quarta-feira, 11 de maio de 2016

O HOMEM MAIS LIVRE DA HISTÓRIA

Chama atenção o título deste artigo, mas quem o confirma é  Irineu de Lion, nos primórdios do cristianismo. “Jesus foi o primeiro homem livre da história”. A liberdade é um bem supremo. Poder desfrutá-la torna a pessoa realmente ela mesma.

Sabemos como é difícil ser livre. Muitos são os condicionamentos que criam barreiras à possibilidade de optar e escolher. Sabemos quantos condicionamentos de ordem econômica, psicológica e, sobretudo, moral, interferem em nosso caminho de liberdade. Porém, o que mais impede o desabrochar de nossa liberdade são os preconceitos e compromissos de conveniência.

Jesus não tinha nenhum preconceito e nenhum compromisso de conveniência, a não ser com a vontade do Pai. Jesus não tinha preconceito nem mesmo contra os fariseus. Dialogava com eles e até frequentava suas casas. Não tinha compromisso de conveniência com ninguém a não ser compromisso com o Pai. O maior elogio dado a Jesus, quem o deu foi um doutor da lei: “Mestre, sabemos que és franco e que ensinas o caminho da Deus com lealdade, sem te preocupares com quem quer que seja, pois não olhas a posição das pessoas”.

Por ser assim livre, Jesus podia enfrentar com absoluta independência o poder religioso e político de sua nação. Esta liberdade de espírito Ele a confirmou, sobretudo, na hora de sua paixão. Não perdeu, em momento algum, a sua dignidade, como não fez concessão nem resistência alguma a quem o julgava e nem a seus algozes.

Diante das autoridades, o sumo sacerdote o questionou sobre sua doutrina e sobre seus discípulos e Ele respondeu: “Eu falei abertamente ao mundo, sempre ensinei nas sinagogas e no templo, onde todos os judeus se reúnem e não disse nada em segredo. Por que me interrogas? Interroga os que ouviram o que lhes falei. Eles bem sabem o que eu disse”.

Um dos algozes repreendeu Jesus e lhe deu uma bofetada: “ É assim que respondes ao sumo sacerdote?”. Impassível, Jesus respondeu: “Se falei mal, mostra o que lhe disse de mal. Mas de falei bem, porque me bates?”. Evidentemente, Jesus é livre e paciente, mas não é covarde. Preso e amarrado, reivindica a liberdade de expressão.

É impressionante a postura do Homem mais livre da história diante de Pilatos: “Tu és rei?”. Jesus responde: “Sim, tu o dizes. Eu sou rei”. Confirmou que veio ao mundo para dar testemunho da verdade. Pilatos pergunta, mas não espera resposta: “O que é a verdade?”. Busca clarear com os acusadores motivo de sua raiva e percebe que Jesus se dizia “Filho de Deus” e isto deixou Pilatos inquieto.

A verdade é que o governador nunca ouvira um acusado com tanta dignidade. Sua independência absoluta foi manifesta sobretudo na corte do rei Herodes. Há muito tempo Herodes queria conhecê-lo. Tinha curiosidade de ver algum milagre. Mas a Herodes Jesus não disse sequer uma palavra. Seu silêncio o levou a silenciar na cruz, mas a proclamar a liberdade absoluta em sua ressurreição.

terça-feira, 10 de maio de 2016

UM BILHETE PREMIADO,

O casamento se constitui no mais arrojado e ambicioso projeto que duas pessoas podem assumir. Num passado recente, se admitia: casaram e foram felicidades para sempre. Trata-se de uma loteria, onde todos os números são premiados. E o prêmio é a felicidade. Deus não nos criou para a solidão, mas para a comunhão. Sua história começa já nas primeiras páginas da Bíblia. Vinicius de Morais garantia que a vida é a arte dos encontros.

A prática mostra que muitos destes encontros acabam em desencontros. No Brasil acontecem mais de 140 mil divórcios por ano. Isto a partir do ordenamento jurídico.

O casamento cristão foi elevado à dignidade de sacramento. Trata-se de arquitetura humana e divina. Todos os cuidados devem ser assumidos para que o projeto dê certo. E este projeto desenvolve-se em três tempos: antes, durante e depois.

Por vezes são cometidos equívocos em relação ao antes e depois, não respeitando as etapas. Outro equívoco é apostar tudo no durante, que dura pouco mais de meia hora,

O antes do casamento deve ter razoável duração - dois ou três anos. É o tempo de organizar o projeto a dois, é tentar construir comunhão de vida. É tempo de deixar-se conhecer e conhecer o outro. É tempo de educação mútua. Não se trata apenas de sonhar, mas entram coisas muito práticas: onde vamos morar, qual será nosso orçamento, quando e quantos filhos planejamos ter? É interessante também esboçar o tipo de relacionamento do casal com a família de cada um.

