quarta-feira, 15 de outubro de 2014

O VAZIO DO CORAÇÃO HUMANO


O caminho do atalho é sempre mais fácil. Nem sempre mais eficiente. Atalho implica facilidade. Significa comodismo. Nossa sociedade é uma procura de atalhos, tanto na vida pessoal e familiar quanto na vida de trabalho e de convivência.Casos concretos são os relacionamentos. Muda-se de relacionamentos como se muda de roupa. Os adolescentes são capazes de mudar diariamente os relacionamentos. Os adultos mudam conforme os interesses. É a sociedade da facilidade. Os culpados - e um dia irão bater no peito - são os que se declaram famosos e célebres. São carne e osso como qualquer pessoa, mas os meios de comunicação são capazes de distorcer toda a realidade. Nosso ser, se não encontra respostas que satisfazem, vai buscando atalhos, através de drogas, entre as quais a mais usada é o álcool. É buscado por todas as classes sociais. Mesmo o tabagismo é um caminho de fuga. Mas talvez o grande atalho que tenta satisfazer ao coração humano seja a sexualidade desenfreada. Ninguém segura um adolescente em seus desejos sexuais. Nem mesmo os adultos.
Há somente uma lei que faz superar os atalhos. É a lei do amor. A publicidade não faz outra coisa senão tentar preencher os vazios das pessoas. Eu não paro diante das vitrines. Não fico encantado com os comerciais lindíssimos dos meios de comunicação. Tudo isso desperta e cria novos desejos. Esses desejos fazem comprar e gastar o que não se precisa.
Como enfrentar o vazio? O vazio pessoal e social? O vazio familiar? E o mais pesado de todos, o vazio espiritual? Mas talvez o vazio mais violento e difícil de preencher é a perda de si mesmo. É esquecer-se de ser criatura de Deus e viver como coisa ou como pequeno deus. É esquecer-se do sentido da existência. Olhando para trás, perguntar-se de onde veio. Olhando o futuro e ver bem claro o caminho a percorrer. Vivendo o presente e sentir segurança de que a vida tem sentido, e é possível preencher o vazio vivendo o humano e o divino que está em nosso coração. O vazio do coração humano tem somente um caminho de solução. Somente uma direção. Somente um alimento. Não há como fingir em pequenas soluções. A solução única é misturar nossos desejos com os desejos de Deus. Somente Deus pode preencher o vazio humano. Até que a sociedade não se organizar em grupos de bom relacionamento o vazio permanecerá, vai continuar doendo e levar à busca de compensações.
O mestre Jesus, em sua sabedoria e estratégia de satisfazer o coração humano, colocou para a humanidade, de todos os tempos e todas as raças, o mandamento do amor. É no cumprimento desse mandamento que as pessoas vivem e se realizam.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

NOSSA SOCIEDADE PRECISA DE VENTO FORTE.

