quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

CAUSAS E EFEITOS


O que plantamos, colhemos. Tudo aquilo que fazemos ou emanamos nos voltará de uma forma ou de outra...
Não permita, portanto, que pensamentos, sentimentos e ações sejam pautados pelo negativismo, pessimismo, egoísmo ou vingança. Mantenha-te alerta para que não colha aquilo que originalmente semeou de forma errada.
Se está empenhado em algum projeto, mantenha-te confiante, acreditando naquilo que está fazendo. Afinal, se você não acredita, para que continuar? Só para depois dizer: "Eu não disse que não ia conseguir"? Se você não acredita em você, como espera que outros acreditem?
Não maquine o mal. Não construa um plano de vingança. O tempo dedicado a isso lhe estará roubando energias que poderiam ser canalizadas em seu próprio benefício e em benefício de outros. Lembre-se: se alguém te fez algum mal, receberá algo recíproco. Essa é a lei.
Ao se propor a algo, não pense só em ti: pense nos outros envolvidos. Não faça aos outros, aquilo que não gostaria que fizessem a você. Essa é a Lei de Ouro. Inversamente, faça aos outros, aquilo que gostaria que fizessem a você.
Pense o bem, emane coisas boas, construa positivamente teus planos, use de empatia, alicerce teus pensamentos no amor. E verás que todo o universo conspirará a teu favor.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

JEEP COUNTRY VEM AÍ!!!


A adrenalina Off Road será a marca da 1ª etapa do 15º Campeonato Brasileiro de Jeep Cross a ser realizado de 28 de fevereiro a 3 de março de 2013 durante o 15º Jeep Country e 7º Jeep Fest, um dos maiores eventos de esportes radicais sobre rodas, reunindo competidores de todo o Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai, este ano comemorando o 15° aniversário do Jeep Clube Horizontina, promotor do evento com apoio da Prefeitura Municipal e ACIAP – Associação Comercial, Industrial e Agropecuária.
Este evento atrai grande público de apaixonados pela tração nas quatro rodas e movimenta o município e a região aquecendo a economia.
A iniciativa integra o calendário oficial dos jipeiros  e do município de Horizontina, composta de trilhas, corridas de gaiola, provas de jipes preparados, competições de jipes e motos, além de shows e muita gente bonita.

GUERRA: PORQUE OS CHINESES ESTÃO SE ARMANDO CONTRA OS ESTADOS UNIDOS




No início dos anos 1920, o escritor britânico Bertrand Russell passou alguns meses na China, num ciclo de palestras. Ao voltar ao Reino Unido, Russell escreveu um livro sobre o que viu, chamado “O Problema da China”.

Russell afirmou que a China poderia se tornar o maior país do mundo – desde que se tornasse militarmente mais forte. Naqueles dias, a China era virtualmente ocupada pelas potências ocidentais, depois de ter sofrido sucessivos reveses em guerras no século 19 exatamente por falta de cultura bélica. (No pior deles, nas chamadas Guerras do Ópio, a Inglaterra impôs que os chineses deixassem a droga ser vendida livremente no país. O ópio, produzido na Índia, era a espúria contrapartida que a Inglaterra encontrara para equilibrar seu comércio com a China, de quem consumia chá, seda e porcelana.)

As reflexões de Russell, quase cem anos depois, podem ajudar a entender a barulhenta controvérsia destes dias em torno do orçamento militar chinês. Como a economia do país, os gastos com a defesa têm crescido a uma taxa anual na casa dos dois dígitos.

Os Estados Unidos protestam, talvez por imaginarem que a China seja como eles mesmos. Mas não poderia haver duas culturas mais diferentes: a americana é a do consumo, da ganância, da ostentação e da dominação exploradora. A chinesa, derivada de Confúcio, é pacífica, centrada na educação dos jovens, respeito aos velhos e lealdade com os amigos.

Os chineses não são beligerantes, historicamente.Mas tolos também não são. Aprenderam com o passado em que sofreram sucessivas agressões.


