quarta-feira, 21 de novembro de 2012

COISAS QUE SE APRENDE LÁ PERTO DO FIM

Amor não se implora, não se pede não se espera...
Amor se vive ou não.
Ciúmes é um sentimento inútil. Não torna ninguém fiel a você.
Animais são anjos disfarçados, mandados à terra por Deus para
mostrar ao homem o que é fidelidade.
Crianças aprendem com aquilo que você faz, não com o que você diz.
As pessoas que falam dos outros pra você, vão falar de você para os outros.
Perdoar e esquecer nos torna mais jovens.
Água é um santo remédio.
Deus inventou o choro para o homem não explodir.
Ausência de regras é uma regra que depende do bom senso.
Não existe comida ruim, existe comida mal temperada.
A criatividade caminha junto com a falta de grana.
Ser autêntico é a melhor e única forma de agradar.
Amigos de verdade nunca te abandonam.
O carinho é a melhor arma contra o ódio.
As diferenças tornam a vida mais bonita e colorida.
Há poesia em toda a criação divina.
Deus é o maior poeta de todos os tempos.
A música é a sobremesa da vida.
Acreditar, não faz de ninguém um tolo. Tolo é quem mente.
Filhos são presentes raros.
De tudo, o que fica é o seu nome e as lembranças a cerca de suas ações.
Obrigada, desculpa, por favor, são palavras mágicas, chaves que
abrem portas para uma vida melhor
O amor... Ah, o amor...
O amor quebra barreiras, une facções,
destrói preconceitos,
cura doenças...
Não há vida decente sem amor!
E é certo, quem ama, é muito amado.
E vive a vida mais alegremente...

APROVEITAR O TEMPO QUE AINDA FALTA


Mais um ano está por acabar... Mas calma, até lá, temos mais de um mês! Nessa época do ano o que mais escuto (ou no que tenho colocado minha atenção) é que o cansaço prevalece. Muita gente, na torcida de que o ano se encerre para que logo cheguem as férias e com ela a possibilidade de descanso, de recarregar a bateria... que, pelo visto, está nas últimas marquinhas!Mas a realidade é que o ano ainda não acabou, as férias ainda não chegaram e um mês separa a primavera do verão. Até lá muita água passa pelo rio, muitos dias e noites, algumas semanas... E o que você ainda quer fazer antes do ano terminar, antes de colocar sua energia para pensar nos desejos do próximo ano que ainda não chegou?
Uma possibilidade é pensar naquilo que ainda pode ser feito até o ano encerrar. E, quem sabe, finalizar o ano mais satisfeito, realizado, com aquela sensação de dever cumprido... Nem sempre se consegue realizar o que se deseja, mas, quando existem verdadeiras tentativas de solucionar as pendências, ao menos a sensação é de que tudo o que se podia fazer foi feito... e a cabeça pode descansar mais tranquila sobre o travesseiro.
Nem tudo pode ser feito em um dia, a lua leva 4 semanas para voltar a brilhar cheia no céu, as crianças para virem ao mundo esperam cerca de 9 meses nas barrigas de suas mães, e o ano tem seus 12 meses. Assim como cada fase da lua é precedida e seguida por outra, a cada semana de gestação o bebê vai completando sua formação, e a cada mês do ano é possível construir algo que poderá ser completado nos meses subsequentes...
Ainda temos tempo! O tempo que nos resta para o resto que pode ser um belo INÍCIO, um pertinente FIM, ou um bom MEIO para:
fechar pendências e abrir novos rumos;
aparar arestas e colocar pingos nos “is”;
plantar sementes e preparar caminhos;
fechar portas e abrir janelas;
doar aquilo que não serve e sacudir a poeira;
liberar espaços e construir pontes;
desatar nós e criar laços ...para que aí, então, possamos começar tudo novo de novo

