sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A INFÂNCIA CAPTA FATOS E PAISAGENS INESQUECÍVEIS


A infância capta fatos e paisagens inesquecíveis. Seguidamente voltamos no tempo e reavivamos peculiaridades que nos enchem de nostalgia e nos transportam para lugares incríveis. É simplesmente fantástica a capacidade que o cérebro humano tem de guardar detalhes e de torná-los próximos, afetivamente. Daí a importância de experiências positivas nos primeiros anos de vida. São registros que se perpetuarão, ao longo da existência.
Um poço de água límpida e fresca. Um balde atado em uma corrente. O ruído da descida e subida do balde, no ato de alcançar as profundezas e trazer à superfície o precioso líquido, capaz de saciar a sede. Uma imagem sempre presente. Quando pequeno, as forças eram limitadas. Mas o desejo de mexer no poço permitia outras energias para que o balde subisse à borda, cheio de água. O ruído da corrente sendo enrolada num cepo de lenha era como uma melodia. Havia, também, o cuidado de não avançar sobre o poço. As advertências eram levadas a sério.
Os tempos são outros. Os poços artesianos são bem mais profundos e automatizados. O balde tem outras funções: já não desce às profundezas. Os humanos continuam ingerindo água, condição para continuar saudáveis, e permanecem sedentos. Outras sedes permeiam a existência, nas profundidades que produzem ecos sonoros, nem sempre captados e tratados. Inquietações abrem caminhos, multiplicam itinerários. Viver é responder aos contínuos anseios que emanam de corações que não abrem mão do significado da vida.
Enquanto o humano for sedento de amor e de paz, haverá possibilidade de transformação. O materialismo parece ter eliminado outras sedes e privilegiado o desejo de ter. Porém, certa insatisfação parece crescente entre os humanos. Prova disso é que a grande maioria que tem coisas parece não ter a serenidade de uma vida bem alicerçada. A necessidade material é indiscutível. Limitar o humano à satisfação mediante o ter é reduzi-lo à pequenez.
Não há necessidade de voltar ao poço e ouvir novamente o ruído da corrente. No entanto, é urgente auscultar o que vai nas profundidades do ser. Outras sedes merecem atenção e cuidado. O tempo não pode ser o único encarregado para serenar a interioridade. Convém não esquecer que um coração sedento precisa de laços fraternos, de afeto e de espiritualidade.

GEOMETRIA QUE IMPRESSIONA


 
As abelhas sempre impressionaram o homem, seja pelo alimento que fabricam, rico em propriedades nutricionais e medicinais; pela organização das colmeias; pelo trabalho em equipe, pela dedicação à rainha, pela forma como se comunicam e, mais ainda, pela complexidade e perfeição da geometria dos favos de mel, que são hexagonais.
Até Charles Darwin, autor da teoria da evolução, se rendia à casa das abelhas, considerando-as absolutamente perfeitas, construídas com economia de mão-de-obra e cera. Agora, uma equipe de pesquisadores se dedicou a desvendar o mistério de suas formas hexagonais.
A equipe de pesquisadores de Bhushan Karihaloo, da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, constatou que, antes de se transformarem em hexágonos, os favos têm, inicialmente, a forma circular. Eles ganham a forma hexagonal e levemente arredondada ao longo da construção das fileiras, prateleiras onde são depositados pólen e mel. Os especialistas explicam que o mecanismo desta transformação se dá no escoamento da cera derretida, que uniria os favos vizinhos.
Inúmeras hipóteses foram elaboradas ao longo dos séculos na tentativa de explicar a geometria impressionante das colmeias. Já se acreditou, inclusive, na capacidade que estes insetos teriam para fazer complexos cálculos matemáticos a fim de medir as larguras e os ângulos. Mas segundo o estudo, a explicação está nas propriedades físicas da cera utilizada para construir os favos circulares.
Em uma temperatura de aproximadamente 45ºC, a cera começa a derreter como um líquido elástico, viscoso. Ela se estica como um caramelo, e os ângulos se formam na junção das células, dando origem aos hexágonos. De acordo com os pesquisadores, o calor na origem desta transformação é fornecido pelas abelhas operárias que trabalham sem parar, lado a lado, na construção das fileiras.
Mesmo que o enigma desta impressionante estrutura tenha sido solucionado graças a uma combinação física e matemática, a perfeição dos favos não é mero acaso da natureza. Os cientistas confirmaram na pesquisa o papel decisivo dos insetos. “Nós ficamos maravilhados com o papel das abelhas no processo: aquecendo, endurecendo e afinando a cera exatamente onde é necessário”, afirmaram.

