quinta-feira, 5 de julho de 2018

AS MUDANÇAS NA NOSSA VIDA

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O passado costuma ser conhecido por eras, como as dos coletores e caçadores, agricultores nômades e sedentários etc. Eras do cobre, do bronze, do ferro...

A antiguidade grega se destaca como era do nascimento da filosofia (embora ela tenha outra mãe além da grega, a chinesa), assim como a República romana se destaca como a era do direito.

Como a nossa contemporaneidade será conhecida no futuro? Meu palpite é que seremos conhecidos como a era do fundamentalismo econômico. Porque todas as nossas atividades giram em torno do dinheiro. Era do business. Time is money. Do lucro exorbitante. Da desigualdade social alarmante. Do império dos bancos.

Era na qual apenas oito homens dispõem de renda superior à soma da renda de 3,6 bilhões de pessoas, metade da humanidade. Era na qual tudo tem valor de troca, e não de dom.

Esse fundamentalismo submete a política à economia. Elege-se quem tem dinheiro. Todo o projeto político é pensado em função de ajuste fiscal, redução de gastos em programas sociais, cortes orçamentários, privatização do patrimônio estatal, redução da dívida pública.

No altar das Bolsas de Valores, tudo é ofertado, em sacrifícios humanos, ao deus Mercado. É ele que, com as suas mãos invisíveis, abençoa paraísos fiscais, livra os mais ricos de pagarem impostos, eleva as cotações do câmbio, abarrota a cornucópia da minoria abastada e arranca o pão da boca da maioria pobre.

Outrora meus avós, ao despertar de um novo dia, consultavam a Bíblia. Meus pais, a meteorologia. Meus irmãos, as oscilações do mercado financeiro.

Sucateia-se o ensino público para fortalecer a poderosa rede de educação particular. Propõe-se a reforma da Previdência para desobrigar o Estado de assegurar aposentadoria e transferir o encargo aos planos de previdência privada.

A saúde há tempos está privatizada: médicos preferem fazer parto por cesariana; cirurgias desnecessárias são recomendadas; o SUS não funciona; os planos de saúde e os medicamentos têm aumentos sazonais.

O mais nefasto efeito do fundamentalismo econômico é, de um lado, a acumulação privada e, de outro, a exclusão social. Quem tem dinheiro prefere guardá-lo no banco e aplicá-lo no cassino financeiro a usufruir uma vida mais saudável e solidária.

Quem não tem padece a humilhação da pobreza, da carência de bens e direitos essenciais, do salário minguado e do desemprego.

A exclusão reforça as vias criminosas de acesso ao dinheiro e ao fetiche das mercadorias: narcotráfico, roubo, sonegação e corrupção. Agora o rei já não proclama “L’État c’est moi”. Ele brada “In Gold we trust”.

terça-feira, 3 de julho de 2018

FAÇA O QUE TEM QUE FAZER

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Podem nos tirar objetos acumulados ao longo dos anos, podem nos tirar o tempo, distorcer direções, colocar palavras na nossa boca que não dissemos. Também podem mostrar para o outro que somos quem eles querem que sejamos, ou quem acreditam que somos. Vendem sua ideia de nós. Grande equívoco no olhar a se mostrar, distorcendo o viver sob nossos pés...

Ficamos vulneráveis ao que pensam de nós, invadem até o que pensamos do que pensam de nós. E nós o que pensamos de nós? Interrogações vão sendo construídas. Ficamos à mercê das expectativas, das construções do outro, até perceber as contradições e assumir nossa própria direção. O que faço com o que fazem comigo ou com o que me dizem fica no meu colo até que eu ache um lugar para colocar.

Chega um tempo que fazer o que o outro acredita que deva fazer, ou o que tentam te convencer, fica para trás. Faça o que tem que fazer, o que sintoniza com você; construa dentro de si esse fazer. É transição, transformação, não é falência, nem fracasso, isso é um novo modo de entender.

