Com dias de diferença apagaram-se dois poderosos fachos de luz, duas pilhas de inteligência. Contraditórios, opostos, singulares, ímpares e pares. Iguais: escolheram o riso como ferramenta, mas rir não se resume à mera contração de músculos da face, é uma demonstração espontânea de alegria, satisfação, prazer íntimo ou coletivo. Em qualquer dos seus níveis – do sorriso à gargalhada – independente do seu teor – ironia, sarcasmo, deboche, graça – o riso é uma infalível arma de destruição da arrogância e do rancor.
Chico Anysio e Millôr Fernandes foram mais do que humoristas. O cearense foi ele próprio o veículo dos seus achados antropológicos, primeiro no rádio, depois teatro e televisão. Com aquele corpo mirrado e olhos arregalados veiculou uma magistral galeria de mais de 200 personagens, impagável retrato das mazelas brasileiras.
O carioca Millor serviu-se do desenho e da palavra para nos fazer pensantes. Filósofo que dialogou com ele mesmo para derrubar fraudes, equívocos, lorotas. Usou linhas, tintas, penas, lápis, máquinas. Despreocupado com maquinetas nos fez herdeiros de um formidável acervo de dúvidas e incredulidades.
Coisas do livre-arbítrio. Mas o dano é irreparável no plano moral e institucional. Uma sociedade dominada pelo ceticismo e desanimada diante do elenco de nulidades que se exibe no pódio está sendo empurrada inexoravelmente para o abismo da descrença onde geralmente costumam germinar indignações e revolta.
Crias de um mesmo Rio de Janeiro hoje evaporado, momento urbano indizível. Irreproduzível no tempo e no espaço. Nem suas cinzas esvoaçam juntas. Melhor assim: espalhadas, derrubarão mais farsas e solenidades. Resistiram à Parca, sofreram, não mereciam. Numa terra onde as perdas são disfarçadas Chico e Millôr serão incorporados ao panteão dos que incomodam. E lá ficarão para sempre.
Qual dos dois forjou esta arrasadora sátira onde um moralista com o mesmo nome do sublime orador grego desaba desmoralizado perante a multidão incrédula?
A história do até-agora-senador Demóstenes Torres é tragicômica, joco-séria, pastelão mórbido. Veio do impoluto Ministério Público, procurador geral e secretário de Segurança de Goiás, senador da República, presidente da Comissão de Constituição e Justiça, líder do DEM na Câmara Alta, incansável caçador de corruptos, chegou a ser considerado uma das 100 personalidades mais influentes do país.
De repente despenca, enredado na quadrilha do contraventor-mor, Carlinhos Cachoeira. Incrível o volume de menções ao seu nome em gravações legais com referências explícitas a tarefas e quantias recebidas. Seu mandato está ameaçado, carreira política praticamente encerrada.
O senador Torres comprometeu o país, sua capacidade de superação e regeneração, pisoteou os valores que cimentam uma nação. Demóstenes, o grego gago, fez da eloqüência uma arte, este homônimo nos empurra para a chacota.
A verve de Chico Anysio e Millôr Fernandes já faz falta.
domingo, 1 de abril de 2012
sexta-feira, 30 de março de 2012
É COMO DIZIA O CHICO - TUDO PASSA...
Todas as coisas na Terra passam.
Os dias de dificuldade passarão...
Passarão, também, os dias de amargura e solidão.
As dores e as lágrimas passarão.
As frustrações que nos fazem chorar... Um dia passarão.
A saudade do ser querido que está longe, passará.
Os dias de tristeza...
Dias de felicidade...
São lições necessárias que, na Terra, passam, deixando no espírito imortal as experiências acumuladas.
Se, hoje, para nós, é um desses dias,
repleto de amargura, paremos um instante.
Elevemos o pensamento ao Alto
e busquemos a voz suave da Mãe amorosa,
a nos dizer carinhosamente: \'isto também passará\'
E guardemos a certeza pelas próprias dificuldades já superadas que não há mal que dure para sempre,
semelhante a enorme embarcação que, às vezes, parece que vai soçobrar diante das turbulências de gigantescas ondas.
Mas isso também passará porque Jesus está no leme dessa Nau
e segue com o olhar sereno de quem guarda a certeza de que a
agitação faz parte do roteiro evolutivo da Humanidade
e que um dia também passará.
Ele sabe que a Terra chegará a porto seguro
porque essa é a sua destinação.
Assim, façamos a nossa parte o melhor que pudermos,
sem esmorecimento e confiemos em Deus,
aproveitando cada segundo, cada minuto que, por certo, também passará.
Tudo passa...
exceto Deus.
Deus é o suficiente!
Os dias de dificuldade passarão...
Passarão, também, os dias de amargura e solidão.
As dores e as lágrimas passarão.
As frustrações que nos fazem chorar... Um dia passarão.
A saudade do ser querido que está longe, passará.
Os dias de tristeza...
Dias de felicidade...
São lições necessárias que, na Terra, passam, deixando no espírito imortal as experiências acumuladas.
Se, hoje, para nós, é um desses dias,
repleto de amargura, paremos um instante.
Elevemos o pensamento ao Alto
e busquemos a voz suave da Mãe amorosa,
a nos dizer carinhosamente: \'isto também passará\'
E guardemos a certeza pelas próprias dificuldades já superadas que não há mal que dure para sempre,
semelhante a enorme embarcação que, às vezes, parece que vai soçobrar diante das turbulências de gigantescas ondas.
Mas isso também passará porque Jesus está no leme dessa Nau
e segue com o olhar sereno de quem guarda a certeza de que a
agitação faz parte do roteiro evolutivo da Humanidade
e que um dia também passará.
Ele sabe que a Terra chegará a porto seguro
porque essa é a sua destinação.
Assim, façamos a nossa parte o melhor que pudermos,
sem esmorecimento e confiemos em Deus,
aproveitando cada segundo, cada minuto que, por certo, também passará.
Tudo passa...
exceto Deus.
Deus é o suficiente!
quarta-feira, 28 de março de 2012
DEPENDE DE VOCÊ.