Veja o que diz num editorial o jornal chinês Global Times, que reflete o pensamento do governo: “Sem uma defesa formidável, os sentimentos irracionais contra a China podem piorar, e se converter em ação. Na condição de maior potência militar, os Estados Unidos colocaram a China no centro de sua estratégia de defesa. A história prova que os Estados Unidos são ávidos por ações militares. Quando os americanos estão confiantes em sua superioridade, eles costumam usar a pressão militar sem nenhuma cerimônia.”

Clap, clap, clap.

Aplausos para a sabedoria chinesa. Quem acredita que o interesse dos Estados Unidos na questão do orçamento militar chinês é a paz acredita em tudo, como disse Wellington.

SAÚDE: UM GRANDE E BELO NEGÓCIO



 
Não há melhor negócio no mundo do que a saúde. Não há maior prova de humanismo do que o exercício honrado da medicina. São duas visões conflitantes da mesma idéia, a que une a vontade de viver e o medo permanente da morte.

O negócio da saúde envolve a indústria do ensino, a atividade médica, as pesquisas biológicas e bioquímicas, o desenvolvimento técnico e científico, a produção e a venda dos medicamentos, os hospitais e as empresas de seguro médico, as chamadas operadoras.

Desde o governo militar a proliferação de universidades privadas no Brasil tem sido grande negócio político-empresarial. Muitas das licenças para o seu funcionamento foram concedidas aos políticos ou a parceiros de políticos. Essas licenças são renovadas, ainda que a qualidade do ensino seja cada vez mais deplorável. Sem laboratórios, sem lições práticas de anatomia e patologia, sem professores capacitados, surgiu o sistema em que médicos incompetentes ensinam alunos despreparados a se tornarem também médicos incompetentes e novos mestres de médicos ainda mais incompetentes.

Contrastando com esse quadro desolador temos alguns dos melhores hospitais do mundo, estatais e privados, que servem de referência internacional. Mas esses, embora muitos deles reservem leitos para o atendimento universal, pelo SUS, são de difícil acesso aos pobres.

A classe média se vale dos planos de saúde, que se têm revelado dos maiores e mais lucrativos negócios do Brasil, cobiçados pelos consórcios internacionais. A Amil, conforme se noticiou, está sendo adquirida por capitais norte-americanos. Essas instituições foram, em seu início, cooperativas de médicos e se transformaram em empresas mercantis comuns.

No passado tínhamos menos recursos técnicos, mas os médicos, de modo geral, possuíam melhor formação. A maioria dos médicos brasileiros, felizmente, é constituída de homens e mulheres dedicados, com alta qualificação e profundo sentimento humanista. Muitos deles conseguiram superar as falhas do ensino, empenhando-se no aprimoramento constante.

As operadoras dos planos de saúde poderiam deixar de existir, se os recursos que arrecadam – grande parte deles destinados só a remunerar seus controladores - fossem administrados diretamente pelo Estado.

Talvez o governo pudesse enfrentar a ganância dos donos dos planos de saúde de forma corajosa e radical, e não só suspendendo a ampliação do número de segurados, como decidiu agora a ANVISA. É preciso todo o rigor contra os que violam a lei e, na alteração unilateral dos contratos, lesam os segurados – sobretudo os mais idosos – depois de os terem escalpelado ao longo dos anos.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

EMBAIXADA LAMENTA DESRESPEITO DE JABOR COM VENEZUELANOS



publicado em 11 de janeiro de 2013 às 18:46


Nota

Além de desrespeitar os venezuelanos, povo irmão do Brasil, e de proferir acusações sem base nos fatos reais, o comentário de Arnaldo Jabor nesta quinta-feira, 10 de janeiro, no Jornal da Globo, demonstra total desconhecimento sobre a realidade de nosso país.

Existe hoje na Venezuela, graças à decisão de um povo que escolheu ser soberano, um sistema político democrático participativo com amplo respaldo popular, comprovado pela alta participação da população toda vez que é convocada a votar em candidatos a governantes ou a decidir sobre temas importantes para o país. Desde que Hugo Chávez chegou ao poder, o governo já se submeteu a 16 processos democráticos de consulta popular – entre referendos, eleições ou plebiscitos.