Nos tirar a beleza de nos enxergar pelo que absorvemos da vida, não é simples assim, se verdadeiramente nos encontramos em nós. Ninguém nos tira quem nos construímos internamente e nem quem somos. Porque nós somos a vida que pulsa em nós; os aprendizados que construímos; o que tentamos modificar, o que conseguimos e o que ainda não conseguimos integrar.

Nós somos um eu que invade e é invadido por outro andar, mas que pode escolher o seu novo jeito de ser e de caminhar....

segunda-feira, 2 de julho de 2018

VIVER É UM ATO MARAVILHOSO


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Contar histórias para iluminar a vida é um jeito interessante de aprender e assimilar algumas coisas. Com a multiplicação dos meios, as frases, os provérbios, relatos, imagens e contos tornaram-se conhecidos por muitas pessoas. O interessante é que essas histórias são capazes de provocar profundas reflexões e desencadear mudanças. O próprio Jesus usava de parábolas para ensinar aquilo que os olhos não viam e a mente era incapaz de compreender. Num dia desses, recebi um vídeo com o título: ‘uma história tocante sobre a vida.’ E a história assim descrevia: certo dia, um jovem garoto perguntou a seu pai: qual é o valor da minha vida? Ao invés de responder, o pai disse: pegue esta pedra e vá vende-la no mercado. Se alguém perguntar o preço, mostre dois dedos e não diga nada. Então o garoto foi ao mercado e uma mulher perguntou: quanto por esta pedra? Quero coloca-la no meu jardim. O garoto não disse nada e levantou dois dedos. E a mulher disse: dois dólares? Vou levar! Então, o garoto foi para casa e contou ao seu pai: uma mulher quis comprar essa pedra por dois dólares! Então, o pai disse: filho, agora quero que leve esta pedra ao museu. Se qualquer pessoa quiser compra-la, não diga nada. Levante os dois dedos.

Então o garoto foi ao museu e um homem quis comprar a pedra. O garoto não disse uma palavra e levantou os dois dedos. E o homem disse: 200 dólares? Vou levar! O garoto ficou chocado e foi correndo para casa: Pai, um homem quis comprar essa pedra por 200 dólares. Então seu pai disse: Filho, o último lugar que quero que leve esta pedra é à uma loja de pedras preciosas. Mostre ao dono da loja e não diga uma palavra. E se ele perguntar o preço, apenas levante os dois dedos. O filho foi à loja de pedras preciosas. Ele mostrou a pedra ao proprietário, que imediatamente indagou: onde você achou essa pedra? Essa é uma das pedras mais raras do mundo, preciso tê-la. Por quanto você a venderia? O garoto levantou os dois dedos. Então homem disse: vou leva-la por 200 mil dólares. O garoto sem saber o que dizer, voltou correndo para casa: ‘Pai, um senhor quer comprar a pedra por 200 mil dólares!’ Então, seu pai disse: ‘Filho, agora você entende o valor da sua vida? Veja, não importa de onde veio, onde você nasceu, a cor da sua pele ou em meio a quanto dinheiro você nasceu. O que importa é onde você decide se posicionar, as pessoas com as quais você convive e como você decide levar sua vida. Você pode ter passado a vida toda pensando ser uma pedra de dois dólares.

Você pode ter vivido a vida toda em volta de pessoas que enxergavam você com o valor de dois dólares. Mas cada um de nós tem um diamante dentro de si. Nós podemos escolher nos rodear de pessoas que enxergam nosso valor e o diamante dentro de nós, nós podemos escolher entre nos colocar em um mercado qualquer ou nos colocar em uma loja de pedras preciosas. Você pode, inclusive, escolher ver o valor nas outras pessoas. Você pode ajudar outras pessoas a enxergar o diamante dentro delas. Escolha com cuidado as pessoas com quem você se cerca. Isso pode fazer toda a diferença em sua vida. Os dias foram passando e essa história continua interpelando minha capacidade reflexiva. Como tudo seria diferente se as pessoas conseguissem ver o diamante que cada um carrega consigo. Sejamos capazes de valorizar imensamente a vida que está em nós e a vida que está naqueles que nos rodeiam. Viver é um ato maravilhoso.

