quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

UM 2013 DE BOAS NOTÍCIAS


Como os governos, o Congresso, o Supremo, as escolas de samba e os times de futebol estão entrando em recesso, as notícias começaram a rarear e este é um bom momento para todos juntos fazermos uma reflexão sobre o ano que passou e o que nos espera em 2013
Prometo não fazer nenhuma retrospectiva nem tentar prever o que vai acontecer no ano que vem. Essas coisas costumam ser muito chatas e os balanços acabam mais tirando do que dando esperanças.
Melhor é esfriar a cabeça um pouco, dar uma boa limpada nos pensamentos negativos  e imaginar como cada um de nós pode colaborar para fazer um mundo melhor, menos conflituoso e destrutivo, menos intolerante e mais fraterno.
Se o mundo não acabar amanhã, poderíamos começar cumprimentando nossos vizinhos com um sorriso e não apenas por obrigação, perguntar como vai, pedir por favor e falar obrigado sempre que possível, esses coisas antigas quase esquecidas.
Há mil maneiras de tornarmos mais prazeroso nosso dia a dia e a relação com as outras pessoas, a começar pelas mais próximas. Neste texto, sem nada de importante para falar, conto com a colaboração dos leitores para ver de que forma poderemos ter mais notícias boas em 2013.
Desde que comecei a tocar este blog, faz uns três anos, meu desafio é procurar fugir das manchetes, dos lugares comuns, das desgraças de todos os dias, da eterna disputa política, das futilidades transformadas em grandes acontecimentos.
Não é fácil. Em primeiro lugar, porque todos nós somos produtos do nosso meio. É impossível você terminar de ler os jornais e os portais, ver e ouvir o noticiário de manhã à noite, e não ficar impregnado de coisa ruim, ainda capaz de encontrar fatos para despertar um sorriso, uma alegria em quem frequenta este espaço.
Tenho verdadeira obsessão, faz muito tempo, por encontrar notícias boas, histórias inspiradoras, lugares diferentes, novos personagens que mudam o rumo das coisas.
Ao final de cada ano, sinto-me como aquela maratonista da olimpíada que foi se arrastando para alcançar a chegada, disposta a não entregar os pontos.
Não é possível que num país como o nosso, com seus 200 milhões de habitantes em sua grande maioria de boa índole e 8,5 milhões de quilômetros de metros quadrados de riquezas sem fim, a gente não tenha para contar de um dia para outro algumas coisas boas que estão acontecendo em algum lugar escondido do país.
Sempre defendi que lugar de repórter é na rua, mas nos últimos tempos tenho seguido cada vez menos meu próprio conselho, navegando horas pela internet ao invés de bater pernas pelas ruas e ir aonde os fatos estão acontecendo.
Faço um apelo para que a gente dê uma arejada nos assuntos, na maneira de tratar os acontecimentos bons ou ruins que fazem parte do nosso dia a dia.

A MAIS FAMOSA CANÇÃO.

