domingo, 12 de agosto de 2018

TEMOS QUE VIVER COMO SE EXISTISSE AMANHÃ.

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Em tempos de crise é comum entrar no vermelho, no orçamento doméstico, antes do final do mês. E, hoje, não é incomum os governos das nações ou das cidades também entrarem no vermelho, gastando mais do que arrecadam. Quando isso acontece os economistas falam em déficit fiscal. Para solucionar o problema há vários recursos. Um deles é cortar gastos. Outro é aumentar a receita. Outro é fazer as duas coisas. Outro, ainda, é tomar as duas medidas, e ainda assim, pedir empréstimo e rolar dívidas, pagar juros que comprometem tanto o presente quanto o futuro. A preocupação e a precaução nesse campo é regra mínima para não entrar em processos falimentares. A falência não interessa a ninguém. Ou quase a ninguém, pois para os bancos é uma farra...

Algo similar, mas muito mais explosivo e desastroso, não só para famílias ou estados, mas para a humanidade e para os animais, está acontecendo com o planeta. Não é de hoje que os economistas e ecologistas estão alertando sobre o perigo de um processo de colapso ambiental comprometedor da vida na terra. Pelo menos a vida animal, dos humanos e dos não humanos, pois a vida vegetal agradeceria se os humanos tirassem férias permanentes...

Ninguém presta muita atenção para o que está acontecendo. Não é para hoje. É para amanhã e, nesse caso, o amanhã não existe como experiência histórica. O amanhã é um adiamento, assim como quando alguém nos pergunta quando deixaremos determinado vício e respondemos: amanhã.

Há, aí, um autoengano, típico de comportamentos humanos frente a problemas que exigem prevenção e mudanças. Somos uma espécie inteligente e muito eficaz para muitas coisas, sobretudo para solucionar problemas reais e atacar efeitos. Porem, não somos bons, mesmo sabendo, na prevenção e antecipação de doenças e/ou calamidades. Sabemos que o cigarro faz mal e continuamos fumando. Sabemos que comer carne não é a melhor opção para a saúde e ao meio ambiente, mas não estamos dispostos a mudar de hábitos alimentares. E, nesse caso, nem se fala do respeito à vida dos animais, pois aí o egoísmo impera e só remotamente entra como uma atitude moral prévia.

Dia 1º de agosto foi, nesse ano de 2018, o dia em que a terra esgotou seus recursos e biocapacidade frente a pegada ecológica global. De 2 de agosto até 31 de dezembro o planeta entra no vermelho. No ano passado o dia da sobrecarga da terra (Earth Overshoot Day), como é chamado, foi o dia 2 de agosto. Em 2016 foi em 8 de agosto. Em 2015 foi em 13 de agosto. Em 2014 foi em 19 de agosto... Em 1970 foi no dia 29 de dezembro. Repare o processo contínuo e acelerado em tão pouco tempo. O que aconteceu entre 1970 e 2018?

Aconteceram muitas coisas, mas do ponto de vista do impacto e pressão sobre a terra, “nossa casa comum”, como diz o Papa Francisco, dois fenômenos foram e são fatais: o superconsumo e a superpopulação. Para a sustentabilidade do planeta e da chance da biodiversidade, não há como não rever esses dois elementos da equação. É necessário rever tanto a pegada ecológica, isto é, quanto cada um consome da biocapacidade da terra, quanto o número de pés sobre a terra. Em 1970 éramos 3,6 bilhões de pessoas com desejos infinitos de ser feliz, consumindo. Hoje, somos 7, 6 bilhões de almas sedentas e esfomeadas desejando preencher uma falta, uma carência e uma ausência, que só pode ser preenchida existencialmente pela espiritualidade e pela “sobriedade feliz”, mas que teimamos em tentar suprir pelo excesso da absorção do mundo exterior em forma de mercadoria. A continuar no ritmo atual, a letra da música de Renato Russo pode ganhar um outro significado quando diz: “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar para pensar, na verdade não há”.

Uma nova educação e uma nova espiritualidade, junto com uma maior distribuição dos bens produzidos, para diminuir a desigualdade e a pobreza, é a melhor aposta, e não o que tem sido apresentado como solução que, na verdade, é a causa maior do problema: o crescimento infinito. Não há dois ou três planetas ao nosso dispor e não há para onde fugir, até porque, na fuga, nós iríamos juntos...

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

ANDAR NA GARUPA DO PAI.