Havia um viúvo... Que morava com suas duas filhas, curiosas e inteligentes...
As meninas, sempre faziam muitas perguntas. Algumas ele sabia responder, outras não... Como pretendia oferecer a elas a melhor educação mandou as meninas passarem férias com um sábio, que morava no alto de uma colina.
O sábio sempre respondia todas as perguntas sem hesitar.
Impacientes com o sábio... As meninas resolveram inventar uma pergunta que ele não saberia responder... Então, uma delas, apareceu com uma linda borboleta azul,
que usaria para pregar uma peça no sábio... O que você vai fazer? - Perguntou a irmã. Vou esconder a borboleta em minhas mãos e perguntar se ela está viva ou morta. Se ele disser que ela está morta. vou abrir minhas mãos e deixá-la voar... Se ele disser que ela está viva, vou apertá-la e esmagá-la. E assim qualquer resposta que o sábio nos der estara errada.
As duas meninas foram então o encontro do sábio que estava meditando.Tenho aqui uma borboleta azul. Diga-me sábio: Ela está viva ou morta?... Calmamente o sábio sorriu... E respondeu: Depende de você. Ela está em suas mãos. Assim é a nossa vida, o nosso presente, o nosso futuro... Não devemos culpar ninguém quando algo dá errado.Somos nós os responsáveis, pelo que conquistamos ou não conquistamos...
Nossa vida está em nossas mãos. Como a borboleta azul. Cabe a nós escolher o que fazer com ela. O valor das coisas, não está no tempo que elas duram... Mas na intensidade com que acontecem.
Por isso... Existem momentos inesquecíveis... Coisas inexplicáveis... Pessoas incomparáveis...
As meninas, sempre faziam muitas perguntas. Algumas ele sabia responder, outras não... Como pretendia oferecer a elas a melhor educação mandou as meninas passarem férias com um sábio, que morava no alto de uma colina.
O sábio sempre respondia todas as perguntas sem hesitar.
Impacientes com o sábio... As meninas resolveram inventar uma pergunta que ele não saberia responder... Então, uma delas, apareceu com uma linda borboleta azul,
que usaria para pregar uma peça no sábio... O que você vai fazer? - Perguntou a irmã. Vou esconder a borboleta em minhas mãos e perguntar se ela está viva ou morta. Se ele disser que ela está morta. vou abrir minhas mãos e deixá-la voar... Se ele disser que ela está viva, vou apertá-la e esmagá-la. E assim qualquer resposta que o sábio nos der estara errada.
As duas meninas foram então o encontro do sábio que estava meditando.Tenho aqui uma borboleta azul. Diga-me sábio: Ela está viva ou morta?... Calmamente o sábio sorriu... E respondeu: Depende de você. Ela está em suas mãos. Assim é a nossa vida, o nosso presente, o nosso futuro... Não devemos culpar ninguém quando algo dá errado.Somos nós os responsáveis, pelo que conquistamos ou não conquistamos...
Nossa vida está em nossas mãos. Como a borboleta azul. Cabe a nós escolher o que fazer com ela. O valor das coisas, não está no tempo que elas duram... Mas na intensidade com que acontecem.
Por isso... Existem momentos inesquecíveis... Coisas inexplicáveis... Pessoas incomparáveis...
terça-feira, 27 de março de 2012
SEXO BOM E SERENO
Há um sexo bom, satisfatório, que sereniza. Milhões de casais o conhecem. Ele é feliz com ela, ela é feliz com ele, os dois chegam à velhice, sabendo que foi bom. Às vezes, exigiu sacrifício, muitas vezes pediu renúncia. Foi feito de desejo, libido e entrega e foi muito mais entrega do que qualquer outra coisa. Ele deu seu corpo a ela e o fazia com prazer e ela deu seu corpo a ele, e o fazia com prazer. E mesmo quando não sentia prazer, havia o amor.
Seria bom para ele e para ela, então entregaram-se. Esse sexo bom santifica e sereniza, está dentro da natureza e está dentro da fé. Mas há o outro, o excessivo, o guloso, o histérico, o sôfrego, o que nunca satisfaz, o que nunca é suficiente, o que nunca realiza, o que resolve para o momento, o que não segura, o que não aproxima, o que não encaixa, o que machuca.
É coisa física, é coisa de fome, é a lambida que não mata a sede nem a fome porque não foi mastigada nem digerida, é alimento não absorvido. É sexo forte na ação e raquítico no conteúdo. Lembram aquelas comidas gostosas que, porém, nunca matam a fome, nunca satisfazem.
A pessoa se torna cada dia mais gulosa e mais mal alimentada. Há um sexo que embriaga, mas não alimenta; é sexo vazio, é pastel de vento, precisa de muitos atos para alguém sentir-se satisfeito, mas, uma vez satisfeito, chega a ter ânsia de vômito, posto que não era aquilo que se buscava.
Sexo do jeito errado, com a pessoa errada, na quantidade errada, no momento errado, em lugar errado e com motivação errada, tudo machuca. Não aceite experimentar a droga com alguém que você sabe que não ama você, e nem mesmo com a pessoa que ama, droga simplesmente não se experimenta. Não aceite um sexo com uma pessoa que não ama você e a quem você não ama. Espere para ter certeza.
Droga, só na mínima quantidade recomendada pelo médico e dentro de um fármaco; sexo só na quantidade certa, suficiente dentro de um projeto de amor e de carinho. Do contrário, é cocaína da pior espécie. Para muitas pessoas o sexo é a possessão desesperada de um corpo alheio. Para milhões, felizmente, é a entrega de almas, expressa pela união de corpos. Este é o único sexo que tem chance de fazer alguém feliz. Reze para encontrar alguém que lhe possa dar essa chance; a do sexo sereno, tranquilo e feliz
Seria bom para ele e para ela, então entregaram-se. Esse sexo bom santifica e sereniza, está dentro da natureza e está dentro da fé. Mas há o outro, o excessivo, o guloso, o histérico, o sôfrego, o que nunca satisfaz, o que nunca é suficiente, o que nunca realiza, o que resolve para o momento, o que não segura, o que não aproxima, o que não encaixa, o que machuca.