Noite feliz, noite feliz; ó Senhor, Deus de amor; pobrezinho nasceu em Belém... Quem já não cantou, pelo menos uma vez, alguns versos da mais famosa música de Natal? Com mais de 300 traduções, a canção se faz presente nos mais diversificados eventos natalinos, no mundo inteiro. Apesar do sucesso, poucos sabem sua origem ou quem é o seu autor. Muitos acreditam tratar-se de uma música popular americana, mas, na verdade, ela foi composta na Áustria, em alemão. 
Em dezembro de 1816, o padre Joseph Mohr, que vivia na aldeia de Mariapfarr, na Áustria, escreveu um poema em homenagem ao nascimento do menino Jesus. Ele desejava acrescentar aos versos uma melodia, mas não tinha dom musical, então, o poema e a ideia ficaram guardados. 
Dois anos depois, ao ser transferido para a aldeia de Oberndorf, o padre fez amizade com um professor de música chamado Franz Xaver Gruber. Em 24 de dezembro, Joseph preparava a Missa do Galo e queria apresentar algo especial, uma música que pudesse ser cantada principalmente pelas crianças do lugarejo. Então recorreu ao amigo.
Sem muito tempo, já que a missa seria celebrada em poucas horas, Franz pegou seu violão e começou a dedilhar algumas melodias para acompanhar os versos de Joseph, sem imaginar o sucesso que alcançaria aquela música que estava nascendo, do improviso. 
Naquela noite, na pequena igrejinha de São Nicolau, pela primeira vez, ouviu-se a música que virou tradição do Natal. A canção foi entoada pelos dois compositores acompanhados por vozes trêmulas de algumas crianças, uma flauta e um violão, já que o órgão não funcionava. 
O órgão estragado, que inicialmente deixou desolados os amigos Joseph e Franz; dias depois, foi responsável por tirar a música do anonimato. Acontece que o padre chamou o mestre Karl Mauracher à capela para consertar o instrumento e, aproveitando o momento, mostrou-lhe a canção. O mestre encantou-se de imediato, pediu a partitura ao padre e tratou de divulgar a música nas redondezas. 
O sucesso foi avassalador e a música chegou aos ouvidos de pessoas de prestígio, como o imperador da Áustria, Francisco I; o rei da Prússia, Guilherme IV. Desde então, nada mais conteve a propagação da canção que, ao ser executada pela primeira vez, nem tinha nome, sendo batizada mais tarde de Stille Nacht (Noite Silenciosa). No início do século XX, ela já era sucesso mundial. Hoje, é conhecida em pelo menos 45 idiomas. Em português, chama-se “Noite Feliz”.
Padre Joseph Mor morreu humildemente como pároco da aldeia de Wagrain, nos Alpes. Franz Gruber também faleceu quase no anonimato. A capela original de São Nicolau foi destruída há cerca de 100 anos. Em seu lugar, na década de 20, construiu-se a Capela Memorial da Noite Silenciosa. Nos vitrais da capela, observa-se as imagens de Joseph e Franz.

UMA PEDAGOGIA DE PAZ

“Há necessidade de propor e promover uma pedagogia da paz. Esta requer uma vida interior rica, referências morais claras e válidas, atitudes e estilos de vida adequados. Pensamentos, palavras e gestos de paz criam uma mentalidade e uma cultura da paz, uma atmosfera de respeito, honestidade e cordialidade. 
A pedagogia da paz implica serviço, compaixão, solidariedade, coragem e perseverança. Neste contexto, apraz-me lembrar a oração com que se pede a Deus para fazer de nós instrumentos da sua paz, a fim de levar o seu amor onde há ódio, o seu perdão onde há ofensa, a verdadeira fé onde há dúvida. 
Com esta invocação, faço votos de que todos possam ser construtores da paz, para que a cidade do homem cresça em concórdia fraterna, na prosperidade e na paz.”

UM ANIVERSÁRIO DIFERENTE

No último Natal, um casal de amigos meus convidou 30 amigos para um Natal diferente. Não haveria nem presépio nem a imagem do Menino Jesus na manjedoura. Quando chegaram, a esposa os recebeu à porta e após a conversa de entrada foram para a mesa onde o marido, vestido de Jesus adulto e com uma coroa de louros na cabeça, convidou-os para o seu 2012º aniversário. Soprou as velinhas que lembravam seus 2012 anos e desvendou atrás da mesa, na parede, um quadro de Jesus menino.
Convidou os presentes para falar de Jesus adulto e de Jesus ainda menino. Depois, todos deveriam falar dos seus natais e de como o viam. A conversa se prolongou e o Jesus adulto passou um filminho do seu nascimento em Belém e de seus primeiros anos em Nazaré. Foi montagem, coisa fácil de fazer em tempos de internet.
O resultado é que aqueles casais, ao voltarem para casa, contaram aos filhos como tinham celebrado o Natal. Sendo ele publicitário, passou aos amigos a ideia de que no Natal não se festeja o menino Jesus, mas o Jesus que foi menino. A manjedoura é memória. Para quem crê, o aniversariante é o Jesus atual, da mesma forma que festejamos os 50 ou 80 anos de alguém, relembrando sua infância.
O que o publicitário quis mostrar é que se pode lembrar o passado de Jesus sem agirmos como gente do passado. Jesus hoje projeta a imagem do adulto compassivo e exigente. Voltar ao menino como se ele ainda existisse é não entender um aniversariante. Ninguém de nós se veste de bebê no dia do nosso aniversário. Mas fazemos isso com Jesus.
O que fez esse casal deveria ser feito em todas as casas. Não há porque tirar de cena os animais, Maria, José e os reis magos. Pode-se até fazer o  São Nicolau, ou seja, o Papai Noel, ajoelhar-se junto aos reis magos diante do presépio. Se é para ser simbolismo, que o seja integralmente. Inclua trabalhadores, reis magos, povos do mundo, avô e avó, presenteadores, amigos e vizinhos na grande festa da fraternidade universal. Mas expliquem isso às crianças com um simples verbo no passado: Jesus foi menino. Não é mais.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