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Tem cenas e imagens que não precisam de legenda e muito menos de explicação, pois falam por si mesmas. Num dia desses, enquanto estava caminhando com o pensamento um pouco mais solto, distante da pressão dos compromissos, visualizei um pai carregando seu filhinho apoiado nos ombros. Literalmente o menino estava na garupa do pai. Instantaneamente me reportei, em pensamento, para a minha humilde, mas intensa infância. Andar na garupa era um verdadeiro divertimento, que rendia saudáveis gargalhadas, acompanhadas de movimentos bruscos, mas cheios de segurança. Alguns pais não tinham tempo ou não se permitiam tais brincadeiras. Mas os irmãos mais velhos quebravam o galho e a diversão era vibrante. Olhando para trás, fica a impressão de que os problemas eram leves ou inexistentes. A vida fluía com maior naturalidade, o respeito determinava os respectivos espaços, a honestidade servia de carteira de identidade. É bom ter saudade da infância, do divertido entretenimento, do contato com a natureza, da modéstia que reinava, dentro e fora de casa.

Meu olhar continuou voltado para aquele pai que carregava seu filho na garupa. A intimidade entre ambos era nítida, pois sorrisos e gargalhadas se intercalavam. Sim, a educação só é plena quando o amor permite uma larga e criativa espontaneidade. O segredo para construir a personalidade dos filhos é a presença, o afeto, o vigor e o exemplo. O desenvolvimento intelectual conta com o apoio formal da escola, em seus diversos níveis. Porém, a educação é uma exclusividade da família. A mãe tem o privilégio de gerar e, consequentemente, ficar mais próxima dos filhos, em todos os sentidos. Mas a presença do pai é de extrema importância. A prova disso se evidencia, quando os filhos alcançam a idade adulta. Se na infância, a ausência do pai foi acentuada, sem dúvida as lacunas se manifestarão de muitas maneiras. Quantos adultos inseguros, sem iniciativa, dependentes afetivamente e até sem esperança, por causa da pouca interação com o pai.

Aquele pai continuou caminhando com o filho na garupa, as risadas eram intercaladas com expressões de ternura. Em seguida, ele dobrou a quadra e eu continuei meu caminho. Recordei da importância da vida em família, mas pensei também no dia dos pais, que é uma data muito importante, mas que quase sempre se apresenta com excessivo apelo comercial. O consumismo não pode roubar a melhor parte da festividade familiar. Nem todos podem dar presentes, mas todos podem marcar presença. Um regalo, como dizem os italianos, é muito significativo. Mas o presente que rende incríveis registros é o tempo que um pai dedica ao filho. As coisas materiais não podem substituir o afeto, as trocas diárias e a criatividade do amor. Além disso, ser pai é juntar as mãozinhas do filho para elevar aos céus uma prece. A espiritualidade é fonte de muita paz e de significativas realizações. Todos precisam da garupa do pai, para não desanimar diante dos tropeços da vida.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

É NISSO QUE EU CREIO.

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Já faz muitos anos que, a cada primavera, imponho-me a tarefa de fazer uma declaração pessoal de fé, de compor um ‘Credo’. Quando era mais jovem, meu credo ocupava páginas e páginas, de tanto que me preocupava em cobrir todas as áreas, sem deixar nada pendente. Era como se tivesse de produzir uma espécie de sentença da Suprema Corte; como se, com palavras, pudesse resolver todos os conflitos sobre o sentido da existência.

Com o tempo, o credo foi encolhendo. Às vezes acaba soando cínico, às vezes cômico, às vezes sereno, mas continuo trabalhando nele. Recentemente resolvi que tinha de fazê-lo caber inteiro em uma única página e que só podia usar palavras simples, mesmo sabendo que corria o risco de parecer idealista e ingênuo.

A ideia de procurar ser breve, verdadeira inspiração, ocorreu-me num posto de gasolina. Estava abastecendo meu velhíssimo automóvel com a gasolina mais pura, de alta octanagem. Combustível de luxo. O carro protestou: começou a ratear nos cruzamentos, vazava combustível pelas esquinas. Logo entendi o que estava acontecendo.

De vez em quando me sinto assim, como o motor do meu carro. Excesso de informação, excesso de complexidade, e eu é que começo a ratear pelas esquinas – um ratear existencial pelos cruzamentos da vida, justamente nos locais e horas em que tenho de tomar as mais difíceis decisões, e inevitavelmente descubro que ou sei demais, ou sei de menos.

O fato é que quanto mais penso sobre a vida, mais me convenço de que ela não é um piquenique. E foi essa imagem, de um piquenique, que me fez descobrir que já sei praticamente tudo o que é necessário saber para viver com dignidade, que as coisas não são, assim, tão complicadas.