Não nos parece ignorante ou despolitizado um povo que opta por dar continuidade a um projeto político que diminuiu a pobreza extrema pela metade, erradicou o analfabetismo, democratizou o acesso aos meios de comunicação e que combina crescimento econômico com distribuição de renda. Esse povo consciente de seus direitos não se deixa manipular pelas mentiras veiculadas por um setor da mídia corporativa – essa que circula livremente também na Venezuela.

Considerando o alto grau de organização e conscientização da população venezuelana, não são nada menos do que absurdas as acusações feitas por Jabor da existência de um aparato repressor contra o livre pensamento. Na Venezuela, civis e militares caminham juntos no objetivo de garantir a defesa, a segurança e o desenvolvimento da nação. É importante lembrar que se trata do mesmo comentarista que em 11 de abril de 2002, quando a Venezuela sofreu um golpe de Estado que sequestrou seu presidente durante 48 horas, saudou e comemorou este ato antidemocrático, durante comentário feito na mesma emissora, a Rede Globo.

Embaixada da República Bolivariana da Venezuela

METADE DOS ALIMENTOS PRODUZIDOS VÃO PARA O LIXO


O relatório "Global Food: Waste not, Want not", sobre o desperdício de comida, reforça a ideia de que o problema da fome está na má-distribuição. De acordo com a organização britânica "Institution of Mechanical Engineers", até metade dos alimentos produzidos no mundo, ou cerca de 2 bilhões de toneladas, acaba indo para o lixo todos os anos.
O documento aponta diversos motivos para a grande quantidade de comida desperdiçada. Entre as principais causas estão as condições inadequadas de armazenamento e adoção de prazos de validade demasiadamente rigorosos. Além disso, consta a preferência de supermercados e consumidores por alimentos com aspecto perfeito.
Segundo o estudo, até 30% das frutas, verduras e legumes plantados na Grã-Bretanha não são colhidos devido à sua aparência.   
As promoções de “compre um, leve outro grátis” também são apontadas pelo relatório como incentivadoras do desperdício, já que os consumidores levam para casa mais produtos do que realmente precisam.
O estudo ainda aponta o desperdício de recursos utilizados para a produção desses alimentos. De acordo com o relatório, 550 bilhões de metros cúbicos de água são desperdiçados na produção de alimentos que vão para o lixo.  

SILENCIAR...SIMPLESMENTE SILENCIAR.


De formas diversas, pessoas das mais diferentes religiões, seitas ou culturas buscam “fechar-se” em busca de uma conexão espiritual mais intensa e viva.
Retiros, processos de meditação, yoga estão entre os mais citados e conhecidos meios para isso.
E de fato, ao recorrermos aos escritos sagrados, vemos de forma muito comum homens e mulheres “fecharem-se” em momentos de intimidade com o ALTÍSSIMO e em autoconhecimento. Alguns se recolhiam em locais especiais (montes, morros, cavernas, debaixo de árvores) ou simplesmente isolando-se em um cômodo em especial de sua residência ou dirigindo-se ao seu local de adoração.
Independente de como, uma coisa é fato: por gerações é conhecida a importância do “silêncio de si”. E isso é bem diferente de estar em oração. Conversar com DEUS é fundamental e preciso, mas este é um ato de exteriorização de seu ser. O silêncio aqui citado é um ato de interiorização.
Sim, todos os que buscam experiências mais vívidas com o espiritual e um entendimento mais profundo de si, precisa deste tipo de momento.
Para isso, é necessário isolar todo tipo de pensamento, literalmente parar a função do raciocínio. Em seguida, deve-se deixar envolver pelos detalhes que DEUS nos proporciona e dar-lhes maior intensidade, quase como uma profunda contemplação da criação de DEUS. Isso envolve sons, cheiros, cores, paisagens, a natureza em si. Como pode envolver o silêncio absoluto: simplesmente fechar os olhos e deixar-se levar. Acrescente a isso uma viagem ao teu interior, sentindo a tua respiração, o batimento do teu coração, o fluir do sangue pelas veias e artérias.
Além de poder desfrutar de momentos preciosos e inesquecíveis, numa intimidade maior com o CRIADOR, tal exercício contribui em muito para “baixar” a ansiedade e equilibrar os desejos e emoções.
Faça isso. Exercite-se continuamente. Permita-se conhecer a DEUS e SUA criação de uma forma diferente e muito especial

