Mais do que uma época de mudanças, estamos vivendo uma mudança de época. É uma passagem radical. Todos sentem essa situação. Devido a esse fato, a sociedade, como um todo, está tonta. Perdeu a direção. Está bebeda. Cumpre tarefas, mas não sabe para quê e para quem e para onde ir. Simplesmente se dedica a correr e a sobreviver. Afinal de contas, alguém me colocou neste planeta terra e tenho que suportar-me nos meus oitenta a cem anos. E como numa ventania que vem e que vai, as pessoas se amam e se odeiam, se criam e se matam, se encontram e desencontram. A grande mudança de época roubou a tranquilidade e a serenidade da vida. Assim mesmo, no coração de cada ser humano permanecem perguntas que todos devem responder, mas nem sempre as respostas satisfazem.
Quem sou eu? Milhares de filósofos e pensadores passaram a vida tentando responder a essa pergunta. Milhares de livros foram escritos sobre essa questão. Os problemáticos sentam angustiados diante de psicólogos e psiquiatras e são perguntados: quem é você? O que você sabe de você? O que você sente? O que você quer? O grande pensador Sócrates aconselhava aos alunos: “Conhece-te a ti mesmo.” Este é o princípio de toda a sabedoria. Você já começou esta tarefa ou vai esperar para quando não houver mais tempo?
De onde vim? Poucas pessoas olham para traz. Há uma história nesta humanidade. A Bíblia fala numa história sagrada, de um começo privilegiado: criaturas saídas das mãos de Deus, feitas à sua imagem e semelhança. Mas, ao lado desse ensinamento, há muitos outros. Todos com suas razões. É isso que torna linda a história da humanidade. Ninguém sabe do seu começo e nem como foi seu começo. Se a pessoa tem sua origem das mãos de Deus, ou da evolução, ou se chegou voando de outros sistemas estelares, pouco importa. Importa descobrir a grandeza que somos, os sonhos e os desejos infinitos que nos habitam, e que tudo isso não pode ter nascido ao acaso, mas que temos uma origem especial e sagrada. Nossos sonhos e desejos nos revelam que somos filhos do eterno.
O que vim fazer aqui? É a grande questão. Tenho uma missão ou simplesmente sou um número nesta humanidade? Sou um ser irrepetível e único ou vou dançando de reencarnação em reencarnação, ficando voltado em vidas passadas, que não existiram? Prefiro sentir-me único e irrepetível, com identidade própria, criatura escolhida e abençoada, amada e predestinada a tornar-me participante da vida de meu Criador!
Para onde vou? Simplesmente para um túmulo ou meus sonhos e desejos ultrapassam o túmulo? Ultrapassam o tempo e o espaço? É a grande pergunta. Será que tudo acaba com a morte? Para o materialista e o ladrão, para o assassino e o destruidor, para o ganancioso e o ambicioso, tudo parece acabar ali mesmo na sepultura. Há uma resposta radical: aquilo que fazemos com amor e por amor, com solidariedade e construção, dura para sempre. Cada pessoa vai construindo sua eternidade ou destruição. É uma escolha radicalmente pessoal.
domingo, 17 de agosto de 2014
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
É PRECISO TER: TEMPO E AMOR NA EDUCAÇÃO.
Um menino de cinco anos recebeu na escola uma tarefa: fazer um desenho sobre sua família. Ele desenhou o pai, a mãe e, naturalmente, ele mesmo. Fez um círculo vermelho ao redor e percebeu que faltava alguma coisa. Chegando em casa, pegou a folha e dirigiu-se à mãe, que preparava a janta. Mãe, como a gente escreve... Irritada a mãe observou: não vê que estou ocupada! Vá brincar lá fora e feche a porta. E o menino guardou o desenho no bolso e foi brincar com o cachorro. No dia seguinte, tentou de novo, desta vez com o pai. Desenho na mão, o menino pediu: pai, como se escreve... Que coisa mais idiota, resmungou o pai, não vê que estou lendo o jornal. Vá brincar lá fora e fecha a porta! E o menino, mais uma vez, foi brincar com o cachorro! No dia seguinte, na escola, disse que não conseguira fazer o dever.
Passaram-se 28 anos e o menino tornara-se adulto, casado, com diploma universitário. Estava preparando, no computador, defesa para um cliente numa questão importante. A filhinha - cinco anos - puxou sua camisa e quis saber: pai, como se escreve amor? E o pai voltou no tempo, recuperou seu visual com cinco anos. Depois tomou a filhinha no colo, beijou-a ternamente e disse: o pai vai te ensinar como se escreve amor. E guiando os pequeninos dedos da filha no teclado, escreveu a palavra mágica - amor - e depois ampliou-a o máximo que podia, colorindo-a de verde. E a menina saiu em disparada e gritou: mãe, eu já sei escrever amor. E entregou-lhe a folha. Ao pé da página uma frase, que não fazia sentido para a criança, mas que a mãe compreendeu perfeitamente: Amor se escreve com estas letras: tempo.
A família moderna quase não tem tempo. Muitas vezes pai e mãe trabalham fora. Em casa existem muitas atividades, além da novela, do futebol e do noticiário. E os filhos precisam buscar as respostas e o carinho fora de casa. No passado, a criança lia a vida através dos olhos dos pais, da professora e do padre. Hoje, família, escola e igreja têm sua importância drasticamente reduzida e os filhos buscam fontes alternativas, muitas vezes poluídas.
A educação dos filhos é a tarefa mais importante dos pais. Eles precisam lutar pela vida, mas têm obrigação de reservar tempo e amor para os filhos. O verbo amar precisa ser conjugado em todos os tempos e modos. Tempo é questão de preferência. Quantidade e qualidade precisam marcar o tempo.
Um grande educador, Padre Charboneau, escreveu precioso lembrete, intitulado “Só uma vez...”. “Só uma vez teu filho terá três anos e estará doido para sentar em teu colo. Só uma vez ele terá cinco anos e quererá brincar contigo. Só uma vez terá dez anos e desejará estar contigo em teu trabalho. Só uma vez será adolescente e verá em ti um amigo em quem confiar. Só uma vez estará na universidade e quererá trocar ideias contigo. Se perderes estas oportunidades, perderás teu filho e ele não terá pais!”.
Passaram-se 28 anos e o menino tornara-se adulto, casado, com diploma universitário. Estava preparando, no computador, defesa para um cliente numa questão importante. A filhinha - cinco anos - puxou sua camisa e quis saber: pai, como se escreve amor? E o pai voltou no tempo, recuperou seu visual com cinco anos. Depois tomou a filhinha no colo, beijou-a ternamente e disse: o pai vai te ensinar como se escreve amor. E guiando os pequeninos dedos da filha no teclado, escreveu a palavra mágica - amor - e depois ampliou-a o máximo que podia, colorindo-a de verde. E a menina saiu em disparada e gritou: mãe, eu já sei escrever amor. E entregou-lhe a folha. Ao pé da página uma frase, que não fazia sentido para a criança, mas que a mãe compreendeu perfeitamente: Amor se escreve com estas letras: tempo.
A família moderna quase não tem tempo. Muitas vezes pai e mãe trabalham fora. Em casa existem muitas atividades, além da novela, do futebol e do noticiário. E os filhos precisam buscar as respostas e o carinho fora de casa. No passado, a criança lia a vida através dos olhos dos pais, da professora e do padre. Hoje, família, escola e igreja têm sua importância drasticamente reduzida e os filhos buscam fontes alternativas, muitas vezes poluídas.
