quinta-feira, 31 de março de 2016

CORRUPÇÃO

Millor Fernandes, ilustre humorista brasileiro já falecido, dizia que o incorruptível é aquele que ainda não recebeu uma boa oferta. Essa frase será apenas mais uma das belas frases de efeito ou realmente porta uma verdade incontornável? No Brasil a sensação que se tem é que, pelo menos no espaço público, não há como negar que a frase seja realista. Seria de se perguntar se vale somente para o espaço público, isto é, para os políticos que estão constantemente expostos a ofertas, ou se também vale para o cidadão comum. A integridade moral, em nosso tempo, tem se tornado coisa rara. A impressão que dá é que já não há homem justo em que se possa “por a mão no fogo”.

Pitágoras, matemático e filósofo grego, dizia que se o homem fosse educado não precisaríamos de cadeias. Talvez seja otimismo pensar que, em conhecendo o que se deve fazer, de fato, faz-se o que se conhece. Talvez seja otimismo! Mas não há outra via senão apostar na educação moral dos indivíduos, que ao internalizar valores e normas morais armam-se contra as tentações que vêm do mundo exterior em forma de ganhos e benefícios materiais.

Platão, no livro A República, através do personagem Sócrates, também postula a ideia de que o bem pode ser ensinado e na medida em que se sabe o que é o justo, justo se é. Na medida em que se sabe o que deve ser feito, feito será. Na medida em que se sabe o que não deve ser feito, não será feito e ponto.

Mas, os sofistas, esses sábios meio céticos meio cínicos e relativistas, contestam Sócrates e dizem que esse racionalismo moral é balela e que na verdade só praticamos a justiça contra a própria vontade ou porque não temos boas oportunidades e capacidade de fazer o que eventualmente dizem que não devemos fazer. Nesse caso, não há justo ou injusto, corrupto ou incorrupto, pois dadas certas condições todos seríamos propensos a agir em interesse próprio e egoísta. Em outras palavras, somos todos corrompidos

Para defender a tese sofística o personagem Glauco, interlocutor de Sócrates, conta uma lenda e tira a conclusão. Trata-se da lenda do anel de Giges. Giges era pastor de ovelhas e, numa ocasião, estava ele pastoreando e ocorreu uma terrível tempestade que o obrigou a se abrigar numa caverna. Na caverna havia um cavalo morto e ao lado do cavalo um homem também morto. O homem morto portava um anel e Giges o toma para si e o coloca no dedo. Até aí nada demais. Acontece que o anel tinha estranhos poderes de tornar o seu possuidor invisível sempre que a pedra do anel girasse em direção do corpo do possuidor. Ora, ora, ora...! Giges não teve dúvida. Voltou para o castelo, seduziu a rainha e, com a ajuda dessa, matou o rei e assumiu o reinado. A pergunta é, diz Glauco: haveria algum homem supostamente honesto que, se tivesse os poderes de invisibilidade não seria tentado e cairia na tentação do ter, poder e prazer? Glauco conclui que não haveria e que se só somos justos por imposição e por medo e dadas circunstâncias favoráveis, como é o caso da invisibilidade, todos seríamos corruptos e egoístas...

Será? O que você não faria, mesmo se tivesse o poder de invisibilidade? O que você não faria? Você não esbofetearia um desafeto ou um inimigo político? Você não roubaria um anel ou uma joia qualquer numa joalheria. Numa fábrica de chocolate, o que você não faria? Com seu patrão ou autoridade que você não nutre amores, o que você não faria? O que você não faria? O que você não faria, eis o que sobra de moralidade em você.

quarta-feira, 30 de março de 2016

VALORES IMUTÁVEIS

A maior herança que os filhos podem receber de seus pais não são os bens materiais e sim os valores imutáveis. Para garantir a herança que não se corrói, é imprescindível um bom processo formativo educacional para os filhos. Ou seja, são os bens que nunca podem ser roubados e tornar-se corruptíveis. Por isso, deixar uma herança para a vida toda é uma tarefa importante em nosso contexto.