Hoje, imagino saber o que realmente conta, porque tenho vivido essas coisas, há muito tempo.
Sim, claro que imaginar é uma coisa, viver já são “outros quinhentos”, mas é essa junção entre ideias e ações, entre sonhos e experiências que me permite resumir assim, hoje, o meu Credo:

Tudo que eu preciso mesmo saber sobre como viver, o que fazer e como ser, aprendi no jardim-de-infância. A sabedoria não estava no topo da montanha mais alta, no último ano de um curso superior, mas no tanque de areia do pátio da escolinha maternal. Lá eu aprendi a:

Dividir tudo com os companheiros.

Jogar conforme as regras do jogo.

Não bater em ninguém.

Guardar os brinquedos onde os encontrava.

Arrumar a “bagunça” que eu mesmo fazia.

Não tocar no que não era meu.

Pedir desculpas, se machucava alguém.

Lavar as mãos antes de comer.

Apertar a descarga da privada.

Aprendi que biscoito quente e leite frio fazem bem à saúde e que preciso fazer de tudo um pouco; estudar, pensar e desenhar, pintar, cantar e dançar, brincar e trabalhar, de tudo um pouco, todos os dias.

Ao sair pelo mundo (e pela vida), ter cuidado com o trânsito, ficar sempre de mãos dadas com o companheiro e... “de olho” na professora.

Aprendi com uma sementinha de feijão, que plantei num copo de plástico, que as raízes vão para baixo e para dentro, e a planta cresce para cima. Ninguém sabe como ou por quê, mas a verdade é que nós também somos assim.

Outra lição importante que adultos resistem a aprender: peixes dourados, porquinhos-da-índia, esquilos, hamsters e até a semente no copinho plástico – tudo isso morre. Nós também.

Pra finalizar, lembro com uma alegria que a idade adulta não conseguiu me roubar, da primeira palavra que li nos livros de histórias infantis: Olhe!

Tudo que a gente precisa mesmo saber está por aí, em algum lugar do cotidiano mais simples e banal. Em tudo persiste a regra de ouro: aliar amor, respeito às diferenças e princípios de higiene. Ecologia e política, igualdade e vida saudável, tudo brota daí, feito a sementinha de feijão.

Quer conferir?

Escolha um desses itens e o elabore em termos sofisticados, em linguagem de adulto; depois, aplique-o à sua vida, à vida de sua família, ao seu trabalho, à forma de governo de seu país, ao seu mundo, e verá que a verdade que ele contém mantém-se clara e firme.

Pense o quanto o mundo seria melhor se todos nós – o mundo inteiro – fizéssemos um lanche de biscoitos com leite às três da tarde e depois nos deitássemos, sem a menor preocupação, cada um no seu colchãozinho, para uma soneca. Ou se todos os governos adotassem, como política básica, a ideia de recolocar as coisas nos lugares onde estavam quando foram retiradas; arrumar a “bagunça” que tivessem feito.

E é verdade, não importa quantos anos você tenha: ao sair pelo mundo, vá de mãos dadas, e fique sempre “de olho” no companheiro.

“Tudo que eu deveria saber na vida aprendi no Jardim-de-Infância”

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

ASSIM CAMINHA O PESSOAL

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Voltei a caminhar!

Agora, de segunda a sexta, logo de manhãzinha, pego a estrada e vou fazer minha caminhada. Na contramão do meu caminho, motoristas nervosos, raivosos, descendo para o Centro para encarar mais um dia de trabalho.

O simples ato de caminhar, mais que uma exigência do meu cardiologista, é um privilégio, apesar da tristeza de ver o esgoto poluindo e o lixo esparramado enfeiando a cidade.

Mas, se a vida já me deu régua e compasso, sigo no meu passo.

Caminho, dentro e fora de mim, em busca de sinais de ressurreição. É a vida pedindo passagem.

Contemplativo na ação e ativo na contemplação, acelero os passos e fico atento aos companheiros de caminhada. Passam por mim, indo e vindo, e capturo no ar o que dizem. São fragmentos apenas, frases truncadas, palavras partidas pela respiração entrecortada, sentimentos voláteis, fugidios, que vão se desintegrando ao ritmo desencontrado de pés que vão e vem.

Recolho as palavras em migalhas, vou juntando, fazendo uma espécie de reciclagem dessa sucata verbal, reaproveitando o que posso, completando as lacunas com meus próprios sentimentos e ideias.

É um exercício interessante...

Dois senhores, grisalhos como eu, deixam no ar a frase quase acabada: "tanta gente boa morrendo e eles aí...".

É verdade, penso eu pensando em Brasília. Politicamente incorreto, concluo o pensamento: “Só mesmo um terremoto de dez graus na escala Ricther, com epicentro na Praça dos Três Poderes para dar um jeito naqueles...”.