COMO DISSE PAULO NOGUEIRA: TODAS AS CRIANÇAS SÃO IGUAIS, MAS ALGUMAS SÃO MAIS IGUAIS QUE AS OUTRAS


Michael Gove, ministro da Educação do Reino Unido, é um conservador. Faz parte do gabinete do premiê David Cameron. Não há nele, portanto, nenhum resquício do que o PIB, o Perfeito Idiota Brasileiro, classificaria de esquerdismo.
Considere, diante disso, o que Gove disse a respeito da mobilidade social entre os britânicos.
Gove colocou o foco na educação. Apenas 7% dos britânicos são educados em escolas privadas. São os filhos das famílias ricas, é claro.
O que acontece, então? Os alunos saídos das escolas particulares têm, na vida adulta, imensa vantagem sobre os demais.
“Mais do que em quase todo país desenvolvido, na Inglaterra o berço dita o progresso da pessoa”, disse Gove. “Aqueles que nasceram pobres provavelmente permanecerão pobres e aqueles que herdaram privilégios provavelmente transmitirão os privilégios a seus filhos. Para aqueles de nós que acreditam em justiça social, esta estratificação e esta segregação são moralmente indefensáveis.”
Justiça social?
Nosso PIB tremeria diante dessa expressão de comunistas ateus que comem criancinhas e amordaçam a “imprensa crítica”, para usar a nova e engraçada expressão usada pela Folha de S. Paulo. E correria para ler o que Reinaldo Azevedo diz sobre “justiça social”, para se sentir protegido e reassegurado em suas convicções.
Mas atenção. Michael Gove é, repito, conservador, exclamação. Jornalista de formação, articulista do Times, de Murdoch, Gove é 100% capitalista.
Mas, ao longo da história, muitas vezes homens públicos liberais como Gove se viram na obrigação de defender o capitalismo dos capitalistas.
Ted Roosevelt, presidente americano do começo do século 20, foi um caso clássico. Ele inaugurou a chamada Era Progressista, nos Estados Unidos, ao longo da qual os monopólios foram desfeitos e os direitos dos trabalhadores e dos negros começaram a ser afirmados.
Seus amigos magnatas reclamaram dele, e Roosevelt lamentou, certa vez, que eles não percebessem que ele estava agindo em benefícios dos queixosos mesmos, para evitar transtornos sociais que poderiam levar à esquerdização do país.
O Instituto Millenium, reduto da vanguarda do atraso nacional, poderia ouvir Michael Gove.
O Millenium, uma espécie de Tea Party caipira, fala em meritocracia, mas como você pode falar nisso, sem cair no ridículo, quando você vive num país cuja transmissão de privilégios pela via da educação em escolas privadas é muito maior do que aquela descrita pelo ministro da educação da Inglaterra?
Considere agora.
Onde está esse debate no Brasil? Me refiro à perpetuação de privilégios pelo berço e pela escola, e pela intrínseca negação à meritocracia encerrada nela?
Em nenhum lugar?
Talvez fosse o momento então de iniciá-la.