Considerar esta a herança fundamental, em âmbito onde imperam valores materiais, constitui algo a ser pensado para as futuras gerações. Em busca das heranças materiais e imediatas as relações entre as pessoas passaram por profundas transformações. Consequentemente, às vezes, por um simples desentendimento com outrem se recorre a meios de reparação de direitos. Usar medidas extremas revela a perda da capacidade de diálogo das pessoas. Vive-se em tempo no qual por qualquer motivo aplica-se a tolerância zero. E se não bastasse, em defesa desta postura subjetiva, impetra-se uma ação em qualquer instância jurídica. Dessa forma, a palavra perdeu seu valor entre as pessoas, já não é sinônimo de garantia. Caiu por terra a expressão “fio de bigode”. A expressão traduz um tempo em que a palavra era garantia. A origem da expressão “fio de bigode” é incerta, mas pronunciada no termo alemão “bi gott” significa “por Deus”. Isto expressa um juramento em que a palavra precisa ser honrada.

Em contraposição a esta postura tende-se a fortalecer a "lei de Gerson": “o importante é levar vantagem em tudo”. Por vezes, obter vantagens ignorando até mesmo os valores éticos, morais, sociais. Pôr-se nesta postura faz aparecer posicionamentos que cegam as mentes e corroem o coração das pessoas. Isto é, compromete a fundamental herança. É preciso reagir a essa tendência para que os filhos recebam uma herança que não comprometa a esperança no futuro.

Em defesa dessa herança não há uma volta ao passado ou um saudosismo, mas o acreditar em ser possível algo mais substancial para o ser humano. Se isto for aceito, significa repensar todo o processo de educação familiar e social, demonstrando ser possível uma nova sociedade que inicia pela mudança de berço. Em um país como o Brasil, historicamente repleto de desigualdade social e humana, pode ser ensinado o valor da ética e das relações sociais justas às crianças, aos adolescentes e jovens.

Viver em sociedade submetida ao legalismo e à tolerância zero reduz a essência da vida humana. Construir uma verdadeira herança que garanta um futuro melhor a todos envolve a articulação entre as instituições família, escola, sociedade e governos. Exige de todas as pessoas responsabilidades com renovadas orientações familiares, pedagógicas, políticas e civis.

terça-feira, 29 de março de 2016

OS ANIMAIS SÃO DE DEUS A BESTIALIDADE É DOS HOMENS

Ser nazista não é nenhum elogio. Conectada a essa palavra está a prática do horror praticado por humanos, pretensamente superiores, contra outros humanos, supostamente fracos e débeis, na segunda guerra mundial. O nazista se atualiza no comportamento intolerante, violento, insensível com os outros, negador do outro, sobretudo os mais vulneráveis. Até a palavra nazista assusta. Não creio que alguém faça questão de ser chamado de nazista. Nazista é, como a gente diz para as crianças, “coisa feia”.

Ainda assim persiste em nossa sociedade um latente e cada vez mais manifesto espírito nazista no comportamento de alguns grupos minoritários que atacam, violentam e banalizam o bem mais precioso do humano que é a vida e o bem mais caro da civilidade que é o diálogo e a tolerância. E isso é muito perigoso!

Mas não é do horror, violência e intolerância de humanos para humanos que pretendo falar. A questão é a relação dos humanos para com os animais que muito precisamente pode ser qualificada de prática nazista de holocausto em campos de concentração. Há um holocausto diário em ação e as vítimas são os mais inofensivos e inocentes possíveis, os animais. Os animais são de Deus, a bestialidade é dos homens (Platão). Animais inocentes que só desejam liberdade, bem-estar e vida, e pelo seu ser dão glória a DEUS, diz o Papa Francisco, nós os confinamos em campos de concentração doméstico, no uso de seus corpos no ensino e pesquisa, na indumentária e revestimentos, nos jogos e divertimento e, sobretudo, os matamos aos bilhões para alimentarmo-nos de seus corpos já em decomposição. Os animais são de Deus, a bestialidade é dos homens!