AQUILO QUE SEMEAMOS UM DIA VAMOS COLHER

Roberto e Euclides eram dois irmãos e nasceram em família pobre. Apesar de crescerem juntos e frequentarem a mesma escola, os dois tinham personalidades bem diferentes. Roberto era trabalhador e esforçado, Euclides gostava de festas e fazia muito sucesso com as moças. Na cidade em que viviam, existia uma grande empresa e os dois foram contratados, mais ou menos na mesma época. O emprego e o salário não eram grande coisa. Os dois foram admitidos como faxineiros. Euclides fazia o mínimo possível, enquanto Roberto procurava o máximo e estava sempre pronto para horas extras e fazia todos os cursos que a empresa possibilitava.
Passaram-se anos e Euclides foi fazer a faxina na sala principal da empresa, onde naquela noite aconteceria uma grande festa. Alguém, que não conhecia o parentesco entre os dois, comentou: que excelente pessoa é o Roberto, afável e competente. Nesta noite recebera a homenagem que mereceu. Não sei se você sabe, mas Roberto é meu irmão, comentou Euclides. Espantado o interlocutor disse: mas ele é gerente e você faxineiro? Pois é, concluiu Euclides, você vê como a vida é ingrata, ele teve sorte e eu não.
Uma velha afirmação garante: aquilo que semeamos, um dia vamos colher. Quem semeia flores, colherá flores; quem semeia espinhos, colherá espinhos; quem nada semeia, nada colherá. Outra afirmação ainda mais contundente: somos livres para escolher a semente que vamos semear, mas um dia seremos obrigados a colher a semente que semeamos.
Sorte ou azar também acontecem uma ou outra vez na vida. A lógica, porém, prevalece: há causas e consequências. O bem ou o mal que semeamos, cedo ou tarde voltarão para nós. Frequentemente ouvimos de pais bem-intencionados: meu filho não tem sorte no emprego, não tem sorte no amor, ninguém o compreende, todos estão contra ele! E põem a culpa no mundo, quando o culpado é ele mesmo.
O Evangelho conta a parábola dos talentos. Um patrão deu a seus empregados determinada soma de talentos. Eles deveriam negociar com eles. No regresso, dois empregados devolveram os talentos multiplicados, mas um deles enterrou seu talento na terra. Os dois primeiros foram recompensados, mas o terceiro perdeu até o talento que tinha. Deus deu a todos diferentes qualidades. Nem todos servem para tudo, mas todos podem marcar seu lugar. Não se trata de competir contra os outros, mas competir consigo mesmo. Isto significa acolher e dar a maior dimensão possível ao talento. Cada um tem sua medida e Deus aceita todas as medidas, por pequenas que sejam. Mas aquele que enterra seu talento, isto é, não aceita partilhar, não assume a dimensão do serviço, este se exclui. E ainda se lamenta: não tenho sorte.

A FÉ CULTIVADA NO DIA A DIA, VAI ACENDENDO LUZES.

