terça-feira, 11 de dezembro de 2012

500 ANOS SEM CONDENAR NINGUÉM


A divergência entre os ministros do Supremo no que diz respeito àquela Corte entrar ou não em choque com a Câmara dos Deputados ao eventualmente usurpar desta o direito de cassar – ou não – os mandatos dos condenados naquela Ação Penal é uma divergência que só existe porque está em curso no Brasil um julgamento de exceção, do que é prova o fato de que os juízes que o conduzem não se entendem sobre como aplicar penas ou sequer se têm a prerrogativa de determinar a interrupção imediata de um mandato legislativo.
É vergonhoso que após 500 anos de história este país tenha experiência zero em punir políticos acusados de corrupção, pois tal ignorância faz lembrar como o Poder Judiciário brasileiro sempre foi omisso em sua missão constitucional. Mas não é só. Ao vermos como o Judiciário nem sabe como é condenar membros do legislativo até o fim – com cassação, prisão e tudo mais – porque nunca condenou nenhum, somos forçados a refletir sobre por que aquela Corte só começou a condenar agora.
Até hoje, os defensores do tipo de julgamento que se está fazendo no Supremo Tribunal Federal não deram uma só explicação para o ineditismo das decisões que ali estão sendo tomadas. Assim, seja qual for a decisão, será uma má decisão.
O Código Penal entrega ao Judiciário a decisão sobre cassação de mandatos legislativos e a Constituição entrega ao Legislativo. Como o primeiro texto legal só pode existir no âmbito do segundo, se a decisão do STF for desfavorável ao que a Presidência da Câmara dos Deputados advoga para si, será uma decisão inconstitucional.
Todavia, o Judiciário não tem como obrigar a Câmara a cassar ninguém, assim como esta não tem como obrigar aquele a não cassar. Mas como a cassação de um mandato legislativo precisa ser oficializada pela Casa Legislativa, ela pode não cumprir a decisão judicial, o que desembocaria, em tese, na situação de um membro efetivo do Legislativo cumprir pena de privação de liberdade.
Ter o detentor de um mandato legislativo atrás das grades, acima de tudo mandaria ao mundo um recado muito claro, de que um dos Poderes da República, o Poder Legislativo, vê defeitos insanáveis na decisão do Poder Judiciário que condenou aqueles parlamentares.
O julgamento do mensalão, pois, a despeito da decisão do STF sobre competência para cassar mandatos legislativos, ficará tisnado pelas demonstrações de inexperiência de seus condutores em tomar decisões que deveriam ser elementares numa democracia, pois ninguém irá acreditar em que jamais um parlamentar brasileiro acusado de crime foi merecedor de uma sentença de prisão e de perda do mandato, o que torna claro o caráter de exceção desse julgamento vergonhoso.
E para que não digam que não falei de flores, se considero inaceitável que um condenado pela Justiça mantenha mandato popular de qualquer espécie, tampouco é aceitável que um dos poderes da República se oponha a uma determinação de outro  e essa discordância fique por isso mesmo, pois, assim, teríamos que considerar que um Poder se sobrepõe ao outro, o que seria a própria negação do conceito de democracia e República.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