A humanidade só se eleva moral e espiritualmente lá onde o amor é universalmente ampliado. Mas como dizer que somos elevados moral e espiritualmente se torturamos animais inocentes e sensíveis como as vacas para tira-lhe o leite? Como podemos nos considerar elevados espiritualmente se torturamos galinhas para lhe roubar os ovos? Como nos chamar de humanos se escravizamos, torturamos e matamos seres de outras espécies pelo prazer do saborear seus corpos esquartejados e servidos sem cerimônia em nossas mesas?

Adeus a inocência! Todos já sabemos o que a indústria dos ovos, carne, leite e seus derivados fazem para continuar lucrando com a nossa cumplicidade. No holocausto de 60 bilhões de animais assassinados por ano, 160 milhões todos os dias e 7 milhões a cada hora, somos todos nazistas cúmplices. Adeus a inocência! Os animais são de Deus, a bestialidade é dos homens!

segunda-feira, 28 de março de 2016

AS QUATRO SOMBRAS SEGUNDO L.Boff.

Em momentos de crise, assomam quatro sombras que estigmatizam nossa história cujos efeitos perduram até hoje.

A primeira sombra é nosso passado colonial. Todo processo colonialista é violento. Implica invadir terras, submeter os povos, obriga-los a falar a língua do invasor, assumir as formas políticas do outro e submeter-se totalmente a ele. A consequência no inconsciente coletivo do povo dominado: sempre baixar a cabeça e levado a pensar que somente o que é estrangeiro é bom.

A segunda sombra foi o genocídio indígena. Eram mais de 4 milhões. Os massacres de Mem de Sá em 31 de maio de 1580 que liquidou com os Tupiniquim da Capitania de Ilhéus e pior ainda, a guerra declarada oficialmente por D.João VI em 13 de maio de 1808 que dizimou os Botocudos (Krenak) no vale do Rio Doce manchará para sempre a memória nacional. Consequência: temos dificuldade de conviver com o diferente, entendendo-o como desigual. O índio não é ainda considerado plenamente “gente”, por isso suas terras são tomados, muitos são assassinados e para não morrerem, se suicidam. Há uma tradição de intolerância e negação do outro.

A terceira sombra, a mais nefasta de todas, foi o escravidão. Entre 4-5 milhões foram trazidos de África como “peças” a serem negociadas no mercado para servirem nos engenhos ou nas cidades como escravos. Negamos-lhes humanidade e seus lamentos sob a chibata chegam ainda hoje ao céu. Criou-se a instituição da Casa Grande e da Senzala. Gilberto Freyre deixou claro que não se trata apenas de uma formação social patriarcal, mas de uma estrutura mental que penetrou nos comportamentos das classes senhoriais e depois dominantes. Consequência: não precisamos respeitar o outro; ela está aí para nos servir. Se lhe pagamos salario é caridade e não direito. Predominou o autoritarismo; o privilégio substitui o direito e criou-se um estado para servir os interesses dos poderosos e não ao bem de todos e uma complicada burocracia que afasta o povo.

Raymundo Faoro (Os donos do poder) e o historiador e acadêmico José Honório Rodrigues (Conciliação e reforma no Brasil ) nos têm narrado a violência com que o povo foi tratado para estabelecer o estado nacional, fruto da conciliação entre as classes opulentas sempre com a exclusão intencionada do povo. Assim surgiu uma nação profundamente dividida entre poucos ricos e grandes maiorias pobres, um dos países mais desiguais do mundo, o que significa, um país violento e cheio de injustiças sociais.

Uma sociedade montada sobre a injustiça social nunca criará uma coesão interna que lhe permitirá um salto rumo a formas mais civilizadas de convivência. Aqui imperou sempre um capitalismo selvagem que nunca conseguiu ser civilizado. Mas depois de muitas dificuldades e derrotas, conseguiu-se um avanço: a irrupção de todo tipo de movimentos sociais que se articularam entre si. Nasceu uma força social poderosa que desembocou numa força político-partidária. O Partido dos Trabalhadores e outros afins, nasceram deste esforço titânico, sempre vigiados, satanizados, perseguidos e alguns presos e mortos.

A coligação de partidos hegemonizados pelo PT conseguiu chegar ao poder central. Fez-se o que nunca foi pensado e feito antes: conferir centralidade ao pobre e ao marginalizado. Em função deles se organizaram, como cunhas no sistema dominante, políticas sociais que permitiram a milhões saírem da miséria e terem os benefícios mínimos da cidadania e da dignidade.