Existem pessoas que conhecemos por ver repetidas vezes, por saudações formais e até amistosas ou por ouvir falar. Mas o tempo pode ir se encarregando de revelar surpresas agradáveis e propiciar lições de vida , quando a própria pessoa se manifesta. É o caso de uma humilde senhora de noventa anos que participa de uma comunidade em serviços voluntários e nos cultos religiosos.
A mencionada anciã chegou na igreja por primeira, num destes domingos do tempo comum, e mostrou o aparelho auditivo, afirmando estar quase surda. Dizia: “Embora eu não escute quase nada, preciso participar porque minha fé me traz até aqui! Desde que começou diminuir a minha audição comecei assinar alguma revista que traz a liturgia de cada domingo. Acordo cedo e me coloco a par das leituras do dia e leio alguns comentários. Enquanto estou lendo, sinto que Deus me fala. Então vou à igreja com a Palavra no coração, mesmo que os ouvidos não escutem”.
Pela primeira vez me dei conta que a pessoa de fé também se torna capaz de ouvir com os olhos. A fé revitaliza e integra todo o ser da pessoa e se irradia também na convivência comunitária. Este diálogo revelador é mais uma confirmação que a pessoa envelhece conforme vive e também morre carregada da herança que sempre cultivou no terreno do seu coração.
Sempre ouvi falar que uma pessoa cega desenvolve outros sentidos, capacitando-se para enfrentar cenários que não vê com os olhos, mas sente e situa-se para poder andar com segurança. Agora a nossa vovó garante que ouve através dos olhos a fala de Deus, quando lê a sua Palavra. Realmente, mais do que os sentidos, a fé garante o olhar e a escuta do coração. Esta escuta e este olhar parecem ser os mais verdadeiros e mais amplos.
O que estamos falando confirma a capacidade incrível do ser humano adaptar-se e administrar os limites que o percurso natural da vida vai apresentando. Quando se fecha uma porta, abrem-se janelas. Quando um caminho apresenta barreiras, outros caminhos se abrem. Se, ao natural, acontecem reações e ajustes, quanto mais com a força motivadora da fé.
A fé é um recurso sobrenatural que nos é dado, para podermos ir trilhando o percurso da vida com dignidade e responsabilidade, mesmo que nossa aparência exterior traga as marcas de nossas perdas. A fé, cultivada no dia a dia da vida, vai acendendo luzes para chegarmos iluminados na travessia das sombras da morte.
É sempre mais feliz a pessoa que vai se aproximando do ocaso da vida, quando esta foi sendo tecida com os recursos vislumbrados pelo olhar e a escuta do coração. Sempre somos mais do que aquilo que os olhos veem e os ouvidos ouvem. Nosso tamanho certo, conforme a medida da fé, é sempre maior do que nossos frágeis recursos humanos nos mostram. Podemos nos ver sempre melhores do que uma possível avaliação estética exterior.

UM ESCÂNDALO DE TIRA A VIDA DE MILHÕES

Quando o Papa Francisco diz que ‘morrer de fome constitui um verdadeiro escândalo’, como ouviram dele integrantes da Conferência da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), está traduzindo a indignação e a tristeza das pessoas minimamente conscientes deste planeta. E ao afirmar que é preciso encontrar formas para que todos possam se beneficiar dos frutos da terra, resume um desejo de todos os cidadãos de bem.
É fundamental que se evite o abismo entre os que se deleitam em banquetes nababescos e aqueles que recebem, no máximo, migalhas. Ou pelo menos que se abrevie esta distância injusta e perversa.
Desde que o crescimento demográfico alcançou patamares elevados, em algumas regiões ‘explosivos’, transitou entre lideranças mundiais a preocupação sobre a capacidade de se produzir alimentos suficientes para esta população. Há décadas está comprovado que é possível, com os recursos naturais disponíveis e com o avanço tecnológico, colocar comida no prato de todos. E por que quase um bilhão de pessoas ainda passam fome?
Esta pergunta traz a campo uma repugnante associação entre desperdício e interesses de grupos políticos e econômicos. É inadmissível que no planeta em que morrem por ano quase 20 milhões de pessoas por subnutrição, ou razões ligadas a ela, se perca um terço dos alimentos entre a produção, a venda e o consumo. Não é admissível também que, para manter altos lucros e dar vazão à ganância, sejam manipulados os preços de grãos, carnes e outros produtos, o que impede que multidões de famintos tenham acesso a eles.
Está cada vez mais evidente que, na maioria dos casos, as pessoas não são vítimas da fome, mas de
quem constrói cenários que tira desses grupos o direito de se alimentar. É, realmente, cruel, indecente, vergonhoso, desumano.

QUEM TEM QUE MUDAR: A IGREJA OU OS JOVENS?



AJMJ é um evento criado para atrair jovens à Igreja Católica e despertar neles o espírito missionário. Pesquisas indicam que o número de católicos se reduz em todo o mundo, especialmente entre jovens. No início do século XX, quase 90% da população da Europa Ocidental se assumiam como católica. Hoje, apenas 24%.