É coisa física, é coisa de fome, é a lambida que não mata a sede nem a fome porque não foi mastigada nem digerida, é alimento não absorvido. É sexo forte na ação e raquítico no conteúdo. Lembram aquelas comidas gostosas que, porém, nunca matam a fome, nunca satisfazem.
A pessoa se torna cada dia mais gulosa e mais mal alimentada. Há um sexo que embriaga, mas não alimenta; é sexo vazio, é pastel de vento, precisa de muitos atos para alguém sentir-se satisfeito, mas, uma vez satisfeito, chega a ter ânsia de vômito, posto que não era aquilo que se buscava.
Sexo do jeito errado, com a pessoa errada, na quantidade errada, no momento errado, em lugar errado e com motivação errada, tudo machuca. Não aceite experimentar a droga com alguém que você sabe que não ama você, e nem mesmo com a pessoa que ama, droga simplesmente não se experimenta. Não aceite um sexo com uma pessoa que não ama você e a quem você não ama. Espere para ter certeza.
Droga, só na mínima quantidade recomendada pelo médico e dentro de um fármaco; sexo só na quantidade certa, suficiente dentro de um projeto de amor e de carinho. Do contrário, é cocaína da pior espécie. Para muitas pessoas o sexo é a possessão desesperada de um corpo alheio. Para milhões, felizmente, é a entrega de almas, expressa pela união de corpos. Este é o único sexo que tem chance de fazer alguém feliz. Reze para encontrar alguém que lhe possa dar essa chance; a do sexo sereno, tranquilo e feliz
SINERGETICAMENTE, PODEREMOS TRIUNFAR.
Há muitos hoje no mundo inteiro preocupados com a crise atual que engloba um complexo de outras crises. Cada um traz luz. E toda luz é criadora. Mas, de minha parte, vindo da filosofia , sinto necessidade de uma reflexão que vá mais fundo, às raízes, de onde lentamente ela se originou e que hoje eclode com toda a sua virulência. Diferente de outras crises anteriores, esta possui uma singularidade: nela está em jogo o futuro da vida e a continuidade de nossa civilização. Nossas práticas estão indo contra o curso evolucionário da Terra. Esta nos criou um lugar amigável para viver mas nós não nos mostramos amigáveis para com ela. Ela pode continuar sem nós. Nós, no entanto, precisamos dela.
Estimo que a origem próxima (não vamos retroceder até o homo faber de dois milhões de anos atrás) se encontra no paradigma da modernidade que fragmentou o real e o transformou num objeto de ciência e num campo de intervenção técnica. Até então a humanidade se entendia normalmente como parte de um cosmos vivente e cheio de propósito, sentindo-se filho e filha da Mãe Terra. Agora ela foi transformada num armazém de recursos. As coisas e os seres humanos estão desconectados entre si, cada qual seguindo um curso próprio. Essa virada produziu uma concepção mecanicista e atomizada da realidade que está erodindo a continuidade de nossas experiências e a integridade de nossa psiquè coletiva.
A secularização de todas as esferas da vida nos tirou o sentimento de pertença a um Todo maior. Estamos desenraizados e mergulhados numa profunda solidão. O oposto a uma visão espiritual do mundo não é o materialismo ou o ateísmo. É o desenraizamento e o sentimento de que estamos sós no universo e perdidos, coisa que uma visão espiritual do mundo impedia. Esse complexo de questões subjaz à atual crise. Precisamos, para sair dela, reencantar o mundo e perceber a Matriz Relacional (Relational Matrix) em erosão, que nos envolve a todos. Somos urgidos a compreender o significado do projeto humano no interior de um universo em evolução/criação. As novas ciências depois de Einstein, de Heisenberg/Bohr, de Prigogine e de Hawking nos mostraram que todas as coisas se encontram interconectadas umas com as outras de tal forma que formam um complexo Todo.
Os átomos e as partículas elementares não são mais consideradas inertes e sem vida. Os microcosmos emergem como um mundo altamente interativo, impossível de ser descrito pela linguagem humana, mas apenas por via da matemática. Forma uma unidade complexa na qual cada partícula é ligada a todas as outras e isso desde os primórdios da aventura cósmica, há 13,7 bilhões de anos. Matéria e mente comparecem misteriosamente entrelaçadas, sendo difícil discernir se a mente surge da matéria ou a matéria da mente ou se elas surgem conjuntamente. A própria Terra se mostra viva (Gaia), articulando todos os elementos para garantir as condições ideais para a vida. Nela, mais que a competição, funciona a cooperação de todos com todos. Ela mostra um impulso para a complexidade, para a diversidade e para a irrupção da consciência em níveis cada vez mais complexos até a sua expressão atual pelas redes de conexões globais dentro de um processo de mundialização crescente.
Esta cosmovisão nos alimenta a esperança de um outro mundo possível, a partir de um cosmos em evolução que através de nós sente, pensa, cria, ama e busca permanente equilíbrio. Ideias-mestras como interdependência, comunidade de vida, reciprocidade e corresponsabilidade são chaves de leitura e nos alimentam uma nova visão mais harmoniosa das coisas.
Esta cosmologia é que falta hoje. Ela tem o condão de nos fornecer uma visão coerente do universo, da Terra e de nosso lugar no conjunto dos seres, como guardiães e cuidadores de todo o criado. Esta cosmovisão nos impedirá de cair num abismo sem retorno. Nas crises passadas, a Terra sempre se mostrou a nosso favor, nos salvando. E não será diferente agora. Juntos, nós e ela, sinergeticamente, poderemos triunfar.
Estimo que a origem próxima (não vamos retroceder até o homo faber de dois milhões de anos atrás) se encontra no paradigma da modernidade que fragmentou o real e o transformou num objeto de ciência e num campo de intervenção técnica. Até então a humanidade se entendia normalmente como parte de um cosmos vivente e cheio de propósito, sentindo-se filho e filha da Mãe Terra. Agora ela foi transformada num armazém de recursos. As coisas e os seres humanos estão desconectados entre si, cada qual seguindo um curso próprio. Essa virada produziu uma concepção mecanicista e atomizada da realidade que está erodindo a continuidade de nossas experiências e a integridade de nossa psiquè coletiva.