APROVEITE BEM O SEU DIA


Aí um dia você toma um avião para Paris, a lazer ou a trabalho, em um vôo da Air France, em que a comida e a bebida têm a obrigação de oferecer a melhor experiência gastronômica de bordo do mundo, e o avião mergulha para a morte no meio do Oceano Atlântico. Sem que você perceba, ou possa fazer qualquer coisa a respeito, sua vida acabou. Numa bola de fogo ou nos 4 000 metros de água congelante abaixo de você naquele mar sem fim. Você que tinha acabado de conseguir dormir na poltrona ou de colocar os fones de ouvido para assistir ao primeiro filme da noite ou de saborear uma segunda taça de vinho tinto com o cobertorzinho do avião sobre os joelhos. Talvez você tenha tido tempo de ter a consciência do fim, de que tudo terminava ali. Talvez você nem tenha tido a chance de se dar conta disso. Fim.   Tudo que ia pela sua cabeça desaparece do mundo sem deixar vestígios. Como se jamais tivesse existido. Seus planos de trocar de emprego ou de expandir os negócios. Seu amor imenso pelos filhos e sua tremenda incapacidade de expressar esse amor. Seu medo da velhice, suas preocupações em relação à aposentadoria. Sua insegurança em relação ao seu real talento, às chances de sobrevivência de suas competências nesse mundo que troca de regras a cada seis meses. Seu receio de que sua mulher, de cuja afeição você depende mais do que imagina, um dia lhe deixe. Ou pior: que permaneça com você infeliz, tendo deixado de amá-lo. Seus sonhos de trocar de casa, sua torcida para que seu time faça uma boa temporada, o tesão que você sente pela ascensorista com ar triste. Suas noites de insônia, essa sinusite que você está desenvolvendo, suas saudades do cigarro. Os planos de voltar à academia, a grande contabilidade (nem sempre com saldo positivo) dos amores e dos ódios que você angariou e destilou pela vida, as dezenas de pequenos problemas cotidianos que você tinha anotado na agenda para resolver assim que tivesse tempo. Bastou um segundo para que tudo isso fosse desligado. Para que todo esse universo pessoal que tantas vezes lhe pesou toneladas tenha se apagado. Como uma lâmpada que acaba e não volta a acender mais. Fim.  Então, aproveite bem o seu dia. Extraia dele todos os bons sentimentos possíveis. Não deixe nada para depois. Diga o que tem para dizer. Demonstre. Seja você mesmo. Não guarde lixo dentro de casa. Não cultive amarguras e sofrimentos. Prefira o sorriso. Dê risada de tudo, de si mesmo. Não adie alegrias nem contentamentos nem sabores bons. Seja feliz. Hoje. Amanhã é uma ilusão. Ontem é uma lembrança. No fundo, só existe o hoje.

domingo, 9 de dezembro de 2012

OSCAR NIEMEYER E A IMPRENSA TUPINIQUIM

Crítica mesquinha, que pune o Talento, essa ousadia imperdoável de alçar os cornos acima da manada. No Brasil, Talento, como em nenhum outro país do mundo, é indigerível por parte da imprensa, que se acocora, devorada por inveja intestina. Capitania hereditária de raivosos bufões que já classificou a voz de Pavarotti de ruído de pia entupida; a música de Tom Jobim de americanizada; João Gilberto de desafinado e Cândido Portinari de copista…
Quando morre um homem de Talento, como agora o grande Niemeyer, os raivosos bufões babam diante do espelho matinal sedentos de escárnio.Não discuto a liberdade da imprensa. Mas a pergunta que se impõe é como um cidadão, com a dimensão internacional de Oscar Niemeyer, (sua morte foi reverenciada na primeira página de todos os grandes jornais do mundo) pode ser chamado, por um jornalista mequetrefe, num órgão de imprensa de cobertura nacional, de metade-gênio-metade idiota? Isso após sua morte, quando não é mais capaz de defender-se, e ainda que sob a desculpa covarde, de reproduzir citação de terceiros…
O consolo que me resta é que a História desinteressa-se desses espasmos da estupidez. Quem se lembra hoje dos críticos da bossa nova ou de Villa-Lobos? Ao talent, no entanto, está reservada a reverência da eternidade.
Antonio Veronese (mideart@gmail.com)

sábado, 8 de dezembro de 2012

UM ANO DEPOIS.

Deixe-me senti-la novamente,
Não a quero mais em lembranças,
Quero que tudo seja real novamente
Como foi a até um ano atrás,
Estou escrevendo para nós dois
para ver se consigo nos aproximar,
mas acho que vai ser meio difícil
uma folha não me trará você aqui,
não nos separamos por querer
foi o tempo que nos forçou,
não terminamos nada
de qualquer forma
ainda estamos juntos,
mas como traria-a de novo para perto?
Só as lembranças que podem isso,
Essas lembranças são tão reais
Que agem diretamente no coração,
Esse coração que reservou um lugar pra você…
Então se você tem esse lugar
Volta aqui, vem agora, eu a espero…
Minha voz se cala quando penso em você,
Por isso tenho permanecido em silêncio
esses últimos dias infelizes,
Pois penso em você a cada dia,
a cada momento, a cada instante,
me devolva o ar, volta aqui
ainda somos um, coraçãozinho meu…
Você me deu tudo o que eu sempre quis
E eu descobri um mundo…
Um mundo completamente diferente,
Que se fechou, só para você abrir…

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

"ESTOU CANSADO DE DIZER ADEUS"