sábado, 30 de junho de 2018

VAI DOER POR MUITO TEMPO

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Em tempos de crise mundial, os consumidores param de consumir e, com isso, os produtores param de produzir. Quando o comerciante não vende porque o consumidor não compra, o industrial não fabrica porque seu produto vai encalhar e quem empresta dinheiro aumenta o juro porque o tomador de empréstimos não terá como pagar. A isso chama-se ‘ciranda “, mas é ciranda que agora gira ao inverso. Um não compra porque não tem dinheiro, o outro não vende porque um não compra e o outro não faz porque não venderá ao revendedor. E outro não empresta para quem produz porque o produto não será comprado. Mesmo sem você entender os complicados mecanismos de produção, venda, revenda, compra, empréstimo, mercado futuro, commodities,já percebeu que os produtos ficarão mais caros e o parcelamento da dívida será mais complicado.
O mundo ficou mais pobre, o cinto do mundo apertou mais e parece que afivela não está resistindo. Pelo ralo escorreram cerca de 30 trilhões de dólares que já causaram o fechamento de milhares de fábricas mundo a fora e a perda, por enquanto, de milhões de empregos na Europa, nos EUA e no Brasil.  Vem grande sofrimento mais adiante...

Onde entra a religião nesta ciranda? Ela falou e falou contra a usura e os juros, mas não foi levada a sério. Casamento de consanguíneos é sempre um casamento de risco. Dinheiro que casa com dinheiro para gerar mais dinheiro acaba gerando um aborto econômico

Estão certas centenas de passagens da Bíblia que sugerem cuidado com o dinheiro que gera dinheiro. Já dizia São Paulo: “O amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” Alguém achou que o trabalho humano valia menos do que o dinheiro no banco. E muitos bancos, ao invés de pôr o dinheiro para trabalhai puseram-no para descansar.
O dinheiro que faria, não fez! Era dinheiro errante e sonambulo. Aqueles. trilhões de dólares perdidos estão doendo. Doerão por muito tempo. Pense nisso.

sexta-feira, 29 de junho de 2018

OTIMISMO X PESSIMISMO.

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Não deixa de ser curioso observar as diferentes reações do ser humano frente a certos obstáculos. Ao adoecer, algumas pessoas só pensam na recuperação; outras sentem que jamais voltarão a ter saúde. Diante de uma situação de risco, os otimistas decidem enfrentá-la, pois acham que as chances de sucesso são boas; os pessimistas recuam, antevendo a catástrofe. Para começar um namoro, o otimista se aproxima de alguém que despertou seu interesse; o pessimista evita o primeiro passo, imaginando uma rejeição inevitável.

As diferenças não param aí. Se de um lado, há alegria de viver, generosidade, desprendimento, do outro há certa tendência ao egoísmo e à tristeza, às vezes disfarçada de falsa euforia. O otimista está sempre cheio de planos e projetos, é inovador, contagiando com sua esperança as pessoas que o cercam. O pessimista é mais comedido nos gastos e nos gestos, costuma ser conservador, só se interessa por coisas que já foram testadas e agradam à maioria.

Quais serão os fatores que impulsionam o ser humano na direção de um comportamento positivo ou negativo em relação à vida? Vale a pena levantar algumas hipóteses. Antes de mais nada, acredito que não se trate de um mero condicionamento ou hábito de pensar. Quer dizer, não adianta acordar de manhã com a disposição de mudar e de tomar atitudes positivas. Esse tipo de otimismo será falso, superficial e não levará ao sucesso almejado.

Tenho impressão de que há algo de inato em nosso comportamento. Certas pessoas possuem forte impulso vital. Portadoras de uma energia inesgotável, são movidas por um combustível que falta à maioria dos mortais. Nelas, a alegria de viver é transbordante. Nada as deixa tristes e, em certas situações, parecem levianas porque não dão muito peso a sofrimento algum. Esse fenômeno inato provavelmente está ligado à bioquímica de nossas células cerebrais.