A secularização de todas as esferas da vida nos tirou o sentimento de pertença a um Todo maior. Estamos desenraizados e mergulhados numa profunda solidão. O oposto a uma visão espiritual do mundo não é o materialismo ou o ateísmo. É o desenraizamento e o sentimento de que estamos sós no universo e perdidos, coisa que uma visão espiritual do mundo impedia. Esse complexo de questões subjaz à atual crise. Precisamos, para sair dela, reencantar o mundo e perceber a Matriz Relacional (Relational Matrix) em erosão, que nos envolve a todos. Somos urgidos a compreender o significado do projeto humano no interior de um universo em evolução/criação. As novas ciências depois de Einstein, de Heisenberg/Bohr, de Prigogine e de Hawking nos mostraram que todas as coisas se encontram interconectadas umas com as outras de tal forma que formam um complexo Todo.
Os átomos e as partículas elementares não são mais consideradas inertes e sem vida. Os microcosmos emergem como um mundo altamente interativo, impossível de ser descrito pela linguagem humana, mas apenas por via da matemática. Forma uma unidade complexa na qual cada partícula é ligada a todas as outras e isso desde os primórdios da aventura cósmica, há 13,7 bilhões de anos. Matéria e mente comparecem misteriosamente entrelaçadas, sendo difícil discernir se a mente surge da matéria ou a matéria da mente ou se elas surgem conjuntamente. A própria Terra se mostra viva (Gaia), articulando todos os elementos para garantir as condições ideais para a vida. Nela, mais que a competição, funciona a cooperação de todos com todos. Ela mostra um impulso para a complexidade, para a diversidade e para a irrupção da consciência em níveis cada vez mais complexos até a sua expressão atual pelas redes de conexões globais dentro de um processo de mundialização crescente.
Esta cosmovisão nos alimenta a esperança de um outro mundo possível, a partir de um cosmos em evolução que através de nós sente, pensa, cria, ama e busca permanente equilíbrio. Ideias-mestras como interdependência, comunidade de vida, reciprocidade e corresponsabilidade são chaves de leitura e nos alimentam uma nova visão mais harmoniosa das coisas.
Esta cosmologia é que falta hoje. Ela tem o condão de nos fornecer uma visão coerente do universo, da Terra e de nosso lugar no conjunto dos seres, como guardiães e cuidadores de todo o criado. Esta cosmovisão nos impedirá de cair num abismo sem retorno. Nas crises passadas, a Terra sempre se mostrou a nosso favor, nos salvando. E não será diferente agora. Juntos, nós e ela, sinergeticamente, poderemos triunfar.
O CAOS VIRÁ, SE O CONSUMO NÃO MUDAR
A demanda pelos suprimentos de água no mundo é tão intensa que será necessária uma mudança radical na forma como ela é usada para evitar a escassez. A conclusão é do 4º Relatório de Desenvolvimento Mundial da Água, intitulado Gerenciando a Água sob Incerteza e Risco. Estudo elaborado pela Organização das Nações Unidas (ONU) foi lançado na semana passada, durante o 6º Fórum Mundial da Água, em Marselha, na França.
De acordo com a pesquisa, aumentou a demanda por água para irrigação de cultivos de alimentos, para produção de energia elétrica e para fins sanitários. E vai aumentar mais devido ao crescimento demográfico, estimado em dois a três bilhões de pessoas nos próximos 40 anos. O documento ressalta ainda que as mudanças climáticas estão reduzindo os suprimentos ao alterar os padrões de chuvas, provocando secas mais prolongadas e o derretimento de geleiras.
O relatório da ONU é enfático ao projetar os próximos anos. Exemplo: se o atual modelo de consumo não mudar, a necessidade de água destinada à produção de energia vai crescer 11,2% até 2050. A energia hidráulica e os biocombustíveis são essenciais, mas será necessário investir em energia limpa para reduzir as consequências desse consumo para as mudanças climáticas.
De acordo com dados da Agência Internacional de Energia (AIE), publicados no documento da ONU, pelo menos 5% do transporte mundial será mantido por biocombustíveis em 2030, e sua produção poderia consumir entre 20% e 100% da quantidade total de água atualmente usada pela agricultura no mundo.
Outros setores da economia permanecerão disputando o acesso aos recursos hídricos. A agricultura, que utiliza hoje 70% da água doce do mundo, precisará de mais (leia ao lado).
A ONU revela que nenhuma região do planeta está livre de pressões sobre os recursos hídricos. Até a Europa tem 120 milhões de cidadãos sem acesso à água potável. Em algumas partes do velho continente, os cursos de água chegam a perder até 80% de seu volume no verão. Situação pior é da África, aonde a demanda de água acelera a deterioração de seus recursos hídricos. E com um agravante: a população africana aumenta em média 2,6% ao ano, contra uma média mundial de 1,2%.
A Ásia e o Pacífico oferecem outro cenário preocupante. Eles abrigam 60% dos habitantes da Terra, mas possuem somente 36% dos recursos hídricos. Segundo o relatório da ONU, 480 milhões de pessoas não tinham acesso, em 2008, a uma fonte de água de qualidade, e 1,9 bilhão não tinham infraestrutura sanitária adequada. No Oriente Médio, pelo menos doze países vivem em “absoluta escassez” de água. Lá, dois terços da água consumida vêm de fora da região. Na América Latina e no Caribe, dobrou a taxa de extração de água no século XX.
O Brasil expõe situação singular: produz aproximadamente 12% da água doce superficial do planeta e, segundo dados da Agência Nacional de Águas (ANA), o país dispõe de 18% de toda água doce superficial da Terra. O problema é fazer chegar a água potável a todas as casas. Por isso, no país da abundância de água milhões de pessoas ainda passam sede. (Com informação da Agência Brasil)
De acordo com a pesquisa, aumentou a demanda por água para irrigação de cultivos de alimentos, para produção de energia elétrica e para fins sanitários. E vai aumentar mais devido ao crescimento demográfico, estimado em dois a três bilhões de pessoas nos próximos 40 anos. O documento ressalta ainda que as mudanças climáticas estão reduzindo os suprimentos ao alterar os padrões de chuvas, provocando secas mais prolongadas e o derretimento de geleiras.