Vento, tua força passou por sobre a cidade. Assustou. Ameaçaste de morte árvores e pessoas. Mexeste com telhados. Não poupaste as frágeis janelas e portas. Esqueceste de pedir, com gentileza, licença para entrar! Chegaste como um ladrão que nada respeita.
De onde vens e para onde vais, vento? És um mistério. As pessoas apenas se contentam em dizer: foi um vento forte. Ninguém vê o vento. Apenas é possível ver os resultados.
Os ventos que bateram e batem neste Brasil podem nos fazer refletir. Há uma necessidade de ventos fortes em nosso sistema político. Estamos em permanentes tormentas que destroem a boa vontade de pequenos grupos, que lutam e acreditam na possibilidade de mudança.
Quando a gente vê, através dos meios de comunicação, políticos que passam dinheiro um para outro, que escondem dinheiro até nas meias dos sapatos, é difícil renovar a esperança num sistema de mudança. Chegam ao absurdo de dar-se as mãos e agradecer a Deus pelo sucesso da ladroagem. E alguns são deputados que se dizem seguidores do evangelho.
Os ventos fortes devem chegar nos presídios e nos morros. Fazer a limpeza da maldade. É interessante permanecer por alguns momentos diante de noticiários policiais e de traficantes de drogas e observar como tudo parece brincadeira de crianças. Brincam de se esconder e de fazer guerra.
E os adultos acham estes ventos uma diversão. O que fariam os adultos à tardinha ou à noite? Como ocupariam o tempo se não fossem os brinquedos de guerra e as ações policiais?
Observei um fato. Dificilmente as crianças permanecem diante do televisor para ver violência. A violência ainda não faz parte de suas escolhas. Nossa sociedade é velha e adulta demais! Relembro o mestre Jesus que, falando aos adultos, recomendou: “Quem não se tornar como criança não entra no Reino dos Céus.”
Este é o vento necessário. O vento que vem das palavras e das atitudes de Jesus. Lembro de quando Jesus e os apóstolos, reunidos numa sala, rezando, um vento forte sacudiu a sala. O que aconteceu? As pessoas ali reunidas estavam cheias de medo. O vento sacudiu e libertou as pessoas de seus temores, tradições e costumes.
O vento sempre põe medo. Sempre vem de repente. Mas há o vento calmo. Há a brisa suave da tarde. Mas em geral o vento bate de repente, nos pega de surpresa.
Nestas alturas, necessitamos de muitas pessoas que saibam ser vento. Limpar a sociedade da injustiça e da corrupção, da mentira e do engano. Esses ventos devem sacudir nossas escolas e nosso sistema educacional. Devem sacudir nossas Igrejas e religiões. Devem sacudir, acima de tudo, nossas famílias, que precisam renova-se na mente e no coração. Precisam renovar-se na busca de relacionamentos sadios.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

HOMENAGEM AO MESTRE PROFESSOR.



És o semeador da parábola.
Não te preocupes onde caem as sementes.
Semeia sempre .
A cada um será dado segundo as suas obras.
Se tua semente não germina , examina com confiança tuas ações ;
faze tua auto-crítica : reconhece teus enganos; recomeça com teu exemplo, com humildade, lutando contra os desenganos da vida, semeando o amor, o respeito, a fé, a confiança no próximo e em Deus.
E se ainda, não brota a tua semente, insista sempre, com paciência, regando com amor a terra árida da sementeira alcançando o adubo da compreensão, removendo a mata da discórdia e deixando que a luz do sol da fé possa trazer seus raios para a floração perfeita da primavera .
E no fim de cada jornada de trabalho, ora a Deus pedindo-lhe amparo e proteção, para que tua paciência não falte, para que teu amor não se esgote.
Luta com confiança contra todos os obstáculos que possam surgir na caminhada de Mestre e Professor...

Homenagem deste Blog a todos os Professores pelo seu dia.

sábado, 11 de outubro de 2014

CRIANÇA!

A criança é um ser doce e expressivo que não segura suas emoções e que não guarda magoas e nem rancor. Ela sabe exatamente o que quer e ao mesmo tempo se confunde ao ver algo que possa ser mais legal. Mas isso não quer dizer que ela seja gananciosa, isso quer dizer que ela quer experimentar tudo aquilo que chama a sua atenção.

A criança é um ser livre que, simultaneamente tem de ser presa para que não faça nenhuma besteira e quando faz, pode ter certeza que será desses momentos que os pais vão olhar e pensar, o quanto é bom ser criança.

A criança é o berço da felicidade, onde se esconde a morada do ser mais magnífico, a paz. Então, você que é uma criança, já foi ou que está deixando de ser, nunca se esqueça do quanto é bom ser criança.

Variedades da Felicidade

Já perceberam o quanto cada ser que nasce se parece, mas que depois de alguns dias cada um ganha uma característica. Do mesmo modo é a criança, elas possuem diversas cores, tamanhos e pensamentos, mas o que realmente as diferenciam uma das outras são os olhares.