Duas mocinhas passam num trote rápido, interrompendo minha indignação cívica. Uma delas fala alto, para superar o som dos onipresentes fones de ouvido: “se ele não aparecer hoje, já era...”

Apresso o passo, como se fosse eu o ameaçado de excomunhão. Quem será o pobre coitado? Saberá que está na corda bamba, que seu atraso ou ausência podem lhe custar, sei lá, o coração (ou algo mais) de uma das mocinhas? Outras duas mulheres, essas de meia idade, passam ligeiras: “minha sogra quer ser cremada e que joguem as cinzas no mar. A gente joga ela no rio Uruguai mesmo, garanto que uma poeirinha chega em Balneário Camboriú...”.E a gargalhada passa rápida, como elas.

Ah, o poder dessas mulheres modernas...!

O local da caminhada é democrático e lá vem, em passos miúdos e sem pressa, uma senhorinha idosa que leva pela coleira uma cadelinha, parece que mais idosa ainda. Passam num silêncio que diz muito. Os olhinhos carinhosos de ambas derramam ternura humana e animal sobre a companheira de caminhada.

Só quem tem cachorro sabe o quanto a solidão humana pode ser preenchida pelo bichinho por quem tenho, também eu, muita ternura.

Dois homens, um mais jovem, um mais maduro, ambos fortes e atléticos, trotam em marcha acelerada, assustando a velhinha e sua companheira de caminhada. O mais jovem diz, bufando: “o meu Deus é diferente. Ele é bom. Não fica se vingando de ninguém”.

“Não é vingança, diz o outro, é justiça...”.

E se vão, deixando pelo meio a aula de Teologia.


Lembro de minha mãe: “Tudo que sinto, esbarra em Deus”...

O pensamento voa e me faz esquecer, por instantes, a paisagem humana à minha volta. Meu olhar se estende ao cenário que me rodeia. Contemplo, para além da poluição, a luz do dia plenamente amanhecido.

Um bando de biguás estende as asas ao sol, para secá-las. Um deles emerge, próximo à margem de um açude, trazendo no bico um lambari que é logo engolido.

Outros bichos, antes selvagens, entraram definitivamente para a categoria de fauna urbaníssima. Bem-te-vis, rolinhas, os próprios biguás, as garças brancas, magras e elegantes como top models, os quero-queros, que adoram futebol...

Pessoas, bichos, açude, sol, asfalto, canto de pássaros, buzinas raivosas, um revoar de garças, o congestionamento do trânsito...

Como das palavras, recolho de tudo, fragmentos de ressurreição.

A vida me convida a cuidar dessa minha, nossa casa, tão comum...

terça-feira, 7 de agosto de 2018

BRASIL & POBREZA

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A história oficial do Brasil apresenta aos alunos de ensino fundamental e médio, de forma didática, bem pouco da real situação do país. A história narrada é sofisticada. É a da casa-grande, dos sobrados da burguesia, dos indivíduos situados em níveis superiores da classe média. É a história correspondente às elites que se mantém no poder desde sua "descoberta". Bom seria se a narrativa fosse ao menos real. Na real é outra.

A história contada é identificada com as mansões e com seus terrenos amplos, com seus habitantes orgulhosos do progresso patrimonial. Nesta narrativa predomina a afirmação dos setores médios, composto por profissionais liberais, médicos, advogados, funcionários públicos, comerciantes, empresários. Estuda-se a história dos políticos aparelhados ao Estado e aos poderes da República, dos heróis das revoluções regionais, dos membros da equipe da elite política do país. Sem dúvida alguma, descreve uma história que representa a estrutura do sistema, voltada mais para os interesses de uma classe privilegiada e menos para a nação, para a população.

Por detrás desta narrativa existem as pessoas das camadas populares, pobres, são famílias modestas, agricultores, pescadores, bóias-fria, operários, empregados domésticos. Todos estão a serviço das casas-grandes, mansões, condomínios de luxo, fazendas, empresas, etc. Historicamente, isto significa que a maioria da população foi submetida a serviço e a manter a estrutura social e a política de categorias sociais distintas. Ademais, desenvolveram-se valores e mentalidade de modo a não comprometer as relações sociais estabelecidas pelo sistema. A partir disto as perspectivas individuais são canalizadas sem que haja espaço à contestação do sistema, como assegura o lema da bandeira nacional: “Ordem e Progresso”. Na verdade, pouco está em ordem e pouquíssimo é o progresso.

