quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

DILMA EM CADEIA NACIONAL: ELES ERRARAM FEIO

" Surpreende que, desde o mês passado, algumas pessoas, por precipitação, desinformação ou algum outro motivo, tenham feito previsões sem fundamento, quando os níveis dos reservatórios baixaram e as térmicas foram normalmente acionadas. Como era de se esperar, essas previsões fracassaram. O Brasil não deixou de produzir um único kilowatt que precisava(...). Cometeram o mesmo erro de previsão os que diziam, primeiro, que o governo não conseguiria baixar a conta de luz. Depois, passaram a dizer que a redução iria tardar. Por último, que ela seria menor do que o índice que havíamos anuciado. Hoje, além de garantir a redução, estamos ampliando seu alcance --e antecipando sua vigência. Isso significa menos despesas para cada um de vocês e para toda a economia do país (...)Todos, sem exceção, vão sair ganhando(...) Espero que, em breve, até mesmo aqueles que foram contrários à redução da tarifa venham a concordar com o que eu estou dizendo.Aliás, neste novo Brasil, aqueles que são sempre do contra estão ficando para trás, pois nosso país avança sem retrocessos, em meio a um mundo cheio de dificuldades.Hoje, podemos ver como erraram feio, no passado, os que não acreditavam que era possível crescer e distribuir renda. Os que pensavam ser impossível que dezenas de milhões de pessoas saíssem da miséria. Os que não acreditavam que o Brasil virasse um país de classe média. Estamos vendo como erraram os que diziam, meses atrás, que não iríamos conseguir baixar os juros". 

INSCRIÇÕES PARA HORIZONTINA EM EXPOSIÇÃO





Estão abertas as inscrições para as empresas de Horizontina que querem expôr no Jeep Country - Horizontina em Exposição. Num primeiro momento, será disponibilizado um box gratuito para cada empresa, mediante cumprimento das normas constantes no edital  caso as inscrições não preencham todos os espaços, espaços adicionais poderão ser adquiridos pelo valor de R$ 280,00 cada.
A documentação pode ser entregue na ACIAP ou na Secretaria Municipal de Indústria e Comércio.


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

ESTÁ FALTANDO O DEBATE.


No debate político que se trava no Brasil não se discutem estratégias, mas o quanto o país já está maravilhoso, próximo ao Éden, ou, então, como está falido, ao nível do inferno. Conforme o lado, estamos no inferno ou no paraíso. Não há meio termo. É o pensamento binário em estado sólido, e recendendo ao que é: uma merda.
Porque a vida não é feita de branco ou preto, quente ou frio, baixo ou alto, tênue ou esmagador. A vida é feita, justamente, de nuanças, de meios-tons, de ambiguidades. A vida é uma falta de certezas, mas o debate que se trava hoje é o da certeza absoluta até nas questões que mais desafiam a humanidade há milênios.
Claro que temos que denunciar a corrupção, combatê-la, fiscalizar o poder público, mas não desse jeito em que um lado vira bandido e o outro vira idiota, pois o que se tem hoje é isso: os escândalos em um lado decorrem de ingênua idiotia enquanto que os que acontecem do outro são sempre “os mais graves da história”, mesmo quando iguais aos que pesam contra o lado A.
E escolha você quem é lado A ou B. No fim, não fará diferença. Não mudará o nível do debate e o seu principal preço, que é atrasar a agenda do país por falta de foco no que deveria estar mobilizando as atenções.
Nos próximos três anos, o Brasil sediará os dois eventos esportivos mais importantes da atualidade. Está sentado em uma reserva de petróleo de proporções épicas, que será explorada por uma empresa genuinamente nacional. A população vai se tornando mais escolarizada e tem expectativa de futuro em alta.
Mas temos, também, uma pobreza que certamente não irá sumir quando o governo diz que irá, uma infra-estrutura para lá de atrasada, um nível de escolaridade médio baixíssimo e, inclusive, superestimado, pois um jovem brasileiro com onze anos de estudo não sabe tanto quanto equivalentes de países de qualidade de vida média como o nosso.
Nossas cidades são hostis, com raríssimas exceções. Nosso sistema de saúde ainda tortura os enfermos. Nossas escolas públicas e até as privadas não preparam nossa futura força de trabalho de forma minimamente análoga à que preparam as escolas de países muitas vezes até mais pobres e com muito menos recursos.
Esperaríamos que esses fossem os assuntos mais importantes, entre tantos outros, mas, enquanto temos tudo isso a resolver, em vez pôr mãos à obra ficamos nos masturbando com um julgamento cheio de nuanças políticas e em torno do qual parecemos ter apostado o futuro dos nossos netos e bisnetos, como se realmente alguém acreditasse que da degola de meia dúzia de políticos decorreria alguma diminuição da impunidade.
Ficamos discutindo um racionamento de energia cujas probabilidades de ocorrer sempre foram mínimas em vez de nos debruçarmos sobre como aproveitar a janela de oportunidades que está aberta para o Brasil em tantas áreas. Inclusive, negamo-nos a enxergar a própria janela, que dirá aquilo que ela mostra.
E ainda se discutíssemos essa inutilidade com modos, não seria nada. Mas é à base do nós contra eles, do tudo ou nada, da desqualificação completa de um lado pelo outro, não restando nada a quem estiver de fora que não seja entrar na pancadaria ou esquecer que política existe, com todas as consequências trágicas que a segunda opção encerra.
Tirei dois dias para refletir. Agora ponho a reflexão em texto. Nem sei o que está se passando na política. E, hoje, nem quero saber. Estou cheio dessa disputa pelo nada. A reflexão, portanto, é a de que temos que achar um jeito de elevar o debate ao rés do chão que se trava hoje no país. Você, por exemplo, leitor, não teria alguma idéia para doar?