BRASIL: UM NOVO TEMPO


Nem faz tanto tempo, o Brasil fazia papel de gandula e de pedinte na cena política internacional.
Na viagem de quatro dias à Espanha para participar da 22ª Cúpula Ibero-Americana, encerrada nesta segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff mostrou que o Brasil inverteu estes papéis nos últimos anos.
De devedores a credores do FMI, percorremos um longo caminho de afirmação até Dilma entrar no Palácio Real para ouvir do rei da Espanha, Juan Carlos, um pedido para o Brasil contratar mais profissionais espanhóis, que enfrentam um dos índices mais altos de desemprego da Europa, e aumentar os investimentos das empresas brasileiras no país.
Quem poderia imaginar o rei da Espanha pedindo ajuda ao Brasil para tirar o país da maior crise da sua história recente?
Acontecia exatamente o contrário até outro dia, quando levas de brasileiros deixavam o nosso país em busca de emprego na Europa, e capitais espanhóis investidos aqui batiam em 80 bilhões de dólares.
Agora, Juan Carlos quer inverter o fluxo de capitais, argumentando que seu país tornou-se "a base europeia para muitas empresas ibero-americanas e queremos que seja também para as brasileiras".
Em questões migratórias, hoje estamos empatados: enquanto 100 mil espanhóis estão vivendo no Brasil, 100 mil brasileiros moram na Espanha.
O diálogo de igual para igual entre Juan Carlos e Dilma, com o Brasil dando exemplos de como enfrentar a crise econômica mundial e oferecendo ajuda à Europa, era algo impensável alguns anos atrás.
A presidente lembrou o que aconteceu nos anos 80 do século passado quando o Brasil era devedor do FMI e enfrentava uma estagnação econômica, como hoje acontece em vários países europeus.
"Só conseguimos sair de uma situação de crise e modificar a situação do Brasil quando combinamos robustez fiscal, ou seja, controle dos gastos públicos com crescimento; quando combinamos controle da inflação com distribuição de renda; quando apostamos no nosso mercado interno e desenvolvemos também uma política de exportações".
Em Madri, ao abrir o seminário "Brasil na senda do crescimento", Dilma defendeu um "amplo pacto global para a retomada do crescimento" e advertiu que "se todos fizerem ajustes simultâneos, o resultado é a recessão".
A presidente fez ainda em seu discurso uma veemente defesa da União Europeia, definida por ela como "uma das maiores conquistas da humanidade" e, antes de retornar ao Brasil, deixou claro que não vai deixar a Espanha na mão, como relata Clóvis Rossi, enviado especial da "Folha":
"A visita da presidente Dilma Rousseff à Espanha foi, acima de tudo, um esforço para demonstrar que o Brasil não tem a intenção de deixar o parceiro abandonado à própria sorte".
São outros tempos, bons tempos para o Brasil.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

NO OUTRO LADO DO RIO


Há poucos dias, ouvi um conto que me chamou muito a atenção pela simplicidade e profundidade das palavras. Era a história de dois monges que iam atravessar um rio. Quando chegaram à margem do rio, havia uma menininha que lhes pediu ajuda para poder atravessá-lo. Entretanto, havia uma regra para essa congregação de monges: eles não podiam tocar em uma mulher. Apesar de estar infringindo essa regra, um dos monges pôs a menina nos ombros e a levou até a outra margem do rio. Ao chegarem ao monastério, o outro monge estava muito contrariado e disse que teria de tomar providências, pois uma das regras havia sido transgredida e ele deveria ser punido por isso. O monge que havia levado a menina nos ombros lhe disse: “eu atravessei o rio com a menina e a deixei na outra margem, você ainda a está carregando” . Apesar de saber que minha tradução do conto não é tão fiel quanto a versão original, o impacto dele permanece. Não sei dizer ao certo se pelo simbolismo ou se também pelo contexto: sábias palavras proferidas por uma grande mulher, até hoje ele ecoa em meus pensamentos.
Acho que uma das mensagens mais interessantes contidas nessa parábola é a questão de como e o quanto nos apegamos a regras e leis. É certo que necessitamos delas para viver em sociedade, mas precisamos aprender a relativizar. Outra e talvez a mais interessante das mensagens contidas nesse conto é sobre o quanto carregamos coisas, de como custa livrarmo-nos de pré-conceitos, avaliações e de tudo aquilo que não nos serve, mas que passamos a vida carregando.
O que somos hoje foi construído ao longo dos anos que vivemos, um amontoado de crenças, regras, auto-conceitos, tudo o que utilizamos para fazer referência ao que somos e quem somos e todos os “porquês” daquilo que fazemos.  Mas, dentre todas essas coisas que utilizamos e, muitas vezes, a que nos apegamos para fazer referência a nós mesmos, algumas delas foram incorporadas sem nenhuma avaliação prévia, não filtramos, apenas absorvemos. E, dessas coisas, muitas não nos servem mais, e sobre elas precisamos colocar nossa atenção, pois carregar aquilo que não corresponde ao que acreditamos, somente nos impede de sermos mais fluidos e leves.
Carregar pré-conceitos, que apenas são uma repetição de hábitos culturais ou familiares, é só uma forma de mantermos as coisas como sempre foram, engolindo sem mastigar, e isso pode ser realmente indigesto. É fato que olhar para nossas próprias crenças e formas de viver pode gerar uma certa apreensão e ansiedade, mas livrarmo-nos do peso desnecessário que carregamos nos ombros pode ser compensador: quero ser aquele que faz o que julga correto e segue seu caminho.