Quando o projeto está maduro, vem o segundo momento. É o durante. É o menos importante. É meia hora de sonhos e representação. Cada pequeno detalhe é longamente preparado. Trata-se de dizer sim ao projeto sonhado. É um momento fugidio, eternizado num vídeo ou em fotografias.

Os convidados vão embora, a festa termina, as luzes se apagam e começa o terceiro tempo, que não deve terminar nunca. É o depois que deve transfigurar o cotidiano. É a hora de implementar as linhas mestras do projeto. É a hora de transformar o sonho em realidade. É a hora da rotina, que precisa ser transformada em eterna novidade.

O Evangelho lembra duas possibilidades: construir sobre a areia ou sobre a rocha . A areia lembra o comodismo, as aparências, o caminho fácil. Constroem sobre a areia os que pensam e dizem: nós nos amamos e isto basta. Construir sobre a rocha implica em conhecer e aceitar a realidade do outro. Implica em continuar conversando, um cuidando do outro, implica a necessidade de perdoar e pedir perdão. Implica em parar e perguntar-se: onde estão os nossos sonhos, onde erramos, quais as soluções? Não se pode rasgar ou jogar fora o bilhete: ele é premiado.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

0S MOTIVOS DA ANULAÇÃO DA VOTAÇÃO PELA CÂMARA

Waldir Maranhão acatou parte de um recurso encaminhado pela Advocacia-Geral da União que pedia a anulação da votação realizada pela Câmara em 17 de abril. Esse documento da AGU foi protocolado em 25 de abril e, segundo o presidente interino da Câmara, não havia sido analisado até então.

Segundo ele, “ocorreram vícios” durante a sessão que anulam a votação realizada naquele dia. Foram eles:
Orientação do voto
Os líderes dos partidos não poderiam ter orientado como os deputados de suas bancadas deveriam votar. Isso ocorreu momentos antes de os 513 deputados anunciarem seus votos. Cada um dos líderes de bancada subiu na tribuna e disse como os filiados de seu partido deveriam votar no impeachment. “[Eles] deveriam votar de acordo com as suas convicções pessoais e livremente”, diz o ofício de Maranhão.
Voto antecipado

Deputados anunciaram publicamente como votariam “antes da conclusão da votação”. O ofício não detalha se o erro ocorreu quando parlamentares declaram voto em conversas com a imprensa, por exemplo, ou quando discursaram em plenário momentos antes da votação. A prática, segundo o documento, configura prejulgamento e desrespeitara o “amplo direito de defesa”, previstos na Constituição.
Ausência de defesa
O ofício acolheu o argumento da AGU de que a sessão violou os princípios de ampla defesa ao não autorizar que um representante da presidente falasse antes do início da votação. A Advocacia-Geral afirmou que a Câmara desrespeitou o rito previsto para a sessão ao autorizar o relator da Comissão Especial do Impeachment, deputado Jovair Arantes (PTB-GO), a discursar, em 17 de abril. Ele era favorável ao impeachment. Para a AGU, a defesa também deveria ter tido direito a fala naquele dia, e não só no dia 15.
Resultado da votação
O ofício de Maranhão diz que o resultado da votação realizada dia 17 deveria ter sido formalizado por meio de uma Resolução. Resolução é o dispositivo adotado pela Casa para oficializar matérias e decisões de competência privativa da Câmara. Segundo a AGU, o então presidente Eduardo Cunha formalizou o resultado apenas por meio de um ofício, o que desrespeita as regras previstas pelo Regimento Interno da Câmara e pelo rito estabelecido para o impeachment.
Quais as ligações políticas de Maranhão#
Maranhão assumiu a presidência da Câmara interinamente na quinta-feira (5), após o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ter seu mandato suspenso por decisão do Supremo.

Ele é próximo de Cunha, mas votou contra o impeachment de Dilma na votação de 17 de abril por razões eleitorais. O deputado também é aliado do governador do Maranhão, Flavio Dino (PC do B-MA), contrário ao impeachment, e com quem esteve reunido no fim de semana.

Políticos da base e da oposição a Dilma reagiram ao ofício de Maranhão, apontando que o deputado agiu por interesses políticos. Lideranças de partidos como o PMDB e PSDB dizem que Maranhão quer atrasar o processo, beneficiando Dilma. Políticos petistas atribuíra a decisão ao cumprimento estrito do regimento da Casa.
O que acontece agora?#

O presidente do Senado, Renan Calheiros, anunciou na segunda-feira (9) que pretende manter o trâmite do impeachment como previsto inicialmente. A sessão que poderá decidir pelo afastamento de Dilma está marcada para quarta-feira (11).

A Secretaria-Geral da Mesa da Câmara não soube informar se há um prazo para Renan responder ao ofício encaminhado por Maranhão.

