infantil para todos. Para verificar estas e outras mudanças basta acessar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB 9394/96) que regulamenta o sistema educacional público e privado no Brasil, da educação básica ao ensino superior.
Em dez de fevereiro deste ano uma pesquisa da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostrou que o Brasil é o segundo país do mundo com pior nível de aprendizado. Segundo estudos o Brasil tem o segundo maior número de estudantes com baixo desempenho em matemática, ciências e leitura. Entre os 64 países, o Brasil, é o décimo pior avaliado, atrás de Catar, Peru, Albânia, Argentina, Jordânia, Indonésia, Colômbia, Uruguai e Tunísia. Dos 2,7 milhões de alunos de 15 anos avaliados no Brasil, 1,9 milhão tinha dificuldade em matemática básica, 1,4 milhão em leitura e 1,5 milhão em ciências. Quando cruzados, os números indicam que 1.165.231 de alunos têm dificuldades em cumprir tarefas básicas nas três áreas de conhecimento.
Como se não bastasse à situação de falta de qualidade na educação, outra constatação do estudo é de que o Brasil está no “top 10” de países mais desiguais do mundo. Esta desigualdade social diz respeito à diferença de desempenho entre estudantes de classes sociais altas e baixas. Nas classes desfavorecidas, os primeiros anos de educação são mais problemáticos, porque frequentam escolas com menos recursos, como ocorre em regiões rurais. De acordo com orientação da OCDE, para romper o ciclo de baixo nível educacional o governo deve identificar os problemas no processo de educação e oferecer estratégias para a recuperação de nível. Entre as propostas que a OCDE propõe estão: reduzir a desigualdade no acesso à educação; estimular a inscrição escolar o mais cedo possível; envolver os pais na comunidade escolar; fornecer programas de auxílio financeiro às instituições de ensino e às famílias carentes. Então, é lamentável que a reforma do atual governo faça justamente o contrário.
domingo, 4 de dezembro de 2016
PARA REFLETIR: A DIFERENÇA E OS DIFERENTES.
O tempo permite que se façam comparações entre gerações, épocas e culturas. As gerações passam. As épocas mudam. As culturas se renovam. Por esta razão é impossível afirmar qual geração, época ou cultura é a ideal para a vida humana. Entender as diferenças e os diferentes cria elos de convivência social, essencial para todos os modelos.
Segundo censo e dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a média de vida dos brasileiros tem aumentado. Atualmente é superior aos 75 anos. A expectativa de vida da população aumentou 25,4 anos entre 1960 e 2012. Segundo pesquisa, entre 2004 e 2013 as famílias constituídas por casais sem filhos cresceram 33%. Nesse período a proporção de casais com filhos caiu 13,7%: era de 50,9% e passou a ser de 43,9%. A quantidade de casais sem filhos cresceu de 14,6% para 19,4%. Em 2013, de cada cinco casais, um não tinha filhos. A queda da fecundidade e diminuição da mortalidade proporcionou aumento da população em idade ativa. A proporção passou de 54,6% para 68,5%.
A realidade demográfica brasileira, segundo Síntese de Indicadores Sociais de 2014, configura para a convivência social, num futuro próximo, a redução do crescimento da esperança de vida significativa, bem como o impacto na queda do crescimento econômico. Estudo do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) indica que até 2050 o Brasil deve perder 30 milhões de contribuintes da Previdência Social. Isto significa que se aposentar aos 65 anos seria impossível para milhões de brasileiros. Outro problema é o fato de cada vez mais brasileiras chegarem aos quinze anos grávidas. Ademais, segundo a pesquisa, as mulheres ganham independência, mas o salário ainda é bem menor que o dos homens.
Tem-se uma realidade demográfica brasileira em contínua mutação. As gerações, épocas e culturas se renovam num movimento de construção e desconstrução. Por longas décadas definia-se uma geração como sendo aquela que sucedeu a seus pais. Isto é, leva-se uma média de 25 a 50 anos. Hoje, calcula-se como sendo uma nova geração um período de 10 anos. Nesse movimento, parece ser tarefa articular a experiência e a maturidade dos mais velhos com as informações dos mais novos, dados às tecnologias, ao mundo digital. Por conseguinte, para a coexistência em uma realidade constituída de diferenças, é preciso ter elementos comuns de convivência social integrada e integradora. Refletir valores de vida comuns a todos garante a convivência social entre diferentes gerações, tempos e culturas. A reflexão e integração iniciam pelo conhecer os diferentes e as diferenças da demografia brasileira, pois a nação é constituída pelas particularidades das gerações, épocas e culturas.