O relatório da ONU é enfático ao projetar os próximos anos. Exemplo: se o atual modelo de consumo não mudar, a necessidade de água destinada à produção de energia vai crescer 11,2% até 2050. A energia hidráulica e os biocombustíveis são essenciais, mas será necessário investir em energia limpa para reduzir as consequências desse consumo para as mudanças climáticas.
De acordo com dados da Agência Internacional de Energia (AIE), publicados no documento da ONU, pelo menos 5% do transporte mundial será mantido por biocombustíveis em 2030, e sua produção poderia consumir entre 20% e 100% da quantidade total de água atualmente usada pela agricultura no mundo.
Outros setores da economia permanecerão disputando o acesso aos recursos hídricos. A agricultura, que utiliza hoje 70% da água doce do mundo, precisará de mais (leia ao lado).
A ONU revela que nenhuma região do planeta está livre de pressões sobre os recursos hídricos. Até a Europa tem 120 milhões de cidadãos sem acesso à água potável. Em algumas partes do velho continente, os cursos de água chegam a perder até 80% de seu volume no verão. Situação pior é da África, aonde a demanda de água acelera a deterioração de seus recursos hídricos. E com um agravante: a população africana aumenta em média 2,6% ao ano, contra uma média mundial de 1,2%.
A Ásia e o Pacífico oferecem outro cenário preocupante. Eles abrigam 60% dos habitantes da Terra, mas possuem somente 36% dos recursos hídricos. Segundo o relatório da ONU, 480 milhões de pessoas não tinham acesso, em 2008, a uma fonte de água de qualidade, e 1,9 bilhão não tinham infraestrutura sanitária adequada. No Oriente Médio, pelo menos doze países vivem em “absoluta escassez” de água. Lá, dois terços da água consumida vêm de fora da região. Na América Latina e no Caribe, dobrou a taxa de extração de água no século XX.
O Brasil expõe situação singular: produz aproximadamente 12% da água doce superficial do planeta e, segundo dados da Agência Nacional de Águas (ANA), o país dispõe de 18% de toda água doce superficial da Terra. O problema é fazer chegar a água potável a todas as casas. Por isso, no país da abundância de água milhões de pessoas ainda passam sede. (Com informação da Agência Brasil)
DO QUE? QUERO ME VER LIVRE.
Esse primeiro estágio da liberdade parece ser uma rebeldia natural que nos deixa sempre na inquietação diante da vida, dos fatos e das circunstâncias. Este impulso começa com a negação e a rejeição. Aqui a liberdade se parece com uma revolta contra os condicionamentos e as situações reais que limitam a vida. Fora e dentro de cada pessoa circulam condicionamentos que nos limitam, como a dependência dos outros, a força das leis, as necessidades primárias como a fome, a sede, a ignorância etc... Também não nos sentimos à vontade como portadores do orgulho, de um refinado egoísmo, do senso de inferioridade, da hipocrisia, da agressividade desordenada, do ímpeto das paixões, do desejo de poder e de ganância...
Ter consciência do que fere a nossa liberdade e querer nos ver livres já é um passo significativo. Para isso necessitamos nos voltar para algumas direções principais como: o conhecimento e a superação das próprias escravidões; a percepção do limite da liberdade adolescente e a superação positiva da desilusão de uma “liberdade absoluta”.
Dietrich Bonhoeffer, ao viver aprisionado pelo nazismo escreve: “A pessoa mais livre é aquela que adquire maior posse, não do universo, mas de suas escolhas, aquele que se liberta melhor, a partir de dentro. Rompe o cerco de tuas ânsias e tuas incertezas para enfrentar a tempestade dos acontecimentos”.
Michel Quoist afirma: “Se tu queres, podes permanecer livre, porque a tua liberdade não se encontra ao nível do teu corpo, mas a nível do teu espírito. Se queres permanecer livre deves enfrentar-te a ti mesmo conquistando a tua liberdade”. Tantas vezes nos vemos contraditórios e teimosos. Torno-me escravo de mim mesmo quando costumo dizer: “Não é culpa minha, isto é próprio do meu caráter! Sei que estou errado, mas não dou braço a torcer!”
De modo geral, é mais fácil acusar os outros por não se conseguir a liberdade do que assumir responsavelmente as consequências das próprias escolhas. “Em nome da ânsia de liberdade, faço qualquer negócio!” Qualquer negócio feito de qualquer jeito pode colocar-me em ritmo de falência.
Para ver-me livre, necessito de uma constante luta de superação de minhas escravidões interiores e exteriores. Se não me empenhar nessa luta, elas vão me deixando de mal com a vida. Necessito transformar este potencial de escravidão em força de libertação. Quando me coloco como se fosse o centro do mundo, além de aprisionar-me, vou aprisionando os outros em torno de mim e ampliando o círculo de escravidões que irão me sufocar.
Por incrível que pareça, se não prestar atenção, poderei me tornar escravo, livremente responsável pela força de falsas decisões. Necessito dar-me conta de que, para ver-me realmente livre, preciso cultivar a capacidade de optar pelo bem. Somente o bem e o autêntico amor libertam. O egoísmo escraviza!
Quero me ver livre! Para dar esse primeiro passo necessito imbuir-me daquela sabedoria que vem de Deus, para fazer um caminho que não se limite ao tempo, mas me projete para a eterna liberdade no amor.
Ter consciência do que fere a nossa liberdade e querer nos ver livres já é um passo significativo. Para isso necessitamos nos voltar para algumas direções principais como: o conhecimento e a superação das próprias escravidões; a percepção do limite da liberdade adolescente e a superação positiva da desilusão de uma “liberdade absoluta”.
Dietrich Bonhoeffer, ao viver aprisionado pelo nazismo escreve: “A pessoa mais livre é aquela que adquire maior posse, não do universo, mas de suas escolhas, aquele que se liberta melhor, a partir de dentro. Rompe o cerco de tuas ânsias e tuas incertezas para enfrentar a tempestade dos acontecimentos”.