DEMOCRACIA DIRETA: UM EXEMPLO DE UM PAÍS ESTRANHO

A Islândia é uma ilha com pouco mais de 300 mil habitantes que parece decidida a inventar a democracia do futuro.
Por uma razão não totalmente clara, esse país que fora um dos primeiros a quebrar com a crise financeira de 2008 sumiu em larga medida das páginas da imprensa mundial. Coisas estranhas, no entanto, aconteceram por lá.
Primeiro, o presidente da República submeteu a plebiscito propostas de ajuda estatal a bancos falidos. O ex-primeiro-ministro grego George Papandreou foi posto para fora do governo quando aventou uma ideia semelhante. O povo islandês, todavia, não se fez de rogado e disse claramente que não pagaria nenhuma dívida de bancos.
Mais do que isso, os executivos dos bancos foram presos e o primeiro-ministro que governava o país à época da crise foi julgado e condenado. Algo muito diferente do resto da Europa, onde os executivos que quebraram a economia mundial foram para casa levando no bolso "stock options" vindos diretamente das ajudas estatais.
Como se não bastasse, a Islândia resolveu escrever uma nova Constituição. Submetida a sufrágio universal, ela foi aprovada no último fim de semana. A Constituição não foi redigida por membros do Parlamento ou por juristas, mas por 25 "pessoas comuns" escolhidas de maneira direta.
Durante sua redação, qualquer um podia utilizar as redes sociais para enviar sugestões de leis e questionar o projeto. Todas as discussões entre os membros do Conselho Constitucional podiam ser acompanhadas do computador de qualquer cidadão.
O resultado é uma Constituição que estatiza todos os recursos naturais, impede o Estado de ter documentos secretos sobre seus cidadãos e cria as bases de uma democracia direta, onde basta o pedido de 10% da população para que uma lei aprovada pelo Parlamento seja objeto de plebiscito.
Seu preâmbulo não poderia ser mais claro a respeito do espírito de todo o documento: "Nós, o povo da Islândia, queremos criar uma sociedade justa que ofereça as mesmas oportunidades a todos. Nossas diferentes origens são uma riqueza comum e, juntos, somos responsáveis pela herança de gerações".
Em uma época na qual a Europa afunda na xenofobia e esquece o igualitarismo como valor republicano fundamental, a Constituição islandesa soa estranha. Esse estranho país, contudo, já não está mais em crise econômica.
Cresceu 2,1% no ano passado e deve crescer 2,7% neste ano. Eles fizeram tudo o que Portugal, Espanha, Grécia, Itália e outros não fizeram. Ou seja, eles confiaram na força da soberania popular e resolveram guiar seu destino com as próprias mãos. Algo atualmente muito estranho.

O BATMAN DO "PIB"