Pare e observe o seu filho, primo, irmão e veja dentro dos olhos dele aquele brilho que um dia passou por você, mas que ao mesmo tempo é diferente porque ele brilha com mais intensidade, te mostra um futuro melhor.
Nascer para Viver

Do que adianta passar pela vida e não ter uma história para contar? Por vezes ficamos bravos com nossas mães relatando nossas travessuras de criança para nossos amigos, porém o que esquecemos é que eles também já foram crianças e de que um modo o outro já fizeram o mesmo ou até um pouco pior.

Viver tudo aquilo que se tem direito, sujar os pés, mãos e rosto, sujar o tapete e marcar a casa inteira, viemos para deixar nossos passos e mostrar para nossos filhos como marcar os seus passos. Então se você também é uma criança que vai querer sempre brincar de viver, não perca tempo, viva.
Ainda bem

Mas um dia raiou e ela não quis sair da cama.

Ficou ali em seu canto amuado e escondido.

Mas quando criança era ativo e cheio de luz.

Brincava, pulava e corria, para todos os cantos.

Mas será o que aconteceu, quem foi que apagou a sua luz?

A criança nunca deixa de ser criança só porque cresceu, pelo contrário, ela sempre vai ter uma luz dentro dela.

É caro leitor, às vezes é difícil as verdades do mundo, os pensamentos ficam escuros, mas dentro do coração não. Por tanto, você que está ai correndo, tome cuidado com o obstáculo, cuidado para não cair e você ai que está sendo criança, continue assim.

Homenagem deste Blog, a todas as crianças pelo seu dia.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

NÃO ME ARREPENDO DE NADA.

Quase nada neste mundo sucede exatamente como planejamos. Porque o primeiro cônjuge não era exatamente o que dele se esperava, hoje há milhões de pessoas divorciadas, algumas pela terceira ou quarta vez. Porque determinada Igreja não era como esperavam, muitos mudaram de Igreja ou fundaram outra, da qual também muitos saíram porque a nova Igreja também não era como se esperava.
O emprego, os partidos, os políticos, os times e muitas vezes os amigos e filhos não são exatamente como esperamos. E Deus também não é como milhões de fiéis o idealizaram. Por isso, também tantos mudaram de Deus, ou de conceito.
As coisas são o que são e como são. Nós é que muitas vezes gostaríamos que fossem de outro jeito. Em alguns casos, até podemos ajustá-las ao nosso gosto, mas, na maioria deles, quanto mais as ajustamos mais desajustados ficamos.
Há roupas que simplesmente não nos servem. Não adianta forçar. Não há como ajustá-las sem destruí-las. Talvez devêssemos emagrecer e perder um pouco de nós, para que coubéssemos nelas. Talvez seja isso mesmo: não é a roupa que cabe em nós, somos nós a caber nela; não é o mundo que cabe em nós, somos nós que ainda não achamos o nosso lugar ou se achamos não nos damos bem com o lugar que achamos.
O ser humano tem o direito de não gostar disso ou daquilo, mas, quando perde a noção do ridículo e acha que tudo - Deus, Igreja, partido, família, amigos, amores, emprego e time - precisa se ajustar a ele porque não pretende mudar, o desajuste evidentemente é dele.
É natural que o mundo e os outros não caibam na nossa cabeça. Nossa cabeça é pequena demais para tanto conteúdo. Afinal, somos apenas um “eu” no meio de quase sete bilhões de “outros”. Se teimarmos em exigir que tudo e todos caibam na pequeníssima dimensão do nosso eu, estaremos erradamente dimensionados.
Tenho dito isso a alguns jovens e adultos teimosos que acham que é virtude alguém fazer tudo do seu jeito e navegar sempre na oposição. Talvez o dito do qual mais devamos nos arrepender é o tristemente famoso “não me arrependo de nada”. Não mesmo?

terça-feira, 7 de outubro de 2014

DIVERSIDADE NÃO SIGNIFICA CONFRONTO, MAS RIQUEZA.