IMPRENSA NÃO MERECE CRÉDITO DOS EMPRESÁRIOS


"Presidentes de empresas brasileiras ficam em 4º lugar em ranking de otimismo", revela o sempre bem informado e competente Clóvis Rossi, enviado especial da "Folha" ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suiça.  
Só posso chegar à conclusão de que os empresários que enfrentam a vida real da nossa economia não acreditam no que é publicado pela imprensa brasileira, que deixa o país sempre à beira do abismo esperando pelo pior, apostando em previsões pessimistas.
O próprio Rossi mostra esta contradição: "Fatia substancial do empresariado brasileiro não compartilha o catastrofismo que, nos últimos meses, acompanha as análises sobre as perspectivas da economia do país".
Talvez esteja na hora dos editores da grande mídia brasileira trocarem seus analistas ou recomendarem aos seus profetas de plantão que busquem outros oráculos além dos habituais.
Sem dar bola para a urubologia reinante, 44% dos empresários brasileiros estão muito confiantes no crescimento das receitas das suas companhias, segundo a 16ª pesquisa anual feita pela PricewaterhouseCoopers, que entrevistou 1.330 executivo - chefes em 68 países, no último trimestre do ano passado, justamente quando começaram a aparecer críticas sobre os rumos da economia brasileira.
O otimismo dos basileiros só perde para o dos russos (66%), indianos (63%) e mexicanos (62%).
Quando lhes foi perguntado sobre qual país parece o mais importante para o crescimento futuro de suas empresas, a nossa situação ficou melhor ainda: 15% indicaram o Brasil, à frente da Índia (10%).
A América Latina foi a região em que o empresariado mostrou maior otimismo: 53% esperam um crescimento das receitas, ao contrário do que acontece no resto do mundo, que está menos confiante a curto prazo do que no ano passado.
De Davos, pelo menos, chegam boas notícias para o Brasil.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