No Brasil, o DataPopular constatou que, em apenas três anos, o índice de jovens católicos se reduziu em 30,6%. Em 2010, 63% dos jovens entre 16 e 24 anos se declaravam católicos. Hoje, apenas 44,2%.
Quais as causas desse desinteresse dos jovens pela Igreja? Por que eles são presença rara nas missas de domingo?
Há dois fatores a serem considerados. Primeiro, o crescente desinteresse das famílias católicas em cuidar da educação religiosa de seus filhos e netos. Com frequência, amigos me indagam: “Minha filha tem 18 anos, meu filho 16, e nenhuma motivação religiosa. O que fazer?” Dou sempre a mesma resposta: “A pergunta chegou com 10 anos de atraso. Se seus filhos tivessem 8 e 6 anos, eu saberia o que responder.”
O que esperar de um jovem que, na infância, jamais viu os pais participarem da Igreja, orar em família, comentar um texto bíblico? O que esperar se, na Semana Santa, se aproveita para viajar, e não para celebrar a morte e ressurreição de Jesus? E o Natal é comemorado em família em torno da figura consumista de Papai Noel ou como festa do nascimento de Jesus?
Os próprios anacronismos e rigores da Igreja são outro fator de afastamento dos jovens do catolicismo. Como atrair jovens se pensa sobre eles as exigências de manter a virgindade até o casamento, jamais usar preservativo e, uma vez casados, não ter relações sexuais exceto se houver intenção de procriar?
Soma-se a isso o despreparo de muitos padres e freiras. No afã de cobrir o déficit de sacerdotes, pois há cada vez menos vocações e muitas evasões (padres que se casam e ficam impedidos de rezar missa), a formação dos seminaristas no Brasil é, em geral, de péssima qualidade, salvo raras exceções.
A filosofia é estudada em apostilas e cópias de sites, sem contato com fontes primárias e textos integrais. A teologia é quase um curso de catequese para adultos, mera retransmissão da tradição doutrinária, sem debates e pesquisas sobre temas da atualidade.
A Igreja, para atrair jovens, deve renovar sua postura nesse mundo globalizado, pós-moderno, do século XXI. Para isso basta aplicar as decisões do Concilio Vaticano II e valorizar o protagonismo dos leigos, sobretudo dos jovens, na missão evangelizadora.
Caso contrário, haverá, sim, jovens da Igreja, fechados em movimentos espiritualistas, descolados da realidade, subjugados por um moralismo que centraliza o pecado na sexualidade, indiferentes aos apelos do Papa Francisco de não transformar a Igreja em uma ONG, mas fazê-la sair pra fora, ser fermento na massa, participar, como Jesus, da conflitividade e dos desafios do mundo em que vivemos.
Não custa recordar que todos nós, cristãos, somos discípulos de um prisioneiro político. Jesus não morreu de doença ou de acidente em Jerusalém. Foi preso, torturado e condenado à morte na cruz por dois poderes políticos

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

MAIS UM POUCO DE CULTURA INUTIL

13.08.20_Cultura inútil_III_blog

Continuo “pondo pra fora” abobrinhas que armazenei durante muito tempo, extraindo de almanaques, revistas, jornais, conversas, dicionários e outros livros. Lá vai.

Quando se diz que algo foi feito nas coxas, há quem pense em safadezas, mas a única safadeza, no caso, era o uso de mão de obra escrava. Nas olarias, não existiam formas para fazer telhas, os escravos que trabalhavam nisso moldavam as telhas nas coxas, e como as coxas variam de grossura entre as pessoas, as telhas feitas nelas também eram muito desiguais, irregulares, tidas como malfeitas.

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Outra coisa que não tem nada de pornográfico é a expressão puxa-saco. Numa época, os oficiais militares que iam viajar levavam suas roupas num saco, que era carregado ou arrastado, e alguns ordenanças carregavam esse saco para eles. A expressão passou a ser mais utilizada com o sentido de bajulador a partir do Carnaval de 1946, quando se cantava nas ruas do Rio de Janeiro: “O cordão dos puxa-sacos, cada vez aumenta mais”…

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Certa vez Karl Marx escreveu ao seu amigo Friedrich Engels: “Não confio em nenhum russo. Sempre que um russo consegue se insinuar, abrem-se as portas do inferno”.