CONTINUA TUDO IGUAL


Eu também leio jornais e revistas, acompanho televisão e internet, e acabo como todo mundo impregnado pelas nuvens cinzentas do noticiário negativo sobre os rumos das nossas vidas aqui dentro e lá fora.
Não tenho uma linha direta com Deus para saber o que vai acontecer. Procuro apenas tentar entender o que está acontecendo e o que pode acontecer a partir dos fatos dados pela realidade que nos é retratada pelos meios de comunicação.
Para conseguir isso, busco sempre falar com pessoas de todas as áreas, do governo e da oposição, mas elas também têm suas opiniões próprias, também são influenciadas pelo meio em que vivem e procuram puxar as sardinhas para as suas brasas.
Todo começo de ano é a mesma coisa. Não é porque a folhinha do calendário passou de um ano para outro que de uma hora para outra o que era feio vai ficar bonito e o que não tinha solução vai ficar resolvido.
Seca no nordeste, enchentes no sul, mortes e violência para todo lado, níveis dos reservatórios baixando, o que não falta é coisa ruim, problema, desgraça.
Como o Quincas Borba, continuamos dando mais importância ao pó do que à ideia em si. E qual é a ideia em si?
A vida continua seguindo igual, chove mais aqui e menos ali, a luz não apagou, os aviões continuam subindo e descendo, assim como as marés, a presidente Dilma marca novas reuniões para melhorar o desempenho da economia, os novos prefeitos começam a colocar ordem na casa, nas padarias tem pão quente na chapa e logo volta o futebol dos domingos.
Prometo pelo menos hoje não falar do embate político que segue feroz, está por trás de tudo isso e vai seguir assim até 2014, mas a vida não pode ser só isso. Lá fora as pessoas continuam passeando pelas calçadas e pensando nas suas próprias vidas, e é isso que vou fazer agora.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

QUERO...

Quero, se Deus quiser, todas as crianças, ao ligarem a TV, recebam um banho de Mozart, Pixinguinha e Noel Rosa; aprendam a diferença entre impressionistas e expressionistas; vejam espetáculos que reconstituem a Balaiada e a Guerra dos Emboabas; e durmam após fazer suas orações.
Quero  que, no campo, todos tenham seu pedaço de terra, onde vicejem laranjas e alfaces, e voejem bem-te-vis entre vacas leiteiras. Na cidade, um teto sob o qual haja um fogão com panelas cheias, a sala atapetada por remendos coloridos, a foto do casal exposta em moldura oval sobre o sofá. 
Espero  que as igrejas abram portas ao silêncio do coração, o órgão sussurre o cantar dos anjos, a Bíblia seja repartida como pão. A fé, de mãos dadas com a justiça, faça com que o céu deixe de concentrar o olhar daqueles aos quais é negada a felicidade nesta terra.
Um tempo com casais ociosos na arte de amar, o lar recendendo a perfume, os filhos contemplando o rosto apaixonado dos pais, a família tão entretida no diálogo que nem se dá conta de que o televisor é um aparelho mudo e cego num canto da sala.
Desejo que os sonhos libertários sejam tão fortes que os jovens, com o coração a pulsar ideais, não recorram à química das drogas, não temam o futuro nem expressem-se em dialetos ininteligíveis. Sejam, todos eles, viciados em utopia.
Espero  que cada um de nós evite alfinetar rancores nas dobras do coração e lave as paredes da memória de iras e mágoas; não aposte corrida com o tempo nem marque a velocidade da vida pelos batimentos cardíacos.
Um tempo para saborear a brevidade da existência como se ela fosse perene, em companhia de ourives de encantos, cujos hábeis dedos incrustam na rotina dos dias joias ternas e eternas.
Quero  que a cada um seja assegurado o direito ao trabalho, a honra do salário digno, as condições humanas de vida, as potencialidades da profissão e a alegria da vocação. Um tempo capaz de saciar a nossa fome de pão e de beleza. 
Rogo  que a polícia seja conhecida pelas vidas que protege e não pelos assassinatos que comete; os presos reeducados para a vida social; e que os pobres logrem repor nos olhos da Justiça a tarja da cegueira que lhe imprime isenção. 
Um tempo sem políticos mentirosos, autoridades arrogantes, funcionários corruptos, bajuladores de toda espécie. Livre de arroubos infantis, seja a política a multiplicação dos pães sem milagres, dever de uns e direito de todos.
Espero que as cidades voltem a ter praças arborizadas; as praças, bancos acolhedores; os bancos, cidadãos entregues ao sadio ócio de contemplar a natureza, ouvir no silêncio a voz de Deus e festejar com os amigos as minudências da vida.
Desejo  que as crianças cedam o lugar aos mais velhos; e a distância entre o público e o privado seja encurtada pela ponte da coerência. 
Desejo  que o governo livre a população do pesado tributo da degradação social, e tome no colo milhões de crianças precocemente condenadas ao trabalho, sem outra fantasia senão o medo da morte.
Que a competitividade ceda lugar à solidariedade; a acumulação à partilha; a ambição à meditação; a agressão ao respeito; a idolatria por dinheiro ao espírito das Bem-Aventuranças. 
Aspiro que pássaros orquestrados pela aurora, rios desnudados pela transparência das águas, pulmões exultantes de ar puro e mesa farta de alimentos despoluídos.
Rogo  que jamais fique velho, assim como os carvalhos que nos dão sombra, a filosofia dos gregos, a luz do Sol, a sabedoria de Jó.
Um tempo que traga a impressão de que tudo renasce: o dia, a exuberância do mar, a esperança e nossa capacidade de amar. Exceto o que no passado nos fez menos belos e bons.