Presidente Joaquim Barbosa.
Juro. Como eu gostaria de ver Joaquim Barbosa ceder à tentação e concorrer à presidência em 2014.
Teríamos uma real oportunidade de ver o quanto a voz rouca das ruas verdadeiramente admira o nosso Batman, aspas.
Era previsível que a candidatura de JB fosse ventilada e desejada pelo PIB, o Perfeito Idiota Brasileiro. Aos antigos heróis do PIB — Ali Kamel, Reinaldo Azevedo, Jabor, Dora Kramer, Augusto Nunes, Merval Pereira, Ricardo Setti e semelhantes – somou-se agora, em seu uniforme de Batman e seu palavreado pernóstico, Joaquim Barbosa.
Uma breve pausa para risos.
Na falta de candidato forte, com o sepultamento das esperanças em Serra, ele próprio um PIB, o Perfeito Idiota Brasileiro se agarraria a qualquer esperança que aparecesse, como doentes terminais que correm a cirurgias mediúnicas na busca do milagre.
O que o PIB não percebe é que JB é um problema e não uma solução. Qualquer candidato que queira ser viável no Brasil contemporâneo tem que ser versado em justiça social.
Em todo o mundo civilizado, e o Brasil não é exceção, o maior desafio dos homens públicos é enfrentar a brutal concentração de renda ocorrida nas últimas décadas – e a abjeta iniquidade decorrente dela.
Romney perdeu de Obama, mesmo com os Estados Unidos numa crise econômica que em geral derruba presidentes em busca de segundo mandato, porque Obama explorou nele o símbolo da desigualdade americana, um magnata que despreza os pobres e paga impostos ridiculamente baixos.
François Hollande bateu Sarkozy também porque os franceses viram em Sarkozy o representante do 1% cada vez mais rico à custa dos 99%. Na Venezuela, Caprilles se apropriou dos programas sociais de Chávez, que ele desprezara antes como assistencialistas, e ainda assim foi derrotado por ampla margem porque Chávez vem tendo um enorme sucesso na redução da miséria venezuelana.
Na China, a troca de poder que está se fazendo agora depois de dez anos, como tem acontecido lá, a expressão mais utilizada é “justiça social”. O governo chinês entende que o maior desafio, para o futuro, é evitar que a sociedade se divida entre poucos ricos e muitos pobres, porque isso significa riscos para a coesão do país.
Na Inglaterra, hoje mesmo, os presidentes das filiais de três grandes multinacionais – Google, Starbucks e Amazon – estão explicando ao Parlamento por que suas empresas pagam tão pouco imposto. “É como se as multinacionais pagassem impostos voluntariamente”, disse um parlamentar.
Também por trás desse movimento (que se vai internacionalizando) de cerco a grandes corporações que fazem todos os truques possíveis para evitar impostos está a busca de justiça social.
Dentro deste mundo novo, a figura engalanada de Joaquim Barbosa surge absurdamente deslocada. É um heroi apenas para ele, o nosso PIB, o Perfeito Idiota Brasileiro.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

NÃO ESQUEÇA: TODOS NÓS TEMOS PRAZO DE VALIDADE

Em absoluto silêncio, o casal estava diante do túmulo de sua filha de 19 anos recentemente falecida. A dor era quase insuportável. Tudo parecia ter desabado em suas vidas e a fé, que ainda se mantinha acesa, navegava em meio às brumas. A esposa quebrou o silêncio e comentou: haverá mesmo outra vida? E ela mesma respondeu: ninguém voltou para confirmar.
Não longe dali, no ventre de uma mulher grávida, dois bebês dialogavam. - Você acredita mesmo na vida após o nascimento? O segundo bebê respondeu: - com toda a certeza. Algo deve haver após o nascimento. Talvez estejamos aqui nos preparando para aquilo que seremos depois. O primeiro bebê insistiu: - bobagem, não há vida após o nascimento. E, se houver vida, como seria? - Eu não sei exatamente, mas imagino um lugar cheio de luz, de encanto, de maravilhas, de surpresas, onde caminharemos com nossos pés, quem sabe comeremos com nossa boca.
Após um período de silêncio, o bebê cético voltou a argumentar. - Tudo isso é ilusão. O cordão umbilical é muito curto, a possibilidade de uma vida após o nascimento é uma ilusão. O diálogo prosseguiu: - talvez seja uma vida diferente, mas haverá uma mãe que nos cuidará. - Mamãe? Você acredita em mamãe, contra-atacou o irmão, onde ela está? Eu nunca vi a mamãe, é claro que não existe nenhuma mãe. - Bem, às vezes, quando estamos em silêncio, tenho a impressão de ouvi-la cantarolar canções cheias de ternura, de alguma maneira sinto seu carinho, ela nos ama. E antes de adormecer, declarou: - eu penso que a verdadeira vida nos espera, estamos apenas nos preparando para ela.
Diante do primeiro túmulo da humanidade surgiram as primeiras perguntas sobre a vida e a morte e sobre a vida que vem depois da morte. Na realidade, desde que nascemos caminhamos para a morte. Temos prazo de validade, morremos um pouco a cada dia. Acostumados a coisas concretas, temos dificuldade em imaginar um futuro diferente. É a lagarta insaciável que jamais imagina um dia tornar-se borboleta. Mas no mais íntimo de nós há uma certeza: a vida não pode terminar assim, o amor que vivemos não pode acabar. Temos desejos infinitos, embora não saibamos estabelecer os limites destes horizontes.
Um dia o véu da eternidade foi levantado, por uns instantes, para o apóstolo Paulo. E na incapacidade de exprimir a realidade, ele garantiu: “Os olhos jamais viram, os ouvidos jamais escutaram, o coração jamais imaginou as surpresas que Deus reserva aos que o amam” (1Cor 2,9). Aqui está a chave da vida futura: as surpresas de Deus. 