Mas uma quarta sombra obnubila uma realidade que parecia tão promissora: a corrupção. Corrupção sempre houve entre nós em todas as esferas. Negá-lo seria hipocrisia. Basta lembrar os discursos contundentes e memoráveis de Ruy Barbosa no Parlamento. Setores importantes do PT deixaram-se morder pela mosca azul do poder e se corromperam. Isso jamais poderia ter acontecido, dado os propósitos iniciais do partido. Devem ser julgados e punidos.

A justiça focou-se quase só neles e mostrou-se muitas vezes parcial e com clara vontade persecutória. Os vazamentos ilegais, permitidos pelo juiz Sérgio Moro, forneceram munição à imprensa oposicionista e aos grupos que sempre dominaram a cena política e que agora querem voltar ao poder com um projeto velhista, neoliberal e insensível à injustiça social. Estes conseguiram mobilizar multidões, conclamando o impedimento da Presidenta Dilma, mesmo sem suficiente fundamento legal como afirmam notáveis juristas. Mas o PT respondeu à altura.

As quatro sombras recobrem a nossa realidade social e dificultam uma síntese integradora. Elas pesam enormemente e vêm à tona em tempos de crise como agora, manifestando-se como ódio, raiva, intolerância e violência simbólica e real contra opositores. Temos que integrar essa sombra, como diria C.G.Jung, para que a dimensão de luz possa predominar e liberar nosso caminho de obstáculos. O PT, apesar de seus erros, a causa que defende será sempre válida: fazer uma política integradora dos excluídos e humanizar nossas relações sociais para tornar a nossa sociedade menos malvada.

domingo, 27 de março de 2016

UM OLHAR CRISTÃO AO MUNDO DA COMUNICAÇÃO

Geralmente dá-se à comunicação uma definição empírica: Comunicar é “dizer alguma coisa a alguém”. Esta “alguma coisa” pode se ampliar em nível planetário, por meio do grande mundo das redes sociais, que vieram se unir aos meios de comunicação clássicos e tradicionais. Também este “a alguém”, num plano global, nem se pode imaginar e nem se pode calcular quem seja.

Esta consciência empírica, à luz da amplidão das prospectivas da atualidade, onde sempre mais nos comunicamos sem ver o rosto do outro, fez surgir o problema maior da comunicação. Aqui alimenta-se a informação, sem que aquele que comunica sinta-se comprometido com o outro que recebe.

Um olhar cristão ao mundo da comunicação pode nos sugerir algo novo e grandioso, mais do que a sofisticação dos meios. Partimos da comunicação de Deus para nós, humanos. A teologia pode nos ajudar a uma nova experiência. Este novo da comunicação não vem de uma teoria, nem de uma invenção histórica e humana.

Por incrível que pareça, no sepulcro de Jesus, na noite da Páscoa, realiza-se o gesto da comunicação mais radical de toda a história da humanidade. O Espírito Santo, vivificando Jesus Ressuscitado, comunica ao seu corpo a força incontida de Deus. Comunicando-se a Jesus, o Espírito se comunica à humanidade inteira e abre o caminho a toda a comunicação autêntica que supõe o dom de si, superando a ambiguidade da comunicação humana, na qual não se confirma nenhum compromisso mútuo.

Neste horizonte da Páscoa a comunicação passa a ser aquela que o Pai faz de si a seu Filho amado, Jesus. Esta comunicação fundamental de Deus passa a cada homem e cada mulher e dali àquela que nós cultivamos reciprocamente no modelo desta comunicação divina. Esta é a espinha dorsal de uma comunicação comprometida e comprometedora de vida e dignidade. A dimensão pascal da comunicação não nos permite manipulações, mas respeito; não tolera o jogo de conveniência, mas a sinceridade do amor que liberta e promove.