Ao tomar como parâmetro a região metropolitana de São Paulo, maior polo do poder econômico do país e que concentra 39 municípios, existem em torno de 700 mil pessoas vivendo na pobreza extrema. Segundo a instituição financeira LCA (Letras de Crédito do Agronegócio) esse número é 35% maior do que era em 2016. Conforme levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) houve o acréscimo de 180 mil pessoas em estado de pobreza naquela região. Para levantamento dos dados a LCA usou metodologia de análise do Banco Mundial, que considera em situação de pobreza extrema quem recebe 1,90 dólares de renda domiciliar diária por pessoa.

Conforme estudo da LCA, o Brasil atingiu o menor nível de investimento público nos últimos 50 anos, índice que não chega a 1,17% do Produto Interno Bruto (PIB). Isto significa que os recursos aplicados são insuficientes para a conservação dos equipamentos patrimoniados. Isto é, a política de investimento do governo é insuficiente até para manter os equipamentos de serviços públicos. Segundo o Tesouro Nacional os R$ 76,9 bilhões aplicados no ano passado não foram suficientes para cobrir a depreciação dos ativos públicos, gerando um negativo de R$ 36,5 bilhões. De acordo com o departamento do Plano Anual de Financiamento (PAF), a dívida pública poderá fechar este ano entre R$ 3,78 trilhões e R$ 3,98 trilhões. Conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), o nível de pobreza voltou a crescer acima da média obtida até o ano 2015.

Certamente, a narrativa da história em espaços educacionais pretende satisfazer indivíduos privilegiados com a estrutura da desigualdade social. Por outro lado, o segmento social das camadas populares ou de menor e baixíssima renda que formam grandes favelas, jamais será lembrado em narrativas oficiais do Brasil. De qualquer modo, mesmo crescendo os desníveis sociais, a maioria da população é formada por cidadãos que executam o árduo trabalho de movimentar o Brasil. Embora esses indivíduos do mundo de baixo sustentem o andar de cima, são ignorados pelo governo e suas instituições.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

O TEMPO PASSA.

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O início de um novo mês é sempre motivo de alegria, assim como é um privilégio poder recomeçar a cada amanhecer. A impressão, porém, é de que o tempo fez parceria com a velocidade, pois os dias são rápidos, as horas são velozes, os minutos são verdadeiros instantes. Bem sabemos que o tempo segue seu curso normal. As muitas ocupações e solicitações podem causar tal impressão, mas tudo continua como sempre foi. Entre uma atividade e outra, às vezes, fico pensando no nome dado aos dias da semana e aos meses. Penso também na preferência das pessoas: alguns gostam mais do início, outros preferem o final de semana. O mesmo acontece com os meses: tem quem gosta de maio, de dezembro. O mês de agosto, no entanto, aparece sempre com pouca cotação. Alguns chavões acompanham esse oitavo mês do ano. É comum ouvir: ‘agosto, mês do desgosto.’ Ainda bem que não são todos que pensam assim. Afinal, neste mês tem o dia dos pais, a semana nacional da família, mês das vocações e tantas outras festividades.

Enquanto fazia outras coisas, fiquei pensando: mas de onde veio o nome de agosto para esse oitavo mês? Ainda bem que temos como fazer pesquisas rápidas. De imediato descobri que os primeiros seis meses do ano haviam sido nomeados em homenagem a deuses e festividades romanas e os meses seguintes receberam a denominação, de acordo com sua ordem numérica. Mais tarde, julho e agosto foram rebatizados em homenagem a Júlio César e seu sucessor, Augusto. Isso aconteceu no ano 8 d.C., justamente para homenagear o imperador César Augusto, que reformou a estrutura de governo do Império Romano, além de agregar novos territórios. Então, do nome do imperador veio o nome para este mês, que é igual aos demais. A fama de ser o mês do desgosto não é confirmada. Talvez tenha sido coisas da superstição, que acabou passando de geração em geração.

Quem faz um dia ser melhor do que o outro não é o tempo, nem os acontecimentos. A vida é decidida de dentro para fora. O que cada um carrega dentro de si mesmo determina a quantidade de esperança, os degraus do humor, a intensidade da ternura. Nãos são os meses que causam desgosto, mas o modo como são assimilados os fatos e acontecimentos diários. O mesmo que criou maio, criou também agosto. Tudo é uma questão de postura, de entendimento e de compreensão. Tem pessoas que conseguem transformar o pior dia, num dia iluminado, alguns acabam, de tanto procurar, encontrando estrelas numa noite nublada. Sem contar que são muitos os que simplesmente transformam ambientes, porque carregam consigo centelhas de luzes. O bom humor espanta qualquer desgosto, mesmo que o mês seja agosto. Tudo passa pelo querer e pela determinação. Os dias são dádivas, os meses se transformam em oportunidades, quando o protagonista é uma pessoa do bem. Agosto é, sem dúvida, um mês muito abençoado!

domingo, 5 de agosto de 2018

O MALEFÍCIO DA CERTEZA.