Há milhões de anos, durante uma era glacial, quando nosso planeta esteve coberto por grandes camadas de gelo, muitas espécies animais não resistiram ao frio e desapareceram. A crise atingiu também os porcos-espinhos. Numa tentativa de sobreviver, trataram de aproximar-se uns dos outros. Assim, cada um podia usufruir o calor do outro. Todos juntos, unidos, aqueceram-se. Porém, os espinhos de cada um começaram a ferir os companheiros mais próximos, justamente os que forneciam mais calor, aquele calor vital, questão de vida ou morte. E acabaram afastando-se feridos e magoados. Dispersaram-se por não suportarem os espinhos de seus semelhantes.Porém, a vida se encarregou de ensiná-los. Afastados, começaram a morrer de frio, congelados. Os que não morreram, trataram de reaproximar-se aos poucos, com cuidado. Cada um conservava uma certa distância do outro, o suficiente para conviver sem mágoa, mas acolhendo o seu calor. Assim suportaram-se, acolheram-se e superaram a longa era glacial.
O que acontece com o ouriço ocorre também com as pessoas. Existem em nós dois sentimentos que parecem contraditórios, mas que precisam coexistir. De um lado, a individualidade, do outro, a necessidade de partilhar e conviver. E nesta dialética, de criar o próprio espaço e acolher o outro, é construída a vida. Não existe um modelo único, mas precisa acontecer um processo, por vezes vagaroso. Para Sartre, os outros são o inferno. Para Francisco de Assis, os outros são irmãos enviados por Deus. Sartre percebia apenas os espinhos, Francisco apenas o calor.
E muitos dos espinhos na vida humana têm origem afetiva. Meus amigos, diz a sabedoria popular, não têm defeitos, meus inimigos não têm qualidades. Na realidade, todos somos diferentes e precisamos aprender a conviver. Isso supõe o dialogo que dilui nossa tentativa de julgar com nossos critérios e experiências. Tudo é visto a partir de um ponto de partida. E o ponto de partida de cada um é diferente. Diversidade não significa confronto, mas riqueza.
A tentação de julgar é muito forte em todas as pessoas. Talvez por isso, a sabedoria do Evangelho pede “não julgueis e não sereis julgados”. Não julgar é um ato de inteligência, porque pouco conhecemos dos demais e este pouco, quase sempre, é superficial. De resto, julgar é colocar-se como juiz, como centro de referência e da verdade.
Uma imagem, que vem de nossos avós, lembra: carregamos nossos defeitos às costas e por isso não os vemos. Porém, vemos facilmente os defeitos dos outros. O outro é sempre maior que seus defeitos. E o calor é mais importante que os espinhos. Até os ouriços acabaram por entender isso.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