O Espírito Santo que recebemos, graças à morte e ressurreição de Jesus e que nos faz viver no próprio Jesus, preside em nós a comunicação, imprimindo as marcas de dedicação e amor pelos outros. Desta realidade fundamental da fé cristã tiramos algumas conclusões para nossas relações comunicativas:

- Na raiz de cada comunicação está a grande comunicação de Deus que se dá ao ser humano por meio de seu Filho Jesus e do Espírito Santo.
- Cada comunicação, para ser verdadeira, necessita ter presente a grande comunicação de Deus, para não se tornar vazia. Só nesta raiz a comunicação pode garantir o ritmo e a medida justa a cada gesto comunicativo.
- Toda a confusão que atualiza a o clima da ‘Torre de Babel’, é resultado da rejeição desta comunicação de Deus.
- O novo da comunicação que nos vem da Páscoa, necessariamente, precisa efetivar a comunicação ‘coração a coração’.

sábado, 26 de março de 2016

JESUS OU BARRABÁS ?



Essa semana, santa, comemoramos o martírio de um líder politico, preso, torturado e morto ele foi entregue aos verdugos após uma delação premiada.
Judas Iscariotes, é o que consta no meu Livro Negro, foi o primeiro malandro beneficiado pelo instituto da delação premiada.

o sacana entregou o chefe, ganhou a liberdade e ainda saiu com uma sacola cheia de moedas.

com a grana que levou da patranha, dizem que o malandro abriu um resort no deserto da judeia, com ofurôs de ébano cheios de leite de camelas.

o chefe, coitado, foi atirado aos cães.

conta a história que o carismático líder político, ao cair nas garras de um juiz desajuizado, foi julgado e condenado pela voz raivosa de uma turba que batia panelas nas ruas.

o cabra se chamava Jesus Cristo.

na varanda de Caifás, uma espécie de Paraty House, o líder político é exposto à multidão.

ele tem um sítio com dois pedalinhos, gritava o juiz.

ladrão, filho da puta, vai pra Cuba, bradava a turba ensandecida.

intoxicado pela imprensa judáico-romana, o povo branco e endinheirado pedia a morte do líder político e a absolvição de dois bandidos: Cunha e Aécio, que à época eram conhecidos como Barrabás.

é o que tá aqui no Livro.

midiotas erguiam cartazes pedindo a morte do ex-retirante de Belém, enquanto babacas obrigavam babás a empurrar seus bebês em meio à turba odiosa.

a história teima em se repetir.

nesse instante, Poncius Morus Pilatus, o jovem, acaba de lavar as mãos sujas nas águas sujas da bacia imunda trazida à boca do palco por Gilmar Mendes.

conhecido também como Mendestófelis, por causa de suas infaustas diabruras.

no entanto, o jogo aqui parece que virou.

um mar vermelho de gente corre em socorro do líder condenado por crime nenhum.

arrancam a cruz de suas costas, golpeiam centuriões, zelotas apunhalam traidores.

e pedem a cabeça de Barrabás; assim, no plural.
todos os Barrabás.

há uma lista com 200 deles.

mas o barbudo não consta em nenhuma lista.
seu crime, dois pedalinhos.

a multidão o absolve o o leva nos braços.
Poncius Morus Pilatus, é açoitado em praça pública, chibatadas vergastam seu lombo jovem, o povo lhe cospe a cara, um mais exaltado lhe atira as próprias fezes.

cai o sol e todos vão pra casa.

Lula é o nome do líder que estavam tentando pegar para Cristo.
hoje ele flana livremente.

foi visto ainda essa manhã caminhando sobre as águas turvas do Laguinho de Atibaia, distribuindo aos pobres pães e tilápias frescas.

não vai ter golpe, escreve o escriba, atualizando as escrituras.

palavra da salvação.

lele teles

TODOS QUEREM VENDER...

Desde 2008 o sistema capitalista enfrenta uma das piores crises de sua história. A economia globalizada tornou a crise mundial. Atualmente não estamos vivendo uma nova crise, mas o prolongamento da mesma. E o sistema financeiro o que propõe para sair da situação? Vender é a resposta. Produzir é fácil. Difícil é vender. Todos querem vender. Mas, ninguém compra. Eis o problema crucial do sistema econômico no início do século XXI.