A educação dos filhos é a tarefa mais importante dos pais. Eles precisam lutar pela vida, mas têm obrigação de reservar tempo e amor para os filhos. O verbo amar precisa ser conjugado em todos os tempos e modos. Tempo é questão de preferência. Quantidade e qualidade precisam marcar o tempo.
Um grande educador, Padre Charboneau, escreveu precioso lembrete, intitulado “Só uma vez...”. “Só uma vez teu filho terá três anos e estará doido para sentar em teu colo. Só uma vez ele terá cinco anos e quererá brincar contigo. Só uma vez terá dez anos e desejará estar contigo em teu trabalho. Só uma vez será adolescente e verá em ti um amigo em quem confiar. Só uma vez estará na universidade e quererá trocar ideias contigo. Se perderes estas oportunidades, perderás teu filho e ele não terá pais!”.
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
O PASSADO E O FUTURO.
Sucessivas gerações se encantaram com as fábulas. Trata-se de um gênero literário pedagógico que, quase sempre, empresta voz aos animais e árvores. Através de pequenos fatos, a fábula ilustra pontos do bom senso. Esopo, na Grécia antiga, parece ter sido o inventor da fábula. Mais perto de nós, no século XVII, o francês Jean de La Fontaine deu novo impulso, criando alegorias que a humanidade nunca esquecerá.
Uma das mais conhecidas fábulas de La Fontaine conta a história da cigarra e da formiga. Ao longo do verão a cigarra fez festa, cantou, sem preocupações com o futuro. Enquanto isso, a prudente formiga abarrotou sua casa de alimentos. Quando chegou o inverno, a cigarra foi pedir auxílio. Inflexível, a formiga aconselhou: você cantou durante todo o verão, pois dance agora!
Foi criada uma nova versão desta fábula. Ela começa da mesma maneira, com a formiga trabalhando e a cigarra usufruindo a vida. Quando começou o frio, a formiga, estressada, fechou-se em sua casa, onde havia alimento para muitos invernos. Ao tocar a campainha, a formiga comentou: deve ser a cigarra... E de fato era, mas bem produzida e pilotando uma esplêndida Ferrari. A cigarra pediu que a formiga desse uma olhada em sua casa, pois ela passaria o inverno em Paris. E contou que fora contratada para se apresentar numa famosa casa de espetáculos, com um fabuloso cachê. Gentil, a cigarra pediu se a formiga queria alguma coisa de Paris. Sim, quero, disse a formiga: se encontrar um tal de La Fontaine, em meu nome, pode enchê-lo de caroços.
Uma afirmação popular garante que nossas virtudes são nossos defeitos. A pessoa que é demasiadamente boa corre o risco de ser enrolada; aquela que economiza demais, pode acabar avarenta; alguém excessivamente generoso pode prejudicar a própria família. O costumeiro bom senso garante que a virtude está no meio termo.
É bastante comum a pessoa que passa a vida privando-se de tudo, com medo de que poderá passar necessidades mais tarde. Também acontece o contrário, com pessoas que esbanjam tudo e acabam na pior. O Evangelho aconselha: não vos preocupeis (Mt 6,3). Isso não significa descaso diante da vida. Preocupar-se é ocupar-se antes do tempo. A pessoa de bom senso resolve um problema por vez, sempre a seu tempo. O passado e o futuro têm sua importância, mas o tempo presente é o mais precioso e deve ser aproveitado. O passado não é mais nosso, o futuro ainda não é nosso. Inteiramente nosso é o presente, que devemos aproveitar, sempre com alguma preocupação no futuro. É ainda o Evangelho que aconselha armazenar tesouros para o céu.
Se você viver bem o momento que passa, terá todas as chances de enfrentar com alegria o futuro. O ideal é um meio termo entre o dinamismo e a preocupação da formiga, com a festa e a gratuidade da cigarra. De resto, São Francisco não apreciava a avarenta formiga, mas amava a festiva cigarra.
Foi criada uma nova versão desta fábula. Ela começa da mesma maneira, com a formiga trabalhando e a cigarra usufruindo a vida. Quando começou o frio, a formiga, estressada, fechou-se em sua casa, onde havia alimento para muitos invernos. Ao tocar a campainha, a formiga comentou: deve ser a cigarra... E de fato era, mas bem produzida e pilotando uma esplêndida Ferrari. A cigarra pediu que a formiga desse uma olhada em sua casa, pois ela passaria o inverno em Paris. E contou que fora contratada para se apresentar numa famosa casa de espetáculos, com um fabuloso cachê. Gentil, a cigarra pediu se a formiga queria alguma coisa de Paris. Sim, quero, disse a formiga: se encontrar um tal de La Fontaine, em meu nome, pode enchê-lo de caroços.
Uma afirmação popular garante que nossas virtudes são nossos defeitos. A pessoa que é demasiadamente boa corre o risco de ser enrolada; aquela que economiza demais, pode acabar avarenta; alguém excessivamente generoso pode prejudicar a própria família. O costumeiro bom senso garante que a virtude está no meio termo.
É bastante comum a pessoa que passa a vida privando-se de tudo, com medo de que poderá passar necessidades mais tarde. Também acontece o contrário, com pessoas que esbanjam tudo e acabam na pior. O Evangelho aconselha: não vos preocupeis (Mt 6,3). Isso não significa descaso diante da vida. Preocupar-se é ocupar-se antes do tempo. A pessoa de bom senso resolve um problema por vez, sempre a seu tempo. O passado e o futuro têm sua importância, mas o tempo presente é o mais precioso e deve ser aproveitado. O passado não é mais nosso, o futuro ainda não é nosso. Inteiramente nosso é o presente, que devemos aproveitar, sempre com alguma preocupação no futuro. É ainda o Evangelho que aconselha armazenar tesouros para o céu.
Se você viver bem o momento que passa, terá todas as chances de enfrentar com alegria o futuro. O ideal é um meio termo entre o dinamismo e a preocupação da formiga, com a festa e a gratuidade da cigarra. De resto, São Francisco não apreciava a avarenta formiga, mas amava a festiva cigarra.
QUAL O CONVÊNIO?
Há médicos que agem como anjos. E há agentes de medicina que de anjo nada possuem. Chega a ser diabólico o procedimento de algumas empresas. O paciente é obrigado a lutar por seus direitos mais elementares. A alegação é a de sempre: o convênio não cobre aqueles custos. O conveniado trate de arranjar uma doença que o convênio cubra.
Recentemente, uma jovem vitima de erro médico percorreu todos os caminhos possíveis para corrigir a erro, que a impedia de exercer suas atividades diárias. Sua vida, literalmente, parou. Um médico empurrava para o outro e o convênio alegava mil desculpas. Uma delegada condoeu-se e levou o caso à juíza que determinou que o convênio incorresse com as despesas, que não seriam pequenas. Quase 20 meses para usufruir de um simples direito que, se tivesse dinheiro, conseguiria em duas semanas.
Uma outra, verificado um câncer de urgência urgentíssima, teria que despender o equivalente a três dos seus salários, dinheiro do qual não dispunha. A resposta do convênio foi que não cobria tais despesas. Autorizariam só quando o câncer estivesse em estado avançado? Alguém da família ajudou. Se esperasse, teria amargado meses na fila de espera.