É NA SUBJETIVIDADE QUE RESIDE A FELICIDADE

O tráfico de drogas no mundo movimenta, por ano, US$ 400 bilhões. Há cálculos que dobram o valor. Os dados são do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime. O consumo de drogas mata 200 mil pessoas/ano.
O Brasil é, hoje, o segundo maior consumidor de cocaína, atrás apenas dos EUA. Dados de 2010 indicam que 0,6% dos brasileiros já consumiram o pó derivado da folha de coca. Entre 2004 e 2010, foram aprendidas, no país, 27 toneladas de cocaína.
Um debate se impõe: como lidar com a questão? O número de usuários e dependentes aumenta, o tráfico dissemina a violência, as medidas repressivas não surtem efeito.
O Reino Unido deve mudar sua política em relação às drogas que, a cada ano, levam às prisões 42 mil pessoas e, ao cemitério, 2 mil. O gasto anual é de 3 bilhões de libras (R$ 9,8 bilhões).
A proposta dos especialistas ingleses que analisaram a questão por seis anos é não considerar crime o consumo de pequenas quantidades, e sim delito civil. O usuário seria multado, obrigado a comparecer a reuniões sobre o uso de drogas e, em caso de dependência, encaminhado a tratamento.
No Brasil, já conta com mais de 120 mil assinaturas o anteprojeto à mudança da lei 11.343-2006, proposta pela Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia que, com o Viva Rio, apoia a campanha “Lei de drogas: é preciso mudar”.
O anteprojeto diferencia usuário e traficante. O usuário seria advertido, prestaria serviços à comunidade e, caso necessário, encaminhado à reeducação. O traficante, obviamente, continuaria penalizado.
A Comissão Global de Políticas sobre Drogas, da ONU, presidida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, enfatiza o fracasso das políticas de combate ao tráfico e defende a descriminalização do consumo. O consumo cresce muito mais rápido que as medidas tomadas para coibi-lo. Entre 2009 e 2011, foram identificadas, em países da União Europeia, 114 novas drogas psicoativas, cujo comércio é facilitado pela internet.
A proposta dos peritos ingleses é descriminalizar o cultivo doméstico de maconha para uso pessoal. Porém, continuariam criminalizados o consumo de cocaína e heroína.
Portugal aboliu, desde 2001, todas as penas criminais para a posse de drogas. Já os traficantes e produtores, mesmo domésticos, continuam penalizados. Os usuários flagrados com grande quantidade são encaminhados a tratamento. Nos EUA, os estados de Oregon, Colorado e Washington decidem, neste mês, se legalizam a maconha.
Encontrar a solução adequada não é fácil.Quem lida vários anos com dependentes químicos sabe  o quanto é inútil manter, no Brasil, a atual legislação proibitiva e repressiva. Ela só favorece o narcotráfico e os policiais corruptos.
A descriminalização do consumo me parece uma medida humanitária. Todo dependente químico é um doente e precisa ser tratado como tal. Mas como evitar que o consumo não anabolize a assombrosa fortuna dos traficantes? Ainda que se mantenha a proibição das chamadas drogas pesadas, em geral caras, como estancar a disseminação do crack, mais barato e tão devastador?
Há uma questão que merece ser aprofundada por todos os interessados no problema: por que uma pessoa usa drogas? O que a motiva a buscar uma alteração de seu estado normal de consciência? Por que ela experimenta sensação de felicidade apenas sob efeito de drogas?
A droga é um falso sucedâneo para quem carrega um buraco no peito. Esse buraco resulta do desamor e das frustrações frequentes numa sociedade tão egocêntrica e competitiva.
Uma cultura que se gaba de ter fechado o horizonte às utopias, a “outros mundos possíveis”, às ideologias libertárias, ao sonho de que, “daqui pra frente, tudo pode ser diferente”, encurrala, sobretudo os jovens, em ambições muito mesquinhas: riqueza, fama e beleza.
Como diz Jesus, “onde está seu tesouro, aí está seu coração”. Muitos que não têm a sorte de ver seu sonho tornado real, sabem como fazê-lo virtual... E ainda que disto não tenham consciência, estão gritando a plenos pulmões ter ao menos uma certeza: a de que a felicidade reside na subjetividade.