Esta crise foi deflagrada com a falência das hipotecas imobiliárias nos Estados Unidos, com a quebra do banco Lehman Brothers. O sistema entrou em crise basicamente quando as instituições financeiras emprestaram dinheiro para quem não podia pagar. Na época a situação obrigou a intervenção governamental e houve transferência de dinheiro público para os bancos e grupos privados a fim de evitar o colapso do sistema financeiro e a recessão econômica. Por um lado o governo aumentou os gastos públicos ao injetar recursos em bancos e empresas privadas; por outro, a economia mundial não respondeu com crescimento. Hoje, é notório o encolhimento e a redução das taxas de crescimento econômico. Se não bastasse transferir recursos públicos para o setor privado, o resultado foi catastrófico devido ao aumento do déficit público que já era bem elevado. Por conta da quebra do sistema financeiro, todos os países aumentaram seu déficit público. Entre eles a Grécia, os países da zona do euro, da América Latina e outros tidos como emergentes.

Na realidade, diante da crise econômica mundial há todo um esforço para vender. Isto significa exportar mais e, por conseguinte, importar menos. Comprar se possível nada ou o mínimo necessário. Em regime de recessão do mercado global é preciso oferecer algo que corresponda ao desejo do sistema: consumir. A recessão mundial gera uma constante tensão e pressão por observância aos acordos e contratos bilaterais. Prova desta tensão é o mercado que vive em constante nervosismo, num verdadeiro sobe e desce.

A desigual concorrência econômica entre os países está um caos total, não é simplesmente resultado de maus contratos, mas de um comportamento subserviente ao jogo do mercado em recessão. No jogo da economia globalizada não tem a palavra justos acordos bilaterais ou iguais taxas, apenas ganhos. Isto constitui uma situação que faz pensar que a superação da crise não será para todos os países, mas sim para os mais desenvolvidos. Em suma, o deterioramento do quadro econômico mundial prolonga-se amargamente para os países pobres enquanto os poderosos entusiasmam-se em fazer destes as novas colônias da economia global.

sexta-feira, 25 de março de 2016

OS DOIS FILHOS


Os Livros Sagrados não foram escritos, assim como figuram nas bíblias atuais. O texto era corrido, sem divisões. Para tornar o texto mais compreensível, ao longo do tempo, os teólogos dividiram os livros em capítulos e, mais tarde,em versículos. O arcebispo Estevão Langton, em 1220, dividiu a Bíblia em capítulos. Mais tarde - 1555 - Roberto Stephanus dividiu os capítulos em versículos. Outros trataram de colocar intertítulos para designar os diferentes temas. Finalmente o Papa Gregório VIII tornou oficiais as mudanças, em 1592.


Os intertítulos não são oficiais e podem ser mudados. O evangelista da misericórdia - Lucas - é o único que narra a parábola do pai com seus dois filhos. O texto foi conhecido como o Filho Pródigo. Edições mais recentes da Bíblia o denominam “Os dois filhos”. O espírito do ensinamento fica mais claro se usarmos o título; O pai misericordioso. Jesus não quis ressaltar a infelicidade do filho, mas a misericórdia do Pai. Foi a resposta de Jesus aos doutores da Lei que o acusavam de acolher os pecadores.

O filho mais novo não apenas exigiu a parte da herança que lhe cabia, mas desprezou todas as coisas do pai. Teve a pretensão de ser feliz sozinho, voltou as costas ao pai, ao seu passado e todos os seus valores. A experiência desastrada o levou a cuidar dos porcos, considerados pelos judeus animais imundos. Foi ali, no fundo do poço que teve saudade do pai. Sua redenção começa com a determinação: voltarei a meu pai.

Na contraluz aparece o filho mais velho, certinho, sem rebeldias e sem amor. Não estava preocupado com o irmão e não entendeu a misericórdia do pai.

O Ano Santo da Misericórdia, promulgado pelo Papa Francisco, pode sugerir um final diferente para a parábola. O filho mais novo dirige-se ao irmão e diz: pequei contra o céu e também contra ti. Por sua vez, o filho mais velho complementa: eu também te peço perdão porque nunca soube te amar, ajudar e aconselhar. Então o pai abraça os dois filhos, chora com eles e diz: nunca haverá festa igual a esta.