UM CASO DE NATAL


Dia 25 de dezembro de 1. Jacó acordou tarde. Chegara cansado, na véspera, da viagem que o trouxera de Cafarnaum a Belém. Viera convocado pelo recenseamento decretado pelo imperador Tibério. Cada cidadão deveria retornar a seu lugar de origem.
Para Jacó, tratava-se também de uma oportunidade de deitar uma vista d’olhos na pequena propriedade rural que mantinha nas cercanias da cidade de Davi. Ali nascera, ali nutria o sonho de terminar seus dias, longe da azáfama comercial que o prendia à Galileia.
Zacarias, o capataz, correu esbaforido em direção ao patrão. Aguardara ansioso que Jacó despertasse. Queria, o quanto antes, colocá-lo a par do que ocorrera na propriedade ao longo da madrugada.
― Tens cara de não haver cerrado os olhos esta noite, Zacarias! – observou Jacó.
― É verdade, patrão. Tive uma noite muito atribulada.
― O que sucedeu, homem? As ovelhas romperam a cerca?
― Que nada! Já a noite ia adiantada, quando empunhei o candeeiro para verificar se tudo andava em ordem na propriedade. Eis que avistei dois vultos próximos ao curral.
― E quem eram os intrusos? Tratou de expulsá-los?
― Era o que pretendia fazer, patrão. Mas ao me acercar do curral, vi que a mulher estava grávida e já se dobrava às dores do parto.
― O que fizeste, homem?
― Acomodei-a com o marido junto ao cocho das ovelhas. Corri à casa em busca de bacia, água quente e panos limpos. Logo ela deu à luz um lindo bebê.
― Macho ou fêmea?
― Macho, patrão.
― E passaram a noite aqui?
― Sim, e tão logo o menino nasceu surgiu no céu uma estrela tão brilhante que meu candeeiro já nem tinha precisão. E chegaram três cameleiros.
― Cameleiros! Que diabos vieram parar aqui?
― Disseram ter vindo do Oriente conduzidos pela estrela brilhante. Queriam adorar o salvador.
― Que salvador, Zacarias? Tua cabeça não te confunde por falta de sono?
― Acho que se referiam ao Messias esperado por Israel.
― Ora, então achas que o Messias viria a nós como um intruso invasor de terra alheia? Um deus sem eira nem beira?
― Não acho nada, patrão. Sei apenas que vi um dos cameleiros oferecer ao menino um punhado de ouro; outro, um pouco de incenso;e o terceiro, mirra.
― E sabes quem são os pais do menino?
― Logo que os cameleiros partiram, fui à cidade em busca de pão. Na fila do forno de Tobias, comentei sobre o casal e o parto. Neemias, a quem nada passa despercebido, me contou que o pai, um tal de Zé, é natural de Belém. Há tempos deixou a região e se empregou como carpinteiro lá pras bandas de Nazaré, na Galileia. Andava de namoro com Maria, a mãe do bebê. O casamento nem sequer tinha sido anunciado, quando ela apareceu grávida. Neemias desconfia de que o filho talvez nem seja do próprio Zé. O fato é que este apareceu aqui atraído pelo censo e buscou abrigo em casa de seus familiares. Ao verem a barriga avantajada de Maria, seus parentes consideraram uma pouca vergonha Zé ter vindo com a moça, pois nem casamento houve. Bateram-lhes a porta na cara.
― Deve ser por isso – ponderou Jacó – que vieram parar aqui no meu terreno.
― Com certeza, patrão. A moça já chegou que não se aguentava.
― E ainda estão por aí?
― Dei feno ao burrico que montavam e, hoje cedo, partiram no rumo do Egito.
― Melhor assim, Zacarias. Receio essa gente sem terra que entra sem licença na propriedade alheia. Se a moda pega... Também vou partir, Zacarias. Sele meu cavalo. Tenho audiência com Herodes em Jerusalém. Direi a ele que o Messias nasceu em minhas terras. Garanto que se divertirá com a notícia...Boas Festas e um ano novo cheio de amor no coração.

