quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
UMA VERDADE INQUESTIONÁVEL: LULA É UM GRANDE COMUNICADOR.
Lula pode realizar um governo como jamais o Brasil viu. Pode ao fim do mandato dizer que foi pé quente, que trouxe para o Brasil a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e as Olimpíadas de 2016 para o Rio de Janeiro. Pode dizer que deixa como legado a Consolidação das Leis Sociais (CLS) e o marco regulatório para a exploração de petróleo na camada do pré-sal. Pode recordar que o país emprestou ao FMI encerrando longas décadas de humilhante dependência. E pode bater no peito afirmando que no Brasil uma Colômbia saiu da classe pobre para ingressar na classe média. Sem cerimônia, como lhe é peculiar, Lula pode até dizer que conseguiu escandalizar tanto a esquerda quanto a direita.
Mas o que ele deixa como legado para os costumes políticos é algo no mínimo surpreendente e ainda vai oferecer material para anos de estudos na academia, em particular para pesquisadores de comunicação social, ciência política, semiologia, sociologia política. É que os anos Lula são ricos de inversões e apropriações nos domínios da linguagem. Estudar aspectos como o lugar da fala, os tipos de discursos, os aspectos polissêmicos concernentes, as condições do discurso, o uso de metáforas e analogias e... tudo isso, somado às características da personalidade do presidente Lula, coloca diante de nós tarefa de longo percurso e extenso alcance.
Fica evidente que é comunicador de excelência, desses que tem apenas uma única preocupação na vida política – se fazer entender. E não será o protocolo presidencial, a liturgia do cargo, a interlocução privilegiada que o fará mudar o discurso. Seu discurso é sua fala. E não existe nada tão arraigado no ser humano quanto sua posse da palavra e dos meios de se comunicar. Até porque não sabemos onde começa e onde termina o discurso em se tratando de Luiz Inácio. Certas palavras e determinados palavrões pronunciados por Lula, de acordo com a ocasião e o público-receptor, parecem despidas de sua conotação mais evidente. E foi o que aconteceu em sua recente viagem a São Luis do Maranhão, em 10 de dezembro último
UM DESRESPEITO TOTAL
Fracasso. Não há outra palavra à altura do resultado de Copenhague, o maior encontro diplomático de todos os tempos se arrastava para um desfecho inglório, sem nenhum compromisso concreto de redução de emissões por parte dos países ricos nem garantia de dinheiro para os pobres.
A declaração do presidente americano Barack Obama, que saiu de uma reunião com China, Índia, África do Sul e Brasil dizendo ter chegado a um acordo "sem precedentes" com os países emergentes, deverá entrar para a história como um desrespeito igualmente sem precedentes aos milhares de ativistas, diplomatas, empresários e jornalistas que passaram frio, apanharam da polícia, ficaram sem comer e sem dormir durante duas semanas de desgastantes negociações na capital dinamarquesa. Sem falar nos outros milhões de pessoas que acompanharam o processo à distância, pela imprensa, à espera de um acordo minimamente efetivo no sentido de combater as mudanças climáticas.
Obama também se esqueceu de dizer que o tal acordo "sem precedentes" - e sem metas - ainda precisava ser aprovado em reunião plenária por todos os outros países signatários da Convenção do Clima das Nações Unidas (193 no total). Pegou o avião e foi embora sem perguntar para Tuvalu e outras pequenas nações insulares se elas estavam de acordo com o risco de serem inundadas pela elevação do nível do mar. Mas não esqueceu de ressaltar que os EUA "não estão legalmente vinculados a nada do que aconteceu aqui". Ou seja: além de não trazer metas, o acordo não teria força de lei. Seria só um acordo político.
Todas as decisões da Convenção precisam ser tomadas por consenso, com aval de todas as nações. Os presidentes foram embora, deixando seus diplomatas à espera de algum anjo ou sábio capaz de resolver a questão. O tal acordo anunciado por Obama não passa de uma carta de intenções, com algumas promessas de financiamento, mas nenhuma obrigatoriedade de resultados.
Desnacionalização
Empresas transnacionais querem internacionalizar, desnacionalizar e obviamente cartelizar mais e mais a comunicação no Brasil. O Projeto de Lei número 29, em tramitação na Câmara Federal, é um exemplo claro dos movimentos intervencionistas imperiais para retirar qualquer restrição ou defesa para livre operação dos oligopólios internacionais na tv por assinatura e também para que as telefônicas transnacionais - com suas sinistras ramificações de acionistas e anunciantes que conduzem até à indústria bélica - possam atuar na televisão local, em todas as modalidades. Para confundir os distraídos e ingênuos discutiram "cotas de produção nacional", quando deveria ser o contrário.