Outro fator que predispõe ao otimismo ou ao pessimismo é a avaliação crítica de nosso passado. Por exemplo, se uma pessoa de 40 anos fizer uma retrospectiva de sua vida e concluir que teve progressos indiscutíveis, haverá bons motivos para o otimismo em relação ao futuro. Se, ao contrário, na hora de somar e subtrair, o saldo for negativo, o pessimismo prevalecerá. Essa auto-avaliação não abrange apenas conquistas de ordem material. O que mais interessa é o sucesso como ser humano. Conseguir dominar os impulsos agressivos, ter uma vida sentimental e sexual satisfatória, ser tolerante para com as diferenças de opinião são condições que conduzem ao otimismo.

Finalmente, há um terceiro fator, sem dúvida o mais importante de todos, que orienta nossa atitude. Esse fator é a coragem. Pessoas que não têm medo de ousar tendem ao otimismo. Elas não temem o sofrimento e o fracasso. Sabem que o forte não é aquele que sempre acerta, mas aquele que corre o risco de errar e sobrevive à mais dura queda. Os seres humanos mais felizes suportam bem a dor e costumam ter uma rotina mais criativa e alegre. Seu otimismo leva ao sucesso, pois consideram eventuais derrotas um aprendizado que os tornará ainda mais fortes. O oposto acontece com o pessimista. Ele fica paralisado, não por convicção, mas por medo. Não tem medo porque é pessimista. É pessimista porque tem medo. E assim vai passando pela vida, cada vez mais inseguro e acomodado e - o que é pior - cada vez mais invejoso.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

A ESTÓRIA DO CELULAR

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Larga o celular minha filha! Esquece este celular marido... Lá ia ela querendo um minuto de atenção, brigando com todos que não ofereciam uma conexão. Ficava no vácuo, no vazio da não aproximação.

Amigos virtuais, relações virtuais, receitas virtuais e afetos virtuais, tudo precisa ser repensado na busca de maneiras de se encaixar na vida real. Carinho a distância, tudo vai determinando novas formas de ser e sintonizar, para quem assim desejar. A voz distante que afaga, é afago que se dissolve mais rápido. É palavra que não grava, mas agrada.

Um limite para o celular às vezes é difícil de alcançar. É barco que todos embarcam. Uns pulam e se afogam no mar, outros se perdem no trajeto porque não desviam a atenção. Mas existem aqueles que seguram firme o leme e tem claro onde querem chegar e como querem utilizar. Podem se atrapalhar, mas não se perdem na estória do celular. Estabelecer limites para o seu uso precisa de equilíbrio. Definir o lugar que ele ocupa na sua vida é primordial: dependências, facilidades ou mesmo de inutilidades. Tudo precisa ser repensado, construído e ou transformado.

Adultos equilibrados transmitem orientações coerentes e constroem crianças seguras que absorvem o positivo dessa nova geração...

No mundo real entra o mundo virtual que pede por demarcação de espaço.

Os meios de comunicação vão ajudando e atrapalhando o ouvir-se. Depende de quem interpretar e de como utilizar. Algumas vezes ajudam, outras atrapalham, e assim vamos seguindo achando nossa própria receita.

Lá pelas tantas... Pega o celular minha filha e vem aqui me ajudar, não sei como me conectar...