Os principais partidos da oposição, PSDB e DEM, afirmam que vão recorrer ao Supremo e à Mesa da Câmara contra o pedido de anulação da votação.

sábado, 7 de maio de 2016

QUANDO APENAS UM GESTO É SUFICIENTE.

Todas as pessoas deparam com situações de muitas dificuldades, sofrimentos, problemas. É comum ouvir afirmações do tipo “problemas sempre existiram”. Isto é verdadeiro. Enquanto existir o ser humano os problemas estarão presentes. A natureza humana está sujeita a esta condição. Ao surgirem situações difíceis somos obrigados a pensar formas de superação, a no mínimo oferecer o necessário a quem precisa.

Sendo a natureza humana frágil e exposta a muitas dificuldades, é preciso buscar formas de preservar a vida com dignidade. Para as pessoas em estado de sofrimento o que interessa é livrar-se de sua penosa realidade. Obviamente ninguém busca criar problemas para si mesmo. Ao surgirem afetam toda a vida, causando sofrimentos capazes de impor grandes limitações, às vezes com elevado preço. Muitas doenças têm causas humanas que poderiam ser combatidas se houvesse controle e diagnósticos mais completos.

Ficar indiferente diante dos sofredores é algo absolutamente exagerado. Também parece pouco razoável entregar para a ciência o cuidado das doenças e dos sofredores. O problema em questão é muito sério. Surgem situações que a ciência e a estrutura da saúde pública não resolvem. Este é um problema mais real e mais forte que as pessoas precisam enfrentar. Lógico, se a ciência e os planos de prevenção ajudassem, assegurariam melhor qualidade de vida às pessoas. Como facilmente pode ser constatado, há problemas que abalam as pessoas e causam dificuldades maiores. Hoje somos orientados para viver hábitos saudáveis, contudo somos atordoados por graves situações que vão além de um sábio hábito de vida. Não é aceitável que diante das dificuldades assumamos uma postura de resignação e de indiferença com os sofredores da sociedade.

Para imaginar o que representam essas situações, comecemos pelo sentido da palavra problema. Etimologicamente a palavra problema significa “lançar-se à frente”. Surgiu do prefixo grego pró, que se traduz por “diante, à frente”, ou “pôr, colocar, lançar”. Problema, então, significa algo que precisa ser transposto. Por isso, quando surge algo dificultoso na vida, exige-se empenho e vontade de superação. Contudo, isto não é o suficiente. É credível nessas situações usar o poder da solidariedade com os sofredores. Muitíssimas pessoas relatam que o problema principal é que, na hora do sofrimento, sentem a distância da família, dos amigos, e a falta de solidariedade. Ao nos sensibilizarmos com relação ao que isso representa e sobre a gravidade do problema, há muitas maneiras de ajudar aos afligidos. Eis uma tarefa humana possível.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

APOSENTDORIA AOS 65 ANOS PARA HOMENS E MULHERES

Em matéria de destaque do jornal O Globo, de 28 abril, Robert Brand fala de suas ideias – uma verdadeira caixa de maldades para o futuro do trabalhador brasileiro.

Para os que não se recordam, Roberto Brand foi ministro da Previdência do governo FHC, o mesmo que elaborou a reforma previdenciária daquele governo.

Com ela encerraram várias conquistas dos trabalhadores como a aposentadoria especial de todos os trabalhadores que tinham aposentadoria especial, inclusive dos vigilantes.

Foi ele que implementou o fator previdenciário – aquele cálculo que dificilmente permite que os aposentados recebam o valor do teto das aposentadorias mesmo depois de 30 anos de contribuição.

Cotado para ser o ministro da Previdência num eventual governo Temer, o grau de detalhamento aberto ao público por Brand um dia depois de Temer ter se reunido com sindicalistas e prometido que não mexeria em direitos trabalhistas, segundo o próprio O Globo denunciou um dia depois, “desagradou o círculo íntimo de Temer.”

Mas isso não importa. Brand é a cara de um governo neo liberal e qualquer outro a ser escolhido rezará na cartilha do documento Ponte para o Futuro, escrito por Brand e lançado por Temer com o intuito de se colocar como o grande pacificador da crise no país.

Desde então, abrimos o olho dos trabalhadores a respeito de todas as medidas lá colocadas, uma mais outros menos claras, mas todas retrógradas, ocasião quando qualificamos a proposta de A Ponte Para o Abismo.

Por que é preocupante ter esse gênero de homem ocupando a pasta da Previdência ? porque eles, obviamente, vão de novo alterar as regras da Previdência contra os interesses do trabalhador.

Brand disse que vai implantar a aposentadoria com 65 anos de idade, tanto para homem como para mulher. Você pode ter contribuído com 40 anos para a previdência mas só se aposentará com 65.

E as trabalhadoras rurais que hoje se aposentam aos 55? E os trabalhadores que começam a trabalhar muito cedo e que possivelmente terão 40 anos de contribuição bem antes dos 65 ? Como ficam estas pessoas ? Não poderão descansar ?