CONTINUAR CHAMANDO CARMINHA DE MALVADA É TER ENTENDIMENTO E SENSIBILIDADE DISTORCIDA.

Acabou Avenida Brasil. O país parou para ver o último capítulo e saber quem matou Max e qual seria o destino final de Carminha. Ao chegar ao fim quero trazer aqui minha leitura, uma a mais na enxurrada de comentários já feitos sobre a grande obra de João Emanuel Carneiro.
Jamais me convenceu a interpretação de que Carminha era a vilã e Nina a mocinha da trama. Vejo minha intuição confirmadíssima. Carminha vilã? Quem somos nós para apontar o dedo na direção de uma mulher que ainda em tenra idade viu com seus olhinhos virgens de maldade o pai matando friamente a mãe com um tiro no peito? E que depois foi atirada por esse pai no lixão como quem se livra de um traste, de um escolho indesejável?
Onde estamos com a cabeça – e com o coração? - ao condenar Carminha, essa mulher não medíocre, essa sobrevivente do próprio pai bandido, que um dia fugiu do lixão em busca de uma vida mais digna? E teve que viver na rua, mendigar até ser recolhida por uma cafetina que a empregou como prostituta na Vila Mimosa? Alguém se atreve a fazer a radiografia desse coração de menina e mulher para ver o tamanho das chagas que o feriram de morte para sempre e lhe deram a garra sobre-humana para superar qualquer obstáculo a fim de manter-se viva e com a cabeça fora da lama?
Todos esses horrores a levaram a uma trajetória impiedosa para alcançar seus objetivos. E esses se resumiam em sair da pobreza asquerosa onde a haviam jogado a irresponsabilidade e a crueldade paternas e encontrar um lugar ao sol. É verdade que ela procedeu sem dó nem piedade com Nina e muitos outros.
Enquanto isso, qual o itinerário de Nina? Sofrido também, com a perda da mãe, a entrada de uma madrasta odiada em sua casa e a perda do pai e a ida para o lixão levada por Max, sob a orientação de Carminha. É compreensível a raiva que a menina sentiu. Porém Nina – aliás, Rita – tem amor a recordar. Pode lembrar-se do amor da mãe, do desvelo do pai, do carinho de ambos que lhe foram subtraídos pela morte e não a abandonaram a um destino implacável. Nina ficou pouco tempo no lixão, sendo logo adotada por um rico e carinhoso argentino, que a criou entre os montes e vinhedos de Mendoza. Ali ela pôde participar da colheita da uva, e pisoteá-la com seus pés, juntamente com as irmãs e os amigos. Ali ela descobriu sua vocação de “chef” e aprendeu a fazer iguarias. Ali recebeu uma herança que lhe permitiu voltar ao Brasil e viver com conforto, para poder trabalhar por diletantismo, enquanto preparava a vingança que desfechou sobre Carminha.
Nina está longe de ser uma pessoa ética. Fica à vontade com Max e com os garotos de programa da cafetina Neide. Trama e faz alianças com Deus e o diabo para levar adiante seus planos. Envolve Nilo e outros pobres diabos do lixão em sua trama. Cheia de ódio, centra a vida na vingança que quer perpetrar. E nem o amor de e por Jorginho consegue afastá-la daquilo que se tornou o centro de sua vida: acabar com Carminha.
Quem condenará Carminha, quem lhe atirará a primeira pedra? O devasso Leleco ou a neo-burguesa deslumbrada Muricy? O egoísta Tufão, que durante doze anos prestou tão pouca atenção à mulher com quem se casara que sequer percebeu que ela o traía debaixo de seu teto? E que atropelou o pobre Genésio e omitiu socorro para não atrapalhar sua vida de super craque?
Quem, no lugar de Carminha, seria capaz de ter a nobre atitude final do último capítulo? Quem abriria mão do último golpe em nome da vida dos outros, inclusive da pior inimiga? Continuar chamando Carminha de malvada é ter o próprio entendimento e sensibilidade distorcidos. Entre Carminha e Nina existe uma coisa que é clara. A vilã não é Carminha.