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Nos meus tempos de aluno no Grupo Escolar Santos Dumond havia um tipo de questão usada em provas que era da minha especial predileção. O professor alinhava uma série de frases, com parênteses ao lado, e enunciava: “Coloque Falso (F) ou Verdadeiro (V) nas afirmativas abaixo”.

Eu adorava. As questões que eu sabia, sabia, e nas que não sabia tinha 50% de chance de sacar corretamente. Eram tempos de uma metodologia avaliativa curta e grossa que causaria horror e espanto aos pedagogos atuais.

Então, para matar as saudades, vou propor a vocês um exercício daqueles tempos, usando como referência algumas questões atuais. Vamos lá:

“Coloque F ou V nas afirmativas abaixo”.

01- ( ) Renan Calheiros, Jucá e Sarney receberam milhões em propina

02- ( ) Aécio Neves está envolvido em desvios de dinheiro público no escândalo de Furnas

03- ( ) Policiais militares alteram cena de crime para esconder execução

04- ( ) Todos os partidos políticos, do PT ao PSDB, recebem dinheiro no caixa 2

05- ( ) Padre abusa de deficiente mental

06- ( ) Juiz federal troca sentenças por propina

07- ( ) Líder evangélico compra fazenda de 20 milhões com dízimo dos fiéis

08- ( ) Policiais civis cobram “pedágio” de traficantes para liberar o tráfico

09- ( ) Dono de empreiteira paga milhões em suborno para conseguir contratos com o governo

10- ( ) País perde bilhões com sonegação de impostos e pirataria

Acho que nessa prova periga todo mundo tirar um dez... Infelizmente.

Não sei se você reparou, mas nas questões acima são citados representantes das principais instituições do país. As várias instâncias do Legislativo, do Executivo e do Judiciário, as Igrejas, a Polícia, o setor empresarial privado e até o cidadão comum, aquele que, quando pode, frauda o Imposto de Renda ou compra produto pirata no camelô da esquina.

Um dos princípios básicos do Direito é o benefício da dúvida. Hoje vivemos o malefício da certeza.

Imagino que a maioria, senão todos os leitores, cravaram (V) em todas as questões, o que vem a ser uma tragédia política e um tiro quase fatal na nossa esperança.

Por trás dessa descrença geral na capacidade ética e moral das nossas autoridades, se esconde um corporativismo cínico e cruel, que estende sobre toda uma instituição a lama que pertence a parte dela.

Quando um grupo de deputados se reúne para blindar um colega ladrão, o senso comum intui: “são todos ladrões”. Quando autoridades religiosas acobertam crimes cometidos por alguns dos seus membros uma nuvem de descrédito paira sobre toda a instituição. Quando policiais e juízes, pagos para proteger o cidadão em sua integridade e direitos, tornam-se carrascos desse mesmo cidadão, quando representantes eleitos para defender os interesses de seus eleitores e garantir o bem estar social tornam-se defensores de seus próprios interesses ou de seus grupos, fazendo na vida pública o que fazem na privada, ou seja, cagada, o desencanto é geral, a esperança, qual Inês, é morta.

Daí advém minha ira indignada com Lula e grande parte do PT. Eleitos pela nossa ânsia de moralidade e ética, conduzidos ao poder por apresentarem à sociedade a possibilidade de fazer política de um modo diferente para fazer diferença, assim que chegaram lá, em nome da tal governabilidade, aceitaram o jogo de alianças que fizeram dos nossos sonhos e do projeto de um país mais que verdadeiro (V), uma triste e decepcionante falsidade (F).

Há quem comemore o naufrágio do PT e de tudo o que ele representou, um dia. Eu lamento.

Há quem esteja festejando a mais que previsível e progressiva desmoralização do desgoverno Temer. Eu lamento.

Há quem diga “não voto mais em ninguém, não há em quem votar”. Eu lamento.

É fácil dizer “são todos ladrões”! Mas o mais trágico seria ter o malefício da certeza e admitir nosso complexo de vira-latas: “somos todos ladrões!”.

sábado, 4 de agosto de 2018

O VULGO

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Um dos maiores talentos do brasileiro é, indiscutivelmente, a capacidade de colocar apelidos precisos nas pessoas.

Hoje não pode mais, é bullying, mas no meu tempo era geral. Todo mundo tinha apelido. E se não gostasse, aí é que a alcunha pegava mesmo, pru resto da vida.