Brand disse mais: que vão fazer uma reforma previdenciária tirando quase todos os direitos; e uma reforma trabalhista, onde o negociado vai prevalecer sobre o legislado.

Ele explicou porque querem fazer isso : é para que o 13 º possa ser parcelado, as férias possam ser parceladas, a jornada de trabalho possa ser ampliada, o salário negociado possa ser diminuído, mesmo o que está na lei possa ser diminuído.

Estes são os absurdos que apontam o perfil de candidatos a ministro da Previdência de Temer. Esse é o pensamento do Temer, o pensamento da Fiesp, o pensamento e o desejo da direita brasileira.

Aí eu pergunto : o que vão fazer agora aqueles que foram para a rua defender o impeachment da Dilma e não quiseram ouvir quando os defensores dos trabalhadores, o PT e a esquerda brasileira unida dizia que era golpe ?

Aqueles trabalhadores que foram iludidos pela Fiesp, que os convenceu de ir pra rua se manifestar para dar suporte a sua campanha com o slogan Não vamos pagar o pato.

Os industriais da Fiesp se pagassem todos os impostos que devem ao governo estariam contribuindo efetivamente para que os trabalhadores, esses sim, que sempre pagam o pato, não pagassem o pato.

Antes mesmo de Temer tomar posse estas pessoas já podem perceber que um futuro com Temer seria um futuro amargo.

Não dizíamos que era golpe pura e simplesmente. Sabíamos que era golpe e vínhamos avisando e explicando o que significava ter Temer e a turma de Eduardo Cunha no poder.

Vínhamos listando todas as medidas antissociais que eles por questões de interesse de classe e de visão política iriam tomar. Aí está, agora eles mesmo estão confirmando o que pretendem fazer, se não nos mobilizarmos contra de todas as formas possíveis.

E sabe porque eles estão fazendo isso? Porque eles não precisam de voto popular. Eles só precisam da quadrilha que tem dentro do Congresso Nacional para arremessar absurdamente contra a Constituição e as leis brasileiras.

O que cabe a nós trabalhadores brasileiros, agora ? resistir, ocupar as ruas, cada praça, cada espaço, e não arredarmos mais o pé, para que direitos conquistados não nos sejam retirados.

A maior parte deste Congresso que ai está não nos representa. Aquela parte do Congresso composta de latifundiários, corruptos, fundamentalistas e defensores da ditadura militar não defende os interesses do Brasil.

Não vamos permitir que a sociedade brasileira seja golpeada como um todo e que direitos dos trabalhadores, especificamente, sejam roubados por verdadeiros ladrões de direitos travestidos de salvadores da pátria.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

OLHA ONDE PISA!!!

Andando em meio à floresta, um elefante quase esmagou um grilo. A atitude irritou o grilo que reclamou: olhe onde pisa! Foi a vez do elefante observar: você não existe, tente se olhar no espelho. Tentando engrossar a voz, o grilo exclamou: fique sabendo que a floresta não é sua. O diálogo ficou cada vez mais exaltado e irracional. Surpreendentemente, o grilo provocou: se você quiser guerra, haverá guerra! E foi marcada a grande batalha para o dia seguinte: o grilo com sua turma e o elefante com os seus aliados.

Numa clareira da floresta, na manhã seguinte, o elefante estava preparado para a guerra. Ele tinha receio de cair no ridículo. E se o grilo - simplesmente - não aparecesse? E se ele tivesse alguma inimaginável surpresa? Por via das dúvidas, o elefante convocou seus aliados: o leão, o tigre, o urso, o hipopótamo e o jacaré. A floresta estava silenciosa e não havia sinais do grilo. Quando o papagaio proclamou o início da batalha, de toda a parte surgiram nuvens de mosquitos, moscas, abelhas, vespas e formigas. Atacaram os adversários nos olhos, na boca e em todas as partes sensíveis. Depois de alguns minutos, o exército do elefante fugiu vergonhosamente e encontrou abrigo nas águas sujas de um pântano.

Os grandes têm força, enquanto a força dos pequenos está na união. Este é o segredo das cooperativas, dos sindicatos, das comunidades, dos diferentes grupos. A própria fé deve ser vivida em comunidade. A sabedoria popular garante: a união faz a força. É fácil quebrar uma vara, mas impossível dobrar um feixe de varas.

O Talmud, livro sagrado dos hebreus, fala das coisas fracas e fortes: “ Há dez coisas fortes. O ferro é forte, mas o fogo o funde. O fogo é forte, mas a água o extingue. A água é forte, mas as nuvens a evaporam. As nuvens são fortes, mas o vento as leva. O homem é forte, mas o medo o subjuga. O medo é forte, mas o sono o dissipa. O sono é forte, mas a morte é mais forte ainda. Apesar disso, a bondade é mais forte que a morte”.