CUIDEMOS DE NOSSAS CRIANÇAS


 Nossas crianças...Sim, são nossas. As crianças são universais. 
As crianças são um patrimônio da humanidade. 
São a semente viva do universo.
As crianças retratam o nosso passado. As crianças são o futuro.
As crianças são a alegria, a esperança. 
São o amor, são a paz. São a brancura da inocência, a pureza, a transparência, a humildade.
As crianças são o que nós fomos e também a essência de como devemos, ou pelo menos deveríamos ser.
Salvem as crianças! Afastemo-las do perigo, da desordem, da preocupação. Deixemo-las livres para brincar, para correr, para rir, colorir e cantar! 
O mundo precisa delas e elas precisam de nós.
Não relutemos em sorrir para uma criança, seja quando ela vem ao nosso encontro, seja quando cruzamos com uma no elevador ou na esquina de nossa casa.
Transmitamos ternura em nossas palavras ou em um simples olhar. 
Transmitamos confiança, seja num forte abraço ou num singelo piscar.
Não permitamos que valores errados deem lugar aos verdadeiros princípios morais e aos bons costumes.
Não achemos graça naquilo que um dia poderá ocasionar em um desvio de conduta e que poderá se voltar contra ela mesma quando adulta. 
Corrijamos, com rigor e amor, quaisquer atitudes de desobediência, desrespeito e falta de educação.
Jamais sejamos complacentes, muito menos usemos de violência para com tais seres. 
Afinal, o respeito não nasce de gestos bruscos. 
E o respeito tem de ser mútuo. 
Devemos respeitar - coerentemente e sabiamente - o seu espaço, suas vontades, seus traços de personalidade.
E nesse maravilhoso intercâmbio, deixemo-nos envolver pela luz desses pequenos homens e pequenas mulheres. 
Viajemos com essas crianças em seus sonhos.
 Peguemos delas a forma como vêem ao mundo e como interagem com ele.
 Resgatemos, através delas, a sinceridade, regada a certa inocência. 
Vistamo-nos da mesma alegria e admiração pelo novo.
Sejamos também crianças! Cuidemos de nossas crianças!

SILENCIO...COMO ESTÁ FAZENDO FALTA.


O silêncio é uma condição necessária para que as palavras ganhem sentido e se transformem em algo mais do que sinais físicos. Silêncio interior e exterior, de minutos, não segundos. Convivemos hoje com uma proliferação desenfreada de palavras que vêm ao mundo cercadas de barulho e urgências discutíveis. Há um sistema de comunicação e de entretenimento em expansão ininterrupta que trabalha diariamente contra o silêncio, a reflexão e o sentido, oferecendo velocidade, euforia, instantaneidade, celebridade ou, simplesmente, alguma distração.
Somos convocados a emitir opiniões rápidas sobre os “fatos do dia”, quer sejam ele fatos reais ou meros boatos ou especulações. E, de um modo geral, essa convocação vem sendo atendida com entusiasmo, alimentando um exército de opinadores e opinadoras, comentadores e comentadoras, mais ou menos avessos à reflexão, que não se intimidam a “compartilhar” seus pontos de vista e convicções sobre os temas mais variados. Há pouco lugar para a dúvida ou a reflexão neste campo de batalha repleto de pessoas apaixonadas pela própria voz, de egos inflados e/ou desesperados.
E, de um modo crescente, há pouco lugar também para bons modos rudimentares. Não é preciso muito para a agressão, a intolerância, a irracionalidade, a proliferação de imperativos e o obscurantismo assumirem o comando de certos “debates”. Novos tipos de “especialistas” e “ativistas” surgem a cada dia. É difícil não utilizar aspas para designar esses personagens virtuais, pois não se trata estritamente de especialistas, ativistas ou debatedores, ao menos nos termos mais ou menos estabelecidos até aqui.
Exércitos de um homem (ou mulher) só também proliferam, lançando campanhas, abaixo-assinados, cartas dirigidas a autoridades, divulgando frases e fatos muitas vezes atribuídos falsamente a determinadas personalidades. A fauna é variada e crescentemente diversificada. Essa nova realidade não é resultado de nenhuma propriedade maligna das redes sociais ou de outras inovações tecnológicas na área da comunicação. Como ferramentas tecnológicas, elas podem servir para distintas finalidades. A poluição opiniática não nasce nas ou das redes sociais. O problema é bem mais complexo e está associado à indústria da comunicação de um modo mais geral que vem se dedicando com afinco a transformar desde as mais singelas e primitivas formas de expressão em mercadoria.
A questão aqui não é o direito de termos opiniões e de expressá-las do modo que achamos mais conveniente, mas sim a transformação desse direito em um fenômeno bizarro e com implicações nada inocentes. Não somos mais apenas convidados e convocados a consumir, mas também a compartilhar, a curtir, a enviar torpedos, a participar de campanhas interativas, a dizer o que estamos pensando a cada instante, o que estamos fazendo, não importa se é lendo um livro de Platão ou escovando os dentes. E, por trás desses convites, cada vez mais, há uma iniciativa destinada a ganhar dinheiro. Por trás de toda essa poluição semântica há uma dimensão de acumulação econômica. Uma nova fronteira de acumulação monetária e de esvaziamento semântico.
As consequências desse “mundo novo” ainda são imprevisíveis. O que é perceptível, por enquanto, é um crescente desconforto que já vem levando muita a gente a se desconectar ou ao menos se afastar desses espaços. De modo similar à história de ficção científica sobre o mundo saturado pelo ruído, é como se estivéssemos respirando um ar cada vez mais pesado, carregado de opiniões, frases, citações sobre todo e qualquer tema, sobre tudo e sobre nada, tudo ao mesmo tempo agora. Uma saída, assim como na história do mundo insuportavelmente barulhento, seria recusar essa realidade em busca de um território onde o silêncio e a reflexão não estejam soterrados por debates que não são debates, pautas que não são pautas, campanhas que não são campanhas, palavras que não chegam a ser palavras, pois não chegam a constituir sentido. A tentação é grande. O ruído está ficando insuportável.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