terça-feira, 26 de junho de 2018

LEVEI 70 ANOS PARA APRENDER

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Um dos maiores problemas com o qual o ser humano pode conviver é a busca de aprovação pela família ou sociedade. Não espere que as pessoas à sua volta vejam o seu desempenho no momento e na hora que você mais precisa que isso aconteça. Os que vivem em sua volta, na maioria das vezes, gostam de você do jeito que é bom para eles. Poucos sabem entender que cada um tem o seu caminhar e a sua forma de enxergar a vida.
Não espere que as suas verdades, conquistadas com muito esforço, sirvam também para os demais. O processo de aprendizado é individual.
Não espere que o óbvio seja companheiro de todas as suas verdades. Só você vê o mundo da sua maneira. Ninguém trilhou o mesmo caminho que você.
Não espere que, depois de viver junto com alguém, as coisas possam ficar melhores. Não, não ficam. As pessoas vêm até nós com suas virtudes e seus defeitos. Ninguém consegue ser o que nós esperamos que seja. Por um minuto até pode, mas o dia inteiro não será possível. Ou você aceita a pessoa como ela é ou irá ter problemas de relacionamento.
Não espere que um dia a pessoa mude e passe a ser como você gostaria que ela fosse. Isso nunca acontece. O caminhar é individual. As pessoas só mudam quando decidem mudar. Ninguém tem o controle da vida do outro.. Não espere que seu amigo entenda... Ele vê você exatamente da forma como demonstrou lhe entender e ler. As pessoas se revelam e se mostram nas dificuldades.
Não espere que os amigos de festas venham lhe ajudar, eventualmente, no transporte dos móveis de sua mudança de casa. A expressiva maioria deles não gosta de você. Gosta e aprecia o que você lhes oferece como distração ou alimento.
Não espere ter muitos amigos. Poucos nos aceitam como somos. Poucos têm a energia compatível. Não espere que sua felicidade esteja nas mãos dos outros. Eles também buscam a deles. Felicidade é uma mera combinação de mente aberta com oportunidade escancarada. Ser feliz é uma determinação e não uma busca. Felicidade é essência e não matéria.
Não espere, portanto, que seu bolso lhe traga esta felicidade. A satisfação que emana de um bem, em nossa vida, leva em si poucas horas de prazer. O que não se toca "esconde" a essência da vida feliz. A felicidade está DENTRO de nós. É só saber usar.Não espere que, finalmente, seguir os outros venha lhe dar a paz que você busca. Ela está em seu equilíbrio emocional e na forma como você verbaliza as suas verdades. Eles são a base do seu e do meu plantio.

O DESENVOLVIMENTO DA CULTURA CONSISTE EM SUPERAR A LOGICA


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Estamos aí nos preparando para  novas edições de eventos, e quem tem ido a feiras e exposições como Fenasoja, Fenamilho, Expofeira e tantas outras sai de lá dizendo: “É sempre a mesma coisa”. O que muda são os shows, o resto é o resto. Não fossem os shows, todas, ou quase todas seriam um fracasso de público e negócios.

Os comandantes destes eventos tem a tendência a pensar que só é verdadeiro aquilo que os seus olhos veêm. A cultura só progride quando se realizam atos fora do comum. Se combatemos todas as idéias novas e incomuns, perdemos a batalha da concorrência. Nosso país tem ficado para trás porque existem pessoas demais que respeitam a lógica.
Quem só dá importância àquilo que é valorizado por existir não passa de um imitador,
É preciso coragem para afirmar aquilo que é fora do comum, aquilo que ninguém, acredita. Talvez seja qualificado de “louco”. Num país onde todos são daltônicos, afirmar que o Sol é vermelho ou que determinada roupa é vermelha constitui um ato de heroísmo, pois quem assim o fizer será considerado louco por inventar uma cor inexistente. Mas a verdade pode estar com um indivíduo entre milhões, apesar de ser muito difícil a uma só pessoa com visão convencer mil cegos. Entendo que temos que pensar no novo. Aquilo que ainda não foi feito. Tem que ousar. Quem se recusa a aceitar o que não é usual e habitual está condenado a repetir insucessos e malogros. Precisamos procurar contribuir para o desenvolvimento da cultura, atentos ao fato de que a logica não deve servir de limite para as nossas iniciativas. Pensem nisso.

domingo, 24 de junho de 2018

ENQUANTO O AQUARIUS,,,



Termômetro da crise de indiferentismo que assola nossa sociedade, a questão migratória continua a mostrar-se um sintoma terrível e de alta negatividade. O barco Aquarius, que transporta mais de 600 migrantes – entre eles sete mulheres grávidas e mais de cem menores desacompanhados – resgatados da costa líbia, permaneceu por vários dias parado no meio do mar. Esperava poder atracar em algum porto italiano ou na ilha mediterrânea de Malta. Porém, ambos os países recusaram-se a abrir seus portos para acolhê-lo.