Segundo censo e dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a média de vida dos brasileiros tem aumentado. Atualmente é superior aos 75 anos. A expectativa de vida da população aumentou 25,4 anos entre 1960 e 2012. Segundo pesquisa, entre 2004 e 2013 as famílias constituídas por casais sem filhos cresceram 33%. Nesse período a proporção de casais com filhos caiu 13,7%: era de 50,9% e passou a ser de 43,9%. A quantidade de casais sem filhos cresceu de 14,6% para 19,4%. Em 2013, de cada cinco casais, um não tinha filhos. A queda da fecundidade e diminuição da mortalidade proporcionou aumento da população em idade ativa. A proporção passou de 54,6% para 68,5%.
A realidade demográfica brasileira, segundo Síntese de Indicadores Sociais de 2014, configura para a convivência social, num futuro próximo, a redução do crescimento da esperança de vida significativa, bem como o impacto na queda do crescimento econômico. Estudo do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) indica que até 2050 o Brasil deve perder 30 milhões de contribuintes da Previdência Social. Isto significa que se aposentar aos 65 anos seria impossível para milhões de brasileiros. Outro problema é o fato de cada vez mais brasileiras chegarem aos quinze anos grávidas. Ademais, segundo a pesquisa, as mulheres ganham independência, mas o salário ainda é bem menor que o dos homens.
Tem-se uma realidade demográfica brasileira em contínua mutação. As gerações, épocas e culturas se renovam num movimento de construção e desconstrução. Por longas décadas definia-se uma geração como sendo aquela que sucedeu a seus pais. Isto é, leva-se uma média de 25 a 50 anos. Hoje, calcula-se como sendo uma nova geração um período de 10 anos. Nesse movimento, parece ser tarefa articular a experiência e a maturidade dos mais velhos com as informações dos mais novos, dados às tecnologias, ao mundo digital. Por conseguinte, para a coexistência em uma realidade constituída de diferenças, é preciso ter elementos comuns de convivência social integrada e integradora. Refletir valores de vida comuns a todos garante a convivência social entre diferentes gerações, tempos e culturas. A reflexão e integração iniciam pelo conhecer os diferentes e as diferenças da demografia brasileira, pois a nação é constituída pelas particularidades das gerações, épocas e culturas.
sábado, 3 de dezembro de 2016
ENCERRA O ANO E NÃO A MISERICÓRDIA.
É inegável que, em nossos dias, estamos vivendo um tempo de intensa dispersão. O mundo da comunicação não só dispõe de meios eficientes e favoráveis, como também de altos riscos de incontida curiosidade dispersiva. A busca insaciável de novidades e alternativas de respostas momentâneas facilmente seduz as pessoas ao esquecimento do fundamental que harmoniza a vida e a convivência humana.
Quando o Papa Francisco acordou a humanidade para o Ano Santo da Misericórdia, queria nos lembrar, que essa é eterna. Nela está o recurso de renovação a partir de Deus para as raízes de nosso ser e de nossas relações. É o fundamental que ajusta o provisório e sustenta o novo em bases sólidas e verdadeiras.
A misericórdia, oferecida pela gratuidade do amor, não está sendo apresentada, em nossos dias, como um tema a ser estudado, mas como uma medicina a ser acionada e oferecida à humanidade que se encontra doente. A misericórdia não é um atributo de Deus, mas é o nome do próprio Deus que mostra seu rosto em Jesus Cristo, através de seu ser, do seu agir e de suas palavras. A misericórdia é a condição fundamental do Evangelho e a chave de compreensão da vida cristã.
Em nossas Igrejas, divinas, mas também tão humanas, mobilizam-se campanhas para responder a necessidades urgentes e emergentes; situam-se problemas generalizados; promovem-se anos temáticos e momentos fortes de solidariedade. Tudo isso é importante e necessário, mas também acontece, com facilidade, que ao passar a campanha ou o período temático, deixa-se na sombra o que antes veio à luz. Não podemos nos permitir que, passado o ano santo, a misericórdia passe para a sombra do esquecimento.