QUE IDADE VOCÊ TERIA SE NÃO SOUBESSE A DATA EM QUE NASCEU?

O conflito entre gerações, o conflito entre pais e filhos, entre jovens e velhos, sempre existiu. No alvorecer da história, Adão e Eva tiveram problemas com o filho Caim. E, ao que tudo indica, esse conflito, com tendência a se agravar, continuará até o fim do mundo. No meio de tudo isso, a geração madura, entre trinta e cinquenta anos, garante: os velhos não valem nada, os jovens menos ainda, sobramos nós!
“Não tenho nenhuma esperança no futuro se ele depender da juventude de hoje. Os jovens são insuportáveis e levianos. Ai do mundo no momento que eles chegarem ao poder”. A frase, que pode ser ouvida hoje, numa reunião familiar, foi proferida pelo filósofo grego Sócrates, que morreu 429 antes de Cristo. O poeta grego Hesíodo é ainda mais duro: “Os jovens de hoje não têm educação. São insolentes, preguiçosos, julgam que sabem tudo, não respeitam os pais e não cedem seu lugar aos mais velhos. A juventude do meu tempo não era assim”. Em tempo, Hesíodo morreu no ano 720 antes da Era Cristã.
Hoje é muito difícil encontrar alguém que já não tenha dito a frase “no meu tempo não era assim”. O jovem se rebela e explica: o meu tempo é hoje; deixa-me viver o meu tempo! Algumas vezes, aqueles que apelam para “o meu tempo” têm péssima memória! 
No falar do povo, na juventude ateamos fogo para nos tornarmos bombeiros vinte anos depois. Acabamos por repetir, alguns anos depois, os conselhos de nossos pais que um dia ridicularizamos. E isso porque a vida é uma grande escola. Nela aprendemos até mesmo pelos erros cometidos.
Um mundo só de jovens seria inexperiente e condicionado a cometer erros graves. Um mundo só de velhos seria um mundo triste e rotineiro. O ideal é que jovens e velhos se encontrem na ponte do diálogo. E, neste sentido, a responsabilidade maior é dos adultos. Eles precisam ir até os jovens, entender seus pontos de vista, muitas vezes confusos e radicais, para ajudá-los a amadurecer. Isso não será possível sem uma grande dose de amor. Os jovens não amam os que não amam os jovens. E isso é básico.
Porque já foram jovens, os velhos precisam ter a experiência necessária para entender outros pontos de vista.  Dom Hélder Câmara, que morreu jovem aos 90 anos, observava: “Se discordas de mim, me enriqueces”.
Nem todo o idoso é amargo e saudosista, nem todo o jovem é rebelde. Os conflitos de geração são saudáveis. Nem tudo o que podia ser feito já foi feito e o que foi feito pode ser feito de uma forma melhor. 
Juventude e idade madura nem sempre dependem dos anos. Com vinte anos, alguém pode já ser velho, e continuar jovem um coração que bate há 80 anos ou mais. Uma pergunta inteligente: que idade você teria se não soubesse em que ano nasceu?

ESPERAR QUE ACONTEÇA OU FAZER?