O REJUVENESCIMENTO DAS ÁGUIAS

 Se não nos agarrarmos a alguma esperança, perdemos o horizonte de futuro e corremos o risco de nos entregar ao desamparo imobilizador ou à resignação estéril. 
Neste contexto, lembrei-me de um mito da antiga cultura mediterrânea sobre o rejuvenescimento das águias. 
De tempos em tempos, reza o mito, a águia, como a fênix egípcia, se renova totalmente. Ela voa cada vez mais alto até chegar perto do sol. Então as penas se incendeiam e ela toda começa a arder. Quando chega a este ponto, ela se precipita do céu e se lança qual flecha nas águas frias do lago. E o fogo se apaga. Mas através desta experiência de fogo e de água, a velha águia rejuvenesce totalmente: volta a ter penas novas, garras afiadas, olhos penetrantes e o vigor da juventude. Seguramente este mito constitui o substrato cultural do salmo 103 quando diz: “O Senhor faz com que minha juventude se renove como uma águia”.
E aqui precisamos revisitar C.G. Jung, que entendia muito de mitos e de seu sentido existencial. Segunda esta interpretação, fogo e água são opostos. Mas quando unidos, se fazem poderosos símbolos de transformação. 
O fogo simboliza o céu, a consciência e as dimensões masculinas no homem e na mulher. A água, ao contrário, a terra, o inconsciente e as dimensões femininas no homem e na mulher. 
Passar pelo fogo e pela água significa, portanto, integrar em si os opostos e crescer na identidade pessoal. Ninguém ao passar pelo fogo ou pela água permanece intocado. Ou sucumbe ou se transfigura, porque a água lava e o fogo purifica. 
A água nos faz pensar também nas grandes enchentes. Com sua força tudo carregam especialmente o que não tinha consistência e solidez. São os infortúnios da vida. 
E o fogo nos faz imaginar o cadinho ou as fornalhas que queimam e acrisolam tudo o que é ganga e não é essencial. São as notórias crises existenciais. Ao fazermos esta travessia pela “noite escura e medonha”, como dizem os mestres espirituais, deixamos aflorar nosso eu profundo sem as ilusões do ego. Então amadurecemos para aquilo que é em nós autenticamente humano e verdadeiro. Quem recebe o batismo de fogo e de água rejuvenesce como a águia do mito antigo.
Mas abstraindo das metáforas, o que significa concretamente rejuvenescer como a águia? Significa entregar à morte todo o velho que existe em nós para que o novo possa irromper e fazer o seu curso. O velho em nós são os hábitos e as atitudes que não nos engrandecem: a vontade de ter razão e vantagem em tudo, o descuido consigo mesmo, com a casa, com nossa linguagem e com o desrespeito para com a natureza, bem como a falta de solidariedade para com os necessitados, próximos e distantes. Tudo isso deve ser entregue à morte para podermos inaugurar uma forma de convivência com os outros que se mostre generosa e cuidadosa com a nossa Casa Comum e com o destino das pessoas. Numa palavra, significa morrer e ressuscitar.
Rejuvenescer como águia significa também desprender-se de coisas que um dia foram boas e de ideias que foram luminosas mas que lentamente, com o passar dos anos, se tornaram ultrapassadas e incapazes de inspirar um caminho para o futuro. A crise atual perdura e se aprofunda porque os que controlam o poder têm conceitos velhos, incapazes de oferecer respostas.
Rejuvenescer como águia significa ter coragem para recomeçar e estar sempre aberto a escutar, a aprender e a revisar. Não é isso que nos propomos a cada novo ano? 
Que o ano de 2013 que se inaugura seja oportunidade de perguntar o quanto de galinha existe em nós que não quer outra coisa senão ciscar o chão e o quanto de águia há ainda em nós, disposta a rejuvenescer ao confrontar-se valentemente com os tropeços e as crises da vida e buscar um novo paradigma de convivência. 
E não podemos esquecer aquela Energia poderosa e amorosa que sempre nos acompanha e que move o inteiro universo. Ela nos habita, nos anima e confere permanente sentido de lutar e de viver.
Que o Spiritus Creator nunca nos falte!