Na vida cotidiana, a cada passo, vemos a fraqueza inteligente vencer a força. Uma frágil semente acaba afastando pedras e crescendo. Mas é, sobretudo, no relacionamento humano que a fraqueza vence a força. Você pode vencer um inimigo à força, mas ele estará pronto a reiniciar a luta. Somente desistirá da luta quando for vencido pela bondade.

Na educação, também, o amor e a bondade conseguem muito mais que a força, a disciplina e o castigo. A bondade demora um pouco mais, por vezes demora bastante, mas é uma maneira certa de triunfar. Algumas palavras são decisivas para o sucesso: união, partilha, misericórdia e, sobretudo, amor.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

CINISMO DE ONTEM E DE HOJE

Eu amo os cínicos gregos. Diógenes de Sínope, aquele da lanterna que saia em pleno dia a procura de um homem de verdade, um homem honesto, é meu preferido. Como nenhum outro filósofo da tradição ele desafiou os costumes, os valores dominantes, os consensos morais, as tradições e regras de comportamento que faz de um homem um homem pretensamente correto.

Ele era um abusado! Desprezava o intelectualismo de Platão, preferia a prática da virtude a o conhecimento do que é certo e o que é errado. E a vida virtuosa é para ele a vida natural, sem supérfluos e sem frescuras. Quem muito precisa, com nada se satisfaz e por isso ele vivia num barril para não ter nada que pudesse lamentar por ter perdido. Acreditava que a felicidade está no domínio de si e no controle interior que suporta as adversidades externas. E, sobretudo, na liberdade de espírito e de pensamento...

De Diógenes se preservou vários ditos e feitos memoráveis. Vou lembrar apenas alguns.

Quando, por exemplo, foi capturado para ser vendido como escravo e lhe perguntaram o que sabia fazer, Diógenes teria respondido: “Comandar os homens”, e deu ordens ao leiloeiro para chamá-lo, caso alguém quisesse comprar um senhor.

Um dia Diógenes estava tomando banho de sol e Alexandre, o Grande, chegou, pôs-se à sua frente e falou: “Pede-me o que quiseres!” Diógenes respondeu: “Sai da minha frente, deixe-me o meu sol”.

Perguntado por que as pessoas dão esmolas aos mendigos, mas não dão aos filósofos, Diógenes respondeu: “Por que pensam que podem tornar-se um dia aleijados ou cegos, porém filósofos nunca”.

Certa ocasião Alexandre, o grande, o encontrou e exclamou: ‘Sou Alexandre, o grande rei’ ao que Diógenes respondeu: ‘Sou Diógenes, o cão’.

Há uma série de ditos irônicos, sarcásticos, com sacadas pitorescas e presença de espírito prático que faz de Diógenes um filósofo sagaz e ao mesmo tempo desconcertante, instigador e, às vezes, arrogante.

Por exemplo, quando alguém lhe diz que era para repousar, pois estava velho, Diógenes responde: “Como? Se estivesse correndo num estádio eu deveria diminuir o ritmo ao me aproximar da chegada? Ao contrário, deveria aumentar a velocidade”. A um eunuco de mau caráter que escrevera na porta da sua casa ‘Não entre aqui nenhum mal’, Diógenes comentou: “E por onde entra o dono da casa?”. Vendo ratos subirem à sua mesa, o filósofo disse: “Vede! Até Diógenes sustenta parasitas”.

Platão definira o homem como um animal bípede, sem asas e recebeu aplausos por essa definição. Diógenes, que ironizava constantemente Platão, depenou um galo e o levou ao local das aulas, exclamando: “Eis o homem de Platão!”.

A alguém que lhe perguntou a que horas deveria almoçar a resposta de Diógenes foi: “Se fores rico, quando quiseres, se fores pobre, quando puderes’. Quando numa ocasião Diógenes viu um serviçal sendo arrastado pelos guardiões do templo, porque roubara uma taça pertencente ao tesouro sagrado, disse: “Os grandes ladrões arrastam o pequeno ladrão’. Quando viu um jovem que atirava pedras numa cruz Diógenes exclamou: “Muito bem! Atingirás o alvo’, querendo dizer com isso que se ele continuasse a apedrejar a cruz ele mesmo seria crucificado.

Certa feita Diógenes pediu esmola a uma estátua e a um transeunte que viu o feito e lhe perguntou a razão respondeu: “Para habituar-me pedir em vão”. E compelido pela pobreza a pedir uma esmola a alguém, acrescentou: “Se já deste a outro, dá-me também, se não, comece por mim”. Vendo uma mulher pendurada numa oliveira Diógenes exclamou: “Seria ótimo se todas as árvores produzissem frutas como essa”. Perguntaram-lhe o que havia feito para ser chamado de cão, e a resposta foi: “Balanço a cauda alegremente para quem me dá qualquer coisa, ladro para os que recusam e mordo os patifes”. A alguém que lhe perguntou se a morte era um mal, Diógenes respondeu: “Como poderia ser um mal se quando está presente não a percebemos”?