O mundo se curvou diante da obra desse gênio nacional, Oscar Niemeyer... homem simples e de convicção político-ideológica marxista, contribuiu com a humanidade com seus trabalhos de forma poética e curvas, cuja sensibilidade refletia no homem revolucionário que foi para a transformação da arquitetura moderna. Parafraseando o gênio da arquitetura moderna o mesmo disse: "estou cansado de dizer adeus". É a humanidade que se curva e diz adeus ao gênio nacional da arquitetura moderna. E, quando foi indagado em meio a um episódio de mais violência no Rio de Janeiro, perguntaram se ele ainda se indignava, a resposta do nosso gênio foi rápida e objetiva: "o dia em que eu não mais me indignar é porque morri". Infelizmente, Oscar Niemeyer não irá mais se indignar, mas acredito que muitos que pensam na transformação do mundo, continuaram se indignando pelo gênio e mestre da arquitetura moderna.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

AS VELHAS PROSTITUTAS E SUA MORAL



Aos poucos, sem nenhum respeito ou rigor jornalístico, boa parte da mídia passou a tratar Rosemary Noronha como amante do ex-presidente Lula. A “namorada” de Lula, a acompanhante de suas viagens internacionais, a versão tupiniquim de Ana Bolena, quiçá a reencarnação de Giselle, a espiã nua que abalou Paris.
Como a versão das conversas grampeadas entre ela e Lula foi desmentida pelo Ministério Público Federal, e é pouco provável que o submundo midiático volte a apelar para grampos sem áudio, restou essa nova sanha: acabar com o casamento de Lula e Marisa.
Já que a torcida pelo câncer não vingou e a tentativa de incluí-lo no processo do “mensalão” está, por ora, restrita a umas poucas colunas diárias do golpismo nacional, o jeito foi apelar para a vida privada.
Lula pode continuar sendo popular, pode continuar como referência internacional de grande estadista que foi, pode até eleger o prefeito de São Paulo e se anunciar possível candidato ao governo paulista, para desespero das senhoras de Santana. Mas não pode ser feliz. Como não é possível vencê-lo nas urnas, urge, ao menos, atingi-lo na vida pessoal.
Isso vem da mesma mídia que, por oito anos, escondeu uma notícia, essa sim, relevante, sobre uma amante de um presidente da República.
Por dois mandatos, Fernando Henrique Cardoso foi refém da Rede Globo, uma empresa beneficiária de uma concessão pública que exilou uma repórter, Míriam Dutra, alegadamente grávida do presidente. Miriam foi ter o filho na Europa e, enquanto FHC foi presidente, virou uma espécie de prisioneira da torre do castelo, a maior parte do tempo na Espanha.
Não há um único tucano que não saiba a dimensão da dor que essa velhacaria causou no coração de Ruth Cardoso, a discreta e brilhante primeira-dama que o Brasil aprendeu desde muito cedo a admirar e respeitar. Dona Ruth morreu com essa mágoa, antes de saber que o incauto marido, além de tudo, havia sido vítima do famoso “golpe da barriga”. O filho, a quem ele reconheceu quando o garoto fez 18 anos, não é dele, segundo exame de DNA exigido pelos filhos de Ruth Cardoso. Uma tragicomédia varrida para debaixo do tapete, portanto.
O assunto, salvo uma reportagem da revista Caros Amigos, jamais foi sequer aventado por essa mesma mídia que, agora, destila fel sobre a “namorada” de Lula. Assim, sem nenhum respeito ao constrangimento que isso deve estar causando ao ex-presidente, a Dona Marisa e aos filhos do casal. Liberados pela falta de caráter, bom senso e humanidade, a baixa assessoria de tucanos, entre os quais alguns jornalistas, tem usado as redes sociais para fazer piadas sobre o tema, palhaços da tristeza absorvidos pela vilania de quem lhes confere o soldo.
Esse tipo de abordagem, hipócrita sob qualquer prisma, era o fruto que faltava ser parido desse ventre recheado de ódio e ressentimento transformado em doutrina pela fracassada oposição política e por jornalistas que, sob a justificativa da sobrevivência e do emprego, se prestam ao emporcalhamento do jornalismo.

BARBOSA, FREI BETO E DIRCEU.