Michel Quoist afirma: “Se tu queres, podes permanecer livre, porque a tua liberdade não se encontra ao nível do teu corpo, mas a nível do teu espírito. Se queres permanecer livre deves enfrentar-te a ti mesmo conquistando a tua liberdade”. Tantas vezes nos vemos contraditórios e teimosos. Torno-me escravo de mim mesmo quando costumo dizer: “Não é culpa minha, isto é próprio do meu caráter! Sei que estou errado, mas não dou braço a torcer!”
De modo geral, é mais fácil acusar os outros por não se conseguir a liberdade do que assumir responsavelmente as consequências das próprias escolhas. “Em nome da ânsia de liberdade, faço qualquer negócio!” Qualquer negócio feito de qualquer jeito pode colocar-me em ritmo de falência.
Para ver-me livre, necessito de uma constante luta de superação de minhas escravidões interiores e exteriores. Se não me empenhar nessa luta, elas vão me deixando de mal com a vida. Necessito transformar este potencial de escravidão em força de libertação. Quando me coloco como se fosse o centro do mundo, além de aprisionar-me, vou aprisionando os outros em torno de mim e ampliando o círculo de escravidões que irão me sufocar.
Por incrível que pareça, se não prestar atenção, poderei me tornar escravo, livremente responsável pela força de falsas decisões. Necessito dar-me conta de que, para ver-me realmente livre, preciso cultivar a capacidade de optar pelo bem. Somente o bem e o autêntico amor libertam. O egoísmo escraviza!
Quero me ver livre! Para dar esse primeiro passo necessito imbuir-me daquela sabedoria que vem de Deus, para fazer um caminho que não se limite ao tempo, mas me projete para a eterna liberdade no amor.
SE CUIDAR E ECONOMIZAR, NÃO VAI FALTAR ÁGUA
O 6º Fórum Mundial da Água, realizado na semana passada em Marselha, França, será lembrado por uma contribuição especial: apresentou, de forma muito clara e até pedagógica, a situação do abastecimento de água no planeta. O 4º Relatório de Desenvolvimento Mundial da Água, denominado Gerenciando a Água sob Incerteza e Risco, elaborado pela Organização das Nações Unidas (ONU), revela com clareza a encruzilhada em que se encontra a humanidade hoje.
A escassez de água avança em praticamente todas as regiões do mundo. Algumas delas vivem quadros dramáticos. Falta o líquido para saciar a sede das pessoas, o que dirá para outras necessidades. E as estatísticas de vítimas, inclusive fatais, não param de crescer. Ao mesmo tempo, as projeções indicam que será preciso mais água para alimentar a população, que vai ultrapassar os 9,3 bilhões de pessoas em 2050. Os estudos mostram que para atender a demanda, a produção de alimentos deverá crescer 60% - e para atingir essa meta a agricultura, que já representa 70% do consumo de água do planeta, comprometerá mais 19%. Será maior também o volume de água destinada à geração de energia, imprescindível para as exigências do incremento econômico.
Diante da realidade e do intenso crescimento da demanda, a alternativa é mudar, radicalmente, a forma como a água vem sendo usada. O que pode parecer apocalíptico, não passa de simples alterações de hábitos e de atitudes. Primeiro passo: respeitar a natureza - o que significa preservar os mananciais hídricos, evitando a degradação. Segundo: não desperdiçar - o que equivale a consumir apenas o mínimo indispensável. Esses são os fundamentais, embora a lista inclua outros. O mais importante, porém, é a conscientização de que a água é um bem finito e cujas reservas são as mesmas de dois mil anos atrás, quando a população somava apenas 3% da atual.
A escassez de água avança em praticamente todas as regiões do mundo. Algumas delas vivem quadros dramáticos. Falta o líquido para saciar a sede das pessoas, o que dirá para outras necessidades. E as estatísticas de vítimas, inclusive fatais, não param de crescer. Ao mesmo tempo, as projeções indicam que será preciso mais água para alimentar a população, que vai ultrapassar os 9,3 bilhões de pessoas em 2050. Os estudos mostram que para atender a demanda, a produção de alimentos deverá crescer 60% - e para atingir essa meta a agricultura, que já representa 70% do consumo de água do planeta, comprometerá mais 19%. Será maior também o volume de água destinada à geração de energia, imprescindível para as exigências do incremento econômico.
Diante da realidade e do intenso crescimento da demanda, a alternativa é mudar, radicalmente, a forma como a água vem sendo usada. O que pode parecer apocalíptico, não passa de simples alterações de hábitos e de atitudes. Primeiro passo: respeitar a natureza - o que significa preservar os mananciais hídricos, evitando a degradação. Segundo: não desperdiçar - o que equivale a consumir apenas o mínimo indispensável. Esses são os fundamentais, embora a lista inclua outros. O mais importante, porém, é a conscientização de que a água é um bem finito e cujas reservas são as mesmas de dois mil anos atrás, quando a população somava apenas 3% da atual.
MUITA ÁGUA PARA POUCO CAFÉ E ETANOL
Muito líquido para pouco café e etanol
A produção de uma xícara de café exige 140 litros d’água. Conclusão é do Fundo Mundial para a Natureza (WWF). A organização ambientalista aplicou um indicador elaborado pela Universidade de Twente, na Holanda, para registrar a “pegada hídrica” da xícara de café.
O cálculo de 140 litros para uma xícara de café compreende a água usada no cultivo do pé de café, na colheita, no transporte, na venda e no preparo. Se forem adicionados leite e açúcar e um copo de plástico para servir, “a pegada hídrica” de uma xícara de café passará para 200 litros, com variantes se o açúcar for branco, procedente da beterraba, ou mascavo, da cana-de-açúcar, acrescentou.
Já para produzir um litro de etanol, a partir da cana-de-açúcar, são necessários 18,4 litros de água e 1,52 m² de terra. Segundo a ONU, a quantidade de água que essas plantações demandariam para suprir as necessidades do planeta poderia ser devastadora em regiões onde o recurso é escasso, como na África Ocidental.