É indispensável que o Brasil tenha um instrumento de estado capaz de sustentar a soberania informativo-cultural dos brasileiros, como também restrições a esta deletéria invasão estrangeira de ideologias e valores imperiais, sustentados por grandes empresas estadunidenses, muitas delas localizadas no epicentro da crise financeira internacional e que, impunemente, continuam a beneficiar-se da emissão de dólar sem lastro, papel pintado, com o qual bancam projetos de renovada ingerência na América Latina.
Fazem parte deste projeto, entre outras, ações como a do Usaid, financiando praticamente a fundo perdido, Ongs , jornalistas e intelectuais latino-americanos para a defesa dos valores estratégicos do Departamente de Estado dos EUA sempre entrelaçados com os grandes interesses das empresas norte-americanas, como denunciam a advogada norte-americana Eva Golinger e o jornalista canadense Jean-Guy Allard. Essas operações são ampliadas agora pela recente determinação do programa radiofônico oficial do governo dos EUA, a "Voz da América", que decidiu fortalecer sua presença na América Latina, convocando jornalistas para cursos e estabelecendo um formato de rede com outras 300 emissoras de rádio na região.
Carnaval, Rede, Câmara Cascudo, Villa-Lobos...
O povo brasileiro foi capaz de desenvolver inúmeras experiências sócio-culturais altamente comunicativas. Mencionemos a inteligência da invenção da rede lembrada por Câmara Cascudo, ou dos Coros Orfeônicos de massa criados pelo gênio de Villa-Lobos durante a Era Vargas. Ou do Cine-Educativo de Roquette Pinto e Humberto Mauro, nesta mesma fase de nossa história, quando a Rádio Nacional chegou a ser a quarta mais potente emissora do mundo, emitindo em 4 idiomas, alcançando todos os continentes e tendo entre seus cronistas intelectuais como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Nestor de Hollanda, Cecília Meirelles etc. Tão significativa foi aquela experiência comunicativa da emissora estatal que Carmem Miranda chegou a ser das principais cantoras nos Eua e a música "Aquarela do Brasil" a canção mais tocada no mundo em certo momento. Produziu-se importante publicação de integração cultural panamericana como "Pensamento da América", retratada no interessante livro "América aracnídea". E nem é preciso discorrer muito sobre esta exuberante expressão de comunicação de alcance planetário que é o Carnaval Brasileiro. Se lembrarmos que tivemos uma Rádio Mauá – a Emissora do Trabalhador - com razoável participação de segmentos sindicais e que fomos capazes de criar o programa como o "Voz do Brasil" quando o país era rural, quando as taxas de leitura eram ainda mais indigentes que as de hoje, um programa que chegava e ainda chega a todos os grotões levando informação relevante dos poderes públicos e que hoje está ameaçado pelos magnatas da comunicação que preferem o Voz da América.....constatamos que podemos aproveitar parte importante da nossa história. A Confecom é a oportunidade para tomar consciência de nossas vulnerabilidades informativo-culturais, dimensionar com realismo nossa imensa dívida e para iniciar a construção de um novo rumo a seguir, um modelo democrático , brasileiro e soberano de informação
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
AS MUDAS DE ÁRVORES PLANTADAS PELO PROJETO ÁGUA LIMPA
Nossa reportagem, agora passado alguns meses do início do plantio de árvores do Projeto Água Limpa, voltou a beira das nascentes e do Rio Pratos para ver as condições das mudas plantadas após as chuvaradas e o transbordamento do rio por diversas vezes. O que vimos foi muito triste. E para quem está envolvido com o projeto, deve ser mais triste ainda, pois cada vez que o rio transborda a água traz consigo galhos, folhas, plástico e tantas coisas mais que vão levando tudo por frente. As árvores continuam lá, seu desenvolvimento dentro do previsto para o tempo de plantio, porém, poucas de pé. A correnteza da água e os dejetos que traz consigo vão deitando as mudas, conforme mostram as fotos, fazendo com que o pessoal envolvido no plantio, replantio e cuidados das árvores, tenham que retornar ao local, levantar e firmar no solo muda por muda e sonhar que a próxima enxurrada não venha. Cada vez que isso acontece, e tem se repetido tantas vezes que o custo começa a tornar-se um serio problema para os executores do projeto. Perguntados se isso não os desanima, a resposta foi de otimismo: Vamos voltar lá tantas vezes quantas for preciso, mas é necessário que as pessoas de conscientizem disso e façam a sua parte, pois o futuro da água que bebemos não é um problema só nosso, é de toda a comunidade.