HÁ UM SONHO NO CORAÇÃO DA HUMANIDADE

Ser eterno é um privilégio. É participar da vida de Deus. É ter começado a existir e não acabar mais. Isso, para quem faz o bem. E como fica para os que se autodestroem e que não alimentaram o sonho de eternizar-se? Acabam ali onde acaba a matéria?
Nasce em mim outra questão. A pessoa humana tem o grande desejo de viver sempre. De eternizar-se. É por isso que existem a medicina e os remédios que tentam prolongar a vida. Mas a questão que nasce em mim é essa: e as flores, os pássaros, as estrelas desaparecerão ou também terão um sentido de eternidade? Tudo será destruído ou o que é belo, justo e santo permanece?
Não dá para imaginar que os pássaros, tão lindos e tão livres, não sejam eternos! Não dá para imaginar a beleza das flores e dos jardins sendo destruída pela mão humana! Nem dá para imaginar noites sem estrelas, mares sem peixes e manhãs sem o nascer do sol!
Não fosse o cultivo do sentido de eternidade, muito mais pessoas buscariam o suicídio e a autodestruição. Mas há no coração das pessoas, de todos os tempos, o mesmo desejo de sobrevivência. E por que em certo número de pessoas o desejo de morte se torna mais forte do que a morte? Por que muitas pessoas alimentam o desejo da vida, de uma vida em alegria e em prazer, e em outras há a busca da morte e da destruição?
Tudo é um mistério!
Mas é preciso crer para poder alimentar o sentido do eternizar-se. Crer que aquilo que eu escolho e faço não tem fim, mas tem o gosto de eternidade. Essa escolha me leva a apostar no eterno. Essa escolha me faz gastar as energias num objetivo certo. Faz-me dormir e acordar porque em mim há um ponto de partida e de chegada. Leva-me a viver o que faço com amor, porque somente o amor eterniza as ações e os sentimentos. Leva-me a ocupar o tempo com alegria, porque é no tempo que construímos a eternidade.
Podemos dividir a humanidade. Humanidade constituída pelos familiares que vivem comigo, pelos meus companheiros de trabalho, pelos meus vizinhos... Podemos dividir essa humanidade em quem acredita na eternidade e em quem vive indiferente perante o fato. A indiferença perante o fato coloca muita gente numa atitude de frieza.
Há um sonho no coração da criança que nasce: viver sempre. Há um sonho de levar consigo toda a bagagem que vai conseguindo amontoar na vida. Bagagem espiritual e de convivência.
Há um sonho no coração de cada homem e de cada mulher, especialmente naqueles homens e mulheres que se buscam para juntos conviverem, há um sonho de tudo fazer para não decepcionar-se.

sábado, 4 de outubro de 2014

NOSSA SOCIEDADE MODERNA ESTÁ DOENTE.

É tempo de fazermos um juízo crítico dos fatos e de todo comportamento humano. Facilmente tomamos o que é anormal por normal, e vive-versa. A sociedade é que cria padrões de normalidade.
Uma criança está na família. O pai e a mãe procuram de todas as maneiras controlar esta criança. Ela é nervosa e agressiva. E então muitos psicólogos argumentam que é assim mesmo. Que é normal. É normal mesmo ou são conceitos sociais criados?
Os adolescentes têm seu próprio comportamento. Criam sua própria liberdade. São filhos da mídia e da informática. São produtos do computador e do celular. Sexualmente e emocionalmente têm de se construir com suas decisões. Não há idade para namorar e ficar. Tudo é lícito. É assim mesmo que deve acontecer ou há uma anormalidade que se força para torná-la normal?
Tenta-se reviver a família. Há uma busca de novos caminhos. Tenta-se construir uma família e, ao mesmo tempo, cada um vai para seu lado. Os homens têm seu esporte, seu trabalho e seu lazer. As mulheres se entretêm com suas profissões e ocupações. E se tornou normal cada um decidir por sua vida. E onde estão o solidário e o comunitário? Onde estão a convivência e os objetivos comuns? Onde está o caminho da normalidade?
Ser homossexual é ser normal. Essa é mentalidade que os meios de comunicação colocam na cabeça das pessoas. O parecer de quase todas as pessoas se traduz: cada pessoa deve tomar suas decisões. Ver quinhentos mil homossexuais desfilando numa avenida, tudo parece normal. Se nesta mesma avenida fosse promovido um evento de casais, para demonstrar o valor da família e do casamento, haveria poucos participantes e seriam ridicularizados pelos meios de comunicação. É um fato onde o anormal toma cara de normal, o anormal é visto como normal.
Roubar nos negócios e na política é comum e normal. Todos fazem assim. E quando vamos lutar por uma sociedade mais justa e solidária? Ou é assim mesmo?
Pessoas conscientes devem começar a sentar juntas. E diante da pergunta “o que é normal e o que é anormal”, serem capazes de ser diferentes e justas. Sentar-se e perceber o comportamento da natureza. Da natureza dos céus e da terra com suas leis. Da natureza do ser humano. Estudar e observar as leis que regem o corpo, a mente e o espírito.
Nossa sociedade moderna está doente em todos os sentidos, pelos simples motivo de que estão sendo tomados caminhos fora dos caminhos.
Que o Senhor do universo e do coração humano nos ajude a sermos simples criaturas, que buscam viver segundo a normalidade.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