O ministro do interior da Itália, Matteo Salvini, tuitou uma declaração seca e cortante: "Salvar vidas é um dever. Transformar a Itália em um enorme campo de refugiados, não. A Itália não vai mais ceder e obedecer. Desta vez, HÁ ALGUÉM QUE DIZ NÃO". Enquanto isso, os migrantes aguardavam, o sol queimava e as provisões escasseavam. E o ministro seguia convicto de que naquela situação, acolher os migrantes do Aquarius não equivalia a salvar vidas.

O exército de Malta não abriu os portos para o Aquarius, mas levou a bordo provisões para 24 horas. Foi quando brilhou, como luz de esperança, a decisão do recém-eleito presidente da Espanha, Pedro Sánchez. A Espanha acolheria o barco para “evitar uma tragédia humanitária” e abriria o porto de Valencia.

Acompanhando a decisão de Pedro Sánchez, várias cidades e regiões do país se comprometeram a receber um determinado número de passageiros do Aquarius: o país basco, a cidade de Madrid, a região de Baleares, entre outras. Barcelona havia oferecido seu porto antes do pronunciamento do presidente, que acabou por escolher Valencia para o desembarque dos refugiados.

Diante de uma Europa que parece criar um crescente bloqueio antimigrantes e uma mentalidade cada vez mais hostil ao acolhimento deles, a Espanha aparece como exceção de solidariedade e humanidade. Mesmo nos tempos mais agudos da crise migratória, a política espanhola evitou voltar as costas aos refugiados e transformá-los em bodes expiatórios. E o recém empossado presidente marca sem dúvida um ponto político e diplomático adotando uma posição de acolhimento diante do fechamento de seus dois vizinhos.

Na França, recente pesquisa feita pela revista L´Express mostrou que, entre os católicos ouvidos, menos da metade se declarou aberta à acolhida dos migrantes. E mesmo os que são mais lúcidos e positivos sobre essa questão revelam um alto nível de pessimismo em relação ao sucesso da integração dos estrangeiros que batem às portas de seu país. A maioria crê que eles não conseguirão integrar-se.

Trata-se realmente de uma tragédia, mas de dupla dimensão. Por um lado, a tragédia real dos migrantes que atravessam longuíssimas distâncias, enfrentam um sem número de dificuldades e perigos em busca de uma vida com um mínimo de decência para si e suas famílias. Tantos encontraram a morte enquanto buscavam a vida.

Não menos grave, porém, é outra tragédia, de igual senão maior peso. Trata-se da incapacidade crescente que se percebe nas sociedades ocidentais de abrir espaço para a hospitalidade e o acolhimento do outro que precisa de ajuda. Rejeitar e mandar de volta pessoas que saíram de suas pátrias porque não têm outra opção para continuarem vivas é algo muito grave.

Parece que o migrante é alguém que, por não ser cidadão do lugar onde procura a chance de uma nova vida, não é plenamente humano. A ética, os direitos humanos e todas as instâncias que regem o funcionamento de uma sociedade reconhecem ao estrangeiro e ao migrante os mesmos direitos permitidos a todo ser humano. No entanto, por interesses econômicos e uma malsucedida política de fronteiras, os refugiados são cada vez mais considerados por muitos uma ameaça aos interesses dos países onde desejam se instalar.

O “sintoma” do estrangeiro sublinha os limites dos estados-nação e a consciência política que os configura. Interiorizamos essas limitações e tendemos a reagir com a convicção de que estrangeiros e migrantes não gozam dos mesmos direitos que nós. Porém, urge tomar consciência de que a dignidade humana pertence aos seres humanos, quaisquer que eles sejam, independentemente de seu reconhecimento pela lei, ou da posse de papéis que atestam sua cidadania.