Histórias como essas estão no cotidiano dos pobres do Brasil. Há exceções, mas é triste pensar que são milhares os que adiam o tratamento de maneira fatal, porque o convênio que decide para além dos médicos, não cobre. O governo precisa descobrir esses convênios eficientes na hora de cobrar, mas renitentes na hora de cobrir!
Recentemente, uma jovem vitima de erro médico percorreu todos os caminhos possíveis para corrigir a erro, que a impedia de exercer suas atividades diárias. Sua vida, literalmente, parou. Um médico empurrava para o outro e o convênio alegava mil desculpas. Uma delegada condoeu-se e levou o caso à juíza que determinou que o convênio incorresse com as despesas, que não seriam pequenas. Quase 20 meses para usufruir de um simples direito que, se tivesse dinheiro, conseguiria em duas semanas.
Uma outra, verificado um câncer de urgência urgentíssima, teria que despender o equivalente a três dos seus salários, dinheiro do qual não dispunha. A resposta do convênio foi que não cobria tais despesas. Autorizariam só quando o câncer estivesse em estado avançado? Alguém da família ajudou. Se esperasse, teria amargado meses na fila de espera.
Histórias como essas estão no cotidiano dos pobres do Brasil. Há exceções, mas é triste pensar que são milhares os que adiam o tratamento de maneira fatal, porque o convênio que decide para além dos médicos, não cobre. O governo precisa descobrir esses convênios eficientes na hora de cobrar, mas renitentes na hora de cobrir!
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
MUITA OCUPAÇÃO, MEMOS VIDA.
Parece que todos nos tornamos donos do mundo. Temos um senso de posse muito grande! Todos ocupados demais. O tempo foi mal dividido. Uma hora é curta demais. O dia deveria ter trinta horas. Vinte e quatro horas são poucas. A semana é traidora. Começamos e logo está nos anunciando o sábado. O mês passa depressa demais. O ano é cruel. Não nos avisa, passa depressa e nos envelhece. E porque estamos demais ocupados e preocupados, nos tornamos abobados, esquecendo de viver.
Fisicamente não fazemos exercícios. Nós, os seres caminhantes, esquecemos de caminhar. Não nos alimentamos bem, porque temos pressa e preferimos uma comida rápida a uma refeição prazerosa. Dormimos mal e pouco, e essa atitude se reflete no cansaço e no desgosto de fazer as tarefas costumeiras. Estamos sempre com obrigações atrasadas, com serviços a fazer. Temos a sensação de estar sempre atrasados. Esquecemos e não temos tempo de sentar e sentir que existimos. Não nos lembramos de fazer uma respiração mais profunda e relaxante. Tudo isso porque estamos sempre ocupados ou preocupados.
Emocionalmente vivemos estraçalhados em nossas relações pessoais. Os relacionamentos necessitam de tempo e entrega confiante. Não será esse um dos motivos de muitos homens e mulheres trocarem de relacionamentos muito seguidamente? Não serão os relacionamentos muito superficiais, que qualquer descontrole emocional desfaz, por não dar-se tempo? Vemos que as pessoas sofrem com isso, as crianças se sentem coisas e a sociedade se torna um mercado, um relacionamento mercantil. Falta coração no pulsar do vai e vem dos relacionamentos. Parece que os animais nos ensinam em seus relacionamentos. Eles se dão tempo e afetividade.
Intelectualmente somos apenas profissionais. Estudamos e lemos em vista do ganhar mais dinheiro e de ser mais eficaz no trabalho. Isso é bom. Mas basta? As famílias reservam e dedicam um espaço para o televisor e a geladeira, para o fogão e o roupeiro, para os perfumes e os remédios, mas dificilmente reservam um espaço para livros, revistas e jornais. Porque estamos ocupados demais não nos damos tempo para a leitura que favorece o crescimento humano e espiritual e para estarmos informados das mudanças de nossa sociedade.
Espiritualmente dispensamos as relações de amor com Deus e com o próximo. Em geral as temos como tempo perdido. Ou são buscadas somente nas horas de “pronto-socorro” e de “emergência.” A espiritualidade se tornou descartável. Usa-se e joga-se fora. Trocasse de espiritualidade e de igreja conforme as conveniências. Não dedicamos tempo para nos conectar conosco mesmos e nos programarmos para um crescimento eterno.
A pergunta é essa: o que é que nos faz estar sempre tão ocupados?
Na verdade, estamos sempre ocupados em fazer um pouco de tudo e, de repente, fazendo coisas que não terão o menor significado daqui a alguns anos.
Fisicamente não fazemos exercícios. Nós, os seres caminhantes, esquecemos de caminhar. Não nos alimentamos bem, porque temos pressa e preferimos uma comida rápida a uma refeição prazerosa. Dormimos mal e pouco, e essa atitude se reflete no cansaço e no desgosto de fazer as tarefas costumeiras. Estamos sempre com obrigações atrasadas, com serviços a fazer. Temos a sensação de estar sempre atrasados. Esquecemos e não temos tempo de sentar e sentir que existimos. Não nos lembramos de fazer uma respiração mais profunda e relaxante. Tudo isso porque estamos sempre ocupados ou preocupados.
Emocionalmente vivemos estraçalhados em nossas relações pessoais. Os relacionamentos necessitam de tempo e entrega confiante. Não será esse um dos motivos de muitos homens e mulheres trocarem de relacionamentos muito seguidamente? Não serão os relacionamentos muito superficiais, que qualquer descontrole emocional desfaz, por não dar-se tempo? Vemos que as pessoas sofrem com isso, as crianças se sentem coisas e a sociedade se torna um mercado, um relacionamento mercantil. Falta coração no pulsar do vai e vem dos relacionamentos. Parece que os animais nos ensinam em seus relacionamentos. Eles se dão tempo e afetividade.
Intelectualmente somos apenas profissionais. Estudamos e lemos em vista do ganhar mais dinheiro e de ser mais eficaz no trabalho. Isso é bom. Mas basta? As famílias reservam e dedicam um espaço para o televisor e a geladeira, para o fogão e o roupeiro, para os perfumes e os remédios, mas dificilmente reservam um espaço para livros, revistas e jornais. Porque estamos ocupados demais não nos damos tempo para a leitura que favorece o crescimento humano e espiritual e para estarmos informados das mudanças de nossa sociedade.
Espiritualmente dispensamos as relações de amor com Deus e com o próximo. Em geral as temos como tempo perdido. Ou são buscadas somente nas horas de “pronto-socorro” e de “emergência.” A espiritualidade se tornou descartável. Usa-se e joga-se fora. Trocasse de espiritualidade e de igreja conforme as conveniências. Não dedicamos tempo para nos conectar conosco mesmos e nos programarmos para um crescimento eterno.
A pergunta é essa: o que é que nos faz estar sempre tão ocupados?
Na verdade, estamos sempre ocupados em fazer um pouco de tudo e, de repente, fazendo coisas que não terão o menor significado daqui a alguns anos.
sábado, 9 de agosto de 2014
POESIA E PROSA.
Disse um dos mais inspirados poetas alemães : “É poeticamente que o ser humano habita a Terra”. Completou-o mais tarde um pensador francês, : “É também prosaicamente que o ser humano habita a Terra”. Poesia e prosa, além de gêneros literários, expressam dois modos distintos de ser.