As linhas abaixo, extraídas do discurso de posse de Joaquim Barbosa na presidência do STF:
Por fim, eu gostaria de arrematar esta breve exposição com umas poucas palavras sobre um personagem chave para toda e qualquer tentativa que se queira implementar no nosso país na esfera do Poder Judiciário. Falo da figura do juiz, esta figura tão esquecida, às vezes. É preciso reforçar a independência Juiz. Afastá-lo desde o ingresso na carreira das múltiplas e nocivas influências que podem paulatinamente lhe minar a independência. Essas más influências podem se manifestar tanto a partir própria hierarquia interna a que o jovem juiz se vê submetido, quanto dos laços políticos de que  ele pode às vezes se tornar tributário na natural e humana busca por ascensão funcional e profissional. Nada justifica, a meu sentir, a pouco a edificante busca de apoio para uma singela promoção do juiz do primeiro ao segundo grau de jurisdição. O juiz, bem como os membros de outras carreiras importantes do estado, deve saber de antemão quais são as suas reais perspectivas de progressão, e não buscar obtê-las por meio da  aproximação ao poder político dominante no momento.
É uma frase diante da qual eu me inclinaria a dar um clássico clap, clap, clap. De pé.
Mas e quando você examina o caminho percorrido por Barbosa até chegar ao discurso triunfal?
Recapitulemos.
O acaso, em parte, lhe deu um abraço, registrado num livro de memórias de Frei Betto, grande amigo de Lula e figura influente em seu primeiro mandato. O nome do livro é Calendário do Poder.
“Fui lá tratar do meu retorno a São Paulo, após a posse presidencial”, revela um trecho do livro Calendário do Poder. Era 2002, e Frei Betto fora a uma agência da Varig em Brasília para comprar uma passagem de avião depois da posse de Lula. A fila era grande, e então ele pegou uma senha e procurou um lugar para sentar.
Palavras de Frei Betto, tiradas de Calendário do Poder:
Instalei-me no primeiro banco vazio, ao lado de um cidadão negro que nunca vira.
- Você é o Frei Betto? – indagou-me.
Confirmei. Apresentou-se: Joaquim Barbosa… Trocamos ideias e, ao me despedir, levei dele o cartão e a boa impressão.
Para concluir…
Em março, Márcio Thomaz Bastos [então ministro da Justiça]indagou se eu conhecia um negro com perfil para ocupar vaga no STF. Lula pretendia nomear um para a suprema corte do país. Lembrei-me de Joaquim Barbosa”.
Não está em discussão aqui se a intenção de Lula era promover a causa negra ou se era era um simples gesto demagógico. Mas não há como fugir do fato de que Lula simplesmente inventou Barbosa, e é curioso ver como muitos dos comentaristas que o louvam hoje pelo desempenho no julgamento do Mensalão receberam a bordoadas sua indicação.
Voltemos à caça de apoio empreendida por Barbosa, não tão diferente assim da jornada épica de Luiz Fux rumo ao topo.
Podemos atribuir o encontro na Varig à fortuna. Barbosa não podia saber que o destino poria Frei Betto em condições de ser abordado. Talvez pudéssemos dizer, se fôssemos mais rigorosos, que a julgar pelo parágrafo destacado em seu discurso ele não devesse ter se aproximado de Frei Betto – representante do “poder dominante” — e dado um cartão.
Mas podemos estar sendo rigorosos demais, numa situação dessa natureza.
Então, passemos adiante.
E quando o acaso não ajuda?
Aparentemente, não foi apenas de Frei Betto que Barbosa recebeu a bênção.
Segundo uma reportagem da repórter Maria Lima, publicada dias atrás no Globo, Barbosa procurou — como o ministro Luiz Fux —  José Dirceu no esforço de ser indicado para o STF. Na reportagem, Maria Lima entrevistou um dos mais conhecidos advogados de Brasília, Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay.
“Ele me procurou e disse que era um sonho seu chegar ao Supremo e que precisava do apoio do Zé Dirceu”, disse Castro à jornalista do Globo. Segundo Castro, Dirceu topou receber Barbosa depois de dizer que era necessário mudar a “forma de indicação dos ministros do Supremo”.
Barbosa acabaria sendo indicado por Lula, em 2003.
Voltemos a um trecho de seu primeiro discurso como presidente do Supremo.
O juiz, bem como os membros de outras carreiras importantes do estado, deve saber de antemão quais são as suas reais perspectivas de progressão, e não buscar obtê-las por meio da  aproximação ao poder político dominante no momento.
Algumas pessoas ligaram essa sentença à louca cavalgada do juiz Luiz Fux rumo ao STF. Mas Barbosa poderia, aparentemente, estar falando de sua própria experiência.
Lula está sendo – merecidamente, aliás – cobrado a dar explicações sobre o caso Rosemary. E Barbosa, deveria também explicar melhor seus passos?
E no campo das especulações: teria Barbosa mordido as mãos de nove dedos que o ergueram para provar independência, para simplesmente fazer justiça — ou para comprovar a patologia humana de ódio e ingratidão por aqueles a quem devemos?
Sobre o julgamento do mensalão, conforme já foi escrito no Diário, provavelmente apenas a posteridade terá uma ideia mais objetiva e menos apaixonada sobre os acontecimentos.
Caixa Dois? Dinheiro público? Provas estarrecedoras? Apenas indícios? Mensalão ou AP 470?
As verdades se alteram rapidamente de acordo com quem está com a palavra. O certo é que o STF necessita de uma reforma urgente – e o caminho percorrido por Barbosa, e descrito por ele mesmo em seu discurso, é uma lembrança cruel disso.