O nosso time de pelada era formado por Faixa Branca, Toninho Picolé, Tonhão, Sissi e Toninho Sorvete. Saci, Geú e João Fritas. Volks, Nélio Botão e Geraldo Pau Podre.

E essa é apenas a escalação do primeiro quadro. Havia várias, fora o banco de reservas. Alguns me reservo o cuidado de não citar aqui, pois seus proprietários ainda estão por aí e posso causar constrangimentos, por exemplo, ao Belas Coxas.

A prática não é de hoje. Dizem que o marujo que gritou “terra a vista”, na caravela do Cabral, nasceu Manoel D’Almeida e morreu “Eu vi primeiro”. Nada mais óbvio.

A página policial dos jornais de antigamente era um desfile de histórias escabrosas contidas no termo ‘vulgo’ - “O meliante José da Silva, vulgo Sócio do Coveiro, foi detido, suspeito de ter assassinado um indivíduo conhecido como Marcha a Ré, a mando do contraventor Deu no Milhar -

Pronto. Nem precisava explicar a notícia. As alcunhas já entregavam toda a história.

A recente divulgação de uma lista de delatados na Lava Jato é um exemplo perfeito de que continuamos afiados na prática. Senão, vejamos o 4-3-3 da Odebrecht:



Caju. Missa, Gripado, Primo e Angorá. Cerrado, Campari e Caranguejo, Samto, Misericórdia, Boca Mole e Todo Feio.

É, o bullying que me perdoe, mas continuamos imbatíveis...



Eduardo Machado

ETERNA IDADE


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Desde que nasci, vivo num tempo chamado HOJE.

Hoje é a minha eternidade.

Aprendi com Santo Agostinho; “o passado já não é, o futuro ainda não é”.

Resta-me o Hoje para ser feliz.

“Carpe diem”, diz o ditado latino, “aproveite o dia de hoje..."

Não é tão simples como parece...

Do passado sopram ventos e brisas trazendo perfumes que evocam saudades.

O futuro se revela em frestas por onde vislumbramos medos e esperanças.

Ainda assim, resta-me o Hoje, o que tenho de real é o Hoje. O que fazer com ele?

Ouço, sempre, o mesmo e previsível chavão; “viva o hoje, aproveite a vida, curta o tempo livre...”

O Tempo até pode ser livre, mas é impossível se libertar do tempo. Não é tão simples como parece...

Viver o Hoje traz, consigo, prazer e amenidades, contradições e crueldades.

Meditando sobre isso, lembrei-me do filme “Chuvas de verão”, de Cacá Diegues. Ele conta a história de Afonso (magistralmente interpretado por Jofre Soares) um funcionário público que ao se aposentar ganha de presente, dos companheiros de trabalho, um relógio. Era um costume, em outras épocas.

Não deixa de ser irônico (e até cruel) ganhar de presente uma máquina de marcar o tempo, quando o que você mais quer é não ter tempo marcado para nada.

Aos setenta anos, Afonso só pensa em ficar de pijamas o dia todo.

Tudo começa a mudar quando uma relação de amizade com Isaura, sua vizinha (papel sensível e tocante de Miriam Pires), revela-se um amor que surpreende e encanta àquela altura da vida.

Ufa! Encontro aí o elo que faltava para ligar o hoje ao passado e ao futuro: o amor.

O amor é a verdadeira eternidade.

Preenche todos os espaços, atravessa o tempo, o sentimento, renova o sonhar, o desejar.

“Tudo vai passar”, diz Paulo, a mim e aos coríntios. “Só o amor permanecerá...”

Amor é permanência.

A paixão quer pra já, o amor quer pra sempre...

Não há relógio capaz de marcar ou limitar espaços e horas, para quem sente o desejo do amor, para quem vive a decisão de amar.

Deus só é eterno, porque é amor...

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

E O LOUCO SOU EU...


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Sou humano. E, por ser humano, estou exposto, tanto quanto todos os meus colegas humanos, a esse velho mal do novo século chamado “Ansiedade”.

“Ansiedade: substantivo feminino; grande mal-estar físico e psíquico; aflição; agonia; desejo veemente e impaciente”. Tá tudo aí...

Senti o monstro (ou a monstra, já que é feminino) crescendo dentro de mim à medida que lia o livro “Depois a louca sou eu”, da Tati Bernardi. Como escreve bem e vive mal essa moça.

Não, não a estou recriminando ou julgando, ao contrário, me senti absolutamente solidário a ela. Mas, o que pode ter sido divertido para muitos leitores, para os ansiosos de plantão a leitura do livro é uma tortura sem fim, uma dolorosa experiência de auto reconhecimento.