A poesia supõe a criação que faz com que a pessoa se sinta tomada por uma força maior que ela, que lhe traz conexões inusitadas, iluminações novas, rumos novos. Sob a força da criação, a pessoa canta, sai da rotina e assume caminhos diferentes. Emerge então o xamã que se esconde dentro de cada um, aquela disposição que nos faz sintonizar com as energias do universo, que capta o pulsar do coração do outro, da natureza e do próprio Deus. Por esta capacidade se desocultam surpreendentes sentidos do real. “Habitar poeticamente a Terra” significa senti-la como algo vivo, evocativo, grandioso e mágico. A Terra são paisagens, cores, odores, imensidão, fascínio e mistério.
Como não se extasiar diante da majestade da floresta amazônica com suas árvores quais mãos ao alto tentando tocar as nuvens, com o emaranhado de seus cipós e trepadeiras, com as nuances sutis de seus verdes, vermelhos e amarelos, com os trinados das aves e a profusão de frutos? Como não quedar-se boquiaberto pela imensidão das águas que se espraiam mato adentro e descem molemente para o oceano? Como não sentir-se tomado de temor reverencial quando se anda horas e horas pela floresta virgem como me tocou várias vezes com Chico Mendes? Com não sentir-se pequeno, perdido, bichinho insignificante face à incontável biodiversidade? Habitamos poeticamente o mundo quando sentimos na pele o frescor da manhã, quando padecemos sob a canícula do sol a pino, quando serenamos com o cair esmaecido da tarde, quando nos invade o mistério da escuridão da noite. Estremecemos, vibramos, nos enternecemos, nos aterramos extasiados diante da Terra em sua inesgotável vitalidade e no encontro com a pessoa amada. Então todos vivemos o modo de ser poético.
Lamentavelmente, são cegos e surdos e vítimas da lobotomia do paradigma positivista moderno aqueles que veem a Terra simplesmente como laboratório de elementos físico-químicos, como um conglomerado desconexo de coisas justapostas. Não. Ela é viva, Mãe e Pacha Mama.
Mas habitamos também prosaicamente a Terra. A prosa recolhe o cotidiano e o dia-a-dia cinzento, feito de tensões familiares e sociais, com os horários e os deveres profissionais, com discretas alegrias e disfarçadas tristezas. Mas o prosaico esconde também valores inestimáveis, descobertos depois de longa internação num hospital ou quando regressamos, pressurosos, após penosos meses fora de casa. Nada mais suave que o desenrolar sereno e doce dos horários e dos afazeres caseiros e profissionais. Temos a sensação de uma navegação tranquila pelo mar da vida.
Poético e prosaico convivem, se complementam e se revezam de tempos em tempos. Temos que zelar pelo poético e pelo prosaico de nossas vidas, pois ambos se complementam e estão ameaçados de banalização.
A cultura de massas desnaturou o poético. O lazer que seria ocasião de ruptura do prosaico foi aprisionado pela cultura do entretenimento que incita ao excesso, ao consumo de álcool, de drogas e de sexo. É um poético domesticado, sem êxtase, um desfrute e sem encantamento.
O prosaico foi transformado em simples luta darwiniana pela sobrevivência, extenuando as pessoas com trabalhos monótonos, sem esperança de gozar de merecido lazer. E quando chega o lazer, ficam reféns daqueles que já pensaram tudo para elas, organizaram suas viagens e fabricaram-lhes experiências inesquecíveis. E conseguiram. Mas como tudo é artificialmente induzido, o efeito final é um doloroso vazio existencial. E aí dá-lhes depressivos.
Saber viver com leveza o prosaico e com entusiasmo o poético é indicativo de uma vida densamente humana.
A poesia supõe a criação que faz com que a pessoa se sinta tomada por uma força maior que ela, que lhe traz conexões inusitadas, iluminações novas, rumos novos. Sob a força da criação, a pessoa canta, sai da rotina e assume caminhos diferentes. Emerge então o xamã que se esconde dentro de cada um, aquela disposição que nos faz sintonizar com as energias do universo, que capta o pulsar do coração do outro, da natureza e do próprio Deus. Por esta capacidade se desocultam surpreendentes sentidos do real. “Habitar poeticamente a Terra” significa senti-la como algo vivo, evocativo, grandioso e mágico. A Terra são paisagens, cores, odores, imensidão, fascínio e mistério.
Como não se extasiar diante da majestade da floresta amazônica com suas árvores quais mãos ao alto tentando tocar as nuvens, com o emaranhado de seus cipós e trepadeiras, com as nuances sutis de seus verdes, vermelhos e amarelos, com os trinados das aves e a profusão de frutos? Como não quedar-se boquiaberto pela imensidão das águas que se espraiam mato adentro e descem molemente para o oceano? Como não sentir-se tomado de temor reverencial quando se anda horas e horas pela floresta virgem como me tocou várias vezes com Chico Mendes? Com não sentir-se pequeno, perdido, bichinho insignificante face à incontável biodiversidade? Habitamos poeticamente o mundo quando sentimos na pele o frescor da manhã, quando padecemos sob a canícula do sol a pino, quando serenamos com o cair esmaecido da tarde, quando nos invade o mistério da escuridão da noite. Estremecemos, vibramos, nos enternecemos, nos aterramos extasiados diante da Terra em sua inesgotável vitalidade e no encontro com a pessoa amada. Então todos vivemos o modo de ser poético.
Lamentavelmente, são cegos e surdos e vítimas da lobotomia do paradigma positivista moderno aqueles que veem a Terra simplesmente como laboratório de elementos físico-químicos, como um conglomerado desconexo de coisas justapostas. Não. Ela é viva, Mãe e Pacha Mama.
Mas habitamos também prosaicamente a Terra. A prosa recolhe o cotidiano e o dia-a-dia cinzento, feito de tensões familiares e sociais, com os horários e os deveres profissionais, com discretas alegrias e disfarçadas tristezas. Mas o prosaico esconde também valores inestimáveis, descobertos depois de longa internação num hospital ou quando regressamos, pressurosos, após penosos meses fora de casa. Nada mais suave que o desenrolar sereno e doce dos horários e dos afazeres caseiros e profissionais. Temos a sensação de uma navegação tranquila pelo mar da vida.
Poético e prosaico convivem, se complementam e se revezam de tempos em tempos. Temos que zelar pelo poético e pelo prosaico de nossas vidas, pois ambos se complementam e estão ameaçados de banalização.
A cultura de massas desnaturou o poético. O lazer que seria ocasião de ruptura do prosaico foi aprisionado pela cultura do entretenimento que incita ao excesso, ao consumo de álcool, de drogas e de sexo. É um poético domesticado, sem êxtase, um desfrute e sem encantamento.
O prosaico foi transformado em simples luta darwiniana pela sobrevivência, extenuando as pessoas com trabalhos monótonos, sem esperança de gozar de merecido lazer. E quando chega o lazer, ficam reféns daqueles que já pensaram tudo para elas, organizaram suas viagens e fabricaram-lhes experiências inesquecíveis. E conseguiram. Mas como tudo é artificialmente induzido, o efeito final é um doloroso vazio existencial. E aí dá-lhes depressivos.
Saber viver com leveza o prosaico e com entusiasmo o poético é indicativo de uma vida densamente humana.
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
RESPEITAR A DIVERSIDADE.