Aqui se trata da pergunta sobre o Deus misericordioso, o Deus “rico em misericórdia”, que nos consola a fim de que nós, pela nossa parte, nos consolemos uns aos outros". N’Ele, o único capaz de construir um novo começo, encontramos a coragem cotidiana e sempre atual para esperar contra toda a esperança e a força para começar sempre de novo.
A misericórdia divina é sempre capaz de pôr um limite ao mal que sempre ameaça a vida querida por Deus no mundo. Numa época em que muitos contemporâneos nossos se sentem desalentados, sem esperança e feridos por toda sorte de agressões, a mensagem da misericórdia deve ressoar sempre mais forte como mensagem de confiança, de esperança e de cura.
Encerra o Ano Santo, como um acordar para um novo tempo, mas não podemos deixar cair no esquecimento a misericórdia, como dom divino e como tarefa de todos os cristãos. Por palavras e obras somos chamados a testemunhá-la. Assim, por meio de um raio da misericórdia, o nosso mundo, frequentemente escuro e frio, pode tornar-se mais quente, mais luminoso, mais digno de ser habitado e amado.
Quando o Papa Francisco acordou a humanidade para o Ano Santo da Misericórdia, queria nos lembrar, que essa é eterna. Nela está o recurso de renovação a partir de Deus para as raízes de nosso ser e de nossas relações. É o fundamental que ajusta o provisório e sustenta o novo em bases sólidas e verdadeiras.
A misericórdia, oferecida pela gratuidade do amor, não está sendo apresentada, em nossos dias, como um tema a ser estudado, mas como uma medicina a ser acionada e oferecida à humanidade que se encontra doente. A misericórdia não é um atributo de Deus, mas é o nome do próprio Deus que mostra seu rosto em Jesus Cristo, através de seu ser, do seu agir e de suas palavras. A misericórdia é a condição fundamental do Evangelho e a chave de compreensão da vida cristã.
Em nossas Igrejas, divinas, mas também tão humanas, mobilizam-se campanhas para responder a necessidades urgentes e emergentes; situam-se problemas generalizados; promovem-se anos temáticos e momentos fortes de solidariedade. Tudo isso é importante e necessário, mas também acontece, com facilidade, que ao passar a campanha ou o período temático, deixa-se na sombra o que antes veio à luz. Não podemos nos permitir que, passado o ano santo, a misericórdia passe para a sombra do esquecimento.
Aqui se trata da pergunta sobre o Deus misericordioso, o Deus “rico em misericórdia”, que nos consola a fim de que nós, pela nossa parte, nos consolemos uns aos outros". N’Ele, o único capaz de construir um novo começo, encontramos a coragem cotidiana e sempre atual para esperar contra toda a esperança e a força para começar sempre de novo.
A misericórdia divina é sempre capaz de pôr um limite ao mal que sempre ameaça a vida querida por Deus no mundo. Numa época em que muitos contemporâneos nossos se sentem desalentados, sem esperança e feridos por toda sorte de agressões, a mensagem da misericórdia deve ressoar sempre mais forte como mensagem de confiança, de esperança e de cura.
Encerra o Ano Santo, como um acordar para um novo tempo, mas não podemos deixar cair no esquecimento a misericórdia, como dom divino e como tarefa de todos os cristãos. Por palavras e obras somos chamados a testemunhá-la. Assim, por meio de um raio da misericórdia, o nosso mundo, frequentemente escuro e frio, pode tornar-se mais quente, mais luminoso, mais digno de ser habitado e amado.
L.TURRA
sexta-feira, 2 de dezembro de 2016
A SUCATA DAS COISAS INÚTEIS
Um santo monge, durante a oração, adormeceu. E sonhou que estava diante do céu e as portas se abriram, deixando-o entrar. Mesmo surpreso e cheio de encantamento, o monge deu-se conta de três surpresas. A primeira delas: muitas pessoas que, no seu entender, não estariam no paraíso, lá estavam. Uma segunda surpresa: pessoas que ele imaginava que estivessem no paraíso, efetivamente lá estavam, mas com menos glória e prestígio do que supusera. Por fim, a maior de todas as surpresas: ele também estava no céu.