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Um líder chamado Narses derrotou os ostrogodos e estabeleceu o domínio bizantino na Itália, em meados do século VI. Detalhes: ele era eunuco, tinha 74 anos de idade e governou até os 98.

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A exploração de petróleo nos Estados Unidos, em meados do século XIX, não tinha a ver com a gasolina. Dava-se grande valor a alguns subprodutos como óleos lubrificantes, querosene, geleia para pomadas e parafina. A gasolina era considerada um subproduto quase sem valor, até o aparecimento do automóvel.

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Goethe, expoente da literatura alemã, foi também bombeiro, advogado, pintor, diretor de teatro e ator, ministro do Exterior… e conhecido como grande conquistador de mulheres.

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Há várias versões sobre quem inventou o fósforo, essa maravilha que facilitou a vida das pessoas. Uma delas é que o inventor foi John Walker, químico inglês. E segundo consta, ele se negou a patentear uma invenção, dizendo que ela era tão importante que devia ser propriedade pública. E há tantos caras que patenteiam até invenções alheias…

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A laranja foi trazida ao Brasil pelos portugueses. No século XIX, em um laranjal do Recôncavo Baiano, as laranjas começaram a nascer com uma espécie de umbigo. Foi uma mutação ocorrida naturalmente ali, e ela começou a ser chamada de laranja-baía ou laranja baiana. Um gringo veio ao Brasil, levou a laranja-baía para os Estados Unidos e depois apresentou essa variedade como se fosse uma mutação criada por ele, lá na gringolândia, e deu a ela o nome pelo qual se tornou conhecida em vários países: washington navel. Como veem, não foi só da invenção do avião que eles se apropriaram.

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O que têm em comum o escritor Ambroise Birce, a dançarina Isadora Duncan, o escritor Jack London, o general Ulysses Grant (comandante das forças da União na Guerra de Secessão dos EUA), o escritor F. Scott Fitzgerald e o rei Eduardo VIII da Inglaterra? Eram alcoólatras.

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A primeira apresentação da música “Luar do Sertão”, de Catulo da Paixão Cearense, aconteceu em 8 de agosto de 1913.

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George Bernard Shaw ganhou a Ordem do Mérito da Inglaterra, mas rejeitou, dizendo que ela era supérflua “uma vez que já me conferi essa honra a mim mesmo”. Ele ganhou também o Prêmio Nobel de Literatura, em 1925, e não queria recebê-lo, mas foi convencido a aceitar.

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Já no Brasil, alguém que se deu um título de nobreza foi o jornalista e humorista Apparício Torelly. Na Revolução de 1930, quando os gaúchos rumavam para o Rio de Janeiro, armou-se um grande esquema de defesa contra eles em Itararé, no sul do estado de São Paulo. Mas os gaúchos não passaram por lá, e a Batalha de Itararé não aconteceu. Os títulos de nobreza no Brasil, durante o Império, teoricamente, eram conquistados em campo de batalha, mas na verdade teve gente que ganhou sem nunca ter participado de batalha nenhuma, eram títulos “comprados”. Apporelly (apelido que Apparício usava), embora em plena República, inspirou-se na nobreza brasileira e deu-se o título de Duque de Itararé, e dias depois, como “prova de modéstia”, rebaixou-se a Barão de Itararé, apelido pelo qual ficou conhecido.

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Luíz XIII, rei da França, teve a seu serviço, entre 1649 e 1652, um regimento de mercenários croatas. Eles trouxeram da Croácia o hábito de usar uma tira de tecido pendurada no pescoço, os franceses gostaram e a adaptaram ao seu gosto, e daí surgiu a gravata, uma corruptela de croata. Aos engravatados que acham que uma vestimenta masculina decente tem que incluir esse paninho besta (na Câmara Federal e no Senado, por exemplo, seu uso é obrigatório), lembro então: essa frescura de vocês era hábito de uns soldadecos mercenários.

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Uma forma “diferente” de contribuir em uma campanha para arrumar dinheiro para os pobres de Berlim foi a de Albert Einstein: ele vendia autógrafos a 3 dólares e fotografias suas, autografadas, por 5 dólares.

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No mundo mediterrâneo antigo não existia sabão. Usavam azeite de oliva para lavar o corpo.