FALAM OS NÚMEROS;
A diversidade de públicos exige uma diversidade de políticas fundiárias. Em sete anos mais de 170 mil famílias receberam título de propriedade por intermédio da regularização fundiária; 74 mil famílias tiveram acesso a terra via o programa de crédito fundiário; 4.300 famílias de quilombolas foram reconhecidas e tituladas. Na Amazônia, o Programa Terra Legal iniciou recentemente suas ações voltadas para recuperar terras griladas e para que 300 mil posseiros tenham direito à terra. Durante os últimos sete anos foram assentadas 550 mil famílias em mais de 44 milhões hectares em todo o país.
São números impressionantes. A publicação dos dados do Censo Agropecuário 2006 mostrou que a agricultura familiar responde com eficiência e rapidez às políticas públicas. Mostra, de forma clara, como ter uma agricultura familiar forte e produtiva é uma vantagem comparativa para o Brasil. É na agricultura familiar que encontramos diversificação produtiva, mais trabalho, mais produção e mais renda por hectare. Reverteu-se a tendência do esvaziamento do campo. Entre 1985 a 1995/1996 desapareceram 941 mil estabelecimentos agropecuários; de 1996 a 2006 houve um crescimento inédito: 315 mil novas unidades. E o melhor da história: enquanto entre 1985 a 1995/1996 o esvaziamento foi principalmente entre os pequenos estabelecimentos (perderam 9 milhões de hectares), em 2006 são os pequenos com até 100 ha que voltam a crescer em número (quase 130 mil novos estabelecimentos agropecuários) e em área ( mais 115 mil hectares), enquanto os grandes com mais de 1.000 ha são os que estão reduzindo em número e área (menos 12,9 milhões de hectares !). Ou seja, não só os grandes estão ficando menores, como estão perdendo terreno para a agricultura familiar.
Esta visão ampliada sobre a reforma agrária está sintonizada com uma visão de desenvolvimento rural que integra cidadania, segurança alimentar e sustentabilidade ambiental. Expressa uma percepção ampliada sobre o rural ao reconhecer que, na grande parte dos municípios brasileiros, a dinâmica econômica e social está vinculada a agricultura e que seu desenvolvimento envolve a articulação territorial de atividades agrícolas e não-agrícolas, processamento agroindustrial e serviços.
QUE PAPELÃO, O EMPRESÁSARIO É TEU PATRÃO.
O ministro das Comunicações, Hélio Costa, foi insistentemente vaiado durante a sua fala na abertura da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). Ao ser chamado pelo mestre de cerimônias, as vaias começaram. Mal começou a falar sobre o "sucesso da conferência" – segundo ele, amplamente democrática por contar com a participação de todos os setores -, e o plenário gritava "Hélio Costa, que papelão, o empresário é teu patrão".
Visivelmente constrangido, o ministro cortou seu discurso e deixou o púlpito antes do previsto. O chefe da pasta responsável pela organização da Confecom e principal órgão de regulação do setor acabou sem falar de nenhuma pauta específica. A exceção foi a digitalização da TV.
Hélio Costa, apesar das vaias, não perdeu a oportunidade para citar o que deve ser o principal tema de propaganda da sua gestão à frente do ministério: a idéia de que a TV digital é um sucesso, que o "sistema brasileiro" está ganhando terreno na América do Sul e que impulsionará a indústria brasileira.
OS TUCANOS E O EFEITO TEQUILA
Em primeiro lugar, em continuidade com a política do governo FHC, o Brasil teria aprovado a ALCA – a Área de Livre Comércio para as Américas. O Brasil estaria submetido ao livre comércio, ao contrário dos processos de integração regional. O Mercosul teria terminado, não existiriam o Banco do Sul, a Unasul, o Conselho Sulamericano de Defesa.
As conseqüências atuais podem ser constatadas na forma como um país que assinou um Tratado de Livre Comércio com os EUA e o Canadá, como o México, e outro, de tamanho proporcional, como o Brasil, que teve papel destacado na inviabilização da ALCA e optou pelos processos de integração regional. O presidente do México, Felipe Calderón, tinha convidado a Lula para que os dois países fossem juntos ao FMI. Lula respondeu que nosso país não precisa mais disso e, ao contrário, terminou fazendo empréstimos ao FMI.