A produção de uma xícara de café exige 140 litros d’água. Conclusão é do Fundo Mundial para a Natureza (WWF). A organização ambientalista aplicou um indicador elaborado pela Universidade de Twente, na Holanda, para registrar a “pegada hídrica” da xícara de café.
O cálculo de 140 litros para uma xícara de café compreende a água usada no cultivo do pé de café, na colheita, no transporte, na venda e no preparo. Se forem adicionados leite e açúcar e um copo de plástico para servir, “a pegada hídrica” de uma xícara de café passará para 200 litros, com variantes se o açúcar for branco, procedente da beterraba, ou mascavo, da cana-de-açúcar, acrescentou.
Já para produzir um litro de etanol, a partir da cana-de-açúcar, são necessários 18,4 litros de água e 1,52 m² de terra. Segundo a ONU, a quantidade de água que essas plantações demandariam para suprir as necessidades do planeta poderia ser devastadora em regiões onde o recurso é escasso, como na África Ocidental.
CIÚMES
Travei dia desses breve, porém acalorado, embate – que por sorte se restringiu ao uso de palavras e gestos – com moça bela, porém, desconfio eu, de coração empedrado (ou mentirosa descarada). Dizia ela que nunca, jamais, havia sentido na vida ciúme; que não sabia o que era isso e não podia entender quando alguém discorria sobre o tema.
A celeuma se deu porque ela dizia isso olhando, com seu par de jabuticabas, nos meus olhos, rosto empedernido, desafiadora, quase irresponsável. Fazia seu discurso justo para mim! Eu, que tenho ciúmes de tudo.
E quando digo tudo é porque meus ciúmes vão muito além desse sentimento bobo e doentio que um namorado sente pela namorada e vice-versa. Esse, de tão banal e corriqueiro, nunca alimentei.
Meu ciúme é verdadeiro, profundo e justificado; o sinto por meus amigos, porque demorei muito para conquista-los e para me deixar ser conquistado por eles. E por isso não os apresento a qualquer pessoa e em qualquer situação.
E quando apresento é porque sei que se entenderão, que criarão rápido e sincero apreço mútuo e que, com sorte, se tornarão amigos – o que provavelmente me gerará algum ciúme bom (sim, ele existe).
E meus ciúmes vão bem mais longe.
Tenho ciúmes de música, de livro, de poesia, de filme, de lugar... Quando descubro que gente besta descobriu e gostou do que descobri e gostei primeiro fico encolerizado, mesmo. Eram meus, faziam parte da minha vida e os compartia parcimoniosamente com os poucos escolhidos, os que fizeram por merecer; e de repente chega um(a) desqualificado(a) e toma meu tesouro?
Expliquei-lhe meus motivos, expus minhas justas justificativas, mas ela, couraça em forma de gente (ou mentirosa contumaz), seguia com sua mirada infame e balançava a cabeça negativamente, fazendo voar seus cabelos castanhos levemente encaracolados e me desconcentrando da tarefa de tentar convence-la.
Pois nada, azar o dela, que enquanto não ganhar minha confiança continuará sem conhecer as músicas, os filmes, os poemas e os amigos que eu mais quero, que esses eu levo bem guardadinhos e não os reparto com qualquer(a).
Mais fácil que a presenteie com meu coração – que esse vira e mexe me roubam ou eu acabo por perdê-lo pelo caminho e tenho que construir outro – que com meus ciúmes. E tenho dito
A celeuma se deu porque ela dizia isso olhando, com seu par de jabuticabas, nos meus olhos, rosto empedernido, desafiadora, quase irresponsável. Fazia seu discurso justo para mim! Eu, que tenho ciúmes de tudo.
E quando digo tudo é porque meus ciúmes vão muito além desse sentimento bobo e doentio que um namorado sente pela namorada e vice-versa. Esse, de tão banal e corriqueiro, nunca alimentei.
Meu ciúme é verdadeiro, profundo e justificado; o sinto por meus amigos, porque demorei muito para conquista-los e para me deixar ser conquistado por eles. E por isso não os apresento a qualquer pessoa e em qualquer situação.
E quando apresento é porque sei que se entenderão, que criarão rápido e sincero apreço mútuo e que, com sorte, se tornarão amigos – o que provavelmente me gerará algum ciúme bom (sim, ele existe).
E meus ciúmes vão bem mais longe.
Tenho ciúmes de música, de livro, de poesia, de filme, de lugar... Quando descubro que gente besta descobriu e gostou do que descobri e gostei primeiro fico encolerizado, mesmo. Eram meus, faziam parte da minha vida e os compartia parcimoniosamente com os poucos escolhidos, os que fizeram por merecer; e de repente chega um(a) desqualificado(a) e toma meu tesouro?
Expliquei-lhe meus motivos, expus minhas justas justificativas, mas ela, couraça em forma de gente (ou mentirosa contumaz), seguia com sua mirada infame e balançava a cabeça negativamente, fazendo voar seus cabelos castanhos levemente encaracolados e me desconcentrando da tarefa de tentar convence-la.
Pois nada, azar o dela, que enquanto não ganhar minha confiança continuará sem conhecer as músicas, os filmes, os poemas e os amigos que eu mais quero, que esses eu levo bem guardadinhos e não os reparto com qualquer(a).
Mais fácil que a presenteie com meu coração – que esse vira e mexe me roubam ou eu acabo por perdê-lo pelo caminho e tenho que construir outro – que com meus ciúmes. E tenho dito
O FASCISMO NÂO SORRIA COM CHICO ANYSIO.
Com o desaparecimento de Chico Anysio, vale lembrar o dito rikiano de que "a fama é a soma de todos os equívocos em torno de alguém"? Ou estamos assistindo a grandes e justificadas homenagens ao mais importante humorista das últimas quatro décadas?
Ciente da força corrosiva do humor e da sátira, Chico criava personagens obstinadamente, talvez intuitivamente, sabendo que o jogo da linguagem crítica é, em si, o jogo do espírito em seu aspecto lúdico.