O FIM DO MUNDO


Pois é, estamos chegando perto do fatídico 21 de dezembro de 2012, quando o solstício anual de inverno conclui mais um ciclo do antigo Calendário Maia, dia anunciado para o fim do mundo.
Tem até gente ganhando dinheiro com isso, vendendo proteção para os mais assustados, o que levou a Nasa a desmentir oficialmente a trágica efeméride em seu site oficial do USA.gov e garantir que vamos sobreviver a mais este anúncio fúnebre.
Mesmo assim, apesar do desmentido, por aqui no Brasil, continuamos emendando uma crise do fim do mundo na outra. Saímos direto do julgamento do mensalão para a Operação Porto Seguro, sem que tenha acabado ainda a CPI do Cachoeira.
Apesar disso, as marés como os aviões continuam descendo e subindo, as fábricas e as escolas em plena atividade, o campo batendo recordes de produção e as ruas de congestionamentos, mas para quem acompanha o noticiário nas multimídias novas e velhas parece que o nosso fim está chegando logo ali na próxima esquina.
Conheço cada vez mais gente que procura distância das más notícias, cancelando assinaturas ou esquecendo de abrir os exemplares deixados na soleira da porta, muitas vezes de graça.
Desgraça, bandalheira, violência, corrupção, safadeza, acidentes, enchentes, incendios, conflitos, traições, lambanças, já não se consegue distinguir ficção e não ficção no que nos é oferecido nas páginas e nas telas.
Para não perder o ânimo, muitas pessoas preferem se desligar do mundo e cuidar das suas vidas, já que não lhes é oferecido nada que as ajude a viver melhor.
Não é possível que, no Brasil e no mundo, não aconteça nada de bom de um dia para outro, além do anúncio da gravidez do jovem casal real ou da vitória do nosso time de futebol.
 Enquanto o mundo não acaba, vamos aproveitar para tentar fazê-lo um pouco melhor, mais divertido de se viver.
Só fazer cara feia e ficar xingando a paisagem vista da janela não resolve nada.

MEIOS DE COUMUNICAÇÃO NÃO SÃO LIVRES

O presidente do Equador, Rafael Correa, recebeu o Prêmio Rodolfo Walsh, da Faculdade de Jornalismo da Universidade de La Plata e afirmou que "os meios de comunicação mercantilistas não são livres nem independentes, mas submetidos ao capital". Correa aproveitou seu discurso para criticar os meios de comunicação privados de seu país e ironizou: "Se um cachorro me morde , no dia seguinte entrevistam o cachorro. E se o chuto, me denunciam".
"Não somos intolerantes com a imprensa. Somos intolerantes com a mentira, a corrupção, a mediocridade, a má fé. Na América Latina a imprensa mente amparando-se na liberdade de expressão", afirmou Correa sobre a tensa relação de seu Governo com os meios de comunicação.
"É necessário democratizar a propriedade dos meios de comunicação e torná-los independentes da lógica de mercado", insistiu Correa e criticou os meios porque "caluniar um governo é liberdade de expressão, e se um presidente ousa contestar-lhes é um atentado à liberdade".
"Esses meios, no meu país, não entendem que as meias verdades são dupla mentira e dizem que devemos tolerar a mentira em nome da liberdade de expressão", frisou e agregou que "muitas vezes os negócios da comunicação se encontram vinculados intimamente com outros interesses empresariais, distintos aos da comunicação".
"Em meu país havia grupos econômicos que investiam em comunicação não para informar, mas para defender unicamente seus interesses", afirmou Correa em seu discurso.
"Qualquer regulação é satanizada como um atentado à liberdade de expressão, quando o que proveem é um bem indispensável e um direito que ninguém pode tirar e que não pode estar sujeito à lógica de mercado", concluiu.