Mas o pior viria depois, com a crise: pode-se imaginar o tamanho da recessão em que se envolveu o México – menos 7% do PIB, menos 16% da produção industrial neste ano – e os seus efeitos prolongados sobre uma economia que se tornou absolutamente dependente do vizinho do norte – onde se originou a crise e onde ela se revela de forma mais acentuada e prolongada.
Enquanto isso, o Brasil, assim como os países que privilegiaram a integração regional, saiu rapidamente da crise e voltou a crescer, além de, pela primeira vez, impedir que os pobres pagassem o preço da crise, ao manter as políticas sociais, seguir elevando o poder aquisitivo dos salários e os empregos formais.
Além disso, se diversificou o comércio internacional do Brasil – a China é o nosso primeiro parceiro comercial, não mais os EUA -, fazendo com que, pela primeira vez, se supere uma crise internacional sem depender da recuperação da economia norteamericana, da européia ou da japonesa, que seguem em recessão. Se intensificou também muito o comércio interrregional, entre o Brasil, a Argentina, a Venezuela, a Bolívia e os outros países dos processos de integração regional.
Nenhum desses três fatores – diversificação do comércio internacional, intensificação do comercio regional e expansão do mercado interno – estaria presente se os tucanos – FHC, Serra, Alckmin – continuassem governando. O quadro mexicano é a cara triste e angustiante que teria o Brasil, se os tucanos estivessem governando o país.
Esse é o tema que estará em jogo nas eleições do ano próximo. Por isso Aecio Neves diz que "será um candidato pós-Lula e não anti-Lula", que "não convêm (aos tucanos) comparar números e Serra pretende ter um perfil próprio, querendo desvincular-se do governo de que foi ministro durante oito anos. Mas o caráter plebiscitário das eleições é inevitável, um plebiscito entre dois Brasis, o de FHC e Serra contra o de Lula e de Dilma.
O ETERNO GOLPISMO
Rigoberta Menchú, Prêmio Nobel da Paz, se somou à rejeição internacional ao golpe perpetrado contra Manuel Zelaya. Foi categórica ao declarar que "a paz não foi firme e duradoura porque não havia um consentimento de legitimar as instituições democráticas. Havia boa vontade e muitos dos dirigentes tinham a pressão dos tempos - sentiam novos tempos. Esse período serviu, lamentavelmente, para que os setores oligárquicos se reacomodassem e o resultado é o que vemos hoje".
Mais que uma constatação, suas palavras descrevem uma viagem no tempo. Zelaya, abrigado na embaixada brasileira, não era apenas a visão do retrocesso institucional, mas um transe que não obedece a estruturas lineares, ordenadas e lógicas. Para apreender a realidade centro-americana não bastam as categorias e conceitos da Ciência Política. Eles são de pouca serventia se não se inserem na tessitura cruel do realismo mágico. Naquilo que emoldura o golpismo eterno dos oligarcas
LULA NA VISÃO DO MUNDO E DA MÍDIA
Quando Lula não apenas discordou da mandatária alemã Ângela Merkel e também disse que as potências atômicas não têm moral para exigir que o Irã não tenha direito ao seu programa nuclear, percebemos novamente como opera a linha editorial subproduto do princípio ideológico do "Eixo do Mal". Há uma ausência sistemática de sintonia entre o eco internacional positivo das falas presidenciais e o tratamento editorial negativo que a mídia nacional lhe atribui, quase por unanimidade.
Primeiro, há que reconhecer: Lula tem tido a audácia de tocar em temas considerados intocáveis como, por exemplo, ao questionar e criticar a reserva de mercado de fato de um clube restrito de países atômicos que pretende impor o desarmamento aos demais países. E, quando algum destes países periféricos reivindica o direito natural e histórico à isonomia de também possuir tecnologia nuclear é logo condenado como se seus objetivos fossem inquestionavelmente terroristas. E são logo colocados no "Eixo do Mal" criado pelo belicoso George Bush.
Não podemos esperar informações objetivas e verazes sobre estes processos. Afinal, trata-se de uma mídia que segue o manual de jornalismo do "Eixo do Mal" e condena tudo o que questione esta linha, como agora critica Lula por sua audaciosa posição contra os privilégios dos países atômicos que querem manter os outros desarmados.....Tudo isto tem tradução no jornalismo. Ou seja, Lula tem sido singular construtor de pautas para um jornalismo independente. É preciso aproveitá-las com criatividade e originalidade. Ter a audácia, como Lula o faz em política internacional, de discordar da linha editorial convencional sobre temas tão complexos.