QUE NO ANO NOVO POSSAMOS NOS RENDER AO UNIVERSO

Doug Henning foi um dos mais festejados mágicos da década de setenta. Atuou na TV canadense e fez shows em todo o mundo, sempre com sucesso. Numa oportunidade apresentou-se diante dos inuits, um povo de esquimós, a 500 quilômetros do pólo norte. A temperatura era de 60 graus abaixo de zero. Sentados no chão, os nativos acompanharam a apresentação, sem grande interesse. Ao final do espetáculo, Henning, através de um tradutor, quis saber a causa da aparente indiferença.
Os inuits disseram que haviam gostado, mas não haviam entendido o que ele pretendia fazer. Por que você fez estas coisas? Eu estava tentando divertir vocês, esclareceu, com algumas mágicas. Eu fiz uma bola flutuar, tirei um coelho da cartola e pombos das mangas... Isso é mágica. Os nativos observaram: aqui temos uma bola imensa, que flutua no ar todos os dias e dá luz e vida. Essa sim que é mágica! Aqui, continuou o esquimó, temos o alce. A cada primavera aparece e, num belo dia, desaparece. Temos ainda a magia da neve, com sua brancura imaculada. Temos sementes, que e o vento traz, não sabemos de onde, e que germinam enchendo de cor e perfumes nossa terra. Temos até coelhos, que após hibernarem longos meses, acordam para a festa da vida e os pássaros que aparecem magicamente e desaparecem no final da estação.
Como conclusão, o líder do grupo, após consultar os seus, explicou ao mágico: agora entendemos porque você está fazendo estas coisas. “É porque seu povo esqueceu o que é realmente mágico. Você está fazendo isto para eles se lembrarem. Boa ideia!”. Doug Henning agradeceu emocionado e nunca mais apresentou seu espetáculo. Viveu mais vinte anos, encantado com a magia do universo. Francisco de Assis não foi mágico, mas soube muito bem perceber a magia do universo. Para ele o mundo era, nada mais nada menos, um maravilhoso templo onde era possível perceber os vestígios divinos. Todas as criaturas saíram das mãos mágicas de Deus. E Deus continua a falar pelo mar, pela primavera, pelo canto das aves, pela difusa música do universo. O espetáculo prossegue. E através da oração, também revestida de mágica beleza, Francisco falava com Deus.
O santo de Assis deu mais um passo. Entendeu que todos – porque criados pelo Pai – somos irmãos. E o amor é a maior de todas as magias e transforma a vida da humanidade. “O amor - diz São Paulo - tudo crê, tudo desculpa, tudo espera... o amor jamais passará” E Deus é amor".
Enviou ao mundo seu filho Jesus. Ele realizou a maior de todas as magias, jamais repetida por alguém: no terceiro dia saiu do túmulo, Ele ressuscitou. E isto tem a ver com a
vida de cada um de nós: recebemos poderes mágicos. Feliz Ano Novo a todos.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O SUJEITO VIRA OBJETO;OBJETO, SUJEITO