SÓ EXISTEM DOIS INFINITOS: A NATUREZA E A ESTUPIDEZ.

Um teólogo famoso, no seu melhor livro - Introdução ao Cristianismo - ampliou a conhecida metáfora do fim do mundo formulada pelo dinamarquês Sören Kirkegaard, já referida nesta coluna. Ele reconta assim a história: num circo ambulante, um pouco fora da vila, instalou-se grave incêndio. O diretor chamou o palhaço que estava pronto para entrar em cena para que fosse até a vila pedir socorro. Foi incontinenti. Gritava pela praça central e pelas ruas, conclamando o povo para que viesse ajudar a apagar o incêndio. Todos achavam graça, pois pensavam que era um truque de propaganda para atrair o público. Quanto mais gritava, mais riam todos. O palhaço pôs-se a chorar e então todos riam mais ainda. Ocorre que o fogo se espalhou pelo campo, atingiu a vila e ela e o circo queimaram totalmente. Esse teólogo era Joseph Ratzinger. Ele foi Papa e não produz mais teologia. Sua metáfora, no entanto, se aplica bem à atual situação da humanidade que tem os olhos voltados para o país de Kirkegaard e sua capital Copenhague. Os 192 representantes dos povos devem decidir as formas de controlar o fogo ameaçador. Mas a consciência do risco não está à altura da ameaça do incêndio generalizado. O calor crescente se faz sentir e a grande maioria continua indiferente, como nos tempos de Noé que é o “palhaço” bíblico alertando para o dilúvio iminente. Todos se divertiam, comiam e bebiam, como se nada pudesse acontecer. E então veio a catástrofe.
Mas há uma diferença entre Noé e nós. Ele construiu uma arca que salvou a muitos. Nós não estamos dispostos a construir arca nenhuma que salve a nós e a natureza. Isso só é possível se diminuirmos consideravelmente as substâncias que alimentam o aquecimento. Se este ultrapassar dois a três graus Celsius poderá devastar toda a natureza e, eventualmente, eliminar milhões de pessoas. O consenso é difícil e as metas de emissão, insuficientes. Preferimos nos enganar cobrindo o corpo da Mãe Terra com band-aids na ilusão de que estamos tratando de suas feridas.
Há um agravante: não há uma governança global para atuar de forma global. Predominam os estados-nações com seus projetos particulares sem pensarem no todo. Absurdamente dividimos esse todo de forma arbitrária, por continentes, regiões, culturas e etnias. Sabemos hoje que estas diferenciações não possuem base nenhuma. A pesquisa científica deixou claro que todos temos uma origem comum pois que todos viemos da África.
Consequentemente, todos somos coproprietários da única Casa Comum e somos corresponsáveis pela sua saúde. A Terra pertence a todos. Nós a pedimos emprestado das gerações futuras e nos foi entregue em confiança para que cuidássemos dela.
Se olharmos o que estamos fazendo, devemos reconhecer que a estamos traindo. Amamos mais o lucro que a vida, estamos mais empenhados em salvar o sistema econômico-financeiro que a humanidade e a Terra.
Aos humanos como um todo se aplicam as palavras de Einstein: “Somente há dois infinitos: o universo e a estupidez; e não estou seguro do primeiro”. Sim, vivemos numa cultura da estupidez e da insensatez. Não é estúpido e insano que 500 milhões sejam responsáveis por 50% de todas as emissões de gases de efeito estufa e que 3,4 bilhões respondam apenas por 7% e sendo as principais vítimas inocentes? É importante dizer que o aquecimento, mais que uma crise, configura uma irreversibilidade. A Terra já se aqueceu. Apenas nos resta diminuir seus níveis, adaptarmo-nos à nova situação e mitigar seus efeitos perversos para que não sejam catastróficos. Temos que torcer para que não prevaleça a estupidez, mas o cuidado pelo nosso destino comum.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