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Em 1709, o padre brasileiro Bartolomeu de Gusmão faz em Lisboa a primeira experiência com um aeróstato, uma “máquina de voar”, que bateu num telhado e caiu. O padre levou uma baita vaia da multidão e nunca mais foi levado a sério.

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Quando Dom Pedro I era imperador, havia duas facções políticas no Brasil: osjurujubas (liberais) e os corcundas (conservadores, incluindo portugueses que aderiram à independência). Depois, no Segundo Reinado (de Dom Pedro II), osjurujubas passaram a ser chamados de luzias e os corcundas de saquaremas.

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Ver gato preto, para algumas pessoas, dá azar. Mas para Winston Churchill, não era assim. Ele afagava gato preto para dar sorte.

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Em Portugal, certa época, as tabernas frequentadas por prostitutas costumavam colocar ramos na porta, para os cliente saberem o que encontrariam ali, e assim a palavra rameira virou sinônimo de prostituta. No Brasil, até há relativamente pouco tempo, os prostíbulos costumavam ter uma lâmpada vermelha na porta.

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Dedos mínimo, anular, médio, indicador e polegar… Na infância, aprendíamos outros nomes para esses dedos: mindinho, seu vizinho, pai de todos, fura-bolo e mata-piolho. O “seu vizinho” corresponde ao anular, dedo da aliança de noivado e casamento. Antigamente, segundo uma superstição, havia um nervo que ligava esse dedo ao coração, daí ele ter sido escolhido para essa função simbólica do amor.

A NOSSA GISELE BÜNDCHEN É A MODELO MAIS BEM PAGA PELO SÉTIMO ANO.


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Gisele Bündchen, 33, foi apontada pelo 7º ano consecutivo a modelo mais bem paga do mundo. A tradicional lista da revista Forbes afirmou que a modelo brasileira faturou US$ 42 milhões no último ano, contabilizado entre junho de 2012 e junho de 2013. O total milionário é 6 vezes maior que o da segunda colocada, a top australianaMiranda Kerr – US$ 7,2 milhões.

Ainda segundo a publicação, Gisele lucrou mais que o marido, Tom Brady, apontado como o 11º jogador de futebol americano mais bem pago, ganhando US$ 38 milhões entre 2012-2013. A maior fonte de renda de Gisele Bündchen são seus acordos comerciais, a linha de lingerie lançada em parceria com a Hope, e inúmeras coleções de acessórios.

A brasileira Adriana Lima também figura a lista da Forbes. A top aparece em 3º lugar, tendo ganhado US$ 6 milhões.

Veja a lista com as 10 modelos mais bem pagas de 2013: 1. Gisele Bundchen – US$42 milhões 2. Miranda Kerr – US$7.2 milhões 3. Adriana Lima – US$6 milhões 4. Kate Moss – US$5.7 milhões 5. Liu Wen – US$4.3 milhões 6. Hilary Rhoda – US$4 milhões 7. Carolyn Murphy – US$3.6 milhões 8. Joan Smalls – US$3.5 milhões 9. Candice Swanepoel – US$3.3 milhões 10. Lara Stone – US$3.2 milhões

terça-feira, 20 de agosto de 2013

MORRER COMO ANTIGAMENTE


Morrer sempre foi doloroso. Pensar na morte nos dói. Porém, na medida em que elaboramos esta dolorosa realidade, ela é vivida de modo diferente. Os primeiros cristãos suplicavam: Maranatha, isto é, Vem, Senhor Jesus! E isso se aplicava à própria morte ou ao juízo universal definido como Parusia. Hoje, falar e pensar na morte é considerado de mau gosto, politicamente incorreto. Mais: escondemos a morte. Na impossibilidade de vencê-la, tentamos ignorá-la. Mesmo assim, nada é tão certo quanto a morte. Todos admitimos que os outros morrem, que a gente morre... mas não passamos daí.