Numa carpintaria, na calada da noite, foi feita uma assembleia geral. Dela participaram todas as ferramentas. A tensão estava à flor da pele de todos. O martelo assumiu a presidência, mas foi informado que deveria renunciar. Motivo: ele fazia barulho demais e passava o tempo todo batendo nos outros. Bom democrata, o martelo aceitou, mas decidiu afundar atirando. O parafuso, declarou o martelo, deveria ser expulso, pois era muito teimoso, dava muitas voltas para conseguir seu objetivo. O parafuso admitiu, mas pediu a expulsão da lixa. Explicou que ela era muito áspera no tratamento com os demais, causando sérios atritos.
A tensão continuava subindo e a lixa exigiu a expulsão do metro, pois ele se considerava dono da verdade e julgava os outros segundo sua medida, como se ele tivesse toda a perfeição... Neste momento, entrou o carpinteiro e a assembleia teve de ser suspensa. Colocou as ferramentas todas sobre o balcão e iniciou seu trabalho. Ele utilizou o martelo, a lixa, o metro, o parafuso... Algumas horas após a madeira se transformara num luxuoso móvel.
Sobreveio a noite e - no silêncio da carpintaria - recomeçou a assembleia. As feridas recentes e as mágoas eram recíprocas. O serrote, que se mantivera calado na sessão anterior, tomou a palavra para uma síntese. Ao longo do dia ficou demonstrado que o carpinteiro trabalha com nossas qualidades. Nosso foco devem ser as qualidades e não os defeitos. E a assembleia, após um instante de surpresa, entendeu que o martelo era forte, o parafuso unia e dava forças, a lixa era especial para superar as asperezas, o metro era preciso e exato. Perceberam que formavam uma grande equipe. Cada um deles só tinha sentido e utilidade com a presença do outro. Sentiram a alegria de trabalhar juntos e a paz voltou a reinar na carpintaria.
Essa história se repete na vida das famílias e das comunidades. Há sempre mais coisas a admirar do que a criticar. E todos precisamos uns dos outros. A diversidade é riqueza. Um time de futebol não sobrevive com onze goleiros, ou onze atacantes, por melhores que sejam. Ninguém pode ser feliz sozinho. Ninguém pode dizer: não preciso de ninguém. Todos somos chamados a dar-nos as mãos e formar equipe. Por outro lado, todos somos limitados e precisamos sempre pedir e dar o perdão. A convivência harmoniosa e feliz reside no respeito à diversidade, que é riqueza.
Santa Catarina de Sena afirmava: Deus não deu a ninguém todos as qualidades, e não deixou ninguém sem qualidades. E isso para que aprendamos a partilhar e precisar uns dos outros.
A tensão continuava subindo e a lixa exigiu a expulsão do metro, pois ele se considerava dono da verdade e julgava os outros segundo sua medida, como se ele tivesse toda a perfeição... Neste momento, entrou o carpinteiro e a assembleia teve de ser suspensa. Colocou as ferramentas todas sobre o balcão e iniciou seu trabalho. Ele utilizou o martelo, a lixa, o metro, o parafuso... Algumas horas após a madeira se transformara num luxuoso móvel.
Sobreveio a noite e - no silêncio da carpintaria - recomeçou a assembleia. As feridas recentes e as mágoas eram recíprocas. O serrote, que se mantivera calado na sessão anterior, tomou a palavra para uma síntese. Ao longo do dia ficou demonstrado que o carpinteiro trabalha com nossas qualidades. Nosso foco devem ser as qualidades e não os defeitos. E a assembleia, após um instante de surpresa, entendeu que o martelo era forte, o parafuso unia e dava forças, a lixa era especial para superar as asperezas, o metro era preciso e exato. Perceberam que formavam uma grande equipe. Cada um deles só tinha sentido e utilidade com a presença do outro. Sentiram a alegria de trabalhar juntos e a paz voltou a reinar na carpintaria.
Essa história se repete na vida das famílias e das comunidades. Há sempre mais coisas a admirar do que a criticar. E todos precisamos uns dos outros. A diversidade é riqueza. Um time de futebol não sobrevive com onze goleiros, ou onze atacantes, por melhores que sejam. Ninguém pode ser feliz sozinho. Ninguém pode dizer: não preciso de ninguém. Todos somos chamados a dar-nos as mãos e formar equipe. Por outro lado, todos somos limitados e precisamos sempre pedir e dar o perdão. A convivência harmoniosa e feliz reside no respeito à diversidade, que é riqueza.
Santa Catarina de Sena afirmava: Deus não deu a ninguém todos as qualidades, e não deixou ninguém sem qualidades. E isso para que aprendamos a partilhar e precisar uns dos outros.
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
O QUE É SER ZEN?
O zen-budismo pode significar uma fonte inspiradora para o paradigma ocidental em crise bem como para a vida cotidiana. Isso porque o zen não é uma teoria ou filosofia. É uma prática de vida que se inscreve na tradição das grandes sabedorias da humanidade. O zen pode ser vivido pelas mais diferentes pessoas, simples donas de casa, empresários e pessoas religiosas de diferentes credos.
O centro para o zen-budismo não está na razão, tão importante para a nossa cultura ocidental. Mas na consciência. Para nós a consciência é algo mental. Para o zen-budismo cada sentido corporal possui a sua consciência: a visão, o olfato, o paladar, a audição e o tato. Um sexto é a razão. Tudo se concentra em ativar cada uma destas consciências, a partir das coisas do dia a dia. Possuir uma atitude zen é discernir cada nuance do verde, sentir cada cheiro, aperceber-se de cada toque. E estar atento às perambulações da razão no seu fluxo interminável.
Por isso, o zen se constrói sobre a concentração, a atenção, o cuidado e a inteireza em tudo aquilo que se faz. Por exemplo, expulsar um gato da poltrona pode ser zen; também libertar os cachorros do canil e deixá-los correr pelo jardim. Conta-se que um guerreiro samurai antes de uma batalha visitou um mestre zen e lhe perguntou: “Que é o céu e o inferno”? O mestre respondeu: “Para gente armada como você não perco nenhum minuto”. O samurai enfurecido tirou a espada e disse: “Por tal senvergonhice poderia matá-lo agora mesmo”. E aí disse-lhe calmamente o mestre: “Eis aí o inferno”. O samurai caiu em si com a calma do mestre, meteu a espada na bainha e foi embora. E o mestre lhe gritou atrás: “Eis aí o céu.”
O que a atitude zen visa é a completa integração da pessoa com a realidade que vive. Deparamo-nos no meio de diferenças, compartimentando nossa vida. O zen busca o vazio. Mas esse vazio não é vazio. É o espaço livre no qual tudo pode se formar. Por isso não podemos ficar presos a isto e aquilo. Quando um discípulo perguntou ao mestre “quem somos?”, ele respondeu apontando simplesmente para o universo: “Somos tudo isso”. Você é a planta, a árvore, a montanha, a estrela, o inteiro universo. Quando nos concentramos totalmente em tais realidades, nos identificamos com elas. Mas isso só é possível se ficarmos vazios e permitirmos que as coisas nos tomem totalmente. O pequeno eu desaparece para surgir o eu profundo. Então somos um com o todo. Este caminho exige muita disciplina. Não é nada fácil ultrapassar as flutuações de cada uma das consciências e criar um centro unificador.