sábado, 1 de dezembro de 2012

"CALUNISTA" COM PASSE LIVRE PARA MATAR



O ódio ao ex-presidente LULA  fica mais explícito nos textos de alguns “calunistas”, mais realistas do que os reis e com passe livre para matar. O blogueiro psicopata da Veja já decretou que Rosemary é a “mulher do Lula”, numa insinuação maldosa que ele nunca fez a respeito da “mulher de FHC”! Também apavorado com as eleições em São Paulo, ele sugere que Lula indique “a sua mulher” como vice. “É tão longeva a parceria de ambos que certamente trabalhariam de modo muito afinado caso o eleitorado acolha o casal”, rosna o pitbull.
Já Josias de Souza, o colunista da Folha que transita no ninho tucano, conclui que o ex-presidente é um mentiroso, quando diz que foi “apunhalado” pela ex-chefe do gabinete da Presidência. “Tido como gênio da arte da política, ele revela-se, a cada novo escândalo, um precário formador de equipes. Vivo, o cronista Nelson Rodrigues diria que, nessa matéria, Lula é um débil mental de babar na gravata”. De fato, tem muito gente babando, mas é de ódio contra o ex-presidente! O clima não vai ser acalmar nem com as festanças do final do ano.

NÃO É BRINCADEIRA...


 Dilma tem como vice ninguém mais, ninguém menos do que Michel Temer, que já foi aliado “fiel” dos tucanos e que, dizem, está por trás da hesitação da presidente em relação à imprensa. O governo deve temer Temer. E muito. Se Dilma sofrer queda de popularidade, ele salta do barco antes que você, leitor, possa proferir a palavra fisiologia.
Vejo-me obrigado, portanto, a refletir sobre a expressão “governo de coalizão”. Boa parte da militância petista não leva em conta algo que escrevi há alguns meses aqui, sobre que o PT chegou ao governo, sim, mas não chegou ao poder.
O fato é que a imprensa, apesar de não conseguir mais eleger quem quer por estrita falta de colaboração desse ente que trata sempre como detalhe nas escolhas que o país faz, ou seja, o povo, ainda tem um poder político praticamente inacreditável. Isso porque se impõe em quase todos os partidos, para não dizer em todos.
A situação se torna estarrecedora quando se reflete que, mesmo no único partido em que a mídia não deveria ter influência, ela tem. Todos sabem muito bem quais são os petistas que vivem aos beijos e abraços com o Partido da Imprensa Golpista enquanto este faz tudo o que pode e que não pode para destruir o partido deles.
Como já expliquei em post anterior, isso se deve ao fato de que essa coisa de que a mídia não influi mais em eleições pode até ser verdade em eleições mais disputadas, nas quais o PT joga com a “bomba atômica” Lula e com o peso – e o dinheiro – que sua nova configuração ideológica lhe propiciou a partir de 2002. Mas não é verdade no varejo.
É óbvio que parlamentares, prefeitos de cidades menores e até governadores continuam sendo eleitos por influência da mídia – e são esses que até aderem, fisiologicamente, ao partido que está no poder, mas só para mamar, pois, na hora do vamos ver, os integrantes desses partidos “aliados” são liberados pelos dirigentes para agirem como quiserem.
Um bom exemplo é São Paulo. Enquanto Orestes Quércia estava vivo o PMDB era o maior aliado do PSDB, apesar de dividir o governo federal com o PT. É óbvio, portanto, que os interesses que um PMDB representa em São Paulo acabam interferindo na atuação da bancada federal do partido. E esse é só um exemplo.
Você, eleitor ou simpatizante do PT, pode ficar contrariado com o partido. Pode dizer que é covarde, pode xingá-lo quanto quiser. Mas uma coisa é certa: o PSDB só não está no poder porque o PT aceitou essas regras do jogo. O que há para decidir, portanto, é se queremos o PT no poder, mas sem poder falar grosso, ou falando grosso, mas na oposição.