Uma das recomendações mais repetidas do Evangelho: não julgueis. Não julgar é um ato de sabedoria, pois quase nada sabemos dos outros. Mais: julgamos pelas aparências. Também julgamos a partir de nossos defeitos. Na parábola do trigo e do joio, Jesus nos mostra a possibilidade do engano. Trigo e joio são muito parecidos. A diferença só pode ser notada na colheita.
Contrariamente ao que acontece na lavoura, a vida pode mudar. O trigo jamais poderá se tornar joio, o joio jamais se tornará trigo. Mas as criaturas, redimidas por Deus, podem mudar a cada instante. Podem mudar até o último instante.
Nós somos salvos pela ação de Deus. O máximo que podemos apresentar a Ele é a nossa boa vontade. E Deus age em nós, também a partir de nossas falhas. Um velho ferreiro, que amava profundamente a Deus, foi atingido por uma doença. À semelhança da história de Jó, apareceu um amigo para observar: como você pode confiar tanto em Deus, que lhe manda tanto sofrimento? O ferreiro explicou: Quando quero fazer uma ferramenta, busco no depósito um pedaço de ferro. Ele passa pelo fogo, depois pela bigorna, se amolda e se torna um objeto útil. Se ele não se tornar um objeto útil, jogo-o na sucata das coisas inúteis.
São Paulo afirma: Tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus. Mesmo pequeno, nosso amor encanta a Deus. E Ele tudo faz para nossa felicidade. Muitas vezes, ela brota do sofrimento. De resto, mais do que amar a Deus, devemos deixar que Ele nos ame. E Deus não nos ama na medida que merecemos, mas nos ama na medida que precisamos. Quanto mais longe imaginamos estar, mais perto estamos. É o pastor que busca a ovelha perdida e não sossega até encontrá-la.
À semelhança do monge, São Paulo teve uma visão do céu. Depois explicou: Os olhos jamais viram, os ouvidos jamais escutaram, o coração jamais sentiu o que Deus prepara aos seus. O céu pode ser definido como as “surpresas de Deus”, reservadas para nós.
Uma das recomendações mais repetidas do Evangelho: não julgueis. Não julgar é um ato de sabedoria, pois quase nada sabemos dos outros. Mais: julgamos pelas aparências. Também julgamos a partir de nossos defeitos. Na parábola do trigo e do joio, Jesus nos mostra a possibilidade do engano. Trigo e joio são muito parecidos. A diferença só pode ser notada na colheita.
Contrariamente ao que acontece na lavoura, a vida pode mudar. O trigo jamais poderá se tornar joio, o joio jamais se tornará trigo. Mas as criaturas, redimidas por Deus, podem mudar a cada instante. Podem mudar até o último instante.
Nós somos salvos pela ação de Deus. O máximo que podemos apresentar a Ele é a nossa boa vontade. E Deus age em nós, também a partir de nossas falhas. Um velho ferreiro, que amava profundamente a Deus, foi atingido por uma doença. À semelhança da história de Jó, apareceu um amigo para observar: como você pode confiar tanto em Deus, que lhe manda tanto sofrimento? O ferreiro explicou: Quando quero fazer uma ferramenta, busco no depósito um pedaço de ferro. Ele passa pelo fogo, depois pela bigorna, se amolda e se torna um objeto útil. Se ele não se tornar um objeto útil, jogo-o na sucata das coisas inúteis.
São Paulo afirma: Tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus. Mesmo pequeno, nosso amor encanta a Deus. E Ele tudo faz para nossa felicidade. Muitas vezes, ela brota do sofrimento. De resto, mais do que amar a Deus, devemos deixar que Ele nos ame. E Deus não nos ama na medida que merecemos, mas nos ama na medida que precisamos. Quanto mais longe imaginamos estar, mais perto estamos. É o pastor que busca a ovelha perdida e não sossega até encontrá-la.
À semelhança do monge, São Paulo teve uma visão do céu. Depois explicou: Os olhos jamais viram, os ouvidos jamais escutaram, o coração jamais sentiu o que Deus prepara aos seus. O céu pode ser definido como as “surpresas de Deus”, reservadas para nós.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
A NOITE ESCURA DA ALMA.