Enquanto o Aquarius e seus passageiros distribuídos em embarcações auxiliares singram rumo à Espanha, esta grave questão se levanta sempre com mais força. Está em jogo não a nossa cidadania, mas a nossa identidade de seres humanos.

sábado, 23 de junho de 2018

HÁ LISURA NA LAVA JATO?

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A corrupção é inerente à história humana. Até no grupo de apóstolos escolhidos por Jesus havia um corrupto: Judas Iscariotes. E quantos de nós podem dizer com sinceridade que nunca furtaram manta de avião, sonegaram o imposto de renda, embolsaram o troco excessivo entregue por engano pela caixa do supermercado?

A corrupção decorre da impunidade e da imunidade. Impunidade de empreiteiras, empresas, frigoríficos e bancos que, graças ao caixa dois, tinham (e muitos ainda têm) em mãos juízes, políticos e fiscais. E imunidade assegurada por essa aberração constitucional chamada foro privilegiado, que derruba o princípio angular do direito e legitima a verdade de que nem todos são iguais perante a lei.

Agora, surgiu uma pedra no meio do caminho de corruptos e corruptores: a Lava Jato. Em si, necessária e urgente. É a primeira vez na história do Brasil que políticos graduados e donos de empresas são encarcerados e obrigados a devolver aos cofres públicos parte do que roubaram.

Mas há lisura na Lava Jato? Infelizmente os fatos demonstram que não. Promotores buscam vaidosamente a luz dos holofotes; prisões são feitas antes da devida investigação e solidez de provas; frequentes vazamentos jamais são apurados e os responsáveis punidos; e as informações contrabandeadas dos autos para a mídia são preconceituosamente seletivas, focando uns partidos e poupando outros...

No tsunami de corrupção que assola o Brasil, a Lava Jato constitui uma exceção. Onde estão os criminosos descobertos pela Operação Zelotes? Todos soltos. Onde os responsáveis pela catástrofe provocada pela Samarco, em Minas? Todos em liberdade. E as maracutaias do metrô de São Paulo? Debaixo do tapete.

O elitismo é um carrapato que suga privilégios da Justiça. Quanto tempo levará o STF para condenar os culpados e absolver os inocentes? Até hoje o STF não levou nenhum político com mandato à cadeia. E no passo de tartaruga que caracteriza a nossa suprema corte, pode ser que muitos crimes prescrevam. Além disso, a polícia manda algemar, a Justiça manda ao Gilmar…

Uma pergunta que não quer calar: como toda essa montanha de dinheiro roubado pelos réus da Lava Jato transitou do Brasil ao exterior? Levada em mala de turista? A nado? Enfiada em tubos de pasta de dente?

Se o Banco Central tem olhos para qualquer quantia acima de 10 mil reais movimentada entre bancos, como justificar a cegueira diante de vultosas quantias da corrupção?

Não basta espalhar veneno pela casa para acabar com os ratos. Do mesmo modo, enquanto as instituições brasileiras não passarem por profundas reformas, como erradicar o foro privilegiado e divulgar na internet todos os atos públicos, dos salários dos políticos às licitações, os ratos continuarão à espreita, dispostos a aproveitar as múltiplas brechas hoje existentes.

O moralismo causa indignação. Mas não inibe a corrupção.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

NÓS SOMOS OS BONS

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A cena do escalpo pertence ao imaginário de todas as vítimas do cinema com pipoca, repleto de cenas de violências e, não raramente, de falsificações da história. Quem não lembra de um índio americano arrancando o couro cabeludo de um colonizador, durante uma cena na qual a faca brilha e talvez a câmara foque algumas gotas de sangue? Quem não foi contagiado pela sensação de que escalpo corresponde à barbárie, e barbárie corresponde a sociedades primitivas, distantes dos padrões de civilização que gostaríamos de vivenciar?