Que falta faz uma personalidade assim no nosso tempo! O que não faria e diria um Diógenes num tempo cínico como o nosso? Só que o nosso cinismo é outro. O cinismo atual é desprezo vil, sem causa, sem charme, sem inteligência, sem bom humor. Os cínicos atuais assaltam o poder, pisam no que há de mais sagrado, mas não em nome de alguma filosofia, mas em nome próprio, em nome do poder pelo poder, em nome do que há de mais baixo e vil. Diógenes, o cão, seria hoje um cínico crítico do cinismo dos homens do poder!

terça-feira, 3 de maio de 2016

A NOSSA CASA:TRÊS DE MAIO.

No dia 3 de Maio, Três de Maio comemora 61 anos de emancipação. Com certeza uma data que orgulha a todos os tresmaienses, pois comemora-se uma história municipal construída com a participação de todos os cidadãos. Nesta história ninguém é alheio, mas sim protagonista do município emancipado. Além de abranger o direito de pertencer e usufruir dos benefícios municipais, o cuidado com Três de Maio - nossa casa -, é um dever dos cidadãos.

Desde a Antiguidade, o homem sempre buscou viver em cidades, e uma decorrência disso é a necessidade de uma atuação participativa do cidadão. Nesta relação cidade e cidadão há mútua pertença e colaboração. A cidade dá identificação ao seu cidadão. E o cidadão, com sua participação, engrandece a cidade. É imprescindível a relação de mútua colaboração. Equivale a um permanente construir a identidade um do outro, e a identidade de ambos resultaria da unidade, cuja condição persegue toda história da cidade e dos cidadãos.

Sendo essa uma condição para a existência da cidade e do cidadão, parece lógico que todo o movimento das partes tem a garantia de um critério de convergência. Portanto, não cabe ruptura com uma das partes. Desta natureza, todo trabalho municipal está a serviço de seus cidadãos. E o movimento do cidadão deve estar tutelado na regra dos bons princípios morais, éticos e cívicos. Tanto para a cidade como para o cidadão cada um é um bem inestimável para o outro e exige pertença e mútua identificação. Aliás, este processo histórico de cumplicidade vem desde sua origem, da cidadania da Grécia Antiga, Romana, da Idade Média, Moderna, Contemporânea, e certamente assim continuará no futuro.

O filósofo grego Platão, em sua obra República, entende ser a cidade a polis, local de viver bem. Este local é a comunidade organizada, que abrange todos os indivíduos, suas diferenças, suas atividades, aqueles que sacrificam o múltiplo em prol da unidade. Para esta unidade convergem todos os cidadãos. A primeira preocupação da comunidade organizada é a pertença do indivíduo. Para Platão, a cidade é o local onde o indivíduo justo pode viver sem medo de ser condenado ao exílio ou à morte. Portanto, a cidade é base para a civilização. É solo em que o homem nasce livre e igual ao outro.

Gratos pela pertença à cidade celebremos os 61 anos de Três de Maio: nossa casa, local digno de se viver e de exercer relações de convivência com o outro.

 Para Liane, um amor de tresmaiense.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

UM GOLPE PARLAMENTAR E A VOLTA REACIONÁRIA DA RELIGIÃO, DA FAMÍLIA, DE DEUS E CONTRA A CORRUPÇÃO


Um golpe parlamentar e a volta reacionária da religião, da família, de Deus e contra a corrupção
Leonardo Boff*

Observando o comportamento dos parlamentares nos três dias em que discutiram a admissibilidade do impedimento da presidenta Dilma Rousseff parecia-nos ver criançolas se divertindo num jardim da infância. Gritarias por todo canto. Coros recitando seus mantras contra ou a favor do impedimento. Alguns vinham fantasiados com os símbolos de suas causas. Pessoas vestidas com a bandeira nacional como se estivessem num dia de carnaval. Placas com seus slogans repetitivos. Enfim, um espetáculo indigno de pessoas decentes de quem se esperaria um mínimo de seriedade. Chegou-se a fazer até um bolão de apostas como se fora um jogo do bicho ou de futebol.

Mas o que mais causou estranheza foi a figura do presidente da Câmara que presidiu a sessão, o deputado Eduardo Cunha. Ele vem acusado de muitos crimes e é réu pelo Supremo Tribunal Federal: um gangster julgando uma mulher decente contra a qual ninguém ousou lhe atribuir qualquer crime.

Precisamos questionar a responsabilidade do Supremo Tribunal Federal por ter permitido esse ato que nos envergonhou nacional e internacionalmente a ponto de o New York Times de 15 de abril escrever: “Ela não roubou nada, mas está sendo julgada por uma quadrilha de ladrões”. Que interesse secreto alimenta a Suprema Corte face a tão escandalosa omissão? Recusamos a idéia de que esteja participando de alguma conspiração.