Ainda bem que há, no livro, um capítulo chamado ‘Você não está sozinho’.

Somos tantos que, sabendo que somos muitos, a indústria farmacêutica e o mercado paralelo de felicidade instantânea investem milhões para tomar os nossos trocados, que somados, transformam-se em bilhões. E a promessa é sedutora: felicidade assim, tipo miojo, em três minutos. É só seguir as instruções da embalagem...

Senão, vejamos:

1: Consuma alimentos que ajudem a combater a ansiedade. Salmão, por exemplo, é ótimo, mas se você não tiver grana pra comprar um salmão vai ficar mais ansioso ainda e vai acabar devorando um XisTudo no Komilão, no começo de uma longa madrugada. Na sequência, vai trocar ansiedade por culpa, o que vai lhe trazer mais ansiedade ainda.

2. Então, saia do Komilão e pratique exercícios físicos, o que vai ser difícil graças justamente aos quilos a mais adquiridos no Komilão.

3. Ok, teste o ‘mindfulness’, uma técnica de se interiorizar e parar de se preocupar. Simplesmente preencha sua mente com o vazio. Preencher a mente com o vazio... É assim: feche seus olhos e medite, prestando atenção à sua respiração e aos barulhos do seu corpo. O problema é que alguns barulhos do seu corpo podem ser desagradáveis e incômodos (especialmente para quem estiver próximo), o que pode facilitar o esvaziamento intestinal mas dificultar o esvaziamento mental.

4. Faça exercícios respiratórios. Os gurus indianos dizem que quando passamos por momentos de ansiedade devemos fechar os olhos e respirar profundamente por 10 vezes. O risco é ficar ansioso contando as respiradas; ‘Já dei dez? Não, foram oito? Estou tonto, acho que foram 53...’.

5. Tente relaxar. O relaxamento pode ser feito sempre que a ansiedade bater à sua porta. Deite e se imagine em uma praia ou em uma cachoeira. Respire profundamente aliviando todas as tensões do dia. Coloque uma música suave e “entre na música”, acalme-se e deixe os problemas de lado.

Cuidado onde vai se deitar. Seu colchão com a mola espetando não é exatamente uma esteira numa praia do Caribe. E se imaginar-se na Bahia, imediatamente vai aparecer um nativo dizendo “vai uma água de coco, meu rei?”. E vai ser difícil imaginar-se numa cachoeira ou ‘entrar numa música’ com o trânsito, o vizinho, o cachorro do vizinho, todos rugindo bem ali, na sua janela.

6. Use ervas medicinais. Nada como um chá de camomila para acalmar os ânimos mais exaltados. Outra opção é ter um travesseiro com camomila dentro, isso te relaxará ainda mais ao deitar.

Ou seja, é bem simples: sua vida vai ser perfeita se você comer salmão, praticar exercícios físicos, fizer mindfulness, respirar dez vezes e relaxar, desde que esteja morando numa horta de camomila...

Ou... tome um Rivotril.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

UM CARA TRISTE.

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Não aconteceu de uma hora pra outra. Entristecer é um itinerário que se faz ladeira abaixo e, como diz o ditado, “pra baixo todo santo ajuda”.

Todo demônio também...

Foi um entristecer gradativo, uma perda inconsciente e progressiva de espontaneidade e alegria que lhe foi tirando cor dos pensamentos, silenciando palavras, atrofiando gestos.

A vida foi ficando cinza...

O sorriso, antes solto, fácil, foi se embotando, a começar pela capacidade de rir de si mesmo. Passou a levar a sério a sua tristeza.

Começou a contabilizar as perdas, mais que as conquistas.

Aos poucos, uma amnésia afetiva foi-se acumulando como poeira, escorrendo do cérebro, qual gelada lava, até seu coração.

Não se lembrava da última palavra de ternura que falara ou ouvira, nem o último gesto de carinho que dera ou recebera.

Por fim, era um homem triste., tornou-se um homem triste...

Algumas pessoas, mais próximas ou mais atentas, até perceberam, mas tinham suas próprias tristezas com que lidar. As tentativas fraternas de consolo, estímulo, incentivo, foram ficando tímidas e morreram dessa inanição que nasce com a impaciência.

Passou a pensar na morte, não como uma ruptura dramática, espetacular, mas como um lenitivo para aquele cansaço. Estava cada vez mais difícil carregar nas costas o peso dos dias.

Sentia saudades de suas crenças e alegrias.

Fora um homem de fé.

Quando a fé se eclipsava, recorria à esperança.

Mas, acima de tudo, apegava-se ao amor, como seu berço, caminho e destino.

Quando o amor lhe faltou, definitivamente, entristeceu...