O CORRUPTO NÃO POSSUI VALORES, APENAS SALDO BANCÁRIO.

A transparência Internacional divulgou, na Alemanha, o índice de corrupção no mundo. Numa escala de 0 (sem corrupção) a 10 (haja lanterna de Diógenes para descobrir um honesto!), o Brasil mereceu 3,7 pontos. Avançou da 80ª posição para a 75ª, entre 180 nações analisadas. Nosso país se equipara, agora, à Colômbia, ao Peru e ao Suriname. O país onde há menos corrupção é a Nova Zelândia Por que há tanta corrupção no Brasil? Temos leis, sistema judiciário, polícias e mídia atenta. Prevalece, entretanto, a impunidade - a mãe dos corruptos. Você conhece o nome de um notório corrupto brasileiro? Ele foi processado e está na cadeia?
Padre Vieira, no sermão em homenagem à festa de Santo Antônio, em 1654, indagava: “O efeito do sal é impedir a corrupção, mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção?” A seu ver, havia duas causas principais: a contradição de quem deveria salgar e a incredulidade do povo diante de tantos atos que não correspondiam às palavras.
O corrupto caracteriza-se por não se admitir como tal. Esperto, age movido pela ambição de dinheiro. Não é propriamente um ladrão. Antes, trata-se de um requintado chantagista, desses de conversa frouxa, sorriso amável, salamaleques gentis. Anzol sem isca peixe não belisca.
O corrupto não se expõe; extorque. Considera a comissão um direito; a porcentagem, pagamento por serviços; o desvio, forma de apropriar-se do que lhe pertence; o caixa dois, investimento eleitoral. Bobos aqueles que fazem tráfico de influência sem tirar proveito.
Há muitos tipos de corruptos. O corrupto oficial se vale da função pública para tirar proveitos a si, à família e aos amigos. Troca a placa do carro, embarca a mulher com passagem custeada pelo erário, usa cartão de crédito debitável no orçamento do Estado. Considera natural o superfaturamento, a ausência de licitação, a concorrência com cartas marcadas.
A lógica do corrupto é corrupta: “Se não aproveito, outro leva vantagem em meu lugar”. Seu único temor é ser apanhado em flagrante delito. Não se envergonha de se olhar no espelho, apenas teme ver o nome estampado nos jornais. Confiante, jamais imagina a filha pequena a indagar-lhe: “Papai, é verdade que você é corrupto?”
Há o corrupto privado. Jamais menciona quantias, tão somente insinua, cauteloso. Assim, torna-se o rei da metáfora. Nunca é direto. Fala em circunlóquios, seguro de que o interlocutor saberá ler nas entrelinhas.
O corrupto franciscano pratica o toma lá, dá cá. Seu lema é “quem não chora, não mama”. Não ostenta riquezas, não viaja ao exterior, faz-se de pobretão para melhor encobrir a maracutaia. É o primeiro a indignar-se quando o assunto é a corrupção que grassa pelo país.
O corrupto exibido gasta o que não ganha, constrói mansões e castelos, enche o latifúndio de bois, convencido de que puxa-saquismo é amizade e sorriso cúmplice, cegueira. Vangloria-se de sua astúcia ao enganar e mentir.
O corrupto nostálgico orgulha-se do pai ferroviário, da mãe professora, da origem humilde, mas está intimamente convencido de que, tivessem as mesmas oportunidades de meter a mão na cumbuca, seus antepassados não deixariam passar.
O corrupto previdente, calculista, já está de olho  nas Olimpíadas do Rio, em 2016. Ele sabe que os jogos Pan-americanos no Rio, em 2007, tiveram orçamento de R$ 800 milhões e consumiram R$ 4 bilhões.
O corrupto não sorri, agrada; não cumprimenta, estende a mão; não elogia, incensa; não possui valores, apenas saldo bancário. De tal modo se corrompe que nem mais percebe que é um corrupto. Julga-se um negocista bem-sucedido.
Melífluo, o corrupto é cheio de dedos, encosta-se nos honestos para se lhe aproveitar a sombra, trata os subalternos com uma dureza que o faz parecer o mais íntegro dos seres humanos. Aliás, o corrupto acredita piamente que todos o consideram de uma lisura capaz de causar inveja em madre Teresa de Calcutá.
O corrupto julga-se dotado de uma inteligência que o livra do mundo dos ingênuos e torna-o mais arguto e esperto do que o comum dos mortais.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