A Semana Santa torna atual a Misericórdia do Pai, que enviou seu Filho, não para condenar, mas para salvar. A Semana Santa não coloca em primeiro lugar o sofrimento de Jesus, mas seu amor, que o levou a assumir todas as consequências, inclusive a morte na cruz. E suas últimas palavras estão cheias de misericórdia: Pai, perdoai-os porque não sabem o que fazem.
 Todos nós, em diferentes momentos, temos o rosto do filho mais novo e do filho mais velho.

SEXTA-FEIRA SANTA.

Curiosamente foi refletindo sobre o significado profundo da sexta-feira santa que o jovem estudante de teologia e depois um dos maiores filósofos da história F. Hegel tirou a sua famosa chave de leitura da história e da vida humana: a dialética. Ele via realizada na saga de Jesus a realização destes três passos: vida-morte-ressurreição.

A vida é a tese da positividade. A morte é a antítese da negatividade. A ressurreição é a síntese que incorpora a tese e a antítese numa síntese superior. A ressurreição é mais que a reanimação de um cadáver, pois significaria a volta à vida anterior. A ressurreição é a introdução de algo novo, nascido das afirmações e contradições do passado. Esse "insight" sempre lembrado por ele, foi chamado de a "sexta-feira santa teórica".

Se bem reparamos, a semana santa, para além de seu caráter religioso, representa um paradigma do processo histórico e da própria evolução. Tudo no universo, nos processos biológicos, humanos e biográficos se estrutura na forma da dialética. O primeiro momento é a tranquila serenidade e paz infinita daquele pontozinho quase infinito de onde viemos (tese). De repente, sem sabermos por quê, ele explode. Produz um incomensurável caos(antítese). A evolução do universo significa um processo de criar ordens cada vez mais altas e complexas que culminam com a emergência do espírito e da consciência (síntese).

Dentro desta síntese, transformada agora em nova tese, carrega sua antítese que desemboca numa nova síntese mais fecunda. E assim corre o devenir da história do universo, das sociedades e de cada pessoa.

Concretizando para a nossa situação atual. O Brasil entrou num processo de crise, cujas causas não cabe aqui referir. Algo entrou em processo de caos. Deste caos deve irromper uma nova ordem que possa dar horizonte e esperança ao país. Precisa-se descobrir novas estrelas-guia que nos orientem face à crise atual. A crise tem a função de acrisolar, purificar e tornar a todos mais maduros.

A questão toda se resume: quem possui a proposta político-social que supere a crise e crie uma convivência minimamente pacífica? Não será através de fórmulas já testadas e gastas que virá a superação da crise dando centralidade a políticas e a grupos de poder à custa do sacrifício da maioria da população.

Promissora é aquela que realiza para o maior número de pessoas um bem-estar mínimo, que lhe garanta trabalho, que lhe assegure uma moradia modesta mas digna e lhe abre janelas de possibilidades de desenvolvimento e crescimento através da saúde e da educação sustentáveis. Em todo esse processo dialético há a experiência de vida, de morte e de transfiguração; de ordem, desordem e nova ordem; de tese, antítese e síntese. A complexidade segundo E. Morin se estrutura nesta dialética que é a da semente: "se o grão de trigo, caindo na terra não morrer, ficará só, mas se morrer, produzirá muito fruto", como disse o Mestre.

Hoje a natureza, a humanidade e nossa sociedade vivem sob pesada sexta-feira santa ameaçadora. A nossa esperança é que este padecimento se ordene a uma radiante transformação. O corrupto seja punido e o que politicamente se fez errado seja corrigido.

Importa definir um rumo que de certa forma já foi apontado. Se o rumo estiver certo, o caminho pode conhecer subidas e descidas mas ele nos leva ao destino certo: a uma nova ordem de convivência onde não seja tão difícil tratarmos a natureza com compaixão e nossos próximos com humanidade e com cuidado.

l.boff

quinta-feira, 24 de março de 2016

OMBROS QUE CARREGAM

Cheguei a virar para trás para contemplar aquela cena: um pai carregando seu pequeno e sorridente filho nos ombros. A confiança era tão plena que o filho esbanjava espontaneidade. Quando a infância é rodeada da necessária proteção familiar, a construção da personalidade experimenta o que de mais natural a vida pode oferecer: a confiança. Aquele menino não pesava nos ombros do alegre pai. Ambos provavam do privilégio da pertença mútua, da proteção e do amor, como laços que entrelaçam o viver.