Difícil a inspiração ao pensar no novo ano. Difícil porque se termina em geral o ano com o cansaço acumulado de tudo o que foi vivido, trabalhado, sofrido e frustrado, defraudado, perdido. E, no entanto, é preciso tentar animar-se, reerguer-se, preparar-se.
E como viver este ano novo sem esperança? Sem essa expectativa de que tudo será melhor, como enfrentar a longa sucessão de mais de 300 dias que se desdobra à nossa frente? Como acolhê-la, saudá-la? 
O fato é que, como dizia o poeta maior, Carlos Drummond de Andrade, “Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta. Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumadas nem parvamente acreditar que, por decreto de esperança, a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver. Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.”]
Pois então vamos lá. Sigo o poeta e penso: em lugar de esperar que aconteça, o que devo fazer para que o ano seja novo? O que em mim tem que nascer, renascer, ser recriado para que o ano tenha cheiro e gosto de manhã e não sabor murchado e dormido de anteontem? 
Creio que a primeira coisa é sacudir a poeira dos hábitos e acomodações instalados em meu interior. Com a idade vamos ficando ranzinzas, acostumados a certas coisas, horários, atitudes, sequências... Tentarei deixar que os mais jovens – filhos, netos, alunos - baguncem minha vida e meus esquemas. Que inventem e reinventem horários, prioridades, posição dos móveis, ordem de alimentos, programas. Deixar-se surpreender e passar o bastão de comando deve ser bom. Agora é a vez de eles inventarem a vida. Quem sabe não a inventam melhor do que eu?
Depois, em seguida, vem a atenção à minha renovação particular. Já que o tempo passa e certo declínio é inevitável, é bom no Novo Ano fazê-lo ao menos mais trabalhoso. Renovar-se fisicamente, com atenção, carinho e cuidado ao irmão corpo para que o mesmo não pife. Alimentá-lo saudavelmente, movimentá-lo para que não chie com artrites e males afins. Ou chie menos. Cuidar-se, respeitar os ritmos do corpo, ouvir suas queixas e clamores. Para oferecer aos outros uma presença mais tranquila e menos incômoda. 
Em seguida, e não digna de menos atenção, está a renovação interior, que anda muito descuidada e negligenciada. O acúmulo de trabalho acaba sempre obstruindo veias e artérias da integridade intelectual e sobretudo espiritual. O ativismo é febril e chega a sufocar. No cansaço que marca este fim de ano, quem sabe não tento no ano que vem discernir melhor os compromissos, separar tempo em quantidade adequada para a leitura, a oração, o lazer. E, assim, não atravessar madrugadas ou passar noites insones para dar conta de tudo. 
Renovar igualmente o cuidado com as relações. Refazer laços antigos que por alguma razão afrouxaram ou ameaçam romper-se. Cuidar com especial atenção dos novos amigos que ainda são plantas frágeis no jardim da vida e merecem olhar mais profundo e comunicação mais intensa. Incluir os distantes e os tristes, os sozinhos e os abandonados, aqueles que não percebemos que foram se afastando porque não podem mais participar das nossas circunstâncias por vários motivos: falta de forças, de dinheiro, de tranquilidade... enfim todas as faltas que cavam em nós abismos intransponíveis. 
E se tudo isso não conseguir ser feito, aportar ali onde sou sempre esperada e onde meus tantos anos já tão vividos são sempre renovados por um amor que jamais se desgasta, diminui ou envelhece. Em Deus, que é sempre novo e que a cada manhã me desperta como um Pai, ou um noivo, ou um Amigo maior, dizendo-me que a vida me espera e que sou sempre convidada a vivê-la intensa e plenamente. 