Há uma base cosmológica para a busca desta unidade originária. Hoje sabemos que todos os seres provêm dos elementos físico-químicos que se forjaram no coração das grandes estrelas vermelhas que depois explodiram. Todos estávamos um dia juntos naquele coração incandescente. Guardamos uma memória cósmica desta nossa ancestralidade.
Depois, sabemos que possuímos o mesmo código genético de base presente em todos os demais seres vivos. Viemos de uma bactéria primordial surgida há 3,8 bilhões de anos. Formamos a única e sagrada comunidade de vida. Ao buscar um centro unificador, o zen nos convida a fazer esta viagem interior. É excusado dizer que tudo isso vale para todos, mas principalmente para mim.
O centro para o zen-budismo não está na razão, tão importante para a nossa cultura ocidental. Mas na consciência. Para nós a consciência é algo mental. Para o zen-budismo cada sentido corporal possui a sua consciência: a visão, o olfato, o paladar, a audição e o tato. Um sexto é a razão. Tudo se concentra em ativar cada uma destas consciências, a partir das coisas do dia a dia. Possuir uma atitude zen é discernir cada nuance do verde, sentir cada cheiro, aperceber-se de cada toque. E estar atento às perambulações da razão no seu fluxo interminável.
Por isso, o zen se constrói sobre a concentração, a atenção, o cuidado e a inteireza em tudo aquilo que se faz. Por exemplo, expulsar um gato da poltrona pode ser zen; também libertar os cachorros do canil e deixá-los correr pelo jardim. Conta-se que um guerreiro samurai antes de uma batalha visitou um mestre zen e lhe perguntou: “Que é o céu e o inferno”? O mestre respondeu: “Para gente armada como você não perco nenhum minuto”. O samurai enfurecido tirou a espada e disse: “Por tal senvergonhice poderia matá-lo agora mesmo”. E aí disse-lhe calmamente o mestre: “Eis aí o inferno”. O samurai caiu em si com a calma do mestre, meteu a espada na bainha e foi embora. E o mestre lhe gritou atrás: “Eis aí o céu.”
O que a atitude zen visa é a completa integração da pessoa com a realidade que vive. Deparamo-nos no meio de diferenças, compartimentando nossa vida. O zen busca o vazio. Mas esse vazio não é vazio. É o espaço livre no qual tudo pode se formar. Por isso não podemos ficar presos a isto e aquilo. Quando um discípulo perguntou ao mestre “quem somos?”, ele respondeu apontando simplesmente para o universo: “Somos tudo isso”. Você é a planta, a árvore, a montanha, a estrela, o inteiro universo. Quando nos concentramos totalmente em tais realidades, nos identificamos com elas. Mas isso só é possível se ficarmos vazios e permitirmos que as coisas nos tomem totalmente. O pequeno eu desaparece para surgir o eu profundo. Então somos um com o todo. Este caminho exige muita disciplina. Não é nada fácil ultrapassar as flutuações de cada uma das consciências e criar um centro unificador.
Há uma base cosmológica para a busca desta unidade originária. Hoje sabemos que todos os seres provêm dos elementos físico-químicos que se forjaram no coração das grandes estrelas vermelhas que depois explodiram. Todos estávamos um dia juntos naquele coração incandescente. Guardamos uma memória cósmica desta nossa ancestralidade.
Depois, sabemos que possuímos o mesmo código genético de base presente em todos os demais seres vivos. Viemos de uma bactéria primordial surgida há 3,8 bilhões de anos. Formamos a única e sagrada comunidade de vida. Ao buscar um centro unificador, o zen nos convida a fazer esta viagem interior. É excusado dizer que tudo isso vale para todos, mas principalmente para mim.
terça-feira, 5 de agosto de 2014
LOBO NÃO COME LOBO.
Todos conhecem o lobo e o cordeiro. Ao menos em figuras ou em programas de televisão. O lobo é símbolo da maldade, do poder e da destruição. O cordeiro é o símbolo da mansidão e da paz. Muitas histórias foram montadas com esses dois símbolos. Muitas outras serão construídas, porque esses animais simbolizam nossa humanidade lobo e cordeiro. Humanidade formada de lobos e cordeiros. A sociedade atual está construindo novas histórias de lobos e cordeiros. Sempre há lobos procurando cordeiros para desculpar-se ou para esconder sua fome de poder e destruição. Como nos tempos passados, as fogueiras estão acesas. Esperando vítimas. É preciso encontrar bruxas para justificar as queimas e a fome de poder. É preciso encontrar cordeiros que se calem ou aguentem as mentiras, as denúncias falsas e as trapaças dos lobos.
Lobos se entendem com lobos. Uma organização de sociedade democrática entre lobos e cordeiros não é possível, e nem pode existir. Mesmo sendo os cordeiros em número muito maior, não aguentarão a pressão e o poder destruidor dos lobos. Os cordeiros serão sempre culpados por tudo o que acontece na sociedade. No final dos fatos há sempre um lobo comendo um cordeiro, justificando que ele é o culpado. Vivemos num Brasil, numa sociedade, numa comunidade bem pertinho de nós. Sabemos distinguir os lobos e os cordeiros? Ou pior, não fazemos parte da matilha de lobos que se apresentam com aparência de cordeiros? Não fazemos parte, inocentemente ou maldosamente, dos lobos que sempre tentam mandar em nosso Brasil e em nossa comunidade? Uma democracia entre lobos é possível. Eles se defendem entre si e se apoiam.
Cordeiros se entendem com cordeiros. Uma sociedade entre cordeiros é possível. Há um equilíbrio de poder entre eles. Todos se aceitam como iguais e se defendem uns aos outros. Não terão que se defender contra os lobos. Vivemos num Brasil, numa comunidade, onde estão presentes os cordeiros. Defendemos os cordeiros? Defendemos os sem teto e sem terra, os sem saúde e sem remédio, os sem trabalho e sem alimentos, os sem voz e sem vez, ou também fazemos parte dos lobos que, através dos meios de comunicação e da política, diariamente estão condenando e culpando os cordeiros pela desordem social? Se estamos no lado dos acusadores, é sinal evidente que fazemos parte da matilha dos lobos.
Crer numa sociedade sem lobos. É possível. Não em nível mundial e nem nacional. Onde está a corrupção ali estão os lobos. Nem em nível de sociedade grande. Podemos sonhar a utopia de uma sociedade sem lobos somente ali pertinho de nós. Ali na comunidade pequena, na vizinhança, na família, no ambiente de trabalho, podemos criar um clima de paraíso e de um novo céu e nova terra. Que bonito o patrão sentar-se junto com o operário, o pai junto com o filho, o vizinho com o vizinho! É possível! Há experiências lindas, em tamanho pequeno, de eliminação de diferenças entre lobos e cordeiros, onde se pode criar uma sociedade de irmãos e irmãs, que se respeitam e se amam. Esse é o sonho de Deus. O sonho que toda pessoa humana normal sonha junto com Deus.
Lobos se entendem com lobos. Uma organização de sociedade democrática entre lobos e cordeiros não é possível, e nem pode existir. Mesmo sendo os cordeiros em número muito maior, não aguentarão a pressão e o poder destruidor dos lobos. Os cordeiros serão sempre culpados por tudo o que acontece na sociedade. No final dos fatos há sempre um lobo comendo um cordeiro, justificando que ele é o culpado. Vivemos num Brasil, numa sociedade, numa comunidade bem pertinho de nós. Sabemos distinguir os lobos e os cordeiros? Ou pior, não fazemos parte da matilha de lobos que se apresentam com aparência de cordeiros? Não fazemos parte, inocentemente ou maldosamente, dos lobos que sempre tentam mandar em nosso Brasil e em nossa comunidade? Uma democracia entre lobos é possível. Eles se defendem entre si e se apoiam.