Ocorreu na declaração de voto algo absolutamente desviante. Tratava-se de julgar se a presidenta havia cometido um crime de irresponsabilidade fiscal junto a outros manejos administrativos das finanças, base jurídica para um processo político de impedimento que implica destituir a presidenta de seu cargo, conseguido pelo voto popular majoritário. Grande parte dos deputados sequer se referiu a essa base jurídica, as famosas pedaladas fiscais etc. Ao invés de se ater juridicamente ao eventual crime, deram asas à politização da insatisfação generalizada que corre pela sociedade em razão da crise econômica, do desemprego e da corrupção na Petrobrás. Essa insatisfação pode representar um erro político da presidenta mas não configura um crime.

Como num ritornello, a grande maioria se concentrou na corrupção e nos efeitos negativos da crise. Apostrofaram hipocritamente o governo de corrupto quando sabemos que um grande número de deputados está indiciado em crimes de corrupção. Boa parte deles se elegeu com dinheiro da corrupção política, sustentada pelas empresas. Generalizando, com honrosas exceções, os deputados não representam os interesses coletivos mas aqueles das empresas que lhes financiaram as campanhas.

Importa notar um fato preocupante: emergiu novamente como um espantalho a velha campanha que reforçou o golpe militar de 1964: as marchas da religião, da família, de Deus e contra a corrupção. Dezenas de parlamentares da bancada evangélica claramente fizeram discursos de tom religioso e invocando o nome de de Deus. E todos, sem exceção, votaram pelo impedimento. Poucas vezes se ofendeu tanto o segundo mandamento da lei de Deus que proibe usar o santo nome de Deus em vão. Grande parte dos parlamentares de forma puerial dedicavam seu voto à família, à esposa, à avó, aos filhos e aos netos, citando seus nomes, numa espetacularização da política de reles banalidade. Ao contrario, aqueles contra o impedimento argumentavam e mostravam um comportamento decente.

Fez-se um julgamento apenas politico sem embasamento jurídico convicente, o que fere o preceito constitucional. O que ocorreu foi um golpe parlamentar inaceitável.

Os votos contra o impedimento não foram suficientes. Todos saimos diminuidos como nação e envergonhados dos representantes do povo que, na verdade, não o representam nem pretendem mudar as regras do jogo político.

Agora nos resta esperar a racionalidade do Senado que irá analisar a validade ou não dos argumentos jurídicos, base para um julgamento político acerca de um eventual crime de responsabilidade, negado por notáveis juristas do país.

Talvez não tenhamos ainda suficientemente amadurecido como povo para poder realizar uma democracia digna deste nome: a tradução para o campo da politica da soberania popular.

domingo, 1 de maio de 2016

DIA DO TRABALHO OU DIA DO TRABALHAOR


Desde o fim do século XIX, nos Estados Unidos da América, no Brasil e em vários outros países ocidentais, o dia 1º de maio é tido como o Dia do Trabalho ou o Dia do Trabalhador. Tal data foi escolhida em razão de uma onda de manifestações e conflitos violentos que se desencadeou a partir de uma greve geral. Essa greve paralisou os parques industriais da cidade de Chicago(EUA), no dia 1º de maio de 1886. Para compreendermos os motivos que levaram os trabalhadores a tal greve e o porquê da escolha desse dia como marco de memória, é necessário conhecer um pouco do contexto do período.

Sabemos que, durante o século XVIII, ocorreu, em solo inglês, um dos acontecimentos mais importantes da história da humanidade: a Revolução Industrial. Da Inglaterra, o processo de industrialização alastrou-se, inicialmente, pela Europa e, depois, para outros continentes, como o americano. Uma das consequências mais patentes da Revolução Industrial foi a formação de grandes centros urbanos, fato que gerou, consequentemente, uma grande concentração de pessoas em seu entorno, sobretudo de operários, cujo trabalho nutria as indústrias.

A formação da classe operária demandou uma série de necessidades que nem sempre era efetivamente cumprida pela burguesia industrial. As horas trabalhadas eram, muitas vezes, excessivas e a relação entre empregado e empregador nem sempre era amistosa. Nesse contexto, surgiram os sindicatos e os movimentos de trabalhadores, orientados por ideologias de esquerda, como o anarquismo (anarcossindicalismo) e o comunismo.

A principal forma de ação das organizações de trabalhadores com vistas à exigência de direitos era a greve. A greve geral tornou-se um instrumento de pressão frequentemente usado. Entretanto, às greves também se juntavam outras práticas, como a ação direta, que consistia em manifestações violentas. A greve geral de 1º de maio de 1886, em Chicago, resultou em forte repressão policial. Tal repressão estimulou ainda mais manifestações que transcorreram nos dias seguintes.