SUPERAR O VELHO PARA TER UM ANO NOVO

Por que desejar Feliz Ano-Novo se há tanta infelicidade à nossa volta? Será feliz este ano para afegãos e palestinos, e os soldados usamericanos sob ordens de um governo imperialista que qualifica de “justas” guerras de ocupações genocidas? 
Serão felizes as crianças africanas reduzidas a esqueletos de olhos perplexos pela tortura da fome? Seremos todos felizes conscientes dos fracassos de Copenhague, que salvam a lucratividade e comprometem a sustentabilidade?
O que é felicidade? Aristóteles assinalou: é o bem maior a que todos almejamos. Tomás de Aquino alertou: mesmo ao praticarmos o mal. De Hitler a ma
dre Teresa de Calcutá, todos buscam, em tudo que fazem, a própria felicidade. 
A diferença reside na equação egoísmo/altruísmo. Hitler pensava em suas hediondas ambições de poder. Madre Teresa, na felicidade daqueles que Frantz Fanon denominou “condenados da Terra”.
A felicidade, o bem mais ambicionado, não figura nas ofertas do mercado. Não se pode comprá-la, há que conquistá-la.
Estimulado pela propaganda, nosso desejo exila-se nos objetos de consumo. Vestir esta grife, possuir aquele carro, morar neste condomínio de luxo – reza a publicidade – nos fará felizes.
Desejar Feliz Ano-Novo é esperar que o outro seja feliz. E desejar que também faça os outros felizes? O pecuarista que não banca assistência médico-hospitalar para seus peões e gasta fortunas com veterinários de seu rebanho, espera que o próximo tenha também um Feliz Ano-Novo? 
Na contramão do consumismo, Jung dava razão a São João da Cruz: o desejo busca sim a felicidade, “a vida em plenitude” manifestada por Jesus, mas ela não se encontra nos bens finitos ofertados pelo mercado.
A arte da verdadeira felicidade consiste em canalizar o desejo para dentro de si e, a partir da subjetividade impregnada de valores, imprimir sentido à existência. Assim, consegue-se ser feliz mesmo quando há sofrimento. Trata-se de uma aventura espiritual. Ser capaz de garimpar as várias camadas que encobrem o nosso ego.
Porém, ao mergulhar nas obscuras sendas da vida interior, guiados pela fé e/ou pela meditação, tropeçamos nas próprias emoções, em especial naquelas que traem a nossa razão: somos ofensivos com quem amamos; rudes com quem nos trata com delicadeza; egoístas com quem é generoso; prepotentes com quem nos acolhe em solícita gratuidade. 
Se logramos mergulhar mais fundo, além da razão egótica e dos sentimentos possessivos, então nos aproximamos da fonte da felicidade escondida atrás do ego. Ao percorrer as veredas abissais que nos conduzem a ela, os momentos de alegria se consubstanciam em estado de espírito. Como no amor.
Feliz Ano-Novo é, portanto, um voto de emulação espiritual. Claro, muitas outras conquistas podem nos dar prazer e alegre sensação de vitória. Mas não são o suficiente para nos fazer felizes. Melhor seria um mundo sem miséria, desigualdade, degradação ambiental, políticos corruptos! 
Essa infeliz realidade que nos circunda, e da qual somos responsáveis por opção ou omissão, constitui um gritante apelo para nos engajarmos na busca de “outros mundos possíveis”. Contudo, ainda não será o Feliz Ano-Novo.
O ano será novo se, em nós e à nossa volta, superarmos o velho. E velho é tudo aquilo que já não contribui para tornar a felicidade um direito de todos. À luz de um novo marco civilizatório há que superar o modelo desenvolvimentista-consumista e introduzir, no lugar do PIB, a FIB (Felicidade Interna Bruta), fundada na economia solidária e sustentável. 
Se o novo se faz advento em nossa vida espiritual, então com certeza teremos, sem milagres ou mágicas, um Feliz Ano-Novo, ainda que o mundo prossiga conflitivo; a crueldade travestida de doces princípios; e o ódio disfarçado de discurso amoroso.
A diferença é que estaremos conscientes de que, para se ter um Feliz Ano-Novo, é preciso abraçar um processo ressurrecional: engravidar-se de si mesmo, virar-se pelo avesso e deixar o pessimismo para dias melhores. 