TUDO PASSA, SÓ O AMOR PERMANECE.

Um líder africano implantou muitos benefícios para seu povo. Ao regressar de uma viagem comunicaram-lhe que sua esposa morrera. Depois de passar algum tempo na mais absoluta desolação, começou a preocupar-se em preservar sua memória. O que ele poderia fazer de grandioso para que sua esposa jamais fosse esquecida? O primeiro pensamento foi o de erguer um grande monumento fúnebre, que conservasse a memória da pessoa a quem ele mais amara em vida. Mas um mestre, carregado de anos e de sabedoria, aconselhou: construa um poço no deserto, assim todas as caravanas que passarem por ele lembrarão sua esposa. E darão graças a Deus por ela ter existido.
Na vida, tudo transcorre com rapidez e a morte estabelece a cortina do esquecimento sobre todos. O dinheiro, a glória, as realizações são logo esquecidos. Os próprios monumentos envelhecem e de uma vida cheia de acontecimentos sobra o registro de poucas linhas. Tudo passa, só o amor permanece. A história guarda poucos nomes e privilegia os que fizeram de suas vidas um poema de amor. Ainda lembramos Alexandre da Macedônia, César, Napoleão, mas amamos Francisco de Assis, João XXIII, Luther King, Gabriela Mistral, Teresa de Calcutá. Eles e elas, cada um do seu jeito, semearam amor.
A vida não é aquela que sonhamos, mas a que efetivamente temos. As perdas se acumulam ao longo dos anos. Pessoas queridas partiram quando menos esperávamos. De nada adiantaria morrer afogado nas próprias lágrimas. É muito mais inteligente abrir um poço de água para os outros. É o poço da gratuidade, de quem nada espera para si. É uma árvore que plantamos, sem a pretensão de colher os frutos. E se pudermos colhê-los, façamos isso sem euforia e com um sentimento de gratidão. São Francisco de Assis lembrava que era muito melhor amar do que ser amado.
Nosso tempo está cheio de desertos, repletos de pessoas, que carregam uma sede profunda. Sede de reconhecimento, sede de amor, sede de fé. E todos temos o incrível privilégio de poder abrir fontes límpidas. E isso jamais passará. Pablo Neruda desejava que em seu túmulo colocassem a legenda: aqui jaz um amante da liberdade. Feliz daquele que, em seu túmulo, alguém escrever: ele abriu muitos poços no deserto.
O apóstolo Paulo fala das possíveis realizações da pessoa e exemplifica: o dom da profecia, a eloquência, transportar montanhas, repartir a fortuna, entregar o corpo para ser queimado... E proclama: se não tiver caridade, isso nada me adiantará e conclui: tudo terá fim, mas o amor jamais acabará (1Cor 13). Deus nos fez à sua imagem e semelhança. E Deus é amor.