CRER OU NÃO CRER, EIS A QUESTÃO.


Com frequência ouvem-se desabafos angustiantes e sinceros de muitos pais, avós e até religiosos que lamentam a distância de seus filhos e das novas gerações das práticas religiosas. Ao experimentar certas situações não faltam expressões como estas: “A fé está se indo!”... “Não é mais como antigamente!”... “Estamos perdidos!”
Não faltam aqueles que compram brigas, insistindo na obrigação das práticas e até acenam para desgraças que ameaçam os indiferentes. A tática da imposição e a apelação para o medo parece ser uma estratégia que produz efeito contrário. É bom lembrar o que nos diz a carta de João: “No amor não há temor; ao contrário, o perfeito amor lança fora o temor, porque o temor implica um castigo, e o que teme não chega à perfeição do amor”
Não podemos esquecer que houve um tempo em que todo o mundo ocidental era cristão. Todas as atividades se deixavam orientar pelo cristianismo, mais precisamente pela Igreja: a ciência, a literatura, as artes, as instituições políticas e sociais etc. Por ser um fenômeno de massa, o cristianismo era mais uma religião sociológica do que fruto de uma adesão pessoal livre, consciente e responsável.
Hoje, vivemos uma situação contrária. Pretende-se retirar Deus do mundo, da cultura e das instituições. No entanto, o que se constata é que as razões de crer e não crer se tornam cada vez mais fortes e mais vivas. Não nos enganamos quando afirmamos que o clima de nosso tempo favorece mais o ateísmo ou a indiferença religiosa do que a fé cristã. Nesta realidade, para muitos a situação se torna uma ocasião de aprofundamento da fé e para outros tantos, uma ocasião de abandono.
Nesta “mudança de época” o que nos cabe pensar e fazer? Seria melhor nos situar como assistentes passivos ou deixar passar o tempo para ver as consequências? Poderíamos voltar a ser combativos e bater de frente com a descrença, ou até polemizar com os que pensam de modo diferente? Quais seriam os caminhos para uma fé renovada?
Diante das muitas inquietações da fé, lembrei-me da parábola da árvore na montanha. Quando estava no meio do bosque cerrado, podiam chegar ventos fortes e tempestades que ela se sentia protegida pelas outras que lhe davam segurança. Porém, quando o agricultor derrubou o bosque e a deixou sozinha no descampado, as coisas mudaram. Cada vento e cada tempestade eram uma ameaça a sua queda, pois não tinha mais a proteção ao seu redor. Depois de uma longa crise ela decidiu firmar e aprofundar as raízes. Só então se sentiu segura para crescer e se expandir.
Não podemos mais fazer depender a qualidade da fé pela unanimidade dos que creem. Todo o tipo de ventania se abate sobre a humanidade em tempos de mudanças rápidas, profundas e globais. Nesta fase da história os novos ventos de Pentecostes estão a exigir decisões pessoais conscientes e livres para que as raízes da fé garantam a fecundidade geradora de novas comunidades.