Cordeiros se entendem com cordeiros. Uma sociedade entre cordeiros é possível. Há um equilíbrio de poder entre eles. Todos se aceitam como iguais e se defendem uns aos outros. Não terão que se defender contra os lobos. Vivemos num Brasil, numa comunidade, onde estão presentes os cordeiros. Defendemos os cordeiros? Defendemos os sem teto e sem terra, os sem saúde e sem remédio, os sem trabalho e sem alimentos, os sem voz e sem vez, ou também fazemos parte dos lobos que, através dos meios de comunicação e da política, diariamente estão condenando e culpando os cordeiros pela desordem social? Se estamos no lado dos acusadores, é sinal evidente que fazemos parte da matilha dos lobos.
Crer numa sociedade sem lobos. É possível. Não em nível mundial e nem nacional. Onde está a corrupção ali estão os lobos. Nem em nível de sociedade grande. Podemos sonhar a utopia de uma sociedade sem lobos somente ali pertinho de nós. Ali na comunidade pequena, na vizinhança, na família, no ambiente de trabalho, podemos criar um clima de paraíso e de um novo céu e nova terra. Que bonito o patrão sentar-se junto com o operário, o pai junto com o filho, o vizinho com o vizinho! É possível! Há experiências lindas, em tamanho pequeno, de eliminação de diferenças entre lobos e cordeiros, onde se pode criar uma sociedade de irmãos e irmãs, que se respeitam e se amam. Esse é o sonho de Deus. O sonho que toda pessoa humana normal sonha junto com Deus.
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
ARGENTINA ALÉM DO TANGO.
Meu encanto por Buenos Aires existe e se mantém inalterado ao longo dos anos. Conheço igualmente algo da Argentina profunda. Não apenas a turística e bela Bariloche, mas outros recantos da paisagem majestosa da Patagônia, além de cidades do interior: Mendoza, Salta etc. Por tudo isso, nunca deixa de chocar-me como os anos da ditadura militar conseguiram ser tão cruéis e sangrentos neste país de tanto desenvolvimento e povo tão politizado. Em recente viagem, trouxe de lá um livro que é o pungente relato de uma missionária francesa que escapou da morte fugindo para a França no último minuto.
Tal não foi a sorte de duas outras irmãs de sua congregação. Uma delas, Alice Domon, de apelido Caty, foi presa quando manifestava sob as janelas do palácio presidencial juntamente com as mães da Praça de Maio. Um dos manifestantes era um frio e cruel militar infiltrado, o capitão Astiz, apelidado Gustavo Niño, que conquistou a confiança das mulheres e depois entregou a lista de seus nomes às forças da repressão.
Quando a irmã Caty foi presa, estava em casa de outra irmã da congregação, Léonie, pessoa de idade e completamente alheia a militâncias políticas e manifestações públicas. Prenderam as duas, das quais nunca mais se soube nada. Nos jornais puseram uma foto de ambas com uma declaração que as forçaram a assinar. Com visíveis marcas de tortura, a fotografia chocou o país.
A partir daí, Irmã Ivone nunca mais soube de suas coirmãs. Foi nessa ocasião que um homem simples do bairro onde trabalhava avisou-a de que a estavam procurando. Foi questão de horas, o tempo que lhe permitiu, depois de alguma hesitação, embarcar num avião e desembarcar em Paris.
Lutou durante anos, denunciando a barbárie que se passava no país onde escolhera viver e entregar sua vida pelo Reino de Deus. Foi a Genebra, às Nações Unidas, aos EUA. Seus depoimentos foram peças importantes para que a ditadura argentina fosse sendo desmontada. A grotesca Guerra das Malvinas, onde muitíssimos jovens argentinos perderam a vida, foi a pá de cal que desmascarou a ilegitimidade daquele governo.
Passaram algumas décadas antes que Irmã Ivone soubesse o que realmente acontecera com suas duas irmãs. Logo após a foto que circulara nos jornais, foram levadas assim como todas as outras senhoras que, diante da Casa Rosada, exibiam a própria orfandade dos filhos e netos desaparecidos em um avião. Lá, após dopadas e despojadas de suas roupas, foram atiradas do avião no Rio da Prata. As correntes levaram os cadáveres para perto do delta e o corpo de Léonie foi reconhecido. Não o de Caty. Ivone soube do destino de sua amiga apenas pelo relato de uma prisioneira que havia conseguido fugir.
Após a volta da democracia na Argentina, pudemos ver notícias de vários cemitérios encontrados em diversos pontos do país. Dali saíam cadáveres “desaparecidos” que eram procurados há décadas. Com eles, enterrada estava também a dor dos parentes, familiares, amigos que choraram durante anos, décadas, a morte sem cadáver de seus entes queridos.
O depoimento de Irmã Ivone é forte e impressionante. Após o final da ditadura, essa corajosa mulher voltou à Argentina e lá vive até hoje, trabalhando junto aos pobres, com desvelo e amor. A memória das duas mártires com quem conviveu e de cuja amizade privou a sustenta na incansável luta pela liberdade de um povo que deseja ser livre e que tem todas as condições para sê-lo, se não o impedisse uma e outra vez a crueldade dos ditadores e dos donos do poder.
A Caty, Léonie e Ivone, nossa mais sentida e emocionada homenagem, assim como a todos os mártires da luta pela liberdade que regaram com seu sangue o solo do sofrido continente latino-americano.
Tal não foi a sorte de duas outras irmãs de sua congregação. Uma delas, Alice Domon, de apelido Caty, foi presa quando manifestava sob as janelas do palácio presidencial juntamente com as mães da Praça de Maio. Um dos manifestantes era um frio e cruel militar infiltrado, o capitão Astiz, apelidado Gustavo Niño, que conquistou a confiança das mulheres e depois entregou a lista de seus nomes às forças da repressão.
Quando a irmã Caty foi presa, estava em casa de outra irmã da congregação, Léonie, pessoa de idade e completamente alheia a militâncias políticas e manifestações públicas. Prenderam as duas, das quais nunca mais se soube nada. Nos jornais puseram uma foto de ambas com uma declaração que as forçaram a assinar. Com visíveis marcas de tortura, a fotografia chocou o país.
A partir daí, Irmã Ivone nunca mais soube de suas coirmãs. Foi nessa ocasião que um homem simples do bairro onde trabalhava avisou-a de que a estavam procurando. Foi questão de horas, o tempo que lhe permitiu, depois de alguma hesitação, embarcar num avião e desembarcar em Paris.
Lutou durante anos, denunciando a barbárie que se passava no país onde escolhera viver e entregar sua vida pelo Reino de Deus. Foi a Genebra, às Nações Unidas, aos EUA. Seus depoimentos foram peças importantes para que a ditadura argentina fosse sendo desmontada. A grotesca Guerra das Malvinas, onde muitíssimos jovens argentinos perderam a vida, foi a pá de cal que desmascarou a ilegitimidade daquele governo.