A irreverência no trato com autoridades e seu refinado senso de resistência política o levaram a um intenso processo de criação, como se não quisesse perder um só detalhe do que estivesse à sua volta. Operando com similaridades e antíteses, captou, com sua lente fina, as luzes e o dia-a-dia do povo brasileiro, dos oligarcas aos estratos populares que não se curvam ao desencanto e à decepção. Do rádio à televisão, Chico Anysio foi um perito em extrair de múltiplos detalhes da nossa formação cultural significados precisos, dissolvendo mitos e máscaras com o ácido sulfúrico da piada certeira e do sarcasmo.
Como ninguém, ele soube fazer isso com ternura, estranha ternura onde o lado amargo da vida é plenamente resgatado pelo humor atordoante. Há quem diga que, como os poetas, os humoristas habitam um mundo em decomposição e decadência, mas o fazem de forma visceral, com arte feita do mais puro aço da reflexão e da lucidez crítica.
Dotado de profunda consciência social, o cearense de Maranguape tem uma face pouco conhecida, que vai bem além do talentoso humorista, autor e compositor: a de um resistente que não se curvou às tentativas de cooptação dos setores golpistas aglutinados, nos anos 1960, na rede de propaganda geral e doutrinação do Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (IPES).
Conforme nos revela René Armand Dreifuss* (1981: 248), "a elite orgânica se aproximou de inúmeros produtores, atores e diretores famosos de televisão, tais como Gilson Arruda e Batista do Amaral. Favorecia o uso de programas cômicos, quando possível. Rui Gomes de Almeida observava que uma piada contra um político provocaria um "dano enorme". Negava, ao contrário, o apoio aos atores que não cooperassem ou agissem contra os programas, as linhas de raciocínio e as pessoas que o IPES patrocinava. Tal foi o caso do humorista Chico Anysio, sagaz observador da realidade social".
Na melhor tradição do humor de combate, ainda que sem engajamento explícito, Chico não renegou princípios. Entendeu corretamente e cumpriu com competência a melhor missão do humor: a de fiscal mordaz e crítico visceral das estruturas do poder. Na galeria de mais de duzentos personagens, há lugar de destaque para a velha oligarquia e parlamentares com um profundo sentimento antipopular. Tudo operado com destreza e rara sensibilidade.
Na ausência de herdeiros, o panorama, após sua morte, é desolador. Quadros do Instituto Millennium elegem o ódio de classe, a homofobia e a descriminação de gênero como mote para piadas grosseiras. Programas como Casseta & Planeta e CQC parecem restabelecer uma velha sina: no Brasil, homens que tiveram voos de águia ou condor acabam em incursões galináceas, saltando direto para o poleiro. Enquanto outros, ainda jovens, antecipam a hora do perjuro.
Vai-se a multiplicidade que transforma. Fica a vala comum do transformismo. Não esperem perspicácia, iconoclastia irônica e imaginativa. O que toma a cena como "humor político" nada mais é do que o fascismo que lhe sorri.
Ciente da força corrosiva do humor e da sátira, Chico criava personagens obstinadamente, talvez intuitivamente, sabendo que o jogo da linguagem crítica é, em si, o jogo do espírito em seu aspecto lúdico.
A irreverência no trato com autoridades e seu refinado senso de resistência política o levaram a um intenso processo de criação, como se não quisesse perder um só detalhe do que estivesse à sua volta. Operando com similaridades e antíteses, captou, com sua lente fina, as luzes e o dia-a-dia do povo brasileiro, dos oligarcas aos estratos populares que não se curvam ao desencanto e à decepção. Do rádio à televisão, Chico Anysio foi um perito em extrair de múltiplos detalhes da nossa formação cultural significados precisos, dissolvendo mitos e máscaras com o ácido sulfúrico da piada certeira e do sarcasmo.
Como ninguém, ele soube fazer isso com ternura, estranha ternura onde o lado amargo da vida é plenamente resgatado pelo humor atordoante. Há quem diga que, como os poetas, os humoristas habitam um mundo em decomposição e decadência, mas o fazem de forma visceral, com arte feita do mais puro aço da reflexão e da lucidez crítica.
Dotado de profunda consciência social, o cearense de Maranguape tem uma face pouco conhecida, que vai bem além do talentoso humorista, autor e compositor: a de um resistente que não se curvou às tentativas de cooptação dos setores golpistas aglutinados, nos anos 1960, na rede de propaganda geral e doutrinação do Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (IPES).
Conforme nos revela René Armand Dreifuss* (1981: 248), "a elite orgânica se aproximou de inúmeros produtores, atores e diretores famosos de televisão, tais como Gilson Arruda e Batista do Amaral. Favorecia o uso de programas cômicos, quando possível. Rui Gomes de Almeida observava que uma piada contra um político provocaria um "dano enorme". Negava, ao contrário, o apoio aos atores que não cooperassem ou agissem contra os programas, as linhas de raciocínio e as pessoas que o IPES patrocinava. Tal foi o caso do humorista Chico Anysio, sagaz observador da realidade social".
Na melhor tradição do humor de combate, ainda que sem engajamento explícito, Chico não renegou princípios. Entendeu corretamente e cumpriu com competência a melhor missão do humor: a de fiscal mordaz e crítico visceral das estruturas do poder. Na galeria de mais de duzentos personagens, há lugar de destaque para a velha oligarquia e parlamentares com um profundo sentimento antipopular. Tudo operado com destreza e rara sensibilidade.
Na ausência de herdeiros, o panorama, após sua morte, é desolador. Quadros do Instituto Millennium elegem o ódio de classe, a homofobia e a descriminação de gênero como mote para piadas grosseiras. Programas como Casseta & Planeta e CQC parecem restabelecer uma velha sina: no Brasil, homens que tiveram voos de águia ou condor acabam em incursões galináceas, saltando direto para o poleiro. Enquanto outros, ainda jovens, antecipam a hora do perjuro.
Vai-se a multiplicidade que transforma. Fica a vala comum do transformismo. Não esperem perspicácia, iconoclastia irônica e imaginativa. O que toma a cena como "humor político" nada mais é do que o fascismo que lhe sorri.
Assinar:
Postagens (Atom)