Leo Moulin nos deixou uma crônica sobre a maneira de morrer de um monge da Idade Média: “Toca-se o sino do convento. Toda a comunidade, junto com o abade, reúne-se à porta do quarto do doente e entram os que cabem. Rezam três orações dos moribundos. O enfermo entende que a morte se aproxima. Reza o Ato de Contrição, se ainda é capaz de falar. Caso contrário, o abade reza por ele. O enfermo, se é capaz, confessa-se pela última vez e pede perdão à comunidade pelos pecados cometidos contra Deus e contra os irmãos. Recebe de todos o abraço da paz. Outros ritos são feitos, entre eles a chamada extrema-unção. O enfermo beija as cinco chagas do crucifixo a fim de reparar os pecados cometidos pelos cinco sentidos. Depois recebe a Eucaristia e é interrogado se está feliz de morrer na fé e com o hábito monástico. Se a agonia se prolonga, a comunidade se retira, mas permanece um monge lendo para ele a Paixão de Jesus.”
Assim se morria na Idade Média. Algo parecido acontecia em nosso meio no passado. O pai, ou a mãe, morria no grande leito do casal, cercado dos filhos. Os ritos sagrados constituíam-se na grande escola de preparação. A Unção, se administrada a tempo, com a expressividade de seus símbolos, permitia ao enfermo perceber e vivenciar a proximidade da morte. E também aceitar morrer. Uma indefectível vela acesa lembrava a vela da fé, recebida no cerimonial do batismo. Era a luz que havia guiado a pessoa através dos caminhos da vida.
Hoje, morre-se, com grande frequência, na mais absoluta ignorância. Ou, pior ainda, na mais absoluta solidão de uma CTI de hospital. Ao redor dele arma-se um verdadeiro teatro, o teatro de uma civilização que não sabe o que fazer com a morte. Os familiares, fingindo que o enfermo logo retornará às suas atividades, falam de negócios, de férias, de futebol... E na chegada - ou despedida - garantem que ele está muito melhor e em breve terá alta. O enfermo, o primeiro a suspeitar da gravidade da doença, mas o último a acreditar, embarca nesta encenação, acreditando ou fingindo acreditar.
Depois, sobrevindo a morte, o cadáver é velado numa anônima capela funerária, onde se fala em voz baixa, mas se fala das coisas da vida. Ou até se lembram episódios cômicos ou se contam piadas. Sepulta-se o morto o quanto antes, não se carrega luto e não se fala mais dele. Nos países mais secularizados, a encenação continua com funerais festivos. O morto é esquecido numa pequena sala, enquanto os convidados se agrupam junto a mesas com doces, salgadinhos e bebidas. Num grande telão é projetada a vida do falecido, com cenas de sua infância, adolescência, namoro, viajando ou jogando futebol. Também já existe o funeral on line, pela Internet. Os conectados veem as cerimônias, mandam mensagens para os familiares, desde a tranquilidade de suas casas.

A grande viagem - A psicóloga Ana Paula Reis, especializada em lutos e perdas, fala da insensibilidade - falta de amor - na atitude de mentir ao doente, de fingir que ele está bem. Com prudência e jeito, sugere que se ajude o enfermo a “preparar a bagagem” com calma, para a grande viagem. Com sensibilidade, familiares e médicos devem revelar ao doente seu verdadeiro estado, sem jamais tirar-lhe a esperança.
O sacramento da unção dos enfermos é das maneiras interessantes de ajudar a preparar a viagem sem volta. Num passado recente se falava da “extrema-unção” um sacramento para os moribundos, por vezes já em estado de coma. Ou até depois do passamento. A unção com o óleo santo, que Tiago recomenda, é para os doentes. Também podem receber a unção as pessoas idosas, com saúde, ou as pessoas que vão para qualquer cirurgia. E se trata de um sacramento para viver: “A oração da fé salvará o enfermo, o Senhor lhe dará alívio e se tiver pecados, serão perdoados!” (Tg 5, 15).
O culto à juventude e ao prazer faz com que a morte seja ignorada. Não se deve pensar ou falar nela. Na realidade, assim como temos que aprender tudo na vida, precisamos aprender a envelhecer e a morrer. Cada um deve preparar e merecer a própria morte.