Passaram algumas décadas antes que Irmã Ivone soubesse o que realmente acontecera com suas duas irmãs. Logo após a foto que circulara nos jornais, foram levadas assim como todas as outras senhoras que, diante da Casa Rosada, exibiam a própria orfandade dos filhos e netos desaparecidos em um avião. Lá, após dopadas e despojadas de suas roupas, foram atiradas do avião no Rio da Prata. As correntes levaram os cadáveres para perto do delta e o corpo de Léonie foi reconhecido. Não o de Caty. Ivone soube do destino de sua amiga apenas pelo relato de uma prisioneira que havia conseguido fugir.
Após a volta da democracia na Argentina, pudemos ver notícias de vários cemitérios encontrados em diversos pontos do país. Dali saíam cadáveres “desaparecidos” que eram procurados há décadas. Com eles, enterrada estava também a dor dos parentes, familiares, amigos que choraram durante anos, décadas, a morte sem cadáver de seus entes queridos.
O depoimento de Irmã Ivone é forte e impressionante. Após o final da ditadura, essa corajosa mulher voltou à Argentina e lá vive até hoje, trabalhando junto aos pobres, com desvelo e amor. A memória das duas mártires com quem conviveu e de cuja amizade privou a sustenta na incansável luta pela liberdade de um povo que deseja ser livre e que tem todas as condições para sê-lo, se não o impedisse uma e outra vez a crueldade dos ditadores e dos donos do poder.
A Caty, Léonie e Ivone, nossa mais sentida e emocionada homenagem, assim como a todos os mártires da luta pela liberdade que regaram com seu sangue o solo do sofrido continente latino-americano.
quinta-feira, 31 de julho de 2014
"O UNIVERSO É UM RELÓGIO..."
Um senhor, cabelos brancos, aproximadamente 70 anos, viajava de trem, com um livro na mão. Um jovem universitário, ao seu lado, sem cerimônia, interrompeu a leitura. E questionou: o senhor ainda acredita neste livro, cheio de crendices e fábulas? O senhor respondeu: é a Bíblia Sagrada, estou lendo o Evangelho de Marcos. Trata-se da Palavra de Deus. Estou errado? Claro que está, é algo completamente superado. A ciência sepultou a religião, Deus é uma teoria inútil e abandonada.
E continuou o jovem universitário: o senhor deveria estudar história e alguma coisa de ciência. A Revolução Francesa, há mais de 100 anos, mostrou a miopia da religião. Somente pessoas sem cultura ainda acreditam em Deus. E do alto de sua pretensa sabedoria, o jovem continuou: a Bíblia, por exemplo, diz que Deus criou o mundo em seis dias, coisa ridícula! Nossos cientistas têm a palavra final, a luz da ciência expulsou as trevas da ignorância e das crendices religiosas.
O universitário desculpou-se por não poder continuar a lição: vou descer na próxima parada, mas gostaria que me deixasse seu endereço e eu enviarei, com urgência, amplo material sobre o assunto. O senhor procurou no bolso um cartão e o entregou ao jovem, que o leu e ficou vermelho de vergonha. O cartão dizia: “Louis Pasteur - Diretor Geral do Instituto de Pesquisas Científicas da Universidade da França”.
O fato é verídico, aconteceu em 1892, e figura na biografia do grande cientista francês. De resto, Pasteur tinha uma certeza, que proclamava aos alunos: “A pouca ciência afasta de Deus, mas, a muita (ciência) nos aproxima dele”.
A fé é uma graça e não depende da sabedoria humana. A Igreja venera pessoas simples, ignorantes até, mas que brilharam intensamente, mas venera também gênios da sabedoria humana que tiveram uma fé profunda. Homens de fé marcaram profundamente a história humana. São Francisco de Assis foi escolhido como a maior figura do segundo milênio. A galeria dos homens e mulheres de fé é muito grande: Dante Alighieri, Teresa de Calcutá, Martin Luther King, Cristóvão Colombo, Tomás de Aquino, Guglielmo Marconi,Catarina de Sena, Gabriela Mistral e tantos outros.
O mito de que a ciência aposentaria Deus, como inútil, ruiu fragorosamente. Nunca a humanidade sentiu tanto a necessidade de Deus quanto hoje. A religiosidade, possivelmente, seja a maior de todas as megatendências deste início do Terceiro Milênio.
Ciência e fé caminham juntas. Max Planck, o grande físico alemão, dizia: para o crente Deus está no começo, para o físico Deus está no ponto de chegada de suas reflexões. E Werner von Braun, físico alemão-norte americano, o pai dos satélites artificiais, garantia: ciência e religião são irmãs. E continuava: a cada descoberta científica nos assombramos diante dos esplendores da Criação. Até o insuspeito Voltaire precisou admitir: “O universo é um relógio, não posso admitir a existência de um relógio sem que haja o relojoeiro”.
E continuou o jovem universitário: o senhor deveria estudar história e alguma coisa de ciência. A Revolução Francesa, há mais de 100 anos, mostrou a miopia da religião. Somente pessoas sem cultura ainda acreditam em Deus. E do alto de sua pretensa sabedoria, o jovem continuou: a Bíblia, por exemplo, diz que Deus criou o mundo em seis dias, coisa ridícula! Nossos cientistas têm a palavra final, a luz da ciência expulsou as trevas da ignorância e das crendices religiosas.
O universitário desculpou-se por não poder continuar a lição: vou descer na próxima parada, mas gostaria que me deixasse seu endereço e eu enviarei, com urgência, amplo material sobre o assunto. O senhor procurou no bolso um cartão e o entregou ao jovem, que o leu e ficou vermelho de vergonha. O cartão dizia: “Louis Pasteur - Diretor Geral do Instituto de Pesquisas Científicas da Universidade da França”.
O fato é verídico, aconteceu em 1892, e figura na biografia do grande cientista francês. De resto, Pasteur tinha uma certeza, que proclamava aos alunos: “A pouca ciência afasta de Deus, mas, a muita (ciência) nos aproxima dele”.
A fé é uma graça e não depende da sabedoria humana. A Igreja venera pessoas simples, ignorantes até, mas que brilharam intensamente, mas venera também gênios da sabedoria humana que tiveram uma fé profunda. Homens de fé marcaram profundamente a história humana. São Francisco de Assis foi escolhido como a maior figura do segundo milênio. A galeria dos homens e mulheres de fé é muito grande: Dante Alighieri, Teresa de Calcutá, Martin Luther King, Cristóvão Colombo, Tomás de Aquino, Guglielmo Marconi,Catarina de Sena, Gabriela Mistral e tantos outros.
O mito de que a ciência aposentaria Deus, como inútil, ruiu fragorosamente. Nunca a humanidade sentiu tanto a necessidade de Deus quanto hoje. A religiosidade, possivelmente, seja a maior de todas as megatendências deste início do Terceiro Milênio.
Ciência e fé caminham juntas. Max Planck, o grande físico alemão, dizia: para o crente Deus está no começo, para o físico Deus está no ponto de chegada de suas reflexões. E Werner von Braun, físico alemão-norte americano, o pai dos satélites artificiais, garantia: ciência e religião são irmãs. E continuava: a cada descoberta científica nos assombramos diante dos esplendores da Criação. Até o insuspeito Voltaire precisou admitir: “O universo é um relógio, não posso admitir a existência de um relógio sem que haja o relojoeiro”.
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