O consumismo neoliberal gera, hoje, uma proeza que deixa os filósofos mais encucados: o sujeito humano passa à condição de objeto e o objeto – a mercadoria – ocupa a condição de sujeito.
O consumo já não é determinado pela necessidade. Depende, sobretudo, do sonho do consumidor de alcançar o status do produto. Isso mesmo: a mercadoria possui grife, status, agrega valor a quem a porta. Ao obtê-la, o consumidor se deixa possuir por ela. O valor que ela contém, criado pela mídia publicitária e pela moda, emana e impregna o consumidor.
No universo consumista, se alguém deseja ser bem aceito entre seus pares, no círculo social que frequenta, precisa equipar-se com todos aqueles objetos de luxo que o revestem de uma auréola capaz de sinalizar socialmente o alto nível de seu status. Ai dele se não ostentar certas marcas de carro, relógio e roupa. Ai dele se não viajar em classe executiva para Nova York, Paris ou uma ilha do Pacifico apontada como o novo point.
Caso o sujeito se recuse a ostentar a lista de objetos considerados requintados, ele corre o risco de ser excluído, deletado do círculo social que estabelece como código de identificação certo nível mínimo de padrão de consumo. Em suma, o sujeito passa a ser tratado como objeto. Duplo objeto: por se sujeitar à mercadoria e por ser rechaçado por seus pares. Porque no sistema consumista só é aceito quem transita despudoradamente no universo do luxo e do supérfluo.
Esse processo de desumanização estimula a obsolescência das mercadorias. Agora se produz para atender não a uma necessidade, mas a um desejo, um anseio de alpinismo social. O produto adquirido hoje – carro, ipad... – estará obsoleto amanhã.
Você pode até insistir em conservar o mesmo equipamento eletrônico, suficiente às suas necessidades atuais. Todos à sua volta constatarão o seu anacronismo. Você perdeu a identidade da tribo, que avança para a aquisição de mercadorias ainda mais sofisticadas. O único modo de ser aceito na tribo é se revestindo dos mesmos objetos que, atuando como sujeitos, o resgatam do cinzento e medíocre universo do comum dos mortais.
Essa inversão do sujeito humano tornado objeto e do objeto transformado em “humano” ou mesmo “divino” se dissemina através da publicidade – que não faz distinção de classes. O apelo é igual para todos. Tanto o biliardário em seu jatinho quanto o jovem da favela sofrem o mesmo impacto publicitário.
A diferença é que o primeiro tem fácil acesso aos novos ícones do consumismo. O jovem absorve os ícones em seu embornal de desejos e reconhece o quanto ele é socialmente descartado e descartável por não se revestir de objetos que imprimem valor às pessoas. Daí a frustração e a revolta.
A frustração pode ser compensada pela sadia inveja dos espectadores de brilho alheio: leitores de revistas de celebridades e internautas que navegam atraídos pelo canto da sereia de seus ídolos. A revolta leva ao crime - “não sou como eles, mas terei, a ferro e fogo, o que eles têm”.
Haverá limites à obsolescência? Um dia a superprodução fará com que a oferta seja superior à demanda? Tudo indica que não. A indústria há tempos aprendeu que o consumidor é irracional, não se move por princípios, e sim por efeitos. É a emoção que o faz aproximar do balcão.
Agora na pós-modernidade, as pessoas já não se relacionam, se conectam. Os encontros não são reais, são virtuais. Já não se vive em sociedade, e sim em rede. Ninguém é excluído, e sim deletado.
A intimidade cede lugar à extimidade, na expressão de Bauman. Faz desabar todos os muros da privacidade. A ponto de as pessoas se tornarem mercadorias vendáveis, vitrines ambulantes que esperam ser admiradas, desejadas, invejadas e cobiçadas. Daí o oneroso investimento em academias de ginástica, cosméticos, plásticas etc. Muitos buscam ansiosos ser objetos de desejo. Porque a sua autoestima depende do olhar alheio. E o mercado sabe muito bem manipular essa baixa autoestima.

ORGULHOSO E VAIDOSO

Pessoas feridas nos seus sentimentos costumam usar estes adjetivos contra quem não lhes demonstrou o devido apreço. Sei de milhares de pessoas tidas como vaidosas e orgulhosas e sei que, para algumas pessoas e grupos, faço parte desses maus sujeitos. 
Sé é como pensam, então cabe a mim me penitenciar e corrigir, mas sei por experiência que para muitos deles nada do que o desafeto faça vai mudar o que decretaram: fulano de tal é orgulhoso e vaidoso. Digo o que penso. Não sei se sou orgulhoso, mas tenho orgulho de algumas coisas que fiz e não me orgulho de outras. Orgulho-me dos meus amigos que cresceram e a quem ajudei a crescer. Orgulho-me da mãe que tive e a poucos dias atrás perdi.
Não me orgulho de ter ferido quem não merecia sofrer. Quem se orgulha demais é um orgulhoso. Quem tem orgulho de algumas coisas e as sustenta pode não ser orgulhoso. Atribuir a Deus e aos amigos o bem que fizemos e aceitar que algum bem foi feito é humildade. Ninguém deve negar os valores que tem. Só não devemos é supervalorizar-nos.
Quanto a ser vaidoso, nosso espelho, nossa fala e nossos amigos devem dizê-lo. Eles sabem se somos acessíveis, se insistimos em respeitar e ser respeitados e se reagimos quando alguém nos varre para baixo do tapete. Sou como Paulo, que aceitava ser o último dos apóstolos, mas insistia que era apóstolo. Não pretendia renunciar a esse título. Não era, pois, justo que os seguidores de outros profetas e apóstolos negassem sua profecia. Podia ser o último, mas era apóstolo. E Paulo não era orgulhoso nem vaidoso. Era justo consigo e com os outros. Nem sempre a pessoa de quem discordamos ou que de nós discorda é orgulhosa ou vaidosa. É bom consultar nossa vaidade ferida.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