ONDE O EGOÍSMO PODE NOS LEVAR

Noventa e cinco dentre cem jovens cederiam o lugar. A maioria respeita os anciãos e os enfermos. Ele fazia parte dos cinco por cento que não perdem para ninguém, não cedem um milímetro de seus direitos não adquiridos e não dão a mínima para anciãos, enfermos ou portadores de alguma deficiência, até porque, deficiência por deficiência, a deles 
é pior: falta-lhes o essencial. Amam demais a pessoa errada, isto é, a si mesmos.
A companhia chamara os passageiros e, como de costume, idosos, pessoas com alguma deficiência, crianças e gestantes, tinham sido atendidos. Faltavam os demais. Um senhor, já nos seus 85 anos, chegou atrasado e, meio trôpego, quis passar à frente. O rapagão de 23 anos chiou. Ostensivamente, não permitiu passagem, alegando que também estava cansado e tinha viajado de longe. Era sua vez e não cederia! Ato contínuo, a atendente fechou a porta de vidro e disse que ninguém mais passaria, até que o ancião fosse atendido. Os da fila aplaudiram. O rapagão emitiu um sonoro palavrão. Fizeram-no ver que ele estava errado e que o “tiozão” tinha todos os direitos. Soltou outro palavrão. A menina que o acompanhava saiu da fila e fez menção de ir embora. Era demais par a cabeça dela.
Caso resolvido, ela teimou em ficar por último, o que o obrigou também a ir para o fim da fila, não sem resmungar e puxar briga com ela. Não foi preciso comentar. Todos perceberam a que extremos pode levar o egoísmo. Malquisto e malvisto, o rapaz não teve outra solução senão dormir o tempo todo. Ainda bem!

AGENDAS E CALENDÁRIOS

Parece ingenuidade pensar em algo tão comum, familiar e aparentemente insignificante: ano novo, novos calendários e novas agendas. Nós, humanos, temos tantas dependências e necessidades de ajuda que muitas vezes não paramos para pensar o que significam os pequenos auxílios que nos são oferecidos por realidades tão simples. Assim pode acontecer com o amigo calendário e a companheira agenda de um novo ano.
Mesmo com calendários que carregamos nos celulares e agendas eletrônicas, ainda contamos com o calendário de parede e de mesa como um instrumento de rápida consulta e auxílio de cada dia para nos situar no tempo. Não é difícil nos perder no tempo! A rotina da vida parece nos convencer de que todos os dias são iguais. Se não vamos ao calendário, quando menos pensamos, nos vemos desatualizados e perdidos no tempo.
Por ser este companheiro tão importante, na maioria das casas e repartições públicas achamos um calendário. Em todos temos as mesmas datas, comuns ou especiais. Porém, os formatos são os mais diferentes possíveis. Alguns apresentam o ano todo numa página, outros veiculam mensagens e disponibilizam a cada mês um espaço especial; outros ainda, com estampas religiosas, fotos regionalizadas e familiares parecem trazer o tempo mais dentro de nossa história.
Uma coisa é certa: podemos nos servir do calendário para exercitar a nossa fé. Posso encará-lo além de um objeto e perceber que, num simples número de um mês e de uma semana, estão vinte e quatro horas do dia a meu dispor. Posso então dizer: “Obrigado, Senhor, por este dia que amanhece e me é concedido como preciosa oportunidade para viver e fazer o bem!” Mas sendo uma graça, o dia que me é concedido também se faz responsabilidade. Posso administrá-lo do melhor ou do pior modo, dependendo de minhas intenções, decisões e respostas concretas.
Bem-vindo é o calendário de minha visibilidade permanente. Assim vou me dando conta que um dia chega e passa. Sem retorno, o dia de cada semana deverá me ajudar a perceber “o tempo favorável e oportuno!”. O calendário de minha casa ou do meu espaço de trabalho ajuda-me a me manter vigilante e atento, pois não sabemos nem o dia, nem a hora.
Falei de calendário e pouco falei de agenda. Mesmo que tenha calendário, esta se torna um instrumento diferenciado em nosso uso cotidiano. Nela estão nossos compromissos e tarefas, as cobranças de nossa família, de nossa missão, os serviços a serem prestados em dia e hora marcada e as ocupações que não podem falhar.
Diante da agenda há quem se sinta pressionado; há quem treina a sua liberdade responsável; há os compromissos e comprometidos e, enfim os que conseguem valorizar ao máximo o tempo da vida. Agenda cheia pode revelar a vida de pessoas organizadas, determinadas e comprometidas, mas também de gente apressada e atropelada por um ativismo desmedido, arriscando comprometer a saúde, a qualidade de vida e convivência. Tudo vai pela justa medida. Abençoados sejam os calendários e agendas do ano que começamos!