Pois estava com isso na cabeça, justamente porque não conseguia falar da desumanidade que atingiu o coração do Mar Mediterrâneo, este cemitério que já abriga mais de trinta mil almas nos seus abismos. Pensei na cena do escalpo porque a gente não imagina que pessoas pertencentes a uma civilização milenar possam cometer gestos tão bárbaros. Quando nos mostram as decapitações cometidas por terroristas fanáticos, nós reforçamos o nosso preconceito contra os muçulmanos e nos dissociamos imediatamente: eles, os bárbaros; nós, os bons. Nós temos medo de perder o emprego, nós temos medo de não entender a língua do outro, nós não gostamos da comida deles, não queremos ouvir as suas orações e não apreciamos a sua música: é mais cômodo pensar que decapitam as pessoas, que são bárbaros, todos bárbaros; e nós somos bons.

A nossa comida é boa, os nossos processos são higiênicos, a nossa pele é mais saudável, a nossa língua é mais poética, a nossa sociedade é mais organizada, a nossa política é mais democrática, as nossas crianças são mais educadas. Até o nosso medo é melhor: é justificado, porque eles são bárbaros.

No início do século XVIII, nos Estados Unidos, uma resolução na Nova Inglaterra estabeleceu um prêmio em esterlinas pelos escalpos dos indígenas americanos. O escalpo era uma prova de morte e era mais leve do que a cabeça decapitada. A primeira resolução oferecia quarenta esterlinas por escalpo. Anos mais tarde, uma segunda resolução elevou o prêmio a cem esterlinas. Em Massachussets, o prêmio pago pelos escalpos era de cem esterlinas para meninos com mais de doze anos e homens, cinquenta esterlinas para os escalpos de mulheres e crianças. Não tenho memória de nenhum filme mostrando bárbaros colonizadores retirando o escalpo de pessoas pertencentes aos povos nativos dos Estados Unidos. A ética cinematográfica parece corroborar ainda a tese da guerra justa: os bons reagem para se defenderem.

No início do século XXI, passados mais de trezentos anos, estamos neste ponto do horror: crianças dentro de jaulas, no país que ataca povos em nome dos direitos humanos e da democracia, mas se recusa a salvar povos dentro das suas fronteiras. Estamos neste ponto: portos fechados no Mediterrâneo, com governos do Mediterrâneo que sistematicamente expulsam migrantes e criticam, em pleno surto de amnésia, os vizinhos que fazem o mesmo. É que nós somos bons, mas não quando o problema é nosso: neste caso, voltamos ao ponto anterior, a guerra justa, a reação motivada, os náufragos que não pertencem a ninguém, o escalpo seletivamente esquecido na tela do cinema, a morte perdida no mar de notícias.

No início do século XXI, países do Mediterrâneo abrem um porto de um lado e erguem um muro do outro. Países sem fronteiras com o Mediterrâneo não querem sequer ouvir falar de migrantes e, antes de tudo, constroem uma barreira. Passados trezentos anos, já juntamos trinta mil cabeças no abismo do mar que une os povos da civilização ocidental. O abismo cobre tudo, especialmente a memória. Não há escalpos materiais a horrorizar as notícias dos nossos jornais. Passados trezentos anos, estamos lobotomizados, incapazes de interpretar as ondas do mar que cobrem os cadáveres, inaptos para perceber o que há de simbólico: a decapitação da vida e, quando não da existência, a morte da dignidade.

No início do século XXI, estamos parados há trezentos anos: naquele ponto em que as cabeças são levadas a prêmio e a culpa não é nossa. Porque hoje as resoluções são diferentes, e não somos nós que invadimos, são os outros. E não matamos com as nossas mãos: que culpa temos, se eles não sabem nadar? E se são perseguidos, os governos não são nossos. E se são impedidos de entrar, é porque não têm visto. E se desprezamos qualquer sentido ético da nossa conduta é porque tecnicizamos as leis. Regulamentamos fluxos e não o desenvolvimento das pessoas. Somos promotores de escalpos. Somos o aplauso, somos a vergonha, somos a impotência, somos os eleitores, somos os agentes da lei. Somos a desumanização. O coração do Mediterrâneo. O berço da civilização ocidental.