NÃO HÁ COMO PARAR O RELÓGIO DA VIDA

Nada agradável é a sensação de quem está percorrendo um caminho desconhecido e este chega ao fim. Não tendo como ir adiante, o jeito é dar um ré e procurar outra estrada alternativa. Se todos os caminhos levam a Roma, certamente a possibilidade de prosseguir pode ser auxiliada com uma volta para trás. Com o tempo não é assim! O único final do tempo só acontece quando se abre diante de nós a eternidade. Um minuto, uma hora, um dia, uma semana, um mês e um ano que passam não nos permitem voltar atrás.
Estamos no começo de mais um ano! Por maiores que sejam nossas teimosias não há como parar o relógio da vida. Para não nos vermos com a mão no arado, olhando para trás, o melhor jeito é jogar o foco de luz para frente e perceber que a fé sempre aponta para o começo. Cada entardecer já traz consigo o anúncio de um amanhecer. Cada noite que nos envolve já aponta para um novo dia. Cada etapa do caminho percorrido garante um novo caminho.
Como humanos que somos não é estranho que, ao chegarmos ao final de um ano, ouçamos certos lamentos: estamos envelhecendo! O tempo corre impiedosamente e ninguém consegue parar! Estou cansado! Não aguento mais o corre-corre da vida! etc... Estas e outras lamúrias, até certo ponto, fazem parte de nossos desabafos naturais. O pior não é o lamento, mas o risco de ir se entregando e se acomodando como se fôssemos vítimas do calendário.
Sabendo que a fé aponta para o começo, somos chamados a sintonizar e entender os segredos da vida. Um dos mais importantes segredos que a vida nos ensina pode ser colhido quando aprendemos a avaliar os acontecimentos do passado. O bom discípulo de Cristo também é chamado a ser discípulo da vida. A vida ensina! A história continua sendo mestra da vida!
A alegria de termos chegado ao final de um ano já é, por si só, um motivo de exultação. Quanta gente começou o ano e foi colhida pela irmã morte. Poder concluir uma etapa da vida, mesmo com quedas e provações, é um imenso dom. A gratidão que deve brotar do coração deve ser espontânea, porque não estamos enterrando uma fatia de nossa vida, mas estamos seguros de estarmos ressuscitados nesta etapa que termina para começar.