AUMENTA O NÚMERO DE CÂNCER DE PULMÃO EM MULHERES

Conforme o levantamento do Inca, diminuíram os números de casos de câncer de pulmão entre os homens, em São Paulo, Salvador e Curitiba. Porém, houve aumento de incidência desse tipo de tumor na população feminina, em todas as cidades pesquisadas. A justificativa é que elas começaram a fumar mais tarde do que eles e, agora, os casos começaram a aparecer mais. Sobre o câncer de mama, sete das dez capitais que fizeram parte do estudo registraram crescimento de casos, verificados também pelo aumento do número de diagnósticos e de exames feitos no país.
Cerca de 518 mil novos casos de câncer devem ser registrados no Brasil este ano. Segundo a pesquisadora do Inca Marceli Santos, esse dado mostra a evolução da população. "Não se trata de um dado alarmante, mas de uma constatação”, afirma. “A população está envelhecendo, e quanto mais se vive, maiores são as chances de morte por câncer, problemas cardiovasculares e outros tipos de doenças relacionadas à idade”, conclui.
O câncer de pele do tipo não melanoma ainda é o tipo que apresenta a maior incidência de casos no Brasil, tanto entre os homens quanto entre as mulheres. Depois dele, a maior incidência de casos e mortes nos homens é decorrente do câncer de próstata; nas mulheres, do câncer de mama.

RESISTENTES: VIVEM NA TERRA A 200 MILHÕES DE ANOS.

Os jacarés habitam a Terra há 200 milhões de anos, desde a época dos dinossauros, mas, diferentemente dos seus conterrâneos, conseguiram resistir às grandes mudanças que aconteceram no planeta. Esses animais passam o dia às margens de lagos e rios, tomando sol para se aquecer. É que a temperatura do seu corpo varia conforme a do ambiente. Quando faz muito calor, mergulham para se refrescar.
Na água, contam com um remo especial: a cauda. Achatada nas laterais, ajuda a nadar com rapidez. Forte e musculosa, ela também serve para bater em quem ameaça os filhotes. O bicho enxerga bem mesmo no escuro. Os olhos contam com uma membrana especial que permite que o jacaré fique de olhos abertos embaixo da água. Uma pele bloqueia a entrada de água nas narinas. A pele do corpo tem placas grossas e lembra uma armadura. Mas também possui partes flexíveis que permitem movimentos ágeis, tanto na terra quanto na água.
Os dentes pontudos são ótimos para caçar, mas não para mastigar. Sempre que um cai, nasce outro no mesmo lugar. Eles engolem pedaços inteiros de comida, sem mastigar. Depois de comer, podem ficar muito tempo parados, descansando, enquanto o estômago trabalha fazendo a digestão. 
As fêmeas fazem ninhos com folhas e gravetos, sempre perto da água. Depois de dois ou três meses, ainda dentro dos ovos, os filhotes fazem barulho para chamar a atenção da mãe. Ela então se aproxima, usa a boca e as patas para retirar as folhas e galhos e quebra os ovos, um a um, para que os pequenos possam sair.

MÉDICO SEM HUMILDADE É UM DESCALABRO

As palavras são incomuns, mas não há quem não saiba que o corpo humano é intrincado. A imensa maioria dos médicos é feita de cientistas humildes que admitem conhecer o básico, mas não saber o suficiente para cuidar de todas as disfunções do corpo e da mente humana.
Por isso, estudam o básico e se especializam, com o devido cuidado de, após o diagnóstico, enviar o paciente aos cuidados de outro médico que sabe lidar com aquela particularidade. Não há nem pode haver médico capaz de cuidar de todas as doenças. Deus nos criou cheios de pequenos detalhes. 
Há médicos para tudo. Por saberem o suficiente sobre algum detalhe do corpo os chamamos de doutores, mas sabem que doutorado é coisa ainda mais exigente. Médico sem humildade é um descalabro. Diga-se o mesmo dos sacerdotes, bispos, padres ou pastores. Dar respostas apressadas para problemas gigantescos e atribuir tudo o que assusta a anjos e demônios é brincar com fé do povo, da mesma forma que indicar apressadamente qualquer remédio ou fazer qualquer diagnóstico é brincar com a vida humana.
O diagnóstico e a profilaxia revelam o charlatão no consultório, no hospital ou nas igrejas. Você certamente não aceitaria ser operado por um médico apressado e de poucos livros e receitas mágicas. Então também não aceite as respostas de pregadores imediatistas e de respostas mágicas. Reticências e ponto final!