No vai e vem dos dias, imerso num mar de compromissos, sempre restam uns instantes para pensar longe, fugir da pressão da agenda e aliviar um pouco a alma. O final de ano se aproxima e a sobrecarga não conhece tréguas. Administrar o cansaço é imprescindível, verbalizar a esperança é uma questão de espiritualidade. Ser justo no balancete existencial é bom senso. Continuar vivendo a alegria, apesar dos desacertos e desencontros, é um medicamento eficaz. Mesmo que o calendário aponte para o fim, não há uma inclinação para o término. Nada finda. Tudo recomeça. É assim diariamente. Toda conclusão aguarda por uma continuação. Talvez não seja possível uma renovação total, mas dar sequência é um jeito criativo de viver.
Sempre gostei de janelas. Mesmo que o tempo seja escasso, é bom ficar uns instantes debruçado, olhando tudo sem enxergar nada. As janelas possibilitam ângulos extraordinários. Há detalhes que só são vistos a partir dessas aberturas, que rasgam tijolos e concreto para garantir luminosidade. Mesmo com todo o aparato de grades e proteção, a janela sempre recorda que o infinito não cabe dentro das paredes. Há um mundo que extrapola limites e que inspira liberdade, convida à ousadia, provoca reinvenção diante da insistente monotonia.
Mas há outras janelas que precisam ficar escancaradas. A janela da alma não pode ficar apenas entreaberta por causa do desânimo e do cansaço. O corpo se ressente quando as exigências afrontam a resistência. Não é diferente com a vida espiritual. A Madre Teresa de Calcutá, muito provada por querer transformar a gritante realidade do povo sofrido, usava uma expressão, inspirada em São João da Cruz, que faz pensar: ‘a noite escura da alma.’ Certamente ela experimentou a escuridão da incompreensão, da sua pequenez diante de um universo de necessidades.
Todos têm momentos de escuridão da alma. Alguns desistem dos sonhos, outros se refazem pela fé e seguem adiante. Experimentar a ausência da luz, da esperança, do amor é mais do que humano. Nestes momentos, faz um bem enorme voltar à janela e olhar o firmamento, liberar os sentimentos, pensar o impensável, aliviar aquela autoimposição de que tudo deve ser como foi planejado. A noite escura da alma, quando bem administrada, poderá render o incrível amanhecer daquele amor sem fim, que recupera as energias e provoca infinitas alegrias. Sim, onde houver trevas, que eu leve a luz.
Sempre gostei de janelas. Mesmo que o tempo seja escasso, é bom ficar uns instantes debruçado, olhando tudo sem enxergar nada. As janelas possibilitam ângulos extraordinários. Há detalhes que só são vistos a partir dessas aberturas, que rasgam tijolos e concreto para garantir luminosidade. Mesmo com todo o aparato de grades e proteção, a janela sempre recorda que o infinito não cabe dentro das paredes. Há um mundo que extrapola limites e que inspira liberdade, convida à ousadia, provoca reinvenção diante da insistente monotonia.
Mas há outras janelas que precisam ficar escancaradas. A janela da alma não pode ficar apenas entreaberta por causa do desânimo e do cansaço. O corpo se ressente quando as exigências afrontam a resistência. Não é diferente com a vida espiritual. A Madre Teresa de Calcutá, muito provada por querer transformar a gritante realidade do povo sofrido, usava uma expressão, inspirada em São João da Cruz, que faz pensar: ‘a noite escura da alma.’ Certamente ela experimentou a escuridão da incompreensão, da sua pequenez diante de um universo de necessidades.
Todos têm momentos de escuridão da alma. Alguns desistem dos sonhos, outros se refazem pela fé e seguem adiante. Experimentar a ausência da luz, da esperança, do amor é mais do que humano. Nestes momentos, faz um bem enorme voltar à janela e olhar o firmamento, liberar os sentimentos, pensar o impensável, aliviar aquela autoimposição de que tudo deve ser como foi planejado. A noite escura da alma, quando bem administrada, poderá render o incrível amanhecer daquele amor sem fim, que recupera as energias e provoca infinitas alegrias. Sim, onde houver trevas, que eu leve a luz.
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