CORAGEM E VONTADE POLÍTICA CONTRA A FOME


A constatação de que mais de um bilhão de pessoas passam fome no mundo deveria sensibilizar até os mais egoístas habitantes deste planeta. A revelação da Organização das Nações Unidas (ONU), no entanto, parece se juntar a tantas outras feitas nos últimos anos, cada uma delas elevando o número de subnutridos, como se estancar esse problema fosse algo impossível. E não é. O diretor-geral da FAO, braço da ONU para a Agricultura e Alimentação, Jacques Diouf, deixa claro: existem recursos técnicos e econômicos para fazer a fome desaparecer. Falta é vontade política.
Desde que a comida passou a integrar o leque de mercadorias do balcão mundial de negócios, os interesses de poderosos grupos econômicos sempre nortearam preços e destinos. E em um cenário influenciado pela crise financeira internacional, a oscilação de preços se torna ainda mais cruel para os desfavorecidos.
Estudos comprovam que há condições de produzir alimentos para toda a humanidade, mas a injusta distribuição acaba privilegiando uns e, em muitos casos, condenando à morte outros. Os dados da ONU mostram que mais de 900 milhões dos atuais famintos habitam regiões paupérrimas da Ásia e da África. Na América Latina estão outros 53 milhões de vítimas. Em todos os países desenvolvidos, apenas 15 milhões sofrem com a fome. Essa distribuição geopolítica torna evidente que a falta de comida existe só para os pobres.
Erradicar a fome exigiria uma revolução global, com passos ousados e demorados. Mas há providências viáveis a curto prazo. Reduzir o desperdício, que em certas regiões ultrapassa um terço apenas na colheita e no transporte, é um exemplo. Incentivar a agricultura familiar é outro. Medida mais consequente ainda: dar real destinação social à terra. Para isso, como diagnostica a ONU, basta vontade política - e uma boa dose de coragem. Sem elas só crescerá a fila de famintos.

O PROBLEMA É A OMISSÃO DOS BONS.


O mundo não vai mal porque existem muitos maus, mas porque os bons se omitem

Num campo isolado, com muita relva e muita água, viviam tranquilos três touros: um marrom, um branco e um preto. Nas cercanias habitava também um leão, que era visto, algumas vezes, entre a vegetação espessa, espiando os animais. Naturalmente, ele causava medo. Mas, aos poucos, os touros estavam se acostumando, até mesmo comentavam que o leão não era tão feroz como se dizia. Vez por outra o leão, respeitosamente, desejava a eles um bom dia.
Aproveitando a ausência do touro branco, o leão se aproximou dos touros preto e marrom e fez-lhe esta proposta: corremos o risco de chamar atenção dos caçadores por causa da cor chamativa do touro branco, tão diferente da nossa, que é tão discreta. Os touros concordaram e o leão devorou o touro branco. Passado algum tempo, o leão insinuou-se junto ao touro marrom: a tua cor e a minha cor são iguais. Deixa-me comer o touro preto, para que possamos viver tranquilos. A contragosto, o touro marrom concordou e o touro preto foi também devorado. E o touro marrom ficou sozinho. Chegou tua vez, disse o leão, uma semana depois. Conformado, o touro disse apenas: faze-o, mas antes deixe que eu proclame uma verdade: fui devorado no dia em que entregamos o touro branco.
A fábula dos animais se repete, muitas vezes, com os humanos. A injustiça praticada contra um inocente afeta a todos. A omissão costuma cobrar um preço muito alto. O raciocínio é míope: não tenho nada a ver com aquilo.
Poeta e pensador alemão do século XX, Bertold Brecht deixou um pequeno poema sobre a omissão diante do nazismo: primeiro vieram prender os comunistas, eu não me importei, pois não era marxista; depois prenderam alguns operários, não me importei, pois não sou operário; depois agarraram os sacerdotes, mais uma vez não me importei, não sou religioso... Quando vieram prender-me, não tinha ninguém para me defender.
A tentação de lavar as mãos, a clássica receita de Pilatos, costuma trazer um perigoso saldo de injustiças, lágrimas e sangue. Aparentemente não é conosco e fingimos não ver e escutar. O pensador John Danne proclamava: nenhum homem é uma ilha: cada homem é uma parte da terra. Se um torrão cai no mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, o solar do teu amigo ou o teu próprio...
Possivelmente o maior pecado da atualidade seja a omissão. O mundo não vai mal porque existem muitos maus, mas porque os bons se omitem. Povo unido jamais será vencido, proclamava um grito de mobilização na década de oitenta. A estratégia contrária propõe: dividir para vencer. Determinadas alianças podem tornar-se perigosas. E no final da vida seremos cobrados por tudo o que não fizemos. E a aliança do leão com o cabrito nunca dará certo.