No dia 04 de maio, em uma manifestação na praça Haymarket, na cidade referida, uma bomba explodiu matando sete e ferindo dezenas de pessoas, entre policiais e manifestantes. A explosão de tal bomba provocou o revide dos policias com tiros sobre os manifestantes. Outras dezenas de pessoas morreram na mesma praça. Esse conjunto de eventos, desencadeados a parir de 1º de maio, tornou-se símbolo para as manifestações e lutas por direitos trabalhistas nas décadas seguintes em várias partes do mundo.

No caso específico do Brasil, a menção ao dia 1º de maio começou já na década de 1890, quando a República já estava instituída e começava um processo acentuado do desenvolvimento da indústria brasileira. Nas duas primeiras décadas do século XX, começaram a formar-se os movimentos de trabalhadores organizados, sobretudo em São Paulo e no Rio de janeiro. Entre esses movimentos, também figuravam ideologias como o anarcossindicalismo, de matriz italiana, e o comunismo.

Em 1917, a cidade de São Paulo protagonizou uma das maiores greves gerais já registradas. A força que o movimento dos trabalhadores adquiriu era tamanha que, em 1925, o então presidente Arthur Bernardes acatou a sugestão que já ventilava em várias partes do mundo de reservar o dia 1º de maio como Dia do Trabalho no Brasil. Dessa forma, desde esse ano o 1º de maio passou a ser feriado nacional. Na época do Estado Novo varguista, a data era deliberadamente usada para eventos de autopromoção do governo, com festas para os trabalhadores e muitos discursos demagógicos.

JESUS DO POVO, NÃO POPULISTA.

Em Jesus, tudo chama atenção, mas algo é mais notório nos Evangelhos. Trata-se de sua aceitação popular, por ser homem do povo. Para os chefes de Israel, Jesus foi um problema que despontou como indesejável, por seu procedimento que não se enquadrava em suas perspectivas messiânicas. Porém, o povo simples encontra em Jesus uma resposta que vem confirmar: o que é de Deus, o que é bom, o que é luz e um tempo novo que vai começar. Este é o Reino chegando!

Foi entre os pescadores e camponeses que Jesus recrutou os seus primeiros discípulos e escolheu seus apóstolos. Jesus não tinha qualquer preconceito. Como homem do povo recebia os publicanos e se hospedava em suas casas. Conhecia a verdadeira situação do povo sofrido e excluído; sintonizava com sua mentalidade religiosa e suas aspirações políticas.

Jesus não viveu num mundo ideal, numa Palestina de sonhos, onde só havia problemas de ordem religiosa. Viveu num país ocupado por estrangeiros e pelos zelotes, guerrilheiros daquele tempo. Quando inaugurou sua pregação, anunciando a chegada do reino, suas palavras repercutiam fortemente em seus contemporâneos inquietos, esperançosos, mas também confusos, confiavam que Jesus declarasse guerra santa aos romanos.

A expectativa messiânica colocou Jesus num cenário conturbado e perigoso, mas o povo o procurava sempre mais e se comprimia para ouvi-lo, vê-lo e alimentar suas esperanças. Jesus era simples e identificado com seu povo. Não era uma pessoa estudada, nem era da classe alta, nem sacerdotal. O povo sintonizava muito com sua mensagem, pois falava tudo diferente e dizia coisas novas que tocavam a vida.

O que impressionava o povo em Jesus era seu jeito de ensinar e o poder que saia dele para purificar. “Todos se admiravam perguntando uns aos outros: Que é isso? Um ensinamento novo com autoridade! Até mesmo aos espíritos impuros ele dá ordens e eles lhe obedecem!”. Seu modo de ensinar e a questão da pureza eram o espinho no pé que incomodava as autoridades religiosas da Galileia.

O povo notava a diferença e ficava encantado com o que vinha acontecendo. Todos viam o mesmo Jesus, escutavam as mesmas palavras e observavam os mesmos fatos, mas a reação não era a mesma. O povo simples vibrava, mas as autoridades se irritavam. Se de um lado o povo sintonizava, de outro, os fariseus e os escribas se viam ameaçados e preocupados em defender a religião.

Na verdade, Jesus de Nazaré quis viver até as últimas consequências sua condição de homem do povo. Sobre ele recaiam todas as suspeitas, mas Ele sempre prosseguia seu caminho e assumia até a última consequência a fidelidade à sua missão. Como qualquer homem do povo não conheceu nenhum privilégio. Ninguém jamais intercedeu por ele, a não ser depois de sua morte e, mesmo assim, para obter o seu cadáver.

Jesus era homem do povo, mas em momento algum permitiu ser populista. O risco do fanatismo era de todo possível diante dos milagres, mas ele sempre proibia qualquer declaração de sua intervenção prodigiosa.