Carregar algo nos ombros não é cena incomum. No passado, a ausência de outros meios forçava o trabalho braçal. As lidas do campo e o cultivo da lavoura obrigava o uso dos ombros para transportar desde ferramentas até um feixe de pasto. A força física era medida também pela resistência e capacidade de suportar peso. O ombro participa de todos os movimentos na musculação. Nem todas as articulações exercem tal flexibilidade, em ângulo e grau de movimentos.

Especialistas afirmam que os ombros, além da resistência e força para suportar peso e movimentos, concentram a tensão muscular. Depois de um dia de exigente trabalho, os músculos e tendões podem necessitar de exercícios que aliviem a sobrecarga que fora acumulada. Quando o emocional se distancia do necessário equilíbrio, a tensão pode se tornar ainda mais intensa. Os mesmos ombros que carregam o sorridente menino podem se tornar como que um depósito das energias que tencionam o corpo, como um todo.

Todos os ombros são abençoados. Porém, os ombros que transformaram a história da humanidade jamais serão esquecidos. Jesus de Nazaré emprestou os humildes ombros para carregar a pesada cruz. A consciência da missão não impediu que o madeiro provocasse três quedas. No entanto, Jesus se ergue e continua o caminho em direção ao Calvário. Não era apenas o peso da madeira que estava nos ombros do Filho de Deus. Os pecados da humanidade eram transportados para o alto monte, lugar do castigo e da remissão.

Os tempos são outros, mas a cruz continua pesando em frágeis ombros, que não conseguem erguer-se das forçadas quedas. Uma certeza ecoa: aqueles ombros suportaram o peso de nossos pecados. Nos ombros de Jesus, a cruz se transformou em luz. O menino sorridente, carregado nos ombros de seu pai, traz presente a vitória da vida. No terceiro dia, Ele ressuscitou. Felizes os ombros que carregam a esperança.

terça-feira, 22 de março de 2016

DIA MUNDIAL DA ÁGUA

Nesta terça-feira, 22 de março, celebrou-se o Dia Mundial da Água. A água é uma necessidade básica da humanidade e a sua escassez e contaminação podem comprometer irreversivelmente a existência humana na Terra. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 1,1 bilhão de pessoas não têm acesso a abastecimento adequado.

No Brasil, 94% da população têm acesso a serviços de água potável. Nas cidades, esse percentual alcança 98%, contra 92% em 1990, de acordo com o relatório da Unicef. Entre a população rural, o avanço foi bem mais expressivo nos últimos 25 anos: apenas 38% acessavam redes de água limpa nestas regiões, contra 70% em 2015.

Porém, o Brasil enfrenta o desperdício, que gira em torno de 40%. Essa é uma das questões mais relevantes para a gestão hídrica: a mensuração e o controle contínuo das perdas, principalmente na etapa de distribuição dos sistemas de abastecimento. Essas perdas podem ser provenientes de vazamentos, erros de medição e consumos não autorizados (ligações clandestinas).

Isso traz impactos negativos para o meio ambiente e para a receita financeira, elevando os custos com tratamento da água, energia elétrica, entre outros. Estudo do Instituto Trata Brasil, em parceria com a GO Associados, apontou que cidades com padrão de excelência em perdas têm indicadores menores do que 15%.

Gestão - O índice geral de perdas foi de 39,07% (6,53 bilhões de metros cúbicos ao ano) e o índice de perdas na distribuição foi de 36,95% (5,95 bilhões de metros cúbicos ao ano). Os dados evidenciam urgência em acelerar o ritmo de gestão e investimentos em programas de controle e redução do extravio de água, já que os prejuízos econônicos chegam a R$ 8 bilhões ao ano.

“Esse valor poderia ser aplicado em melhorias, ampliações e novas obras em prol da universalização do saneamento básico no”, opina Guilherme Girol, especialista em saneamento.